Jesus chamou Pedro de “Satanás”?

Jesus chamou Pedro de “Satanás”?

Que eu saiba, o nome do discípulo era Simão e Jesus o chamou de Cefas — que em português é Pedro (João 1:42). Fora isso, desconheço que o Mestre tenha Se enganado, chamando-o por outro nome. Mas é verdade que “Satanás” foi citado por Jesus enquanto conversava com Pedro.

Mas, antes de falar disso, lembremos de Eva embaixo da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal — também chamada de “Árvore Proibida”, resultado de Deus ter “proibido” que seus frutos fossem consumidos.

Não sabemos a razão — a Bíblia não gasta tempo em explicar —, mas Eva se dirigiu até essa árvore e ali começou a travar uma conversação. Pelo que tudo indica, achava estar falando com uma serpente, um dos belos e perfeitos animais feitos por Deus. No entanto, era o anjo caído quem estava ali, e com uma conversa totalmente diferente da que ela havia ouvido diretamente de Deus. Na sequência, Eva falou as palavras desse inimigo para Adão — e isso significa que ela foi usada como instrumento de Satanás.

Anos mais tarde, nos tempos de Jeroboão I, a história se repetiu com um enredo diferente (1 Reis 13). Deus chamou um jovem profeta de Judá e lhe deu uma missão e uma ordem. A missão era ir até Betel e censurar o rei por ter erguido altares que não tinham o consentimento divino. A ordem era para que ele, profeta, no retorno da missão, voltasse em jejum e por uma estrada diferente da que usaria para ir.

No entanto, ao sair de Betel, um velho profeta o alcançou no caminho e lhe contou uma mentira deslavada. Alegou ter recebido a visita de um anjo, e que este lhe repassara uma ordem vinda do Céu: Deus lhe pedira para demovê-lo de fazer o retorno em jejum.

Não desconfiando serem palavras de Satanás, o jovem aceitou o convite, foi para a casa do mentiroso, comeram juntos, e só depois prosseguiu a viagem. Porém, embora nos pareça inocência de sua parte, isso era desobediência à instrução direta que havia recebido de Deus.

Quanto ao idoso e falso profeta, ele não estava possuído por um demônio; mas, usado por este, serviu de porta-voz para enganar e desviar um bom jovem do seu propósito divino.

É sob essa mesma ótica que precisamos ler o famoso e chocante diálogo em Mateus 16.

Pedro, Deus Pai e Satanás

Instantes antes de ouvir Jesus dizer “para trás de Mim, Satanás!”, Pedro havia tido um momento sublime de iluminação divina. Quando o Mestre perguntou aos discípulos quem Ele era, Pedro se antecipou a todos e declarou com firmeza: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. A essa resposta, Jesus comemorou dizendo que aquilo não havia sido revelado por carne ou sangue, mas pelo Pai que está no Céu. Naquele segundo, portanto, Pedro foi o canal puro da revelação de Deus.

Contudo, logo em seguida, o Senhor Jesus começou a abrir o coração e revelar o ponto central da história: que, sendo o Cristo, iria cumprir a vontade do Pai indo para Jerusalém, onde daria a Sua vida em resgate da nossa. E não poupando os detalhes, disse ainda que iria sofrer nas mãos dos líderes religiosos, ser crucificado e, ao terceiro dia, ressuscitar — e foi aí que a lógica humana de Pedro entrou em curto-circuito. Ele não conseguia aceitar que a salvação da humanidade exigia a morte do seu Mestre.

Tomando Jesus à parte, Pedro começou a repreendê-Lo, dizendo: “Tem compaixão de Ti, Senhor! Isso de modo algum Te acontecerá!” — e foi nesse exato momento que Jesus usou as palavras “para trás de Mim, Satanás!

O que Jesus realmente estava dizendo?

Jesus não estava diagnosticando uma possessão demoníaca em Pedro. Ele não estava fazendo uma obra de libertação nem expulsando um demônio do Seu discípulo. Ocorre é que Pedro, movido pelo afeto humano e por um amor bem-intencionado, demonstrava estar é cego e desalinhado com a missão divina. Sugerir a Cristo que Ele não fosse para a cruz equivalia a encaminhá-Lo para a desobediência e anulação da “vontade do Pai”. Mesmo que inocentemente, Pedro estava propondo o mesmo que o diabo propôs a Jesus no deserto da tentação: o reino sem o sofrimento, a vitória sem o sacrifício.

Simão Pedro não percebeu que a sua boca, recheada de “boas intenções”, havia se tornado o canal para o inimigo tentar desviar o Salvador da cruz. As palavras saíram de seus lábios, mas a mentalidade por trás delas era a do adversário de Deus e acusador dos irmãos.

A lição para todos nós

Esse episódio nos deixa um alerta solene e inesquecível: é possível estar perto de Jesus, amar a Jesus e, ainda assim, proferir palavras que não se originaram em Deus.

A mesma boca que num momento projeta uma verdade divina pode, no instante seguinte, se não estiver vigilante, dar voz a sentimentos e conselhos que combatem a vontade de Deus.

Jesus não rejeitou Pedro como pessoa, mas rejeitou sumariamente a mentalidade que saía da sua boca. Ao dizer “para trás de mim”, o Mestre colocou Pedro de volta no seu devido lugar: o de um discípulo que caminha atrás do Mestre, e não o de alguém que tenta ensinar ao Mestre qual caminho Ele deve seguir.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira

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Por que não devo amar o mundo se Deus amou o mundo?

Por que não devo amar o mundo se Deus amou o mundo?

De que “mundos” estamos falando? Se achamos que são os mesmos, começamos errado.

Há um aparente curto-circuito na teologia popular que costuma travar a mente do leitor desavisado. De um lado da Bíblia, João 3:16 ecoa como o hino supremo da nossa esperança, afirmando categoricamente que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito”. Do outro lado, na mesma biblioteca joanina, 1 João 2:15 dispara um freio de mão violento: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”.

Afinal, se o mandamento do Evangelho é imitar o Criador, por que somos ordenados a nos afastar daquilo que Ele mesmo amou? É essa aparente colisão de ordens que desafia a nossa interpretação e exige que compreendamos o cenário por trás das palavras.

Antes de abrirmos a caixa de ferramentas exegética, precisamos estabelecer um filtro de isolamento na introdução deste debate: a criação material não está na mesa. Quando a Bíblia nos adverte sobre o perigo de amar o mundo, ela não está demonizando as florestas, o cantar dos pássaros, o azul dos oceanos ou a complexidade das galáxias. O planeta é o palco da criação, declarado por Deus como “muito bom” desde o Gênesis. O nó que precisamos desatar não é ecológico ou biológico; é de geografia espiritual. O segredo para resolver esse paradoxo reside em compreender que a palavra grega Kosmos possui diferentes facetas, e confundi-las é o caminho mais rápido para a falência da nossa prática cristã.

O primeiro mundo: O objeto do amor (As Pessoas)

O primeiro Kosmos que precisamos colocar na mesa é o mundo das biografias. Em João 3:16, a palavra não designa um arranjo geográfico ou uma estrutura política; designa gente. É o mundo das dores humanas, das almas feitas à imagem e semelhança do Criador, mas que se perderam no labirinto da queda.

Para a mente de Deus, esse mundo é o objeto de um amor sacrificial avassalador. É o mundo do necessitado que estende a mão, do discriminado que precisa de acolhimento e de cada indivíduo que pulsa vida e necessita de redenção.

Nesse aspecto, o cristão não tem a opção de se isolar. O “ide” de Jesus é um mandamento de imersão nesse Kosmos. Amar o mundo, sob essa ótica, significa chorar com os que choram, estender a mão ao caído e compreender que a mesa da graça é infinitamente maior do que as nossas barreiras humanas. O oposto desse amor não é a santidade; é o egoísmo religioso que prefere manter a distância do sofrimento alheio.

O segundo mundo: O objeto do alerta (O Mundanismo)

No entanto, quando saltamos para a Epístola e ouvimos o mandamento de “não amar o mundo”, o Espírito Santo muda cirurgicamente o foco da lente. Aqui, o Kosmos deixa de ser o conjunto de pessoas e passa a designar o mundanismo — o sistema invisível, a engrenagem cultural, ideológica e de valores que tenta organizar a sociedade de costas para Deus.

O sistema-mundo é a ditadura do ego. É o arranjo sutil que dita que o indivíduo deve reter em vez de ceder, que a satisfação própria deve estar acima do bem coletivo, e que o sucesso é medido pelo poder e pela autossuficiência.

O mundanismo é a postura que dispensa o Criador, alimentando o que João de forma precisa sintetizou como

  • A concupiscência da carne;
  • A concupiscência dos olhos;
  • A soberba da vida.

Esse sistema é intrinsecamente hostil ao Reino porque ele desumaniza o próximo para inflar o orgulho individual. Portanto, a ordem para não amar o sistema não é um convite ao ódio azedo contra a cultura, mas um aviso de preservação contra uma força que tenta padronizar a nossa mente e anestesiar o nosso coração.

A tragédia da atração pelo “presente século”

Há poucas tragédias teológicas tão silenciosas e marcantes nas Escrituras quanto a história de Demas, o companheiro de viagens de Paulo.

Mencionado nas primeiras cartas do apóstolo como um cooperador fiel ao lado de gigantes da fé como Lucas e Marcos, Demas acaba tendo a sua trajetória selada com uma das frases mais melancólicas de todo o Novo Testamento: “Demas me abandonou, tendo amado o presente século” (2 Timóteo 4:10).

Demas não era um inimigo declaradamente oposto ao Evangelho, mas alguém cujo coração foi vencido pelo desgaste da jornada e pelas atrações sutis da conveniência do segundo mundo. Sua ruína não aconteceu num estalar de dedos; foi a corrosão lenta de quem começou ao lado da cruz, mas terminou buscando o refúgio seguro de Tessalônica por não suportar o custo do discipulado. Demas é o retrato vivo do perigo de se amar o sistema.

Conclusão

A aparente contradição, portanto, desmorona diante da clareza dos conceitos. O paradoxo se resolve em uma inversão cirúrgica: nós devemos amar tanto as pessoas (o primeiro mundo) que nos tornamos absolutamente incapazes de amar o sistema (o segundo mundo) que as destrói.

A grande tragédia contemporânea é que frequentemente fazemos o inverso. Vivemos imersos na engrenagem invisível deste século, adotando a ganância, o consumo, a vaidade e a busca frenética pelo status que caracterizam o sistema-mundo, enquanto criamos barreiras para nos isolar e julgar as pessoas reais que necessitam de amparo. Amamos o mundanismo e rejeitamos o pecador, invertendo por completo o DNA do Evangelho.

O texto de João serve como um solene monumento de advertência para a nossa caminhada. Ele prova que o limite da nossa espiritualidade é determinado pela nossa capacidade de refletir a Luz correta. Quando Jesus esteve aqui, Ele Se declarou a Luz do mundo, mas Ele foi além: Ele nos capacitou a ser a luz do mundo também. Isso significa que fomos deixados aqui para funcionar como um espelho da eternidade. É através de nós, da nossa recusa em alimentar o sistema e do nosso compromisso em amar as pessoas, que o Criador é visto pela humanidade ferida.

Que sejamos rápidos em purificar a nossa visão, abandonando a paixão pelas estruturas vazias deste século e correndo com ousadia para iluminar os corações, compreendendo que a única forma de dissipar as trevas do sistema é mantendo a nossa vida inteiramente ligada na Videira.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira

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É perigoso tirar um texto de seu contexto?

É perigoso tirar um texto de seu contexto?

Além de perigoso, não é honesto. E dentre os vários exemplos, podemos citar 1 Coríntios 13 e 15.

Quase que unanimemente, 1 Coríntios 13 é usado em casamentos. É dado a ele uma aplicação romântica, amorosa. Mas no contexto imediato e direto, Paulo está é dando uma bronca!

Quanto a 1 Coríntios 15, esse capítulo é frequentemente usado para explicar a doutrina da ressurreição. Mas o que Paulo tem por objetivo é puxar a orelha dos irmãos que viviam dissolutamente. 

Ao desatarmos o nó dessas duas passagens, percebemos que o hábito de recortar a Escritura para adornar nossos discursos não é apenas um deslize hermenêutico; é uma tentativa sutil de amortecer o impacto da Palavra de Deus sobre a nossa própria conduta.

O  “Hino do amor” era, na verdade, uma reprimenda

Para entender 1 Coríntios 13, precisamos primeiro olhar para o caos da igreja de Corinto. Aquela comunidade não sofria por falta de dons espirituais; sofria por sobra de orgulho. Era uma igreja performática, infantil e profundamente dividida por vaidades espirituais. Os irmãos usavam os dons da fé, da profecia e das línguas como troféus para medir quem era mais “espiritual”, transformando o culto em um palco de autoafirmação.

É nesse ambiente de disputa de egos que Paulo faz brilhar o capítulo 13. A famosa descrição do amor — “o amor é paciente, é bondoso, não se ufana, não se ensoberbece” — não foi escrita para compor o carimbo de um convite de casamento ou para servir de trilha sonora no altar. Era uma régua moral colocada sobre a imaturidade dos coríntios. O apóstolo está declarando que o amor é aquilo que eles não eram!

Quando Paulo afirma que “ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retumba”, ele não está poetizando. Ele está dizendo: “A espiritualidade de vocês é barulho. O dom de vocês, sem transformação de caráter, é apenas som alto em pura vaidade”.

Ler esse capítulo com lentes românticas, portanto, nos faz esquecer que ele nasceu como um espelho de confrontação: uma prova de que a manifestação do dom sem o fruto do Espírito é apenas uma fraude piedosa.

A “ressurreição” era um alerta para a prestação de contas

O equívoco se repete quando chegamos a 1 Coríntios 15. Ao longo da história da igreja, transformamos esse texto em um tratado acadêmico de escatologia ou em um sermão exclusivo para cultos fúnebres. É verdade que, nessa passagem, o apóstolo apresenta uma das mais belas defesas teológicas do corpo ressurreto e do triunfo sobre a morte. Contudo, a doutrina ali exposta não era um fim em si mesma. Era o projétil teológico de Paulo contra uma crise ética devastadora.

Parte daquela igreja trazia a rançosa ideia grega do dualismo: que na morte, a alma se separa do corpo. E porque o corpo é mau, fica na sepultura; quanto a alma, por ser intrinsecamente boa, ela viaja para uma dimensão espiritual. Sendo assim, não há ressurreição.

Essa teologia torta provocava consequências trágicas de imediato: “Se o corpo não vai ressuscitar, o que eu faço com ele hoje não importa. E quanto ao futuro, ele não passará por juízo”. Resultado: escândalos de imoralidade dentro da igreja; irmãos processando irmãos; exibição de dons inúteis; e a famosa mentalidade do “comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (1 Coríntios 15:32).

Ao provar que a ressurreição física é a espinha dorsal do Evangelho, Paulo não estava querendo apenas preencher o intelecto dos irmãos. Ele estava preparando o terreno para a tacada final do capítulo. O clímax de 1 Coríntios 15 não é uma especulação sobre como serão nossos corpos glorificados, mas sim o imperativo ético da última linha: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor”.

Ele usou a eternidade para alinhar o comportamento do presente. Ele ensinou sobre a ressurreição para estancar a devassidão.

Conclusão

Arrancar um texto de seu contexto original para atender aos nossos gostos emocionais ou homiléticos é um anestésico perigoso. Quando transformamos a reprimenda de 1 Coríntios 13 em romance, fugimos do confronto contra a nossa própria vaidade. Quando reduzimos 1 Coríntios 15 a um debate teórico sobre o futuro, escapamos do compromisso com a santidade no presente.

A Bíblia não foi escrita para ser um mosaico de frases de efeito manipuláveis ao nosso bel-prazer. Ela é um organismo vivo, onde cada instrução tem endereço, hora e propósito. Que sejamos leitores honestos, capazes de resistir à tentação de amaciar as Escrituras, permitindo que a bronca dos apóstolos cumpra o seu papel original: desinstalar o nosso orgulho e nos alinhar, de fato, com a verdade da cruz.

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Por que Jesus não chamou Judas de “inimigo”?

Por que Jesus não chamou Judas de “inimigo”?

Ora, por que não continuar chamando-o de “amigo”? Três anos e meio juntos. Com certeza, eram amigos.

Duvido que a traição tenha sido o único pecado de Judas. E tendo havido outros, nem por isso Jesus rompeu a amizade. Por sinal, não era por todos os pecados que Jesus estava dando a Sua vida?

Precisamos entender que, assim como não há pecador que não possa ser salvo, não há pecado que não possa ser perdoado — Aliás, peço perdão, acabei de lembrar de um. Tem um pecado que não pode. Você se lembrou dele também?

A teologia popular costuma responder de pronto que a blasfêmia contra o Espírito Santo não tem perdão — e está correto afirmar isso. Mas o nó que precisamos desatar não está na nomenclatura do pecado imperdoável, e sim na anatomia do coração de quem o comete.

Muito antes de o traidor carimbar o rosto do Messias com o beijo da morte, a semente desse “fechamento definitivo para a graça” já havia sido plantada na história. Para entender por que o pior dos pecados não está na gravidade do ato em si, mas na recusa obstinada em aceitar o perdão, precisamos colocar duas contabilidades na mesa e fazer um pingue-pongue teológico entre o Sinédrio e uma jumenta no deserto.

Antes das pedras, até as jumentas falarão

Séculos antes de Judas calcular o lucro de sua traição nos bastidores do templo, outro homem de negócios espirituais tentava precificar o invisível: Balaão — que, mesmo diante do ocorrido, continuou sendo chamado de “profeta”.

Contratado pelo rei Balaque para amaldiçoar o povo de Israel, Balaão revelava nos olhos o brilho das moedas de ouro e prata que receberia. Ele queria o lucro financeiro, firmando-se na cegueira espiritual. Foi preciso que sua própria jumenta enxergasse o Anjo do Senhor com a espada desembainhada no caminho para que ele entendesse que não se coloca preço naquilo que pertence a Deus. Balaão recuou temporariamente, pois não era tolo por completo: temia a lâmina do juízo.

Judas, porém, foi muito além de Balaão. Ele não andou apenas no caminho do Anjo da Aliança; ele caminhou na mesma poeira, comeu dos pães e peixes multiplicados e ouviu a voz de Jesus sem intermediário algum. E, ainda assim, permaneceu perigosamente cego e surdo. Judas achou que estava negociando o Mestre no balcão do Sinédrio por trinta moedas de prata — o preço legal de um escravo ferido, segundo o Livro de Êxodo. Ele tentou enquadrar o Infinito em um livro de contabilidade humana. O que o discípulo não percebeu é que o dinheiro que pesava em sua bolsa não comprava o sangue de um Justo; comprava apenas a certidão de sua própria falência espiritual. Ele precificou o Salvador e acabou descobrindo o preço de sua própria ruína.

O beijo era a senha; “amigo” era o convite

É nesse cenário de traição consumada que o Getsêmani se torna o palco de uma das declarações mais desconcertantes da história. Quando Judas se aproxima liderando uma milícia armada com espadas e porretes, Jesus olha nos olhos daquele que O vendera e diz: “Amigo…” (Mateus 26:50).

Por que não chamá-lo de traidor? Por que não desmascará-lo como inimigo diante dos soldados? Porque aquela palavra, “amigo”, foi a última e mais poderosa provocação da graça. Não era ironia; era o convite da última hora. Era Jesus confrontando a contabilidade mesquinha do discípulo e dizendo, nas entrelinhas do silêncio: “O que Eu tenho para você vale infinitamente mais do que trinta moedas de prata, e Eu faço questão de que você o receba”.

A mesma chance absoluta que seria dada horas mais tarde ao ladrão agonizante na cruz — e que foi prontamente aceita por ele na undécima hora —, estava sendo estendida a Judas ali, sob as oliveiras. O sangue que seria vertido no Calvário tinha poder de sobra para lavar as trinta moedas e purificar os lábios do traidor.

E é aqui que descobrimos qual é o único pecado que não pode ser perdoado: o pecado da recusa; o de não querer ser perdoado; o de não se deixar ser salvo. A blasfêmia contra o Espírito Santo é o endurecimento crônico do coração que, embora seja chamado de amigo, insiste em produzir inimizade.

Naquela quinta para sexta-feira, Judas não foi o único a pecar. Pedro está na foto também. Um vendeu; o outro, negou. Mas houve uma diferença. Quando o galo cantou, Pedro desabou no choro. Quando Jesus olhou em seus olhos, ele aceitou a sua falência e permitiu que a graça o encontrasse. Diferentemente, quando o remorso bateu, Judas correu para o Templo na tentativa de anular o contrato infame. Ao ouvir dos sacerdotes o frio “isso é contigo”, cedeu ao desespero. Judas não se perdeu porque o seu pecado era grande demais para a cruz, mas porque o seu orgulho era grande demais para pedir e aceitar o perdão. Ele preferiu o nó da corda ao escândalo de se ajoelhar diante do Único que ainda o chamava de amigo.

Conclusão

A trágica história do discípulo que morreu sem perdão serve como um solene monumento de advertência para a nossa geração. Ela prova que o tamanho da nossa culpa nunca será o fator determinante para o nosso destino eterno, mas sim a nossa postura diante da mesa da graça. No entanto, o convite que ecoa desde o jardim do Getsêmani continua o mesmo. Diante dos nossos piores erros e das nossas mais profundas traições, a voz do Mestre ainda nos aborda de frente, ignorando os nossos títulos de inimigos e nos chamando de “amigo”.

Que sejamos rápidos em largar as nossas moedas de desespero e em correr para os pés dAquele que voluntariamente deu a vida na cruz, entendendo que a única barreira capaz de deter a superabundância do perdão de Deus é a nossa própria recusa em aceitá-lo.

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Por que o véu do Templo foi rasgado de cima para baixo?

Por que o véu do Templo foi rasgado de cima para baixo?

E por que teria que ser de baixo para cima? Algum ser humano teria interesse em fazer isso? Certamente que não. Mas se surgisse um, Caifás o crucificaria com as próprias mãos.

Nenhum sacerdote judeu, em sã consciência, ousaria tocar naquela cortina imponente, e muito menos com o propósito de destruí-la. Para a mentalidade da época, rasgar o véu voluntariamente seria o equivalente a cometer um suicídio espiritual ritualístico. No entanto, o fenômeno sobrenatural registrado nos Evangelhos no exato momento da morte de Cristo carrega uma engenharia que a maioria de nós deixa passar batida. A verdade é que a direção daquele rasgo revela quem estava, de fato, trancado numa cela e quem decidiu abrir a sua porta.

O homem do lado de cá da cortina

O senso comum teológico costuma nos dizer que o véu existia para separar o compartimento chamado de “Santo” do outro denominado de “Santíssimo” — o lugar da presença de Deus. Até a cortina, a impureza humana; após, a santidade de Deus. Mas a realidade bíblica nos mostra algo peculiar: o véu era o símbolo máximo da nossa exclusão. Quem estava trancado éramos nós, do lado de cá da cortina. O homem, prisioneiro de sua própria condição caída, olhava para aquela imensa barreira de baixo para cima e enxergava a sua total incapacidade de alcançar o Sagrado.

O Sumo Sacerdote cruzava aquela barreira apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur), e o fazia com tamanho pavor a ponto de — segundo a tradição — ter uma corda amarrada à sua canela. Havia um medo generalizado de que ele fosse consumido pela santidade divina, e quem seria capaz de tirá-lo de lá se isso acontecesse? Melhor que fosse puxado!

O véu, portanto, era o veredito visual de que a humanidade estava exilada de Deus.

A superabundância da Graça

Essa mentalidade de exílio e separação era tão avassaladora que moldava a forma como as pessoas se aproximavam de Jesus durante o Seu ministério terreno. O sentimento de estar “trancado do lado de fora” do favor divino estava impregnado na cultura.

Podemos ver essa dinâmica em dois episódios marcantes:

1. O centurião de Cafarnaum: Quando seu servo adoece, ele envia mensageiros a Jesus, mas, tomado por uma profunda consciência de sua inadequação cultural e espiritual, dispara a famosa frase: “Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado”. Para aquele homem, o seu próprio teto funcionava como um véu particular — uma barreira intransponível que separava a sua realidade profana da santidade do Mestre. Ele preferia manter a distância regulamentar do Sagrado.

2. O pequeno Zaqueu: O cobrador de impostos, odiado por seu próprio povo e visto como um traidor espiritual, também se considerava excluído. É por isso que ele se esconde em cima de uma árvore, contentando-se unicamente em ver Jesus passar, mesmo isso significando manter-se do lado de fora do círculo da Graça. Mas o que Jesus faz? Já que Ele está aqui embaixo, olha para cima e inverte completamente a lógica da separação ao dizer: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje Me convém pousar em tua casa”.

Enquanto o centurião realça o véu de indignidade que realmente existe, Jesus o retira de Zaqueu, e o faz por iniciativa própria, invadindo a esfera que a religião considerava irremediavelmente impura.

A ótica do rasgo

É exatamente esse movimento de inversões geográficas que atinge o seu clímax cósmico na sexta-feira da Paixão. Os relatos de Mateus, Marcos e Lucas são unânimes e cirúrgicos: simultaneamente ao último suspiro de Jesus na cruz, o véu rasgou-se de cima para baixo.

Enquanto nós passamos séculos olhando impotentes de baixo para cima, o Pai olhava de cima para baixo. Ao ver o sacrifício perfeito de Seu Filho consumado, o Criador esticou as mãos do próprio Céu e fendeu o tecido.

O mistério glorioso daquela tarde não foi apenas a destruição de uma cortina de pedraria; foi o esclarecimento definitivo de quem Jesus sempre foi ao caminhar entre nós. O Deus que Se fez carne e habitou no nosso meio estava, finalmente, escancarando as portas da nossa cela. O rasgo de cima para baixo foi o sinal supremo de que a humanidade havia sido aceita por Ele. Nós não fomos deixados em nossa indignidade; fomos alcançados pela visitação divina. Deus estava dizendo ao homem trancado: “A barreira caiu. A sua casa e o Meu Templo agora são um só lugar”.

Na cruz, a santidade de Deus deixou de ser um raio fulminante que consome o pecador e passou a ser a força que o purifica e o adota.

Conclusão

A história do véu rasgado serve como um solene monumento de advertência para a nossa geração. Ela prova que a nossa maior tragédia espiritual não é a distância de Deus, mas a nossa insistência crônica em continuar agindo como se estivéssemos trancados em nossa própria insignificância.

Muitas vezes, preferimos a teologia do centurião — a segurança de manter Deus do lado de fora do nosso telhado por nos acharmos pequenos demais, mesmo isso sendo verdade — ao escândalo da Graça manifestada na casa de Zaqueu, que nos obriga a abrir as portas e partilhar da comunhão com o Rei.

Pior ainda: adoramos costurar o véu de volta através de nossos legalismos, criando novas “cortinas litúrgicas” e barreiras institucionais para decidir quem pode e quem não pode passar para o lado de lá. No entanto, a direção do rasgo é irreversível. O Pai olhou para baixo, Cristo expirou e a porta foi aberta. A mesa da Graça agora está posta e acessível para todos.

Que sejamos rápidos em abandonar a mentalidade de prisioneiros, purificando a nossa visão para compreender que, se Deus aceitou a humanidade e abriu a cortina, a nós só cumpre caminhar com ousadia e gratidão em direção ao Seu trono.

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Podcast Episode: Temas Bíblicos Em Debate

Pip: Ligado na Videira chegou com uma dessas semanas em que a Bíblia vira manual de antropologia, linguística e geopolítica do primeiro século — tudo antes do almoço.

Mara: É isso. Os posts cobrem desde a visão de Pedro em Jope e o que ela realmente significava, até o dom de línguas, a soberania de Deus diante do livre-arbítrio, e por que Israel ficou parado quase dois anos no Sinai. Vamos começar com Pedro e o lençol.

Leis e Visões de Pedro

Mara: A pergunta central é direta: Deus estava revogando as leis dietéticas de Levítico quando mandou Pedro comer animais imundos? A resposta exige entender duas palavras gregas que Pedro usou na sua recusa.

Pip: E Pedro recusou com firmeza. O texto cita a resposta dele palavra por palavra: "De modo nenhum, Senhor! Porque nunca comi nada que fosse koinon ou akatharton."

Mara: Akatharton é impuro por natureza — o porco, os frutos do mar, animais que Levítico proibiu desde sempre. Koinon é impuro por contato, por associação com algo imundo. E é aí que o argumento vira.

Pip: Porque a tradição rabínica havia estendido esse raciocínio para pessoas: o gentio era akatharton ambulante. Encostar num romano na manhã da Páscoa te tornava koinon — daí os sacerdotes preferirem condenar Jesus na calçada a cruzar a porta de Pilatos.

Mara: A visão não toca no cardápio. A voz divina responde especificamente com koinon, não com akatharton. "Não chames tu de comum ao que Deus purificou" — ignorando a biologia dos répteis e mirando direto no preconceito contra seres humanos.

Pip: O lençol era um espelho da humanidade. A cozinha ficou fora do debate.

A Bíblia e o Dom de Línguas

Mara: O dom de línguas é real nas Escrituras — mas o que exatamente a Bíblia reconhece? Essa é a tensão que o post enfrenta, recusando tanto o cessacionismo quanto o caos místico.

Pip: E o ponto de partida é Pentecostes, onde o texto grego é preciso: heterais glōssais, outras línguas — idiomas humanos reais, geograficamente identificáveis, nunca aprendidos pelos discípulos.

Mara: O post é explícito sobre o propósito: "o objetivo era puramente a comunicação clara do Evangelho. Se o dom existe para que a mensagem seja compreendida, uma manifestação que ninguém entende perde a sua própria razão de ser."

Pip: O que torna Corinto o caso de teste perfeito — uma comunidade onde o transe ininteligível era sinal de status espiritual, importado direto do paganismo local.

Mara: E Paulo corrige, não proíbe. Quando ele descreve alguém que "edifica-se a si mesmo", está usando ironia para expor o egoísmo de um dom exercido sem utilidade para o corpo. A instrução final é "Faça-se tudo decentemente e com ordem."

Pip: Há ainda um detalhe textual que o post faz questão de sublinhar: o adjetivo "estranha" ao lado de glōssa não existe em nenhuma cópia do Novo Testamento grego original.

Mara: Foi acrescentado séculos depois em certas traduções — incluindo a Almeida — para indicar que o que se falava era estranho aos ouvintes. A ironia é que esse acréscimo acabou gerando a ideia de que a Bíblia valida linguagens secretas ou místicas, o oposto do que o texto diz.

Pip: Então o dom é real, o caos não é. O padrão permanece: línguas humanas, ordem, edificação. Da bagunça de Corinto, passamos a uma questão mais interna — quem realmente nos opõe no caminho espiritual.

Soberania e Segurança Em Deus

Mara: A pergunta de Paulo — "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" — recebe uma resposta incômoda: muitas vezes, nós mesmos.

Pip: O post cita C.S. Lewis com precisão: "no final das contas só existem dois tipos de pessoas: aquelas que dizem a Deus 'Seja feita a Tua vontade', e aquelas a quem Deus finalmente dirá 'Seja feita a tua vontade'."

Mara: A soberania divina não anula o livre-arbítrio — ela o respeita. E esse respeito significa que o maior campo de batalha é interno, não externo. Saber que Deus combate por nós não elimina a necessidade de subjugar a própria vontade desordenada. Dessa luta interna, o próximo tema leva essa ideia para uma escala coletiva.

Êxodo e O Sinai

Mara: Por que quase dois anos parados no Sinai? O post inverte a pergunta: como era o povo antes desse tempo? A resposta explica tudo.

Pip: "Uma massa disforme de pessoas em fuga" — com a psicologia da servidão intacta e séculos de influência egípcia enraizados no coração. A crise do Bezerro de Ouro prova o ponto: bastou Moisés sumir no topo da montanha.

Mara: O Sinai entregou o arcabouço jurídico, ético e civil — igualdade perante a lei, proteção aos vulneráveis, normas sanitárias do Levítico que não existiam em nenhuma outra nação. A parada não foi logística; foi a gestação de uma identidade coletiva.

Pip: Deus tirou o povo do Egito em uma noite. Tirar o Egito do povo levou anos. O deserto como oficina, não cemitério.


Pip: Visão de Pedro, línguas em Corinto, livre-arbítrio, Sinai — tudo converge no mesmo ponto: a transformação que importa é sempre a mais difícil de medir.

Mara: Interna, lenta, e muitas vezes confundida com estagnação. Até o próximo episódio.

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É verdade que “todas as coisas me são lícitas”?

É verdade que “todas as coisas me são lícitas”?

Entre os cidadãos de Corinto, corria solta a ideia de que somos totalmente livres, e de que os nossos direitos devem ser exercidos em sua plenitude. Paulo, então, faz uso dessa ideia — porém, com o objetivo de desconstruí-la. Através dela, reforçava para os cristãos gregos que o conceito bíblico de satisfação é ter Cristo e Sua Palavra como o centro da vida.

É verdade que “todas as coisas me são lícitas”? Se fosse no sentido literal e irrestrito, os romanos não sentenciariam ninguém à cruz; nem os persas, à cova dos leões. Portanto — e com muita certeza —, essa frase encontrada em 1 Coríntios 6:12 não era uma autorização apostólica para uma desenfreada anarquia universal.

Precisamos compreender que o escritor e os leitores originais da Carta aos Coríntios estavam envoltos em três culturas, e elas precisam ser colocadas na mesa:

  1. O Direito Romano: Sob o qual todos viviam civilmente;
  2. A Tradição Grega: Cultura na qual os leitores de Corinto estavam imersos;
  3. A Orientação Judaica: A bagagem do próprio Paulo, agora transformada por Cristo.

O centro do egocentrismo

No meio da expressão “panta moi exestin” — “todas as coisas me são lícitas” —, encontramos a palavra “moi”, que revela o beneficiário em questão: eu, me, mim, para mim. Percebam, o importante para aquela cultura era a satisfação individual. Nada importava mais do que o “eu” estar acima de tudo e de todos. Sob a ótica coríntia, portanto, o indivíduo não precisava se importar com os outros ou com o que pensavam.

Os crentes de Corinto sofriam de um mal que ainda é visto em nosso século: a escada do antinomianismo feita com os degraus do gnosticismo. Eles acreditavam que, uma vez salvos pela graça de Jesus e livres das leis rituais judaicas, atém mesmo a Lei moral não tinha mais poder sobre eles. Por herança do dualismo — esse terrível ranço grego —, defendiam que o corpo era apenas matéria passageira e que, por isso, o que faziam fisicamente não afetava o espírito. Sendo assim, a licenciosidade era tratada como algo que não prejudicava em nada a essência do indivíduo.

O que fazer com o meu direito?

Vamos pegar duas históricas ilustrações bíblicas, e elas vão abrir o nosso entendimento sobre o caso:

1. Milênios antes de Paulo escrever a Carta aos Coríntios, o DNA desse engano já se manifestava às margens de uma fogueira no deserto. Ali, Esaú vivia sob a ditadura da própria satisfação. Como filho mais velho de Isaque, ele possuía o direito legal e espiritual à primogenitura — uma herança sagrada. Contudo, ao chegar faminto em casa, o cheiro de um guisado de lentilhas vermelhas foi o suficiente para fazê-lo ceder. Ele foi tomado por uma profanidade espiritual, trocando o eterno pelo temporal (Hebreus 12:16).

Fazemos ideia do quanto ele perdeu por colocar o seu apetite acima do seu chamado? Resposta óbvia, não é mesmo? Esaú usou o seu direito de comer para destruir o seu direito de herdeiro da Promessa. 

2. Na geração anterior a Esaú, seu avô Abraão teve uma situação oposta com o sobrinho chamado Ló. Houve um impasse entre os empregados de ambos, e o melhor a fazer era a separação. Embora Abraão tivesse todos os direitos de preferência por ser o patriarca e o detentor da Promessa, ele olhou para o sobrinho e disse: “Meu filho, escolha primeiro”.

Abraão entendeu que reter nem sempre significa ganhar e que a paz e a edificação valiam mais do que a sua conveniência. Ele esvaziou o seu moi.

Outra pergunta com resposta óbvia: Teria sido diferente a história de Israel caso o pai da fé tivesse insistido egoisticamente em seus direitos e ido morar nas campinas do Jordão — as melhores pastagens —, onde estavam as cidades de Sodoma e Gomorra?

O que fazer com a liberdade?

Quando Paulo escreve para a Igreja de Corinto, recorre a um estilo de debate clássico entre os gregos: a estranha palavra “diatribe” — uma técnica literária que consiste em criar um diálogo rápido e incisivo com um oponente imaginário para expor uma verdade. O apóstolo não inventou a frase “todas as coisas me são lícitas”; ele estava colocando aspas literárias na petulância dos próprios crentes, que usavam esse provérbio cultural para justificar banquetes idólatras e a imoralidade sexual.

O diálogo que se desenha nas entrelinhas é genial:

Os coríntios batiam no peito dizendo: — “Tudo me é permitido!

Paulo, com precisão pastoral, replicava: — “Mas nem tudo me convém”.

Eles insistiam: — “Tenho direito sobre o meu corpo!

E o apóstolo arrematava: — “Mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma”.

O apóstolo dos gentios mostra que a pretensa liberdade deles era, na verdade, uma nova e sutil forma de escravidão. Ao usarem o moi como o centro do universo, tornavam-se tão prisioneiros de seus apetites quanto Esaú foi de sua sopa de lentilhas. Na teologia paulina, a verdadeira liberdade não é o direito de fazer o que se quer, mas a libertação do pecado para finalmente conseguir fazer o que se deve: servir a Deus e ao próximo por amor.

Conclusão

A história da liberdade cristã serve como um solene monumento de advertência para a nossa geração, que vive imersa no mesmo hiperindividualismo de Corinto. Ela prova que a nossa caminhada possui duas dimensões inegociáveis:

1. A dimensão vertical: o que faço me domina ou me aproxima de Deus?

2. A dimensão horizontal: como as minhas escolhas afetam o meu irmão?

O limite da nossa caminhada não é determinado por aquilo que a lei nos permite fazer, mas pelo impacto que as nossas escolhas causam ao nosso redor. Viver focado apenas no próprio moi é o caminho mais rápido para a falência espiritual. Podemos imitar a intemperança de Esaú, consumindo nossos direitos até perdermos o que é essencial, ou podemos caminhar na contramão da cultura, imitando a postura de Abraão, que sabia ceder em favor do Reino.

Que sejamos rápidos em discernir que a mesa da graça não nos foi dada para satisfazer nossos caprichos, mas para que tenhamos o poder de escolher o que edifica.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira

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Existe um contexto para 1 Coríntios 13?

Existe um contexto para 1 Coríntios 13?

Com absoluta certeza, existe! E quando consideramos o cenário original, 1 Coríntios 13 fica infinitamente maior, mais profundo e mais desafiador do que já é.

Geralmente, o “capítulo do amor” é usado de forma isolada como um texto devocional, lido em sermões pastorais ou em cerimônias de casamento. Nesses momentos, é comum ouvir oradores dizendo: “Mais da metade das ocorrências da palavra agapao no Novo Testamento estão nas Cartas de Paulo…”

Mas, convenhamos: o que realmente importa saber se Paulo é o autor que mais usa a palavra “amor”? Precisamos é entender o que estava acontecendo ao redor daquela comunidade, a ponto de motivá-lo a escrever linhas tão contundentes.

O antes e o depois do capítulo do amor

No último versículo do capítulo 12, após explicar o real sentido dos dons espirituais, Paulo diz: “Eu passo a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente”. Ou seja, além de indicar que o próximo capítulo faz parte dessas considerações, mostra que eles buscavam os dons sem antes possuir o que era mais importante de tudo: o amor.

Na sequência, ele apresenta o que passou a ser conhecido como 1 Coríntios 13. Até que, no primeiro versículo do capítulo 14 — após ter falado de dons e do que deve motivar o uso deles — ele ensina a ordem certa que a igreja deve adotar: “Segui o amor e procurai com zelo os dons espirituais”.

Isso indica que, se invertermos essa regra — primeiro o dom, depois o amor —, continuaremos na mesma espiral dos coríntios, fazendo com que os de fora, ao olharem para a igreja, nos chamem de “loucos”.

O cenário: quem eram os coríntios?

O apóstolo Paulo escreveu essa Carta na década de 50 d.C. para uma igreja situada em Corinto, na Grécia — uma cidade portuária, cosmopolita e altamente comercial. Aqueles irmãos estavam imersos na milenar e pagã cultura grega, além de viverem há décadas sob o domínio político e a forte influência politeísta do Império Romano.

Por terem se convertido recentemente ao cristianismo — uma fé monoteísta e radicalmente nova para eles —, faltavam-lhes referenciais práticos de conduta e estilo de vida. O propósito primário da Epístola aos Coríntios, portanto, é suprir essa carência e ensinar a igreja a viver de forma digna do Evangelho.

Quando colocamos o capítulo 13 dentro do contexto de toda a Carta, percebemos algo chocante: os irmãos de Corinto agiam de forma completamente oposta à essência do amor de Cristo. Sendo assim, Paulo não estava escrevendo um poema romântico — nem para eles, nem para nós. O texto é uma severa correção cultural.

Uma igreja que levou a herança pagã para o altar

A comunidade de Corinto estava reproduzindo no altar o comportamento egoísta e competitivo que praticava antes da conversão. A disputa por status entre eles era tão infantil que brigavam para ostentar quem era o seu “padrinho” na fé: “Eu sou de Paulo!”, “Eu de Apolo!”, “Eu de Cefas!” (cap. 1). Se Salomão estivesse escrevendo para esses irmãos, diria: “Tudo é vaidade”.

É por isso que cada “não” usado por Paulo no capítulo 13 não deve ser interpretado como parte de uma poesia linda e maravilhosa. Ele estava, na verdade, apontando o dedo para pecados práticos que sabia existirem naquela igreja.

Quando Paulo escreve o que o amor não faz, ele está descrevendo exatamente o que os coríntios estavam fazendo:

  • O amor não é invejoso e não se envaidece: Invejosos e vaidosos, eles disputavam quem tinha o dom espiritual mais espetacular (cap. 12) e quem seguia o líder mais proeminente (cap. 1).
  • O amor não se conduz de forma inconveniente: Quebrando a dignidade do Evangelho, a igreja tolerava casos chocantes de imoralidade sexual (cap. 5) e transformava a celebração da Santa Ceia em um banquete de excessos, onde uns se embriagavam enquanto os mais pobres passavam fome (cap. 11).
  • O amor não busca os seus próprios interesses: Os irmãos mais abastados ignoravam as necessidades dos vulneráveis e chegavam ao absurdo de mover processos judiciais uns contra os outros em tribunais pagãos por pura ganância (cap. 6).

O amor como antídoto, não como enfeite

O “amor” exposto pelo apóstolo surge como o único antídoto para uma igreja adoecida pela cultura ao seu redor. Ironicamente, Paulo mostra que falar a língua dos anjos, ter toda a fé ou acumular todo o conhecimento não tem valor algum se o coração estiver corrompido pelo orgulho.

Ler 1 Coríntios 13 em seu contexto histórico transforma o que achávamos ser apenas um texto “bonito” em um espelho desconfortável — uma verdadeira bronca pastoral!

Porém, essa é uma disciplina redentora e profundamente necessária. Ela nos lembra que Jesus Cristo é o único padrão e herói do cristão. Que Seus sentimentos e atitudes devem moldar a nossa conduta diária, mostrando que, sem o amor prático e sacrificial, todas as nossas exibições de religiosidade não passam de barulho.

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Deus mandou Pedro comer coisas imundas?

Deus mandou Pedro comer coisas imundas?

Pedro certamente sabia de cor e salteado as ordenanças dietéticas contidas no Livro de Levítico. Por toda a sua vida, havia seguido rigorosamente as restrições alimentares ali afirmadas, quem sabe até com o orgulho de jamais ter colocado algo cerimonialmente impuro na boca. No entanto, o conceito revelado na famosa visão no terraço em Jope, registrada em Atos 10, nada tem a ver com desjejum, almoço ou jantar.

No sistema “caracol de evangelização” — cujas diretrizes geográficas ordenavam começar por Jerusalém e Judeia, avançar por Samaria e expandir até os confins da Terra —, Pedro permanecia estagnado no centro, no ponto inicial. Ele ainda não havia aberto os olhos para as necessidades espirituais dos não israelitas (guarde bem a expressão “não israelita”). O Espírito Santo, então, de forma profundamente pedagógica, aproveitou o momento que antecedia o almoço e falou com Seu servo através de uma visão.

O apóstolo viu um lençol descendo até ele “contendo todo tipo de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu”, um juntinho do outro. Nesse instante, ouviu a seguinte ordem divina: “Levante-se, Pedro! Mata e come”. Não entendendo tratar-se de uma ilustração, o nosso velho conhecido Pedro foi categórico em sua resposta: “De modo nenhum, Senhor! Porque nunca comi nada que fosse koinon ou akatharton”.

Vamos entender essas duas palavras? Primeiro, a segunda. Depois, a primeira.

1. O que é “akatharton”?

No grego do Novo Testamento, akatharton significa literalmente “não limpo”, “impuro” ou “imundo” por natureza. É o termo técnico que a Septuaginta (a tradução do Antigo Testamento para o grego) usou para categorizar os animais proibidos na longa e detalhada lista de Levítico 11.

Para a mente judaica de Pedro, a imundície de um bicho akatharton era uma característica intrínseca, biológica e inalterável do próprio animal. O porco, os peixes de couro, os frutos do mar e as aves de rapina eram akatharton porque Deus havia dito que eram, razão de serem inadequados para o consumo humano e para os sacrifícios no Santuário ou Templo. Não havia ritual no mundo que pudesse purificar um porco. Se era akatharton, nascia imundo, vivia imundo e morria imundo. Para estes, não se usava a expressão “alimentos proibidos”, pois não eram alimento.

Portanto — não entendendo tratar-se de uma ilustração —, quando Pedro olha para o lençol contendo animais akatharton, ele está apelando para a imutabilidade da lei: “Senhor, o Senhor está me mandando comer o que o Senhor mesmo estabeleceu que é biológica e espiritualmente proibido para mim”.

Nesse quesito, Pedro estava defendendo o seu cardápio com base na imundície intrínseca daqueles bichos, e estava certo em assim o fazer.

2. O que é koinon?

Se akatharton diz respeito à impureza “natural” de algo, koinon diz respeito à impureza “por ter encostado no akatharton”. No grego clássico e no Novo Testamento, a palavra significa originalmente algo “público” ou “comum”. No entanto, na mentalidade teológica da época, se era “comum”, então não era “separado exclusivamente para Deus”.

Por isso, na prática cerimonial, koinon passou a designar como profano tudo aquilo que se associava com algo imundo. Por exemplo: o cordeiro se tornava impuro pelo simples fato de ter se esbarrado no porco, e inclusive se fosse tocado por um humano que encostou no porco e ainda não tivesse feito os rituais de purificação de si mesmo. O “comum”, portanto, era o contaminado por “associação”. E é aqui que reside o grande nó cultural que o Espírito Santo precisava desatar na mente do apóstolo.

A perigosa expansão do conceito

Lembra-se da expressão “não israelita” que pedi para você guardar no início? Pois bem, a tradição rabínica daquela época havia estendido esse conceito teológico do que devia ser ingerido ou não para a geopolítica e relações humanas. Para o judeu do primeiro século, o estrangeiro — também chamado de gentio — era considerado akatharton. Na visão deles, o não israelita era profano por natureza, sendo, portanto, uma fonte ambulante de contaminação espiritual para o judeu.

Há uma ilustração histórica fascinante que joga luz sobre o peso avassalador desse preconceito ritual: quando Jesus foi levado a julgamento perante Pilatos, os líderes religiosos e os sacerdotes se recusaram categoricamente a entrar no palácio romano, preferindo ficar estritamente na calçada. Por quê? Porque era a manhã da Páscoa. Eles sabiam que entrar na casa de um gentio — um homem visto por eles como akatharton (imundo por natureza) — os tornaria cerimonialmente koinon (impuros por associação). E caso um deles se tornasse koinon naquela hora, o prazo para os rituais de purificação não lhe permitiria participar da Festa, a principal no calendário religioso de Israel. Eles achavam mais seguro condenar o Justo na calçada do que arriscar a pureza de suas vestes ao cruzar a porta de um estrangeiro (João 18).

A sutil e cirúrgica resposta divina

É com essa bagagem cultural e teológica que Pedro está batalhando no terraço em Jope. Ele olha para o lençol e vê uma afronta à sua pureza. No entanto, preste muita atenção na resposta que a voz do Céu lhe dá: “Não chames tu de comum ao que Deus purificou”.

Percebeu a sutileza cirúrgica do Espírito Santo? Em Sua réplica, Deus não usou a palavra akatharton — animal imundo. Ele não disse que havia mudado a biologia dos répteis. Deus ignorou o termo que tratava da natureza dos animais e isolou especificamente a palavra koinon — comum, não separado para Deus— o termo exato que os judeus usavam para quem se esbarrava em um não israelita.

A visão repete-se por mais duas vezes, e o lençol é recolhido ao céu. Pedro fica ali, perplexo, tentando entender o enigma. Deus não estava promovendo uma reforma no cardápio de Levítico. O Criador estava aplicando uma parábola viva. Ele usou a profunda repulsa que o apóstolo sentia por certos animais para confrontar uma repulsa ainda maior e moralmente perigosa: o preconceito segregacionista contra seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus.

O enigma decodificado na sala de Cornélio

A resposta para o enigma do lençol não foi encontrada na cozinha em Jope, mas sim na sala de estar de uma casa em Cesareia, onde morava Cornélio, um centurião “não israelita”. Se Pedro insistisse na tradição dos anciãos e na lógica da calçada de Pilatos, jamais teria feito aquela viagem. Mas a voz do terraço ainda ecoava em sua mente: “Não chame de comum o que Eu purifiquei”.

O homem que andou com Jesus sobre as águas decide, então, descer e caminhar até a casa daquele estrangeiro. E, lá chegando, finalmente abre a boca e decodifica a visão com as suas próprias palavras, sepultando de vez qualquer debate dietético: “Vós bem sabeis que não é lícito a um homem judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem considere comum (koinon) ou imundo (akatharton)”.

O lençol cheio de bichos era, na verdade, um espelho da humanidade. Na cruz, Cristo não purificou a carne de porco; Ele purificou o acesso do não israelita ao Pai, derrubando o muro de separação.

Conclusão

Afinal, Deus mandou Pedro comer coisas imundas? Não. Deus mandou Pedro parar de tratar pessoas purificadas pelo sangue da cruz como se fossem lixo cerimonial.

A visão de Jope serve como um solene monumento de advertência para a Igreja contemporânea. Ela prova que a nossa tendência de criar “calçadas espirituais” para nos isolarmos daqueles que consideramos diferentes é uma afronta direta à universalidade da graça. É muito fácil nos trancarmos no terraço seguro de nossas liturgias, mantendo o Evangelho estagnado no ponto central do caracol.

No entanto, o avanço do Reino exige que desçamos. Exige que entremos na realidade daqueles que o legalismo rejeita, compreendendo que a mesa da graça de Deus é infinitamente maior do que as nossas definições humanas de pureza. Que sejamos rápidos em discernir a visão do Espírito, purificando os nossos olhos antes que o preconceito nos impeça de cumprir o “ide a todo o mundo”.

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A Bíblia reconhece o dom de falar línguas?

A Bíblia reconhece o dom de falar línguas?

Dizer apenas “sim” ou “não” para essa pergunta é um erro que pode ser evitado. Por honestidade, a resposta exige um mergulho na história, na cultura e na harmonia das Escrituras. 

Muitos acreditam que a única alternativa às manifestações contemporâneas do dom de línguas é o “cessacionismo” — a teoria de que os dons sobrenaturais desapareceram após a morte dos apóstolos. Contudo, a Bíblia aponta outro caminho: os dons espirituais continuam ativos na Igreja, mas devem ser exercidos hoje sob o mesmo padrão imutável estabelecido na Palavra: ordem, decência e utilidade prática. 

O propósito original: Comunicação e Evangelização

O primeiro registro detalhado do dom de línguas no Novo Testamento ocorre no Dia de Pentecostes, em Atos 2. Diante de judeus da Diáspora — que haviam se espalhado por todo o mundo greco-romano e já não entendiam o hebraico e o aramaico —, os discípulos receberam uma capacitação sobrenatural: falar a língua nativa desses visitantes. 

O texto grego utiliza a expressão heterais glōssais (outras línguas). O milagre ali foi a “xenoglossia”: a habilidade concedida pelo Espírito Santo de falar idiomas e dialetos humanos reais e geograficamente identificáveis, os quais os pregadores jamais haviam aprendido. 

Percebe-se que Deus não operou um milagre para o entretenimento espiritual ou para o transe místico de nenhum deles. O objetivo era puramente a comunicação clara do Evangelho. Se o dom existe para que a mensagem seja compreendida, uma manifestação que ninguém entende perde a sua própria razão de ser. 

A título de ilustração — para facilitar o nosso entendimento —, diríamos que se o dom tivesse sido o de “ouvir”, e dado aos estrangeiros, eles teriam compreendido em suas próprias línguas maternas tudo o que os discípulos falavam, cumprindo assim o propósito das dádivas do Espírito de Deus. Mas, como revela o texto, o dom deu-se na fala dos discípulos — e possivelmente para que também pudessem ir e pregar o Evangelho nos confins da Terra.

O conflito em Corinto: A quebra da ordem

O cenário muda quando analisamos 1 Coríntios 14. Na Grécia, Paulo enfrenta uma comunidade influenciada por práticas místicas do paganismo local, onde o transe e o êxtase ininteligível eram valorizados como sinais de status espiritual. 

Quando Paulo escreve que o indivíduo “fala mistérios em espírito” (v. 2) ou que “edifica-se a si mesmo” (v. 4), ele não está criando uma nova categoria de dom para o uso particular. Pelo contrário, o apóstolo está corrigindo um desvio. Ele usa de forte ironia para mostrar que uma língua que não instrui o próximo — mesmo sendo um idioma humano já existente — é inútil no culto público. Serviria apenas para mostrar uma autoedificação egoísta, contradizendo a própria natureza dos dons: dados para o benefício do corpo de Cristo. 

É por isso que as instruções de Paulo ao longo de todo o capítulo não visam proibir a manifestação legítima do Espírito, mas restabelecer o padrão divino: “Faça-se tudo decentemente e com ordem” (v. 40). O dom verdadeiro edifica a igreja por meio da instrução racional, e não através de emocionalismo sem nexo. 

O mito da palavra “estranha”

Um detalhe textual importante: em nenhuma cópia do Novo Testamento grego original existe o adjetivo “estranha” ou “desconhecida” ao lado da palavra glōssa.

Esse termo foi incluído séculos depois em algumas traduções — como na versão Almeida, por exemplo — para sinalizar que o que estava sendo falado na igreja de Corinto era estranho aos ouvintes daquela comunidade. Ironicamente, esse acréscimo gerou uma confusão moderna, fazendo parecer que a Bíblia valida a existência de linguagens secretas ou místicas. 

Conclusão

A Bíblia reconhece, sim, o dom de línguas, mas recusa o caos e o misticismo. Os dons do Espírito Santo são concessões divinas para o avanço da missão e para a edificação estruturada de Sua Igreja em todos os tempos e lugares.

Afinal, a santidade da igreja e a lucidez do culto caminham juntas. O mesmo Deus que exige pureza moral exige clareza racional — a verdadeira espiritualidade bíblica jamais serve de salvo-conduto para o absurdo ou para a vaidade humana.

O padrão bíblico definitivo permanece o mesmo: o Senhor capacita Seus servos a pregarem a verdade em línguas humanas reais, garantindo que, onde o Espírito Santo atua, a ordem, a lucidez e a edificação sempre prevaleçam.

Vós sois a luz do mundo!

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Se Deus é por nós, quem será contra nós?

Se Deus é por nós, quem será contra nós?

Esse título foi extraído de um verso escrito por Paulo, e tem a ver com a soberania de Deus. Mas, por incrível que possa parecer — e o contexto geral da Bíblia nos permite assim afirmar —, nós podemos ser contra nós mesmos. A mais devastadora força de oposição que enfrentamos muitas vezes não sopram de fora, mas estão dentro de cada um de nós.

O poder do inimigo interno

A caminhada espiritual nos coloca diante de três campos de combate bem definidos: os esquemas do maligno, as pressões do sistema ao nosso redor e os impulsos da nossa própria natureza. Embora costume-se lançar toda a responsabilidade das quedas sobre as trevas ou sobre as circunstâncias externas, a narrativa das Escrituras revela que o perigo mais sutil e persistente habita na nossa própria inclinação.

A influência diabólica e os atrativos da sociedade só encontram terreno fértil quando encontram eco nos desejos que nós mesmos alimentamos. Erradamente se diz: “A ocasião faz o ladrão”. Deveria ser dito: “A ocasião revela o ladrão”.

Satanás pode sugerir e o ambiente pode pressionar, mas o gatilho final que desencadeia a ruína é puxado pela nossa própria escolha. É por isso que o conflito contra as nossas tendências exige uma vigilância muito maior do que qualquer ameaça que venha de fora.

O nosso livre-arbítrio e o freio divino

É aqui que tocamos em um mistério profundo: a relação entre a supremacia do Criador e a capacidade de escolha da criatura. Ao conceder a liberdade de decisão, o Altíssimo aceita frear a Sua soberania operacional no dia a dia das nossas atitudes. Ele convida mas não nos força a caminhar em Sua luz, e também não anula as decisões que tomamos de forma deliberada.

Como bem observou o pensador C.S. Lewis, no final das contas só existem dois tipos de pessoas: aquelas que dizem a Deus “Seja feita a Tua vontade”, e aquelas a quem Deus finalmente dirá “Seja feita a tua vontade”. Essa percepção genial revela o ápice do livre-arbítrio: a maior punição humana pode ser simplesmente receber de Deus o direito irrestrito de ter o próprio desejo atendido. O Criador continua Supremo, mas escolheu respeitar a margem de escolha que nos conferiu, o que significa que o nosso maior opositor pode ser a nossa própria vontade desordenada.

Conclusão

A declaração paulina sobre a proteção absoluta do Alto não é um salvo-conduto para a irresponsabilidade. Saber que o Criador combate por nós traz um consolo inabalável, mas de nada adianta ter o Todo-Poderoso a nosso favor se continuarmos agindo como nossos principais opositores.

A vitória sobre as batalhas da vida começa quando paramos de procurar culpados externos e encaramos o espelho. Que possamos alinhar as nossas decisões com os propósitos celestiais, lembrando que a maior conquista não é vencer o ambiente ou afastar as forças opostas, mas subjugar a nós mesmos para que a vontade divina prevaleça em nossa história.

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Por que os hebreus ficaram parados quase dois anos no Sinai?

Por que os hebreus ficaram parados quase dois anos no Sinai?

Antes de responder, preciso perguntar: como eram os hebreus antes desses dois anos? Quando essa minha pergunta for respondida, a do título fica fácil, fácil.

Antes do Sinai, eles — recém-saídos de alguns anos de opressão no Egito — não passavam de uma massa disforme de pessoas em fuga. Traziam na pele as marcas dos trabalhos forçados de Pi-Ramsés e na mente a psicologia da servidão. Acostumados a viver sob a vontade arbitrária de um governante opressor, não tinham coesão nem estruturas comunitárias próprias. Se continuassem a marcha direto para a Terra Prometida naquele estado, o resultado seria trágico: seriam apenas um grupo desorganizado, sem lei e sem identidade. O congelamento da viagem ao pé do monte não foi um imprevisto logístico, mas uma parada institucional e espiritual absolutamente necessária.

A nação que nasceu para ser a cabeça, não a acauda

Chegar ao pé do Monte Sinai significou pausar o relógio do deslocamento para fazer girar o relógio da fundação de uma sociedade estruturada. Durante esse tempo, o Deus da Aliança não apenas reafirmou princípios eternos — como o Sábado, que remontava à própria Criação (Gênesis 2:2-3) e já vinha sendo praticado antes da chegada ao monte (Êxodo 16:22-30) —, mas entregou o arcabouço jurídico, ético e civil que regeria aquela comunidade.

No Sinai, o povo recebeu o chamado Livro da Aliança e os códigos de direito civil e proteção social. Pela primeira vez, estabeleceu-se a igualdade perante a lei, a proteção aos vulneráveis e a formalização do descanso semanal como uma garantia comunitária. Deixaram de ser sujeitos passivos da exploração alheia para se tornarem uma comunidade organizada sob um pacto transparente.

Desaprender: a aula mais difícil da vida

A vida sob a opressão egípcia deixou marcas profundas que iam além da política; afetavam a saúde, a higiene e, principalmente, a visão espiritual. Para desconstruir esses traumas, o livro de Levítico foi promulgado durante essa mesma pausa, estabelecendo diretrizes preventivas de saúde pública não vistas em outras nações — como isolamento de infecções, higiene corporal e normas sanitárias rigorosas.

Contudo, arrancar séculos de influências pagãs do coração do povo revelou-se a parte mais difícil do processo. A prova cabal disso foi a crise do Bezerro de Ouro (Êxodo 32): bastou a ausência temporária de Moisés no topo da montanha para que o povo recorresse aos ídolos e aos rituais egípcios que conhecia. Esse episódio trágico demonstrou que a mentalidade de cativeiro ainda estava profundamente enraizada e que a transformação exigiria uma pedagogia demorada e dolorosa.

Conclusão

A longa permanência ao pé do Monte Sinai mostra que a geografia era o de menos. A travessia física do deserto até Canaã poderia levar poucas semanas, mas a travessia mental da escravidão para a liberdade exigia tempo, estrutura e pedagogia. O desvio e a estagnação temporária não representaram um fracasso nos planos, mas a gestação dolorosa de uma nova consciência coletiva.

Trata-se do respeito soberano ao tempo da maturação humana. Deus libertou o povo do Egito em uma única noite, mas precisou de anos para libertar o povo da mentalidade do Egito. O Sinai não foi um mero ponto de passagem no mapa, mas a bigorna onde a identidade de Israel foi forjada — um processo cujo fruto maduro e a verdadeira prontidão moral para a promessa só seriam plenamente contemplados na segunda geração, que nasceu livre sob o céu do deserto.

Olhando para essa jornada, o espelho da história nos faz uma pergunta inquietante: quantas vezes nós também não nos encontramos “presos” em nossos próprios desertos, adiando a promessa? Muitas vezes, a distância entre onde estamos e a nossa Canaã não é medida em quilômetros, mas em resistência do coração. Gastamos o tempo do deserto murmurando pelas cebolas do passado, apegados aos velhos vícios da escravidão, em vez de permitir que a Lei de Deus transforme a nossa mente. O deserto não precisa ser um cemitério de sonhos, mas a oficina da nossa alma. Se você sente que a sua caminhada estagnou, pare de olhar para a extensão do caminho e olhe para o que ainda precisa ser curado dentro de você. O tempo do Sinai só se cumpre quando finalmente deixamos o Egito morrer em nós.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira

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O missionário bate à porta: devo abri-la ou não?

O missionário bate à porta: devo abri-la ou não?

Introdução

Você já reparou na facilidade com que o leitor moderno tende a enxergar as pequenas Cartas do Novo Testamento como meros bilhetes de conveniência social, destituídos de peso teológico que elas merecem? Lidas de relance, as breves Epístolas de Segunda e Terceira João parecem tratar de um assunto quase banal para os dias de hoje: as regras de etiqueta e hospitalidade no início da igreja cristã. Contudo, ao sobrepormos os dois textos, deparamo-nos com o que parece ser uma clamorosa contradição de conduta pastoral proferida pelo “discípulo do amor”.

Na Segunda Carta, o idoso apóstolo é categórico e quase implacável ao ordenar o fechamento das portas: “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas”. Poucas páginas adiante, em Terceira João, o cenário se inverte drasticamente: o mesmo autor condena duramente um líder local, cujo crime foi justamente o de fechar as portas, recusando-se a receber os irmãos e expulsando da comunidade aqueles que desejavam acolhê-los.

Afinal, diante do avanço do cristianismo, a igreja de Deus deveria ser uma instituição de portas escancaradas ou de trincos cerrados à sete chaves?

A resposta joanina traz uma ironia fascinante: a discussão ali travada não é sobre falta de educação, temperamentos rudes ou preferências de recepção. O segredo está em compreender que, na igreja primitiva, a mesa da cozinha era o lugar onde a sã doutrina era compartilhada. João, portanto, não está ditando regras de etiqueta social, mas delimitando as fronteiras espirituais e o que os nossos recursos financeiros devem patrocinar. Ao mandar fechar uma porta e exigir a abertura de outra, o apóstolo revela como o ato de oferecer pousada e alimento era, na verdade, um campo de batalha crucial para a igreja nascente — um voto público de validação jurídica e teológica.

1. “Fechem a porta”, disse João

Para compreender a rigidez de João ao ordenar o fechamento das portas de casa na Segunda Epístola, precisamos nos despir do conceito moderno de hospitalidade. No primeiro século, nas cidades romanas ou gregas, as hospedarias públicas eram antros de imoralidade e perigo, o que tornava as casas dos crentes a única estrutura viável para a sobrevivência e expansão da fé. Hospedar um instrutor itinerante, contudo, ia muito além de oferecer um teto e uma refeição quente. No código cultural da época, abrir a intimidade do lar e saudar alguém publicamente significava dar um aval jurídico e financeiro à sua missão. Significava dizer à comunidade: “Eu concordo com o que este homem fala e financio o seu ministério”.

O paralelo histórico perfeito para entender o risco espiritual dessa tolerância descuidada encontra-se na trágica história de um rei de Judá, registrada em 2 Crônicas 18. Josafá era um monarca piedoso, determinado a buscar ao Deus de seus pais. No entanto, ele cometeu o erro de selar uma aliança de hospitalidade e conveniência política e familiar com Acabe, o ímpio rei de Israel.

Josafá desceu a Samaria, banqueteou-se à mesa de Acabe e, seduzido por aquela atmosfera de falsa unidade, aceitou ir à guerra ao seu lado. O resultado foi um desastre militar e uma repreensão profética contundente ao retornar: “Devias tu ajudar ao ímpio e amar aqueles que odeiam o Senhor?

Tal proximidade com o erro quase custou a vida do rei Josafá.

É essa exata dinâmica de contaminação e validação que o apóstolo João busca cortar pela raiz em sua Segunda Carta. Ao proibir os crentes de receberem em casa os propagadores de falsas doutrinas — especificamente os que negavam a encarnação real de Cristo —, o autor está protegendo a reputação da verdade e preservando os recursos que a ela devem ser destinados. João adverte que aquele que saúda ou hospeda o falso mestre torna-se “cumplice das suas obras más”.

A tolerância mecânica, disfarçada de amor cristão, é, na verdade, uma armadilha sutil e perigosa. Ela permite que a heresia seja alimentada e carimbada com o dinheiro e o teto dos próprios santos. A porta fechada de 2 João não é, pelo que se vê, um ato de egoísmo, mas um muro de contenção teológica.

2. “Abram a porta”, disse o mesmo João

Se a Segunda Epístola de João levanta uma muralha contra a heresia que vinha de fora, a Terceira Epístola abre fogo contra uma doença espiritual que nascia dentro: a tirania eclesiástica. O cenário agora muda da porta trancada por precaução para a porta fechada por arrogância.

João denuncia nominalmente um líder local chamado Diótrefes, definindo seu caráter com uma expressão cortante: “Aquele que gosta de exercer a primazia”. Dominado pelo desejo de centralizar o poder, esse líder não apenas se recusava a receber os mensageiros apostólicos, mas expulsava da igreja os membros que demonstravam o desejo cristão de acolhê-los.

O contraponto poético e histórico a essa postura soberba foi registrado séculos antes, na conduta da mulher sunamita relatada em 2 Reis 4. Ao perceber que Eliseu era um santo homem de Deus que passava frequentemente por sua região, ela não enxergou nele uma ameaça à sua autonomia ou liderança local. Pelo contrário, ela disse ao marido: “Façamos-lhe, pois, um pequeno quarto junto ao muro… e há de ser que, vindo ele a nós, ali se recolherá”.

Essa mulher não buscou a primazia; ela edificou um refúgio. Sua hospitalidade voluntária e desprendida transformou a sua própria casa em uma extensão do ministério profético na terra.

É essa essência de cooperação que Diótrefes tenta sufocar na igreja do Novo Testamento. Ao fechar a porta para os enviados da Verdade, ele age como um monarca espiritual, invertendo a lógica: em vez de proteger o rebanho do erro, ele protege o seu próprio trono da Verdade.

A grande ironia que João nos revela está no fato de que o orgulho eclesiástico é tão destrutivo quanto a heresia gnóstica. Enquanto o falso mestre corrompe a doutrina, o líder autoritário corrompe a comunhão. Por isso, na contramão de Diótrefes, o apóstolo elogia Gaio e Demétrio, ordenando que a igreja acolha os verdadeiros obreiros para que nos tornemos “cooperadores da Verdade”.

Se a mesa de jantar em 2 João deveria ser negada para não carimbar o erro, em 3 João ela deveria ser ampliada para financiar e expandir o avanço do evangelho.

Conclusão: O fio da navalha

O contraste absoluto entre a porta trancada de Segunda João e a mesa farta de Terceira João nos deixa um mapa de navegação espiritual de uma precisão cirúrgica. Ao sobrepormos as duas Cartas e contemplarmos o horizonte da história sagrada, entendemos que a igreja de Deus caminha constantemente sobre o fio de uma navalha.

Se cedermos diante da mentalidade de Segunda João e abrirmos as portas para o erro em nome de uma falsa simetria de amor ou de uma conveniência social cega, repetiremos o erro do piedoso rei Josafá. Ignoraremos o aviso dos profetas, financiaremos a heresia com o nosso próprio teto e permitiremos que uma “costura maldita” contamine as futuras gerações da fé. Por outro lado, se errarmos por orgulho e centralização de poder, trancando a porta para a Verdade como fez Diótrefes, transformaremos a estrutura da igreja em um feudo particular, onde o medo de perder a primazia sufoca o avanço do evangelho e a verdadeira comunhão dos santos.

Diante das profecias sobre os últimos tempos, somos alertados a agir com discernimento e equilíbrio. A hospitalidade cristã nunca foi um mero ato de etiqueta social ou de temperamento simpático; ela é, na verdade, um ato profundamente teológico. Devemos ter a coragem de trancar a porta contra o engano que corrompe a identidade de Cristo, mas também a generosidade de edificar quartos no muro e ampliar as nossas mesas para acolher e financiar aqueles que carregam a genuína mensagem do Criador.

No fim das contas, as chaves das portas da igreja continuam nas mãos da sã doutrina: fechadas para proteger o rebanho da heresia, mas escancaradas para que nos tornemos, todos juntos, legítimos cooperadores da Verdade.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira


Referências Bíblicas:

  • 2 João 1:10 — A ordem de fechar as portas e não dar as boas-vindas a quem não traz a sã doutrina.
  • 3 João 1:9-10 — A denúncia contra Diótrefes, que buscava a primazia e fechava as portas aos irmãos.
  • 2 Crônicas 18:1-3 — O registro da aliança e do banquete de hospitalidade entre o rei Josafá e o ímpio rei Acabe em Samaria.
  • 2 Crônicas 19:2 — A repreensão do profeta Jeú a Josafá por ajudar ao ímpio e amar os que odeiam o Senhor.
  • 1 João 4:2-3 — O contexto da heresia combatida por João (aqueles que negavam que Jesus veio em carne).
  • 2 João 1:11 — O aviso de que acolher ou saudar o falso mestre torna o crente cúmplice de suas obras más.
  • 2 Reis 4:8-10 — A conduta da mulher sunamita ao edificar um pequeno quarto junto ao muro para abrigar o profeta Eliseu.
  • 3 João 1:1-8 — O elogio do apóstolo a Gaio por sua fidelidade e hospitalidade para com os obreiros itinerantes.
  • 3 João 1:12 — O testemunho e elogio a Demétrio como exemplo prático de fidelidade.

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O Rio Jordão abraça a Cruz do Calvário?

O Rio Jordão abraça a Cruz do Calvário?

Introdução

Você já reparou na facilidade com que o debate teológico se perde na análise minuciosa da matéria e, por vezes, ignora a imensidão do significado? Na Primeira Epístola de João, deparamo-nos com um desses nós interpretativos que há séculos desafiam os estudiosos. No capítulo 5, versículo 6, o apóstolo afirma de maneira quase obstinada: “Este é Aquele que veio por meio de água e de sangue, a saber, Jesus Cristo; não somente com água, mas com água e com sangue”.

Diante disso, correntes acadêmicas gastam rios de tinta debatendo a biologia dos fluidos — se João se referia ao líquido que verteu do lado de Cristo na lança do soldado romano ou aos elementos litúrgicos dos sacramentos.

Mas a teologia joanina traz uma ironia fascinante: para compreender o peso desse registro, a química do sangue e da água não importa; o segredo está em enxergar a geografia espiritual do resgate. João não está nos entregando um relatório médico, mas delimitando as duas fronteiras inegociáveis que demarcam o ministério terrestre do Messias. Ao insistir que o Salvador não veio apenas por água, o apóstolo faz o Rio Jordão correr em direção ao Gólgota, revelando como o início da missão abraça o seu desfecho jurídico no Grande Conflito.

1. A água do Jordão e a fronteira da identificação legal

Para entender por que o apóstolo e escritor inicia seu argumento pela água, precisamos voltar algumas páginas da Bíblia e nos posicionar às margens do Rio Jordão. Quando Jesus entra naquelas águas para ser batizado por João Batista, esse profeta hesita e tenta impedi-Lo. Afinal, o batismo que ele promovia era um rito de arrependimento para pecadores, e Cristo não possuía mácula alguma (Interessante o Batista ter tal compreensão). O Salvador, contudo, responde com uma chave jurídica: “Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça”.

O paralelo histórico e litúrgico perfeito para decifrar essa exigência legal encontra-se nas ordenanças do Santuário do Antigo Testamento, especificamente no Dia da Expiação (Yom Kippur), relatado em Levítico 16. Antes que o sumo sacerdote pudesse fazer qualquer movimento para carregar os pecados do povo ou purificar o Santuário, a lei divina exigia um ritual inegociável: ele deveria lavar o seu corpo com água pura no Lugar Santo. Aquela água não servia para tirar uma sujeira física, mas funcionava como um portal de transferência legal. Era o marcador público de que aquele homem estava, a partir dali, investido da autoridade e da responsabilidade de vestir as dores e as transgressões de toda a congregação.

Cerca de quatorze séculos depois daquela ordem no deserto, o cumprimento profético se assenta nas margens do Jordão. Quando Jesus submerge naquelas águas, Ele não está lavando o Seu passado, mas assumindo o nosso futuro. O mergulho no rio representa o início de Seu esvaziamento — a humilhação voluntária de um Deus que Se veste de humanidade. Ao sair da água sob o selo do Espírito Santo e a aprovação do Pai, o Messias assume formalmente a nossa dívida jurídica perante o tribunal do Grande Conflito.

É essa fronteira legal que o apóstolo João resgata em sua Carta. Ao afirmar que Jesus veio “por meio de água”, o autor carimba que o Filho de Deus cumpriu rigorosamente o protocolo da justiça: Ele não nos salvou à distância, por decreto real, mas mergulhou fisicamente na nossa realidade, identificando-Se legalmente como o nosso legítimo Representante e Substituto.

2. O Sangue do Calvário e a fronteira do resgate definitivo

Se a água do Jordão estabeleceu a identificação legal de Cristo com a humanidade, João faz questão de enfatizar que o plano de resgate não poderia estacionar ali. Com uma precisão quase cortante, o idoso apóstolo adverte: “Não somente com água, mas com água e com sangue”. Essa insistência não era gratuita; ela visava desconstruir a primeira grande investida filosófica contra a fé cristã primitiva: o gnosticismo. Liderados por falsos mestres como Cerinto, esses pensadores argumentavam que o “Cristo divino” desceu sobre o “Jesus humano” na água do batismo, mas O abandonou antes do sofrimento no Calvário, retornando ao Céu intocado. Para eles, a divindade não poderia se misturar com a vergonha da dor e do sangue.

O contraponto teológico e normativo para essa tentativa de suavizar o sacrifício está cravado nas linhas absolutas de Levítico 17:11. Ali, no coração das leis sacrificiais do deserto, o próprio Deus dita o decreto de maneira incontestável: “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que faz expiação em virtude da vida”. O texto sagrado deixa claro que, na engrenagem jurídica do Universo, a justiça não se satisfaz com encenações ou simulações. O pecado gera uma dívida real de vida, e a moeda de quitação dessa quebra de lei é o sangue vertido — a entrega literal da existência.

É de posse dessa régua legal do Antigo Testamento que João redige a sua Carta. Se o Salvador tivesse vindo apenas por água — isto é, se tivesse Se limitado a Se identificar conosco no Jordão sem pagar o preço correspondente no Calvário —, o resgate seria juridicamente nulo. O inimigo acusador venceria a disputa legal no Grande Conflito, pois poderia apontar para a Lei violada e exigir o cumprimento da sentença de morte que continuaria em aberto. O Gólgota é o local onde a Graça não ignora a Lei, mas a satisfaz plenamente. No sangue do Calvário, a assinatura de Jesus deixa de ser uma promessa de intenções no rio e passa a ser o recibo definitivo de quitação.

Ao cruzar a fronteira do sangue, Cristo destrói o argumento gnóstico de um Salvador intocável e, ao mesmo tempo, desarma o acusador. O Messias não encenou a redenção; Ele sangrou por ela. A divindade não fugiu da cruz; ela se ofereceu nela, provando que o amor de Deus vai até as últimas consequências físicas e legais para reaver Seus filhos.

Conclusão: Onde os dois caminhos se encontram

O silêncio das margens do Jordão e o clamor público no Calvário nos deixam uma lição de uma coerência espiritual avassaladora. Ao fechar a Primeira Carta de João e contemplar o horizonte da nossa redenção, entendemos que tentar separar a água do sangue na jornada do Messias é tentar fragmentar o próprio caráter de Deus.

Se Jesus tivesse vindo apenas por água, teríamos um modelo perfeito de empatia e um Mestre exemplar que mergulhou em nossas dores, mas continuaríamos irremediavelmente presos à nossa condenação legal. Se Ele operasse apenas por sangue, sem a água do batismo e da identificação, teríamos um sacrifício distante e mecânico, desprovido do calor humano daquele que Se fez nosso irmão de carne e osso.

É na união indissolúvel desses dois marcos que compreendemos a genialidade do plano do resgate no Grande Conflito. O Rio Jordão precisa correr em direção ao Gólgota; ele abraça a cruz do Calvário porque a identificação pública da nossa dívida necessitava da quitação de sangue dada pelo Justo Juiz. No Jordão, Cristo assumiu o nosso compromisso; no Calvário, Ele assinou o nosso recibo de liberdade.

Para nós, que hoje navegamos em um mundo repleto de ideologias vazias e heranças espirituais diluídas, o apelo de João ressoa como uma âncora firme. O Salvador não nos oferece uma graça barata que ignora a justiça, nem uma lei fria que anula a misericórdia. Ao olharmos para a nossa própria caminhada com o Criador, somos convidados a sair da superficialidade dos debates estéreis e a descansar na certeza absoluta de que fomos totalmente compreendidos na água e definitivamente resgatados no sangue.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira


Referências Bíblicas:

  • 1 João 5:6 — A declaração apostólica sobre Aquele que veio por meio de água e de sangue.
  • João 19:34 — O relato do soldado romano perfurando o lado de Cristo, vertendo sangue e água.
  • Mateus 3:13-15 — O diálogo entre Jesus e João Batista à beira do Jordão a respeito do batismo (paralelos em Marcos 1:9 e Lucas 3:21).
  • Levítico 16:4 — A ordenança litúrgica para o Dia da Expiação (Yom Kippur), exigindo a lavagem do sumo sacerdote com água pura no Lugar Santo.
  • Levítico 17:11 — O decreto absoluto sobre o valor jurídico do sangue como expiação em virtude da vida.
  • Gálatas 4:4-5 — O cumprimento da Lei por Cristo para resgatar os que estavam debaixo dela.
  • Apocalipse 12:10 — A identidade e a derrota do inimigo acusador perante o tribunal divino.

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Mistério em Judas: por que o diabo queria o corpo de Moisés?

Mistério em Judas: por que o diabo queria o corpo de Moisés?

Introdução

Você já reparou na facilidade com que gastamos tempo investigando o que a Bíblia decidiu silenciar e, por outro lado, ignoramos a riqueza do que ela explicitamente revela? No pequeníssimo Livro de Judas, com seus raros 25 versículos, deparamo-nos com um desses casos.

Nessa Carta Apostólica, está registrado um dos episódios mais enigmáticos de toda a Escritura: a disputa verbal e teológica pelo corpo de Moisés, travada entre o diabo e Miguel — nome que evoca a própria manifestação da autoridade divina.

Ao longo de todo o Antigo Testamento, a respeito disso, nenhum profeta ou historiador soprou uma única palavra além da que encontramos em Deuteronômio 34:5-6 — “Morreu Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor. Este o sepultou em um vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém tem sabido até hoje a sua sepultura”. Depois disso, todos somos surpreendidos quando esse grande líder de Israel reaparece vivo no Monte da Transfiguração, diante de Jesus e três de Seus discípulos. E apenas na última página antes do Apocalipse é que Judas abre as cortinas do mundo espiritual para nos revelar como isso foi possível: “Mas o Arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda”.

1. O perigo da relíquia e a idolatria mecânica

Deus não deixou ninguém presenciar o último suspiro de Moisés e também ocultou o túmulo em que ele foi enterrado, e uma das razões deve ter sido a de evitar que esse homem fosse alvo de uma devoção distorcida, o que faria o local e seus ossos se tornarem objetos de adoração. Com certeza, o diabo desejaria que isso ocorresse, pois esse sepulcro serviria de pretexto para o estabelecimento da primeira grande relíquia religiosa da história — uma armadilha sutil para desviar a fé invisível de Israel em direção a uma adoração visual e material.

O paralelo histórico perfeito para entender esse risco é o que aconteceu com a serpente de bronze, levantada no deserto por ocasião da praga das “serpentes abrasadoras”. Criada originalmente como um instrumento temporário de cura e um símbolo profético da graça divina, aquela peça metálica acabou sofrendo uma terrível distorção cultural ao longo das gerações. Por incrível que pareça, veio a ser alvo de culto, transformando o que era um memorial de libertação em um fetiche religioso. Com a posterior centralização do culto em Jerusalém, essa mesma serpente passou a ser integrada às práticas do povo, que acendia incenso diante dela.

Cerca de sete séculos depois do episódio no deserto, o rei Ezequias deu um basta a essa prática espiritual perversa. Ele despedaçou o objeto, colocando-o no seu devido lugar: um mero pedaço de bronze. Com isso, arrancou do coração do povo aquela dependência profundamente pagã.

Se o diabo tivesse conseguido reter para si o corpo de Moisés, a pergunta contida no nome “Miguel” — “Quem é como Deus?” — teria uma resposta favorável a ele, pois teria tido poder para deter uma ressurreição. Ao mesmo tempo, criaria o cenário perfeito para impulsionar um culto em veneração ao profeta. O túmulo do legislador teria virado o maior santuário idólatra da antiguidade, sepultando a fé no Deus invisível sob o peso de uma veneração cega a restos mortais.

2. A fronteira do Juízo e a autoridade delegada

No versículo 9, o autor utiliza a expressão grega ho archangelos, traduzida como “o arcanjo”. O termo une o prefixo archi (que significa “chefe”, “principal” ou “líder”) ao substantivo ággelos (“anjo” ou “mensageiro”). Arcanjo, portanto, designa o “Chefe dos anjos”.

Quanto ao nome Michaēl, traduzido como “Miguel”, devemos entendê-lo recorrendo ao original hebraico: Mikha’el — onde Mi é o pronome interrogativo “Quem?”, Kha, a preposição de comparação “como”, e El, o substantivo “Deus”. Esse nome, portanto, carrega uma pergunta, e ela é retórica: “Quem é como Deus?” A resposta é: “Somente o próprio Deus”.

Para fixar a compreensão sobre o que é “pergunta retórica”, recorramos aos exemplos dados por Paulo: “Quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi Seu conselheiro? Ou quem Lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado?” Outra: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Para todas elas, a resposta é absolutamente lógica: “Ninguém”.

A grande ironia que Judas nos traz, no entanto — e nela encontramos uma riqueza incalculável —, está na identidade e na postura dAquele que enfrentou o acusador. Sendo o Comandante supremo das hostes angelicais, Ele não usou da autoridade que Lhe era própria para insultar ou julgar o rebelde anjo que estava diante de Si. Não perdeu tempo em um embate de ofensas. Simplesmente disse: “O Senhor te repreenda” — expressão que, repetida em Zacarias 3:2, confirma o conceito da autoridade jurídica do Pai.

Tal expressão revela a essência do caráter divino no Grande Conflito. Ao não pronunciar um juízo de maldição, Cristo demonstrou a natureza perfeita de Deus, recusando-Se a fazer uso das ferramentas que são próprias de Satanás, o acusador. Essa conduta revela que a disputa pelo corpo não era um mero duelo de forças, mas uma questão de estrita legalidade espiritual. O diabo reivindicava o cadáver apontando para o pecado de Moisés em Meribá, exigindo o cumprimento da sentença de morte em conformidade com a Lei — o que, do ponto de vista legal, fazia sentido. Miguel, no entanto, defendia aquele homem sob o penhor da Graça, operando um resgate pré-datado que seria totalmente quitado e selado no Calvário, através da dádiva de Sua vida.

Sobre o destino imediato do adversário, Judas silencia. No entanto, é evidente que ele não pôde resistir à palavra de ordem — tal como ocorreu séculos depois no deserto da tentação, quando Jesus lhe disse: “Retira-te, Satanás… e o diabo O deixou”.

3. A recompensa de Moisés

Embora Judas nos indique os bastidores desse embate espiritual e revele o significado profundo por trás do nome “Miguel”, o próprio Moisés precisa ser visto e compreendido em sua jornada.

Lá no início, diante da sarça ardente, um Moisés inseguro argumentava que não sabia falar. Agora, no fim de sua jornada no Monte Nebo, ele realmente não fala. Humilde e obediente, o manso líder de Israel aceita apenas “ver” a Canaã terrena de longe, sem ter a menor ideia do que aconteceria momentos depois.

É essa reviravolta divina que o apóstolo Paulo nos lembra quando escreve que “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram … o que Deus preparou para os que O amam”. Moisés, ao escolher sofrer com o povo no deserto em vez de gozar dos prazeres passageiros da corte egípcia, fez isso porque — como detalha a Epístola aos Hebreus — “tinha em vista a recompensa”. No entanto, nem mesmo esse homem poderia imaginar a magnitude e a velocidade do plano divino para ele. Esperava a ressurreição geral apenas no último dia, mas recebeu imediatamente.

O plano de Deus provou ser infinitamente superior aos intentos do diabo: enquanto o inimigo cobiçava o corpo de Moisés para que ele fosse quebrado e idolatrado na terra como uma relíquia morta, Deus o tomou para Si para que ele fosse glorificado no Céu como um testemunho vivo.

Mais adiante, além da glória celestial, Moisés recebeu do Pai um privilégio inimaginável: a ordem de descer ao Monte da Transfiguração. Os Evangelhos registram que ele esteve com Jesus um pouco antes de Sua última ida a Jerusalém. Embora os detalhes do que possivelmente tenham conversado não tenham sido registrados, o propósito da ordem do Pai é evidente: Moisés foi enviado para consolar e animar o Filho em Sua caminhada rumo ao Calvário.

Há uma beleza poética extraordinária nisso. Aquele mesmo Moisés que, impotente na morte, teve seu corpo defendido e resgatado no deserto por “Miguel”, agora, vivo e glorificado, aparece para fortalecer o próprio Jesus — o Arcanjo daquela disputa —, que estava prestes a dar a Sua vida na cruz por toda a humanidade.

Conclusão
O silêncio do Antigo Testamento e a revelação cirúrgica do Novo nos deixam uma lição profunda: a de que a disputa pelo corpo de Moisés não foi apenas um embate por restos mortais, mas um vislumbre da justiça e da misericórdia se encontrando.

O diabo tentou prender Israel ao passado, ao visível e palpável — seja através do túmulo de um líder ou de uma serpente de bronze. Deus, contudo, prefere o invisível, o eterno e o espiritual. Ao fechar o Livro de Judas e olhar para o Monte da Transfiguração, entendemos que o maior milagre não foi o segredo do sepulcro de Moisés no deserto, mas o fato de que, para Deus, Seus servos nunca são relíquias a serem guardadas, mas filhos a serem ressuscitados.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira

Referências Bíblicas:

  • Judas 1:9 — A disputa entre o Arcanjo Miguel e o diabo pelo corpo de Moisés.
  • Deuteronômio 34:5-6 — O registro da morte e do sepultamento oculto de Moisés em Moabe.
  • Mateus 17:1-3 — A reaparição de Moisés vivo no Monte da Transfiguração (paralelos em Marcos 9:4 e Lucas 9:30).
  • Números 21:8-9 — O episódio da serpente de bronze levantada por Moisés no deserto.
  • 2 Reis 18:4 — O rei Ezequias despedaçando a serpente de bronze transformada em ídolo.
  • Romanos 11:34-35 — As perguntas retóricas de Paulo sobre quem compreendeu o intento do Senhor.
  • Romanos 8:31 — A pergunta retórica de Paulo sobre quem será contra nós se Deus é por nós.
  • Zacarias 3:2 — A exata sentença jurídica “O Senhor te repreenda” dita ao acusador.
  • Números 20:12-13 — O erro de Moisés em Meribá que custou sua entrada na Canaã terrena.
  • Mateus 4:10-11 — Jesus ordenando a retirada de Satanás no deserto da tentação.
  • Êxodo 4:10 — Moisés argumentando diante da sarça ardente que não sabia falar.
  • 1 Coríntios 2:9 — A declaração de Paulo de que nem olhos viram nem ouvidos ouviram o que Deus preparou.
  • Hebreus 11:24-26 — O registro de que Moisés escolheu o sofrimento no deserto visando a recompensa.
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Vinho no Apocalipse: devemos olhar o copo ou a fabricação?

Vinho no Apocalipse: devemos olhar o copo ou a fabricação?

Você já viu aquela discussão sem fim sobre se o “vinho da Bíblia” era suco puro ou se havia nele algum teor alcoólico? Teólogos gastam horas debatendo a respeito. Mas o livro do Apocalipse traz uma ironia fascinante: para entender a profecia nele descrita, a química do líquido não importa; o segredo está em olhar para “como ele é feito”. E o profeta João nos convida enfaticamente a isso: olhar para trás — prestar atenção às etapas da produção do vinho.

Se assim o fizermos, poeticamente veremos que cada fase desse processo desenha um cenário espiritual diferente.

1. O Vinho alcoólico e as doutrinas pervertedoras

Quando o Apocalipse deseja falar sobre a corrupção moral e o engano espiritual das nações, ele nos traz a imagem de uma taça de vinho, pronta para ser ingerida. Esse é o vinho que já passou por todo o processo de fermentação, tornando-se inebriante e tóxico. No aspecto temporal da fabricação, esse vinho exige tempo e isolamento, permitindo que processos orgânicos invisíveis corrompam o açúcar original — os hebreus, no Antigo Testamento, chamavam essa bebida de yayin. Da mesma forma, as ideologias de Babilônia são construções históricas envelhecidas, fermentadas ao longo dos séculos pela cultura humana longe de Deus.

Em Apocalipse 17:2, lemos: “… e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição”. Aqui, o estado alcoólico da bebida é o centro da metáfora. Ele representa as ideologias e falsas doutrinas do sistema global — Babilônia.

Assim como o álcool obscurece a mente, tira os reflexos e faz o indivíduo cambalear sem rumo, os ensinos pervertidos entorpecem o discernimento espiritual da humanidade. Esta é uma dinâmica de corrupção química interna, que altera sutilmente a mente antes de destruir o corpo. As nações bebem dessa cultura e perdem a capacidade de enxergar e praticar a verdade.

Essa dinâmica não é nova. No relato histórico do profeta Daniel e seus três amigos, quando eles escolheram se abster do que foi oferecido pelo copeiro do rei, preferindo ingerir apenas legumes e água, encontramos um indicativo poético perfeito dessa mesma batalha apocalíptica: o entorpecimento imposto pelo mundo versus a sabedoria de origem celestial.

Tragicamente, Daniel relata que a Babilônia histórica caiu exatamente em uma noite de profunda embriaguez e profanação.

2. O Vinho feito na hora e o Juízo esmagador

Por outro lado, quando o cenário muda para o acerto de contas de Deus com aqueles que rejeitaram a Sua verdade, a câmera profética sai da taça e foca no lagar — o local onde as uvas que acabaram de ser colhidas são postas para dar início ao processo.

Em um contraste direto com a Babilônia, que opera por uma química interna e invisível, o Juízo divino manifesta-se através de uma mecânica externa, visível e implacável. Apocalipse 14:19-20 nos diz: “E o anjo lançou a sua foice à terra… e lançou-as no grande lagar da ira de Deus. E o lagar foi pisado”. Nesta cena, o processo de fabricação do vinho está começando, e o resultado é um suco puro, fresco, novo. O que Deus nos convida a considerar aqui, então, não é se o suco sofrerá o efeito químico da fermentação ou não, mas a violência mecânica do esmagamento:

  • A pressão extrema: Para o suco jorrar, a integridade da uva precisa ser destruída sob os pés pesados do lavrador. É o retrato da justiça divina esmagando a rebeldia humana que se encontra amadurecida para isso.
  • O “sangue das uvas”: O suco vermelho vivo que espirra nas vestes de quem pisa o lagar torna-se a representação poética imediata do sangue requerido no juízo.

Mas aqui cabe uma pergunta para algo que o texto de Apocalipse 14 deixa no ar: “Afinal de contas, quem está pisando esse lagar?”

Como o texto usa a voz passiva — “o lagar foi pisado” —, ocultando o autor da ação em um primeiro momento, a resposta só aparece mais adiante: em Apocalipse 19:15, revela-se que o executor desse juízo é o próprio Senhor Jesus Cristo — “E Ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso”. João resgata aqui a profecia relatada em Isaías 63, onde, no verso 3, o Messias avisou: “Eu sozinho pisei no lagar”. Dois versos depois, Ele destaca a total ausência de ajudantes ao Seu lado, o que acentua o caráter individual e absoluto desta execução.

É aqui que a Bíblia nos leva a entender a riqueza da metáfora: o lagar entra em cena para nos mostrar um Juízo absolutamente puro. Diferente do vinho que chega à taça e que ao longo do caminho pode ser misturado, adulterado ou diluído por mãos humanas, o suco que jorra direto do lagar representa a justiça em sua origem absolutamente pura.

Esta pureza incontaminada do suco recém-esmagado ecoa com precisão cirúrgica a expressão grega akratou utilizada em Apocalipse 14:10, traduzida textualmente como o vinho da ira de Deus preparado “sem mistura” — ou seja, sem água adicionada para atenuar sua força.

E para que esse Juízo seja perfeitamente incontestável, ele não poderia ser terceirizado para homens ou anjos. Exige-se a mão direta, soberana e pessoal do Justo Juiz.

Conclusão: O fio condutor da justiça e da graça

No fim das contas, a teologia do Apocalipse nos mostra que tentar decifrar o Livro discutindo apenas o teor alcoólico do copo é perder de vista a grande obra de arte literária e espiritual da Bíblia.

Quando paramos de olhar apenas para o líquido e passamos a observar o processo de fabricação, entendemos que o Apocalipse apenas sela a doutrina do Juízo estabelecida desde o Gênesis — quando, no Éden, Deus advertiu: “No dia em que dela comeres, é certo que morrerás”. Mas, entre o primeiro e o último Livro da Bíblia, nunca deixou de ser mostrado o maravilhoso convite divino ao arrependimento.

Por milênios, Deus refreia a Sua justiça — como diz o grandioso texto de Isaías 48:9: “Por amor do Meu nome retardarei a Minha ira, e por amor do Meu louvor Me refrearei para contigo, para que te não venha a cortar”. Deus dá tempo à humanidade. Ele oferece o perdão. Mas, recusada a proposta divina, nada mais resta, a não ser a manifestação da justiça em seu estado puro — sem as misturas da tolerância.

É por isso que as duas imagens do processo do vinho fazem tanto sentido:

  • O sistema deste mundo oferece uma taça envelhecida, cheia de ideologias sedutoras e fermentadas que entorpecem a mente e fazem as nações cambalearem longe de Deus.
  • O justo Juiz responde no tempo do fim tal como o vinho feito na hora: um juízo absolutamente incontestável, direto, e que acontece justamente porque a paciência de Deus chegou ao limite e a rebeldia humana amadureceu para o confronto.

O Apocalipse nos convida a sair do torpor das taças de Babilônia enquanto a ira ainda está retida — ou seja, enquanto a misericórdia ainda está estendida. Afinal, aquilo que a humanidade cultiva hoje como sua maior vinha de prazeres e autonomia, se recusar o perdão do Criador, terminará colhido e desfeito sob a perfeita, limpa e justa prensa divina.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira

Referências Bíblicas:

  • Apocalipse 17:2 — O registro das nações e habitantes da terra se embriagando com o vinho da prostituição de Babilônia.
  • Daniel 1:8-12 — O relato histórico de Daniel e seus três amigos ao escolherem não se contaminar com as iguarias e o vinho do rei, preferindo legumes e água.
  • Daniel 5:1-4 e 30 — A noite de profunda embriaguez, banquete e profanação dos vasos sagrados que culminou na queda da Babilônia histórica.
  • Apocalipse 14:19-20 — A cena profética do anjo lançando a foice e recolhendo as uvas da terra para serem pisadas no grande lagar da ira de Deus.
  • Apocalipse 19:15 — A revelação de Jesus Cristo como o executor do juízo, Aquele que pessoalmente pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso.
  • Isaías 63:3-5 — A profecia messiânica que antecipa o Juiz pisando o lagar sozinho, destacando a total ausência de ajudantes ao Seu lado.
  • Apocalipse 14:10 — O aviso sobre o vinho da ira de Deus preparado sem mistura (akratou) na taça da Sua indignação.
  • Gênesis 2:17 — O estabelecimento da doutrina do Juízo no Éden através da advertência divina de que a desobediência traria a certeza da morte.
  • Isaías 48:9 — A declaração do Senhor sobre refrear a Sua ira e retardar o juízo por amor do Seu nome, estendendo o tempo de misericórdia.

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Caim conhecia ou não Efésios 4:26?

Caim conhecia ou não Efésios 4:26?

Certamente, não tinha como Caim conhecer algo que ainda não havia sido escrito. Porém, o conceito registrado em Efésios 4:26 ele conhecia — e muito bem, pois o escutou diretamente dos lábios de Deus. Muito antes de o apóstolo Paulo registrar a famosa exortação sobre o perigo de deixar a ira se transformar em pecado, o Criador já havia descido para dar uma mentoria particular ao primogênito de Adão, advertindo-o sobre a gravidade de seus sentimentos, para que não se tornasse o primeiro homicida da história. A narrativa do Gênesis nos mostra que a anatomia da queda de Caim começou exatamente no ponto onde ele ignorou o princípio que, milênios mais tarde, estruturaria o conselho paulino.

O aviso divino à beira do abismo

Quando Deus rejeitou a oferta de Caim e aceitou a de seu irmão, a Bíblia relata que ele se irou sobremaneira e o seu semblante caiu. O sentimento de frustração e rejeição foi imediato. Foi nesse exato momento de vulnerabilidade que o Senhor interveio com uma pergunta pedagógica (e também retórica): “Por que se acendeu a tua ira? E por que descaiu o teu semblante?” (Gênesis 4:6). O Criador não o condenou simplesmente por sentir raiva; Ele o questionou para que avaliasse a raiz de sua emoção.

O texto continua dizendo que, se fizesse o bem, seria aceito; mas, se não o fizesse, o pecado que estava à porta, espreitando-o como uma fera faminta, iria devorá-lo. O mandamento divino foi claro: “A ti cumpre dominá-lo”. Esse é o exato equivalente ao “Irai-vos e não pequeis”. A ira bateu à porta do coração de Caim, mas ele foi avisado de que tinha a responsabilidade e a capacidade de governar aquela emoção antes que ela se convertesse em tragédia.

O Sol se pôs sobre a ira de Caim

O conselho de Efésios 4:26 traz um limite prático crucial: “Não se ponha o Sol sobre a vossa ira”. Isso nos ensina sobre a urgência de tratar o ressentimento de forma rápida, evitando que ele crie raízes no coração. Caim fez o oposto. Ele permitiu que o Sol se pusesse sobre a sua indignação dia após dia. Alimentou o rancor, cultivou a inveja e transformou a frustração inicial em um plano deliberado de homicídio.

O relato sagrado nos mostra que ele convidou seu irmão para ir ao campo e, estando lá, o atacou. Essa premeditação demonstra que a sua ira não foi uma explosão momentânea; foi um fogo mantido aceso pelo combustível da amargura acumulada. Ao ignorar o limite de tempo para resolver seu conflito interno, ele abriu a porta para que o pecado, que antes apenas espreitava, assumisse o controle total de suas ações.

Conclusão
A história de Caim serve como um solene monumento de advertência para todos nós. Ela prova que a psicologia por trás de Efésios 4:26 é uma lei espiritual eterna e universal. Sentir ira faz parte da nossa atual condição humana e, muitas vezes, é uma reação inevitável diante das contrariedades da vida. No entanto, o desfecho dessa emoção depende inteiramente de nossa escolha. Podemos ouvir o conselho divino, dominar o impulso e resolver a questão antes que o dia termine, ou podemos imitar o erro de Caim, alimentando o monstro do ressentimento até que ele nos destrua — e destrua aqueles ao nosso redor. Que sejamos rápidos em ouvir o aviso de Deus, dominando a nossa ira antes que ela nos domine.

Carlos Bitencourt — Ligado na Videira

Efésios 4:26-27 — “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o Sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo”.

Gênesis 4:6-7 — “Então, lhe disse o Senhor: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”.


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Jesus bebeu vinho alcoólico?

Jesus bebeu vinho alcoólico?

Introdução

Será que uma palavra pode mudar de sentido com o passar dos séculos? O termo “vinho” revela que sim. Hoje, ao abrirmos a Bíblia e nos depararmos com essa palavra, nossa mente projeta quase que automaticamente uma bebida de teor alcoólico. No entanto, o universo cultural e linguístico dos tempos bíblicos era muito mais complexo. Os antigos dispunham de um vocabulário rico para designar o suco extraído da uva em suas diferentes etapas de colheita, frescor e preservação — distinções que foram sendo deixadas para trás nas traduções modernas.

Será que o nosso idioma sofreu um achatamento conceitual tão grande a ponto de apagar nuances práticas e de maturação que eram evidentes para os escritores bíblicos?

Compreender o que o hebraico e o grego realmente comunicam pode, sim, mudar de forma surpreendente a nossa percepção sobre o que Jesus ingeriu em Sua última Páscoa na Terra. Para investigar isso de forma honesta, precisamos olhar o texto sagrado não por palavras isoladas, mas por seu fio condutor. A teologia bíblica opera em total harmonia com a integridade e o bem-estar do ser humano — afinal, a recomendação bíblica é fazer tudo, inclusive o comer e o beber, “para a glória de Deus” (1 Coríntios 10:31). É a partir desse entrelaçamento entre linguagem, história e a visão holística da vida que passamos a examinar os textos originais.

O mito do vinho na Bíblia: o que se perdeu nas traduções

“Jesus bebeu vinho alcoólico?” — Para responder a essa questão de forma honesta, precisamos permitir que as Sagradas Escrituras sejam interpretadas à luz de seu próprio contexto histórico e linguístico. Esse exercício nos ajudará a entender se as generalizações modernas acabaram ocultando o fato de que, na Antiguidade, a produção e o consumo do suco de uva não alcoólico eram práticas correntes e valorizadas.

Como ponto de partida, vale analisar a promessa de Moisés — em Deuteronômio 11:14 — sobre os benefícios da obediência à Aliança. Ali, Deus garante ao Seu povo três produtos essenciais da terra: o trigo, o vinho e o azeite. Essa tríade agrícola tornou-se o termômetro da base econômica, da paz e das bênçãos divinas em Israel. Curiosamente, enquanto o consumo do trigo e do azeite jamais gerou controvérsias teológicas, o termo traduzido como “vinho” tornou-se o centro de intensos debates.

Para desfazer os nós dessa discussão, torna-se indispensável recorrer aos originais hebraico e grego. Somente compreendendo o que os escritores e leitores daquela época de fato entendiam ao se referirem ao líquido extraído da uva é que poderemos avaliar a validade das nossas interpretações atuais.

Métodos antigos de conservação e a dinâmica biológica

Para compreender a preservação do suco, precisamos analisar brevemente a biologia da videira. A uva possui uma camada de cera natural em sua casca chamada “pruína”, que serve como barreira protetora. No ambiente, encontram-se as “leveduras” — microrganismos responsáveis pela fermentação.

No momento em que as uvas são esmagadas no lagar, o suco entra em contato com essas leveduras ambientais e as que estão grudadas na casca, iniciando o processo natural de degradação dos açúcares em álcool e gás carbônico. É essa sequência biológica que transforma o “mosto” no vinho fermentado.

Contudo, os povos antigos não eram reféns desse processo e sabiam como interrompê-lo. Historiadores da Antiguidade clássica, como Plínio e Columela, registram que o suco podia ser mantido em seu estado natural e livre de álcool por meio de técnicas específicas. As principais eram: fervura prolongada — que eliminava as leveduras e concentrava os açúcares, dificultando a fermentação —; filtragem rigorosa das impurezas; e o resfriamento das jarras, muitas vezes submersas em poços ou fontes de água fria.

Esse contexto esclarece a famosa dinâmica dos odres mencionada nos Evangelhos. O uso de odres novos para o suco fresco não visava acomodar os gases de uma fermentação ativa, mas sim garantir um ambiente estéril. Um odre velho continha leveduras remanescentes incrustadas em suas paredes porosas, capazes de contaminar e fermentar o suco novo imediatamente.

A eficácia da tecnologia antiga em isolar elementos do ambiente externo foi dramaticamente confirmada pela arqueologia moderna. Em 1947, a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto demonstrou que jarras de barro hermeticamente seladas eram capazes de proteger seu conteúdo da deterioração por milênios. Esse mesmo princípio de vedação absoluta com betume ou piche era aplicado para isolar os líquidos e grãos do oxigênio e de contaminantes externos.

Diante dessa realidade histórica e biológica, torna-se evidente que os antigos gerenciavam com precisão o estado da bebida. Resta-nos, portanto, examinar como o vocabulário bíblico refletia essa distinção entre o produto fermentado e o preservado.

Nuances esquecidas: as palavras originais e o rito da Páscoa

Para facilitar a compreensão dessa dinâmica linguística, vale recorrer a um paralelo fascinante: quando lemos a palavra “criança” nas traduções modernas da Bíblia, que idade projetamos? A resposta exige uma análise demorada do contexto. No entanto, os antigos israelitas operavam com uma precisão muito maior, pois o hebraico do Antigo Testamento possuía cinco termos distintos para as fases de desenvolvimento: yoneq (lactante), olel (bebê de colo), gamul (desmamado), taph (criança que começa a andar) e yeled (criança ativa). No Novo Testamento grego, a mesma riqueza se repete com termos como brephos, paidion e pais. A simplificação dos idiomas modernos nos fez perder essas preciosas nuances cronológicas.

O mesmo fenômeno ocorre com o suco extraído da uva. O vocabulário bíblico não era genérico. O primeiro termo fundamental é tirosh: a palavra hebraica para designar o mosto fresco, o suco recém-espremido e livre de fermentação, bem como o suco preservado por métodos que impediam a ação das leveduras.

Tirosh representa o suco em seu estado de pureza natural. Na Bíblia, ele é frequentemente associado ao início das colheitas, às bênçãos da terra, aos dízimos e às ofertas de libação, sendo um símbolo direto da provisão e da aprovação divina.

É preciso ponderar que nem tudo o que “alegra o coração do homem” — expressão do Salmo 104:15 — decorre de propriedades inebriantes. A celebração da colheita, a comunhão e o cumprimento de um rito religioso trazem uma alegria legítima que, na perspectiva bíblica, associa-se à ingestão de alimentos puros e saudáveis.

A busca pela pureza atinge o seu ápice na Festa dos Pães Asmos, o rito que celebrava a libertação do Egito (Êxodo 12). A ordem divina era drástica: o fermento deveria ser banido de todas as casas. Embora historicamente a tradição rabínica focasse a proibição legal nos fermentos derivados de cereais (hametz), o Novo Testamento expande essa tipologia, estabelecendo o fermento como o símbolo máximo da corrupção moral, da hipocrisia e da deterioração espiritual (1 Coríntios 5:7-8).

É dentro dessa coerência teológica que a Última Ceia deve ser analisada. No momento em que Jesus institui o memorial de Seu sacrifício, no coração de uma festa marcada pela remoção de toda corrupção (fermento), seria uma contradição teológica severa que Ele utilizasse uma bebida cujo teor alcoólico resulta justamente de um processo biológico de fermentação e decomposição.

O registro do evangelista Mateus corrobora essa perspectiva de forma cirúrgica (Mateus 26:29). Sendo testemunha ocular, ele evita deliberadamente o termo grego genérico oinos (vinho), que descrevia tanto o suco fresco quanto o fermentado. Para blindar o rito contra ambiguidades, Mateus registra que Jesus utilizou a expressão explícita “fruto da videira” acompanhada do adjetivo “novo”.

Muitas traduções modernas inserem a palavra “vinho” antes de “novo” por questões de estilo. Contudo, deve-se notar que, na época das primeiras traduções para o português, a palavra “vinho” ainda funcionava como um termo abrangente para qualquer suco de uva. Foi a especialização comercial recente que restringiu o termo exclusivamente à bebida alcoólica, induzindo o leitor moderno ao erro de supor uma aprovação bíblica ao consumo de álcool.

O texto original de Mateus ganha ainda mais profundidade quando analisamos a palavra grega traduzida como “novo”. O evangelista não utilizou neos (novo em termos de tempo ou fabricação recente), mas sim kainon, que denota algo novo em dimensão de qualidade, essência e natureza superior. Jesus associou a pureza incomparável daquele “fruto da videira” à pureza de Seu próprio sangue, que selava a Nova Aliança.

Essa distinção estende-se à escatologia bíblica. Ao prometer beber o fruto da videira de forma kainon no Reino de Seu Pai, Jesus afasta a possibilidade de haver bebidas alcoólicas no Novo Céu e Nova Terra. Cientificamente, a fermentação é um processo biológico de degradação e morte celular. Dado que a Bíblia afirma categoricamente que no Reino de Deus “não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor” (Apocalipse 21:4), a presença do álcool — um subproduto da deterioração — contrastaria com a restauração da criação ao seu estado de perfeição eterna, onde os processos de decomposição não mais operarão.

Compreendido o caráter essencialmente puro do suco na Ceia, resta-nos avaliar a segunda palavra hebraica para o derivado da uva, onde o cenário assume contornos de advertência: yayin.

Yayin: o termo genérico e as advertências bíblicas

Diferente de tirosh, que enfatiza o produto novo, fresco e a bênção da colheita, a palavra yayin funciona no texto hebraico como um termo de ampla abrangência. Trata-se do vocabulário genérico para o derivado da uva, aplicando-se ao líquido em qualquer um de seus estágios — desde o suco recém-espremido no lagar até o produto que completou o processo de fermentação. E é exatamente nessa amplitude semântica que o cenário interpretativo exige maior cautela.

Ao longo da história das traduções, os termos específicos tirosh e yayin foram unificados sob o grego oinos, migrando posteriormente para o latim vinum e, finalmente, para o português “vinho”. Esse achatamento linguístico obscureceu uma dinâmica crucial: enquanto tirosh é predominantemente associado a contextos de provisão e gratidão, as advertências mais severas e os relatos de ruína moral nas Escrituras estão invariavelmente atrelados ao uso do yayin em seu estado fermentado. É o yayin que surge conectado à embriaguez e ao colapso familiar de Noé e de Ló, bem como aos veementes alertas de Salomão no livro de Provérbios sobre a confusão de sentidos e a perda do discernimento.

Há, contudo, uma aparente exceção em Oseias 4:11, onde o profeta adverte que a prostituição, o yayin e o tiroshtiram o entendimento”. Uma análise exegética rigorosa revela que, neste contexto poético, o foco não está nos efeitos químicos da bebida, mas sim no perigo da idolatria e do apego desordenado à fartura material, que afasta o coração do povo de Deus. Excetuando-se o julgamento contra o abuso da própria prosperidade agrícola, a distinção fundamental permanece: o texto original utiliza palavras específicas para qualificar o estado da fruta.

Se compreendermos que o pensamento moderno reduziu o significado de “vinho” exclusivamente à bebida alcoólica, percebemos que o leitor atual projeta no texto bíblico uma uniformidade que os escritores originais jamais pretenderam dar. Para os autores sagrados e seus leitores contemporâneos, as nuances do estado do líquido eram evidentes. O resgate dessas distinções não visa apenas solucionar um enigma filológico, mas reafirmar o princípio de preservação da vida e da lucidez que atravessa toda a revelação bíblica.

Considerações especiais: as Bodas de Caná e a recomendação a Timóteo

Qualquer análise honesta sobre o tema precisa enfrentar os dois relatos do Novo Testamento mais frequentemente utilizados para defender o consumo de álcool: o milagre em Caná da Galileia (João 2:1-11) e o conselho de Paulo a Timóteo (1 Timóteo 5:23). Em ambos os textos, a palavra grega utilizada é o genérico oinos, cujo sentido deve ser extraído do contexto sociocultural e moral das Escrituras.

No casamento em Caná, o mestre-sala elogia o vinho milagroso feito por Jesus após aplicar uma regra de etiqueta da época: serve-se o melhor produto primeiro e, quando os convidados já beberam fartamente, introduz-se o inferior. Críticos costumam apontar que o verbo grego utilizado ali — methuo — significa “embriagar-se”. Contudo, na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento) e na literatura antiga, methuo possui o sentido perfeitamente legítimo de “beber até a saciedade” ou “estar plenamente satisfeito”, referindo-se à fartura de um banquete, sem qualquer conotação de intoxicação alcoólica.

Ademais, a escala do milagre é reveladora: Jesus produziu entre 400 e 600 litros de bebida. Sob a ótica do caráter de Cristo e das severas condenações bíblicas à embriaguez, seria moralmente contraditório que o Salvador fornecesse uma quantidade massiva de álcool para um grupo já saciado. Historiadores como Plínio, o Velho, em sua História Natural, e Plutarco, em suas Questões Conviviais, registram que, no mundo greco-romano, os vinhos mais nobres e aristocráticos eram justamente os filtrados e privados de seu poder inebriante por meio da fervura, sendo celebrados por sua pureza. Ao realizar o Seu primeiro milagre, Jesus manifestou a superabundância da criação em seu estado perfeito e não corrompido.

Já no caso de Timóteo, a recomendação de Paulo foi: “Use um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades”. Esse conselho, como vemos, aponta para um cenário estritamente medicinal, e nada recreativo. Inclusive, o verso diz, em seu início, que Timóteo praticava uma abstinência tão rigorosa que Paulo obrigou-se a alertá-lo: “Não continues a beber somente água”.

Na medicina da Antiguidade, o oinos — frequentemente misturado à água em proporções terapêuticas — era amplamente prescrito como tônico digestivo e antisséptico para neutralizar os patógenos das águas contaminadas da época. Fosse o suco preservado por fervura ou uma porção diluída com propriedades antissépticas, a restrição de Paulo ao uso de “um pouco” reflete a precisão de uma dosagem médica. Esse cuidado garantia a restauração da saúde do jovem pastor, mantendo intacto o seu compromisso com a sobriedade e a lucidez espiritual.

Conclusão

Portanto, a resposta para a indagação inicial — se Jesus bebeu vinho alcoólico — não deve ser moldada por nossas preferências culturais modernas, mas sim pela precisão dos termos bíblicos e pela coerência tipológica das Escrituras. A ciência nos recorda que a fermentação é, essencialmente, um processo biológico de decomposição; a teologia nos revela que o fermento é o símbolo bíblico por excelência para a corrupção moral. Unindo essas duas realidades, torna-se evidente que, no momento solene da instituição da Ceia Pascal, Jesus jamais utilizaria um produto marcado pela deterioração e pela morte celular para representar a Si mesmo.

Ao escolher deliberadamente a expressão “fruto da videira” e prometer bebê-lo renovado — kainon, em natureza e qualidade superior — no Reino de Seu Pai, o Salvador estabeleceu um paralelo eterno entre a pureza do suco preservado e a pureza imaculada de Seu próprio sangue: o sangue da Nova Aliança que desconhece o pecado.

Compreender o pano de fundo histórico e as distinções entre tirosh e yayin vai muito além de uma mera curiosidade filológica. Trata-se do resgate da coerência da própria revelação divina.

Quando nos debruçamos sobre o texto original, percebemos que Deus jamais Se contradiz. Ele abençoa e incentiva o consumo do fruto puro que nutre, cura e alegra com saúde, ao mesmo tempo em que adverte severamente contra o produto da fermentação, que confunde os sentidos, obscurece o juízo e escraviza a mente.

Que a clareza e a prudência dos antigos nos sirvam de guia, motivando-nos a discernir com precisão entre aquilo que é uma genuína bênção do Criador e o que representa um prejuízo à santidade de nossa vida.

Carlos Bitencourt — blog Ligado na Videira


Referências bíblicas para estudo adicional

Ocorrências em que tirosh foi traduzido como “vinho” (o mosto fresco, associado à bênção, fartura e dízimo):

  • Deuteronômio 11:14 – A promessa da tríade alimentar (trigo, tirosh e azeite) como bênção da Aliança.
  • Provérbios 3:10 – A promessa de lagares transbordando de tirosh como resultado da fidelidade nos dízimos.
  • Isaías 65:8 – O texto diz explicitamente que “o tirosh [suco novo] se acha no cacho”, provando que a palavra descreve o suco ainda dentro da fruta, totalmente isento de álcool.
  • Neemias 10:37 e Joel 2:24 – O dízimo e a restauração dos lagares repletos de suco puro.

Ocorrências em que a palavra “vinho” realmente é yayin (termo genérico que, em contextos de consumo humano recreativo, associa-se a severas advertências e ruína moral):

  • Gênesis 9:21 e Gênesis 19:32 – Os relatos trágicos da degradação familiar e moral de Noé e de Ló sob o efeito do yayin fermentado.
  • Provérbios 20:1 – O aviso categórico de que o yayin é escarnecedor e a bebida forte é alvoroçadora.
  • Provérbios 23:31 – A ordem bíblica direta: “Não olhes para o yayin quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente”, descrevendo graficamente o processo visual da fermentação ativa.
  • Isaías 5:11 – O julgamento profético contra os que correm atrás do yayin até ficarem inflamados por ele.

Nota de Contexto para o Novo Testamento (Oinos):

  • A dinâmica de preservação do suco e a necessidade de proteção contra microrganismos ambientais servem de base para a famosa parábola de Jesus sobre os odres em Mateus 9:17, com paralelos em Marcos 2:22 e Lucas 5:37-38, onde o termo grego abrangente oinos é utilizado. Como demonstrado no artigo, a urgência em utilizar odres novos para o suco fresco não visava gerenciar gases de uma fermentação intencional, mas sim garantir um recipiente estéril. Um odre velho continha leveduras secas incrustadas em suas paredes, as quais corromperiam o novo mosto imediatamente, ao passo que o odre novo assegurava o isolamento biológico necessário para manter a bebida sem álcool.
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Meditação Matinal 2026

Devocional Diário 2026 – Este Dia Com Deus, antiga Meditação Matinal de Ellen White, ano 1980.

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Comentário da Lição

Queridos irmãos, meu pai teve um AVC no dia 17 de julho. Ele tem quase 94 anos de idade. Graças a Deus, está tudo sobre controle. Mas, isso mudou minha rotina.

Sai de minha cidade e estou na casa de meus pais, uns 380 km de distância. Minha idosa mãe não daria conta de tudo sozinha.

Peço perdão a todos vocês, pois não estou em condições de comentar a Lição. Questão de tempo, de concentração, e a falta dos meus livros para pesquisa – estou atrapalhado com tudo isso. Perdão.

Os últimos três comentários já haviam sido feitos, e foram publicados conforme o agendamento. Eu nunca tinha escrito com tanta antecedência. Foi por Deus. E justamente nessas três semanas, estou aqui cuidando de meu pai.

Bem, além da tolerância de todos vocês, peço orações em favor de Alberto Bitencourt, carinhosamente chamado de meu pai.

Até breve. Deus abençoe vocês.

Carlos Bitencourt / Ligado na Videira

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Lição 5 — A Páscoa / Comentário da Lição da Escola Sabatina

Irmãos, a Lição desta semana não pode ficar desconectada da Lição da semana passada. Foram separadas em duas semanas, mas o assunto é um só: as dez pragas.

Relembrando: as dez pragas também podem ser chamadas de dez juízos. Deus estava fazendo juízo, e juízo tem consequência: colher o que plantou.

Por um tempo, Deus segura os quatro ventos — e o nome disso é graça, misericórdia, tempo para arrependimento. Vencido esse prazo, e negligenciada a oportunidade, um juízo é realizado, e a colheita é feita. O que resta perguntar é: Como é que isso acontece? Bem, essa pergunta não tem uma resposta simples. Às vezes parece que tem a ação direta e única de Deus, tal como a citação de que foi Ele quem endureceu o coração de faraó, que resultou em Ele matar os primogênitos do Egito; outras vezes, parece que há permissão de Deus para que outro agente aja, como foi no caso dos filhos de Jó, que foram mortos, e na invasão de Jerusalém, cujo resultado foi o cativeiro babilônico. Particularmente, trato as dez pragas do Egito com muita delicadeza — principalmente a décima. Ela vai ser considerada a partir de agora; mas, por entender que não é um assunto simples, o que me exige delicadeza, não o farei sem a recomendação de Tiago 1:5, que diz: “Se alguém tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá com liberalidade”. Estou pedindo, e vamos prosseguir!

(Quem planta igual, vai colher diferente? << CLIQUE AQUI >> ).

Lembrem-se: as pragas estavam “pregando”; anunciavam que o juiízo estava em ação; chamavam para a obediência. Feiticeiros e conselheiros se aperceberam disso e começaram a alertar faraó; mas faraó endurecia mais e mais o seu coração.

No final da nona praga (que foi a escuridão total e absoluta / capítulo 10), assim que a luz voltou, faraó disse para Moisés: “Saia da minha presença e tenha cuidado para nunca mais aparecer aqui. Porque, no dia em que você tornar a ver o meu rosto, será morto”. Tranquilamente, Moisés respondeu: “Como queira! Nunca mais tornarei a ver o seu rosto”. No entanto, houve sim mais um encontro.

Talvez a resposta de Moisés tenha sido com base em sua vontade. Ele não tinha mais o desejo de ali voltar. Desistiu de faraó. Porém, no capítulo 11, verso 4 em diante, ele novamente está conversando com faraó, e lhe relata o que vai acontecer: a morte de todos os primogênitos — inclusive a morte do faraó Júnior.

Por que Moisés escreveu que não ia mais ver faraó, se acabou vendo novamente? Por que não suprimiu essa informação contraditória? Não sabemos a resposta. O que sabemos é que essa conversa a mais aconteceu por graça e ordem de Deus, indicando que mais uma oportunidade para faraó estava sendo dada; e se ele tivesse prestado atenção na ameaça “extrema” que lhe estava sendo noticiada, poderia ter se rendido, e sua rendição teria sido aceita naquele exato momento. Acatando a ordem Divina, todos os primogênitos teriam sido poupados, pois era uma profecia condicional. A história poderia ter tido um final diferente.

Faraó poderia dizer: “Okay. Já recebemos nove pragas. Já aprendi. Chega. Não precisamos dessa décima”. E Moisés lhe responderia: “Okay. Tamo indo. Tchau”.

O capítulo termina com uma afirmação estranha (e também contraditória), que faz doer os nossos tímpanos: “Mas o Senhor endureceu o coração de faraó”.

(Por que o povo de Israel se tornou escravo no Egito? << CLIQUE AQUI >> ).

Irmãos, quando Deus disse para Moisés que haveria uma décima praga, também lhe disse mais uma coisa: que os hebreus deveriam pedir ouro e prata para os egípcios. Interessante tal coisa, não é mesmo? Os egípcios sofrendo pragas, e sendo chamados a contribuir com os hebreus. Interessante! Só Deus na causa.

Bem, isso demonstra que Deus estava agindo não só no palácio. Feiticeiros e conselheiros já haviam demonstrado reconhecerem o poder de Deus; agora, a população, através da generosidade, demonstraria isso também. O único cabeça-dura era o tal do faraó.

Outro fato relevante: essa prata e ouro errecadados, mais adiante acabaram sendo ofertados pelos hebreus para a construção do Tabernáculo — ou seja, ofertaram a prata e o ouro que receberam dos egípcios. Interessante, não é mesmo?!

Bem, no capítulo 12, é instituído o calendário judaico, sendo a Páscoa a primeira festa, a primeira comemoração religiosa. No dia 10, cada família separaria um cordeiro, a ser sacrificado no dia 14.

Irmãos, isso tem a ver diretamente com a morte de Jesus. O ensinamento principal da Páscoa é esse. E é isso que fez Jesus saber que morreria exatamente no dia em que morreu. Para Jesus, não era uma profecia condicional. Tinha que acontecer. Era da vontade do Pai que fosse realizada, mesmo que o mundo todo tivesse se convertido. No entanto, aqui em Êxodo, nessa primeira Páscoa, também houve o derramamento da décima e última praga — a praga que carece ser explicada com muita delicadeza, com muito cuidado, com extremo zelo. Realmente precisamos ter muita delicadeza ao falar sobre a morte de um filho primogênito por culpa de um pai de coração duro — morte que foi estendida para as famílias egípcias que haviam dado prata e ouro que acabaram sendo usadas no Tabernáculo; morte que alcançou até mesmo os primogênitos dos animais.

E agora? Vamos gastar tempo falando das mortes, e até comemorando cada uma delas, já que o nosso Deus “Vingador” venceu os deuses egípicios, ou vamos falar da proteção que o Deus cheio de graça e misericórdia nos concede através do verdadeiro Cordeiro Pascal?

A Lição preferiu nos levar para o significado da Páscoa. Excelente escolha. E é isso que faremos a partir de agora.

(Tinha egípcio crente em Deus? << CLIQUE AQUI >> ).

Em razão do pecado, a morte entrou em nosso mundo. Foi dito para Adão e Eva: “No dia em que, pela desobediência, vocês se desligarem da Fonte de Vida, vocês morrerão”. Reparem: não foi dito “Eu matarei vocês”; o dito foi: “É certo que morrerão”.

No livro Patriarcas e Profetas, somos informados que, para a roupa feita em Gênesis 3:21, um animal foi morto, e quem matou o animal foi Adão — não Deus. O que Deus fez foi providenciar e permitir que, em vez do sangue de Adão e Eva, outro sangue fosse derramado: o sangue de um ser inocente.

Sendo assim, duas ilustrações tiradas desse momento passaram a ser usadas no contexto geral da Bíblia: o sangue representando a vida, e o animal inocente representando Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus.

Na Páscoa, o pai da família deveria matar um cordeiro, cujo sangue deveria ser passado nas portas da casa, simbolizando que todos estavam sob a guarda do referido sangue inocente. Para efeito de juízo, aquela casa estava com a dívida quitada; e quando o cobrador passasse, ele “pularia”, ele “passaria” adiante.

Há detalhes a mais em ralação ao animal: a carne deveria ser comida. Outra coisa: o fermento passou a simbolizar o pecado, que cresce de dentro para fora; então, deveria ser ingerido pão sem fermento. E chá de ervas amargas deveriam ser bebidos, para lembrar os tempos difíceis que passaram sob o jugo da escravidão.

Fico imaginando a primeira Páscoa. Um pai hebreu, há anos esperando que Deus enviasse um libertador; e agora, há dias vendo cada uma das nove pragas sendo derramadas sobre os egípcios, mas percebendo que miraculosamente estavam sendo poupados — até que, para seu desespero, fica sabendo da mais cruel de todas as pragas, a décima, sendo que esta poderia atingir inlcusive a sua casa, o seu filho. Que noite! Quanta oração! Quanto apego a Deus!

Que cena! O filho primogênito ao alcance das mãos do pai e da mãe, que a todo momento lhe faziam carinho.

(Podemos pedir que outros pintem os umbrais de nossa casa? << CLIQUE AQUI >> ).

Como sabemos, nenhuma criança nasce falando quanto é dois mais dois. Ela precisa ser ensinada. Da mesma forma, as questões religiosas. E é por isso que, junto com as orientações sobre a quela primeira Páscoa, também foi dada orientação sobre as demais, que ocorreriam nos anos vindouros, sendo que, naturalmente, as crianças deveriam ser ensinadas a respeito.

Quando Moisés escreveu para nós o que disse sobre a Páscoa para os hebreus, imaginou a possibilidade dos filhos perguntarem “que rito é esse?” — mas, na verdade, todos deveriam ser ensinados desde bebê, para que não precisassem fazer tal questionamento.

Hoje, uma criança nascida em berço adventista não pode ser evangelizada apenas quando faltarem dois meses para seu batismo de primavera. Sua evangelização ocorre desde cedo, de forma a desejar o rito sem precisar perguntar “que rito é esse?”

Bem, pelo contexto da Lição, esse “ensinar” significa “passar a tocha”. O Evangelho é a Luz do mundo. Um dia, alguém nos iluminou com o Evangelho. Pegou a tocha, nos iluminou, e a passou para nós. Da mesma forma, devemos iluminar outras pessoas. Ensinar o Evangelho e fazer discípulos.

Irmãos, por mais lindos e aconchegantes que sejam os Templos onde nos reunimos, nós não somos igreja pelo monumento — somos, isso sim, uma igreja em movimento. Constantemente, levamos o Evangelho para mais e mais pessoas.

Os filhos dos hebreus deveriam ser ensinados que a mão de Deus esteve abençoando os seus pais, os seus avós, os seus antepassados. Por mais dificuldades que tenham passado, Deus esteve cuidando de todos eles. Portanto, que valorizassem a herança que receberam.

(Será que os hebreus se convenceram que faraó era um tirano e que o Egito não valia a pena? <<  CLIQUE AQUI >> ).

Eu sou partidário de que um “princípio bíblico” é válido porque serve tanto para Caim quanto para Moisés, e até mesmo para João do Apocalipse. Não importa o tempo em que foi escrito, era e permanece sendo “fundamento”. Não importa se escrito por este ou aquele profeta, se antes ou depois de Cristo, sempre foi e sempre será um “fundamento”.

Por exemplo: Na primeira parte de Romanos 6:23, Paulo escreveu que “o salário do pecado é a morte” — mas “o salário do pecado é a morte” desde que Adão mordeu o fruto proibido (Gênesis 3). E tal morte cai na conta de Satanás, o homicida desde o princípio, o que detém o império da morte (João 8:44; Hebreus 2:14). Outro exemplo: Paulo disse que “somos salvos pela graça” — mas “somos salvos pela graça” desde que Adão mordeu o referido fruto (Efésios 2:8; e ver a última parte de Romanos 6:23).

Bem, um dia, Ezequiel escreveu: “A pessoa que pecar, essa morrerá. O filho não pagará pela iniquidade do pai, nem o pai pagará pela iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele, e a maldade do ímpio cairá sobre este” (Ezequiel 18:20). — E agora?!!! Será que esse “princípio” já era válido nos dias de Moisés e faraó? Se sim, como responder a pergunta de número 6 da Lição?!!!

Temos que ter sabedoria, irmãos. Sabedoria e habilidade. Esse não é um assunto fácil.

Advogamos com muita certeza e tranquilidade que Deus jamais endureceria o coração de faraó. Está escrito, mas explicamos que não é bem do jeito que stá escrito. Porém, não usamos esse mesmo critério em relação ao fato de estar escrito que o próprio Deus foi quem matou todos os primogênitos do Egito. Nesse caso, a resposta tem sido: Se está escrito, então é porque foi Ele mesmo. — E agora?!!!

Se fosse apenas o filho de faraó, já seria difícil explicar, pois o princípio bíblico diz que um filho não deve pagar pelo pai, mas, para complicar, ainda tem os filhos dos demais egípcios, e até dos animais. — E agora?!!!

No capítulo 9, verso 15, através de Moisés, Deus disse para faraó: “Eu já poderia ter estendido a mão para te ferir… e terias sido cortado da terra”. Quem dera faraó tivesse morrido antes! Não teria ocorrido a décima praga, e nós não estaríamos agora tendo que responder a pergunta de número 6 da Lição!

  • Irmãos, aceito comentários, tá bom? Serão muito bem-vindos.

(Deus cumpre Suas promessas. << CLIQUE AQUI >> ).

“O monarca endureceu o coração e foi de um passo ao outro na descrença, até que através de todo o vasto domínio do Egito fosse morto o primogênito, o orgulho de todo lar. Depois disso, apressou-se com o exército após Israel. Procurava trazer de volta um povo libertado pelo braço da Onipotência. Mas estava lutando contra um Poder maior que qualquer poder humano, e com seu exército pereceu nas águas do Mar Vermelho” (Cristo Triunfante, pág. 103 — Meditação Matinal de 06/04/2002).

Deus nos abençoe.

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Lição 4 — As pragas / Comentário da Lição da Escola Sabatina

Nesta semana, falaremos sobre dois assuntos que intrigam os leitores da Bíblia: as pragas no Egito e a tal história de Deus ter endurecido o coração de faraó. Mas, para isso, é necessário construir uma base, um contexto.

Irmãos, a escravidão dos hebreus no Egito tinha a mão forte de Satanás. A permanência dos hebreus nessas terras pagãs era de interesse dele. Ele sabia que dessa família nasceria o Redentor do mundo. Sendo assim, subjugar os hebreus seria a maneira de atrapalhar os propósitos Divinos.

Há um verso do Novo Testamento que bem explica essas coisas: “A nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais” (Efésios 6:12).

Portanto, não duvidem: o inimigo queria fazer os hebreus se tornarem egípcios — tanto no idioma como nos costumes e práticas religiosas. E é sobre esse viés que vamos fazer nossas primeiras considerações.

Vamos começar?!

(Será que faraó foi predestinado a ter um coração duro? Que história é essa de predestinação? — << CLIQUE AQUI >> ).

O Egito era movido por questões espirituais. Havia uma divindade para cada situação. O próprio faraó era considerado um ser divino. E esse assunto era tão sério, mas tão sério, que eles iam para as batalhas em nome desses deuses. Se ganhavam, era um determinado deus que havia ganhado. Se perdiam, esse deus é que havia perdido. Sendo assim, Moisés, ao falar que ali estava em nome do Deus de Israel, foi considerado como um desafiador das divindades egípcias.

A questão é: Quem deveria aprender que só existe um único Deus? Será que só faraó? Será que só faraó e os egípcios? Porventura, os hebreus também não careciam ser ensinados?

Irmãos, 800 anos depois, os judeus foram para o cativeiro babilônico. Leiam Isaías, Oseias, Jeremias. Leiam Reis e Crônicas. É de chorar! Eles foram para o cativeiro em Babilônia porque saíram do Egito atolados em idolatria. Ou seja, Satanás fez com que o Egito se tornasse uma praga para os hebreus.

Voltando para o contexto de Moisés e faraó, chegou a hora de todos verem a mão de Deus. A taça estava por transbordar, e um juízo tinha que ser feito. E o embate entre esses dois grandes personagens deve ser visto como uma guerra entre o único e verdadeiro Deus e os deuses inventados pela imaginação e mãos humanas, instigados pelo inimigo.

Porém, para ser justo com a “doutrina do juízo”, é preciso falar primeiro sobre a graça e a misericórdia.

Antes das “pragas”, Moisés conversou com faraó mais de uma vez; e diante dele apresentou alguns “sinais”, já que essa era a maneira de tratar com quem dava muito valor ao sobrenatural. Mas foi em vão.

Esse conversar “antes” é chamado de graça. Misericórdia foi dada através de tempo e de sinais. Mas o “desprezo” manifestado a essa primeira parte fez com que viesse a segunda e última parte: o juízo. Se a Palavra de Deus que foi falada tivesse sido ouvida e obedecida, não teria havido juízo; não teria havido pragas (Basta lembrar de Jonas em Nínive).

Quanto a palavra “desprezo” (faraó desprezou a Palavra de Deus em seu coração), por alguma razão ela foi escrita como “faraó endureceu o seu coração” — e isso é fácil de entender; o problema é que em alguns versos é dito que o endurecedor do coração de faraó foi Deus. E agora? Como vamos desatar esse nó?!

(O rei da Pérsia “resistiu” a Deus por 21 dias. Que tal ler a respeito? CLIQUE AQUI ).

Primeira consideração: Nos dias das vacas magras, Deus disse para Jacó: “Não temas descer para o Egito… Eu descerei contigo e te farei tornar a subir, com certeza”. Depois, quando estava para morrer, Jacó falou assim para José: “Eis que eu morro, mas Deus será convosco e vos fará voltar à terra de vossos pais” (Gênesis 46:3-4; 48:21). Portanto, percebam: as ações de Deus, que estamos por ver em Êxodo, são exclusivamente para tirar os hebreus do Egito e fazê-los voltar para a terra prometida.

Em Êxodo 3:19 (que aqui coloco com um hífen no meio, pois preciso evidenciar que são duas afirmações), Deus disse: Moisés, vá até o Egito e fale com faraó sobre a saída dos hebreus, mas “Eu sei que o rei do Egito não vos deixará ir se não for obrigado por uma mão forte”.

Perceberam? A negativa de faraó já era de “conhecimento” de Deus; não de “feitura” de Deus. A feitura seria pôr a Sua mão, de forma a fazer o povo sair. E o verso seguinte é muito esclarecedor quanto a isso: “Farei prodígios na frente de faraó; depois, ele vos deixará ir”.

Citei no início, e repito aqui: A escravidão dos hebreus no Egito tinha a mão forte de Satanás. Agora, o Egito veria uma mão mais forte ainda: a mão de Deus.

Irmãos, o instrumento para os propósitos do inimigo era faraó, razão dele ter tomado posse de seu coração. Foi Satanás quem endureceu o coração de faraó, de Herodes, de Judas, de Anás e de Caifás. Deus, que respeita o livre-arbítrio, e que havia dado condições para que faraó O servisse, deixou que esse homem continuasse no caminho que escolheu seguir. O problema é que esse “deixou” foi escrito e traduzido como Deus tendo sido o feitor de tal endurecimento.

São dez versos falando que Deus endureceu: Êxodo 4:21; 7:3; 9:12; 10:1, 20, 27; 11:10; 14:4, 8, 17 — e dez que foi o próprio faraó que se endureceu: 7:13, 14, 22; 8:15, 19, 32; 9:7, 34, 35; 13:15.

Como deu empate, escolhei hoje a quem sirvais. Eu e a minha casa desempatamos verificando o contexto e Hebreus 3:7-8, que diz: “Como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a Sua voz, não endureçais o vosso coração”. Ou seja, o pecador é quem endurece seu próprio coração. Por sinal, esse texto de Hebreus se refere aos hebreus, que também endureceram o coração, logo depois que atravessaram o Mar Vermelho.

Faraó em hipótese alguma diz que o Deus de Israel endureceu o seu coração. Ao contrário! O que ele diz é: “O Senhor é justo, porém eu e o meu povo somos ímpios” (Êxodo 9:27).

Uns 400 anos depois, em 1Samuel 6, os filisteus roubaram a arca da Aliança. Ficaram com ela cerca de 7 meses. Ocorre que sobre eles caiu um juízo, e, temerosos, os governantes consultaram seus feiticeiros, que responderam assim: Devolvam a arca… “Por que vocês endureceriam o coração, como os egípcios e faraó fizeram?” — Incrível, não é mesmo? Até os ímpios sabiam que não havia sido Deus quem endurecera o coração de faraó.

Irmãos, existem artigos mais bem elaborados a respeito desse tema. Vou indicá-los aqui. Vale a pena estudá-los.

(A primeira dica está no Dicionário Bíblico Adventista sobre o coração de faraó — << CLIQUE AQUI >> ).

Agora, vamos considerar as pragas. Mas, permitam-me construir uma linha de raciocínio: Quando Daniel viu Babilônia perdendo para a Média-Pérsia, e que Ciro era o novo rei, e que este permitiu que os hebreus voltassem para Jerusalém exatamente após 70 anos de cativeiro, quantos pensamentos bons devem ter passado em sua mente! Tudo acontecendo como Deus havia dito que aconteceria. Que Deus Fiel!

O mesmo aconteceu com Moisés. Deus lhe disse que faraó endureceria o coração, e cada vez que isso acontecia, rapidamente lembrava: Deus é Fiel! Agora, diante de cada praga, vai lembrar: Deus está no controle; Ele é Fiel!

Irmãos, as pragas não foram um pensamento tardio de Deus, e nem Sua reação de última hora. Eram juízos vindos em resultado da contínua desobediência. A situação exigia que os quatros ventos fossem soltos, e foram. Mesmo sabendo e revelando antecipadamente a dureza do coração de faraó, até então a ordem de Deus era para conter tais ventos, mas o copo começou a transbordar.

Bem, primeiramente, sinais de poder haviam sido dados. Foram dados para despertar o coração de faraó. Mas, diante de uma recusa atrás da outra, finalmente o primeiro juízo — a primeira praga: as águas tornam-se em sangue (7:14-25). Quais águas? As águas do Rio Nilo, a fonte da vida do Egito. Água para beber; para higiene; para irrigação; e para o habitat dos peixes (base alimentar das pessoas). Além disso, o rio era a principal via de transporte deles.

A praga durou 7 dias. E faraó não deu pelota pra nada disso.

A segunda praga: as rãs (8:1-15). Vendo o rio voltar ao normal, nem tiveram tempo de desfrutá-lo: dele vieram todas as rãs. Elas invadiram tudo. Mesa, gavetas, cama, saboneteira. Tudo!

Que nojo! E o pior: todas morreram, e isso provocou um cheiro medonho. E nem tinha ainda passado o cheiro dos peixes que haviam morrido recente. E, faraó, fingindo que não estava nem aí.

Veio então a terceira praga: os piolhos (8:16-19). Irmãos, eu não tenho lembrança de ter tido piolho; portanto, não tenho lembrança de incômodo por isso. Quem lembra diz ter sido um incômodo enorme. Imaginem uma rua cheia de piolhos, parecendo uma rua asfaltada, e todos os piolhos vindo em sua direção!

Bem, nessa praga, uma coisa interessante. Os feiticeiros egípcios reconheceram e alertaram faraó: “Isto é o dedo de Deus. Porém o coração de faraó se endureceu, e não os ouviu”.

(A segunda dica está no Comentário Bíblico Adventista. — << CLIQUE AQUI >> ).

A quarta praga: as moscas (8:20-32). Pelo que li no Comentário Bíblico, na verdade foi um enxame de diversos insetos. Sendo assim, depois das pulgas, vieram as moscas, os mosquitos, e as aranhas e baratas. Incrível! E se alguém corresse para o hospital, lá se encontraria com os mesmos insetos.

E o resultado? “Mas ainda desta vez Faraó endureceu o coração e não deixou o povo ir”.

A quinta praga: a peste nos animais (9:1-7). Quando estava quase passando a lembrança da falta de água, da mortandade de peixes, do nojo das rãs, e do incômodo dos insetos, chegou a hora dos animais: uma peste os abateu; todos morreram. Pensem nas carcaças espalhadas em volta das pirâmides! Que cena horripilante!

Recente falta de água, de peixes, de verduras e legumes, e agora a falta de leite e de carne vermelha.

E faraó? Bem, “faraó mandou verificar, e eis que do rebanho de Israel não havia morrido nem um animal sequer. Mas o coração dele se endureceu, e não deixou o povo ir”.

A sexta praga: as úlceras (9:8-12). Veio, então, mais uma praga. Um punhado de cinzas foi colocado nas mãos de Moisés, e ele as soprou ao jogá-las para cima, e o vento levou. Nesse exato momento, todos os egípcios foram tomados de feridas — doloridas, cheias de pus e malcheirosas. (Isso me fez lembrar de Jó).

(Os resultados de endurecer o coração. — << CLIQUE AQUI >> ).

Bem, agora nós vamos falar de mais três pragas, completando nove. A décima vai ficar para semana que vem. Mas, aqui, um lembrete: nós não sabemos precisar quanto tempo entre a primeira e a última conversa com faraó. Porém, seja o tempo que for, foi um tempo de graça. A cada juízo, uma oportunidade para reconsiderar, e obedecer a Deus.

A sétima praga: granizo (9:13-35). Nesta sétima praga, uma coisa interessante: através de Moisés, Deus alertou faraó que já era para ele ter sido eliminado da face da Terra. O basta já poderia ter sido dado. Mas, mais uma chance seria dada — uma chance de doer o couro cabeludo: a queda de granizo; chuva de pedras; e umas faíscas de fogo.

Outra coisa interessante: alguns oficiais obedeceram as palavras de Moisés, e deram ordem para que os seus mais chegados procurassem abrigo; outros, foram na onda do faraó, e deixaram seus subordinados à mercê do juízo. Na sequência, faraó falou da boca pra fora que finalmente estava convencido ser um ímpio, e pediu para que Moisés intercedesse pelo Egito. Moisés até intercedeu, fazendo cessar a chuva, mas declarou: “Eu sei que você ainda não teme a Deus”. Dito e feito: “³⁴ Quando faraó viu que cessaram as chuvas, as pedras e os trovões, tornou a pecar e endureceu o coração, ele e os seus oficiais. ³⁵ E assim faraó, de coração endurecido, não deixou ir os filhos de Israel, como o Senhor tinha dito a Moisés”.

A oitava praga: gafanhotos (10:1-20). Entre a declaração de que haveria uma oitava praga e a praga propriamente dita, os oficiais de faraó imploraram para ele finalmente deixar os hebreus saírem do Egito. Faraó disse que sim, mas com uma condição. Deus não aceitou essa condição, e os gafanhotos arrasaram com todo o restinho que ainda existia.

Então, faraó recuou e fez uma promessa, e a oitava praga cessou. Mas o recuou dele durou apensa cinco minutos. Voltou a endurecer o coração, e recusou fazer o que prometera. Sendo assim, abriu o caminho para mais um juízo — A nona praga: trevas (10:21-29).

Então, o Egito ficou no escuro absoluto por três dias e três noites. E não tinha quem achasse o fósforo e a vela. Foram trevas tal qual antes do primeiro dia da criação.

Bem, faraó tentou negociar, não obteve sucesso, e ameaçou Moisés: “²⁸ Saia da minha presença e tenha cuidado para nunca mais aparecer aqui. Porque, no dia em que você tornar a ver o meu rosto, será morto. ²⁹ Moisés respondeu: — Como queira! Nunca mais tornarei a ver o seu rosto”.

(Faraó perguntou quem é o Senhor. O Senhor lhe mostrou quem é. — CLIQUE AQUI ).

Irmãos, no trimestre passado, estudamos as chaves que abrem as portas das profecias. Ou seja, na hora de abrir uma porta, devemos saber qual é a chave certa. Agora, a Lição não é sobre profecia, mas não é pecado fazer menção a respeito.

Nas pragas do Egito, observem: os hebreus foram poupados; Deus cuidou de Seus filhos. Da mesma forma, na próxima saída do Egito rumo à terra prometida, durante as pragas, todos seremos cuidados por Deus. Se porventura cair um fio de cabelo de nossa cabeça, será para honra e glória de Deus; será para ainda servir de testemunho e resgate de alguns. Mas, fechada a porta da graça, em hipótese alguma um filho de Deus perderá a vida. Quem ficará em trevas, sem o Espírito Santo, serão os ímpios. Os salvos estarão bem seladinhos.

(Veja as vantagens de aceitar a influência do Espírito Santo. — << CLIQUE AQUI >> ).

Deus nos abençoe.

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Lição 3 — Começo difícil / Comentário da Lição da Escola Sabatina

Vamos relembrar o que já estudamos até agora? Pode ser?!

Na Lição 1, fizemos algumas considerações sobre Êxodo 1 e 2. Vimos a razão dos hebreus estarem no Egito, e o que aconteceu com eles após a morte de José. E vimos Moisés, do seu nascimento até a sua fuga, aos 40 anos de idade, em razão de um homicídio cometido. Ele poderia ter sido o faraó do Egito, mas, lá nas terras onde foi se esconder, acabou sendo um pastor de ovelhas.

Na Lição 2, as considerações foram sobre Êxodo 3 e 4. Moisés estava com 80 anos, e, num determinado dia, foi surpreendido por dois milagres: (1º) uma sarça começou a pegar fogo na frente dele, e, surpreendentemente, não se consumia; e (2º) ouviu a voz de Deus, que lhe chamava para liderar o maior evento ocorrido na Terra, entre o dilúvio e a cruz do Calvário.

Foi interessante o diálogo entre Deus e Moisés. Deus lhe contava o que ia acontecer, e ele revelava suas incapacidades. Deus ouvia cada uma delas, e lhe concedia o poder necessário para superá-las. Uma história fantástica!

Mas, Deus não poupou Moisés de saber que a missão teria um grau de dificuldade, e isso porque “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais”.

Bem, agora na Lição 3, a base é Êxodo 5 e 6, e mais a primeira parte do capítulo 7.

Vamos começar?!

(A importância do primeiro aprendizado na vida de Moisés. < CLIQUE AQUI > ).

Então, é o seguinte: além de conversar com Moisés, Deus também conversou com Arão, o primogênito, que rapidamente foi ao encontro de seu irmão caçula. Deve ter sido um encontro emocionante.

Na sequência, foram para o Egito, e imediatamente se reuniram com os líderes hebreus, ocasião em que lhes contaram tudo o que ouviram de Deus, mostrando-lhes os sinais ordenados pelo Senhor. E a resposta ficou registrada na Bíblia: “O povo creu. E, quando ouviram que o Senhor havia visitado os filhos de Israel e visto a aflição deles, inclinaram-se e adoraram”.

“¹ Depois (no capítulo 5) Moisés e Arão foram e disseram a Faraó:  — Assim diz o Senhor, Deus de Israel: ‘Deixe o Meu povo ir, para que Me celebre uma festa no deserto’. ² Faraó respondeu:  — Quem é o Senhor para que eu ouça a Sua voz e deixe Israel ir? Não conheço o Senhor e não deixarei Israel ir”.

Primeira consideração: Registros antigos esclarecem que não era fácil conseguir uma audiência com faraó, e é de se imaginar que fosse impossível um hebreu conseguir tal proeza. No entanto, a antiga experiência de Moisés na corte deve ter sido a senha para tal façanha.

Segunda consideração: O Egito era movido por motivações religiosas. O próprio faraó acreditava ser uma divindade. Sendo assim, é de se imaginar que faraó desprezasse a religião dos hebreus; que fizesse pouco caso do Deus de Israel. E isso é claramente manifestado em sua resposta: “Quem é o Senhor? Não conheço o Senhor”.

Irmãos, vamos ser sinceros: quando estamos com a vida atrapalhada, e as pessoas notam isso, será que elas se perguntam quem é o nosso Deus? Quando uma pessoa vai em nossa igreja, e ela nos conhece fora da igreja, será que ela se pergunta quem é o nosso Deus?

Será que a pergunta de faraó é totalmente desprovida de razão?

Sem querer adiantar a história, mas adiantando, antes do Mar Vermelho ser aberto, os hebreus já estavam reclamando, acusando Moisés de tê-los feito sair do Egito, como se ele os tivesse forçado a sair. E, do outro lado do Mar, livres, a primeira coisa que fizeram foi reclamar da falta de água. Até tem um verso que nos provoca gargalhadas: “Aos quinze dias do segundo mês, depois que saíram da terra do Egito, toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto. Os filhos de Israel disseram a Moisés e Arão: — Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão à vontade! Pois vocês nos trouxeram a este deserto a fim de matarem de fome toda esta multidão” (Êxodo 16:1-3).

Então, pergunto novamente: Será que a indagação de faraó é totalmente desprovida de razão?

Se nem os hebreus sabiam quem era o Senhor, como é que faraó saberia? Se nem a família de Abraão valorizava os feitos do Deus de Abraão, como é que faraó O conheceria?

(Purificado por saber e “fazer” a vontade de Deus. < CLIQUE AQUI > ).

Além da pergunta e da afirmação (“Quem é o Senhor? Não conheço o Senhor”), faraó imediatamente deu ordens para dificultar o trabalho obrigatório dos hebreus. Sua mão pesou um pouco mais ainda sobre eles.

Em Êxodo 5:9, faraó disse: “Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que nele se apliquem e não deem ouvidos a palavras mentirosas”.

Quais palavras “mentirosas” Moisés falou? Nenhuma! Moisés não estava mentindo. Era ele, faraó, que estava querendo dizer que a “liberdade” era uma mentira. Essa conversa já vem lá do Éden. Em obedecer a Palavra de Deus estaria a liberdade da raça humana. Não comer do fruto proibido seria a liberdade de Adão e Eva. Mas a serpente disse: isso é mentira.

Irmãos, a mentira do Éden passou pelo Egito, atravessou todos os oceanos e todos os séculos, e está diante de cada um nós. Nos fins dos tempos, os faraós vão dizer que as calamidades que caem sobre a Terra são motivadas pelo povo que obedece a Palavra de Deus. Vai ser diante de tais fatos que a marca da besta será imposta.

O povo hebreu sofreu no Egito, irmãos. É mentira que escravo comia carne e pão à vontade. Eles sofreram muito! E, diante de um novo começo, as dificuldades se agigantaram na mente deles. Criaram mais dificuldades para si.

Todo novo começo exige mais confiança em Deus. Quanto mais dificuldades, mais confiança em Deus. E é por isso que a história deles está registrada — para que sirva de aprendizado a cada um de nós.

(Adão e as consequências do pecado. < CLIQUE AQUI > ).

No final do capítulo 5, parece que Moisés está questionando Deus. Na verdade, mais uma vez estamos vendo o famoso Moisés — o homem que conversava tranquilamente com Deus; que, se tinha que perguntar, perguntava; se tinha que revelar suas próprias incapacidades, revelava. Sendo assim, devemos considerar que essa aparência de questionamento é, na verdade, uma forma de dizer: “Senhor, tenho fé, mas ainda não consigo ver claramente os caminhos que o Senhor mandou eu andar. Mesmo o Senhor tendo já me mostrado muitas coisas, eu Lhe peço que continue a me mostrar mais um pouco ainda, por favor”. E, no capítulo 6, Deus responde — Deus explica Seu “um pouco mais”.

Bem, Deus Se comprometeu com Seu escolhido, dizendo: “Moisés, agora você verá o que hei de fazer a faraó”. E a Lição teve o capricho de enumerar o passo a passo, abaixo da pergunta 4. (Deem uma lida lá).

Aqui, eu gostaria de mencionar uma expressão estranha contida no texto. Ela carece de explicação, e tem explicação. Êxodo 6:2-3 — “Eu sou o Senhor. Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo Meu nome, O Senhor, não lhes fui conhecido”.

Irmãos, eu sou pai desde os 23 anos, 8 meses e 18 dias (desculpem-me pela precisão). Pergunto: Eu já era conhecido antes? — Sim. Mas, não como pai.

Deus era conhecido por Abraão, Isaque e Jacó? — Sim. Mas, por outras características. A característica a ser experimentada por Moisés, e por faraó, e pelos hebreus, não foi experimentada pelos patriarcas, pois para eles não houve tal necessidade.

Antes de comer o fruto, Adão conhecia a Deus como “Criador”. Após a infeliz mordida, passou a conhecê-Lo como “Redentor”.

Percebam, então, que não se trata de Deus não ter sido conhecido pelo “nome” — Ele não havia sido conhecido pela “característica”!

(Trabalhando para o tempo e a eternidade. < CLIQUE AQUI > ).

Voltando para a sequência dada pela Lição, vemos que nessa primeira parte de Êxodo 6 tem um vai e vem. Moisés recebeu a primeira negativa de faraó, e a primeira bronca dos hebreus; recorreu a Deus e, agora, Deus lhe dá novas orientações, ordenando-lhe: “Diga aos filhos de Israel” tais e tais coisas.

O verso 9 registra que Moisés foi, falou, “mas eles não deram ouvidos, por causa da angústia de espírito e da dura escravidão”. No verso 11, Deus insistiu, e voltou a falar com Moisés, dando-lhe uma nova ordem: “Vá e diga a Faraó, rei do Egito, que deixe que os filhos de Israel saiam de sua terra” — e é nesse momento que o nosso querido Moisés responde reafirmando sua incapacidade (versos 12 e 30): “Senhor, eis que os filhos de Israel não me têm ouvido; como, pois, me ouvirá faraó? E não sei falar bem” — “Eu não sei falar bem. Como é que faraó vai me ouvir?

A versão Almeida Corrigida diz: “Sou incircunciso de lábios”. Ou seja, ser circuncidado era algo importantíssimo na cultura hebraica; e o inverso (não ser circuncidado) era algo extremamente inadequado (Basta lembrar do filho mais novo de Moisés). Então, usando a “incircuncisão” como metáfora, Moisés diz assim: “Senhor, eu não sei falar bem; eu não sou a pessoa adequada para falar”.

Curiosamente, Estêvão, em seu discurso registrado em Atos 7, disse que “Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras”. Bem, eu duvido que Estêvão estivesse mentindo a respeito de Moisés. E também duvido que Moisés tenha mentido ao falar de si mesmo. O que deve ter ocorrido é: quando príncipe do Egito, sua voz era uma ordem; mandava e desmandava; não precisava persuadir ninguém — agora, além de ter perdido o sotaque e o sentido de algumas palavras egípcias, se viu em falta na arte da persuasão.

Mas Deus não desistiu dele não!

(Quem são os seres visíveis que devem assumir o conflito aqui neste mundo e levá-lo até o final? < CLIQUE AQUI > ).

Em Êxodo 7, decididamente Moisés volta a falar com faraó. E, aqui, um reforço: se havia dificuldade para uma primeira audiência, esta segunda deve ter sido mais difícil ainda — mas ocorreu.

Porém, a Lição dá um stop. A conversa com faraó será tratada na semana que vem, que vai falar sobre as pragas. Por agora, a Lição fica na primeira parte do capítulo 7. Se detém ao fato de finalmente Moisés parar de mostrar suas dificuldades e limitações.

Deus diz que ele, Moisés, teria a voz de comando sobre faraó, como representante de Deus, e que Arão seria o seu profeta, o seu porta-voz.

Nessa primeira parte, há uma expressão completamente estranha (Deus endureceu o coração de faraó), mas nós vamos considerá-la somente na semana que vem. Por isso, aqui fica o convite: voltem; vai valer a pena.

Irmãos, amem Moisés. Falem mal dele não. Foi ensinado quando criança nos caminhos de Deus, e envelheceu sem se desviar dele. O homem era gente boa!

Louvemos a Deus por colocar diante de nós uma excelente referência de liderança.

(Deus incentiva uma santa ousadia. < CLIQUE AQUI > ).

“Moisés foi um filho de Deus, escolhido para uma obra especial. Tendo sido adotado pela filha de Faraó, foi grandemente honrado pelos membros da corte do rei. Sendo ele neto do rei, tinham todos o intenso desejo de exaltá-lo. Consideravam-no o sucessor do trono.

Moisés era homem de inteligência, e Deus em Sua providência colocou-o onde pudesse adquirir conhecimento e aptidão para a grande obra. Foi meticulosamente educado como general. Quando saía para enfrentar o inimigo, era bem-sucedido; e por ocasião de seu retorno das batalhas, o exército inteiro lhe cantava louvores.

A despeito disso, Moisés conservava em mente o fato de que por sua mão Deus libertaria os filhos de Israel”. (Cristo Triunfante, pág. 100 — Meditação Matinal de 03/04/2002).

Deus nos abençoe.

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Lição 2 — A sarça ardente / Comentário da Lição da Escola Sabatina

Naturalmente, tendo que avançar, a Lição dá uns pulos no tempo e no cenário. Porém, não é pecado a gente parar, respirar fundo, e colocar a história numa ordem que a nossa cabeça possa entender melhor. Sendo assim, vamos lá!

No verso áureo da semana passada, vimos 4 pontos importantíssimos: (1)Os filhos de Israel gemiam por causa da sua escravidão”; (2)Clamaram, e o seu clamor chegou a Deus”; (3)Deus ouviu… Deus viu”; (4)E atentou para a situação deles”.

Irmãos, está escrito em Isaías 65:24 — “E será que, antes que clamem, Eu responderei; estando eles ainda falando, Eu os ouvirei”. Sendo assim, cabe a cada um de nós escolher onde nosso olhar vai se fixar: nos gemidos da escravidão, ou em nosso Deus, que é rico em misericórdia e em providências.  

Agora, na Lição 2, o cenário é outro, o tempo é outro, se bem que o personagem é aquele sobre o qual falamos na semana passada: o famoso Moisés. — Relembrando: Jacó foi morar no Egito; lá, sua família cresceu; o faraó, que chamou a todos eles, morreu; também morreu José, o abençoado filho de Jacó; e a nova dinastia de faraós pesou a mão sobre os hebreus. Não muito tempo depois, nasceu Moisés; ele foi adotado pela filha do faraó; primeiro foi educado pela mãe de sangue; depois se especializou em todo conhecimento que o Egito oferecia; e, com 40 anos de idade, cometeu um homicídio e teve que fugir.

Fugido, Moisés refez sua vida junto à família da mulher com quem se casou. Uma nova e diferente vida. Foram 40 anos nesse novo lugar, desaprendendo o que o Egito lhe havia ensinado.

Durante esse período, Moisés teve uma das mais belas experiências proporcionadas por Deus a um ser humano pecador: escreveu o Livro de Gênesis e o Livro de Jó. Que experiência maravilhosa! Moisés foi movido pelo Espírito Santo, e, sob inspiração, escreveu o que Deus lhe revelou. Louvado seja Deus!

Bem, dado o grau de amizade entre Deus e Moisés, quando este estava com 80 anos, uma nova revelação lhe foi dada… e é sobre essa nova revelação que vamos falar a partir de agora.

Êxodo 3 começa assim: “¹ Moisés apascentava o rebanho de Jetro, o seu sogro, sacerdote de Midiã. E, levando o rebanho para o lado oeste do deserto, chegou a Horebe, o monte de Deus. ² Ali o Anjo do Senhor [Malakh Adonai] lhe apareceu numa chama de fogo, no meio de uma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça estava em chamas, mas não se consumia. ³ Então disse consigo mesmo: — ‘Vou até lá para ver essa grande maravilha. Por que a sarça não se queima?’Quando o Senhor viu que ele se aproximava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: — ‘Moisés! Moisés!’ Ele respondeu: — ‘Eis-me aqui!’Deus continuou: — ‘Não se aproxime! Tire as sandálias dos pés, porque o lugar em que você está é terra santa’. ⁶ Disse mais: ‘— Eu sou o Deus de seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’. Moisés escondeu o rosto, porque teve medo de olhar para Deus”.

Irmãos, eu fico impressionado com essas histórias em que Deus vai ao encontro de uma pessoa. Essa iniciativa Divina me fascina. Ele poderia fazer o que bem entendesse, como demonstrado em Gênesis 1 e 2. Poderia falar, e a coisa aconteceria. No entanto, veio ao encontro de Moisés, e com este homem Ele “falou”.

É uma bênção poder abrir a Bíblia em Êxodo 3. E essa bênção é dobrada: podemos ler e podemos fazer algumas considerações sobre essa aparição de Deus.

A primeira consideração é: Deus Se apresentou como “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó” — e isso imediatamente fez Moisés se lembrar que havia uma Aliança em curso; que a Promessa de Deus estava em vigor; que Deus estava em ação. E essa primeira consideração que fazemos deve criar raízes em nossa lembrança também. Permanentemente, devemos lembrar e repetir em voz alta: Há uma Aliança entre Deus e cada um de nós — uma Aliança assinada com o sangue de Jesus, antes da fundação do mundo — desde os tempos eternos.

A segunda consideração é: antes de Se identificar como “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó”, Deus disse: “Moisés, Eu Sou o Deus de teu pai”.

Não sei quando o pai e a mãe de Moisés morreram. O que sei é que ele estava fugido e escondido há 40 anos. Uma vida longe da família. Quanta saudade! E Deus vem até ele e diz: “Eu Sou o Deus de teu pai”.

Que bênção saber que Deus é o Deus de meus pais. Que bênção! E eu sou imensamente agradecido por isso. Louvo a Deus por isso.

Agora, percebam a lógica nesse jogo de palavras: a palavra “padaria” é da família da palavra “pão”; a palavra “carteiro” é da família da palavra “carta”. Seguindo essa mesma lógica, a palavra “mensageiro” é da família da palavra “mensagem”.

Com isso em mente, pergunto: quais são as palavras bíblicas originais para “mensageiro” e “mensagem”? — Resposta: em grego, “mensageiro” é angelós, que em português é “anjo” (A cidade de Los Angeles é Os Anjos); e “mensagem” é evangélion, facilmente conhecido como “evangelho”.

No hebraico, “anjo / mensageiro” é malakhi. (O profeta Malaquias é o anjo — é o mensageiro — é o malakhi). E “evangelho” (que significa “mensagem”) é malakh (sem a letra i no final).

Com relação ao título da Lição, pergunto: Quem é o “Mensageiro do Senhor” que Se apresentou a Moisés na sarça ardente? — Será que foi um ser humano? Será que foi um anjo celestial? — Por que não considerar que Deus é o primeiro “Mensageiro” da “Mensagem”?

Irmãos, Deus Se manifesta conforme a necessidade do ser humano. Inicialmente, Se manifestou como o Criador; depois, como o Redentor; mais adiante, como o Provedor; também, como o Senhor dos Exércitos; e até mesmo como o Galardoador dos que O buscam. Em Êxodo 3, Deus Se manifestou como o Mensageiro, o Anjo do Senhor — que, por sinal, assim já havia Se apresentado para Abraão e Isaque, no Monte Moriá, em Gênesis 22.

A segunda questão é: Qual a mensagem do Mensageiro Divino? — Resposta: Salvar os hebreus; tirá-los da escravidão do Egito; avisá-los que o Libertador estava entre eles.

Os versos 7 e 8 são claros a esse respeito: “⁷ Vi a aflição do Meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus feitores. Conheço o sofrimento do Meu povo. ⁸ Por isso desci a fim de livrá-lo das mãos dos egípcios e para fazê-lo sair daquela terra e levá-lo para uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel”.

No Salmo 34, está escrito: “⁴ Busquei o Senhor, e Ele me acolheu… ⁶ Clamou este aflito, e o Senhor ouviu e livrou...” — e, então, vem o famosíssimo verso amado por todos nós: “⁷ O Anjo do Senhor acampa-Se ao redor dos que O temem, e os livra”.

Bem, como dito antes, em relação a Gênesis 1 e 2, quando Deus fala, a coisa acontece. Mas, em Êxodo 3, Deus preferiu que a coisa acontecesse através de Moisés. O mensageiro Moisés seria o instrumento de Deus para a realização de Seus feitos. E isso nos faz lembrar que nós somos os mensageiros de Deus — e nós levamos a mensagem de Deus.

A conversa entre Deus e Moisés avançou. Foi uma conversa maravilhosa. Deus poderia ter dito “vá libertar o Meu povo”, e pronto. E Moisés poderia ter dito “não vou, e a conversa termina por aqui”. Mas, a conversa avançou.

De repente, Moisés disse: “Senhor, e se o povo me perguntar: ‘Quem enviou você? Como é o nome de Deus?’ — O que eu vou explicar pra eles, Senhor?” — E Deus respondeu: “Diga que Eu Sou O Que Sou me enviou”.

Vamos entender essa expressão? — “Eu Sou O Que Sou” significa que Ele É O Que É; que Ele não depende de nada para ser; que Ele existe por Si mesmo. Trocando em miúdos, Deus respondeu: “Moisés, Eu Sou o Eterno”.

Irmãos, diante da fragilidade da criatura (ainda mais sendo uma criatura pecadora), ser procurado pelo Eterno é algo incomensurável. Não existem palavras para explicar o fato de sermos objeto da atenção do Eterno.  

Moisés, diante do povo, representava o Eterno — “O Eterno me trouxe aqui” —; e os hebreus, visualmente guiados por Moisés, na verdade estavam sendo guiados pelo Eterno. Em razão disso, não há faraó, nem Herodes, e nem bestas do Apocalipse que possam impedir a libertação do povo do Deus Eterno.

Agora, percebam: embora o significado seja “o Eterno”, também indica tratar-se de um Deus “pessoal”; um Deus de “relacionamento”. Um Deus que vê, que ouve, que Se interessa, e que age em favor de todos aqueles que são Seus. Eterno, mas, em vez de distante, Se faz presente.

Ele sabia que, depois do Mar Vermelho, Seu povo iria beber suco de bezerro de ouro; sabia que esse povo provocaria um atraso de 40 anos para entrar na terra prometida; e sabia que, depois de entrar, um dia de lá sairia para morar no cativeiro babilônico; e que até voltaria, mas permaneceria sob o domínio de um outro povo.

Deus sabia que sairiam do Egito, de Babilônia e de Roma; mas também sabia que o Egito, babilônia e Roma não sairiam deles. Porém, Deus nunca deixou de agir em favor da libertação de Seu povo.

Irmãos, nós estamos lidando com o Eterno — com o Deus que ama a eternidade. É por isso que Ele, diante de cada um de nós, coloca assuntos eternos. Portanto, tendo isso em mente, que a nossa decisão individual seja deixar-se ser guiado por Ele.

O título para hoje é as “quatro desculpas” de Moisés. Irmãos, um dia nós vamos ter que pedir setenta vezes sete desculpas para Moisés. Que vida difícil a dele!

Mais adiante, quando ele não aceita que seja feito um novo Israel através de seus filhos, e ele pede para que seu nome seja tirado do Livro da Vida, caso Deus não perdoe o povo, todos dizem: “Moisés é um tipo de Cristo” — “Olha a humildade dele!”. Mas, quando expressa sua incapacidade em realizar a ordem de Deus, falamos que ele está se desculpando para não cumprir a missão.

Irmãos, Moisés já havia escrito os Livros de Gênesis e de Jó. Era um homem totalmente comprometido com a missão. Era um homem que sabia conversar com Deus, e era exatamente isso que estava fazendo agora, próximo à sarça ardente.

Sinceridade, não vejo como relutância para não ir; vejo, isso sim, como construção de capacidades para ir. Por sinal, sempre é dito que Deus não chama os capacitados, mas capacita aqueles a quem chama. E é isso que vejo no início de Êxodo, um Livro escrito justamente por quem não esconde suas “desculpas”. Vejo Moisés abrindo o seu coração para Deus, e obtendo dEle respostas para as suas incapacidades. E quantas incapacidades fossem reveladas, Deus daria as capacidades correspondentes.

No Comentário Bíblico Adventista, vol. 1, pág. 1211, Ellen White declara: “(Moisés) tinha medo de introduzir o eu em sua obra”.

Na semana de observações após a leitura da Ata de Nomeações, ouvimos três respostas: (1) Não me sinto apto, então não aceito (É triste ouvir isso); (2) Não me sinto apto, orem por mim, e vamos trabalhar (E é esta segunda resposta que vejo em Moisés); e, (3) Me sinto apto, sou bom nisso (E, se essa dói nos nossos ouvidos, imagine nos ouvidos de Deus!).

Bem, ainda na sarça ardente, depois de várias “desculpas”, Moisés insistiu, pedindo que Deus enviasse outra pessoa. É dito que “¹⁴ Então a ira do Senhor se acendeu contra Moisés”. O Comentário Bíblico Adventista explica isso assim: “A expressão usada é forte, mas provavelmente significa que Deus estava descontente, nada mais”. E vemos que, mais uma vez, Deus dá uma solução para o problema, dizendo: “Moisés, no caminho, você vai ver seu irmão Arão vindo em sua direção” — ou seja: “Moisés, já que você pediu para Eu enviar outra pessoa, ela já está a caminho, e vocês vão trabalhar juntos”.  

Continuando, gostei demais da pergunta 6: “Como entender essa história estranha?”

Reparem que a Bíblia não é feita apenas de histórias normais, simples, fáceis. De vez em quando nos esbarramos com alguma coisa “estranha” em suas páginas; e, quando isso aparece, precisamos parar, respirar fundo, e procurar entender. Vamos lá!

Moisés tinha dois filhos: Gérson e Eliézer. O mais novo deve ter nascido em torno do período da sarça ardente. Portanto, ocorreu uma clara negligência quanto ao rito da circuncisão deste, talvez em razão da mudança que estava para ocorrer na vida da família.

Há quem diga que tal negligência se deu em razão de Zípora ser descendente não de Isaque, mas de Midiã, filho que Abraão teve com Quetura. Mas isso não pode ser aceito, pois a circuncisão começou com Ismael, filho de Agar — ou seja, independentemente da mãe, todos eram filhos de Abraão.

Bem, o fato é que houve uma negligência, e Moisés estava correndo risco de morte não por suas desculpas anteriores, mas por esta negligência. E quanto ao fato de Zípora manifestar indignação por ter que circuncidar seu bebê, é justamente para tal manifestação que foi instituída a circuncisão.

Não foi relatada a sua repulsa quando circuncidou Gérson, mas, com certeza, ocorreu. Irmãos, é sofrível tal cirurgia. É uma coisa cruel. Isso dói. Sai sangue. E tem algumas implicações por alguns dias. Isso é terrível! Terrível para o circuncidado, e terrível para uma mãe, que tem que amparar e confortar seu bebê durante a recuperação!

A circuncisão, irmãos, apontava para o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário — que foi terrível! E isso deveria impressionar a mente de todos os pecadores, tal como manifestado por Zípora.

Porém, o estranho na história não é a circuncisão, e nem a negligência por parte do famoso Moisés, mas Deus ter chamado para a missão um homem que estava em negligência — E Deus sabia disso.

Irmãos, é tão estranho Deus ter nos chamado. Ele conhece a nossa vida, e sabe o quanto somos negligentes. No entanto, é nesse fato que mora a beleza da Lição: somos chamados por Deus — o Deus da Aliança Eterna — o Deus que capacita os Seus chamados.

Isaías passou por isso. E, tendo reconhecido suas negligências, pediu perdão, e foi perdoado. O toque de Deus mudou a sua vida.

Deus nos abençoe, irmãos. Deus nos dê a bênção de parar de olhar para as negligências dos outros, e ver o toque de Deus em suas vidas.

“Não é coisa incomum ver imperfeições nos que conduzem a obra de Deus. Não seria mais agradável a Deus termos uma perspectiva imparcial, observando quantas pessoas servem a Deus, glorificando-O e honrando-O com seus talentos materiais e intelectuais? Não seria melhor considerar o maravilhoso poder de Deus, operando milagres na transformação de pobres e degradados pecadores, carregados de máculas morais, que se transformam de modo a tornar-se semelhantes a Cristo no caráter? Nem as questões mais desfavoráveis devem levar-nos a sentir-nos perplexos e desanimados. Tudo que nos leve a ver a fraqueza da humanidade está no propósito do Senhor, para nos ajudar a olharmos para Ele, e em caso algum pormos no homem a nossa confiança, nem fazermos da carne nosso braço” (Review and Herald, 15 de agosto de 1893).

Deus nos abençoe.

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Lição 1 — O povo oprimido e o nascimento de Moisés / Comentário da Lição da Escola Sabatina

Estamos começando uma Lição nova. A base do estudo será a saída do povo hebreu que estava no Egito. Sendo assim, é importante saber, primeiro, “por que o povo de Deus estava no Egito?

A história começa com Abraão, por volta de uns 350 anos depois do dilúvio. Deus chamou esse homem, e com ele fez uma Aliança: através dele e de sua esposa Sara, uma família seria feita; esta família cresceria, viraria um povo, uma nação, um reino; viveria onde hoje chamamos de Israel; e, mais tarde, desta família nasceria o Messias, o Salvador de todas as nações.

O pai Abraão foi chamado quando estava com 75 anos de idade. Desse ano até o dia que seu neto Jacó foi morar no Egito, 215 anos se passaram. E, contando a partir desse dia, outros 215 anos se passaram, para, então, a grande família de Abraão “sair” do Egito — rumo à terra prometida.

A “saída” propriamente dita foi realizada nos dias de Moisés — e isso nos leva a fazer algumas considerações sobre ele: Como foi o seu berço? Em quais circunstâncias ele nasceu? Como foi criado? Como Deus guiou a vida deste homem, a fim de prepará-lo para fazer o que fez?

Bem, em relação ao que ele fez, lembrem-se do seguinte: entre o dilúvio e a cruz do Calvário, o êxodo foi o maior evento experimentado pelo povo de Deus. O êxodo impactou a vida de todas as gerações israelitas. A Bíblia é recheada de escritos a respeito desse evento. O povo de Israel fazia hinos e cantava sobre essa saída miraculosa. Quarenta anos depois do êxodo, Raabe, lá nas muralhas de Jericó, exaltou esse grande feito. E, no capítulo 7 do Livro de Atos, Estêvão foi apedrejado após ter recontado essa grande história.

Depois que o Mar Vermelho se fechou, em Êxodo 15 temos uma linda expressão de louvor a Deus: o famoso “Cântico de Moisés”. Em Apocalipse 15, esse Cântico de Moisés é cantado novamente, agora por todos os salvos. E, junto com o Cântico de Moisés, um novo cântico é cantado: o Cântico do Cordeiro.

Irmãos, preparem suas vozes. Em breve estaremos no Coral dos Redimidos. Vai valer a pena cantar nesse coral.

Então, é isso! Que tenhamos uma belíssima Lição… e Deus seja louvado.

Jacó viveu apenas 17 anos no Egito. Quando ele morreu, seu filho José tinha 56, e este viveu mais 54 anos, morrendo aos 110. Apenas 64 anos depois da morte de José, nasceu o menino Moisés. Este, quando estava com 80, foi chamado para libertar a grande multidão descendente de Jacó. (17+54+64+80=215).

Em algum momento entre José e Moisés, houve uma mudança de governo no Egito, e os privilégios dados aos hebreus foi tirado. Com a mudança de faraó, em pouco tempo os hebreus se tornaram escravos. E somando os 80 anos de Moisés, a situação ficou mais terrível ainda para eles. Em relação a isso, a Bíblia usa a expressão “lhes fizeram amargar a vida com dura servidão”.

Irmãos, se porventura alguém lhes perguntar a razão de Deus ter permitido que Jacó se mudasse para o Egito quando as vacas estavam magras, em vez de permanecer em Canaã, expliquem para esse alguém que Canaã era um lugar terrível. Mais terrível que o Egito.

Sendo assim, por mais amarga que a vida tenha sido no Egito, em Canaã teria sido mais que amarga. E põe mais nisso. Amarguíssima! Por sinal, Canaã entrou em juízo muito antes do Egito.

Bem, Jacó foi para o Egito com filhos e com netos. No Egito, frutificaram e se multiplicaram sem parar. E a “família” passou a ser identificada como “povo”, como uma grande multidão.

Em relação a José, acredita-se que ele tenha ido para o Egito quando os mandantes eram os estrangeiros chamados de “hicsos” (15ª dinastia). Porém, havia um governo nativo paralelo (16ª e 17ª dinastias). Então, tudo mudou quando os hicsos foram destronados. Entrou a 18ª dinastia, e esta fez pouco caso de José e dos hebreus — e a razão era porque estes haviam sido privilegiados com a posse das melhores terras do Egito, em detrimento aos nativos.

Como falei antes, entre a morte de José e o nascimento de Moisés, apenas 64 anos haviam se passado. Relativamente, poucos anos. Porém, tempo suficiente para Satanás mudar o curso das coisas. Ele não agiu tão rápido quanto na história de Jó, mas conseguiu fazer um estrago enorme nesses 64 anos.

O Livro de Êxodo conta que a mão dos novos faraós foi muito pesada. Mão cruel. A ponto de implantar, inclusive, um esquema de morte aos bebês “meninos”. (Os faraós modernos querem porque querem implantar o aborto livre. A origem é a mesma: Satanás).

Bem, em relação as parteiras, vamos fazer algumas considerações a seguir. Por agora, lembremos do seguinte: os “bons” governos humanos não são para sempre; os ventos mudam rapidamente; de repente, um governante do mal toma posse; conclusão — para o povo de Deus ser oprimido, um pouco de tempo já é suficiente, e um estrago enorme pode ser feito nesse período, comprometendo as novas gerações. Portanto, irmãos, quem está em pé, cuide para que não caia.

Agora sim, as parteiras.

Vocês estão lembrados de Hamã, querendo destruir todos os judeus durante o reinado de Assuero, o persa? Quem estava por trás disso? E, no caso de Herodes em relação as criancinhas de Belém, quem estava por trás disso? Bem, o “quem estava por trás disso” já estava atrás disso no caso do Egito.

Sem entender a cosmovisão do grande conflito, o faraó achava que estaria simplesmente acabando com uma grande família meramente por um capricho pessoal. Na verdade, estaria é interferindo no Plano da Redenção, pois era “desta família” que nasceria o Messias. Sendo assim, olhemos para a história das parteiras com uma visão de futuro. Olhemos sabendo que o inimigo de Deus estava por trás do cruel governo egípcio.

Mas, e onde estava Deus enquanto os hebreus eram afligidos? (Essa é a parte linda e maravilhosa da história). Deus estava no controle de tudo. Em momento algum Ele esteve ausente. A Sua providência estava agindo.

Irmãos, no caos em que os hebreus viviam, as parteiras, por temor a Deus, desafiaram o grande faraó. Nenhum menino foi morto. E elas não precisaram mentir. Aliás, se o faraó suspeitasse que estavam mentindo, teriam sido jogadas na fornalha ardente, caso sobrevivessem à cova dos leões. O que ocorreu é que Deus mudou as circunstâncias, e elas não tiveram receio de falar sobre isso, e foram consideradas honestas em suas palavras.

Por que falei em “fornalha ardente”? Falei pra gente se lembrar dos amigos de Daniel. Lembrar que, tal qual as parteiras no Egito e tal qual os três jovens hebreus em Babilônia, não nos ajoelharemos diante das ordens erradas que os mandantes imporão muito em breve.

Reparem um fato extremamente raro: os nomes das duas parteiras são citados na Bíblia. Raridade mesmo! Parabéns! Isso é muito significativo para todos nós, pois todos os vencedores terão seus nomes inscritos no Livro da Vida. E louvado seja Deus!

Jacó tinha um filho chamado Levi. A filha de Levi se casou com um sobrinho (no caso, neto de Levi). O tempo passou, eles tiveram filhos. Primeiro, Arão; depois, Miriã; por fim, Moisés.

O nascimento de Moisés foi justamente no período da ordem para matar os meninos, que, se poupados no momento do parto, deveriam ser achados através do choro e das fraldas penduradas no varal. Mas a mão de Deus foi vista de modo maravilhoso nesse episódio.

Moisés nasceu, e os anjos ajudaram Anrão e Joquebede a cuidarem do menino em segredo. Mas, como a mão do inimigo continuava pesando, uma ideia divina passou pela mente da família: colocar o menino numa cestinha próximo ao local em que a princesa Hatshepsut se refrescava no rio.

Resultado: a princesa ouviu o choro da criança; deu ordens para buscá-la; abriu a fralda; viu que era um menino; percebeu que era um hebreu; e o seu sentimento maternal foi imediatamente despertado.

Era ou não era a mão de Deus agindo? — E mais! Miriã se aproximou, e se propôs a cuidar do bebê, que agora já era chamado de filho da filha de faraó. Que coisa extraordinária!

Irmãos, imaginem o que essa princesa precisou fazer para convencer seu pai a aceitar que ela estava adotando um menino “hebreu”. Imaginem a lábia dela para convencer seu próprio marido, que era meio irmão por parte de pai. Imaginem!

Não se tratava apenas da adoção de uma criança — essa criança não era egípcia. Não se tratava de apenas mais uma criança em casa — era a única criança em casa. Irmãos, a criança do cestinho estava herdando o trono do Egito. Imaginem! Um hebreu sendo o faraó do Egito!

Outro milagre: a princesa aceitou a ideia de seu filho ser cuidado por uma família hebreia (no caso, a família original). O que isso impactou na história? — Resposta simples e direta: ao menino foi ensinado o caminho em que devia andar, e quando envelheceu, não se esqueceu dele.

Irmãos, que bom que a Lição nos trás essa história. Estamos num momento de tantas incertezas. As mãos dos atuais faraós estão pesadas. Então, graças a Deus, a Lição nos propõe a contemplar a mão da Providência agindo.

Louvado seja Deus!

Bem, a partir dos 12 anos, Moisés foi viver com a mãe e o pai no palácio; e ali conviveu com seu vovô faraó.

Tinha feito só o ensino fundamental na escola hebraica. Agora, no colégio egípcio, faria o ensino médio, e, na sequência, um curso universitário. Paralelo a isso, passaria por todos os “sábios” do reino, que lhes ensinariam todas as “sabedorias” do Egito.

No entanto, aos 40 anos de idade, Moisés caiu na bobagem de resolver um assunto delicado fazendo justiça com as próprias mãos. — Resultado: tudo mudou em sua vida, e na vida de seu povo.

O filho da princesa, preparado para herdar o trono do Egito, teve que fugir. Aquele que seria o novo faraó, fugiu para bem longe, onde passaria outros 40 anos, na humilde tarefa de pastor de ovelhas. Mas, sobre esses outros 40 anos, nós vamos estudar semana que vem.

Por agora, uma última explicação: caso Moisés se tornasse faraó, é de se imaginar que ele melhoraria as condições dos hebreus dentro do Egito — porém, o Egito não era a terra prometida por Deus a Abraão; por melhor que o Egito viesse a ser sob a administração de Moisés, o Egito não era a terra prometida.

Atualmente, sonhamos com casas que tenham conforto, mas nenhuma delas fazem sentido — porque não estão aqui as casas que Jesus Cristo prometeu preparar para cada um de nós.

Deus nos abençoe, irmãos.

“As determinações e concessões de Deus em nosso favor são ilimitadas. O trono da graça exerce os maiores atrativos, pois está ocupado por Aquele que consente em ser por nós chamado Pai. Mas Deus não considerou completo o princípio da salvação, enquanto era representado somente pelo Seu amor. Por isso determinou colocar junto ao Seu altar um Mediador que personificasse nossa natureza. Como nosso Intercessor, Seu ministério consiste em apresentar-nos perante Deus como filhos e filhas. Cristo intercede em favor dos que O recebem e, por virtude de Seus próprios méritos, lhes concede constituírem-se membros da família real, filhos do celeste Rei. Por seu turno, o Pai demonstra para com Cristo, que pagou com sangue o preço de nosso libertamento, o Seu infinito amor, aceitando como Seus os amigos dele. Está satisfeito com a expiação que Cristo efetuou, e é glorificado na vida, morte e mediação de Seu Filho” (Maravilhosa Graça de Deus, pág. 66 — Meditação Matinal de 01/03/1974).

Deus nos abençoe.

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Lição 13 — Imagens do fim — Comentário da Lição da Escola Sabatina

Enquanto o mundo carece ouvir a mensagem de Cristo, os mensageiros de Cristo carecem de conforto para enfrentar as dificuldades que tal tarefa exige. Através das revelações, o próprio Senhor Jesus Cristo nos antecipou que virão tempos difíceis, tempos que provocarão uma angústia enorme, maior que a angústia de Jacó. Porém, também revelou que estará com Seu povo o tempo todo, até o fim, custe o que custar.

Cabe aos mensageiros de Cristo, portanto, cumprir fielmente a parte que lhes cabe, tendo certeza absoluta que estão sendo acompanhados e dirigidos por Deus. Que há um compromisso Divino de socorro bem presente diante de qualquer angústia.

Nós vamos concluir o trimestre — última das 13 semanas — e, mais uma vez, extraindo um precioso conforto contido em algumas das mais belas histórias da Bíblia; mas, com uma recomendação: não sejamos tão meticulosos; não nos preocupemos com todos os detalhes das histórias. Por mais bonitas e interessantes que sejam, a Lição não é sobre as histórias em si, e, sim, sobre algumas chaves que elas oferecem para abrirmos a compreensão sobre as profecias dos últimos tempos.

Sendo assim, vamos lá! E que Deus nos abençoe.

A palavra-chave da semana é “verdade presente”, atual, para hoje. Isso significa que Deus sabe a necessidade de cada pessoa, e a supre com uma solução imediata.

Nínive atingiu a beira do copo. Estava por transbordar. Um juízo seria feito. Tinha que ser feito. E Deus enviou a última mensagem — o último convite para arrependimento e mudança de rota.

Irmãos, na Bíblia, o que temos aprendido sobre a Fonte de “arrependimento”? Como é que o ser humano consegue se arrepender? — Resposta: Isso é obra da poderosa terceira pessoa da Divindade; é obra do Espírito Santo. Então, na história de Jonas e os ninivitas, vejamos Deus presente, agindo, trabalhando em favor da salvação de todas aquelas pessoas.

A relutância de Jonas segue a lógica mais lógica de todas: os ninivitas eram terríveis. Basta considerar que Deus achou por bem exercer juízo sobre eles exatamente no final de 40 dias. Estavam por um triz. Mais uma última balançada, e o caldo ia entornar. Porém, houve um nascer de novo. Houve arrependimento, confissão, pedido de perdão. Houve perdão, e, perdoados, houve santificação, nova rota, nova vida. E isso é obra de Quem?!!!

Se a resposta de vocês é “isso é obra de Deus”, a resposta está certa. E isso significa que houve uma chuva serôdia em Nínive. Uma chuva que molhou o mensageiro de Deus e os ouvintes da mensagem de Deus. Significa que Deus estava na história.

*Aqui, uma consideração: Impossível que a mensagem fosse apenas “arrependam-se, pois faltam 40 dias para a destruição” — “arrependam-se, pois faltam 39 dias… e 38… e 37…” — Impossível que tenha sido tão resumida assim. O Evangelho completo foi pregado. A bondade de Deus foi apresentada em toda a sua grandeza. O Messias foi apresentado.

Irmãos, existe uma Nínive a ser conquistada para Deus atualmente. Ainda bem que Deus tem vários Jonas para cumprir essa tarefa, e tem uma mensagem. E os Jonas de hoje têm uma vantagem: pela história do Jonas de Nínive, sabem da presença de Deus; e, pela profecia, sabem que Deus vai permanecer presente.

Que venha a chuva serôdia!

Bem, já falamos sobre o arrependimento de Nínive, e que isso foi resultado da obra do Espírito de Deus sobre todos eles. Então, só para completar, uma dica: existem profecias “condicionais” e profecias “não condicionais”.

A “condicional” é: se você estudar, você vai se formar; se você não estudar, você não vai se formar. Portanto, o “se formar” está condicionado à sua decisão.

A “não condicional” é: vai ter uma formatura; com você se formando ou não, vai ter uma formatura. Portanto, “a formatura” não depende de você.

Irmãos, Jesus vai voltar, e, quando voltar, levará para Si todos os que O escolheram. Todos os que aceitaram a Sua obra de salvação serão levados para viver com Ele durante toda a eternidade. Mas, às vezes, isso parece que não vai acontecer. Às vezes, parece que Roma não vai interferir no mundo como a Bíblia conta que vai. Parece, também, que os Estados Unidos jamais vão dar as mãos para o poder romano.

Não nos esqueçamos, porém, que os ouvintes de Noé também “achavam que não…”; depois, “achavam que não” os moradores de Sodoma e Gomorra; e o faraó do Egito; e os israelitas de Samaria; e os judeus de Jerusalém; e também o rei Belsazar, de Babilônia, cuja história nós vamos fazer algumas considerações a partir de agora.

Irmãos, não nos esqueçamos: tem profecia que é não condicional; ela vai acontecer. Confie!

Um dia, Babilônia foi “serva” de Deus. Ela serviu a Deus como instrumento para repreender Judá. Um juízo sobre Judá seria feito, e foi feito através do domínio babilônico. Porém, sobre Babilônia também foi dito que haveria um juízo. Isso é muito bem explicadinho nas profecias relatadas no Livro de Daniel.

Por que esse “juízo”? — Resposta simples e direta: pelos mesmos motivos do juízo sobre as pessoas do tempo de Noé; e de Sodoma; e do Egito; de Nínive; de Israel; e de Judá. Irmãos, não tem como plantar igual a estes e querer colher diferente destes. Independentemente do lugar ou época, quem planta espinhos colhe espinhos.

*Uma explicação: Por que inclui “Nínive”? Inclui porque, tempos depois de Jonas, Nínive (que é a Assíria) voltou a praticar injustiça; voltou para os caminhos que exigiam um juízo. E, por sinal, o mesmo Nabucodonosor que que foi “servo” de Deus contra Judá em 605 a.C., havia sido “servo” de Deus quatro anos antes, destruindo o Império Assírio.

Bem, Belsazar era neto de Nabucodonosor. Não sei se ele conheceu seu avô pessoalmente, mas eu tenho absoluta certeza que ele sabia quem foi seu avô. Ele sabia das histórias de seu avô. E ele sabia que ainda estavam vivas algumas pessoas que serviram o seu avô. Dentre elas, o profeta Daniel.

Por alguma razão — provavelmente para não ser repreendido —, Belsazar não quis que Daniel fosse um de seus conselheiros. Não quis a presença do homem que falava a verdade de Deus. Mas, um dia, num banquete, Deus quis falar com ele, e falou. O problema é que ele não entendeu o que Deus falou, e foi aconselhado a jogar fora todo o seu medo de ter Daniel diante de si, e receber imediatamente esse famoso profeta de Deus.

Irmãos, Belsazar não agiu conforme o rei ninivita havia agido no passado diante das palavras do profeta de Deus. Tinha muito mais referências sobre o Deus que estava falando com ele, mas não quis entregar o seu coração. Não agiu conforme seu avô acabou agindo, após ter comido capim por sete anos. Preferiu os caminhos de faraó, endurecendo o coração até o fim.

No capítulo 5, Daniel estava com oitenta e poucos anos de idade. Uma vida dedicada ao serviço de Deus. E, agora, diante de si, via a estátua de cara feia perdendo a sua cabeça de ouro. Era o fim de Babilônia. Era a profecia sendo cumprida diante de seus olhos.

O fim de Babilônia se deu assim: a cidade era fortemente murada, e seus moradores conseguiam plantar e colher dentro de seu perímetro urbano. Como tal proeza? — Resposta: o rio Eufrates passava no meio dela, por baixo dos muros; e com boa irrigação, os jardins e hortas de Babilônia eram verdejantes o tempo todo, e bem produtivos. Porém, enquanto os soldados Medo-Persas cercavam a cidade, parte deles cavava valetas, com intuito de desviar o leito do rio, e o sucesso foi alcançado. Desse jeito, leito seco, todos os soldados passaram por baixo dos muros, e tomaram o controle da cidade.

E quando a cereja foi colocada em cima do bolo? — Resposta: Exatamente no momento em que Daniel traduzia a mensagem de juízo para Belsazar; exatamente enquanto Daniel pronunciava: “Ó rei Belsazar, Deus contou os dias de seu reinado, e pôs um fim nele. O senhor foi pesado na balança, e achado em falta. O seu reino está sendo entregue aos Medos e Persas”.

O rei ouviu, e, mesmo não acreditando, “mandou que vestissem Daniel de púrpura, que lhe pusessem uma corrente de ouro no pescoço, e que proclamassem que passaria a ser o terceiro no governo do seu reino” — mas isso não teve tempo de ser feito, pois “naquela mesma noite, Belsazar, rei dos caldeus, foi morto. E Dario, o medo, se apoderou do reino”. 

Irmãos, há uma outra Babilônia em juízo. Deus já deixou registrado esse assunto. E Ele pede que cada um de Seus filhos corra em busca de Seus outros filhos, estendendo-lhes o convite: “Saia de Babilônia, povo Meu”.

Antes de serem levados para o cativeiro babilônico, os judeus ficaram sabendo que iriam para o cativeiro, e que lá ficariam por 70 anos. Deus revelou isso através de Seu profeta Jeremias. Mas, saibam vocês, houve menção de tal cativeiro já em Deuteronômio, através de Moisés (uns 800 anos antes), e no discurso de Salomão, por ocasião da inauguração do Templo (uns 500 anos antes). Ou seja, os judeus sabiam, antecipadamente, que estavam cavando a própria cova (profecia condicional).

Bem, antes de Jeremias, Deus já havia revelado algumas coisas através de Isaías. Por exemplo: foi predito que “os babilônicos” um dia viriam tomar posse de Jerusalém, e que levariam os judeus para Babilônia; também, que “Ciro, o persa”, um dia tomaria posse de Babilônia, e mandaria de volta para Jerusalém os cativos que lá estivessem — no caso, após os 70 anos preditos por Jeremias.

Nessa história, encontramos vários confortos que nos serão úteis diante do tempo que se aproxima. Um deles é que há um Libertador. Ele há de completar a obra a que Se propôs. E louvado seja Ele! Outro conforto é a certeza que o nosso Libertador nos levará de volta para Jerusalém.

Irmãos, encerramos assim a Lição deste trimestre. Maravilhosa Lição.

Aprendemos que a Bíblia fornece as chaves para entendermos as profecias. Aprendemos que tudo o que está para acontecer não vai acontecer sem o conhecimento de Deus. E, porque Ele conhece, já tomou todas as providências necessárias para sermos os vitoriosos no final da jornada.

Isso mesmo! A vitória nos aguarda no final de todos os acontecimentos.

Deus abençoe todos vocês. Amém!

“Não deis alegria ao inimigo demorando-vos no lado escuro de vossa experiência; confiai em Jesus mais plenamente para serdes ajudados no resistir à tentação. Se pensarmos e falarmos mais em Jesus, e menos de nós mesmos, podemos ter muito mais de Sua presença. Se estivermos nEle, seremos tão cheios de paz, fé e coragem, e teremos uma experiência tão vitoriosa para contar quando nos reunimos, que outros ficarão refrigerados pelo nosso claro e forte testemunho de Deus. Esses preciosos testemunhos para louvor e glória de Deus, quando sustentados por uma vida semelhante a de Cristo, têm irresistível poder, o qual atua para salvação de pessoas. O lado brilhante e feliz da religião será representado pelos que diariamente se consagram a Deus. Não devemos desonrar o Senhor mediante o referir-nos com lamentos a provas que parecem penosas. Toda prova recebida como educadora produzirá alegria. O papel que a religião desempenha será enaltecido, elevado, enobrecido, com o perfume de boas palavras e boas obras” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 4, pág. 1305).

Deus nos abençoe.

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Lição 12 — Precursores dos eventos finais — Comentário da Lição da Escola Sabatina

Nós precisamos ser corajosos diante das coisas que estão para acontecer. Quando olhamos para a angústia de Jacó, percebemos que foi uma experiência terrível. Quando olhamos para a profecia, percebemos que virá uma angústia muito maior. Então, nós precisamos ser corajosos diante das coisas que Deus revelou que vão acontecer.

Bem, onde está a fonte de tanta coragem? — É sobre isso a Lição desta semana. E é isso que vamos considerar a partir de agora.

Antes, porém, um flashback: Semana passada, através de duas belíssimas histórias, vimos coragem, fé, e confiança em Deus. Vimos isso na vida de Rute, ao sair de Moabe e ir morar em Belém, Israel. Vimos Deus agindo em favor dessa jovem mulher. Também vimos isso na vida da rainha Ester, nascida no cativeiro, mas convicta ser de Israel — uma autêntica israelita. De igual forma, vimos Deus agindo em favor dessa jovem mulher, e de Seu precioso povo.

Irmãos, esse cuidado manifestado por Deus é “chave” para a compreensão profética. Como diz o título da Lição, são “precursores dos eventos finais”. Virão dias difíceis, mas, olhando para o passado, nada temos a temer quanto ao futuro. Absolutamente, nada. Deus nunca e nem jamais abandona aqueles a quem Ele chamou. Caminhou com aqueles do passado — caminhará conosco até a consumação dos séculos.

Em Daniel 2, temos o famoso sonho de Nabucodonosor. Nesse sonho, através de uma estátua, Deus revelou para a humanidade como seria a história das nações, até o Dia da segunda vinda de Cristo Jesus.

Daniel 2 é a estrutura profética da Bíblia. É entendendo esse capítulo que passamos a entender todos os demais capítulos de Daniel, e todos os capítulos de Apocalipse. Daniel 2 é a “chave”.

Percebam: cabeça, peito e braços, cintura, pernas, e pés — ouro, prata, bronze, ferro, e ferro com barro — Babilônia, Média-Pérsia, Grécia, e Roma. Nações históricas, uma sucedendo a outra; sendo que a sucessora sempre é de menor valor — ou seja, o sistema humano nunca melhora.

Paralelo a isso, foi lançada uma Pedra (não por mãos humanas) — uma Pedra que bate nos pés da estátua, e acaba com essa história de sucessões malsucedidas. A Pedra é o único Reino eterno. E nós pertencemos a esse Reino.

Bem, o nome disso é “interpretação historicista”. Deus acompanha a história da humanidade. Deus age na história das nações e de seus habitantes. A Terra foi criada por Deus e nunca deixou de ser de Deus. Embora um inimigo tenha vindo plantar joio, Deus nunca perdeu o domínio. Ele nunca deixou de ser Deus.

Agora, uma primeira pergunta: Em qual parte da estátua nós estamos? — Resposta: Na unha do dedo minguinho (também chamado de mindinho).

Segunda e última pergunta para hoje: E Deus? Onde Deus está? — Resposta: Ele está conosco. Ele acompanha a nossa história. Ele age em nossa história. Ele é eternamente Emanuel.

Anos depois de Daniel 2, veio Daniel 3. Quantos anos entre esses capítulos? Certinho certinho, não sabemos; porém, deve ter sido próximo a 20 anos.

Daniel 2 foi em 603 a.C., logo após a primeira invasão. Depois ocorreu a segunda, em 597. Por fim, em 586. Daniel 3 deve ter sido após 586, quando a vitória sobre Jerusalém foi avassaladora. Não sobrou pedra sobre pedra. O Templo de Salomão foi totalmente desmantelado. E diante de vitórias também sobre outras nações, Nabucodonosor deve ter se sentido o top do top. Deve ter pensado: “O Deus de Daniel disse que eu sou a cabeça de ouro. Eu vou provar para Ele que eu sou a estátua toda de ouro. E, em minha homenagem, vou fazer uma estátua bem grandona, completamente de ouro, e vou exigir que todos se ajoelhem diante dela, em obediência ao assim diz o rei”.

Irmãos, existem detalhes muito lindos nessa história. Se explorados, dariam muitas semanas de estudo. Porém, vamos nos ater unicamente ao fato de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego terem tido coragem de não se ajoelhar segundo a ordem de um rei mundano. Mesmo podendo olhar para a estátua e para a fornalha, olharam para Deus, e isso fez com que jamais passasse na mente deles trocar o centro de sua adoração. Jamais!

O que eles fizeram foi se ajoelhar perante Deus antes de se dirigirem ao local. Colocaram nas mãos de Deus as suas vidas, e, no momento oportuno, expressaram um dos versos mais impactantes da Bíblia: “¹⁷ Se o nosso Deus, a quem servimos, quiser livrar-nos, Ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das suas mãos, ó rei. ¹⁸ E mesmo que Ele não nos livre, fique sabendo, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que o senhor levantou”.

Irmãos, nós sabemos a história inteira. Eles não sabiam. A coragem que manifestaram, portanto, é de cair o queixo. Foi fidelidade ao grau máximo.

Pergunto: Quando estaremos face a face com a estátua feita em Babilônia? E, quando esse dia chegar, qual será a nossa resposta?

Deem uma olhadinha nessa profecia de Apocalipse 13: “¹¹ Vi ainda outra besta emergir da terra (a primeira emergiu do mar). Tinha dois chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão. ¹² Ela exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença e faz com que a terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal havia sido curada. ¹³ Também opera grandes sinais, de maneira que até faz descer fogo do céu sobre a terra, diante de todas as pessoas. ¹⁴ Seduz aqueles que habitam sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que façam uma imagem à besta, àquela que foi ferida à espada e sobreviveu. ¹⁵ E lhe foi concedido poder para dar vida à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse e fizesse morrer todos os que não adorassem a imagem da besta. ¹⁶ A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz com que lhes seja dada certa marca na mão direita ou na testa, ¹⁷ para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome”.

Sabem o que isso significa? — Não?! Não se preocupem, eu vou contar. — Já sabem?! Okay. Mas eu vou contar mesmo assim. Irmãos, Deus, que sabe de tudo, inclusive do futuro, está nos dizendo que o mundo está preparado para adorar a besta. É um caminho largo, e todos estão sendo doutrinados para seguir tal caminho. E como nós estamos no mundo, mas não somos do mundo, carecemos adquirir coragem para não andar nessa direção, e não obedecer ao falso profeta. Carecemos manter a fidelidade a Deus até à morte.

Mas, irmãos, como nós vamos adquirir tal coragem? Onde está a fonte? — Querem uma resposta certeira? A fonte está na direção do olhar de Sadraque, de Mesaque, e de Abede-Nego, que foi a direção olhada por Rute e Ester também. Para onde eles olharam? Vocês sabem? Então, olhem exatamente para onde eles olharam. Olhem para o Único que é digno de adoração.

Em Apocalipse 17:14, João escreveu: “O Cordeiro … vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; serão vencedores também os chamados, eleitos e fiéis que estão com o Cordeiro”.

O evangelho deveria ser pregado nessa ordem: primeiro em Jerusalém; depois, no restante do país; depois, nos países vizinhos; por fim, no mundo inteiro. Para que isso acontecesse, Deus usaria uma “serva”: a perseguição. Isso mesmo! Para tirar os evangelistas da zona de conforto, a perseguição faria um grande serviço para Deus.

O problema é que, junto com a perseguição, vem a tristeza, vem a dor. Não é fácil não! Humanamente falando, dói demais. Porém, se é para a glória de Deus, bem-aventurada seja a perseguição, e mesmo a morte.

Bem, na história para hoje, o Herodes que havia decapitado João Batista aproveitou o marketing político e mandou matar o discípulo Tiago também. E vendo que isso lhe trouxe prestígio, prendeu nosso querido Pedro. Enquanto isso, a igreja orava.

Miraculosamente, um anjo foi na cadeia para libertar Pedro, e este, agora livre, foi ao encontro da igreja que orava. E, aqui, devemos ser bastante honestos: para Boaz se casar com Rute, Malom teve que morrer primeiro; Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram ilesos da fornalha ardente, mas João Batista teve a cabeça separada do corpo. Portanto, não deveríamos supor que a “chave” é a libertação das tristezas da vida, mas, sim, a fidelidade a Deus. Não é achar que as nossas orações serão atendidas conforme o que pedimos e no tempo que pedimos, mas, sim, em estar em oração.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados… Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados são vocês quando, por Minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos Céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”.

Bem-aventurado Sermão da Montanha!

Agora, indo para o final da Lição, falemos da “marca da besta”.

Irmãos, tempos atrás, tinha gente que achava que a marca da besta seria igual a um carimbo que fazia uma marca invisível no braço de quem entrava na Disneylândia, e que só uma máquina especial, no portão de cada brinquedo, conseguia ver tal carimbada. Depois, acharam que a marca da besta era o código de barras. Depois, um chip implantado no corpo. Mais recente, uma vacina com micro elementos de não sei o quê. Ah! Me lembrei de mais uma: já ouvi dizer que estará marcado pela besta quem possuir CPF. Por essa lógica, o mundo estará salvo, mas os brasileiros não, pois CPF só tem no Brasil.

Irmãos, o centro do grande conflito é a “adoração”. Essa adoração é manifestada de várias maneiras. Uma delas é dobrar os joelhos em sinal de reverência; outra, é a obediência.

Deus disse “faça isso”, e nós obedecemos. Essa obediência significa que nós O adoramos.

A besta diz: “Não. Não faça como Deus mandou que fosse feito. Faça do jeito que eu estou mandando”. Nesse caso, quem obedece a besta não está obedecendo a Deus. Se não está obedecendo a Deus, não está adorando a Deus. Está, isso sim, obedecendo e adorando alguém que está se colocando no lugar de Deus — e isso é se desligar da Fonte de Vida — isso é morte.

Bem, a desobediência é a marca da besta. Já a obediência, esta é o selo de Deus, o sinal de Deus.

Isso tem a ver com a guarda do sábado versus a guarda do domingo? Sim, tem a ver. Mas também tem a ver com a honestidade versus a desonestidade; a verdade versus a mentira; a vida em Cristo versus a vida no mundo.

Irmãos, nós somos convidados por Deus a dar esse alerta ao mundo. Nós temos o privilégio de saber desse assunto e poder contá-lo para as pessoas. Então, vamos lá! Deus está conosco!!!  

“Está precisamente diante de nós o tempo em que haverá no mundo tristeza que nenhum bálsamo humano pode curar. Antes mesmo de sobrevir ao mundo a última grande destruição, os lisonjeiros monumentos da grandeza humana serão reduzidos a pó. Os retribuidores juízos de Deus abater-se-ão sobre os que, em face de grande luz, continuarem em pecado. São construídos edifícios suntuosos, supostamente à prova de fogo. Como, porém, Sodoma pereceu nas chamas da vingança divina, assim essas imponentes estruturas se transformarão em cinzas. Tenho visto navios que custaram imensas somas de dinheiro lutarem com o poderoso oceano, procurando enfrentar as ondas enfurecidas. Mas, com todos os seus tesouros de ouro e prata e com toda a sua carga humana, afundaram-se na sepultura aquosa. … Em meio, porém, do tumulto da agitação, com confusão em toda parte, há no mundo uma obra a ser feita para Deus” (Maranata, O Senhor Vem!, pág. 173 — Meditação Matinal de 16/06/1977)

Deus nos abençoe.

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Lição 11 — Rute e Ester — Comentário da Lição da Escola Sabatina

Irmãos, a Lição está de parabéns. Muitos parabéns! Reparem que ela começa nos dizendo que, através das histórias de Rute e de Ester, podemos ver os acontecimentos do nosso dia a dia pela perspectiva de Deus. Ou seja, ver como que Deus vê cada um dos nossos movimentos: como começa, como se desenvolve, e como vai terminar. Em nada nas histórias de Rute e Ester, ou nas nossas, a Providência Divina é economizada. Deus sempre está vendo e agindo.

Até me fez lembrar dos discípulos perguntando para Jesus: “Mestre, por que essa pessoa tem esse problema?” — E Jesus respondia: “Para que a glória de Deus seja vista por todos vocês”.

Bem, através das profecias, Deus revela que dias difíceis estão para chegar — porém, através das histórias bíblicas, Deus mostrou que em todos os momentos difíceis que a humanidade já passou, Ele esteve presente — e esse fato é “chave” para confiarmos que Ele vai estar presente nos próximos momentos profetizados.

Que tal, então, a gente tomar posse dessas “chaves” e abrir as portas das profecias sem medo algum? Pode ser?! Sem sim, vamos começar nosso estudo. Se não, vamos começar do mesmo jeito.

Beth-lechem (ou Beit-lehem) era uma cidade muito importante para o israelita. Falar a palavra “Belém” era exatamente o mesmo que falar “casa do pão”. Foi conquistada nos tempos de Josué, passando a fazer parte da tribo de Judá. E foi lá que nasceu o rei Davi.

Como vocês sabem, existem locais com o mesmo nome. Para saber a qual queremos nos referir, uma palavra a mais é colocada. Por exemplo: existe York, na Inglaterra, e New York, nos States; País de Gales, no Reino Unido, e o Estado de Nova Gales do Sul, na Austrália; a cidade de Paraguaçu, em Minas Gerais, e Paraguaçu Paulista, no Estado de São Paulo. Da mesma forma, em Israel havia mais de um lugar chamado “Belém”. Havia Belém de Judá e Belém de Zebulom, e, talvez, outras Beléns em outros lugares. Porém, para efeito profético, Deus foi absolutamente preciso na revelação dada através do profeta Miqueias. Para que se tivesse certeza que algo aconteceria em Belém de Judá, e não em outra Belém, uma referência a mais foi dada: “E você, Belém-Efrata, que é pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de você Me sairá Aquele que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miqueias 5:2).

Que Deus maravilhoso! Como bem disse Amós, “certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas”. Sendo assim, Deus deu uma “chave” para os israelitas entenderem a profecia sobre o nascimento do Messias, o Rei de Israel. Ele revelou o lugar exato do nascimento do Salvador.

Portanto, cada vez que um judeu falava ou ouvia a respeito de Belém de Judá, a Belém-Efrata, ele “deveria” se lembrar que dali viria o Redentor de Israel, e “deveria” ficar atento à voz do cartorário, quando este dissesse: “Acabou de nascer mais um menino aqui em Belém!”

Irmãos, ao estudar o Livro do Apocalipse, jamais nos esqueçamos dos Livros de Rute e de Ester. Vejamos, através da história dessas duas mulheres, que não caminhamos sozinhos para o fim da história deste mundo. Jamais estaremos sozinhos. É certeza absoluta que Deus estará conosco, e a Sua Providência será sentida em nossa vida.

Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a Terra” (Jó 19:25).

(Qual o significado da palavra “Redentor”? <clique aqui> e saiba mais).

Bem, a palavra “Belém” significa “casa do pão”. E quando falamos “pão”, naturalmente lembramos de “sustento”, de “alimentação”, de “saúde”, de “vida”.

Curiosamente, Israel estava passando por uma crise alimentar terrível, e na casa do pão começou a faltar pão. E o que um pai de família deveria fazer numa situação dessas? Logicamente, correr atrás do prejuízo. E, nesse contexto, passamos a conhecer um homem chamado Elimeleque, sua esposa Noemi, e seus dois filhos: Malom e Quiliom.

Essa família achou por bem vender uma propriedade e passar uma temporada no país vizinho: Moabe. Mas, não sabiam, lá havia uma moça que queria ser salva. Essa moça, cujo nome é Rute, tinha uma imensa sensibilidade para as coisas de Deus. O que faltava era alguém aparecer para lhe ensinar o evangelho. E é aí que entra a fome lá na “casa do pão”.

Não fosse a fome em Belém, um israelita jamais iria pregar a Palavra de Deus em Moabe. Mas, Deus sabia que em Moabe havia uma moça chamada Rute, e que ela estava com o coração totalmente preparado para receber a boa semente. E Deus uniu a fome com a vontade de comer.

Irmãos, qual a razão da fome na terra que mana leite e mel? Por que a mudança para Moabe? Por que o casamento de dois israelitas com duas moças moabitas? E o que falar da morte do pai e dos dois filhos, deixando três viúvas sem o devido amparo?

Temos respostas para todas essas perguntas? Temos resposta para todas as perguntas da vida? Não, não temos. Mas, vendo especificamente essa história, percebemos que temos mais respostas do que os personagens tinham. Enquanto eles viam cada “foto” que ia sendo tirada e revelada, nós vemos o “filme” inteiro. Nós não temos todas as respostas, mas nós temos muito mais respostas que tiveram aquelas pessoas.

Agora, pensem pelo lado de Noemi e Rute. Possuíam bem menos respostas, ou quase nenhuma resposta — PORÉM, EXERCERAM FÉ.

Irmãos, a fé é um dom de Deus. É um presente dado por Ele. É um presente a ser apreciado e usado por todos nós. É uma chave para abrir a porta da certeza de que não passaremos dificuldades que não sejam vistas e acompanhadas por Deus. Jamais vai faltar uma Providência de Deus, e a fé nos faz ver isso.

(Por que não foi permitido que Jó morresse junto com os filhos? <clique aqui> e entenda.

Na lei hebraica, se uma pessoa vendesse, ou arrendasse, ou colocasse seu terreno em garantia por alguma dívida, esse terreno voltaria automaticamente para a família no ano do jubileu — ou, antes disso, se um parente resgatador recomprasse o imóvel, ou pagasse a dívida.

Pelo jeito, Noemi viveu um bom tempo em Moabe, mas retornou viúva e pobre para Israel bem antes do jubileu, e sem filho ou neto para recuperar o tal terreno no momento oportuno. Sendo assim, na história, entra a figura do parente resgatador. Só ele para restaurar os direitos da família.

A palavra hebraica para “resgatador” é go’el, e pode também ser traduzida por “remidor”, “libertador” e “redentor”. E ela é usada primariamente para Deus: Deus é o Go’el — Deus é o Redentor. É por isso que Jó declara: “Eu sei que o meu Go’el vive / o meu Redentor vive”.

No famoso Salmo 19, Davi começa dizendo: “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos”; e termina: “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a Tua face, Senhor, Rocha minha e Go’el meu / Libertador meu”.

Em Provérbios 23:10-11, está escrito: “Não removas os limites antigos, nem entres nas herdades dos órfãos, porque o seu Go’el é forte / o seu Redentor é forte; Ele pleiteará a sua causa contra ti”. 

Na história que estamos analisando, dois go’el foram identificados. O primeiro era um parente que já estava casado, e isso o inabilitava a exercer a função. O segundo era totalmente habilitado — e o seu nome era Boaz.

Esse Boaz tinha uma história familiar muito bonita. Sua mãe foi a famosíssima Raabe, de Jericó — a mulher que foi libertada de uma vida mundana, e colocada no centro da história de Israel. Sendo assim, Boaz nasceu e cresceu num ambiente que sabia muito bem o que é a graça de Deus, e a Ele agradecia por Suas muitas misericórdias.

Bem, para efeito profético, a chave para hoje é ver Boaz como ilustração de que há um Redentor, e Ele por nós tudo fará.

(Nosso Redentor Divino. <clique aqui>).

Na terça, a Lição faz uso do fato de haver dois go’el na história de Rute, e faz uma aplicação para a situação da humanidade: um é o inimigo, que é totalmente inabilitado a nos fazer um bem sequer; e o outro é Cristo Jesus, que pagou a nossa dívida com Seu próprio sangue.

Louvado seja o nosso Go’el!

No mais, a história de Boaz e Rute é uma das mais lindas histórias registradas na Palavra de Deus. Rute saiu de Moabe, e acompanhou a sogra em seu retorno para Belém. Por sinal, a sogra até tentou desviar Rute desse propósito, mas esta disse um dos versos mais lindos de toda a Bíblia: “Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”. 

Bem, Boaz e Rute se casaram, e tiveram um filho, que foi Obede; o neto deles foi Jessé; o bisneto, Davi. E a genealogia seguiu, até que, em Mateus 1:5, esse casal foi mencionado pela última vez — mas foi muito bem mencionado: é de Boaz e Rute que nasce o Rei Jesus, o Pão do Céu.

(Se Jesus foi para o Céu, Ele não está mais conosco? <clique aqui>).

Agora, uma segunda história, com outros personagens. E começo pelo rei — o rei Assuero, também chamado de Xerxes. Ele foi rei de 486 até 465 a.C., e é em algum momento dentro desse período que nos deparamos com Ester — coroada rainha em 478 a.C.

Aqui, um cálculo precisa ser feito. Nabucodonosor levou os judeus para Babilônia em três ocasiões: 605, 597 e 586 a.C. Setenta anos depois dos primeiros cativos, alguns judeus voltaram para Judá, sob a liderança de Zorobabel (ano 536). Mas, como vemos pelo calendário da Ester, a maioria permanecia em Babilônia. No caso, todos eram judeus nascidos em Babilônia.

Isso me fez lembrar que todos os hebreus que atravessaram o Mar Vermelho eram nascidos no Egito. E dos que entraram na terra prometida, a maioria era nascida no deserto. Ou seja, somos especialistas em viver em terras estranhas; demorados em ir para o lugar em que Cristo nos foi preparar moradas.

Bem, o braço esquerdo de Assuero era um homem chamado Hamã. Esse homem tinha um ódio imenso dos judeus. Que homem terrível! E, tendo influência completa sobre o rei, bolou um plano, e conseguiu aprovação, e começou a colocá-lo em prática.

O plano era destruir todos os judeus — e quando digo todos, é de todos que digo: os judeus que ainda moravam em Babilônia e toda a geração que havia nascido e vivia em Judá. Para ser exato, o decreto foi promulgado quando Ester estava há quatro anos como rainha (portanto, ano 474). Setenta anos depois da primeira ida com Zorobabel, e os judeus ainda sendo perseguidos.

Irmãos, Deus estava vendo tudo isso. Vendo e agindo, pois se não agisse, não haveria Belém, não haveria o Pão do Céu.

Pensando bem, Hamã estava a serviço de quem?!!!

(Quem incitou Davi a fazer um censo: Deus ou Satanás? <clique aqui>).

Na quinta-feira, para encerrar, a Lição pula para a solução. Existem detalhes na história, mas o que nos interessa agora é a solução. E a solução foi o fato de Assuero ter se casado com Ester — mulher virtuosa, consagrada, que pertencia ao povo de Deus, e sabia que Babilônia não era a terra de seu povo.

Deus agiu, e Ester era o agir visível de Deus. Foi para esse tempo que ela havia sido colocada no trono: para superar a influência de Hamã.

Mas, irmãos, eu gostei tanto dos parágrafos que antecedem a pergunta 5, que peço permissão para copiar e colar aqui: “Alguns cristãos têm a tendência de se concentrar nos aspectos mais sombrios das profecias. Tempos difíceis estão por vir, e o estudo das profecias pode girar em torno do medo, destacando dificuldades em vez da resolução prometida para o fim da história. Embora Deus não nos iluda quanto ao futuro, e não esconda os eventos que ocorrerão até o fim, é importante buscar uma compreensão mais abrangente.

Temos um padrão nas profecias: Deus revela a verdade sobre a desordem criada pela rebelião, e então nos mostra as consequências. Mas Ele sempre destaca a esperança. Alguns olham para a crise e o ‘tempo de angústia de Jacó’ cheias de medo e apreensão. Os momentos finais não serão fáceis. No entanto, assim como a previsão de tempos difíceis é confiável, a promessa de libertação também é”.

Texto lindo, não é mesmo? Não tinha como não o mencionar.

Pra finalizar, eis um texto de uma antiga Meditação Matinal de Ellen White: “A brevidade do tempo é apresentada como incentivo para buscarmos a justiça e fazermos de Cristo nosso amigo. Mas não é este o grande motivo. Cheira a egoísmo. Será preciso que sejam conservados diante de nós os terrores do dia de Deus, para, por causa do medo, compelir-nos a agir retamente? Não deveria ser assim. Jesus é atraente” (Para Conhecê-Lo, pág. 320 —Meditação Matinal de 10/11/1965).

Quanto a Ester, também chamada de Hadassa, sua vida influenciou seu enteado Artaxerxes, que, simpatizando com o povo judeu, fez o famoso decreto de 457 a.C. — ano de início da profecia das duas mil e trezentas tardes e manhãs, e a das setenta semanas.

Louvado seja Deus!

(Como foi a gloriosa volta de Jesus para o Céu? <clique aqui>).

“Com as mãos estendidas numa bênção, e como numa firme promessa de Seu protetor cuidado, Jesus ascende lentamente dentre (Seus discípulos), atraído para o céu por um poder mais forte que qualquer atração terrestre.

Enquanto os discípulos continuam a olhar para cima, ouvem, como música agradável, vozes que se dirigem a eles. Voltam-se e veem dois anjos em forma humana, os quais lhes falam, dizendo: Galileus, por que vocês estão olhando para o céu? Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado ao Céu, voltará da mesma forma como O viram subir.

Esses anjos eram do grupo que estivera esperando, em uma nuvem brilhante, para acompanhar Jesus à morada celestial. Os mais exaltados, dentre a multidão angélica, eram os dois que foram ao sepulcro na ressurreição de Cristo e, com Ele, estiveram durante Sua vida na Terra. Ardente era o desejo com que o Céu aguar­dava o fim de Sua estada num mundo manchado pela maldição do pecado.

Todo o Céu estava esperando para saudar o Salvador à Sua chegada às cortes celestiais. Ao ascender, abriu Ele o caminho, e a multidão de cativos libertos à Sua ressurreição O seguiu. A hoste celestial, com brados de alegria e aclamações de louvor e cântico celestial, tomava parte na jubilosa comitiva.

Ao aproximar-se da cidade de Deus, os anjos que compõem o séquito cantam, como em desafio: Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória! (A Caminho do Lar, pág. 73 — Meditação Matinal de 26/02/2017).

Deus nos abençoe.

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Lição 10 — Para quem o fim tem chegado — Comentário da Lição da Escola Sabatina

Tem umas coisas relacionadas ao futuro que nós precisamos entender, e a chave para esse entendimento está no passado. Sendo assim, vamos trazer à memória algumas histórias lá dos tempos antigos. Vamos prestar atenção nos pormenores, nas entrelinhas.

E já de começo, recomendo: olhem para a graça, a misericórdia, a salvação. Olhem para um Deus que trabalha incansavelmente para a salvação de todos.

Todos serão salvos? Não; mas olhem para a salvação. Quem não se salvar vai para onde? Não fiquem pensando nisso; pensem na salvação.

(Tem gente predestinada para a perdição? < Clique aqui > e fique sabendo).

Imaginemos estar no Dia da volta de Jesus. Diante de nossos olhos, vemos os que dormiram no Senhor ressurgindo das sepulturas, e nós, os que não experimentamos a morte, a eles nos unimos para contemplar o céu nublado de anjos, vindo em nossa direção, tendo, ao centro, o brilho da majestosa luz da presença de Jesus Cristo.

Vocês lembram o que a profecia nos ensina sobre os dias que antecedem esse evento? Falemos disso, mas falemos de trás pra frente: por último, a porta da graça foi fechada; antes, todos tomaram suas decisões; antes, o evangelho foi pregado em todo o mundo; antes, a chuva serôdia foi abundantemente derramada.

Irmãos, no Dia da volta de Jesus, os ímpios vivos sabem o que está acontecendo. Foram evangelizados. Não são ignorantes. A mesma chuva que molhou o lábio dos evangelizadores, molhou também o ouvido de todos eles. O problema é que eles, por não terem aceitado a mensagem, ficam totalmente aterrorizados diante da luz que estão vendo, e pedem para não vê-la; pedem para dela se esconder.

Estão diante do Juiz — mas estão sem Advogado. Estão diante dAquele que Se dispôs salvá-los — mas não estão salvos. Como, então, não ficar pasmo diante desse confronto com Aquele que é “Santo, Santo, Santo”?

O nome disso, irmãos, é “a ira” de Deus; o juízo de Deus; a manifestação do nojo e do desprazer de Deus em relação ao pecado. E o pecador sente esse golpe. Seus joelhos tremem diante da glória de Deus, cujo brilho havia sido contido e velado por ocasião de Sua conversa com Adão, Eva e a serpente. É disso que a pergunta número 1 fala. E, casando com a pergunta 2, matamos a charada: Quando o pecador endurece o coração, nem os animais entrando de dois em dois na arca de Noé é suficiente para chamar a sua atenção.

(Mas, jamais se esqueçam disso: A mesma gloriosa luz da presença de Jesus não é fogo consumidor para o “salvo”. Portanto, o que é “ira de Deus” para um, não o é para outro).

Bem, já que citamos os animais entrando na arca de Noé, continuemos a falar sobre isso…

(Que história é essa de “ira de Deus”? < Clique aqui > Você vai gostar de ler).

Noé recebeu a revelação de que um juízo Divino seria feito. Mas, costumeiramente, falamos mais da última semana pra frente (o castigo) do que dos 120 anos entre a revelação e a tal última semana (o tempo de graça) — e, convenhamos, isso não é ser justo com o “juízo”; não é ser justo com o Juiz.

Irmãos, foram 120 anos de evangelização; 120 anos de graça e misericórdia; tempo suficiente para arrependimento e santificação; tempo para nascer uma nova geração comprometida com Deus. Foram 120 anos para que corrigissem o rumo da história, e revertessem a sentença.

Durante esse período, lembremos, Deus mantinha Seu olhar de justa observação sobre tudo e todos. Ele foi Fiel em todas as anotações que fez. Nenhuma vírgula foi colocada sem que houvesse motivo; e nenhuma vírgula foi descuidadamente deixada de ser anotada.

Também durante esses 120 anos, várias pessoas morreram. Uns morreram arrependidos, e aguardam a primeira ressurreição. Outros não aceitaram o evangelho, e só vão abrir os olhos na segunda ressurreição.

Faltando uma semana para o castigo, a porta da arca então foi fechada. Foi uma semana de zombarias. Uma semana achando que outras semanas viriam. Até que…

Irmãos, vocês querem saber como serão os últimos dias? Olhem para onde Jesus olhou, e fiquem sabendo: “Pois assim como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Pois assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mateus 24:37-39).

Vejamos outra história interessante…

(Enquanto na sepultura, Jesus foi pregar para os antediluvianos? Como entender as palavras de Pedro? < Clique aqui >).

Considerando que Adão foi criado no ano 1, o dilúvio ocorreu no ano 1657 — e, quase 300 anos depois, nasceu Abraão. (Por essa contagem, chamada de Anno Mundi, Abraão é de 1949). E quando ele nasceu, já havia ocorrido a história da Torre de Babel.

Bem, quando Abraão estava com quase 100 aninhos (400 anos depois do dilúvio), ocorreu a história de Sodoma e Gomorra. E que história! Tudo o que provocou o dilúvio estava se repetindo. O infeliz do pecado entrou na arca, sobreviveu ao dilúvio, foi espalhado em Babel, e estava em pleno vigor nas campinas do Jordão. E Deus voltou a agir com juízo.

Irmãos, não tem como o Santo Deus ficar inerte em relação ao pecado. Não tem como Ele fechar os olhos e viver como se nada estivesse acontecendo. Não seria justo.

Diz o salmista Davi: “O Senhor está no Seu santo templo; nos céus o Senhor tem o Seu trono; os Seus olhos estão atentos, as Suas pálpebras sondam os filhos dos homens” (Salmo 11:4).

Mas, a Lição não é sobre a destruição de Sodoma e Gomorra. É sobre uma chave que abre o nosso entendimento para o que está para ocorrer. O dilúvio nos mostrou que um juízo estava em andamento. Sodoma e Gomorra também mostraram isso. E tanto Noé quanto Ló foram os pregadores de Deus nesse período anterior à sentença final.

Na visão de Isaías 6, uma pergunta foi feita: “A quem enviarei, e quem há de ir por Nós?” Irmãos, que a nossa resposta seja exatamente a de Noé, a de Ló e a de Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.

“Mas a coisa vai ser feia! Como é que eu vou fazer isso?” — Irmãos, olhem para a chuva serôdia! Olhem para a chuva serôdia!!!

Antes da chuva do dilúvio, Noé foi encharcado pela chuva serôdia. Antes da chuva de fogo, Ló foi encharcado pela chuva serôdia.

(Por falar em Ló, uma sugestão: Paremos de falar mal de Ló. Na Bíblia, Deus Se refere a Ló como um homem “justo”. Devemos lembrar que as filhas dele eram virgens diante de um caos moral. E elas aprenderam a integridade de caráter com o pai e a mãe. E quanto a mãe delas, que era a esposa de Ló, lembremos das palavras de Paulo: “Quem está em pé, cuide para que não caia”).

Bem, Noé, Ló, Isaías, eu e todos vocês, todos somos pregadores da mensagem de salvação. Que privilégio!

(Deus Se arrepende? < Clique aqui >).

Prestem atenção nessa cronologia: em Gênesis 13, Ló vai morar em Sodoma, e lá vive sua vida íntegra. Passa um tempo e, no capítulo 14, a cidade é saqueada e seus moradores são levados cativos. Nesse episódio, Abraão intercede, guerreia em favor deles, vence, devolve tudo a todos, e não aceita recompensa. Que testemunho!

Nos capítulos 15, 16 e 17, a vida continua. Abraão peregrina, e nasce Ismael. Quanto tempo se passou? Não sabemos, mas foi um tanto. Pra se ter uma ideia, a circuncisão surgiu quando Ismael estava com 13 anos!  

Bem, é no capítulo 18 que Deus revela para Abraão a destruição das ímpias cidades da campina do Jordão. Portanto, reparem, depois de muitos anos de evangelização e de tolerância é que Deus chamou esse povo para um juízo; a misericórdia pleiteou por eles esses anos todos; Ló pregou para eles, e o fez através de seus lábios e vida justa; e Abraão havia sido prova de que existe um Deus que ajuda todos os que nEle confiam.

Irmãos, enquanto uns veem o fogo queimando, vejamos o seguinte: Foi dado tempo de graça para Sodoma e Gomorra; e, na véspera da destruição, Abraão perguntou para Deus, no verso 24 — “Se houver, por acaso, cinquenta justos na cidade, ainda assim destruirás e não pouparás o lugar por amor dos cinquenta justos que nela se encontram?” E Deus respondeu que pouparia, sendo que POR QUATRO VEZES Ele usou a expressão “por amor, pouparei” (versos 26, 29, 31 e 32).

E agora? Qual é a chave profética nessa história? A chave é: Deus sabe o que vai acontecer, e, para os que Lhe são fiéis, Ele revela os acontecimentos futuros; e estes, por sua vez, tendo recebido a revelação, por amor passam a ser mediadores; por amor suplicam por mais misericórdia; e por amor saem a pregar a respeito de uma salvação disponível.

(Que história é essa de “purgatório”? < Clique aqui >).

Nas Profecias do Livro de Daniel, vemos claramente que há um juízo em andamento; vemos que Deus está realizando um juízo. Mas, como esse juízo se desenrola? — Vocês querem saber? Se sim, olhem para o Santuário. Se não, não importa — o juízo está sendo feito mesmo assim.

O pecador arrependido levava uma oferta para o Santuário. No final da cerimônia, ele saía de lá perdoado; mas, o seu pecado “sujava” o recinto. E, num determinado dia do ano, o sumo sacerdote fazia a limpeza do local.

O nome desse dia é “dia da expiação”, dia da limpeza, dia do perdão. É a primeira fase do juízo, que é chamada de “juízo investigativo”. É a fase onde se investiga e resolve o problema do pecador “arrependido”. REPITO: onde se resolve o problema do pecador “arrependido” — do pecador que pediu perdão, que foi perdoado, que passou a viver uma nova vida. Esse juízo também é chamado de “juízo pré-advento”. Começou num determinado momento profético e acaba quando fecha a porta da graça. (Lembram da porta da arca sendo fechada?).

Bem, nós não somos chamados para “empurrar” as pessoas que estão na beira do barranco. Nosso papel não é dizer-lhes: “Já que vocês precisavam de um último incentivo para cair, ei-lo!” Não. Nós não somos chamados para aplicar a disciplina punitiva. Nosso papel é promover a disciplina redentiva. É orientar para que saiam da beira do barranco. Que venham para um lugar seguro. Que venham para o lado da salvação.

Irmãos, durante o juízo pré-advento, está ocorrendo o “evangelismo” pré-advento. Não é o chicote que resolve o problema do pecador. A solução está na cruz do Calvário. Está no sacrifício de Jesus. E é de Jesus que devemos falar a toda tribo, língua e nação.

(O que é pecado para a morte? < Clique aqui > e fique sabendo).

Como a Lição deve ser terminada? Percebi que a melhor maneira é usando o verso para memorizar, que antigamente era chamado de “verso áureo”: “¹¹ Estas coisas aconteceram com eles para servir de exemplo e foram escritas como advertência a nós, para quem o fim dos tempos tem chegado. ¹² Por isso, aquele que pensa estar em pé veja que não caia” (1Coríntios 10). 

Irmãos, é um privilégio ter sido alcançado pelo evangelho. Que alegria será encontrar quem evangelizou minha família lá atrás! Tempos difíceis, mas o evangelista se fez presente. E louvado seja Deus.

Outro privilégio é continuar espalhando o evangelho. Que alegria será, no dia da volta de Jesus, encontrar todos aqueles que ajudamos através da evangelização. Tempos gloriosos nos aguardam! E louvado seja Deus.

Deus nos abençoe.

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Lição 9 — Nos Salmos (parte 2) — Comentário da Lição da Escola Sabatina

Quando estudamos profecia, não demora muito e logo chegamos em Apocalipse 12:6, que diz — “E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus para que ali fosse alimentada durante os 1.260 (anos)”. Mas, antes de falar em profecia, vou fazer uso da clássica ilustração do copo que tem água pela metade: uns dizem que ele está quase vazio; outros, que ele está quase cheio.

Vocês sabiam que tem pregador que olha para o texto bíblico e diz que o copo está quase vazio? Adoram falar que Pedro quase morreu afogado, e ainda teve que ouvir Jesus lhe chamar de “homem de pequena fé”.

Ora, ora, ora! Antes de ouvir ser um “homem de pequena fé”, Pedro foi chamado por Jesus — e ser chamado por Jesus não é uma coisa qualquer. Não é um chamado sem fundamento. Jesus a ninguém chama para que se afunde nas águas agitadas da vida. Ocorre, porém, que a vida fora do Éden é cercada de águas agitadas, e se nelas nos afundarmos, temos a história de Pedro para nos confortar: Pedro clamou por socorro, e Jesus o ouviu; provavelmente bebeu alguns goles, mas pediu ajuda, e Jesus (que estava com ele nas águas agitadas) o ajudou. Disse Pedro: “Senhor, salva-me! E imediatamente, estendendo a mão, Jesus o salvou”.

Irmãos, a Bíblia não nos poupa de saber dos afogamentos de Pedro, Jacó, Davi, Manassés e outros tantos — mas ela também não economiza palavras para falar da estendida mão de Deus, pois, “onde abundou o pecado, superabundou a graça”.

Lamentavelmente, tem quem pegue as profecias e faça delas um chicote para amedrontar e ferir seus ouvintes. Dizem que o Espírito Santo vai sair do nosso planeta, e que o caldeirão vai ferver sete vezes mais. Irmãos, o mesmo Jesus que estendeu a mão para Pedro, o fez andar uma segunda vez sobre as águas agitadas, e o levou em segurança até o barquinho — e só então o mar se acalmou. O Espírito Santo vai sim estar com Seu povo até a consumação dos séculos. É incabível imaginar que Ele vai nos deixar sozinhos bem na hora em que a água está batendo no nariz.

A proposta da Lição é: nos Salmos, existem palavras de fé e segurança — vamos prestar atenção em tais palavras! Façamos uso das palavras dos Salmos durante o bater das águas. Lembremos que essas palavras foram “o alimento” da igreja perseguida durante os 1.260 anos da supremacia terrível e espantosa de Roma. E elas podem ser nossas também.

(Diferença entre o verdadeiro e o falso dom de falar idiomas.  — Clique aqui).

Olha essa maravilha! — “¹ Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. ² Portanto, não temeremos, ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ³ ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes estremeçam. ⁴ Há um rio, cujas correntes alegram a Cidade de Deus, o Santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; jamais será abalada. Deus a ajudará desde o romper da manhã. ⁶ Bramam nações, reinos se abalam. Deus faz ouvir a Sua voz, e a terra se dissolve. ⁷ O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. ⁸ Venham contemplar as obras do Senhor, que tem feito desolações na terra. ⁹ Ele faz cessar as guerras até os confins do mundo, quebra o arco e despedaça a lança; queima os carros no fogo. ¹⁰ ‘Aquietem-se e saibam que Eu sou Deus; Sou exaltado entre as nações, Sou exaltado na terra’. ¹¹ O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio” (Salmo 46).

Pelas profecias, sabemos que as tribulações virão. Pelo hino 46 do Livro dos Salmos, sabemos que Deus vai estar presente nas tribulações (Até a consumação dos séculos!). Não passaremos um segundo sequer sem Aquele que é o nosso Refúgio e Fortaleza.

Esse Salmo é maravilhoso. Nele, o salmista fala que Deus é o nosso socorro bem presente. Mas, no verso 10, o próprio Deus é quem nos fala — e Ele nos fala o seguinte: “Aquietem-se”; tenham calma; fiquem tranquilos; aguardem e confiem.

Irmãos, “há um rio, cujas correntes alegram a Cidade de Deus, o Santuário das moradas do Altíssimo” — e é pra lá que nós estamos indo.

(Glossolalia. — Clique aqui e estude sobre o dom de línguas).

Em Daniel 2, temos o esquema profético da Bíblia. Numa estátua, temos a representação dos sucessivos reinos terrestres. Interessante é que a cabeça perde para o peito, que perde para a cintura, que perde para as pernas. Isso é muito interessante! Um ganha do outro, mesmo sendo mais fraco.

O ouro perde para a prata, que perde para o bronze, que perde para o ferro, que, por último, fica misturado com o barro. Pelo olhar meramente humano, isso é difícil de acreditar, mas, assim foi previamente revelado, e a história comprovou ter sido assim.

Em Daniel 7, o leão perde para o urso, que perde para o leopardo, que perde para um animal muito do estranho. Mas, nenhum deles perdeu sem lutar. E quem ganhou, ganhou lutando.

Essa “luta”, a Lição chama de “turbulência”. É o mar agitado. São as confusões que a natureza humana pecaminosa é especialista em fazer e refazer.

Jeremias 4 diz assim: “²³ Olhei para a terra, e eis que ela estava sem forma e vazia; olhei para os céus, e eles não tinham luz. ²⁴ Olhei para os montes, e eis que tremiam; e todas as colinas estremeciam. ²⁵ Olhei, e eis que não havia ninguém, e todas as aves dos céus haviam fugido. ²⁶ Olhei ainda, e eis que a terra fértil era um deserto, e todas as suas cidades estavam derrubadas em ruínas diante do Senhor, diante do furor da Sua ira”.

Mas, por que esse texto de Jeremias está na Lição, se a Lição é sobre os Salmos? Será que é para assustar? Não, não é para assustar. É para dizer que, o que está para acontecer, já é de conhecimento de Deus. Nada acontece sem Ele saber. E, por saber, Ele já tomou providências. Os Seus filhos serão amparados. Ele vai cuidar de cada um dos que Lhe pertencem.

O Salmo 46, que já lemos no início, começa com “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”. No meio, diz que “O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio”. E finda repetindo a introdução: “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações”(versos 1, 7 e 11). Irmãos, é amparo o tempo todo — amparo antes, durante e depois.

(Alberto Timm fala sobre “novas línguas”. — Clique aqui e veja).

Na noite de Sua última quinta-feira, no cenáculo, Jesus disse que não deveríamos nos preocupar. Ele iria para o Céu, prepararia morada, e voltaria para nos buscar (João 14).

Suas palavras, como já sabemos, estão em vigor. Morreu, ressuscitou, e já está no Céu. Lá, como também já sabemos, está terminando o preparo das últimas moradas. Mas, o que deve nos chamar a atenção é: Jesus, o nosso representante, já está com os pés no Céu. E, na cultura hebraica, pôr os pés num lugar significa “posse”, “direito de propriedade”. Equivale dizer: “Estou com a escritura, com todos as assinaturas e carimbos. Esse lugar é meu”. Portanto, legitimamente, o Céu é de Jesus. Ele lá pode habitar.

Na profecia de Daniel 2, o último reino é o Reino Eterno. É o Reino que tem aos seus pés todos os demais reinos. É o Reino vitorioso. É a Pedra celestial que esmiuça a estátua inteira, e a faz pó; que acaba com os animais, não deixando um chifrinho sequer de lembrança.

Em Zacarias 14:4, está escrito — “Naquele dia, estarão os Seus pés sobre o Monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém”. Esta cena tem a ver com o final do milênio, e a descida da Cidade Santa, e a eliminação do pecado e dos pecadores para todo o sempre. “E o SENHOR será Rei sobre toda a Terra; naquele dia, um será o SENHOR” (verso 9).

Dentro da Cidade, com Jesus, todos os salvos; todos os que foram perdoados por Ele. E, com Ele, momentos depois, todos iremos pôr os pés na nova Terra. Por Jesus, o Céu é nosso, a Terra é nossa!

Irmãos, essa vitória era cantada pelos israelitas. É o Salmo 47 — “¹ Batam palmas, todos os povos; aclamem a Deus com vozes de júbilo. ² Pois o Senhor Altíssimo é tremendo, é o grande Rei de toda a Terra. ³ Ele nos submeteu os povos e pôs as nações debaixo dos nossos pés. ⁴ Escolheu para nós a nossa herança, a glória de Jacó, a quem Ele ama. ⁵ Deus subiu em meio a aclamações, o Senhor, ao som de trombeta. ⁶ Cantem louvores a Deus, cantem louvores; cantem louvores ao nosso Rei, cantem louvores. ⁷ Deus é o Rei de toda a Terra; cantem louvores com harmonioso cântico. ⁸ Deus reina sobre as nações; Deus Se assenta no Seu santo trono. ⁹ Os príncipes dos povos se reúnem com o povo do Deus de Abraão, porque a Deus pertencem os escudos da Terra; Ele Se exaltou gloriosamente”.

(Deus quer que eu trabalhe por minhas próprias forças? — Clique aqui e saiba).

No início da Lição, usamos um copo como ilustração — uma taça. Imaginem muitas pessoas com a taça na mão, cheia com a bebida oferecida pelo anfitrião, que é o primeiro a levantá-la, saudando todos os seus convidados. À uma só voz, todos respondem: Saúde! Salve! Tim-tim!

Esta cena é usada por Deus. Ele a toma para ilustrar uma situação. Pode ser uma situação positiva, com todos os que estão nas bodas do Cordeiro. A comemoração é de vitória. A satisfação é plena. Mas, pode também ser uma situação negativa, de juízo, de condenação. Todos os que insistem no caminho do pecado, resistindo a voz do Espírito Santo, significando com isso que estão recusando a salvação, todos beberão o cálice “do vinho da ira de Deus” — ou seja, sofrerão o juízo; colherão os espinhos que plantaram; pagarão o preço da desobediência.

No entanto, devo eu ameaçar alguém com essa ilustração? Não. Não devo. O que preciso fazer é mostrar Isaías 6, quando o profeta, ao ter uma visão de Deus, ouve os anjos dizerem “Santo, Santo, Santo é o SENHOR”, e ele, Isaías, diante desse confronto, reconhece sua pecaminosidade. Ou seja, o remédio para o pecador não é ser confrontado com seus pecados e nem ser ameaçado com o “vinho da ira de Deus”. Ameaças não salvam. O remédio é colocá-lo diante do Trono de Deus. Mostrar-lhe a vida santa de Jesus, vida que Ele colocou na cruz em favor da nossa salvação. O que salva é o imaculado sangue do Cordeiro.

Mas esse remédio amargo não está no Apocalipse? Não, não está, porque isso não é remédio. O que está no Apocalipse como remédio é o Evangelho Eterno. E é esse Evangelho Eterno que nós devemos levar ao pecador, a fim de que se arrependa, e volte para Deus, que é rico em perdoar.

(A ambição dos crentes. — Clique aqui e confira).

Em João 5:17, Jesus falou de Sua eterna disposição: “— Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também”.  Mas, lá em Gênesis 12, quando chamou Abraão, disse que este deveria trabalhar também. E muito! “² Farei de você uma grande nação, e o abençoarei, e engrandecerei o seu nome. Seja uma bênção!…  ³ Em você serão benditas todas as famílias da Terra”.

E quando vamos para o Apocalipse, nós somos os trabalhadores. De graça recebemos, de graça compartilhamos. E quando chegar o grande Dia, veremos que todos os esforços evangelísticos valeram a pena. Faremos parte de uma grande multidão. Incontável multidão.

Os israelitas cantavam esse assunto através do Salmo 67, que diz: “¹ Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o Seu rosto; ² para que se conheça na Terra o Teu caminho e, em todas as nações, a Tua salvação”.

Irmãos, é um privilégio fazer parte de um povo que recebe a chuva serôdia para fazer exatamente o que os discípulos fizeram quando receberam a chuva temporã. É um privilégio! Essa é a maior obra dada a um ser humano. Uma obra sem igual!

Todo verdadeiro discípulo nasce no Reino de Deus como missionário. Aquele que bebe da água viva torna-se uma fonte de vida. O recebedor torna-se doador” (O Desejado de Todas as Nações, p. 146). 

(Glorificar a Cristo. — É ver e conferir. Clique aqui).

“Como sai o Sol em sua missão de amor, desvanecendo as sombras da noite e despertando o mundo para a vida, assim os seguidores de Cristo devem ir em sua missão, difundindo a luz do Céu sobre os que se encontram nas trevas do erro e do pecado.

Na luminosidade da manhã, destacavam-se nitidamente as cidades e aldeias situadas nos montes ao redor, tornando-se num atrativo aspecto do cenário. Apontando-as, disse Jesus: Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte. E acrescentou: Nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa (Mateus 5:14 e 15). A maioria dos que ouviam a Jesus, eram camponeses e pescadores, cujas humildes habitações consistiam apenas em um aposento, no qual a única lâmpada, em seu velador, iluminava a todos os que estavam na casa. Assim, disse Jesus: Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus (Mateus 5:16).

Nenhuma outra luz brilhou nem brilhará jamais sobre os homens caídos, a não ser aquela que dimana de Cristo. Jesus, o Salvador, é a única luz que pode iluminar a escuridão de um mundo imerso no pecado. A respeito de Cristo está escrito: A vida estava NEle e a vida era a luz dos homens (João 1:4). Foi recebendo de Sua luz que os discípulos se puderam tornar portadores de luz. A vida de Cristo na alma, Seu amor revelado no caráter, torná-los-ia a luz do mundo” (O Maior Discurso de Cristo, págs. 39 e 40).

Deus nos abençoe.

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