Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 9 – Apelo pastoral de Paulo – Ligado na Videira – 19 a 26 de agosto

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 9

(19/08) – Sábado introdução

Paulo foi um pastor apaixonado pela igreja de Cristo. Amava o povo de Deus. Valorizava tanto o sacrifício de seu Salvador, mas tanto, que se empolgava diante daquelas pessoas por quem Ele havia morrido.

De certo, dizia para si mesmo: “O Senhor ama tanto essas pessoas! Essas pessoas são tão amadas por Ele! Sabe de uma coisa, eu vou fazer de tudo – mas de tudo mesmo – para que essas pessoas saibam sobre Jesus e entreguem os seus corações a Ele! Vou fazer de tudo para que elas vivam para Ele!

Irmãos, por quantas experiências Paulo deve ter passado na vida, para, somente depois disso, ter escrito sua Carta aos Gálatas? Desde sua própria conversão, por quantas batalhas será que ele passou – e o quanto cada uma delas o aproximou mais e mais de Deus? Quantas páginas será que tinha no curriculum do “pastor” Paulo?

Irmãos, uma coisa é falar sobre o salmo do bom Pastor. Outra bem diferente é falar sobre o bom Pastor do salmo! Quanta diferença! Até o jeito de “falar” é diferente!

A Lição desta nova semana levanta o nosso estudo para um patamar mais acima. Bem acima! Nela, veremos Paulo – depois de haver explicado o evangelho para os gálatas – apelando para que os gálatas “retornassem” para o evangelho; para que eles voltassem a ter uma experiência real com Cristo Jesus; que reconsiderassem os rumos que estavam seguindo! Paulo realmente acreditava que Cristo não havia desistido dos gálatas!

Bem, é sobre isso que faremos as nossas considerações. Que Deus nos guie. Oremos por isso. Que Ele oriente a nossa mente, a nossa compreensão.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

(20/08) – Domingo – O coração de Paulo.

Hoje, ainda usamos a expressão “pai” e “filho” espiritual. Há uma consideração positiva entre o aluno e o seu instrutor bíblico. Quando este “filho” é batizado, com alegria escolhe o “pai” para sair na fotografia; com lágrimas nos olhos, escolhe o “pai” para lhe entregar o Certificado de Batismo. Entende que quem lhe salva é Jesus Cristo, mas, com a voz embargada, revela seu apreço pela pessoa que o encaminhou para Cristo. E o abraço entre eles é inigualável!

Mas, sabiam que é possível acontecer algo negativo nessa relação?

Ora, depois de tanto empenho – e, quem sabe, algum sofrimento – o “pai” espiritual pode ser levado ao inconformismo diante da realidade do “filho” estar voltando para a escravidão. Sendo que há alegria no Céu por um pecador que se arrepende, o “pai espiritual” se entristece sobremaneira diante do retorno do “filho” às práticas anteriores.

Em relação ao que estava acontecendo na igreja primitiva, Paulo abriu o seu coração diante dos gálatas, dizendo: “Me vejo perplexo a vosso respeito” – “De novo, [por vocês] sofro as dores de parto” (Gálatas 4:20 e 19).

E como se tivesse aberto pouco o seu coração, abriu um tanto a mais, arrematando assim: “Pudera eu estar presente, agora, convosco e falar-vos em outro tom de voz” – ou seja, “eu gostaria de estar frente a frente com vocês, respondendo toda e qualquer dúvida, e não falaria apenas no tom que estou escrevendo – não apenas em tom de queixa – não apenas em tom de censura – mas falaria bem mais sobre a confiança que tenho em nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e que eu gostaria que vocês voltassem a experimentar semelhante confiança” (Gálatas 4:20).

Irmãos, tal qual Paulo, nós também devemos manifestar o desejo de que os errantes voltem para Jesus. Nenhuma palavra de correção deve ser proferida sem misericórdia. O nosso coração deve revelar para as pessoas que está repleto do amor de Deus.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

(21/08) – Segunda – O desafio da transformação.

Um israelita, pelo “ato” da circuncisão (pela “prática”, pela “obra”, pela “feitura” da circuncisão), se “identificava” com Abraão. Paulo, inclusive, foi um dos “feitores” que se “identificavam” com o patriarca Abraão.

Desde quando trabalhou pessoalmente entre os gálatas, e agora através da Carta, Paulo afirma que a sua vida sofreu uma transformação enorme – mas enorme mesmo! Ele havia sido um excelente fariseu, ou seja, um excelente guardador da lei cerimonial, das tradições, e até mesmo da Lei Moral – mas, agora, encontrava sentido para a sua vida somente no que Cristo havia “feito” por ele. Ele se “identificava” com Cristo não pelo que havia “feito” para Cristo, mas pelo que Cristo havia “feito” por ele.

Por isso, em Gálatas 4:12, o apóstolo apela para a igreja com as seguintes palavras: “Sede qual eu sou” – ou seja, “não sejam como eu fui, mas como sou agora” – “não sejam como o judaísmo quer que vocês sejam, mas como o cristianismo explica” – “eu achava que a minha observância da Lei era o que importava, mas agora entendo que apenas a obra de Cristo é suficiente para a minha salvação”.

A verdadeira circuncisão que o Céu deseja é aquela que transforma a vida da pessoa – aquela que constrange as pessoas a reconhecerem que o Espírito Santo realizou Sua santa obra no coração do crente, e a exclamarem: “Este esteve com Jesus Cristo”.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

(22/08) – Terça – Eu me tornei como vocês.

Na Nova Versão Internacional, Gálatas 4:12 diz assim: “Eu lhes suplico, irmãos, que se tornem como eu, pois eu me tornei como vocês”.

Bem, se na primeira parte do verso Paulo está dizendo “não sejam como eu fui, mas como sou agora”, na segunda, ele está afirmando que deixou o legalismo israelita para ter um relacionamento com Cristo da mesma maneira que eles, gentios conversos, tinham: pela fé.

Paulo abandonou todo preconceito do judaísmo para viver entre os gentios conversos, da mesma forma que estes viviam: pela fé.

O apóstolo jamais se associou e jamais se associaria com alguém de forma a violar os princípios bíblicos. Sua contextualização ao grupo por quem trabalhava não considerava viver de maneira diferente da que havia aprendido em Cristo Jesus. E no território da salvação, nunca retornaria para a justificação pelas obras.

Gálatas 4:12, portanto, nada tem a ver com rebaixar normas em nome de se tornar fraco para estar com os fracos, mas, sim, indicar que Paulo usou um toque irônico para fazer um apelo: “Suplico que se tornem como eu (crente na justificação pela fé), assim como eu me tornei como vocês (que até dia desses viviam pela fé em Jesus Cristo).

Irmãos, na preparação para o apelo pastoral, Paulo está conduzindo a conversa para o seguinte ponto: Estivemos unidos em Cristo Jesus – vamos permanecer nEle!

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

(23/08) – Quarta – Naquele tempo e agora.

Diante das dificuldades dos gálatas naquele exato momento, Paulo não os abandonou. Poderia ter agido com desprezo e gastar suas energias em novos lugares. Mas não fez assim. Preferiu, de forma cristã, relembrar um carinho deles para com ele no passado. Buscou tocar no sentimento deles – sensibilizar o coração deles.

Ao que parece, o apóstolo esteve doente – o que, tanto na visão judaica quanto na do paganismo, indicava que Deus, ou os “deuses”, estavam irados com ele – ou seja, que ele não era um mensageiro abençoado, não era um sujeito bem-vindo. No entanto, os gálatas se demonstraram acima dessa infeliz maneira de enxergar a situação, e lhe estenderam as mãos. Eles, no passado, cuidaram de Paulo.

Agora, diante de uma doença espiritual que se manifestava entre os gálatas (buscar salvação através das obras), Paulo estende a mão para eles também – e o faz com o interesse que recuperem a saúde – a saúde espiritual.

Sua Carta, então, precisa ser vista como uma tentativa de resgatar a confiança dos gálatas no ministério e no sacrifício de Jesus Cristo. Chama a atenção deles – repreende a todos eles – mas o faz para que volte a existir alegria no Céu por um pecador que se arrepende. Em cada um dos versos dessa Carta, precisamos ver a “misericórdia” trabalhando com todos os argumentos necessários.

Irmãos, oremos mais uns pelos outros. Oremos pelas necessidades físicas e materiais, mas, principalmente, pela saúde espiritual um do outro. Oremos para que todos vivam a salvação que já está garantida na cruz do Calvário

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

(24/08) – Quinta – Falando a verdade.

Somos chamados a falar a verdade – não, porém, sem o mesmo sentimento que havia em Jesus Cristo: amor.

“Grande tato e sabedoria são necessários no trabalho de ganhar almas. O Salvador nunca suprimiu a verdade, mas disse-a sempre com amor. Em Suas relações com outros, exercia o máximo tato, e era sempre bondoso e cheio de cuidado. Nunca foi rude, nunca proferiu desnecessariamente uma palavra severa, não ocasionou jamais uma dor desnecessária a uma alma sensível. Não censurava a fraqueza humana. Denunciava destemidamente a hipocrisia, a incredulidade, e a iniquidade, mas havia lágrimas em Sua voz ao proferir Suas esmagadoras repreensões. Nunca tornava a verdade cruel, porém manifestava profunda ternura pela humanidade. Toda alma era preciosa aos Seus olhos. Conduzia-Se com divina dignidade; inclinava-Se, todavia, com a mais terna compaixão e respeito para todo membro da família de Deus. Via em todos, almas a quem tinha a missão de salvar” (Obreiros Evangélicos, pág. 117).

“Aprenda cada pastor a usar os sapatos do evangelho. Quem está calçado com a preparação do evangelho da paz, andará como Cristo andou. Poderá proferir palavras adequadas, e fazê-lo com amor. Não buscará incutir pela força a divina mensagem da verdade. Tratará com ternura cada coração, reconhecendo que o Espírito imprimirá a verdade nos que são susceptíveis às impressões divinas. Nunca terá maneiras impetuosas. Toda palavra que proferir exercerá influência suavizante e subjugante.

Ao proferir palavras de reprovação, ponhamos na voz toda a ternura e amor cristãos possíveis. Quanto mais elevada for a posição de um ministro, tanto mais circunspecto deve ele ser em palavras e atos” (Evangelismo, pág. 174).

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

(25/08) – Sexta conclusão

“Devemos crescer diariamente em amabilidade espiritual. Havemos de falhar muitas vezes em nossos esforços por copiar o Modelo divino. Muitas vezes havemos de prostrar-nos em pranto aos pés de Jesus, por motivo de nossas faltas e erros; mas não nos devemos desanimar; cumpre orar mais fervorosamente, crer mais plenamente, e de novo tentar, com mais constância, crescer na semelhança de nosso Senhor” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 337).

“Cristo ligou Seus interesses aos da humanidade e pede-nos que nos identifiquemos com Ele em prol da salvação das pessoas. ‘De graça recebestes’, diz Ele, ‘de graça dai’. O pecado é o maior de todos os males, e devemos ter compaixão do pecador e ajudá-lo. Muitos erram e sentem sua vergonha e loucura. Estão sedentos de palavras de ânimo. Pensam em suas faltas e erros a ponto de serem quase arrastados ao desespero. Não devemos negligenciar essas pessoas. Se somos cristãos, não passaremos de longe, mantendo-nos o mais distante possível daqueles mesmos que mais necessidade têm de nosso auxílio. Ao vermos pessoas em aflição, seja devido a infortúnio, seja por causa de pecado, não digamos nunca: ‘Não tenho nada com isso’.

‘Vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura’ (Gálatas 6:1). Faça, pela fé e pela oração, o poder do inimigo recuar. Profira palavras de fé e de ânimo, que serão como bálsamo eficaz para os quebrantados e feridos. Muitos têm desfalecido e perdido o ânimo na luta da vida, quando uma bondosa palavra de estímulo os haveria revigorado. Nunca devemos passar por uma pessoa sofredora sem buscar comunicar-lhe o conforto com que nós mesmos somos por Deus confortados” (O Desejado de Todas as Nações, págs. 504 e 505).

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

Publicado em a lição da semana, Comentário da Lição da Escola Sabatina, Ligado na Videira | Marcado com , , , | Deixe um comentário

Comentário da Lição da Escola Sabatina- Lição 8 – De escravos a herdeiros – Ligado na Videira – 12 a 19 de agosto de 2017

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 8

(12/08) – Sábado – introdução

Em 1517, Martinho Lutero deu início ao que é chamado de Reforma Protestante. Assim é denominado porque foi “corrigida”, foi “reformada” uma linha de pensamento teológico: não recebemos a salvação pelas obras, mas pela fé – a salvação pela fé.

Agora, em homenagem aos 500 anos de Reforma, estamos estudando o Livro bíblico que mudou a mente de Lutero: a Carta de Paulo aos Gálatas – “O Evangelho em Gálatas”. Findando o trimestre atual, o tema vai continuar o mesmo. Muda o trimestre, mas continua o mesmo assunto. Vamos emendar com a Carta de Paulo aos Romanos – “Salvação somente pela fé: o Livro de Romanos”.

Isso é inédito! Especial! Havíamos estudado “Romanos” no 3º trimestre de 2010 e “Gálatas” no 4º trimestre de 2011. Agora, “Gálatas” + “Romanos” juntinhos, na sequência.

Bem, por outro lado, além de homenagem, isso significa que o tema é importante. Importantíssimo! Se é verdade que nascemos “pecadores” porque somos filhos de Adão, também é verdade que nascemos “salvos” porque somos filhos de Deus. A “Promessa” contada a Abraão era uma repetição da que havia sido contada e garantida por Deus a Adão. Portanto, tanto faz dizer que somos “herdeiros de Abraão” ou “herdeiros de Adão”. Ao sair do Paraíso, Adão e Eva viveram na absoluta confiança de que Deus é Fiel. Deus garantiu a salvação na pessoa do Descendente – e todos os que quiseram assim viver durante o Velho Testamento, viveram como herdeiros da salvação que viria a ser consumada pelo Descendente – pelo Messias – pela segunda Pessoa da Divindade.

Especificamente a respeito de Abraão, ele viveu “vendo” a salvação em Jesus Cristo – o seu inigualável Descendente, e isso lhe foi imputado como justiça. Pela obediência futura de Jesus, o Justo, Abraão foi considerado justo antecipadamente. Pelo perdão a ser consumado na cruz, Abraão foi perdoado já em seus dias. Só depois de uns dois mil anos é que o depósito foi feito, mas na sua conta já havia o crédito.

Abraão, como herdeiro convicto, “desfrutou” a salvação. E as suas obras assim testificavam.

Quanto a cruz do Calvário, ali ocorreu a consumação propriamente dita. Algo físico. Real. Pontual. No entanto, lembremos que as pessoas do Velho Testamento já nasciam salvas em Jesus Cristo porque Ele era o Cordeiro morto antes da fundação do mundo. Pela fiel promessa de Deus, desde o instante em que Adão pecou, a humanidade vivia graças ao Plano da Redenção.

Irmãos, esse é o Evangelho pregado por Paulo. O Evangelho do Velho Testamento. O Evangelho do Novo Testamento. O Evangelho na Carta aos Gálatas.

Por obra do Espírito Santo, Paulo ensinou o que já era de conhecimento dos antigos. Apenas deu brilho onde os homens haviam colocado uma nuvem escura. Tirou a nuvem. Desembaçou.

Bem, além de “salvação”, temos falado de “fé”, de “Lei”, de “obras”, e de outras palavrinhas a mais. Cada uma delas dentro do seu respectivo papel no Plano da Redenção. A “salvação” nos é dada por Jesus Cristo, mas a fé, a Lei, as obras e as outras palavras têm as suas respectivas importâncias. Nesta semana, outras palavras surgem: “escravidão”, “adoção”, “herdeiros”. E sobre estas faremos as nossas considerações.

Deus nos guie!

Permitam-me indicar a seguinte leitura: Maravilhosa Graça de Deus, pág. 21 (meditação Matinal de 15/01/1974) – clique aqui. 

(13/08) – Domingo – Nossa condição em Cristo.

Quando Adão pecou, foi aberto um abismo entre nós e Deus. Nos tornamos a ovelha perdida; a desgarrada. Nos separamos do continente; nos tornamos uma ilha.

Mas, instantaneamente, Jesus Cristo estendeu o Seu braço, e nos puxou de volta; nos resgatou. Em Sua infinita graça e misericórdia, Ele não nos abandonou; não nos deixou como brinquedo nas mãos do inimigo.

“No momento em que o homem se rendeu à tentação de Satanás, e fez precisamente o que Deus lhe dissera para não fazer, Cristo – o Filho de Deus – esteve de pé entre os mortos e os vivos, dizendo: ‘Caia sobre Mim a penalidade. Ficarei em lugar do homem. Ele terá outra oportunidade’.

Logo que surgiu o pecado, surgiu um Salvador… Assim que Adão pecou, o Filho de Deus ofereceu-Se como penhor em favor da humanidade, com tanta espontaneidade para desviar a condenação pronunciada sobre o culpado, como quando morreu na cruz do Calvário” (A Fé Pela Qual Eu Vivo, pág. 75 – Meditação Matinal de 10/03/1959).

“A salvação da humanidade sempre fora objeto de consideração nos concílios do Céu. O concerto de misericórdia fora feito antes da fundação do mundo. Existiu por toda a eternidade, e é chamado o concerto eterno. Tão certo como nunca houve um tempo em que Deus não existisse, nunca houve também um momento em que não fosse o deleite da Mente Eterna manifestar Sua graça à humanidade”. […]

“Cristo não estava só ao realizar Seu grande sacrifício. Era o cumprimento do concerto feito entre Ele e Seu Pai antes que se estendessem os fundamentos do mundo. Com mãos unidas associaram-se num solene pacto pelo qual Cristo Se tornaria fiador da humanidade caso fosse ela vencida pelo engano de Satanás” (A Fé Pela Qual Eu Vivo, pág. 76 – Meditação Matinal de 11/03/1959).

Irmãos, o título da Lição de hoje é “Nossa condição em Cristo”. Que condição! Que extraordinária condição! NEle, novamente ficamos em paz com Deus. NEle, novamente podemos chamar Deus de Pai.

“Mediante a justiça de Cristo compareceremos perdoados diante de Deus, como se nunca tivéssemos pecado” (Cristo Triunfante, pág. 25 – Meditação Matinal de 19/01/2002).

“Quando o inspirado apóstolo João contemplou a altura, a profundidade e a amplidão do amor do Pai para com a raça perdida, foi possuído de um espírito de adoração e reverência; e, não podendo encontrar linguagem apropriada para exprimir a grandeza e ternura desse amor, chamou para ele a atenção do mundo. ‘Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus’” (Maravilhosa Graça de Deus, pág. 186 – Meditação Matinal de 29/06/1974).

É por isso que Paulo, de forma bastante apropriada, diz: “De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (Gálatas 4:7).

Sugerimos a seguinte leitura adicional: Maravilhosa Graça de Deus, pág. 51 (Meditação Matinal de 14/02/1974) – clique aqui. 

(14/08) – Segunda – Escravizados aos princípios elementares.

Bem, a condição de Adão e de todos os seus descendentes, durante o Velho Testamento, era assim, conforme ilustrou Paulo:

Durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, ainda que seja senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai. Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a Lei, para resgatar os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de Seu Filho, que clama: ‘Aba, Pai!’ De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus” (Gálatas 4:1 a 7).

Ora, se o filho do proprietário de uma fazenda é o seu herdeiro legítimo, mas, por ser criança, ainda não pode ter autoridade sobre ela – o que, nesse aspecto, o iguala ao escravo – até que venha a sua maioridade – da mesma forma, todas as pessoas do Velho Testamento necessitavam que viesse o Messias. Foi só a partir da cruz do Calvário que todos efetivamente assumiram a condição de herdeiros legítimos. Eram herdeiros potenciais. Passaram a ser herdeiros de fato.

E como não podemos nos afastar da questão histórica, lembremos do seguinte: Paulo estava explicando que somos salvos não porque somos herdeiros de Abraão, mas de Cristo. Abraão representa o tempo em que éramos o herdeiro menor de idade. Em Cristo, alcançamos a maioridade – o filho que “pode” tomar posse de sua legítima herança.

Agora, olhando de trás para frente, Paulo questionava os insensatos gálatas: Por que deixar de ser um herdeiro legítimo e voltar para a condição de criança, que equivalia a de um escravo, no sentido de não poder tomar posse da herança? Para que voltar a ficar escravizado aos princípios elementares?

(15/08) – Terça – Deus enviou Seu Filho.

Vindo a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho”.

“O tempo exato da vinda do Messias havia sido predito pelos profetas. Nos concílios do Céu, o tempo desse evento tinha sido predeterminado. Não só o Messias veio no tempo indicado na profecia de Daniel, como veio no momento favorável em toda a história. O mundo estava em paz, sob um só governo. As viagens por terra e mar eram relativamente seguras e rápidas. Havia uma língua universal, o grego. As Escrituras estavam disponíveis em grego havia cerca de 200 anos. Muitos estavam insatisfeitos com suas crenças religiosas e estavam ansiosos pela verdade sobre a vida e o destino humano. Os judeus estavam dispersos por toda a parte e, apesar de suas imperfeições, davam testemunho do Deus verdadeiro. De todas as partes do mundo, iam a Jerusalém para participar das festas, e poderiam levar consigo, ao retornarem, a notícia da vinda do Messias. Deus não poderia ter escolhido lugar nem tempo mais propícios para lançar a mensagem do evangelho ao mundo do que a Palestina naquele período da história.

A palavra ‘plenitude’ também implica que todos os eventos preditos que precederiam o advento tinham se cumprido ou estavam a ponto de se cumprir. Deus é perfeito em sabedoria e conhecimento, e temos razão para crer que todos os acontecimentos em Seu grande plano cósmico terão lugar na ordem e nos tempos indicados. Essa precisão é evidente em toda a criação, desde o movimento dos planetas e estrelas até a estrutura do menor dos átomos. Não há razão válida para se duvidar de que exista a mesma precisão no grande plano de Deus para salvar a humanidade” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 6, pág. 1068).

(16/08) – Quarta – Os privilégios da adoção.

Dentro do contexto, em que a Lei era tutora, e o pecador era escravo, Paulo fez uso da palavra “resgatar” (Deus enviou Seu Filho … para resgatar os que estavam sob a Lei), com a intenção de evidenciar o fato de que Deus deu o Seu Filho para “comprar de volta” todos os seres humanos.

O maior prejuízo de Adão foi a perda da familiaridade com Deus. Isso é algo terrível! Ele e todos nós, seus descendentes, nos tornamos reféns de uma dívida impagável por nós mesmos. Porém, Deus, na pessoa do Senhor Jesus, Se apresentou como “Pagador” – sendo que a Sua própria vida era o “valor” requerido.

Irmãos, nós estamos falando da “vida de Deus”! A vida “dEle” pela “nossa”!

Bem, também dentro do contexto, Paulo ensina que, pelo fato de Jesus nos ter comprado de volta, voltamos à condição original de Adão. Voltamos a ser “filhos”. Em Cristo, readquirimos todos os direitos de um filho herdeiro.

Paulo diz que recebemos a “adoção de filhos” –  que somos filhos – e que podemos chamar Deus de “Pai”.

É por isso que a Lição de amanhã (quinta) usa como título a seguinte pergunta: “Por que voltar à escravidão?

(17/08) – Quinta – Por que voltar à escravidão?

“O amor de Deus para com a raça caída é insondável, indescritível, sem paralelo. Este amor O levou a consentir em dar o Seu único Filho para morrer, a fim de que o homem rebelde pudesse ser posto em harmonia com o governo do Céu, e ser salvo da penalidade da transgressão. O Filho de Deus desceu de Seu trono real, e por nosso amor tornou-Se pobre, para que por Sua pobreza enriquecêssemos. Ele se tornou um ‘Homem de dores’, a fim de que pudéssemos ser participantes de Sua alegria eterna. … Deus permitiu que Seu amado Filho, cheio de graça e de verdade, viesse de um mundo de indescritível glória, para um mundo manchado e poluído pelo pecado, envolvido na sombra da morte e da maldição. […]

Ao tomar a nossa natureza, o Salvador ligou-Se à humanidade por um laço que jamais se partirá. Ele nos estará ligado por toda a eternidade. … Deus adotou a natureza humana na pessoa de Seu Filho, levando a mesma ao mais alto Céu. É o ‘Filho do homem’, que partilha do trono do Universo. … Em Cristo se acham ligadas a família da Terra e a do Céu. Cristo glorificado é nosso irmão. O Céu Se acha abrigado na humanidade, e esta envolvida no seio do Infinito Amor” (Maravilhosa Graça de Deus, pág. 77 – Meditação Matinal de 12/03/1974).

“Se há alguém que devia ser continuamente agradecido, é o seguidor de Cristo. Se há alguém que frua felicidade real, mesmo nesta vida, é o fiel cristão. … Se apreciamos ou temos qualquer senso de quão cara foi comprada nossa salvação, tudo quanto chamamos sacrifício perderá todo significado” (Nossa Alta Vocação, pág. 199 – Meditação Matinal de 14/07/1962).

(18/08) – Sexta – conclusão

“Antes que os fundamentos da Terra fossem lançados foi feito o concerto, segundo o qual, todos os que fossem obedientes, todos os que mediante a abundante graça provida se tornassem santos no caráter e sem mácula diante de Deus por se apropriarem dessa graça, deviam ser filhos de Deus. […]

Tudo devemos à graça, abundante graça, graça soberana. A graça no concerto ordenou nossa adoção. A graça no Salvador, efetuou nossa redenção, regeneração e adoção a coerdeiros de Cristo. Manifeste-se aos outros esta mesma graça. […]

Ao crermos plenamente que somos Seus por adoção, podemos ter um antegozo do Céu. […] Temos afinidade com Ele, e com Ele podemos manter doce comunhão. Obtemos clara visão de Sua compaixão e bondade, e nosso coração é quebrantado e abrandado pela contemplação do amor que nos é concedido. Sentimos de fato um Cristo permanente na vida. E nós permanecemos nEle, e sentimo-nos em família com Jesus. […] Temos um compreensivo senso do amor de Deus, e repousamos em Seu amor. Nenhuma linguagem pode descrevê-lo, pois está além do entendimento. Somos um com Cristo, nossa vida está escondida com Cristo em Deus. Temos a garantia de que quando Aquele que é a nossa vida Se manifestar, também nós nos manifestaremos com Ele em glória. Com forte confiança podemos chamar a Deus de nosso Pai. […]

Todos quantos nasceram na família celestial, são em sentido especial irmãos de nosso Senhor. O amor de Cristo liga os membros de Sua família, e onde quer que esse amor se manifeste, aí se revela a relação divina” (Maravilhosa Graça de Deus, pág. 52 – Meditação Matinal de 15/02/1974).

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

Publicado em a lição da semana, Comentário da Lição da Escola Sabatina, Ligado na Videira | Marcado com , , , | 6 Comentários

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 7 – O caminho para a fé – Ligado na Videira – 5 a 12 de agosto de 2017

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 7

No trimestre passado, os irmãos estão lembrados, estudamos as duas Cartas de Pedro. Foi um estudo especial. Muito bom! Agora, com a Carta de Paulo aos Gálatas, nossa mente é levada a lembrar e resgatar um dos versos de Pedro – aquele que diz assim: “O nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando [da salvação], como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender…” (2Pedro 3:15 e 16).

Vejam só! O famoso apóstolo Pedro! Discípulo de Jesus! Na sua idade avançada, o grande pregador cristão reconheceu que nos escritos de Paulo existiam pontos difíceis de serem compreendidos!

Irmãos, atualmente, nós temos muito mais recursos para o estudo. Temos a Bíblia completa (em nosso idioma!) e somos cercados pelos Testemunhos do Espírito de Profecia. É verdade que o pecado está mais velho, mais alastrado, e mais aprofundado. É verdade que o engano tem feito seu trágico trabalho. Mas nós temos, sim, mais recursos. E, pela graça de nosso Senhor Jesus, e pela ação do Espírito Santo em nós, iremos superar as dificuldades para a compreensão do tema mais importante da nossa vida: a nossa salvação. Sendo que, por fim, reconheceremos que a dificuldade estava em nós, e não no tema, não na Palavra.

Os gentios convertidos não possuíam o amadurecimento bíblico que se esperava dos judeus convertidos. As Escrituras Sagradas estavam nas mãos dos israelitas há cerca de mil e quinhentos anos. A bênção por pertencerem à família de Abraão os acompanhava por sucessivas gerações. Sendo assim, Paulo tinha que ensinar coisas novas para os gentios e, ao mesmo tempo, fazer com que os israelitas enxergassem que essas coisas novas já eram antigas para eles – sendo que eles é que não conseguiam enxergá-las. Enfronhados em tradições humanas, se perderam no caminho, e deixaram de desfrutar o mais doce e mais simples de todos os temas bíblicos: a salvação de toda a humanidade seria (e foi) providenciada total e completamente por Deus. “Abraão, de ti farei uma grande nação” – “Abraão, em ti serão benditas todas as nações” – “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito para que todo aquele [de qualquer nação do mundo] que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Imagine que um médico tenha orientado o seu paciente a fazer um exame em jejum. Pergunto: O médico é inimigo dos alimentos? Está querendo dizer que comer faz mal? Quanto ao paciente, será que está interpretando que terá que ficar em jejum para todo o sempre?

Bem, a resposta é “não”. Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Para o momento do exame, o jejum é necessário. Depois, os alimentos poderão e deverão ser novamente consumidos.

De certa forma, Paulo tinha que se preocupar com todas as palavras. Cada uma delas precisava ser bem explicadinha. As distorções ocorriam há anos. O que era fácil havia se tornado difícil. E o apóstolo e pastor das igrejas de Cristo precisava explicar o propósito de cada uma das palavras. Precisava ensinar que somos salvos não pela obediência, mas que isso não queria dizer que nunca mais precisaríamos obedecer. Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa! Precisava ensinar que em Jesus encontramos libertação – mas a libertação do pecado, e não a libertação de não mais precisar obedecer a Lei!

Irmãos, a graça não anula a Lei. A graça tem seu propósito. A Lei também tem seu propósito. Ambos os propósitos precisam ser entendidos. E sendo, veremos de forma doce e simples que a graça não anula a Lei.

(06/08) – Domingo – A Lei e a promessa.

A Lição de hoje fala sobre duas coisas: a Lei de Deus e a Promessa de Deus de que Ele nos salvaria.

Certo dia, “João [Batista] viu a Jesus, que vinha para ele, e disse [aos seus discípulos]: ‘Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo’” (João 1:29).

Por que será que João se referia a Jesus como sendo “o Cordeiro”? Do que ele estava falando?

Em Apocalipse 13:8, o outro João, o João discípulo de Jesus, falando da besta, diz que os que a adoram não terão os seus nomes “escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

Que história é essa de “Cordeiro”?

Bem, para que Adão e Eva ficassem impressionados com o sacrifício que seria feito em favor deles (a morte de Jesus), o sangue de um animal inocente seria derramado ainda no Éden. Na ilustração, eles deveriam confessar o pecado, transferi-lo para o animal, e o matar. O animal morreria porque eles haviam pecado. E pelo que tudo indica, o animal deve ter sido um cordeiro – o que motivou os escritores bíblicos associarem “Cordeiro” com “Jesus Cristo”.

Irmãos, de dentro do Jardim do Éden, essa ilustração passou para o lado de fora, para os descendentes de Adão e Eva, e atravessou todo o Velho Testamento, sendo consumada na cruz do Calvário. Mas, o que deve nos impressionar agora é o fato de que este Plano de Salvação já existia na mente de Deus bem antes do homem ter sido criado. Ou seja, nem existia a humanidade, mas Deus já havia Se comprometido a salvá-la. A humanidade nem havia sido trazida à existência, mas Deus havia “prometido” para Si mesmo que, havendo necessidade, a salvaria. E assim que Adão e Eva necessitaram, Deus “revelou” e “explicou” a promessa de que Ele mesmo, Cristo Jesus, era “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

Nesse sentido, podemos dizer que todos do Velho Testamento viveram sob a “Promessa”.

Então, para que a humanidade confiasse nisso, Deus concedeu “confiança”. Para que cresse, deu “fé”. Ou seja, a “promessa”, a “fé” e a “salvação” – tudo foi dado por Deus. A própria “Lei” foi dada por Deus.

E por ter agora falado em “Lei”, é necessário dizer que, através dos textos indicados, a Lição de hoje coloca a “promessa” em seu devido lugar, e coloca a “Lei” também em seu devido lugar. Uma tem um propósito. Outra, outro. Mas jamais uma desprezando a outra. Jamais uma autorizando a diminuir a importância e o propósito da outra. Jamais Deus salvaria com base em Sua promessa e, “depois”, como que arrependido, mudaria para salvação através da obediência à Lei – embora a obediência tenha o devido lugar, tenha o devido propósito.

(07/08) – Segunda – Prisioneiros da Lei.

O capítulo 3 de Gálatas é difícil, no sentido de muito carregado. Várias palavras estão sendo usadas ao mesmo tempo: promessa – herança – justiça – obras – Lei – fé – que, vistas isoladamente, dão a impressão de se contradizerem, ou de uma anular a outra. Disso, toda hora temos que dar alguma explicaçãozinha. Por exemplo, o verso 23, que diz assim: “Antes que chegasse o tempo da fé, nós éramos prisioneiros da lei, até que fosse revelada a fé que devia vir” (NTLH).

A fé veio antes ou veio depois da lei? Que história é essa? Se somos “prisioneiros” da lei – quando a fé chegou, nós fomos “libertos” da lei?

Bem, no contexto, Paulo está escrevendo aos gentios cristãos que estavam sendo atacados por judeus cristãos. Algumas coisas estão implícitas no debate. Uma delas, que os judeus carregavam várias leis ao mesmo tempo, como se estas fossem uma só. A Lei de Deus (Os Dez Mandamentos – a Lei moral), a lei cerimonial, a lei de saúde, etc., etc. Conosco também é assim. Temos as leis de trânsito, sanitária, criminal, trabalhista, do condomínio, etc., etc., e a Lei de Deus também.

Falando especificamente da “lei cerimonial”, esta era praticada em relação às coisas religiosas – todo o ritual do Santuário e na devoção pessoal. Nela, tudo apontava para o ministério de Cristo. Ou seja, a lei cerimonial levava o pecador para Cristo Jesus.

Quanto a “Lei de Deus” (os Dez Mandamentos), ela diz que o ser humano é pecador – e sendo pecador, precisa de um Salvador. Ou seja, a Lei de Deus levava o pecador para Cristo Jesus.

Ao mesmo tempo, a fé não apontava uma salvação a ser realizada pela própria pessoa. A fé apontava para a salvação em Cristo Jesus. Adão, pela fé, viu Jesus Cristo. Abraão, pela fé, viu a cruz do Calvário. Pela fé, todos do Velho Testamento aguardavam o cumprimento da fé. Aguardavam que o tempo do Messias chegasse.

Assim, quando Cristo realizou a Sua obra em favor da nossa salvação, chegou “o tempo da fé” – enquanto que, antes disso, “éramos prisioneiros da lei”.

Quanto as leis, a lei cerimonial foi extinta no Calvário – mas a Lei de Deus, esta é eterna. A cerimonial não deve ser continuada (é o caso da circuncisão). A Lei de Deus, esta deve ser obedecida – pois, se não, continuaremos em pecado, continuaremos perdidos.

Por outro lado, a obediência aos Dez Mandamentos nos torna prisioneiros? Não! Jamais! Salvo em Cristo Jesus, a obediência indica que estamos livres – estamos livres do pecado! – livres para obedecer!

(08/08) – Terça – A Lei como nosso vigilante.

O pecado é destrutivo. Permanecer em desobediência é caminhar rumo à destruição. A história das nações e dos indivíduos prova isso. A Lei de Deus, portanto, deve ser vista como nosso “vigilante” – no sentido positivo. Obedecê-la é desfrutar do seu “cuidado”. Em obediência aos seus estatutos, ficamos “seguros”.

Não é difícil entender isso. Com as leis humanas se dá o mesmo. Por exemplo: não devemos ter medo dos radares que limitam a velocidade ou que flagram os que ultrapassam o sinal vermelho.

Há os que consideram os radares como vigilantes de forma negativa. Lógico! Vivem sendo multados! Mas os que andam nos limites indicados, se sentem “cuidados” pela lei. Se sentem “seguros”.

“Cada uma das leis de Deus é uma promulgação de misericórdia, amor e poder salvador. Essas leis, se obedecidas, são nossa vida, nossa salvação, nossa felicidade, nossa paz” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 3, pág. 1306).

“As leis de Deus têm seu fundamento na mais imutável retidão, e são constituídas de maneira que proverão a felicidade dos que as guardam” (Filhos e Filhas de Deus, pág. 267 – Meditação Matinal de 17/09/1956).

“As leis a que todo instrumento humano deve obedecer dimanam do coração de amor infinito” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, pág. 217).

(09/08) – Quarta – A Lei como nosso tutor.

A Lei moral – conhecida como “os Dez Mandamentos” – revela o caráter do Legislador. Revela a natureza do governo de Deus. Obedecê-la é aceitar o seu papel de tutora, de pedagoga. Obedecê-la é aceitar o instrumento divino para a nossa formação moral. Assim teria sido na perfeição do Jardim do Éden – assim deve ser agora.

Carecemos enxergar e valorizar a função da Lei. E a Lição de hoje o faz, afirmando que a Lei não só condena (sua face negativa), mas também é tutora, instrutora, protetora (o lado positivo).

“A Lei é uma expressão da mente de Deus. Quando é recebida em Cristo, torna-se nossa mente. Ela nos eleva sobre o poder dos desejos e tendências naturais, sobre as tentações que levam ao pecado” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 6, pág. 1238).

“Não há segurança nem repouso nem justificação na transgressão da Lei. Não pode o homem esperar colocar-se inocente diante de Deus e em paz com Ele, mediante os méritos de Cristo, se ao mesmo tempo continua em pecado. Tem de deixar de transgredir, e tornar-se leal e verdadeiro. Ao olhar o pecador para o grande espelho moral, vê seus defeitos de caráter. Vê-se a si mesmo tal qual é, maculado, corrupto e condenado. Sabe, porém, ele que a Lei não pode, de modo algum, remover a culpa ou perdoar ao transgressor. Tem de ir mais longe que isso. A Lei é apenas o aio para levá-lo a Cristo. Tem de ele olhar para seu Salvador, o portador dos pecados. E ao ser-lhe revelado Cristo na cruz do Calvário, morrendo sob o peso dos pecados de todo o mundo, o Espírito Santo lhe mostra a atitude de Deus para com todos os que se arrependem de suas transgressões” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 213).

(10/08) – Quinta – A Lei e o cristão.

Se Adão desobedeceu a Lei é porque havia uma Lei. Se ele caiu, caiu de alguma posição. Ora, isso indica que, mesmo para Adão em sua natureza santa, pura e inocente, havia “fora” dele uma referência de caráter, de conduta. Ao criar o homem, é verdade que Deus lhe concedeu o livre arbítrio, mas isso não significava que não havia um governo, uma Lei, uma regra de ética a ser seguida. E isso era para o seu bem.

Irmãos, da “queda” de Adão até agora, estamos mergulhados em quase seis mil anos de pecado. A Lei nunca deixou de ser importante para a humanidade – mas, convenhamos, ela é muito, mas muito importante para nós, em nossos dias. Muito! E, bem por isso, mesmo em nossa natureza pecaminosa, somos chamados a obedecê-la, e capacitados para isso.

O inimigo nos faz olhar para nós mesmos, para nossa suposta sabedoria, para a ciência centrada em nosso egoísmo, para a filosofia que nós mesmos criamos.

Diferentemente disso, Deus nos alerta que devemos, para nosso próprio bem, olhar para algo “fora” de nós: a Sua Lei.

A Sua Lei é o reflexo de Seu caráter. A Sua Lei é, portanto, a referência para a nossa vida.

Mas, notem os irmãos, não estamos falando de “salvação”. A salvação continua sendo gratuitamente oferecida por Jesus Cristo. A Lei não nos salva. Cristo Jesus, Este sim, é o Salvador – o nosso único Salvador. Ocorre, no entanto, que Ele não nos salva para “continuarmos” em desobediência à Sua Lei. Ou seja, somos salvos do pecado apontado por Sua Lei e capacitados para a obediência dessa mesma Lei.

Nosso Senhor assumiu a natureza humana, e, com essa natureza, foi tentado durante toda a Sua vida, mas nunca cedeu aos ataques do pai da mentira. Assim, até em questão de “exemplo”, o exemplo está “fora” de nós. Cristo é o nosso Exemplo a ser seguido. Ele nos ensina que “devemos” e “como podemos” guardar a Lei de Deus.

(11/08) – Sexta-feira – conclusão

“O Senhor quer que estejais de bom ânimo. Fortalecei-vos. […] Satanás atua por toda parte para destruir a fé, e para tornar as pessoas infelizes. […]

Caso não estejais experimentados em discernir os ardis de Satanás, vossa única segurança está na oração. Abri todos os segredos do coração ao exame do Olhar infinito, e rogai a Deus que vos torne puros e fortes, armando-vos inteiramente para os grandes conflitos da vida. A fé aumenta com as batalhas contra as dúvidas; a virtude adquire mais vigor pela resistência à tentação. […]

Todas as bênçãos são concedidas aos que mantêm ligação vital com Jesus Cristo. Jesus nos chama a Si, não simplesmente para refrigerar-nos com Sua graça e presença por algumas horas, e depois mandar-nos embora de Sua luz, para andarmos separados dEle em sombras e tristeza. Não, não. Diz-nos que precisamos ficar com Ele e Ele conosco. Onde quer que seja necessário fazer Sua obra, Ele está presente, terno, amante e compassivo. Preparou-nos, a vós e a mim, uma morada permanente em Si mesmo. É nosso refúgio. Nossa experiência deve ampliar-se e aprofundar-se. Jesus revelou toda a divina plenitude de Seu inexprimível amor. […] Aproximai-vos de Deus. Falai de coragem, falai de fé, falai de esperança. Meu irmão e minha irmã no Senhor, tende bom ânimo. Oh, quão pouco sabemos do que se acha diante de nós! Dar-nos-emos inteiramente a Jesus, para ser totalmente Seus, e então dizer: “Não a minha vontade, ó Deus, mas a Tua, seja feita”? […] Tendes o terno amor e a compaixão de vosso Salvador. Olhai para Ele. Confiai nEle continuamente, e não duvideis de Seu amor. Ele conhece toda a nossa fragilidade, e o que nos é necessário. Dar-nos-á graça suficiente para o dia. Tão-somente olhai sem cessar a Jesus, e tende bom ânimo. […]

Há, na fé genuína, uma animação, uma firmeza de princípio que nem o tempo nem a lida são capazes de enfraquecer” (Filhos e Filhas de Deus, pág. 191 – Meditação Matinal de 03/07/1956).

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

Publicado em a lição da semana, Comentário da Lição da Escola Sabatina, Ligado na Videira | Marcado com , , , | 3 Comentários

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 6 – A superioridade da promessa – Ligado na Videira – 29 de julho a 5 de agosto de 2017

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 6

Na cruz do Calvário, nosso Senhor Jesus Cristo disse: “Está consumado”.

Perguntamos: O que estava “consumado”? O que estava “feito”, “realizado”? Jesus estava “cumprindo” o quê?

Irmãos, antes da fundação do mundo – ou seja, antes do homem se tornar pecador, e até mesmo antes do homem ter sido criado – já existia o Plano da Redenção. A salvação do homem já fazia parte do pensamento de Deus. Era oculto, era segredo, mas já existia tal propósito no coração de Deus. Só foi declarado quando surgiu a necessidade – quando o homem se tornou “pecador” – mas já existia antes da humanidade.

No Éden, quando nossos pais pecaram, imediatamente o Plano foi instituído, foi colocado em ação – e, então, eles foram informados. Foi um espanto para os anjos. Foi um espanto para o Universo. Até Adão e Eva se espantaram diante de tão grande Plano, que, ao mesmo tempo, revelava o imenso amor do Criador para com a Sua criatura.

Bem, dentre as várias coisas boas que poderíamos considerar dentro desse assunto, destacamos a “promessa” da salvação e a importância da “Lei”. Sempre nos esbarraremos nas palavras “graça”, “amor”, “misericórdia”, “aliança”, “obediência”, “pecado”, “desobediência”, “justificação”, “obras” e “fé”. Nesta semana, porém, o destaque estará em “promessa” e “Lei”.

Quando Adão e Eva pecaram, receberam a visita do Criador – e nessa visita foi revelada “A Promessa” – a promessa de que seriam resgatados – a promessa de que seriam salvos porque Ele, o Criador, é quem estava prometendo. E embora fossem levados a olhar constantemente para a promessa, que, acima de tudo, olhassem para Aquele que fez a promessa.

Esse tema é recorrente nos escritos de Paulo. Ele via isso. Era movido por isso. Por sinal, tempos depois de ter escrito Gálatas, escreveu Hebreus, de onde tiramos esta pérola:

Aproximemo-nos” – então – “com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois Quem fez a promessa é Fiel” (Hebreus 10:22 e 23).

Essa promessa é unilateral. Deus prometeu executar o Plano da Redenção. Não dependeria do homem. Tem a ver com Deus. No início, no meio e no fim, todo o Plano da Redenção tem a ver só, única e exclusivamente com Deus. Ele é quem salva. (Não estou falando que todos serão salvos! Estou falando que Deus providenciaria e providenciou a salvação para todos!).

(30/07) – Domingo – Lei e fé.

Gálatas 3:15 a 18 – “Irmãos, falo como homem [ou seja, vou usar uma ilustração humana]. Ainda que [um testamento] uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa [imagine, então, se Deus “mudaria” a maneira como prometeu salvar!]. Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu Descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu Descendente, que é Cristo [a salvação dependeria da obra do Descendente, e não das obras dos descendentes]. E digo isto: uma Aliança já anteriormente confirmada por Deus [aos patriarcas anteriores ao Sinai, incluindo Abraão], a Lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa. Porque, se a herança [se a salvação] provém de Lei, já não decorre de promessa; mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão”.

Irmãos, façamos algumas considerações – mas não sem antes alertar sobre o seguinte: o texto está tratando de “salvação”, e não se a Lei continua ou não a ser válida. Paulo está falando que é Jesus Cristo quem salva, e não que a Lei deva ser desprezada.

Bem, a Lição de hoje nos leva a considerar a “Lei” e a “fé”. Abraão recebeu de Deus o dom da fé. Com a fé, Abraão creu na Promessa. Confiou nAquele que a prometeu. Passou a viver olhando para o Descendente. Sabia que o Descendente era a Promessa. A salvação de Abraão dependia da vinda de Jesus Cristo. A de Enoque, de Elias e de Moisés também. Por sinal, Maria e José dependiam que Cristo Jesus fosse para o sacrifício.

O inimigo tem usado os extremos para mentir. Insiste com a justificação pelas “obras”, pela obediência, pelo esforço humano. É como se o pecador devesse “ajudar” a Deus. É como se o homem tivesse que fazer uma parte, sendo que Deus faria o resto. Seria uma salvação daqui pra lá, e não de lá pra cá.

Mas, se explicamos que a salvação é pela “fé”, o inimigo, daí, insiste em retirar a “Lei”. E por que isso? Porque não tendo “Lei”, não há pecado. Não tendo “Lei”, o homem pode viver como bem entender. Diz ele: basta ter fé.

Que nó! Que grande nó! E muitos ficam enrolados no laço do inimigo.

Irmãos, o sacrifício de Jesus significa mais do que salvar. Mais do que um dia a gente ir para o novo Céu e a nova Terra. Vai além! Tem outras coisas correndo em paralelo. Por exemplo, inclui o benefício da “santificação”. Ele nos capacita a deixar a velha vida e a viver a novidade de vida. “Cristo vive em mim!”

(31/07) – Segunda – Fé e Lei.

“O engano de Satanás é que a morte de Cristo introduziu a graça para tomar o lugar da Lei. A morte de Jesus de maneira alguma modificou, anulou ou diminuiu a Lei dos Dez Mandamentos. Essa preciosa graça oferecida aos homens por meio do sangue do Salvador estabelece a Lei de Deus. Desde a queda do homem, o governo moral de Deus e Sua graça são inseparáveis. Andam de mãos dadas através de todas as dispensações.

Jesus, nosso Substituto, consentiu em sofrer pelo homem a penalidade da Lei transgredida. Ele revestiu Sua divindade com a humanidade, tornando-Se assim o Filho do homem, o Salvador e Redentor. O próprio fato da morte do amado Filho de Deus para remir o homem revela a imutabilidade da Lei divina. Quão facilmente, do ponto de vista do transgressor, Deus poderia ter abolido Sua Lei, provendo assim um meio pelo qual o homem pudesse ser salvo e Cristo permanecesse no Céu! A doutrina que ensina a liberdade, pela graça, para transgredir a Lei é uma ilusão fatal. Todo transgressor da Lei de Deus é um pecador, e ninguém pode ser santificado enquanto vive em pecado conhecido.

A condescendência e a angústia do amado Filho de Deus não foram suportadas a fim de adquirir para o homem a liberdade de transgredir a Lei do Pai e sentar-se ainda com Cristo no Seu trono. Isso ocorreu para que por Seus méritos e pela manifestação de arrependimento e fé o pecador mais culpado possa receber perdão e obter força para levar uma vida de obediência. O pecador não é salvo em seus pecados, mas de seus pecados” (Fé e Obras, capítulo 2 – “A norma da verdadeira santificação”).

(01/08) – Terça – O propósito da Lei.

Em vez de olharem para a superioridade da Promessa, os combatentes de Paulo olhavam para a Lei – e nela viam o meio de salvação, desde que a obedecessem.

Em momento algum Paulo deprecia a importância da Lei. Ao contrário, expressa uma valorização atrás da outra! Porém, ele faz isso colocando a Lei no seu devido lugar. Ele explica que a Lei tem um propósito – mas que esse propósito não é salvar. A salvação é por obra única e completa de Jesus, e nós nos apropriamos dela porque recebemos um dom a mais: a fé. Com a fé, confiamos nAquele que prometeu nos salvar. Com a fé, confiamos que a Promessa foi consumada na cruz do Calvário.

Reforçamos: A salvação é por obra única e completa de Jesus, e nós nos apropriamos dela porque recebemos um dom a mais: a fé.

E relembramos a Lição 4: “Não que exista na fé qualquer virtude pela qual se mereça a salvação, mas porque a fé pode recorrer aos méritos de Cristo, o remédio provido para o pecado” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 6, pág. 1194).

Quanto a Lei, Paulo afirma que o seu propósito é patentear o que é certo e o que é errado. É o denunciador do pecado. Torna o pecado conhecido. Correspondendo a salvação com obediência a Lei, a pessoa permanece em harmonia com o governo de Deus. Continuando a agir errado, a pessoa permanece em conflito com o governo de Deus.

Assim, enquanto a graça nos salva, a Lei revela se estamos realmente salvos. Questão de obediência ou desobediência.

“Abraão creu em Deus. Como sabemos que ele creu? Suas obras [sua obediência a Lei] testificavam do caráter de sua fé, e sua fé lhe foi imputada como justiça” (Refletindo a Cristo, pág. 71 – Meditação Matinal de 06/03/1986).

“O evangelho de Cristo não dá licença para as pessoas transgredirem a Lei, pois foi pela transgressão que as comportas da desgraça foram abertas sobre nosso mundo. Hoje, o pecado é a mesma coisa maligna que era no tempo de Adão. O evangelho não promete a graça de Deus para alguém que, por impenitência, transgride Sua Lei” (Comentário de Ellen White Sobre a Lição da Escola Sabatina, 17/10/2011).

(02/08) – Quarta – A duração da Lei de Deus.

“Paulo não apresentava nem a Lei moral nem a cerimonial, como os pastores em nossos dias se atrevem a fazer. Alguns nutrem tal antipatia para com a Lei de Deus, que se dão ao trabalho de denunciá-la e estigmatizá-la. Assim desdenham eles a majestade e glória de Deus e lançam-nas ao desprezo.

A Lei moral jamais foi um tipo ou sombra. Existiu antes da criação do homem, e vigorará enquanto permanecer o trono de Deus. Não podia Deus mudar ou alterar um só preceito de Sua Lei a fim de salvar o homem, pois é a Lei o alicerce de Seu governo. É imutável, inalterável, infinita e eterna. Para o homem ser salvo, e para ser mantida a honra da Lei, foi necessário que o Filho de Deus Se oferecesse como sacrifício pelo pecado. Aquele que não conheceu pecado tornou-Se pecado por amor de nós. Por nós morreu no Calvário. Sua morte demonstra o maravilhoso amor de Deus ao homem, e a imutabilidade de Sua Lei.

No Sermão da Montanha Cristo declarou: ‘Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o Céu e a Terra passem, nem um i ou til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra’ (Mateus 5:17 e 18).

Cristo suportou a maldição da Lei, sofrendo sua pena, levando a término o plano segundo o qual devia o homem ser colocado onde pudesse guardar a Lei de Deus e ser aceito graças aos méritos do Redentor; e por Seu sacrifício derramou-se glória sobre a Lei. Então a glória daquilo que não é transitório — a Lei de Deus, dos Dez Mandamentos, Sua norma de justiça — foi claramente vista por todos os que viram o fim daquilo que era transitório” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 239 e 240).

(03/08) – Quinta – conclusão – A superioridade da promessa.

Convenhamos: se a justificação fosse pelas obras, quem de nós se salvaria? Temos obras tão boas a ponto de elas nos tonarem pessoas justas? Estamos tão bem assim de obras? Porque nascemos com a natureza pecaminosa, que obras poderíamos fazer? Que esperança teríamos se, para nos salvar, tivéssemos que confiar em nossa obediência a Lei?

Ainda bem que não é assim. Somos justificados – perdoados – considerados justos – porque Deus operou isso por nós, e tem operado em nós.

Bem, encerramos a Lição desta semana relembrando que ela é a continuação da anterior, a da semana passada. Ambas dentro de Gálatas 3, onde Paulo expressou o famoso verso: “Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou?

Irmãos, de longa data o inimigo tem fascinado a raça caída. Busca se prevalecer sobre ela. Seu intento é embaçar o que sempre foi claro.

O reerguimento da raça não pode estar nela mesmo. É ilógico! Cristo Jesus – Esse sim – é quem nos salva, nos redime, nos coloca em harmonia com Deus. E Abraão compreendia isso.

Os falsos mestres manipulavam a história de Abraão, como se a obediência dele o tornasse merecedor da salvação. Paulo, então, afirma: Vocês são herdeiros de Abraão, porém, não pela obediência dele ou de vocês, mas “pela promessa que Deus concedeu gratuitamente a Abraão”, na pessoa do Descendente Cristo Jesus – que foi exposto da cruz do Calvário, onde disse: “Está consumado”.

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

Publicado em a lição da semana, Comentário da Lição da Escola Sabatina, Ligado na Videira | Marcado com , , , | 2 Comentários

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 5 – Fé e Antigo Testamento – Ligado na Videira – 22 a 29 de julho de 2017

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 5

No trimestre passado, vimos Pedro alicerçando seus argumentos através do Antigo Testamento. Ele aprendera com Jesus. O Mestre respondia com base no que hoje chamamos de Antigo – ou – de Velho Testamento.  A Sua conversa na estrada para Emaús é um dos exemplos.

Na Carta aos Gálatas, o apóstolo Paulo fez o mesmo. Se fundamentou no que já estava escrito, no que já estava revelado, e foi direto ao ponto. Não amaciou – se bem que, é lógico, escreveu de forma a resgatar a igreja, de forma a trazer os irmãos de volta para a verdade.

Ao mesmo tempo, o Espírito Santo pensou em todas as igrejas, de todas as eras. Ele Se serviu do problema dos gálatas e da metodologia usada por Paulo para que o ensino da justificação pela fé, ensinado no Antigo Testamento, e resgatado pelo apóstolo, ficasse registrado também no Novo Testamento. Por sinal, é justamente dessa experiência que se tirou o título para o atual trimestre: O Evangelho em Gálatas. Nosso estudo, porém, não se limita à história de Paulo. Ao mesmo tempo, é bem mais do que a história dos gálatas. É a explicação sobre o Evangelho – sobre a salvação em Cristo Jesus – assunto revelado no Éden, assim que nossos primeiros pais pecaram, e que atravessou todo o Velho Testamento.

Bem, nesta semana, e na próxima, vamos estudar o terceiro capítulo de Gálatas. Nesta, os catorze primeiros versos. Por isso, peço permissão aos irmãos para aqui publicar os versos a serem considerados:

Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da Lei ou pela pregação da fé? Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne? Terá sido em vão que tantas coisas sofrestes? Se, na verdade, foram em vão.

Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da Lei ou pela pregação da fé? É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão.

Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: ‘Em ti, serão abençoados todos os povos’. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão.

Todos quantos, pois, são das obras da Lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: ‘Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las’.

E é evidente que, pela Lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Ora, a Lei não procede de fé, mas: aquele que observar os seus preceitos por eles viverá.

Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-Se Ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido”.

(23/07) – Domingo – Os insensatos gálatas.

Jamais deveríamos nos esquecer: todas as jogadas do inimigo serão para destruir. Cada uma delas. Ele usará todas as oportunidades para tirar a igreja do verdadeiro caminho da salvação.

Paulo evangelizou os gálatas. Deu a eles a mensagem da salvação em Cristo Jesus. Explicou para eles que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Somente nEle há salvação. E eles aceitaram! E mantiveram-se nesse primeiro amor por muito tempo!

Então, o inimigo mexeu uma peça no tabuleiro. Fariseus convertidos ao cristianismo se permitiram ser usados pelo pai da mentira. Queriam porque queriam que os gentios convertidos ao cristianismo fossem circuncidados também, como os descendentes de Abraão – ou seja, que se tornassem israelitas.

Paulo, na condição de ex-fariseu (e dos maiores!), bem sabia o que motivava tal “forçação”. Sabia que se tratava de diminuir o valor do sacrifício de Jesus, concedendo valor ao esforço do homem. Tratava-se da falsificação da verdade. Uma substituição.

E, tendo isso feito relativo sucesso entre os gálatas, Paulo, orientado pelo Espírito Santo, foi dotado do dom de discernimento, e revelou o erro no qual estavam caindo. Eles não poderiam professar ignorância a respeito das verdades do evangelho. Então, de forma bastante irônica, observou:

Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado?

Recebestes o Espírito pelas obras da Lei ou pela pregação da fé?

Tendo começado no Espírito, (estão agora se) aperfeiçoando na carne?

Terá sido em vão que tantas coisas sofrestes?

Essa repreensão vinha na sequência da que fora apresentada no capítulo 1, que dizia: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo”.

Atualmente, somos assediados por “outras” coisas – “novas” coisas. Sempre nos aparecem “novidades”. Mas, pelo discernimento que o Espírito Santo nos concede, descobrimos, pela Palavra da Verdade, que não há nada de novidade nessas coisas. É a velha conversa da serpente. Sempre querendo mudar pelo menos um jota ou um til das coisas de Deus.

Irmãos, o jogo da vida está sendo jogado. Jogo da nossa vida eterna. Então, como saber que uma peça está sendo mexida, e que o mexedor é Satanás?

(24/07) – Segunda – Fundamentado nas Escrituras.

O título para hoje é espetacular. Diz tudo! Paulo leva os gálatas de volta para a Bíblia. Não gasta tempo com argumentos humanos. Foge das tradições farisaicas (Isso não lhe pertencia mais). Vai para as Sagradas Escrituras. Faz com que a mente da igreja de Deus se concentre na Palavra de Deus. E o faz através das seguintes expressões – fundamentadas no Antigo Testamento:

Deus revelou Sua Promessa, a Sua Aliança, e “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gálatas 3:6 = Gênesis 15:6). Assim, o Antigo Testamento se desenvolveu sabendo que “o justo viverá pela fé” (Gálatas 3:11 = Habacuque 2:4).

E complementou, dizendo: Abraão, “em ti serão abençoados todos os povos” (Gálatas 3:8 = Gênesis 12:3).

Por outro lado, também sabiam que nem a “fé” e nem a “graça” davam autorização para que a “Lei” fosse desprezada: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da Lei, para praticá-las” (Gálatas 3:10 = Deuteronômio 27:26). E que um castigo fora determinado: a morte no madeiro – de onde se formula a expressão: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro” (Gálatas 21:23 = Deuteronômio 21:23).

Quanto aos obedientes, era do conhecimento que “aquele que observar os seus preceitos [os preceitos da Lei] por eles viverá” (Gálatas 3:12 = Levítico 18:5).

Bem, o ponto de aplicação para os nossos dias é o seguinte: Devemos buscar na Palavra as respostas sobre a salvação. Se pretendemos que outros saibam da salvação, devemos levá-los para a mesma Palavra. Todos precisamos manifestar o mesmo apreço que Paulo manifestava aos Escritos Sagrados.

“Disse Jesus acerca das Escrituras do Antigo Testamento: ‘São elas que de Mim testificam’… Se desejais familiarizar-vos com o Salvador, estudai as Santas Escrituras. […]

Não devemos aceitar o testemunho de nenhum homem quanto ao que ensinam as Escrituras, mas sim estudar por nós mesmos as palavras de Deus. Se permitirmos que outros pensem por nós, nossas próprias energias e habilidades adquiridas se atrofiarão. […]

Nada há mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras. Nenhum outro livro é tão poderoso para elevar os pensamentos, para dar vigor às faculdades, como as amplas e enobrecedoras verdades da Bíblia. Se a Palavra de Deus fosse estudada como devera ser, os homens teriam uma largueza de espírito, uma nobreza de caráter e firmeza de propósito que raro se veem nesses tempos. […]

O tema da redenção é tema que os próprios anjos desejam penetrar; será a ciência e o cântico dos remidos através dos séculos da eternidade. Não é ele digno de atenta consideração e estudo agora? A infinita misericórdia e amor de Jesus, o sacrifício feito por Ele em nosso favor, demandam a mais séria e solene reflexão” (Caminho a Cristo, capítulo 10 – “O Deus que eu conheço”).

(25/07) – Terça – Considerado justo.

Em Gálatas 3:6, Paulo disse: “Abraão… creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça”.

Ora, o entendimento dos judeus era que Abraão havia obedecido – havia praticado obras – e isso o fez merecer a justiça que Deus a ele atribuía. As obras eram: recebeu a ordem divina para sair de sua terra, e saiu; acreditou que seria pai de uma grande nação, e foi; e que devia se circuncidar, e se circuncidou – o que, por sinal, era o que os judaizantes queriam para os gentios recém conversos.

Em Romanos 4:2 a 4, Paulo questionou esse raciocínio, e explicou: “Se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida”.

Irmãos, vinha de longa data, e Abraão sabia disso, que a salvação era ilustrada nos sacrifícios que eram realizados. Entendia o significado dessa cerimônia. Via antecipadamente o sacrifício de Jesus. Desejava que isso acontecesse logo. Vivia em função disso. E Deus, por vontade própria, antecipou o benefício da morte substitutiva de Jesus. Imputou. Creditou. Aceitou Abraão antecipadamente pelo que Jesus viria a realizar [mas teria que realizar]. Pela obediência de Jesus, creditou isso na conta de Abraão.

Então, fica mais fácil entender assim: a crença manifestada por Abraão (a fé exercida pelo patriarca), era fruto do relacionamento que Deus mantinha com ele. E mesmo vindo a ser escrito mais tarde, nessa época a fé já era um dom de Deus. Portanto, até mesmo a fé que Abraão exercia era dada por Deus. Nem nisso havia mérito próprio.

“Abraão creu em Deus. Como sabemos que ele creu? Suas obras testificavam do caráter de sua fé, e sua fé lhe foi imputada como justiça” (Refletindo a Cristo, pág. 71 – Meditação Matinal de 06/03/1986).

(26/07) – Quarta – O evangelho no Antigo Testamento.

Dentro da repreensão, Paulo estava explicando o conceito a respeito do evangelho e da evangelização. Em Gálatas 3:8, ele escreveu: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: ‘Em ti, serão abençoados todos os povos’”.

Nesse verso, vemos que a origem do evangelho está em Deus. O evangelho é de Deus. O evangelho é Deus. E é para todos os povos, de todas as épocas. Em João 3:16 isso é enriquecido com uma expressão de “amor” – disse Jesus para Nicodemos: “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Abraão recebeu de Deus para compartilhar com outros. “Sê tu uma bênção”. Se, referindo-se ao sábado (Êxodo 20:10), havia igualdade nas bênçãos para o filho, e o servo e o estrangeiro, imagine em relação a redenção!

Bem, gosto de levar as pessoas a imaginar uma agulha com um fio de ouro, costurando cada uma das páginas do Velho Testamento. Cada capítulo, cada verso, cada história, cada pessoa. Do início ao fim, o fio de ouro foi fazendo a sua obra. Nessa ilustração, o fio de ouro é o Plano da Redenção, o Evangelho Eterno. Desde o Éden, Deus sempre trabalhou para a salvação de cada ser humano, de todos os seres humanos.

“Foi com o propósito de transmitir os melhores dons do Céu a todos os povos da Terra, que Deus chamou Abraão do meio de sua parentela idólatra, e mandou-o habitar na terra de Canaã. ‘Far-te-ei uma grande nação’, disse Deus, ‘e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção’. Foi uma alta honra aquela para a qual Abraão fora chamado – a de ser o pai do povo que por séculos devia ser o guardião e preservador da verdade de Deus para o mundo, povo esse por cujo intermédio todas as nações da Terra deveriam ser abençoadas no advento do prometido Messias. […]

Os filhos de Israel deviam ocupar todo o território que Deus lhes indicara. Aquelas nações que haviam rejeitado a adoração e serviço ao verdadeiro Deus, deviam ser despojadas. Mas era propósito de Deus que pela revelação de Seu caráter através de Israel, fossem os homens atraídos para Si. O convite do evangelho devia ser dado a todo o mundo. Mediante o ensino do sistema de sacrifícios, Cristo devia ser erguido perante as nações, e todos que olhassem para Ele viveriam. Todo aquele que, como Raabe, a cananita, e Rute, a moabita, tornassem da idolatria para o culto ao verdadeiro Deus, deviam unir-se ao Seu povo escolhido. À medida em que o número dos israelitas crescesse, deviam eles ampliar suas fronteiras, até que o seu reino envolvesse o mundo” (Profetas e Reis, introdução – “A vinha do Senhor”).

(27/07) – Quinta – conclusão – Resgatados da maldição.

Se uma pessoa desobedece a Lei, ela se coloca na posição de juízo. Vai receber a penalidade proposta. Entra no que é chamado de “maldição”. Sendo uma vez desobediente, é desobediente para sempre. Deixou de ser santo. Perdeu a pureza. É maldito.

Essa foi a situação de Adão e Eva. E adquirindo a natureza pecaminosa, a transmitiram aos filhos que lhes vieram. Essa é a situação de toda a raça humana. Todos nós nascemos desobedientes.

Ora, o Plano da Redenção propõe ao desobediente que uma outra Pessoa vai assumir a penalidade dela. Uma outra Pessoa Se tornará maldita no lugar dela. Mas, se ela não aceita que esse Alguém faça isso por ela, como ela será considerada pela Lei? A resposta é simples: continuará maldita.

Bem, quando Paulo falou mais ou menos desse jeito, os judeus ficaram chateados. Consideravam-se “abençoados”, mas o apóstolo os chamava de “amaldiçoados”. E os gentios recém conversos também permaneceriam nessa categoria – ou melhor: retornariam a essa categoria, caso buscassem a justificação pelas obras.

Mas seria Paulo contra as obras? Não! De jeito nenhum! As obras testificam que a pessoa está no caminho do Senhor. As obras advindas do relacionamento com Deus são as que se esperam de Seus filhos. O problema está na busca por justificação através das obras.

Irmãos, outras pessoas do Velho Testamento foram especiais também. Entendiam a graça. Entendiam as obras. Dentre elas, destaco três: Enoque, Moisés e Elias. E esses três, por obra de Deus, foram levados para viver no Céu. Mas é preciso considerar o seguinte: mesmo no Céu, dependiam da vitória de Jesus Cristo na cruz do Calvário. Se Jesus não fosse para a cruz, eles teriam que descer do Céu. Se Jesus não fosse vitorioso, teriam que descer do Céu. Se Jesus Cristo não ressuscitasse, eles teriam que descer, e aqui ter o mesmo destino dos demais pecadores.

Irmãos, sempre foi a graça de Deus. Desde o Antigo Testamento.

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

Publicado em a lição da semana, Comentário da Lição da Escola Sabatina, Ligado na Videira | Marcado com , , , | 1 Comentário

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 4 – Justificação pela fé – Ligado na Videira – 15 a 22 de julho de 2017

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 4

Nesta nova semana, vamos estudar o mais simples e, ao mesmo tempo, o mais complicado dos temas bíblicos: “A justificação pela fé”. Mais simples, porque é simples mesmo. Mais complicado, porque atrás da gente há uma história de quase seis mil anos de humanidade, com seus quase seis mil anos de pecado – e o pecado tem feito pessoas complicarem um tema tão simples, tão fácil.

É necessário reforçar, porém, que o estudo não pode ficar isolado da Lição da Escola Sabatina. Temos que fechar com Paulo e a igreja da Galácia, e a polêmica história de se conseguir justificação através da circuncisão – ou seja, através de uma obra meritória do próprio praticante.

Bem, a doutrina da “justificação pela fé” está dentro de um tema maior – o maior de todos os temas: O Plano da Redenção. Falar sobre “justificação” é o mesmo que falar sobre “a salvação do pecador” – e, sendo assim, é possível que nos esbarremos com as seguintes palavras: “graça”, “fé”, “Lei”, “obras”, “obediência”, “pecado”, “dom”. Sendo necessário, comentaremos essas palavras no decorrer do Comentário.

Agora, comecemos o nosso estudo. Consideremos “justificação” – mas, primeiramente, sem a expressão “pela fé” – apenas “justificação”:

“Justificação” e “perdão” são uma e a mesma coisa. Se uma pessoa foi “justificada”, ela foi “perdoada”. Era injusta, mas foi tornada justa. Era culpada, mas foi perdoada. Tinha um débito, mas deixou de ter. Estava condenada, mas foi colocada em liberdade. Estava perdida, mas foi salva. Havia caído, e foi colocada em pé.

Ora, o que fez essa pessoa ser considerada “injusta”, “culpada”, “devedora”, “condenada”, “perdida”, “transgressora”, “caída”? A resposta é uma só: a Lei – se bem que, especificamente, a transgressão da Lei. E uma vez realizada a transgressão, já era!

Então, uma segunda pergunta: Quem a “justificou”, a “perdoou”, “pagou o seu débito”, a “livrou”, a “salvou”, a “colocou em pé”? Quem? Seria ela mesma? Teria ela retomado o caminho da obediência com as suas próprias pernas? Em seu estado caído, inventou ela alguma “obra” que a tornou limpa diante de Deus e de Sua Lei? Adquiriu o pecador algum mérito próprio, de forma a resolver o seu passado, o seu presente e o seu futuro?

Não! A resposta é “não”. A Bíblia é clara quanto a isso. A Bíblia é clara em relação a “como não ser” justificado: “Ninguém será justificado diante dEle [a partir das] obras da Lei” – ou seja, ninguém é perdoado por ter feito alguma coisa (Romanos 3:20). “O homem não é justificado por obras da Lei. […] Por obras da Lei, ninguém será justificado” (Gálatas 2:16).

E a Bíblia também é clara quanto “a maneira como somos” justificados: “[Somos] justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” – ou seja, Cristo é a salvação, Ele é o Salvador, Ele é quem salva (Romanos 3:24). “O homem é justificado pela fé, [sem as] obras da Lei” (Romanos 3:28). “O homem não é justificado por obras da Lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus” (Gálatas 2:16). “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).

É isso! Simples, não é mesmo?!

Agora, entendendo a “justificação” como obra e mérito de Jesus Cristo, falemos um pouco sobre justificação “pela fé”.

O que é “fé”? A “fé” é um “dom”, um presente dado por Deus. A justificação vem de Deus. A fé também vem de Deus. “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8).

“Com relação à justificação pela fé, existe o perigo de colocarmos mérito sobre a fé” (Fé e Obras, pág. 25).

A fé não é o fundamento da nossa salvação… É o meio, não o fim” (Nos Lugares Celestiais, pág. 104 – Meditação Matinal 07/04/1968).

“A fé é a condição sob a qual Deus escolheu prometer perdão aos pecadores; não que exista na fé qualquer virtude pela qual se mereça a salvação, mas porque a fé pode recorrer aos méritos de Cristo, o remédio provido para o pecado” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 6, pág. 1194).

Bem, a Lição vai continuar. Por enquanto, concluímos assim: Justificação pela fé é a salvação garantida e oferecida total e completamente por Deus, do início ao fim. Qualquer tentativa de dizer que o pecador faz uma parte, e que Jesus faz um resto, seria o mesmo que afirmar que a salvação é “merecida”, pelo menos em parte, pelo praticante de obras – ou que Deus “deve”, pelo menos um pouco, algum favor ao obreiro pecador.

(16/07) – Domingo – A questão da “justificação”.

Sendo a pessoa “justificada” por Jesus Cristo, ela é considerada como se nunca tivesse pecado. Pura. Em harmonia com a Lei de Deus. Em plena condição de viver um novo relacionamento com Deus.

Bem, voltando a estar diante de Deus, olha para Jesus e enxerga a beleza de Seu caráter. Olha para a Lei e reconhece como legítimas as suas exigências. Olha para a cruz e tem vergonha por ter causado tanto sofrimento ao seu Salvador. Olha para o seu próprio passado e não quer voltar para ele. Passa a ter nojo do pecado. Não vê vantagem alguma em voltar para a desobediência.

Não devemos nos admirar, portanto, que o inimigo tente atacar essa doutrina. Procura distorcê-la. Colocar nela o que não pertence a ela. Relativizar. Mas é verdade, e lamentável, ele tem obtido sucesso com alguns, fazendo que impere confusão na mente dessas pessoas.

Da nossa parte, a compreensão é que somos perdoados por Jesus Cristo, e Ele nos concede fé para crer e confiar nisso, e nos coloca em harmonia com o Pai e com a Sua Lei. E, dessa forma, estamos salvos do pecado. Nos apropriamos da salvação pela fé e, também, permanecemos com o Salvador pela fé.

Mas, de forma lógica, sabemos que a vida continua. E, por continuar, perguntamos: E daí? Fomos perdoados – estamos salvos – e daí? Ficaremos ociosos ou realizaremos obras? Se faremos obras, que obras serão?

Bem, isso será considerado no transcorrer da semana. Mas, antes de continuar, façamos o seguinte: inicialmente, separamos “justificação” de justificação “pela fé”; compreendemos o significado de “justificação” e, somente depois disso, de justificação “pela fé” – e, agora, de igual forma, precisamos separar obras “para a” salvação de obras “a partir da” salvação – separar obediência “para merecer” a salvação de obediência “porque recebemos” a salvação.

(17/07) – Segunda – Obras da Lei.

“Nunca podemos alcançar a perfeição por nossas próprias boas obras. A pessoa que vê a Jesus pela fé, rejeita sua própria justiça. Encara a si mesma como incompleta, seu arrependimento como insuficiente, sua mais forte fé como sendo apenas debilidade, seu mais custoso sacrifício como escasso, e se prostra com humildade aos pés da cruz. Mas uma voz lhe fala dos oráculos da Palavra de Deus. Com estupefação ela ouve a mensagem: ‘NEle estais aperfeiçoados’. Agora tudo está em paz nessa pessoa. Não precisa mais esforçar-se para encontrar algum merecimento em si mesma, alguma ação meritória pela qual alcance o favor de Deus” (Fé e Obras, capítulo 16 – “Aceitos em Cristo”).

“É certo que devemos estar em harmonia com a Lei de Deus, mas não somos salvos pelas obras da Lei; mas também é certo que não podemos ser salvos sem obediência. […] Mas não podemos guardar os mandamentos de Deus sem a graça regeneradora de Cristo. […] Ele (Cristo) não nos salva pela Lei, nem nos salva em desobediência à Lei. […]

O evangelho de Cristo não dá licença para as pessoas transgredirem a Lei, pois foi pela transgressão que as comportas da desgraça foram abertas sobre nosso mundo. Hoje, o pecado é a mesma coisa maligna que era no tempo de Adão. O evangelho não promete a graça de Deus para alguém que, por impenitência, transgride Sua Lei” (Comentário de Ellen White Sobre a Lição da Escola Sabatina, 17/10/2011).

“Quem procura alcançar O Céu por suas próprias obras, guardando a Lei, tenta uma impossibilidade. Não pode o homem salvar-se sem a obediência, mas suas obras não devem provir de si mesmo; Cristo deve operar nele o querer e o efetuar, segundo Sua boa vontade. Se o homem pudesse salvar-se por suas obras, teria ele algo em si mesmo, pelo qual se alegrar. O esforço que o homem faz em suas próprias forças para obter a salvação, é representado pela oferta de Caim. Tudo que o homem pode fazer sem Cristo é poluído pelo egoísmo e pecado; mas aquilo que é operado pela fé é aceitável a Deus” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 364).

(18/07) – Terça – A base da nossa justificação.

No estudo de hoje, a Lição faz um comentário interessante sobre Gálatas 2:16. Põe o tema num patamar mais acima do que normalmente imaginamos. Neste verso encontramos uma aparente duplicidade: “… mediante a fé em Cristo Jesus” – e – “também temos crido em Cristo Jesus…”.

A explicação da Lição puxa nosso pensamento para cima, acrescentando nova compreensão sobre a expressão justificação “pela fé”. Quando falamos que somos justificados “pela fé” – considera a Lição – sobre a fé de quem estamos falando? Aquela “nossa” fé que recebemos como presente de Deus – ou – a fé do próprio Senhor Jesus Cristo, que Ele manifestou no Pai, enquanto viveu entre nós? É pela fé “em” Jesus Cristo – ou – pela fé “de” Jesus Cristo?

A Lição explica:

“Não somos justificados com base em nossa fé, mas com base na fidelidade de Cristo por nós, que reivindicamos para nós por meio da fé.

Cristo fez o que todos deixaram de fazer: só Ele foi fiel a Deus em tudo que fez. Nossa esperança está na fidelidade de Cristo, não na nossa. […]

Uma primitiva tradução siríaca de Gálatas 2:16 comunica bem o pensamento de Paulo: ‘Portanto, sabemos que um homem não é justificado a partir das obras da Lei, mas pela fé de Jesus, o Messias, e cremos nEle, em Jesus, o Messias, que por causa de Sua fé, a fé do Messias, podemos ser justificados, e não pelas obras da Lei’”.

Irmãos, com a fé que chamamos de “nossa”, nós “aceitamos” a salvação. Com a fé de Jesus, Ele nos salvou.

Com essa ampliação, em respeito ao título da Lição de hoje, afirmamos: a base de nossa justificação é a fé exercida por Jesus Cristo, e nós nos apoderamos disso exercendo a fé que, por sinal, recebemos dEle também.

(19/07) – Quarta – A obediência da fé.

Cristo não apenas salva, mas, também, concede poder para que o salvo continue na salvação, continue perdoado, continue justificado.

“O homem necessita de um poder fora e acima dele, para restaurá-lo à semelhança com Deus e habilitá-lo a fazer Sua obra” (O Desejado de Todas as Nações, cap. 30 – “Nomeou doze”).

Sem Cristo, a Lei olhava para o pecador e o condenava. Com Cristo, a Lei passou a olhar para o salvo como alguém que anda em harmonia com ela – ou seja, alguém que obedece a todos os seus reclamos. Era um pecador desobediente, mas passou a ser um salvo obediente. Se assim não for, volta à sua condição anterior.

Ora, se a salvação vem de Deus, também de Deus vem o poder para a obediência. Deus age no ser humano em favor da obediência. A obediência nada mais é do que resultado de se estar ligado a Jesus Cristo – o Obediente – o Justo – Aquele que afirmou que o príncipe deste mundo nada tinha nEle. Do outro lado, a desobediência revela que o perdido continua perdido, revela que continua desligado de Cristo, revela que ele não está salvo.

“O Senhor não requer da alma humana menos hoje do que exigiu de Adão no Paraíso, antes da queda: perfeita obediência, justiça sem mácula. O que Deus requer, sob o concerto da graça, é exatamente tão amplo como o que requereu no Paraíso: harmonia com Sua lei, que é santa, justa e boa. O evangelho não enfraquece as reivindicações da Lei; ele exalta a Lei e a torna gloriosa. Sob o Novo Testamento, não se requer menos do que foi exigido sob o Antigo Testamento. Que ninguém se entregue à ilusão, tão agradável ao coração humano, de que Deus aceitará a sinceridade, não importa qual seja a fé, não importa quão imperfeita seja a vida. Deus requer de Seu filho obediência perfeita” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 373 e 374).

Paulo disse em Gálatas 2:20 – “Vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”.

(20/07) – Quinta – conclusão – A fé promove pecado?

Especificamente sobre a demanda entre Paulo e os falsos ensinadores, na Galácia, a respeito da justificação pela fé, e não pela circuncisão, uma questão foi levantada: estaria a fé promovendo o pecado, já que não ser circuncidado era considerado pecado?

Bem, em primeiro lugar, não ser circuncidado era “considerado” pecado pela tradição dos fariseus, mas não pela Lei de Deus. Os fariseus classificavam isso como pecado – mas não era pecado.

Em segundo lugar, a justificação pela fé coloca o homem na posição de livre – livre do pecado – mas não livre para continuar pecando. Livre da condenação da Lei, mas não livre da obediência à Lei. Paulo promovia a liberdade da obediência à lei farisaica, mas não da obediência à Lei de Deus.

O título para hoje é uma pergunta: “A fé promove pecado?” A nossa resposta é: Claro que não! Nem a fé, nem a graça, nem a cruz!

Nós nunca seremos autorizados a pecar. É verdade que se pecarmos temos um Advogado lá no Céu, mas isso não é autorização para pecar. É verdade que temos a natureza pecaminosa, mas isso não nos autoriza a continuar em desarmonia com os Mandamentos do Senhor. Nós não fomos justificados para continuar na situação anterior a justificação.

Por sinal, a cruz do Calvário, onde o nosso Senhor deu a Sua vida, prova o quanto a desobediência de Adão e de seus descendentes é ofensiva a Deus.

“Quando a graça divina toma posse do coração, reconhece-se que as tendências herdadas e cultivadas para o mal devem ser crucificadas. Uma nova vida, sob novo controle, precisa começar na alma. Tudo que se faz deve ser feito para a glória de Deus. Essa obra inclui tanto o ser exterior quanto o interior. O ser todo, o corpo, a mente e o espírito, deve se sujeitar a Deus, para ser por Ele usado como um instrumento de justiça.

O homem e a mulher não estão naturalmente sujeitos à Lei de Deus, nem poderiam, por si sós, estar. Pela fé, porém, aqueles que foram renovados vivem, todos os dias, a vida de Cristo. Mostram, dia após dia, que reconhecem ser propriedade de Deus” (Mensagens aos Jovens, pág. 68).

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

Publicado em a lição da semana, Comentário da Lição da Escola Sabatina, Ligado na Videira | Marcado com , , , | 1 Comentário

Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 3 – A unidade do Evangelho – Ligado na Videira – 8 a 15 de julho de 2017

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 3

A Lição 1 abordou a vida de Paulo, antes e depois da conversão, e foi baseada nos relatos do Livro de Atos. A Lição 2 deu início ao estudo da Carta aos Gálatas, onde abrimos o capítulo 1.

Naturalmente, palavras nos faltaram, e continuam faltando. Não conseguimos argumentar o suficiente. A nossa base era pequena. Agora, com o tempo, obtendo um pouco mais de informações, e amadurecendo cada uma delas, nosso entendimento tende a aumentar, melhorando a construção de novas ideias com os nossos leitores e membros da classe.

Bem, ainda vou buscar algumas coisas dos textos anteriores. É preciso que o que já estudamos continue fresco em nossa mente. Nossas atuais considerações não podem desconsiderar e nem esquecer as duas primeiras Lições. Permitam-me, portanto, resgatar algumas coisas e então dar o início para o Comentário desta nova semana.

Vocês estão lembrados que Paulo ficou cego por três dias, a partir do encontro com Jesus na estrada para Damasco? Parecia que escamas cobriam os seus olhos.

Pois bem. Usemos isso como ilustração.

Até então, Paulo olhava para o peso da tradição judaica “achando” estar olhando para a Lei de Deus. Olhava, olhava e olhava, e nunca conseguia enxergar a Lei. As tradições não deixavam. Mas insistia que estivesse olhando para a Lei e que a estava obedecendo. Quando dizia ser um exímio observador da Lei, na verdade era um excelente cumpridor do formalismo, da tradição humana, do “peso” colocado na Lei.

Quando conheceu Jesus, no entanto, tomado pelo Espírito Santo, as escamas caíram. Depois da cegueira temporária, passou a ver pela primeira vez a beleza da Lei de Deus. Viu que ela é delicada e, ao mesmo tempo, simples e clara. Antes, achava que Cristo a desprezava. Agora, reconheceu que, o que o Senhor desprezava, na verdade, era o “peso” que havia sido colocado em torno da Lei. Viu que Jesus, por Suas obras e declarações, trouxe aos seres humanos o verdadeiro conhecimento a respeito da Lei de Deus. Viu que o Salvador Jesus era o verdadeiro representante da Lei de Deus.

Irmãos, Paulo é um exemplo de que temos muito mais a desaprender do que a aprender. O Evangelho é relativamente fácil. O complicado é desaprender o ranço da religião anterior, da educação e da cultura que trazemos há anos. Então, durante aqueles três anos de Arábia, Deus trabalhou isso em Paulo, e Paulo se permitiu ser trabalhado por Deus nessas questões, e passou a entender a religião pelo lado da graça e da misericórdia divina.

No outro extremo, porém, permaneciam alguns dos muitos conversos vindos do judaísmo. Com eles, os ranços, o formalismo, e uma pretensa salvação por méritos próprios. Diziam terem se tornado cristãos, mas, por incrível que pareça, sem Cristo.

Bem, como todos nós sabemos, qualquer coisa “sem Cristo” significa “com outro alguém” – e qualquer coisa “com esse outro alguém” só pode dar em confusão. E é sobre um pouco disso que veremos nesta nova semana: Paulo tendo que enfrentar os que provocavam confusão na igreja.

Vejamos um pouco dessas confusões e, acima de tudo, o modo como Deus orientou Paulo a tratar isso com a igreja da época. Vejamos a importância desse trato para a igreja de Deus hoje.

(09/07) – Domingo – A importância da unidade.

Por ter sido um fariseu por excelência, Paulo sabia do perigo que estava por trás da ideia de circuncidar gentios que se tornavam cristãos. Não se tratava apenas de torná-los filhos de Abraão. No fundo, ele sabia que era uma maneira de produzir méritos para a salvação. Era pura justificação pelas obras.

Então, os que não gostaram da oposição de Paulo buscaram provocar desunião na igreja. Diziam que, pelo motivo de ele não ter sido um dos discípulos de Cristo, não possuía a mesma credencial e autoridade de Pedro. Pedro, sim, mas Paulo não poderia regulamentar doutrinas.

E o Espírito Santo colocou a Sua mão nessa questão, e levou a igreja a buscar resposta em união. Era o ano 49. E aconteceu o Concílio de Jerusalém.

Vejamos o relato através de Atos 15:

Alguns indivíduos que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos: ‘Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos‘. Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão. Enviados, pois, e até certo ponto acompanhados pela igreja, atravessaram as províncias da Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande alegria a todos os irmãos. Tendo eles chegado a Jerusalém, foram bem-recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos presbíteros e relataram tudo o que Deus fizera com eles. Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: ‘É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés‘.

Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: ‘Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé o coração. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram’. E toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo, que contavam quantos sinais e prodígios Deus fizera por meio deles entre os gentios. Depois que eles terminaram, falou Tiago, dizendo: ‘Irmãos, atentai nas minhas palavras: expôs Simão como Deus, primeiramente, visitou os gentios, a fim de constituir dentre eles um povo para o Seu nome. Conferem com isto as palavras dos profetas, como está escrito: Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei. Para que os demais homens busquem o Senhor, e também todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o Meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos. Pelo que, julgo eu, não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue. Porque Moisés tem, em cada cidade, desde tempos antigos, os que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados‘.

Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja, tendo elegido homens dentre eles, enviá-los, juntamente com Paulo e Barnabé, a Antioquia: foram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens notáveis entre os irmãos, escrevendo, por mão deles: ‘Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíteros, aos irmãos de entre os gentios em Antioquia, Síria e Cilícia, saudações. Visto sabermos que alguns [que saíram] de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a vossa alma, pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vós outros com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais pessoalmente vos dirão também estas coisas. Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde‘.

Os que foram enviados desceram logo para Antioquia e, tendo reunido a comunidade, entregaram a epístola. Quando a leram, sobremaneira se alegraram pelo conforto recebido. Judas e Silas, que eram também profetas, consolaram os irmãos com muitos conselhos e os fortaleceram. Tendo-se demorado ali por algum tempo, os irmãos os deixaram voltar em paz aos que os enviaram. [Mas pareceu bem a Silas permanecer ali]. Paulo e Barnabé demoraram-se em Antioquia, ensinando e pregando, com muitos outros, a Palavra do Senhor”.

Uns vinte anos antes, Jesus Cristo havia feito esse pedido ao Pai, em oração: “Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que, pela Sua Palavra, hão de crer em Mim; para que todos seja um, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e Eu, em Ti; que também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste” (João 17:20 e 21).

(10/07) – Segunda – Circuncisão e os falsos irmãos.

Como temos dito, Paulo não era contrário a circuncisão. Entendia que era um sinal físico que identificava o circuncidado como sendo descendente de Abraão, o patriarca que havia sido chamado por Deus para a Aliança Eterna. Em certo sentido, por falta de papel especial e de fotografia, não havendo condições para ser confeccionada uma Carteira de Identidade, a comprovação de nacionalidade era feita através da circuncisão. Porém, isso nada tinha a ver com a salvação. A salvação seria e foi proporcionada através do Descendente de Adão e Eva, do Descendente de Abraão, do Descendente de Davi – e Este Descendente era Jesus Cristo.

No entanto, instigados pelo inimigo, gradualmente os israelitas foram dando importância para coisas secundárias, desvalorizando as que realmente importavam. Os séculos foram passando, o formalismo foi crescendo, e a apostasia tomou conta. E quando Cristo chegou, o Seu povo estava pronto para rejeitá-Lo – e O rejeitou. Era mais fácil acreditar que oferecer sacrifício era suficiente para salvar, ou até mesmo que o cordeiro oferecido salvava – mas não que Jesus Cristo fosse o Salvador.

E por ter sido um excelente fariseu, Paulo sabia o que significava a insistência em circuncidar os gentios recém-conversos. Sabia, também, o que seria exigido depois. Ele sabia o que pensavam os falsos mestres, os falsos ensinadores. Sabia que era uma tentativa de valorizar o que não devia ser valorizado: a velha “justificação pelas obras”.

Lembremos, no entanto, que Paulo não era contra a circuncisão. Até pediu que Timóteo fosse circuncidado! Timóteo era israelita de sangue. E assim foi feito. Mas não aceitou a pressão para que Tito, que era grego, fosse circuncidado. E então não foi.

(11/07) – Terça – Unidade na diversidade.

Não somos iguais (E nem precisamos ser). Disso, a “diversidade”. E ela precisa ser entendida como algo natural, a ser respeitada. Mas a “desunião” não! A desunião tem que ser combatida. Cristo orou por nossa “união”! Nossa força está na união! É desejo do Salvador que manifestemos união –  mesmo diante da diversidade.

“Raramente encontramos duas pessoas exatamente iguais. Entre os seres humanos, da mesma maneira que entre as coisas do mundo natural, há diversidade. A unidade na diversidade entre os filhos de Deus – a manifestação de amor e longanimidade a despeito da diferença de disposição – eis o testemunho de que Deus enviou Seu Filho ao mundo para salvar os pecadores.

A unidade que existe entre Cristo e Seus discípulos não destrói a personalidade nem de um nem de outro. No espírito, no desígnio, no caráter, eles são um, porém não em pessoa. Participando do Espírito de Deus, conformando-se com a Lei do Senhor, o homem se torna participante da natureza divina. Cristo leva Seus discípulos a viva união com Ele e com o Pai. Pela atuação do Espírito Santo na mente humana, o homem se torna perfeito em Cristo. A unidade com Cristo estabelece um vínculo de unidade uns com os outros. Essa unidade é a mais convincente prova para o mundo quanto à majestade e a virtude de Cristo, e ao Seu poder de tirar o pecado.

Os poderes das trevas bem pouco êxito podem ter contra os crentes que se amam uns aos outros como Cristo os amou, que se recusam a suscitar contenda e alienação, que se acham unidos, são bondosos, corteses e brandos de coração, nutrindo a fé que atua pelo amor e purifica a alma. Precisamos ter o Espírito de Cristo, ou não Lhe pertencemos. […]

Quanto mais íntima nossa união com Cristo, tanto mais íntima nossa união uns com os outros. A discórdia e o desafeto, o egoísmo e a presunção, lutam pela supremacia. Estes são os frutos de um coração dividido, aberto às sugestões do inimigo das almas. Satanás exulta quando lhe é possível semear dissensões” (Filhos Filhas de Deus, pág. 286 – Meditação Matinal de 06/10/1956).

(12/07) – Quarta – Confronto em Antioquia.

“Jerusalém era a metrópole dos judeus, e lá se encontrava a maior exclusividade e intolerância. Os cristãos judeus que viviam à sombra do templo tendiam naturalmente a permitir que sua mente se voltasse aos privilégios peculiares dos judeus como nação. Ao ver o cristianismo se afastar das cerimônias e tradições do judaísmo e perceber que a santidade peculiar de que os costumes judaicos eram investidos logo se perderia de vista à luz da nova fé, muitos ficaram indignados contra Paulo, como quem, em grande medida, tinha provocado essa mudança. Nem mesmo os discípulos estavam preparados para aceitar de bom grado a decisão do concílio. Alguns eram zelosos da lei cerimonial e encaravam Paulo com ciúme, porque achavam que seus princípios eram negligentes em relação à obrigação da lei judaica.

Quando, mais tarde, Pedro visitou Antioquia, ele agiu de acordo com a luz celestial recebida e com a decisão do concílio. Ele venceu o preconceito natural a ponto de se assentar à mesa com os gentios convertidos. Mas, quando alguns judeus, que eram mais zelosos da lei cerimonial, chegaram de Jerusalém, ele mudou seu comportamento para com os conversos do paganismo, a ponto de deixar uma impressão mais dolorosa em sua mente. Grande número seguiu o exemplo de Pedro. Até mesmo Barnabé foi influenciado pela maneira imprudente do apóstolo, e surgiu o risco de uma divisão na igreja. Mas Paulo, que viu o mal feito à igreja pelo comportamento dúbio de Pedro, o repreendeu abertamente por dissimular assim seus verdadeiros sentimentos.

Pedro viu o erro em que caiu e, imediatamente, começou a repará-lo, na medida do possível” (Comentários de Ellen White  Sobre a Lição da Escola Sabatina, pág. 19, de 12/10/2011).

Como vimos, e está registrado na Bíblia, Deus queria que o mundo todo fosse evangelizado. Porém, há muito os israelitas economizavam forças para isso. Agora, nada mais seria poupado. Como todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, Deus usou as perseguições para que os cristãos fugissem para outras cidades; usou a morte de Estêvão para que o coração de Saulo fosse impressionado; usou Paulo, com uma nova forma de enxergar o evangelismo, para que este saísse a pregar para os gentios; e continuou a usar Pedro para que este continuasse a evangelizar os israelitas.

E entre acertos e erros humanos, o Espírito Santo jamais deixou de conduzir a Sua igreja.

(13/07) – Quinta – conclusão – A preocupação de Paulo.

De forma impressionante, Paulo possuía uma visão acima da manifestada por alguns dos membros da igreja. Deus lhe habilitou para tanto. E isso lhe permitia enxergar o seguinte:

1 – Exigir que o converso gentio passasse pela circuncisão não significava apenas receber o sinal de que se tornou um filho de Abraão, mas, também, que a salvação era pelas obras; que era merecida como recompensa por uma feitura humana. Ora, isso seria o mesmo que dizer que a obra executada por Jesus Cristo na cruz do Calvário não tinha valor algum!

2 – E, se em vez de “exigida” fosse apenas considerada “opcional”, traria consequências também, como por exemplo, o estigma de que o cristão incircunciso era um cristão de segunda linha.

3 – E enxergou, também, que a sábia decisão do Concílio de Jerusalém seria a norma para situações futuras, não só pelo assunto tratado, mas por terem tratado em união, como um só corpo.

Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não  impor [aos gentios conversos] maior encargo além destas [três] coisas essenciais: [1] [Basta] que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, [2] bem como do sangue, da carne de animais sufocados e [3] das relações sexuais ilícitas” (Atos 15:28 e 29).

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

Publicado em a lição da semana, Comentário da Lição da Escola Sabatina, Ligado na Videira | Marcado com , , , | 5 Comentários