Comentário da Lição 3 – A vida na igreja cristã

Comentário da Lição 3 – A vida na igreja cristã – 14 a 21 de julho de 2018

(14/07) – Sábado – Introdução

Fico “imaginando” a vontade que os primeiros cristãos tinham de que o Salvador viesse na geração deles – ou seja, enquanto eles estavam vivos.

Entre eles, pessoas que viram os milagres de Jesus; ouviram Seu sermões; testemunharam a Sua morte; estiveram com Ele durante os 40 dias pós-ressurreição; viram Ele subindo para o Céu!

Quando leio que se colocaram na posição da bênção do Espírito Santo e que o evangelho foi pregado em todo o mundo conhecido da época, saio da “imaginação” e vou para a “certeza”. Tenho certeza que a igreja cristã vivia como se Cristo viesse em seus dias. Tenho certeza que eles foram ardorosos na evangelização, esperando, com isso, que Jesus Cristo viesse em seus dias. Tenho certeza que a oposição que logo se apresentou “prova” que eles estavam incomodando o reino do inimigo. E tenho certeza que o Espírito Santo continuou agindo “para” e “através” daquela geração.

Bem, é sobre isso que a Lição fala nesta nova semana. E dentre as boas considerações apresentadas, peço a Deus que nos ilumine para entender especialmente a história de Ananias e Safira, que algumas vezes é usada para impor medo naqueles que não dizimam ou não ofertam.

Mas, como noticiei na Lição 1, li e gostei do livro “Atos – Contando a História da Igreja Apostólica”, um “Comentário Bíblico Homilético”, escrito por Mário Veloso, publicado pela Casa Publicadora Brasileira. Esse livro é um excelente companheiro para a Lição da Escola Sabatina deste trimestre, e ideal para quem deseja elaborar sermões. Então, diminuo as minhas considerações particulares, mas disponibilizo, abaixo, os textos do referido livro, correspondentes ao exigido para esta semana. Pode ser?

Então, abra sua Bíblia e a sua Lição, e, conforme o que Mário Veloso escreve, faças as suas próprias anotações. Mas sejam ligeiros! São três capítulos de Atos. E são compridos!

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Comentário de domingo (15/07)

Primeiros conversos: estilo de vida (Atos 2:43 a 47)
Resumindo, diz Lucas, um temor respeitoso, pelos cristãos, se apoderou de todas as pessoas e os apóstolos faziam sinais e maravilhas. Além disso, todos os crentes estavam juntos, como se fossem uma única pessoa, e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens e, de acordo com as necessidades de cada um, distribuíam o produto entre todos. Com devoção, diariamente estavam juntos no templo, partiam o pão de casa em casa, repartiam o alimento entre todos, comiam com alegria. No coração não havia complexos, louvavam a Deus, contavam com a participação de todo o povo e o Senhor, acrescentava-lhes, dia a dia, os que iam sendo salvos.
Que experiência! Digna de ser imitada. Havia sido acrescentada, na vida de seres humanos pecadores e perdidos, a mais autêntica realidade do evangelho com o máximo poder do Espírito Santo e as pessoas escravizadas pelo pecado agora viviam livres em Cristo Jesus.
Fácil, não é verdade? Basta aceitar o presente de Deus. Apenas crer em Jesus. Apenas se entregar ao Espírito Santo. Apenas viver pela fé. Apenas sentir o que é preciso sentir. Apenas fazer o que deve ser feito. Apenas ter um coração sem egoísmo e um espírito humilde. Apenas ser em Cristo o que Ele foi na carne. Jesus acrescentará uma multidão de conversos, cada dia, e a atração da vida cristã coerente manterá todos na igreja, até que Ele volte.

Comentário de segunda-feira (16/07) – clique aqui.

Comentário de terça-feira (17/07) – clique aqui.

Comentário de quarta (18/07) – clique aqui.

Comentário de quinta-feira (19/07) – clique aqui.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2018 – Comentário de sábado feito por Carlos Bitencourt

 

 

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Atos – capítulo 5

(18/07) Quarta-feira + (19/07) Quinta-feira

“Ananias”, disse-lhe Pedro, “por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? (Atos 5:3).

Essa era uma mentira estranha. Quem pode mentir ao Espírito Santo? Poderia a mentira parecer verdade perante o Espírito Santo por muito tempo? Nem por um segundo. Acaso, Ananias não sabia disso? Certamente, sim. Ele era cristão e todos os cristãos sabem disso. Mas existe uma espécie de necessidade espiritual, uma cegueira do espírito pecador, que não consegue ver o que está vendo. A mesma coisa acontece com todos os pecados que nós cometemos em segredo, escondidos, dando a impressão de que não fizemos nada de errado.

A quem queremos enganar com nossa hipocrisia? A outros cristãos? Talvez o consigamos. Mas enganar a Deus, a quem todos os pecados ofendem, não é possível. Como poderemos ocultar-nos de Deus cujo olhar tudo percebe, até a queda de um fio de nossos cabelos, incontáveis para nós, mas para Ele todos conhecidos, um a um?

Pedro continuou seu interrogatório como se fosse a própria consciência de Ananias, reativada pela obra do Espírito Santo. “Acaso, você não poderia ter ficado com a propriedade, sem vendê-la, uma vez que era isso o que você desejava? Quem o obrigou a vendê-la? Vendendo-a, não podia ter ficado com todo o valor? Por que permitiu o engano em seu coração? Você não mentiu aos homens, mas a Deus”, sentenciou.

Não há hipocrisia maior que a de um cristão, quando, com engano, obriga a si mesmo a ser hipócrita. Mas Deus, em Seu ilimitado conhecimento, sabia da simulação de Ananias e o propósito de seu engano. Queria passar por generoso, sem o ser, mas ao revelar Deus a Pedro a verdadeira natureza de suas intenções, perdeu a honra que desejava e também perdeu o dinheiro que guardou para si.

“Ouvindo estas palavras”, diz Lucas, “Ananias caiu e expirou” (Atos 5:5).

Por que uma sentença tão sumária e castigo tão imediato? A explicação de Lucas é clara e objetiva: “Sobreveio grande temor a todos os ouvintes”.

Parece claro que Deus pensou nos responsáveis pelo engano e nos que seriam influenciados por ele. Queria evitar o que a Bíblia diz em outra parte, que se aplica ao estado moral da sociedade antediluviana e à maneira impune como ela tratava seus membros: “Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal” (Eclesiastes 8:11).

Quando os demais membros da igreja viram que a mentira contra o Espírito Santo trazia consequências graves para a vida, perceberam muito bem uma coisa: não podiam tratá-Lo levianamente. O juízo final será assim: final, definitivo, sem apelação. A diferença é que, entre o ato pecaminoso e o juízo, Deus concede um tempo de misericórdia para que o pecador se arrependa, se quiser. Para os que não quiserem se arrepender, o tempo de graça não tem nenhum significado. Nada acontecerá entre os pecados desses e o juízo final.

Foi o que ocorreu com Ananias. Ele não queria se arrepender; por isso, e para ensinar aos demais o tipo de consequência do pecado contra o Espírito Santo, Deus executou a sentença imediata contra Ananias.

Três horas depois aconteceu o mesmo com a mulher de Ananias. Pedro adotou o mesmo procedimento seguido com seu marido, isto é, deu-lhe oportunidade para refletir sobre o conluio feito entre ambos e para se arrepender. “Dize-me”, perguntou, “vendestes por tanto aquela terra?” (Atos 5:8). Ela respondeu: “Sim, por tanto”. “Por que entraste em acordo para tentar o Espírito do Senhor?” Não se aperceberam de quão grave é submeter à prova a natureza e caráter do Espírito do Senhor, e quão sério é tentar enganá-Lo?

Desta vez, além de se referir ao Espírito Santo, Pedro envolveu também o Senhor. Os dois foram tratados levianamente. Como pode um ser humano, insignificante e mortal, se tornar tão arrogante ao ponto de considerar Deus um objeto que pode ser manipulado com a força de seu próprio capricho egoísta?

“Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido”, disse Pedro, “e eles também te levarão” (Atos 5:9). “No mesmo instante”, acrescenta Lucas, “caiu ela aos pés de Pedro e expirou”.

Os moços que haviam sepultado o marido fizeram o mesmo com ela. Lucas encerra a história com um comentário que transfere a atenção, concentrada nos protagonistas maus da história, para a igreja toda.

“E sobreveio grande temor a toda a igreja e a todos quantos ouviram a notícia destes acontecimentos” (Atos 5:11).

Que contraste entre Barnabé e o casal Ananias e Safira! Barnabé, voluntariamente, vendeu sua terra para benefício da igreja. Vendeu-a e entregou aos apóstolos o valor total da venda da propriedade, porque era isso o que havia prometido fazer. Sua vida se prolongou por muitos anos e a igreja continuou sendo beneficiada com seu serviço missionário. Ao mesmo tempo, ele viveu a alegria de uma experiência cristã crescente e terá a bem-aventurança dos redimidos com a vida eterna.

Em contraste, Ananias e Safira permitiram a influência do príncipe das trevas e até sua visão espiritual ficou às escuras. Mentiram ao Espírito Santo, puseram o Espírito e o Senhor à prova e cometeram o extremo ato egoísta ao pensar que faziam a vontade de Deus, quando, na realidade, estavam executando um ato egoísta, mentiroso, com o qual pretendiam obter, ao mesmo tempo, vantagem espiritual e material. Os únicos enganados foram eles e receberam a consequência da morte, mais rápido do que haviam esperado.

O número de crentes aumentava grandemente (Atos 5:12 a 16)

Mas pessoas como Ananias e Safira eram poucas na igreja. A grande maioria era de crentes sinceros, com os mesmos defeitos dos seres humanos de todos os tempos, mas honestos lutadores contra o mal existente em si mesmos e contra o mal que, sob a negra orientação dos demônios, operava no mundo. O Espírito Santo estava com eles e eles, sob Seu poder, trabalhavam para Ele, com notável êxito moral e missionário. Lucas descreve essa situação destacando vários aspectos, especialmente o espiritual, mas que, na vida dos crentes, se haviam tornado rotineiros.

  1. Sinais e prodígios. “Muitos sinais e prodígios”, diz Lucas, “eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos” (Atos 5:12a). Os sinais ajudavam a mostrar a verdadeira identidade de todos eles, em Cristo; e os prodígios davam testemunho do poder divino que atuava neles. Ambos, sinais e prodígios, eram a prova visível de que a comunidade cristã constituía o novo povo de Deus, como antigamente Israel havia sido Seu povo.
  2. Unidade. “E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão”, diz Lucas (Atos 5:12b). Os que não pertenciam ao grupo de cristãos não se animavam a se juntar aos crentes, pois temiam as autoridades que os ameaçavam o tempo todo. Mas, apesar de não se juntarem a eles, tinham grande admiração por eles e os elogiavam sempre. Muitos e variados comentários positivos a favor dos cristãos circulavam pela cidade, como se eles fossem a própria razão da existência, sentida por todos.
  3. Crescimento constante. “E crescia mais e mais a multidão de crentes, tanto homens como mulheres”, continua Lucas (Atos 5:14). O crescimento era tão grande que Lucas não registra números. O êxito da missão superava os cálculos matemáticos. Registrou somente o grau de aceitação dos cristãos, entre o restante da população, e o exemplificou com Pedro, personagem principal da história contada por Lucas na primeira parte de seu livro. “E crescia mais e mais a multidão de crentes”, diz, “tanto homens como mulheres, agregados ao Senhor, a ponto de levarem os enfermos até pelas ruas e os colocarem sobre leitos e macas, para que, ao passar Pedro, ao menos a sua sombra se projetasse nalguns deles” (Atos 5:14 e 15). Vinham também muitas pessoas de cidades vizinhas de Jerusalém; multidões que traziam doentes e atormentados por espíritos malignos, e todas eram curadas.

Perseguição a Pedro e João: pregação incessante (Atos 5:17 a 42)

A seguir, Lucas inclui em seu relato um incidente de perseguição aos apóstolos, especialmente a Pedro e João. “Então”, diz, “o sumo sacerdote e todos os seus companheiros, membros do partido dos saduceus, ficaram cheios de inveja” (Atos 5:17).

Mau espírito para líderes religiosos. Dessa forma não estavam em condições de discernir, com clareza, entre o bem o mal. E, com essa falta de discernimento, agiram contra Pedro e João.

Discípulos colocados na prisão (Atos 5:18 a 25)

Prenderam os apóstolos e os colocaram na prisão pública. Detidos novamente. Qual era o delito? Uma vitória que causava inveja e uma causa mais atrativa que a causa dos apóstatas estava diante do povo. Quando líderes religiosos, de qualquer credo, se deixam motivar por sentimentos de inveja, disputas e rivalidade e esses sentimentos, não tendo mais a característica esporádica de uma tentação, tomam a forma permanente do caráter, não pertencem mais à causa de Deus, separaram-se dEle e seu desvio torna-se apostasia.

Embora em plena apostasia, esses dirigentes, sem o saber, estavam na iminência de presenciar a obra direta de Deus, feita diante de seus próprios olhos, não por intermédio deles, mas através daqueles a quem eles consideravam seus rivais e inimigos. O anjo do Senhor não demorou para visitar Seus servos encarcerados. À noite, abriu as portas da prisão, os tirou de lá e lhes ordenou: “Ide e, apresentando-vos no templo, dizei ao povo todas as palavras desta vida” (Atos 5:20).

Eles saíram. Foram ao templo ao romper do dia, e ensinavam com toda liberdade, sem preocupações, sem medo.

Enquanto isso ocorria com eles, os dirigentes do Sinédrio, pensando que estavam bem trancados no cárcere, convocaram o Concílio e todos os anciãos que representavam os filhos de Israel. Quando todos chegaram, ordenaram aos guardas que trouxessem os presos. Que surpresa! O cárcere estava fechado, porém vazio. Os apóstolos não mais estavam lá. Voltaram apressadamente e informaram: “Achamos o cárcere fechado com toda a segurança e as sentinelas nos seus postos junto às portas; mas abrindo-as, a ninguém encontramos dentro” (Atos 5:23).

Não contamos a ninguém. A surpresa, nesse momento, foi para os dirigentes. “O capitão do templo e os principais sacerdotes ficaram perplexos a respeito deles”, diz Lucas, “e do que viria a ser isto”.

Em meio à angústia deles, apareceu um mensageiro que vinha do templo. “Os homens que recolhestes no cárcere”, disse o mensageiro, “estão no templo ensinando o povo” (Atos 5:25).

Foram apresentados ao Sinédrio (Atos 5:26 a 28)

O chefe da guarda agiu imediatamente. Foi ao templo e, sem violência, levou os apóstolos, pois temia ser apedrejado pelo povo. Quando estavam perante o Sinédrio, o sumo sacerdote, em tom de reclamação, lhes disse: “Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome; contudo, enchestes Jerusalém de vossa doutrina; e quereis lançar sobre nós o sangue desse Homem” (Atos 5:28). Havia algum delito nisso? Apenas o delito de não obedecer às ordens recebidas.

Discurso de Pedro (Atos 5:29 a 32)

Mas Pedro explicou, dando várias razões:

  1. A obediência deve ser prestada a Deus. “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). Isso já lhes havia dito quando foram presos na vez anterior, por causa da cura do coxo. A autoridade de Deus está acima de qualquer autoridade humana e, se essas ordens são contraditórias, é claro que a obediência a Deus é prioritária.
  2. Deus ressuscitou a Jesus. “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-O num madeiro. Deus, porém, com a Sua destra, O exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (Atos 5:30).
  3. Há testemunhas em seu favor. “Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que Lhe obedecem” (Atos 5:32). Graças a essas duas testemunhas, todo o povo sabia que Jesus era o Filho do Deus vivo e o único Salvador de todos os seus pecados.

Conselho de Gamaliel (Atos 5:33 a 39)

Acrescentaram a fúria assassina à inveja contenciosa que os induziu a colocá-los na prisão. “Ouvindo isso”, diz Lucas, “eles ficaram furiosos e queriam matá-los” (Atos 5:33).

Mas havia entre eles um homem sensato. Chamava-se Gamaliel. Fariseu, o mais famoso judeu de seu tempo, o mesmo que mais tarde aparecerá como mestre de Paulo. Mestre da lei, acatado por todo o povo. Pediu que os apóstolos fossem retirados, e quando estavam fora, dirigiu-se aos membros do Sinédrio.

“Israelitas”, disse, “atentai bem no que ides fazer a estes homens. Porque, antes destes dias, se levantou Teudas, insinuando ser ele alguma coisa, ao qual se agregaram cerca de quatrocentos homens; mas ele foi morto, e todos quantos lhe prestavam obediência se dispersaram e deram em nada. Depois desse, levantou-se Judas, o Galileu, nos dias de recenseamento, e levou muitos consigo; também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos” (Atos 5:34 a 36).

Após essa introdução, deu-lhes um conselho: “Dai de mão a estes homens, deixai-os; porque, se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus” (Atos 5:38).

Horrível coisa é lutar contra o aguilhão, dirá Paulo mais tarde. Quem pode lutar contra Deus e vencer? Quem pode tornar justas suas próprias obras violentas, multiplicando-as? O conselho era extremamente sábio para ser desprezado.

Sentença (Atos 5:40 e 41)

Concordaram com ele. Chamaram os apóstolos para aplicar-lhes a sentença. Tomaram duas medidas: (1) Açoitaram-nos. (2) Ordenaram-lhes que não falassem em o nome de Jesus. Por que açoitá-los, se não encontraram nenhuma condenação legal no que Pedro e João haviam feito? Por que ordenar-lhes que não fizessem o que eles, por ordem divina, não podiam deixar de fazer? Os membros do Sinédrio, pelo que havia acontecido em toda a história da nação, sabiam exatamente o que uma ordem de Deus, em termos de obediência, significava. Quando Israel, já próximo de entrar em Canaã, a terra que Deus lhe havia prometido, desobedeceu às Suas ordens, preferindo retornar ao Egito por considerar os habitantes de Canaã demasiadamente perigosos, teve que peregrinar no deserto por quarenta anos. Quando o povo estava novamente pronto para entrar, Josué lhes explicou por que não haviam entrado anteriormente.

“Os israelitas andaram quarenta anos pelo deserto, até que todos os guerreiros que tinham saído do Egito morressem, visto que não tinham obedecido ao Senhor” (Josué 5:6).

A desobediência causou terrível castigo. Mais tarde, a nação voltou a se esquecer do Senhor seu Deus, não cumpriu Suas ordens nem escutou a voz de Seus profetas. “Vós não escutastes”, disse-lhes o Senhor, através de Jeremias. “Portanto”, escreveu o profeta, “assim diz o Senhor dos Exércitos: Visto que não escutastes as Minhas palavras, eis que mandarei buscar a Nabucodonosor, Meu servo, e o trarei contra esta terra, e toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; e servirão ao rei da Babilônia setenta anos” (Jeremias 25:3, 8, 9 e 11).

Quando faltavam apenas dois anos para que se completassem os setenta anos de cativeiro, Daniel, orando por si mesmo e pela nação, disse: “Não demos ouvido aos Teus servos, os profetas, que falaram em Teu nome aos nossos reis, aos nossos líderes e aos nossos antepassados, e a todo o Teu povo” (Daniel 9:6).

Novamente, a desobediência a Deus produziu suas consequências, e o povo sofreu por isso. Sabiam que seria assim. Nenhum membro do Sinédrio ignorava a história de Israel. Não podiam pedir aos discípulos que desobedecessem a Deus para prestar obediência a eles, mas o fizeram. Foi um erro. A única coisa sábia que o Sinédrio fez nesse dia, seguindo o conselho de Gamaliel, foi deixar em liberdade os discípulos, aos quais pretendiam matar.

Pedro e João saíram do Sinédrio sem fazer nenhuma queixa. “Eles se retiraram do Sinédrio”, diz Lucas, “regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome” (Atos 5:41).

Não era a satisfação masoquista que uma pessoa desfruta quando se sente maltratada e humilhada; era a alegria espiritual que o cristão sente quando vivencia a fidelidade, sem considerar as circunstâncias que o rodeiam, favoráveis ou adversas. Fidelidade ao Nome. Devoção a Jesus como pessoa divina, como Deus poderoso, como dono da vida que por Sua graça oferece aos perdidos. A alegria espiritual é a raiz que produz o fruto da ação missionária, com coragem, dedicação e fidelidade.

Pregação incessante (Atos 5:42)

Dedicados à ação missionária, não deixavam de pregar. “E todos os dias”, diz Lucas, “no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo” (Atos 5:42).

Sem cessar, diz o texto. Sem parar, continuamente, sem nenhum tipo de interrupção: nem interna, por desânimo; nem externa, por agressão. Nada os detinha. Nada interrompia sua dedicação ao ensino e à pregação do evangelho, no templo e de casa em casa, literalmente. Como não iriam encher Jerusalém com sua doutrina?

Na verdade, não há melhor maneira de pregar, do que fazê-lo nos locais públicos, ou pelos meios de comunicação, por meio das quais as pessoas são alcançadas em massa, e de casa em casa, onde as famílias recebem atenção personalizada e toda dúvida pode ser esclarecida com facilidade. A perseverança espiritual para se trabalhar constantemente nessa obra, com o poder do Espírito Santo, alcança o milagre de atingir a todos e a todos iluminar com a verdade do evangelho.

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Atos – capítulo 4

(17/07) – Terça-feira

Segunda consequência: testemunho perante o Sinédrio (Atos 4:1 a 22)

Admirada pelo milagre, a multidão tinha se dirigido aos discípulos. Ressentidos, os dirigentes, sacerdotes e saduceus foram a eles com o capitão do templo, a fim de prendê-los. Como motivação, o ressentimento é prejudicial às ações de todas as pessoas; pior ainda para os dirigentes. O ressentimento provoca ira que sempre é irracional, arbitrária, vingativa.

“Os sacerdotes e os saduceus estavam ressentidos”, diz Lucas, “porque Pedro e João ensinavam o povo e anunciavam, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos. Eles os prenderam e os puseram no cárcere até o dia seguinte, pois já era tarde” (Atos 4:2 e 3).

Os saduceus eram a única seita judaica que conservava a antiga crença hebraica de que, ao morrer, a pessoa morre plenamente, sem que nada dela permaneça em estado consciente. Mas, erravam ao crer que não há ressurreição de mortos, nem anjos, nem espírito (Atos 23:8). Por isso, depois da ressurreição de Jesus, os mais incansáveis inimigos dos cristãos foram os saduceus, assim como os fariseus tinham sido os piores inimigos de Jesus em todo o Seu ministério. Raramente, Jesus mencionou a ressurreição dos mortos; os apóstolos, por sua vez, a mencionavam frequentemente.

Começa a reunião do Sinédrio (Atos 4:5 e 6)

Os dirigentes se reuniram no dia seguinte em Jerusalém, conforme acrescenta Lucas.

Em seguida, menciona três tipos de dirigentes: (a) os governantes – sacerdotes, fariseus e saduceus; (b) os anciãos – dirigentes que representavam os leigos no Sinédrio; (c) os escribas – juristas do grupo, reconhecidos intérpretes da lei. O Sinédrio tinha seu representante máximo, que era o sumo sacerdote. Naquele tempo, Caifás. Mas, seu sogro, Anás, sumo sacerdote anterior e outros membros da família dos sumo sacerdotes eram também de muita influência, como os outros mencionados por nome: João e Alexandre.

Estavam presentes quase todos os dirigentes que condenaram a Jesus. Lucas deve tê-los mencionado de forma tão detalhada para mostrar que foram eles os próprios juízes de Jesus e para destacar a importância dessa reunião, consequência de um fato extraordinário, ocorrido com uma pessoa socialmente quase insignificante, um mendigo, coxo, cujo nome sequer é mencionado. Uma ironia. Porém, ao mesmo tempo uma prova de que a pessoas consideradas sem importância podem ocorrer fatos que, sob o poder de Jesus, exercem tamanha influência que até os próprios dirigentes da nação podem ser afetados por eles.

Primeira pergunta: Com que poder ou em nome de quem fazem isto? (Atos 4:1 a 7)

Segundo Lucas, Pedro e João foram colocados no centro do semicírculo formado pelos assentos do Sinédrio. O coxo estava com eles. À queima-roupa, fizeram aos apóstolos a primeira de duas perguntas básicas da reunião. A segunda pergunta foi dirigida aos membros do Sinédrio. Ambas feitas pelo sumo sacerdote, presidente do concílio. “Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isto?” (Atos 4:7).

  1. Significado da pergunta. Poder. De onde receberam poder para fazer o que fizeram? Não negou a existência do poder, pois era impossível negar o milagre uma vez que o coxo estava em pé junto aos discípulos. Somente queria saber que tipo de poder era e de onde o haviam obtido. Tinha em mente a possibilidade de acusá-los, como fizeram antes com Jesus, de que o poder utilizado por eles tinha sua origem no príncipe dos demônios. Talvez por isso lhes perguntaram em nome de quem agiram. Nome, autoridade. Poderia alguém ter mais autoridade que o Sinédrio? Jesus? Um morto!

Conhecendo Pedro, esperavam respostas tímidas e inseguras. Sem dúvida, a serva do sumo sacerdote que interpelou a Pedro na noite em que negou a Jesus lhes havia contado a reação covarde do apóstolo que se escondeu em negações e blasfêmias.

Mas Pedro já não era o mesmo homem. O covarde se tornara corajoso, com valentia ilimitada. Graças à sua total conversão, nessa nova experiência, valorizava Jesus mais que sua própria vida. O que importava se a perdesse testemunhando por Ele? Fez uso da palavra e, cheio do Espírito Santo, respondeu. Um testemunho poderoso, cheio de convicção e coragem.

  1. O testemunho de Pedro. Extraordinário! Do começo ao fim, sem rodeios de palavras, sem eufemismo, sem vacilação. Demonstrava unicamente clareza e convicção. Começou de maneira cortês, muito apropriada para a ocasião. “Autoridades do povo e anciãos”, disse ele (Atos 4:8).

Eram eles isso? Por que não reconhecer? Para que atacá-los, negando a autoridade que realmente tinham diante do povo? Logo tratou do assunto para o qual estavam ali.

“Hoje”, disse, “somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo” (Atos 4:9).

Todos olharam para o coxo, que estava ereto, tranquilo, confiante, demonstrando a atitude de um homem transformado pelo poder de Deus: humilde, com dignidade, muito diferente da postura de um coxo e mendigo. A impressão deixada foi profunda.

“Tomai conhecimento, vós todos”, continuou Pedro, “e todo o povo de Israel, de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em Seu nome é que este está curado perante vós” (Atos 4:10).

Silêncio. Ninguém ousou interrompê-lo, muito menos contradizê-lo.

“Este Jesus”, continuou Pedro, “é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual Se tornou a Pedra angular” (Atos 4:11).

Poderosa ilustração, extraída de um fato ocorrido na construção do templo. Todos eles sabiam disso. As pedras para construção saíam da pedreira com as medidas infalivelmente exatas e para um lugar específico do templo. Certa ocasião, chegou uma pedra que não pôde ser identificada pelo construtor. Ele simplesmente, não soube onde colocá-la, e a deixou abandonada em algum lugar, esquecida sob os rigores do tempo, do sol e da chuva. No momento em que precisaram colocar a pedra angular do edifício, essa não foi encontrada. Inutilmente a procuraram entre as pedras que acabavam de chegar. Acaso, teriam cometido algum erro os trabalhadores da pedreira? Impossível. Finalmente, alguém se lembrou da pedra rejeitada e a buscou. Era exatamente a que faltava. O desprezo para com ela, embora aparentemente justificável, foi um erro. “Vocês cometeram o mesmo erro”, disse Pedro.

E completou seu testemunho com uma declaração que, desde então, tem sido o próprio fundamento da pregação cristã de todos os tempos: “E não há salvação em nenhum outro”, disse, “porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4:12).

  1. A impressão do testemunho. Com um comentário simples, Lucas descreve a impressão que o testemunho de Pedro causou entre seus juízes: “Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus” (Atos 4:13).

Admitiram que o ensinamento de Jesus havia correspondido ao ensinamento de um rabi. O resultado dele, em Seus discípulos, era visível.

Além disso, acrescenta Lucas: “Vendo com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário” (Atos 4:14).

Segunda pergunta: Que faremos? (Atos 4:16 e 17)

Depois de dar a ordem para que os discípulos fossem retirados da sala, começaram a decidir sobre o caso. O sumo sacerdote tomou a palavra fazendo uma pergunta dirigida aos membros do Sinédrio: “Que faremos com estes homens?” (Atos 4:16).

Então, expressou seu reconhecimento e fez uma proposta:

  1. O reconhecimento. “Um sinal notório foi feito por eles”, disse. Ele aceitou o fato de que um poder superior havia atuado neles, o que era evidente, porque o próprio sinal se fazia reconhecível. Assim sendo, como duvidar? Sempre é possível duvidar de ideias, mas duvidar do poder quando esse é ativo e visível, é muito difícil, a não ser em atitudes irracionais que, naquele momento, não tinham lugar. Isso não apenas pela evidência do próprio milagre, mas pelo fato, politicamente válido para os dirigentes de uma nação, de que o milagre tinha sido notório a todos os habitantes de Jerusalém e eles o haviam aceitado. “Não podemos negar”, disse o sacerdote.

Pelo visto, se tivessem podido negá-lo, o teriam feito. As evidências eram muitas e eles as haviam aceitado, como tais, como informações corretas, como conhecimento verdadeiro; mas não para acreditar. O ato de crer requer algo mais que exercício intelectual correto e muito mais que a aceitação de opiniões corretas. Exige também a participação de atitudes submissas à vontade de Deus. A disposição da vontade para atuar de maneira contrária à autonomia própria, contrária ao egocentrismo, disposta a seguir a vontade divina, sem questioná-la. O sumo sacerdote não demonstrava essa atitude. Por isso, sua proposta foi limitada.

  1. A Proposta. “Entretanto, disse o sumo sacerdote, apesar de tudo o que tenho reconhecido a favor de Pedro e João, para que não haja maior divulgação entre o povo, ameacemo-los para não mais falarem neste nome a quem quer que seja”.

Ameaça, chantagem, castigo injusto, para obrigar alguém a fazer ou dizer algo contra sua consciência ou contrário à sua vontade. Atentado contra a liberdade de uma pessoa e tentativa de destruir os atributos mais íntimos e próprios da personalidade humana. Esses atributos que Deus colocou na pessoa humana, por ocasião de Sua criação, são tão sagrados como sagrada é a própria vontade do Criador. Violá-los significa atentar contra o próprio Deus. Mas o Sinédrio, como estava acostumado a impor sua vontade sobre todos os israelitas, não teve problema algum para aceitar a proposta de seu presidente.

A sentença: somente ameaças (Atos 4:18 a 22)

“Então”, diz Lucas, “chamando-os ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus” (Atos 4:18).

Acaso, tinham eles poder para dar esse tipo de ordem? Existe alguém no mundo que tenha autoridade para dar ordens contrárias à consciência de uma pessoa, especialmente se essa consciência está em sintonia com a vontade de Deus? A resposta é óbvia e os apóstolos a expressaram da maneira mais clara e direta possível.

“Julgai”, disseram aos membros do Sinédrio, “se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (Atos 4:19 e 20).

Puderam apenas ameaçá-los.

Os membros do Sinédrio, relata Lucas, “ameaçando-os mais ainda, os soltaram, não tendo achado como os castigar, por causa do povo, porque todos glorificavam a Deus pelo que acontecera. Ora, tinha mais de quarenta anos aquele em quem se operara essa cura milagrosa” (Atos 4:21 e 22).

Como poderia alguém negar a validade de um milagre em um homem que havia passado a vida inteira sem caminhar, e agora estava andando?

Terceira consequência: falaram com coragem (Atos 4:23 a 31)

Ao se sentirem livres dos perigos do poder exercido pelo Sinédrio e seus dirigentes, a primeira coisa que Pedro e João fizeram foi ir ao Cenáculo, onde estavam reunidos os demais apóstolos e os irmãos, que Lucas chama de os seus. Apenas o fato de ir vê-los mostra a estreita integração que havia entre eles e a identificação de todos com a mesma causa. Estavam unidos e sua unidade estava a serviço da missão.

Pedro e João tinham algo para contar. Algo detalhado, franco, sem segredos. Algo centralizado na origem dos fatos: sobre o Sinédrio, os principais sacerdotes, os anciãos, os dirigentes. Lucas, de forma direta, simples e clara, escreveu: “Procuraram os irmãos e lhes contaram quantas coisas lhes haviam dito os principais sacerdotes e os anciãos” (Atos 4:23).

Com este relatório começa a terceira consequência produzida pela cura do coxo. É apresentada numa sequência natural.

  1. Pedro e João contaram aos seus. O que contaram com tanta familiaridade e confiança? O que os dirigentes lhes haviam dito. O que disseram havia sido uma ordem. Categórica, precisa, autoritária: absolutamente, não falem nem ensinem em o nome de Jesus. Quando os apóstolos concluíram seu detalhado relatório, a resposta dos seus irmãos foi imediata.
  2. Oraram. Crentes em plena comunhão com Deus tinham que atuar assim. Já haviam compartilhado tudo entre si. Restava somente compartilhar com Deus. Comentar com Ele da mesma forma que comentavam o incidente entre eles.

“Unânimes, levantaram a voz a Deus”, registrou Lucas. Como se contassem uma realidade familiar e natural, espontânea e, por isso, espiritualmente preciosa. Quando a igreja ora a Deus de forma unânime e unanimemente fala a respeito de Deus, o poder dEle, através do Espírito Santo, flui por intermédio dela e seus membros vivem em paz de espírito, em crescimento espiritual constante e em obediência sem legalismo. A igreja é, na verdade, como Paulo a definiu, o corpo de Cristo e a plenitude de Deus. Cumpre sua missão sem resistência, com dedicação imutável, como Jesus.

  1. Conteúdo da oração. (a) Primeiro, invocaram a Deus: “Soberano Senhor, que fizeste o céu, a Terra, o mar e tudo o que neles há” (Atos 4:24). Poderia existir outro deus mais poderoso, com maior autoridade ou domínio do que Ele? Não, sem dúvida. (b) Então, evocaram as palavras de Davi sobre a autoridade rebelde de povos e nações, reis e governantes: “Tu”, disseram a Deus, “que disseste por intermédio do Espírito Santo, por boca de Davi, nosso pai, Teu servo: Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da Terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o Seu ungido” (Salmos 2:1 e 2). E continuaram dizendo: “O que acontecia no passado, tem acontecido também em nossos dias. De fato, Herodes e Pôncio Pilatos reuniram-se com os gentios e com o povo de Israel nesta cidade, para conspirar contra o Teu santo servo Jesus, a quem ungiste. Fizeram o que o Teu poder e a Tua vontade haviam decidido de antemão que acontecesse” (Atos 4:27 e 28). (c) Do passado, distante e próximo, passam à situação que eles, crentes fiéis de Jesus, estão vivendo. “Agora, Senhor”, acrescentam, “olha para as suas ameaças e ordens, para que não falemos nem ensinemos a respeito de Cristo Jesus. Não podemos obedecer-lhes nisto”. Como obedecer ordens contrárias à vontade de Deus, que impediriam o cumprimento da missão? (d) Finalmente, expressam o pedido da oração: “Concede aos Teus servos o valor espiritual para que, com coragem, anunciem a Tua palavra. Com coragem confiante, segura; que nenhuma circunstância nos intimide, que nada diminua nossa liberdade para falar do evangelho, com toda a sinceridade”.
  2. Encorajados pelo Espírito Santo. Então, os crentes são dotados da capacidade, alheia a eles, de sentir as coisas espirituais do mesmo modo como sentem os objetos e as coisas.

“Tremeu o lugar em que estavam reunidos”, escreveu Lucas, “todos ficaram cheios do Espírito Santo e anunciavam corajosamente a palavra de Deus” (Atos 4:31).

As consequências produzidas pelo milagre que aconteceu na Porta Formosa, onde o coxo, em sua rotina mendicante, foi objeto do poder de Deus para curá-lo, causou impacto de diversas formas na missão. O discurso de Pedro à multidão que se aglomerou para ouvi-lo aumentou o número de membros da igreja para cinco mil. A prisão dos apóstolos contribuiu para que Pedro testemunhasse perante o Sinédrio, que finalmente os absolveu de culpa, deixando-os em liberdade. No momento apropriado, essa liberdade lhes concedeu uma boa oportunidade para falar do evangelho com grande coragem. Coragem segura, confiante e livre. Sem restrições psicológicas, espiritualmente forte, fortalecida na fé e estabelecida em Cristo pela presença viva do Espírito Santo na experiência pessoal de cada crente e de todos eles como igreja unida.

A comunidade de um coração e uma alma (Atos 4:32 a 6:7)

A seguir, Lucas descreve a comunidade dos fiéis. Ele o faz com palavras e fatos. Conta a história impressionante de Ananias e Safira e relata a perseguição a Pedro e João, com um fim cheio de entusiasmo e com determinação de continuar pregando, com mais persistência que antes. Conta também a murmuração dos helenistas contra os hebreus, sobre a atenção às suas viúvas e a solução que a igreja deu a esse problema.

Comunidade de bens: nenhum necessitado (Atos 4:32 a 35)

Ao ler as histórias da igreja apostólica, contadas por Lucas, uma impressão se torna muito forte e permanece fixa na mente. A vida de todos era dedicada à missão e ninguém tinha outro interesse superior. Nem o interesse pela posse de bens materiais era superior ao interesse pela missão, chegando ao ponto de renunciar a esses bens. Mas não o faziam por imposição apostólica, nem por coerção de ninguém. Faziam por uma atitude espiritual, sem egoísmo. Lucas é maravilhosamente familiar na descrição. “Da multidão dos que creram”, diz, “era um o coração e a alma” (Atos 4:32a).

Essa era a base espiritual do grupo, que o tornava uma comunidade tão íntima e tão nobre. “Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum” (Atos 4:32b). Isto é, cada um continuava possuindo os bens que tinha no momento de sua conversão. Nenhuma exigência apostólica obrigava os conversos a vender seus bens. O que mudava, em todos eles, era a atitude diante das posses. Ninguém possuía nada, no sentido egoísta tradicional, que o direito de propriedade particular pode oferecer às pessoas. Todos possuíam bens, aceitando que suas posses estavam a serviço da comunidade, e estavam dispostos a vendê-los para atender as necessidades do grupo e da missão, quando fosse necessário.

Sob essas circunstâncias, acrescenta Lucas, “com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça” (Atos 4:33).

O resultado desse modo de vida era visível. Não havia entre eles nenhum necessitado. Lucas novamente destaca a razão: “Os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um” (Atos 4:34 e 35).

Dois casos contraditórios: generosidade e mentira (Atos 4:36 a 5:11)

Barnabé: deu tudo (Atos 4:36 e 37). Entre os novos conversos havia um que se chamava José; judeu da dispersão, nascido em Chipre, mas estabelecido em Jerusalém, possivelmente porque era levita e os levitas estavam ligados ao serviço do templo. Não se sabe quando aceitou Jesus, mas era um dos setenta enviados pelo Mestre, diz Clemente de Alexandria (cerca de 153-220), um dos mais notáveis pais da igreja do século 2, diretor da Escola Teológica de Alexandria (Stromata, livro 2, cap. 20).

José foi chamado pelos apóstolos de Barnabé, filho de exortação, possivelmente por seus dons de exortar que, conforme parece, eram notáveis nele (Atos 11:23 e 24). Além disso, possuía generosidade extraordinária. Tinha um campo, em algum lugar de Jerusalém, e decidiu vendê-lo. Entregou aos apóstolos, de uma só vez, todo o produto da venda. Generosidade semelhante à de sua tia Maria, mãe de João Marcos. Ela não vendeu a casa que tinha em Jerusalém, mas a entregou para que servisse de sede, nas atividades da igreja nascente (Atos 12:12). Essa generosidade, demonstrada em relação a suas posses materiais, foi o prenúncio da entrega de sua própria vida ao serviço missionário, primeiro em Antioquia; depois, na província romana da Ásia, juntamente com Paulo na primeira viagem missionária.

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Atos – capítulo 3

(16/07) – Segunda-feira

A cura de um coxo: consequências (Atos 3:1 a 4:31)

No tempo dos apóstolos, muito mais que nos dias de hoje, o coxo dependia inteiramente dos outros. Não podia se deslocar sozinho, e o fato de que estivera no templo pedindo esmola indicava que havia pessoas bondosas para com ele: as que lhe davam esmola e, especialmente, as que o levavam ao templo e o traziam de volta a sua casa todos os dias. Cedo, pela manhã, o deixavam ali durante todo o dia e o buscavam à tarde, próximo do pôr-do-sol, quando quase todas as atividades comunitárias se encerravam em Israel.

Uma rotina diária. Cansativa para seus protetores? Possivelmente, sim. Toda rotina se torna mais ou menos cansativa, dependendo da motivação que sintam as pessoas envolvidas nela. Se o amor para com o coxo era demonstrado por parentes ou amigos dele, estes tinham melhor motivação para ajudá-lo, e a rotina, possivelmente, não os cansava nem aborrecia. De qualquer forma, no fim do dia, a única coisa que provocava alguma expectativa em seus protetores era a escassa quantia que o coxo tivesse conseguido, pois variava cada dia de acordo com a generosidade dos adoradores.

O milagre: entrou no templo (Atos 3:1 a 10)

Certo dia, tudo mudou para ele. O coxo havia passado quase o dia inteiro, repetindo sua rotina diária. Ele foi levado bem cedo e deixado junto à porta chamada Formosa. Nome desconhecido. Não é mencionada nenhuma descrição bíblica ou extrabíblica do templo. Estudiosos têm procurado identificá-la com alguma das portas, uma vez que os nomes de todas elas são conhecidos, mas em vão. Símbolo da vida anônima que o coxo vivia. A única coisa segura é que se tratava de uma entrada para o templo. Ali, o coxo era deixado, sem nunca ter conseguido entrar nele. Não ia para adorar a Deus. Ia para pedir esmola.

Às três horas da tarde, nesse dia, o coxo de nascimento, imóvel por ser coxo e por atrofia de seus músculos inativos durante quarenta anos, viu dois homens que se aproximavam. Não os conhecia. Não se importou com isso. Seguiu sua rotina. Estendeu a mão para eles implorando-lhes que lhe dessem uma esmola.

Quanto esperava deles? Não pensou em importância alguma em sua extenuada imaginação, fosse o que fosse. Sempre acontecia a mesma coisa. Os poucos que lhe davam algo o faziam com pressa, sem se deter, sem sequer olhar para ele. Olhavam para sua mão e, colocando nela a esmola, entravam no templo.

Pedro e João se detiveram. Fixando os olhos nele, Pedro lhe disse: “Olha para nós”. Ele olhou para eles, atentamente, esperando receber alguma coisa. “Não tenho prata, nem ouro”, disse Pedro (Atos 3:6). E o cego abaixou a mão, esperando nada. “Mas o que tenho, isso lhe dou”, continuou Pedro.

Suas emoções foram novamente reativadas; sentiu que, depois de tudo, lhe dariam algo. Não seria muito, mas, que diferença fazia? Todos lhe davam pouco. Mesmo que fosse pouco, somando tudo o que recebia cada dia, teria alguma coisa no fim da tarde.

“Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno”, continuou Pedro, “levanta-te e anda!” (Atos 3:6).

Algo estranho ocorreu na mente do coxo. Esqueceu a esmola. Esqueceu suas expectativas, tão limitadas, tão rotineiras, tão tristes. Esqueceu as moedas do dia. Tudo caiu no esquecimento e uma espécie de luz, nunca antes vista por ele, penetrou os mais profundos, abandonados e solitários recantos de sua mente cansada e sem vida. Caminhar? Nunca aprendeu a caminhar. Nunca pôde. Caminhar?! Sentiu que a mão de Pedro tomava a sua e uma força firme e generosa levantava seu corpo, sem que o peso ou o tempo dificultassem a ação. Seus pés se firmaram. Seus tornozelos, enferrujados e velhos, inativos e mortos, encheram-se de vida, com força, ação e movimento. Saltou! Seu corpo ficou em pé e andou!

A nova luz de sua mente se tornou uma aclamação de alegria. Seu espaço, tão limitado e tão fixo, não o deteve; não o deteve seu prejuízo. Entrou no templo com os discípulos. Já não era um mendigo da porta de fora do templo. Andando e saltando, louvava a Deus, com alegria mais livre, mais descontraída, com liberdade sem timidez, mais alegre, mais contagiante e mais forte.

Todos o viram e o reconheceram; coxo e esmoleiro, saltando e louvando a Deus. Atônitos e assombrados, eles também louvavam a Deus, como se eles mesmos tivessem recebido o milagre. Além da reação das pessoas, o milagre produziu outras consequências mais amplas e de maior influência.

Primeira consequência: segundo discurso de Pedro (Atos 3:11 a 26)

“Apegando-se o mendigo a Pedro e João, todo o povo ficou maravilhado e correu até eles, ao lugar chamado Pórtico de Salomão” (Atos 3:11).

As pessoas estavam prontas para ouvir os discípulos; qualquer coisa que desejassem lhes dizer. Eles não podiam perder essa oportunidade. Tinham que pregar em todo o mundo, primeiro em Jerusalém. Estavam ali, e o povo com eles. Não vacilaram. Eles eram evangelistas permanentes, tinham que atender os enfermos no momento em que fossem procurados, a qualquer hora; nunca os deixariam esperando.

Pedro fez uso da palavra. “Israelitas”, disse, para chamar sua atenção e começar o discurso. Um discurso muito breve, de conteúdo cristocêntrico e vivencial. Dirigiu-se ao povo em tom de conversação, direto, informal. Um modelo de discurso breve, eloquente e baseado na Escritura.

“Por que vocês se admiram por causa deste milagre”, prosseguiu, “ou por que fitais os olhos em nós como se pelo nosso próprio poder ou piedade o tivéssemos feito andar? O que aconteceu foi feito pelo Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó, o Deus de nossos pais”.

Todos os presentes podiam concordar com isso. Sentiram-se plenamente identificados com o discurso e com o pregador.

“Fez isso”, continuou Pedro, “para glorificar a Seu Filho, Jesus”. Com essa frase definiu o tema de seu discurso, que foi repetido na conclusão.

“Tendo Deus ressuscitado o Seu Servo”, concluiu, “enviou-O primeiramente a vocês, para abençoá-los, convertendo cada um de vocês das suas maldades” (Atos 3:26).

Em uma frase, o tema de Pedro foi: Jesus, o Filho de Deus, morreu para salvar os pecadores. É notável o progresso de Pedro, desde uma simples referência ao milagre de cura ocorrido na pessoa do coxo, até uma declaração de valor salvífico universal.

  1. Referência ao milagre (Atos 3:12). Que o milagre tinha ocorrido, ninguém podia negar. O ex-coxo estava ali, presente, junto a Pedro e João, como se fosse mais um dos apóstolos, pronto para ratificar, com palavras, o testemunho de sua própria presença. Além do mais, por causa do milagre, todos estavam ali reunidos para ouvir os discípulos. Apenas haviam atribuído o mérito total do milagre a Pedro e João.

Pedro lhes disse: “Não foi nosso poder, nem nossa piedade”.

Não nega nenhum dos dois. Pelo contrário, a frase afirma que houve um poder atuando através deles e admite que eles são piedosos. Somente diz que o poder não é deles, e a piedade que eles possuem não lhes concede o mérito, nem o direito de fazer milagres. Por isso, lhes diz: “A admiração de vocês não deve ser dirigida a nós”.

  1. Deus operou o milagre (Atos 3:13). Não existiu a mínima relação de causa e efeito entre a piedade deles e o milagre realizado. Essa realização esteve inteiramente sob o domínio da vontade de Deus. Então, por que Deus fez o milagre por intermédio deles e não através de qualquer outro adorador no templo? Simplesmente porque a vontade divina assim o determinou. Isso não deve ser entendido em termos humanos ou atitudes de pecadores, ou seja, não foi por capricho divino. Tal coisa não existe em Deus. Atitude obstinada e decisões caprichosas existem somente na mente distorcida de seres pecadores. Na vontade de Deus, não existem arbitrariedades, nem aversão, nem humor negativo.

Quando Deus utiliza a participação de um ser humano, Sua vontade continua sendo soberana e própria, mesmo que sempre escolha o mais bem preparado instrumento para executar a ação. A pessoa piedosa, pela sua entrega incondicional a Ele, torna-se mais útil e mais eficiente que uma pessoa sem piedade e, certamente, muito mais que as pessoas iníquas, pois elas atuam motivadas por uma autonomia rebelde contra Ele. Diante disso, ainda que para fazer o milagre Deus tenha utilizado dois homens piedosos, o mérito continuou sendo Seu, e a multidão devia dirigir toda possível admiração para Ele. Pedro e João reconheceram isso e O recomendaram às pessoas. Nisso, revelaram a humildade de sua vida piedosa.

“O Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó, o Deus de nossos pais”, disse Pedro, “fez o milagre”.

Com isso identificou Deus como fonte de todo o bem que acontece em favor da família humana e conquistou a simpatia de seu auditório, todos crentes absolutos no Deus que ele descreveu.

  1. Objetivo do milagre (Atos 3:13b a 15). De acordo com Pedro, Deus fez o milagre para glorificar a Seu Filho Jesus. Aqui começa a novidade de sua mensagem. Jesus é Filho de Deus; um conceito estranho para a mente de seus ouvintes. Para eles, era mais fácil aceitar que fosse o Messias, o Cristo, o Ungido de Deus. Esperavam-nO como um descendente de Davi. Mas que fosse o Filho de Deus, portanto Deus, era impossível. Deus é um – ressoava na mente de todos eles – e, por ser uma verdade revelada, era verdadeira. Não haviam prestado atenção às passagens da Escritura nas quais Jeová, Deus Criador que fez os céus e a Terra, é apresentado como o Filho.

“Servi ao Senhor com temor”, escreveu Davi, “e alegrai-vos nEle com tremor. Beijai o Filho para que Se não irrite, e não pereçais no caminho” (Salmos 2:11 e 12).

O Filho é Jeová, o Criador. O mesmo nome que o anjo deu a Ele, ao anunciar a Maria o nascimento de Jesus. “Este será grande”, lhe disse, “e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, Lhe dará o trono de Davi, seu pai; Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o Seu reinado não terá fim” (Lucas 1:32 e 33).

Palavras evidentemente baseadas na profecia de Isaías, o qual também a Ele se referiu com os seguintes termos: “Maravilhoso Conselheiro, Deus forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6 e 7).

Para que estivesse bem claro na mente de seus ouvintes que Jesus, o Filho de Deus, era superior a todos, Pedro relembrou-lhes o que haviam feito com Ele.

“Vós O traístes e negastes perante Pilatos”, disse, “quando este havia decidido soltá-Lo. Negastes o Santo e Justo e pedistes que vos concedessem um homicida. Matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. Tudo o que vocês fizeram para destruí-Lo, foi inútil. Ninguém pode matar Deus”.

“Mas Jesus, porque era Deus, entregou Sua própria vida para salvar da morte os pecadores, e a retomou por Si mesmo. Um ato de Sua própria vontade, completamente voluntário, feito por amor aos perdidos, para salvá-los. Não houve injustiça em Jesus, nem em Deus, o Pai. Unicamente em vocês. Mas, apesar dessa injustiça, Jesus os salvará, pela fé”.

  1. Pela fé em Seu nome (Atos 3:16). “Este homem, ex-coxo, que vocês veem e conhecem, foi curado pela fé. Pela fé no nome, na Pessoa e autoridade de Jesus, ele recebeu a força que não tinha e, agora, está completamente curado. Está diante de vocês. Não podem negar esse fato. O poder mediante o qual foi curado é de Jesus. Quem o curou foi Jesus. Nós apenas exercemos fé. Jesus é Deus; nós, apenas pessoas de fé, crentes nEle. Não, Ele não era alguém para ser negado diante de Seu juiz, para ser trocado por um homicida; não devia ser morto”.
  2. Agiram por ignorância (Atos 3:17 e 18). “Irmãos, bem sei que vocês e seus governantes agiram por ignorância, sem percepção dos fatos. Não consideraram um aspecto: quem era a pessoa a quem vocês haviam feito tão grande mal. Vocês pensavam que Jesus de Nazaré era apenas um ser humano como todos os outros, pretendendo ser Alguém que na realidade não era. Vocês não mataram Jesus sabendo que matavam o Filho de Deus. Não tinham esse conhecimento. O que sentiam era o escândalo produzido pela ideia de que fosse Deus. Por isso, o que vocês Lhe fizeram, mesmo sendo um ato bem real, de total responsabilidade de vocês, não produziu o resultado que pretendiam. Queriam matá-Lo. Para Ele, queriam uma morte igual à que todos os mortais sofrem. Uma vez sepultados, dali não saem até o dia final. Isso não aconteceu. Jesus não ficou no sepulcro como vocês queriam. Ressuscitou e está vivo.

“Por meio de vocês, Deus cumpriu o que antes havia anunciado pela boca de todos os profetas: que o Seu Cristo havia de padecer. Entendam-me bem. O anúncio de Deus, por intermédio dos profetas, apresentava dois elementos: um planejado por Deus, e outro simplesmente profetizado. O plano de Deus para salvar os pecadores incluía a morte de Seu Filho. Morte vicária. Morte no lugar dos pecadores e pelos pecados deles. Não era morte pelos próprios pecados, pois Jesus nunca cometeu pecado algum. A profecia, anúncio antecipado dos fatos que Deus, pela Sua onisciência, conhece, mas não determina, era referente ao que vocês fariam com Jesus, e como O matariam. Mesmo que não soubessem a quem matavam, O mataram. Foram culpados. Agora, ao saber que Jesus é o Filho de Deus, resta-lhes somente um caminho”.

  1. Arrependimento e conversão (Atos 3:19 e 20). “Arrependei-vos e convertei-vos”, continuou Pedro. “Anteriormente, na ignorância, vocês tinham o coração cheio de escândalo. Agora, é necessário enchê-lo de tristeza e pesar espiritual pelo que fizeram, mudando completamente o curso de sua vida que os conduzia para a morte, passando a seguir o caminho que conduz à vida. Para que entristecer-se? Para que seus pecados sejam apagados e, da parte de Deus, recebam consolo. Para que Ele lhes envie Jesus Cristo, como foi anunciado”.

Tristeza para se alegrar. Que ótima perspectiva! Estamos acostumados com a tristeza que magoa, que abate o ânimo, produz desgosto e angústia; que entristece o espírito. Obviamente, essa tristeza era centralizada em nós mesmos, considerando apenas o nosso futuro, sem nos importar com ninguém mais, muito menos com Deus. Por sua vez, a tristeza espiritual, que conduz ao arrependimento, está centralizada em Jesus; em Sua tolerância para conosco pelo que temos feito, em Seu amor por nós no presente e no futuro; em Sua vinda.

  1. O dia da restauração (Atos 3:21a). Demorará um pouco a chegar, porque é necessário que o Céu retenha até os tempos da restauração de todas as coisas.

Em outra parte, Pedro disse: “Os céus e a Terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e para a destruição dos ímpios” (2Pedro 3:7). Não haverá restauração para eles, somente destruição. A Terra, por sua vez, e tudo o que nela há, será queimada, não para que deixe de existir, mas para ser restaurada. “Uma vez que tudo será destruído dessa forma, não deveriam vocês viver como Deus manda, seguindo uma conduta irrepreensível e esperando com grande expectativa, o dia de Deus, quando vocês, justos, também serão restaurados?” Apela Pedro. “Pois, segundo a Sua promessa, esperamos novos Céus e nova Terra, nos quais habita a justiça; esforcem-se para que Deus os encontre sem defeito e em paz com Ele” (2Pedro 3:14).

  1. Profeta, Semente de Abraão, Filho de Deus (Atos 3:21b a 26). Pedro continua o discurso concentrando seu conteúdo nos profetas. Na Escritura. Como que dizendo: “Tudo o que lhes ensinamos se baseia na Escritura, e lhes transmitimos unicamente o que ela diz”. Assim como a unicidade de Deus, a veracidade das Escrituras somente despertava aprovação na mente daqueles que ouviam a Pedro, na Porta de Salomão.

Ele começou o discurso com duas verdades incontestáveis: o coxo havia sido curado e Deus era um. Concluiu com outra verdade de igual natureza: tudo o que a Escritura ensina é verdadeiro. Pedro fez tudo o que pôde para que, junto com o que já criam, seus ouvintes aceitassem também o que até o momento não haviam entendido a respeito de Jesus.

Disse: “Deus falou da restauração, no dia final, e de Jesus pela boca dos santos profetas que existiram desde os tempos antigos”. Mencionou três exemplos: (1) Moisés, (2) todos os profetas a partir de Moisés e (3) Abraão. Com base nisso, Pedro demonstrou a seus ouvintes total credibilidade.

Moisés disse aos pais que surgiria um grande profeta. Pedro, citando as palavras de Moisés, disse: “O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a Mim; a ele ouvirás; de todo aquele que não ouvir as Minhas palavras, que ele falar em Meu nome, disso lhe pedirei contas” (Deuteronômio 18:15, 18 e 19).

Ao citar Moisés, Pedro atraiu o peso da lei a favor de Jesus. Nesse aspecto, Moisés era autoridade máxima e nenhum dos doutores da lei, que pudesse se opor ao ensino de Pedro, sequer poderia pretender, para si, autoridade superior à de Moisés.

Pedro afirmou que Jesus era o profeta que, por meio de Moisés, Deus prometeu enviar ao povo. “Vocês O rejeitaram quando não sabiam que Ele era o profeta prometido, e agora que sabem, não vão rejeitá-Lo. Certo? Vocês também conhecem as consequências de uma rejeição consciente: conforme ocorria com aqueles que, por não se arrependerem, deixavam de confessar seus pecados enquanto o sumo sacerdote oficiava no lugar santíssimo, serão eliminados do povo, e não serão mais filhos de Deus. Os pais de vocês ouviram a promessa do profeta e creram. Se eles estivessem aqui seriam testemunhas contra vocês e, mesmo que não estejam, pelo fato de haverem crido, se tornariam testemunhas contra vocês, se vocês não cressem”.

Todos os profetas de Samuel em diante. “Se vocês reconhecessem que Jesus é o profeta prometido, imediatamente perceberiam algo evidente: todos os profetas, a partir de Samuel, que, por revelação, falaram a respeito dEle, ensinaram acerca destes dias. Que dias? Os tempos em que Jesus realizará a restauração de todas as coisas (Atos 3:21). E vocês, verdadeiros filhos dos profetas, não podem desconhecer Seus ensinamentos”.

Abraão. “Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com vossos pais” (Atos 3:25a).

Em relação a este pacto, Deus disse a Abraão: “Na tua descendência, serão abençoadas todas as nações da Terra” (Atos 3:25b).

Ao ouvir essa frase, relembraram: Deus havia ordenado a Abraão que sacrificasse seu filho Isaque. Havia sofrido tanta incerteza por causa desse filho! Deus havia prometido que ele seria o herdeiro de todos os seus bens e o início de uma grande nação, tão numerosa como as estrelas do céu. Houve um tempo em que Abraão pensou que esse filho nunca chegaria. Mas Deus cumpriu Sua promessa e, quando Sara já não mais podia conceber, por causa da idade, nasceu Isaque. Que alegria indescritível! Teria mesmo que sacrificá-lo e desfazer a promessa? Novamente, incerteza. Havia somente uma coisa a fazer: obedecer. Por sua obediência, quando estava prestes a cravar o cutelo em Isaque a fim de sacrificá-lo, Deus o deteve e providenciou um carneiro que estava preso entre os arbustos, como substituto de seu filho no sacrifício.

Sacrificou o carneiro e aprendeu que Deus tinha um substituto para toda a família humana.

“Deveras te abençoarei”, lhe disse, “e certamente multiplicarei a tua descendência. Nela serão benditas todas as nações da Terra, porquanto obedeceste à Minha voz” (Gênesis 22:17a e 18).

Essa descendência era Jesus, o Filho de Deus.

“Deus enviou Seu Filho”, continuou Pedro, “primeiramente para vos abençoar, no sentido de que cada um se aparte das suas perversidades”.

Depois a bênção irá a todo o mundo. Essa primeira consequência foi a de pregar ao povo, com um resultado extraordinário: o número de crentes chegou “a quase cinco mil” (Atos 4:4). A segunda consequência foi a pregação aos dirigentes, embora as circunstâncias não fossem as mesmas.

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Comentário da Lição 2 – O Pentecostes – 7 a 14 de julho de 2018

Comentário da Lição 2 – O Pentecostes  – 7 a 14 de julho de 2018

(07/07) Sábado

Após Sua ressurreição, repetidas vezes Jesus visitou Seu pequeno grupo, formado pelos Seus seguidores mais próximos, dentre os quais, os discípulos. Grandes ensinamentos foram dados!

Então, passado esses quarenta dias, Ele foi “elevado às alturas” – subiu – foi para o Céu – retornou para o Trono do Universo.

Lá chegando, “foi entronizado em meio à adoração dos anjos”, e, “tão logo foi essa cerimônia concluída, o Espírito Santo desceu em abundantes torrentes sobre os discípulos”.

Quando o sumo sacerdote terrestre era “ungido”, um tanto de óleo era derramado sobre a sua cabeça, nos possibilitando imaginar que um pouco escorria por sua barba e, quem sabe, molhando a sua roupa, e até mesmo respingando no chão. E como a Bíblia usa o “óleo” como ilustração para o “Espírito Santo”, também podemos imaginar a cerimônia celestial da unção de nosso Sumo Sacerdote, quando, como visto na cerimônia terrestre, o Espírito Santo “escorre”, “desce”, e “encharca” a igreja cristã em formação. “O derramamento do Pentecostes foi uma comunicação do Céu de que a confirmação do Redentor havia sido feita” (Atos dos Apóstolos, pág. 39).

Bem, a Lição desta nova semana vai tratar dos acontecimentos aqui na Terra. Em Jerusalém. Exatamente o momento em que o Espírito Santo toma conta dos discípulos, e os usa para a pregação do Evangelho Eterno. É o segundo capítulo de Atos.

Como noticiei na Lição 1, li e gostei do livro “Atos – Contando a História da Igreja Apostólica”, um “Comentário Bíblico Homilético”, escrito por Mário Veloso, publicado pela Casa Publicadora Brasileira. Esse livro é um excelente companheiro para a Lição da Escola Sabatina deste trimestre, e ideal para quem deseja elaborar sermões.

Então, diminuo as minhas próprias considerações particulares, mas disponibilizo, abaixo, os textos do referido livro, correspondentes ao exigido para esta semana. Pode ser?

Então, abra sua Bíblia e a sua Lição, e, conforme o que Mário Veloso escreve, faças as suas próprias anotações.

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(08/07) Domingo + (09/07) Segunda

Pentecostes: recebimento do poder (Atos 2:1 a 13)

Aconteceu o Pentecostes. Os discípulos estavam todos juntos, unidos, nos dias que precederam a festa. Lucas já havia informado sobre a unidade espiritual de seus pensamentos, ocorrida depois da ascensão de Jesus, tão logo retornaram do Monte das Oliveiras (Atos 1:14). Ao chegar a data da festa, pressentindo que o tempo para receber o poder estava se aproximando, acrescentaram mais um elemento à sua unidade – a ação. Aproximaram-se ainda mais uns dos outros, e todos, do seu Senhor, motivados pela missão cujo início, para eles, tinha que ocorrer a qualquer momento, e estavam prontos. Haviam confessado seus pecados e sentiam-se perdoados. Analisaram seus pensamentos e sentimentos com profundo exame de consciência, procurando descobrir qualquer resquício de egoísmo neles. Não havia, a não ser o intenso desejo de remir o tempo e, com todas as suas forças, se consagrar à missão. Pediam capacitação para executá-la e disposição para levar o evangelho a todas as pessoas utilizando o trato diário normal e qualquer outra oportunidade que se lhes apresentasse.

De repente, veio do Céu um som como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde eles estavam. Havia chegado o momento. “Ao transpor as portas celestiais, foi Jesus entronizado em meio à adoração dos anjos. Tão logo foi esta cerimônia concluída, o Espírito Santo desceu em ricas torrentes sobre os discípulos, e Cristo foi de fato glorificado com aquela glória que tinha com o Pai desde toda a eternidade. O derramamento pentecostal foi uma comunicação do Céu de que a confirmação do Redentor havia sido feita. De conformidade com Sua promessa, Jesus enviara do Céu o Espírito Santo sobre Seus seguidores, em sinal de que Ele, como Sacerdote e Rei, recebera todo o poder no Céu e na Terra, tornando-Se o Ungido sobre Seu povo” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, págs. 38 e 39).

Surgiram línguas, como de fogo, que pousaram sobre cada um dos discípulos e todos foram cheios do Espírito Santo. Começaram a falar outros idiomas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Houve uma razão muito forte pela qual o Espírito Santo atuou neles dessa forma. Judeus piedosos, procedentes de todas as nações existentes debaixo do céu, estavam em Jerusalém por causa da festa, a fim de adorar. Eram integrantes da dispersão judaica. Muitos desses judeus dispersos por todo o mundo haviam nascido nos países em que viviam e falavam somente o idioma local.

Quando ouviram o grande ruído se acercaram dos discípulos que começaram a lhes falar nos diferentes idiomas deles. Ficaram assombrados e perguntaram: “Não são galileus estes que falam? Como, pois, os ouvimos falar cada um em nosso próprio idioma?” O mundo de então estava ali presente. Desde o império parto, adiante da Pérsia, no Oriente, até Roma, no Ocidente. E desde o Ponto, no norte, junto ao Mar Negro, até o Egito e adiante de Cirene, África, no Sul.

A enumeração dos lugares, apresentada por Lucas, é detalhada. Diz que havia partos, medos, elamitas, pessoas da Mesopotâmia, da Capadócia, do Ponto, da Ásia, Frígia e Panfília, do Egito e das regiões mais distantes de Cirene; romanos tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes.

“O que isto quer dizer?” Perguntavam uns aos outros. Atônitos e perplexos, não sabiam que Deus estava fazendo um grande milagre para que eles ouvissem o evangelho e para que eles mesmos o levassem a todo o mundo. E o fariam. Quando chegassem a seus territórios, por convicção ou sem ela (sempre há incrédulos), contariam essa extraordinária experiência que, naquele momento, começavam a viver em Jerusalém. E os incrédulos certamente estavam ali. “Estão embriagados”, disseram eles.

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(10/07) – Terça

Primeiro discurso de Pedro: Jesus, o Senhor e Messias (Atos 2:14 a 36)

“Estes homens não estão embriagados, como vocês supõem”, começou Pedro seu discurso (Atos 1:15).

Era o primeiro discurso de Pedro, sob a ação do Espírito Santo que estava operando nele, bem como em todos os demais discípulos. Pedro se dirigia aos judeus da dispersão e a todos os habitantes de Jerusalém.

“Não podem estar embriagados, pois esta é a terceira hora do dia.” Nove horas da manhã. Horário de trabalho. Ninguém comia nem bebia nesse horário. Tomavam o desjejum antes de ir ao trabalho, que começava às seis horas da manhã. E comiam a principal refeição, de apenas duas por dia, quando o trabalho acabava, pouco antes do pôr-do-sol.

Após essa introdução explicativa, começou imediatamente o tema de seu discurso que aparece claramente enunciado na conclusão, quando diz: “Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus O fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36).

O tema, então, foi: Jesus, o Senhor e Messias. Os argumentos que Pedro utiliza para provar que Jesus é o Senhor e Messias são os seguintes:

  1. O Senhor é quem traz salvação (Atos 2:16 a 21). Na realidade, o que está ocorrendo é o que o profeta Joel anunciou, disse Pedro, e citou textualmente a profecia de Joel 2:28 a 32, na qual Deus revela Seu plano de outorgar as bênçãos espirituais à nação restaurada de Israel, inaugurando o reino messiânico, imediatamente após o cativeiro babilônico. Mas Israel não cumpriu as condições. Por essa razão a bênção do Espírito, como promessa e como realidade, passou à igreja cristã.

A profecia, de acordo com a interpretação de Pedro, devia se cumprir em dois momentos específicos: nos últimos dias da nação israelita, como povo de Deus (ou início da igreja cristã) e antes do dia do Senhor, o dia do juízo final. O que estão presenciando é o primeiro cumprimento.

A profecia também informa como se cumpriria o derramamento do Espírito Santo. Visões, sonhos, profecias. Tomando como base a família inteira: pai, mãe, filhos, filhas, avôs, avós, servos e servas, esses dons seriam outorgados a todos, indiscriminadamente. O mesmo ocorrerá antes da chegada do dia do Senhor, antes do juízo final que será precedido e anunciado por sinais especiais na Terra, no Sol e na Lua.

Entre esses dois momentos da história cristã, o primeiro derramamento do Espírito Santo (a chuva temporã) e o segundo momento (a chuva serôdia) todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. A salvação vem por meio de Jesus; Ele é o Senhor.

  1. Aprovado por Deus com milagres, prodígios e sinais (Atos 2:22 e 23). Jesus, o Nazareno – continuou Pedro – foi um Homem aprovado por Deus, diante de vocês. Mostrou-lhes Sua aprovação por meio de milagres, prodígios e sinais que Deus fez entre vocês, por intermédio dEle. Vocês O viram, foram beneficiados por Seus milagres e, por isso, sabem muito bem. Entretanto, sabendo Deus antecipadamente todas estas coisas e em harmonia com Seu plano, vocês O prenderam e O mataram, crucificando-O por mãos de iníquos. E vocês sabem disso. Sabem muito bem que nenhum mortal, por si mesmo, pode fazer todas essas maravilhas. Somente o Filho de Deus pode. Nem mesmo nenhum mortal pode morrer como Ele morreu, mas Ele pôde porque era o Filho de Deus.
  2. Deus O ressuscitou (Atos 2:24 a 28). Além do mais, Deus O ressuscitou. Venceu o poder da morte, pois era impossível que fosse retido por ela. Por que era impossível? Jesus era o Senhor, e o Senhor tinha que ressuscitar.

Davi falou sobre isso, e todos vocês sabem: “O Senhor, tenho-O sempre à minha presença, estando Ele à minha direita, não serei abalado. Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro. Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida; na Tua presença há plenitude de alegria, na Tua destra, delícias perpetuamente” (Salmos 16:8 a 11).

Davi não se refere a si mesmo, argumenta Pedro, porque ele morreu e seu corpo se corrompeu. Unicamente Jesus, o Nazareno, pode ser o Messias porque Deus O ressuscitou e Seu corpo não permaneceu no sepulcro para ser corrompido.

  1. É a descendência de Davi (Atos 2:29 a 32). Davi foi sepultado e seu túmulo permanece entre nós até hoje – continuou dizendo Pedro. Mas como ele era profeta e sabia que Deus, por meio de juramento, lhe havia prometido que de sua descendência, quanto à carne, suscitaria a Cristo para que Se assentasse em Seu trono, tendo visto de antemão o que ocorreria, falou da ressurreição de Cristo, o Messias, de que Sua vida não seria deixada na morte, nem Sua carne veria corrupção. A esse Jesus, o Messias, descendente de Davi, Deus ressuscitou e todos nós somos testemunhas dessas coisas.
  2. Jesus subiu ao Céu e enviou o Espírito Santo (Atos 2:33 a 35). Sendo assim – disse Pedro – a conclusão inevitável é esta: uma vez que Jesus foi exaltado à destra de Deus, e valendo-Se da promessa sobre o Espírito Santo, feita por Deus, derramou isto que vocês veem e ouvem. Não foi Davi quem subiu ao Céu, pois ele mesmo diz: “Disse o Senhor ao Meu Senhor: Assenta-Te à Minha direita, até que Eu ponha os Teus inimigos por estrado de Teus pés”. Foi Jesus. E porque Ele subiu ao Pai, enviou o Espírito Santo. Estejam absolutamente certos, todos vocês, israelitas, que esse Jesus que vocês crucificaram Deus o fez Senhor e Cristo.

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(11/07) Quarta + (12/07) Quinta

O diálogo da conversão: resultados (Atos 2:37 a 42)

A argumentação de Pedro, para a mente israelita da época, foi altamente convincente. Uniu profecias messiânicas, bem conhecidas por seus ouvintes, com a experiência que todos os habitantes de Jerusalém haviam tido sobre Jesus e que os estrangeiros, que ali foram para assistir à festa, haviam ouvido deles desde que tinham chegado a Jerusalém. Escritura e experiência pessoal dos ouvintes, integrados pela fé, convicção sólida e atrativa do pregador, produziram um dos melhores sermões da igreja cristã do tempo apostólico e de sempre. Por isso, gerou um diálogo entre Pedro, o pregador, e seus ouvintes.

“Ao ouvir isto”, disse Lucas, “compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?” (Atos 2:37).

A convicção de Pedro, clara e sem vacilações, com respeito a Jesus como Senhor e Messias, produziu convicção em seus ouvintes. Convenceu-os de que Jesus era, verdadeiramente, o Messias. A convicção, quando é autêntica, sempre se manifesta em ações. Por isso, a primeira coisa que os ouvintes de Pedro pensaram foi: “Que faremos?” Procediam de muitos lugares do mundo, dispersos e distantes, mas eram todos judeus. Era essa uma pergunta legalista ou não? Seria muito superficial fazer um julgamento da reação de pessoas cujo coração foi tocado espiritualmente, sem considerar o nível de profundidade na reação. Não, certamente não pediam uma religião de salvação por obras. Queriam responder a Jesus de maneira plena. Por isso, Pedro não argumentou com eles. Simplesmente atingiu, com sua resposta, a pessoa na sua totalidade – interna e externamente.

“Arrependam-se”, disse-lhes, atendendo assim a parte espiritual deles, “e sejam batizados”, demonstrando, desse modo, a necessidade de uma ação externa e visível. A religião cristã não é um misticismo espiritual cujo conteúdo e completa expressão se reduzam ao que está no interior da pessoa cristã. Abrange suas capacidades espirituais internas e suas ações externas, sem desprezar nenhuma. O cristianismo é uma religião para a pessoa completa. O batismo tinha que ser no nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados e para o recebimento do Espírito Santo. A promessa do Espírito Santo não era somente para os apóstolos ou dirigentes. É para todos os cristãos.

“Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar” (Atos 2:39).

Naturalmente, isso incluía os apelos no tempo dos apóstolos e em todos os tempos após eles. Acontece que, sem a presença do Espírito Santo, nunca é possível, para ninguém, viver o cristianismo com autenticidade. E não existe um cristianismo hipócrita. O que pode existir são cristãos hipócritas, mas o cristianismo, como tal, como crença e modo de vida, como imitação da pessoa completa de Jesus, não pode ser falso. Para que esse cristianismo seja uma realidade na pessoa que crê, é necessária a ação do Espírito Santo em sua vida. Ação pela presença real. O Espírito Santo não realiza ações virtuais; todas elas são reais, feitas na medida da pessoa cristã, nela, com ela, para benefício de outros e para a glória de Deus. O ponto de partida para uma vida cristã genuína é o arrependimento. Arrepender-se implica saber o que é o arrependimento, para transformar esse conhecimento em vida. Experimentar uma mudança de coração, abandonando o coração de pedra e adquirindo um coração de carne, pela obra do Espírito Santo, onde Ele escreve as leis de Deus e o modo de vida aprovado por Jesus. É a mudança do estilo de vida próprio, egoísta e pecador, pelo estilo de vida cristão, centralizado em Cristo, para servir aos outros e glorificar a Deus.

Os pensamentos e as atitudes são mudados com respeito ao pecado e à justiça. O pecado já não produz alegria, mas tristeza e rejeição. Apenas a insinuação de sua presença provoca uma espécie de asco espiritual, repugnância, repulsa. Repugnância que nasce das vísceras espirituais mais íntimas da pessoa arrependida.

O arrependimento produz mudança da mente e da conduta. Modifica os pensamentos e as ações. A justiça se torna atração e alegria, porque o pecador arrependido a possui como presente de Cristo Jesus, como justificação, e a vive pela ação do Espírito Santo, como santificação.

Após a pregação veio o testemunho. “Com muitas outras palavras”, Lucas escreveu, “Pedro os advertia e insistia com eles: ‘Salvem-se desta geração corrompida’” (Atos 2:40).

O resultado do primeiro sermão foi extraordinário. “Os que aceitaram a mensagem foram batizados”, acrescentou Lucas, “e naquele dia houve um acréscimo de cerca de três mil pessoas” (Atos 2:41).

Um acréscimo maravilhoso! Algumas horas antes eram cento e vinte, e após a pregação, no dia de Pentecostes, 3.123. Um aumento de 2.500%. Além disso, a qualidade de vida espiritual e comunitária que esses novos cristãos viviam – que Lucas define com a palavra “perseveravam” – era de dedicação contínua, com grande esforço, enfrentando qualquer tipo de dificuldade que pudesse surgir.

Perseveravam em quatro atividades ou experiências-chave da vida cristã (Atos 2:42):

  1. Na doutrina dos apóstolos. Não significa que os apóstolos houvessem criado nova doutrina, própria deles, diferente dos ensinamentos do passado. Também não era um credo. O chamado credo dos Apóstolos, derivado do Antigo Credo Romano (século 4), somente adquiriu sua forma atual nos séculos 7 e 8. A doutrina dos apóstolos era baseada na Palavra de Deus e era a própria doutrina do Senhor (Atos 13:5, 7 e 12). Receberam-na diretamente de Jesus e através do Espírito Santo. Por isso, tinha sua própria autoridade e era confiável como a Escritura.

Depois do dia de Pentecostes, continuaram ensinando a Escritura, especialmente o que ela dizia a respeito de Jesus, da criação, da maneira como Deus dirige o mundo, da ressurreição, do arrependimento, do juízo e de todo o evangelho (Atos 17:19, 18, e 24 a 32).

Os novos cristãos perseveravam em ouvir e em praticar o ensinamento dos apóstolos. Cada vez que um apóstolo pregava ou ensinava, eles estavam presentes; nunca faltavam às reuniões da igreja nascente, perseveravam nelas.

  1. Na comunhão uns com os outros. Viviam em koinonia, em íntimo relacionamento que se produz num pequeno grupo, quando todos têm igual direito a um presente comum, ou uma herança recebida. Essa associação dura até que o presente (ou a herança) seja repartido. Depois o grupo se desfaz. A integração dos cristãos era produzida por Jesus, o presente de Deus, outorgado a todos os que criam. Quanto mais era repartido o conhecimento a respeito de Jesus, mais presente Ele estava entre eles, mais pessoas se agregavam a eles, e o grupo, por permanecer nEle, continuava como grupo para sempre.

O modo de perseverar nesse companheirismo era duplo: estavam sempre com Jesus e sempre O compartilhavam com os outros.

  1. No partir do pão. Entre os judeus, partir o pão significava comer, referindo-se às refeições normais de cada dia. Perseverar no partir do pão poderia significar que muitas vezes faziam refeições juntos, desfrutando de uma integração comunitária muito agradável. Mais tarde, quando a crise provocada por uma grande fome assolou a cidade, os cristãos compartilharam na comunidade o que tinham, para que não faltasse a ninguém o alimento necessário. Um ato natural para quem já tinha o costume de comer junto.

Lucas destaca o sentido espiritual que o partir do pão tinha para a vida da comunidade cristã, indicando, possivelmente, que com frequência celebravam o ritual da Comunhão, com a constante participação de todos, o que constitui um testemunho da excelente integração que havia entre eles e que todos tinham com Cristo Jesus.

  1. Nas orações. Todos oravam constantemente. Cada um particularmente, e todos juntos, como grupo. Abriam o coração a Jesus como a um amigo. Não é de se admirar, então, que a vida do grupo fosse tão agradável para todos – os que já haviam crido na doutrina dos apóstolos e os que a ouviam pela primeira vez.

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(13/07) Sexta

Primeiros conversos: estilo de vida (Atos 2:43 a 47)

Resumindo, diz Lucas, um temor respeitoso, pelos cristãos, se apoderou de todas as pessoas e os apóstolos faziam sinais e maravilhas. Além disso, todos os crentes estavam juntos, como se fossem uma única pessoa, e tinham tudo em comum. Vendiam suas propriedades e bens e, de acordo com as necessidades de cada um, distribuíam o produto entre todos. Com devoção, diariamente estavam juntos no templo, partiam o pão de casa em casa, repartiam o alimento entre todos, comiam com alegria. No coração não havia complexos, louvavam a Deus, contavam com a participação de todo o povo e o Senhor, acrescentava-lhes, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Que experiência! Digna de ser imitada. Havia sido acrescentada, na vida de seres humanos pecadores e perdidos, a mais autêntica realidade do evangelho com o máximo poder do Espírito Santo e as pessoas escravizadas pelo pecado agora viviam livres em Cristo Jesus.

Fácil, não é verdade? Basta aceitar o presente de Deus. Apenas crer em Jesus. Apenas se entregar ao Espírito Santo. Apenas viver pela fé. Apenas sentir o que é preciso sentir. Apenas fazer o que deve ser feito. Apenas ter um coração sem egoísmo e um espírito humilde. Apenas ser em Cristo o que Ele foi na carne. Jesus acrescentará uma multidão de conversos, cada dia, e a atração da vida cristã coerente manterá todos na igreja, até que Ele volte.

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Lição da Escola Sabatina 2018 – Comentário de sábado feito por Carlos Bitencourt

 

 

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Comentário da Lição 1 – “Sereis Minhas testemunhas” – 30 de junho a 7 de julho de 2018

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 1

Sereis Minhas testemunhas” – Testemunhas do quê? Do que viram e ouviram do próprio Senhor Jesus, e não da tradição ensinada pelos “falsos” mestres e sacerdotes.

Com a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, os discípulos passaram a ensinar o que verdadeiramente significava “A restauração de Israel” – sendo que “Israel” não era o conceito literal que até então mantinham, mas o “espiritual”. Nada de mensagem “exclusivista”. Nada de Messias “somente” para eles. Jesus é o Salvador de todas as pessoas. E todas as pessoas têm o direito de saber isso.

Entre a ressurreição e a ascensão, Jesus apareceu para poucos. Para os onze discípulos e mais algumas pessoas. Somente esse pequeno grupo foi contemplado com a Sua presença e os Seus ensinamentos. Mas, mesmo assim, para que fossem “acreditados”, deveriam ser dotados com o poder do Espírito Santo. Deus estabeleceu que a convicção da mensagem não seria por capacidade intelectual dos mensageiros, mas pelo poder vindo do Céu. “A missão dos discípulos” seria desenvolvida com a bênção do Espírito Santo. E eles não receberiam essa “Semente” Divina se não preparassem o “solo” de seus próprios corações.

Antes dos acontecimentos da cruz, os discípulos não compreendiam adequadamente o que significava o Mestre ter que ir para o Céu e de lá voltar. Porém, quarenta dias depois do Calvário, na frente deles, Jesus começou a ser levantado em direção ao Céu. E eles estavam “testemunhando” isso! E um anjo, naquele instante, se revelou a eles, expressando o que havia sido dito pelo próprio Senhor: Ele voltará”.

Nos dez dias seguintes, em obediência a ordem de Jesus, da parte dos discípulos houve a “Preparação para o Pentecostes”. Eles tiveram que se colocar na posição exigida para se receber a bênção. Não a receberiam se fosse do modo deles.

Assim como Noé foi orientado a respeito da construção da arca; assim como Moisés foi orientado a respeito da construção do Santuário; assim como Salomão foi orientado a respeito da construção do Templo; da mesma forma, os discípulos foram orientados sobre como e para qual propósito receberiam o poder do Espírito Santo. Não mais disputando quem seria o maior, mas na humildade divinamente recomendada.

Um fato deve nos chamar a atenção durante os dez dias de preparação. Pouco sabemos a respeito de Matias, “O décimo segundo apóstolo”. Pouco do “antes”, pouco do “depois”. No entanto, sabemos o melhor de tudo: O Espírito Santo guiou todo o processo, e os discípulos se permitiram ser guiados pelo Espírito Santo. Que transformação!

Irmãos, em linhas gerais, assim se desenvolverá a Lição desta semana. E o meu Comentário se resume a isso.

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Exponho uma situação particular a todos vocês: Minha sogra não está bem de saúde. Com isso, minha esposa tem cuidado da mãe e de duas casas. É conveniente, então, que eu manifeste mais apoio a ela. É prudente que eu diminua o ritmo que o blog exige. Peço, portanto, a compreensão de todos vocês, bem como suas orações. Orem pela dona Ernaní.

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Li e gostei do livro “Atos – Contando a História da Igreja Apostólica”, um “Comentário Bíblico Homilético”, escrito por Mário Veloso, publicado pela Casa Publicadora Brasileira. Excelente companhia para a Lição da Escola Sabatina deste trimestre, e ideal para quem deseja elaborar sermões.

Então, diminuo as minhas considerações, mas disponibilizo, abaixo, os textos correspondentes ao exigido para cada semana. Pode ser? Então, abra a sua Lição e vá fazendo as anotações que achar conveniente.

Atos – capítulo 1 –  Poder e esperança

Lucas (o autor de Atos) faz a introdução de seu livro sobre a história da igreja apostólica destacando três fatos necessários para o conteúdo de todo o livro: (1) o evangelho, (2) o recebimento do Espírito como condição prévia indispensável para a execução da missão, e (3) a ascensão de Jesus. Ele faz essas menções como modo de preparação.

Desde o início, Lucas deseja mostrar que a pregação do evangelho é obra espiritual sujeita à condução do Espírito Santo e, por essa razão, toda a igreja cristã, especialmente seus pregadores e dirigentes, são pessoas espirituais que vivem, pensam e atuam espiritualmente. Vivem distantes das práticas iníquas que seus inimigos lhes atribuem, pensam em harmonia com a Divindade graças à presença constante do Espírito Santo que neles opera, e assim agem inteiramente consagrados à missão redentora que Jesus lhes confiou.

O evangelho: o que Jesus fez e ensinou (Atos 1:1 e 2a). O evangelho vem em primeiro lugar. Foi o primeiro na obra de dois volumes que Lucas escreveu – o Evangelho e Atos – e tem que ser sempre o primeiro, porque se baseia na experiência cristã e na pregação do cristianismo. Lucas vê o evangelho considerando nele dois elementos: Jesus e o tempo.

Jesus: prática e ensinamento (Atos 1:1). “Estimado Teófilo”, começou Lucas o livro de Atos, indicando a quem dirigia sua história. Não era o grupo de pessoas composto por todos os que amam a Deus, nem um homem comum, desconhecido e sem influência. Era uma pessoa real que Lucas conhecia. Distinta e com a devida importância na comunidade, para que Lucas o considerasse representante apropriado a fim de procurar convencer, a ele mesmo, e, por meio dele, a todos os cidadãos do Império, especialmente os de Roma, que receberam informações incompletas ou equivocadas acerca do cristianismo. “Já lhe escrevi sobre Jesus, na primeira obra. Jesus é o evangelho. As boas-novas sobre a salvação surgem de Sua pessoa. Ele é o Deus amigo que veio ao mundo para salvar Seus amigos perdidos. Ele demonstrou, indiscriminadamente, amizade para com todos os seres humanos. Não favoreceu a ninguém em particular. É verdade que deu especial atenção aos pobres, às viúvas, às mulheres, às crianças e a todos que se encontrassem em algum tipo de desvantagem social ou econômica, mas não porque fizesse acepção de pessoas, nem porque desprezasse os ricos. Amou todos os seres humanos e morreu por todos. Suas obras e ensinamentos assim o demonstram.

“Teófilo, não se esqueça de que Jesus, como lhe contei em minha primeira obra, era uma pessoa íntegra, espiritualmente coerente. Sua vida foi coerente com Seus ensinamentos.

“Com Ele, geralmente não acontecia o que ocorre com os líderes da sociedade e com o povo. Quando falam a respeito de si, suas palavras descrevem uma pessoa boa, que não faz mal a ninguém, correta em tudo, sem más intenções para com qualquer pessoa, sempre fazendo o bem aos outros. Mas suas ações nem sempre condizem com as palavras. São tão diferentes… Nem o que dizem concorda com a descrição que fazem de si mesmos. Às vezes, falam de forma ferina, ofensiva, condenatória, recriminadora. São persistentes na recriminação. Diante de si mesmos, parece que se sentem superiores, quando corrigem os outros jogando-lhes na cara seus defeitos, suas falhas ou equívocos.

“As ações de Jesus eram cordiais, isentas de todo egoísmo. Eram nobres.

“Quando uma pobre mulher enferma, às escondidas Lhe tocou para ser curada, deixou que sua fé obtivesse a cura ansiada e mais: destacou-a diante de toda a multidão, dizendo-lhe: ‘Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz’. Muito tempo de tristeza, doze anos de dor; em um instante tudo acabou. Ficou somente a recordação de alegria, a lembrança de grande compreensão com muito afeto e uma vida de gratidão pelo alívio e a saúde tão generosamente outorgados e tão alegremente bem recebidos (Lucas 8:42 a 48).

“Como não lhe relembrar, Teófilo, a aflição de Jairo quando foi a Jesus para Lhe pedir que curasse sua filha enferma e a angústia que sentiu quando lhe deram a terrível notícia de sua morte? Jesus não Se deteve, seguiu Seu trajeto de amor até a casa cheia de tristeza por causa da dor e morte. Mas nEle não havia tristeza. Muito menos dor. Unicamente uma grande e bondosa disposição de ajudar e servir. ‘Não se preocupe’, Ele disse, ‘creia somente, e será salva’. Momentos depois, tomando a morta pela mão, lhe disse: ‘Menina, levanta-te!’ E ela se levantou. Jairo e a esposa ficaram maravilhados, felizes! A filha morta, agora novamente viva para ser amada. Eles viveram com ela a imensa gratidão que nunca morreria (Lucas 8:41 e 49 a 56).

“Não se esqueça, também, Teófilo: quando os líderes judeus, as autoridades romanas, o povo, as pessoas de todos os povos, os povos de todo o mundo e o mundo de todos os tempos O crucificaram, com o amor de sempre, sem recriminar ninguém, Ele orou a Deus, dizendo: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’ (Lucas 23:34).

“As ações amorosas de Jesus concordavam com Seus ensinamentos de amor. Disse a Seus discípulos: ‘Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam’ (Lucas 6:20 e 27). Se deviam fazer o bem e amar seus inimigos, quanto mais seus irmãos e amigos?

“O evangelho era e é Jesus. Suas obras e ensinamentos. Sua maneira de ser, de viver e de morrer pelos outros. Seu amor por todos, para que todos os que nEle cressem pudessem receber, com Ele, vida e salvação, eternamente”.

Tempo: até voltar ao Céu (Atos 1:2a). O evangelho tem muito que ver com o tempo. Tempo da vida e da morte. Por causa do evangelho, o tempo da morte chega a seu fim; permanece somente o tempo da vida. O tempo de Jesus.

“Estimado Teófilo, em meu primeiro livro, o evangelho”, escreveu Lucas, “me referi a tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o início até o dia em que foi levado ao Céu. Desde que deixou o Pai, para nascer no mundo como bebê humano, até Seu retorno ao Pai, nos Céus, quando o Criador foi declarado Filho de Deus pela ressurreição dentre os mortos (Romanos 1:4).

“Vencida a morte, restou unicamente a vida. Para Jesus, a vida que gera vida, como sempre teve; porque sempre foi Deus. Para os seres humanos, a vida, recebida de Jesus, que supera o tempo da morte, e se estende, sem interrupção, por todos os séculos da eternidade”.

O Espírito Santo e Jesus: mandamentos e poder (Atos 1:2b a 8). Lucas não demora em introduzir a ação do Espírito Santo. E não podia ser diferente, porque o Espírito Santo também não demorou para começar Sua obra em favor da igreja. Estando no cenáculo, na noite do quinto dia de Sua última semana, Jesus disse aos discípulos: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê, nem O conhece; vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós” (João 14:16 e 17). Esta promessa da presença contínua do Espírito, no futuro da comunidade apostólica, que nos discursos de Jesus, a esta altura de Sua vida, um dia antes da crucifixão, sempre inclui a igreja; tem que ver com a vida dela e com seu trabalho. Pouco depois, no mesmo discurso, Jesus descreve a obra do Espírito em favor da igreja.

“O Consolador”, disse-lhes, “o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em Meu nome, Esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (João 14:26).

Somos gratos porque o Espírito guia e conduz a igreja; e esta se mantém na verdade, a verdade passada, presente e futura, pois a verdade não se altera nunca, é sempre verdade (João 16:13 e 14). A obra do Espírito pela igreja estaria relacionada com o mundo, pois existe um dinamismo entre o que Jesus ensinou à igreja, inesquecível para ela, e o mundo. O mundo precisa ser convencido do pecado, da justiça, e do juízo. Sem a atuação do Espírito Santo isso seria impossível. Por isso, essa tarefa está incluída na promessa do Espírito Santo (João 16:8).

Lucas lembra seus leitores de que a promessa do Espírito está relacionada com os mandamentos, com o poder e o testemunho.

O Espírito transmite os mandamentos (Atos 1:2b). Jesus, segundo escreveu Lucas a Teófilo, somente ascendeu ao Céu depois de ter dado os mandamentos, por meio do Espírito Santo, aos apóstolos que havia escolhido.

Esses mandamentos eram semelhantes aos dez mandamentos da lei moral, em relação aos quais Moisés disse: “Deus falou e ordenou todos estes mandamentos” (Êxodo 20:1).

São como o mandamento do amor que Jesus ordenou aos discípulos, quando lhes disse: “Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros” (João 15:17).

O mandamento da missão está nessa mesma categoria.

“Toda autoridade Me foi nos Céus e na Terra, portanto”, ordenou Jesus a Seus discípulos: “vão e façam discípulos de todas as nações” (Mateus 28:18 e 19).

Neste mesmo contexto, Paulo e Barnabé, explicando aos judeus de Antioquia e Pisídia, depois que eles os rejeitaram, a razão por que retornariam aos gentios, disseram: “Pois assim o Senhor nos ordenou: ‘Eu fiz de você luz para os gentios, para que você leve a salvação até aos confins da Terra’” (Atos 13:47).

Quando Jesus, pessoalmente, transmitiu essas ordens aos discípulos, não estava só. O Espírito Santo estava com Ele e o Espírito foi a pessoa divina que colocou os mandamentos no coração deles, a fim de que pelo Seu poder e companhia pudessem compreendê-los, aceitá-los e cumpri-los.

O Espírito Santo transmite poder (Atos 1:3 a 8a). Lucas conta a Teófilo que Jesus, por quarenta dias após Sua morte, esteve com os discípulos e lhes falou sobre o poder da ressurreição, do poder do reino de Deus e do poder do Espírito Santo.

  1. O poder da ressurreição. “Depois de ter padecido”, escreveu Lucas, “Jesus Se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis”.

Muitas demonstrações, fatos evidentes e sinais de poder. Algumas foram simples. Como, por exemplo, para demonstrar que não era um espírito, mas uma pessoa real. Outras, mais complexas e até milagrosas. Saber o que Tomé exigia para poder crer, e, com divina tolerância, responder a suas exigências mostrando-lhe Seu lado e Suas mãos para que os tocasse e assim pudesse crer.

Podia Jesus convencer a dois desanimados discípulos que viajavam por um caminho de triste solidão e silêncio, pensando que Ele estava morto e nunca mais poderiam vê-Lo? Podia e o fez. Extraiu argumentos das Escrituras. Fez com que os profetas adquirissem um novo significado na mente deles, antes entorpecida e incrédula.

“Acaso não tinha Cristo que sofrer estas coisas antes de entrar em Sua glória?”, perguntou-lhes.

Finalmente, lhes abriu os olhos físicos e espirituais, para que O reconhecessem. Estava ali. Vivo. Nenhum argumento existe mais poderoso para provar a ressurreição de um morto do que a presença viva do morto. O poder que atuou para ressuscitá-Lo foi Seu próprio poder, foi o poder do Pai, foi o poder do Espírito Santo. Foi o poder de Deus. Ele era Deus. Aceitou a morte no lugar dos pecadores, e por eles, para que pudessem receber a vida que era toda Sua, e ninguém poderia havê-la tirado se Ele não a houvesse entregado voluntariamente e por Si mesmo. Todo o poder de Deus se tornou visível na ressurreição de Jesus, pois nela Deus ofereceu a vida eterna a todo aquele que nEle crera.

  1. O poder do reino de Deus. “Jesus esteve com Seus discípulos durante quarenta dias”, conforme escreveu Lucas, “e lhes falou a respeito do reino de Deus”.

Não era a primeira vez. Já havia falado com eles muitas vezes, deforma direta, ou na multidão, enquanto pregava. Fez isso por meio de parábolas, quando explicou: o reino dos Céus é semelhante a dez virgens que esperam o esposo para suas bodas. Algumas estavam preparadas para recebê-Lo quando Ele chegasse, outras não; as preparadas entraram com Ele para a festa de bodas, as outras ficaram de fora (Mateus 25:1 a 13). O poder do reino chegou a elas por meio do Espírito Santo que as ajudou no devido preparo para as bodas.

O reino dos Céus, Ele disse também, é semelhante a um homem que partiu para um lugar distante e deu seus bens aos servos para que os administrassem. Quando o homem retornou, ajustou as contas com eles; o que recebeu cinco talentos e o que recebeu dois foram fieis e entraram no gozo de seu Senhor, mas o que recebeu um foi infiel e ficou de fora (Mateus 25:14 a 30). O poder do reino, com justiça, discrimina as ações dos seres humanos.

Em outra oportunidade, Jesus disse: o reino dos Céus é semelhante a um rei que fez uma festa de bodas para seu filho; convidou pessoas importantes, supostamente dignas das bodas, mas elas não fizeram caso dos servos que foram chamá-las ao chegar o tempo das bodas. O rei, então, convidou os menos importantes, indignos, que andavam pelos caminhos. Todos foram considerados dignos pelo rei e entraram na festa com o traje de bodas que o próprio rei providenciou para todos, indiscriminadamente. Mas um deles não quis usá-lo e permaneceu indigno como os primeiros convidados. O rei, utilizando todo o poder do reino, tornou a uns dignos das bodas e aos que não aceitaram suas regras os deixou fora, onde somente encontraram o pranto, autorrecriminações, destruição e morte (Mateus 22:1 a 14). O poder do reino provê os meios para que entrem nele os indignos que aceitam a provisão do Rei.

Jesus também lhes falou sobre o reino com expressões de discurso direto.

“Quando o Filho do Homem vier em Sua glória”, disse uma vez, “e todos os santos anjos com Ele, então Se assentará no trono de Sua glória”.

Todas as nações serão reunidas perante Ele e separará a todos em dois grupos, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Porá as ovelhas à direita e os cabritos à esquerda. Os que estiverem à esquerda, por sua vida egoísta, sem nenhum interesse pelo próximo, serão condenados ao castigo de destruição eterna. Os que forem colocados à Sua direita, por haverem muitas vezes feito o bem a pessoas necessitadas e que, sem pretensão, serviram fielmente ao Senhor, receberão o reino preparado para eles desde a fundação do mundo (Mateus 25:31 a 46).

O poder do reino é vida para sempre.

  1. O poder do Espírito Santo. “E estando juntos”, Lucas informa, “deu-lhes uma ordem que deviam obedecer rigorosamente, dizendo-lhes: Não se ausentem de Jerusalém, mas esperem a promessa do Pai. A promessa que vocês ouviram de Mim, relacionada com o envio do Espírito Santo. Equivale a um novo batismo. João batizou com água para o arrependimento, mas dentro de poucos dias vocês serão batizados com o Espírito Santo. Será um batismo de poder”.

Os discípulos ouviram a ordem, sem que da mente lhes fossem apagados a força e o poder do reino. O poder de um reino é sempre mais visível, mais impressionante, grandioso, magnífico, desejado, mais procurado que o poder do Espírito. Pelo menos, a mente dos discípulos havia sido mais confundida pelas palavras a respeito do reino, do que pela ordem de esperar em Jerusalém até que recebessem o poder do Espírito Santo.

“Senhor”, disseram a Jesus, “será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (Atos 1:6).

No entanto, na mente dos discípulos, como um triste fantasma, rondava o reino de Israel. A pergunta deles foi a despedida desse reino que não voltaria a lhes incomodar a mente, pois a explicação de Jesus foi taxativa e decisiva.

“Não lhes compete”, respondeu-lhes, “saber os tempos ou as datas que o Pai estabeleceu pela Sua própria autoridade” (Atos 1:7).

Imagine o mestre explicando: A pergunta de vocês é irrelevante. Não tem nenhum sentido para vocês, nem para ninguém. O poder do reino que vocês têm sonhado para Israel não está acessível para ninguém de Israel neste tempo. Entretanto, para vocês, israelitas convertidos ao cristianismo, existe um poder disponível que deve ser recebido imediatamente. É o poder do Espírito Santo.

O testemunho pelo Espírito (Atos 1:8b). Quando vier sobre vocês o Espírito Santo, receberão poder que aumentará a força, as habilidades, a capacidade, e as possibilidades de vocês, e serão pessoalmente Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e por todo o mundo até aos confins da Terra.

Prestem cuidadosa atenção no seguinte:

  1. Quanto ao recebimento do poder, quero que vocês o recebam. E, quando o Espírito Santo o outorgar, vocês precisam recebê-Lo natural e espontaneamente. O Espírito Santo não colocará pela força, em vocês, nenhuma capacidade do poder que Eu desejo que possuam e que Ele está empenhado em outorgar. A ação do Espírito Santo será sempre generosa, determinada, infalível. Nunca faltará. Mas vocês determinam se essa ação generosa permanece com vocês ou se deixarão que ela se vá, sem produzir o aumento das capacidades que Eu desejo para vocês.
  2. Quanto ao poder em si mesmo, não se trata de um poder de comando, como se vocês, a partir do momento em que recebessem o Espírito Santo, se transformassem em chefes que dão ordens para que os outros executem a missão. Todos os cristãos têm que executá-la.

O poder que o Espírito lhes dará é a capacitação para que possam realizar a missão, tarefa que exige mais capacidade, além da que vocês naturalmente têm.

Inclui o aumento da força física e espiritual que vocês devem ter, e aquisição de habilidades que vocês receberão, mesmo que não tenham; entre outras, boa disposição para a missão, aptidão para executá-la, talento para vencer os desafios, e agilidade para promover a missão sem cair no sincretismo.

Para cumprir a missão, o poder do Espírito Santo inclui também o aumento das capacidades, aptidões, dos talentos, recursos econômicos, etc.

O Espírito não lhes dará esses benefícios para que vocês os usem por pura vaidade, para o engrandecimento próprio. O objetivo do Espírito, e de vocês também, não é a preocupação com fama pessoal, mas sim o cumprimento da missão. Caso tenham prestígio, isso deve contribuir para a missão.

  1. Quanto a serem testemunhas, quero destacar duas coisas. Em primeiro lugar, isso é o que espero de vocês, assim como espero obediência quando dou um mandamento. A missão não é opcional, como algo que possa ser feito ou não, conforme o desejo de vocês. A missão representa Meu desejo, Minha vontade. Digo-lhes: “Vocês serão Minhas testemunhas”. Não lhes digo: “Tomara que vocês desejem ser Minhas testemunhas”.

Em segundo lugar, ser testemunha significa estar sempre a Meu favor e declará-lo. Vocês têm que ser testemunhas objetivas e contar o que realmente têm experimentado comigo, em sua própria vida, e algo mais. Esse algo mais inclui o compromisso de estar comigo, a Meu favor, sob quaisquer circunstâncias e risco, inclusive a morte. Somente assim vocês poderão ser Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, em Samaria e até aos confins da Terra, pois, indo a todo o mundo, encontrarão lugares de extrema intransigência e agressiva intolerância onde não vacilarão em condená-los à morte, unicamente porque vocês viverão em harmonia com Meu estilo de vida e falarão coisas boas a Meu respeito.

Não se preocupem com os perigos. Eu cuidarei deles. Em algumas ocasiões, vou livrá-los de todo o mal que pretendam lhes fazer, mas haverá outras, em que a morte de vocês será necessária para que as pessoas creiam no testemunho que vocês lhes derem. Nesses casos, vocês não perderão a vida que lhes prometi. Apenas o tempo de vida terrestre será abreviado, antes que o mal que existe neste mundo seja eliminado, porque depois, quando o mal chegar ao fim, a vida será eterna para vocês, e essa vida ninguém lhes poderá tirá-la. Então, os que forem Minhas testemunhas neste mundo, terão, no juízo final, Meu testemunho favorável, serão absolvidos de todo pecado e viverão para sempre comigo, no Meu reino.

Ascensão de Jesus: promessa de retorno (Atos 1:9 a 11). Os discípulos estavam profundamente impressionados com a dimensão da missão que o Senhor lhes havia dado. “Todas as pessoas! Todo o mundo! Como conseguiremos? Somos tão poucos e tão pobres! Mas o Espírito Santo estará conosco. Seu poder suprirá todas as nossas necessidades. Como será isso?” Caminhando com Jesus, como em outras ocasiões, iam rumo a Betânia, acompanhando a Jesus desde Jerusalém até a casa de seus amigos Lázaro, Marta e Maria, simplesmente para visitá-los ou passar a noite descansando, depois de um interminável dia de trabalho e de tensão. Caminhando com Jesus para o cumprimento da missão, descansando nEle, fortalecendo-se nEle, vivendo com Ele para Sua própria glória, sem pensar nas próprias necessidades, porque junto dEle tinham sempre tudo o que lhes faltara. Poder, todo o poder de Jesus, pela presença do Espírito Santo.

Continuaram caminhando com Jesus enquanto pensavam no próprio futuro.

Ascensão: foi elevado (Atos 1:9). Ocorreu em Betânia. No fim da curta viagem, Jesus Se deteve ali com os discípulos, como sempre haviam feito. Rodearam-nO atentos aos ensinamentos que, numa ocasião como essa, sem dúvida, queria partilhar com eles. Mas tudo o que pudesse lhes dizer já havia dito. Brevemente, o Espírito Santo estaria com eles para lhes fazer relembrar todas as coisas. Apenas estendeu os braços, e com esse gesto assegurou-lhes Sua bênção e cuidado. Os olhos de todos estavam fixos nEle. Tantas vezes havia manifestado esse gesto. Assim, muitas vezes lhes havia comunicado uma sensação de segurança e simpatia, que tornaram a sentir. Desta vez, com um estranho sentimento de algo novo. Começaram a senti-lo desde que Ele começou a falar sobre o Espírito Santo, e logo depois quando lhes falou do reino e do testemunho. O silêncio de Jesus confirmou o que lhes havia dito. Eles também se calaram e, com reverente expectativa, esperaram para ver o que todos já pressentiam.

Lentamente, Jesus foi elevado ao Céu. Não estava levitando. Essa sensação de magia e mistério não acontecia ali. Somente a impressão do que era divino e uma forte evidência de muitos servidores que O assistiam, sem ruídos nem espantos, com a maturidade simples daqueles que sabem. Todos ali sabiam, incluindo os discípulos, que o Filho do homem havia finalizado a missão, e que o Filho de Deus retornava para o Pai, deixando paz e redenção em todos os crentes. Continuaram vendo-O por alguns momentos, até que uma nuvem O recebeu e, cobrindo-O, ocultou deles Sua figura admirável, e já não O viram mais.

A promessa: esse mesmo Jesus virá (Atos 1:10 e 11). Os olhos deles continuaram fixos no céu. Talvez, tentando ver além do visível. Querendo, quem sabe, retê-Lo com eles, mesmo que fosse uma intenção, uma vez que, depois de anunciar Sua partida, lhes disse: “Voltarei e vos receberei para Mim mesmo, para que, onde Eu estou, estejais vós também”.

Nesse instante, dois varões vestidos de branco se puseram junto deles e lhes disseram: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas?” A quem desejam ver? “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao Céu virá do modo como O vistes subir”. Esperem-nO! Ele virá outra vez. Nunca esqueçam Sua promessa.

Quando enfrentarem dificuldades próprias da missão e quando sem dificuldades puderem cumpri-la cabalmente, lembrem-se: Ele virá outra vez. E quando voltar, virá da mesma forma como O viram partir, visivelmente. Tão visível que todos os vivos O verão, até os mortos que tenham ido para o sepulcro crendo nEle, e também aqueles que O crucificaram (Apocalipse 1:7; Daniel 12:2).

Esperem. Nunca percam o senso de expectativa porque quem o perder, perde também a esperança. Não importa quanto tempo demore; continuem esperando-O para o tempo em que ainda estiverem vivendo. Continuem crendo na iminência de Sua vinda. Primeiro, porque Ele pode vir no tempo de vocês. Segundo, porque a esperança tem que ser própria de cada testemunha, até que a missão seja concluída. Terceiro, porque o triunfo da missão ocorre somente quando Jesus voltar, e como poderiam pensar que podem executá-la, em seu tempo, sem crer na iminência de Seu retorno?

Os que abandonam a fé na iminência da segunda vinda, abandonarão também a missão. Uma verdadeira tragédia, não para a missão, porque esta seguirá seu curso até o triunfo final, mas sim para eles, pois na falta de ação missionária da fé, há sempre a tendência da indiferença e incredulidade. Mantenham a esperança. Creiam e testemunhem, pois Jesus virá outra vez e assim como O viram ir para o Céu, virá e não tardará.

Pregação, organização, perseguições. Em uma seção relativamente curta (Atos 1:12 a 7:60), Lucas concentrou a história do começo da igreja. Esse começo é de real importância. Relembremos que os feitos na vida da igreja, desde os dias apostólicos até a segunda vinda de Jesus, sendo feitos históricos reais, semelhantes aos feitos históricos de qualquer outra instituição humana, têm uma dimensão espiritual que procede de seu relacionamento com Deus e uma dimensão divina pela presença do Espírito Santo nela.

O Espírito Santo é o guia de todas as ações da igreja, a menos que essa escolha se desviar da revelação divina para a apostasia, numa ação independente, impensada e rebelde para com Deus. Mas a igreja terá sempre um grupo fiel a Jesus e à missão. Sendo assim, os feitos históricos da igreja cristã são tão válidos para o ensinamento dos crentes de todos os tempos, como foram válidos os feitos do passado na história de Israel. Assim entendeu Paulo e, de forma bem clara e direta, explicou aos cristãos de Roma. “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito”, lhes disse, “para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança” (Romanos 15:4).

A vida da igreja tem uma dimensão espiritual-humana e outra divina, e ambas, mescladas em uma única realidade divino-humana, surgem nitidamente da história escrita por Lucas. Realidade que todos nós, como cristãos, devemos admirar na igreja apostólica e viver em total integração com Jesus, Deus Filho, e com Deus Pai. Como veremos, esse tipo de integração superior somente se fez e se torna possível para a igreja, por meio da obra que o Espírito Santo nela realizou e realiza. Por isso, a realidade divino-humana da igreja constitui seu próprio ser. Um ser ao mesmo tempo espiritual e terreno, prático e sublime, que, na missão, se torna história e vida eterna.

Primeiras ações (Atos 1:12 a 2:47). A vida da igreja tinha que começar em Jerusalém, e ali começou. Os discípulos não perderam tempo. Atenderam primeiro um assunto administrativo que devia ser resolvido: escolheram no grupo apostólico um substituto para Judas. Em seguida, se prepararam para o recebimento do Espírito Santo. Nada foi casual. Nem a organização da igreja nem a vida espiritual surgiram espontaneamente. Assim eles entenderam e agiram com determinação e eficiência.

Escolha de Matias: procedimento e direção divina (Atos 1:12 a 26). Então, escreveu Lucas, do monte chamado Olival, os discípulos voltaram para Jerusalém. Desse monte, Jesus havia sido elevado ao Céu, em Sua viagem de retorno ao Pai e ao governo de todo o Universo. O monte das Oliveiras não estava distante de Jerusalém. Apenas a jornada de um sábado – isto é, a distância que, conforme a lei judaica, um israelita, sem transgredir o quarto mandamento da lei moral, podia caminhar durante o sábado. Flavio Josefo diz que Betânia estava a cinco estádios (mais ou menos um quilômetro) de Jerusalém.

Quando chegaram a casa em que se hospedaram, subiram ao cenáculo onde os onze apóstolos estavam. Lucas menciona o nome de todos, organizados em quatro grupos. Já estão organizados para a missão? Primeiro grupo: Pedro, João, Tiago e André. Segundo: Filipe e Tomé. Terceiro: Bartolomeu e Mateus. Quarto: Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Viviam em comunidade.

Sabiam que não permaneceriam fisicamente juntos por muito tempo, pois teriam que trabalhar também na Judeia, Samaria e por todo o mundo. Mas até que recebessem o poder do Espírito Santo, podiam estar juntos e desfrutar mútua companhia. Tiveram oportunidade para superar diferenças, se integrar uns aos outros sem ambicionar os primeiros lugares, o que, antes, os havia dividido, para apreciar os valores que cada um possuía, para se aperceber de que todos eram necessários para a missão. E eles aproveitaram essa oportunidade. Com humildade, pediram perdão uns aos outros e manifestaram firme propósito de trabalhar sempre em união. Frequentemente, todos eles se reuniam com Maria, mãe de Jesus, com os irmãos dEle, e com as mulheres, possivelmente Maria Madalena, Joana, Susana, as esposas dos apóstolos casados e outras. Os irmãos de Jesus, que duvidavam dEle quando trabalhava na Galileia, haviam superado as dúvidas e, como os onze discípulos, criam que Jesus era o Filho de Deus e o Messias prometido. Todo o grupo estava unido em um só pensamento, oravam juntos e juntos se preparavam para as atividades futuras que todos esperavam.

Certo dia, houve uma reunião de negócios com todos os crentes. Eram cento e vinte pessoas. Homens e mulheres. Não havia machismo cultural, nem feminismo reivindicativo. A igreja nasceu livre das pressões culturais externas, com uma atitude contracultural, mas não anticultural. Não era inimiga da cultura, nem se deixou influenciar por ela. Tomou sua própria direção sob a orientação de Deus, solicitada em oração, desde o início de sua existência.

Pedro fez uso da palavra e pronunciou seu primeiro discurso. Nenhum complexo. Não havia mais desculpas para se pedir. Tudo estava em ordem, ninguém relembrava erros do passado, nem mais havia suspeitas. Todos haviam aceitado a restauração oferecida por Jesus junto ao Mar da Galileia. Ele tinha uma proposta a fazer e a fez no melhor estilo cristão. Baseada nela, a igreja tomou uma decisão sem pressões de ninguém. Proposta e decisão, simbólicas em sua forma de apresentação e no procedimento seguido sob a inspiração do Espírito Santo. Lucas descreveu o procedimento para mostrar a seus leitores a maneira transparente, espiritual, baseada nas Escrituras e sujeita à vontade de Deus, como a igreja procedeu em seus negócios internos. Em nada semelhante aos procedimentos do Império, politicamente corruptos, egoístas, e muitas vezes cheios de pressões violentas.

O discurso de Pedro (Atos 1:15 a 22). Foi um discurso muito breve e contém duas partes: a primeira é uma sólida fundamentação escriturística, e a segunda é a proposta. Vai diretamente ao assunto.

  1. Fundamentação da proposta. Irmãos, disse Pedro, era necessário que se cumprisse a Escritura, predita pelo Espírito Santo, pela boca de Davi. Naquela oportunidade, ele falou sobre o modo como a revelação de Deus chega a seus destinatários. Deus escolhe um instrumento humano que, nesse caso, foi Davi, e o Espírito Santo trabalha com ele para colocar em sua mente o que deve comunicar da parte de Deus. No caso referido por Pedro, tratava-se de uma profecia.

“A profecia”, disse Pedro, “é a respeito de Judas, aquele que serviu de guia para os que prenderam Jesus. Ele era membro de nosso grupo e recebeu, da parte do Senhor (não usurpou), uma posição importante nesse ministério”.

Essa posição de importância, no grego klerikós, que mais tarde deu origem ao conceito de clérigo, ele a perdeu. Não é necessário repetir o motivo. Já foi dito. Lucas apenas descreve as consequências da traição e o faz da maneira mais trágica possível. Faz relembrar que com o dinheiro recebido pela traição, salário de sua iniquidade, Judas comprou um campo e que, ao tirar a vida, precipitou-se, rompendo-se ao meio, e todas as suas entranhas se derramaram. Logo dá a esse campo o nome de Aceldama – Campo de Sangue.

Então, cita dois textos de Salmos, profecias aplicadas a Judas. Primeiro, fique deserta a sua morada, e não haja quem habite as suas tendas (Salmos 69:25), com o qual explica o trágico fim de Judas. Segundo, tome outro o seu encargo (Salmos 109:8). Com essas profecias, abre o caminho para a proposta que a seguir apresenta à assembleia de crentes.

  1. Proposta. “Portanto”, disse, “é necessário que escolhamos um dos homens que estiveram conosco durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, desde o batismo de João até o dia em que Jesus foi elevado dentre nós às alturas. É preciso que um deles seja conosco testemunha de Sua ressurreição” (Atos 1:21).

Pedro acompanhou tudo. Apresentou as razões que provocaram a vaga. Não foram intrigas, questões pessoais, nem manobras políticas. Foi o procedimento traidor do que anteriormente tinha o ofício. Pedro falou sem eufemismos, diretamente, de forma clara e exata. Não há nenhuma intenção de cobrir a situação comprometedora de ninguém, nem de confirmar as razões reais com explicações convenientes. A única coisa que Pedro considerou, como sempre acontece na Escritura, foi o que realmente aconteceu.

Acrescentou o conteúdo da Escritura, que se aplicava ao caso, ao relatório do que Judas realmente havia feito. Nenhuma luz existe melhor que a da Revelação para se ver com clareza o modo de solucionar os problemas da igreja.

Era necessário escolher um homem. E Pedro propôs a escolha. Não apresentou um nome como candidato. Descreveu as características que o homem escolhido devia ter. Características que o qualificavam para ocupar eficientemente o cargo vago. A seguir, no relato de Lucas, está o que a igreja fez.

O processo da escolha (Atos 1:23 a 26). O modo de escolha foi simples. Conteve vários fatos realmente notáveis com os quais a igreja cristã se posicionou contra o governo ditatorial, contra o controle do governo por parte de grupos com interesses próprios, contra a manipulação dos eleitores, e a favor da transparência, da condução divina e da espiritualidade no processo.

  1. Prepararam uma lista de candidatos. Propuseram dois: José, chamado Barsabás, apelidado de Justo, e Matias.

Quem propôs os nomes? Evidentemente, a assembleia; porque Pedro, com sua proposta, se havia dirigido a ela. Não era necessário formar uma comissão de nomeação porque a assembleia não era muito numerosa. Somente cento e vinte pessoas. De alguma forma, chegaram a dois nomes propostos.

Propostos a quem? Não foram propostos aos apóstolos para que eles fizessem a escolha final. Nem a um apóstolo específico que, como líder, decidisse sozinho. Pelo que segue, a assembleia fez a proposta a Deus.

  1. Apresentaram os candidatos a Deus em oração. “Tu, Senhor”, Lhe disseram, “que conheces o coração de todos, revela-nos qual destes dois tens escolhido para preencher a vaga neste ministério e apostolado, do qual Judas se transviou, indo para o seu próprio lugar” (Atos 1:24 e 25).

Eles conheciam as características externas dos candidatos. Sabiam que haviam estado junto com os onze apóstolos, todo o tempo em que Jesus esteve entre eles. Mas não conheciam seu interior. Por isso, em última instância, todos os homens que integram o ministério na igreja não são escolhidos por ela, mas por Deus. Deus utiliza a igreja como Seu instrumento, mas ela não deve jamais usurpar a decisão final que pertence unicamente ao Senhor. Não se pode dizer: a escolha dos pastores é uma questão puramente eclesiástica, no sentido de que a determinação dos que possam ser pastores e a escolha deles sejam decisão da igreja, independentemente da vontade de Deus.

A primeira assembleia da igreja cristã, cujo primeiro assunto administrativo foi a escolha de um pastor para fazer parte do grupo apostólico, não agiu assim. Submeteu-se à vontade de Deus e seguiu a orientação divina. Como Deus deu origem à Sua orientação?

  1. O voto da assembleia. “Então tiraram sortes”, diz a tradução do que Lucas escreveu, “e a sorte caiu sobre Matias; assim, ele foi acrescentado aos onze apóstolos” (Atos 1:26).

Acaso, foi o ato de tirar sorte como jogar uma moeda ao ar para saber a quem escolher, ou como usar dados para saber de que lado está a sorte com respeito a uma aposta? A resposta óbvia é não. E a razão é simples. A moeda no ar e o movimento dos dados não são instrumentos que Deus usa para expressar Sua vontade. Quando estão no ar ou em movimento, sem nenhum controle racional, Satanás pode usá-los com a maior facilidade e, com o conceito supersticioso de que Deus pudesse atuar através deles, impor sua vontade nos assuntos em jogo diante de uma decisão. “Tirar sortes para escolher os líderes da igreja não faz parte do sistema de Deus” (Ellen G. White, Carta 37, 1900). Deus influencia nas decisões da igreja utilizando a mente de Seus filhos, a Escritura e o Espírito Santo.

Quando a assembleia orou, Deus impressionou a mente deles e eles, ao se expressarem, agiram sob a influência dessas impressões. Como se expressaram? A seguinte frase dá a explicação: “Foi contado com os onze apóstolos”.

A expressão “foi contado” é tradução de uma palavra grega que significa “foi votado, contando as pedras”. Eram pedras pequenas, pretas e brancas. As brancas eram voto positivo; e as pretas, negativo. Esse tipo de votação exigia um intercâmbio prévio de opiniões que eram expressas em voz alta. Paulo usa o mesmo termo quando conta ao rei Agripa as maldades que ele, antes de sua conversão, fez contra os cristãos em Jerusalém.

“E contra estes dava o meu voto, quando os matavam” (Atos 26:10).

Depois de votar, contaram as pedras e elegeram Matias para que ocupasse a vaga de Judas. A votação foi livre. Cada membro da assembleia, através da oração coletiva, deixou a mente aberta à influência do Senhor, para que Ele, como anteriormente havia escolhido Seus apóstolos, escolhesse o que faltava. E Ele o fez, expressando Sua vontade através da mente de todos os que votaram.

Dessa mesma forma, em todos os tempos, a igreja cristã deve decidir seus assuntos administrativos. Por voto livre. Cada votante, sem coerção de nenhuma natureza, com a mente aberta à influência do Espírito Santo, dá seu voto. Os assuntos que dizem respeito à igreja local, pelos membros da igreja local; os que dizem respeito a um grupo de igrejas em um território específico, pelos delegados desse território; e assim sucessivamente, até chegar aos assuntos que se referem à igreja mundial, cujas decisões devem ser tomadas pelos representantes da igreja mundial, reunidos em assembleia devidamente convocada. Veremos mais adiante que o ministério, as doutrinas, as práticas da igreja e o estilo de vida de seus membros eram assuntos que diziam respeito à igreja mundial.

Os princípios que guiaram a primeira assembleia administrativa da igreja cristã apostólica foram a livre expressão, voto pessoal diante de Deus, consciência de cada um, ausência de pressões para induzir a votação na direção estabelecida por alguma pessoa em particular ou pelos líderes, profunda espiritualidade no processo, submissão incondicional à vontade de Deus e votação geral de todos os presentes na assembleia, composta por homens e mulheres.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje. Escolhemos a 1ª da senhora White no Brasil (ano 1953) – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2018 – Comentário introdutório feito por Carlos Bitencourt

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Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 13 – A volta do nosso Senhor Jesus – Ligado na Videira – 23 a 29 de junho de 2018

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 13

(23/06) – SÁBADO – Introdução

Assim que Adão pecou, Jesus foi ao seu encontro. Assim que “caiu”, o Criador foi ao Éden e contou para ele que estava instituído um Plano para o seu “reerguimento”. Teria sim que sair do Jardim, mas um “Dia” haveria de retornar.

Irmãos, a Bíblia afirma que “certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o Seu segredo aos Seus servos, os profetas”. Portanto, em todo o Livro Sagrado, devemos, sob a iluminação do Espírito Santo, tomar conhecimento a respeito do Plano da Redenção. Esse é o tema dos temas, o assunto acima de todos os outros assuntos, o interesse acima de todos os demais.

Eu, portanto, leio o Velho Testamento sob a ótica de que os patriarcas sabiam que a solução para a humanidade era a vinda do Messias. Nem dilúvio, nem guerras, nem isso, nem aquilo. A vinda de Jesus Cristo, sim, seria o modo Divino de resolver o problema da humanidade. E eles confiavam nisso.

Mas também sei que a revelação é progressiva, o que sugere que eles não tinham compreensão suficiente para dizer “primeira” e “segunda” vindas. As expressões eram: “O dia do Senhor”; “o dia de Yahweh”; “o dia do juízo”; “naquele dia”; “nesse tempo”; “o fim dos dias”; “a vinda”. Só se alcançou a plena compreensão da segunda vinda após o primeiro advento do Salvador.

Durante o tempo em que Jesus viveu entre nós, também entendo como normal as pessoas “acharem” que o Messias iria destruir os romanos, pois assim demonstrava o “selado” Livro de Daniel, através do sonho que Nabucodonosor teve daquela estátua, cujo significado Deus revelou ao Seu profeta. É o próprio Jesus quem amplia a questão, explicando que Seu Reino não é deste mundo.

Por sinal, Jesus é o Mestre dos mestres. Ele é o grande Revelador das coisas de Deus. E, então, Ele mesmo explica a questão de Sua morte, ressurreição, ida ao Céu e segunda vinda. E são os escritores do Novo Testamento que, sob inspiração do Espírito Santo, detalham a respeito do ministério celestial de Cristo, da perseguição que a igreja enfrentaria, da ressurreição dos justos mortos, e da majestosa segunda vinda de nosso Redentor.

Estamos encerrando o trimestre. Não estudamos todos os detalhes do Apocalipse. Mas chegamos ao momento em que Cristo retorna para buscar os que são Seus. O ápice da história humana. O assunto dos assuntos. O momento em que haverá o reencontro entre o Criador e Seu amado filho Adão.

Deus nos abençoe.

Leia “Cristo já poderia ter voltado”, em A Caminho do Lar, pág. 366 clique aqui.

(24/06) – DOMINGO – O Dia do Senhor

Se alguém diz que teve “sorte” por ter achado um dinheiro, significa que outro alguém teve “azar” por o ter perdido. Ou seja, para o mesmo “evento”, resultados diferentes. De igual forma, o Dia do Senhor será de tristeza para alguns, e de alegria para outros.

Vejamos quatro textos bíblicos (mas a Lição apresenta mais):

Tristeza – Eis que vem o Dia do SENHOR, dia cruel, com ira e ardente furor, para converter a terra em assolação e dela destruir os pecadores” (Isaías 13:9).

Alegria –O SENHOR será Rei sobre toda a Terra; naquele dia, um só será o SENHOR, e um só será o Seu nome” (Zacarias 14:9).

Tristeza – “E adorá-la-ão [adorarão a besta] todos os que habitam sobre a Terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida” (Apocalipse 13:8).

Alegria –Nesse tempo, Se levantará Miguel, o grande Príncipe, o defensor dos filhos do Teu povo, e … naquele tempo, será salvo o Teu povo, todo aquele que for achado inscrito no Livro [no Livro da Vida]” (Daniel 12:1).

Irmãos, houve um caso pontual que nos serve de exemplo. Enquanto os hebreus saíam do Egito, uma nuvem protegia o povo de Deus, mas essa mesma nuvem embaraçava o exército egípcio. Os hebreus chegaram ao outro lado da margem do Mar Vermelho, mas os egípcios pereceram no meio do caminho.

No Comentário Bíblico Adventista há uma excelente explicação sobre “A ira de Deus”. Creio que vale a pena dar uma conferida. Caso aceite como leitura adicional, clique aqui

(25/06) – SEGUNDA – Daniel e a segunda vinda de Cristo

Recomendamos que todos leiam Daniel 2. Aqui, hoje, vamos considerar apenas quatro versos. Mas vale a pena a leitura do capítulo inteiro.

Está escrito:

Quando estavas olhando, uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras no estio, e o vento os levou, e deles não se viram mais vestígios. Mas a pedra que feriu a estátua se tornou em grande montanha, que encheu toda a Terra. […] Mas, nos dias destes reis, o Deus do Céu suscitará um Reino que não será jamais destruído; este Reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre, como viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro” (Daniel 2:34, 35, 44 e 45).

Como lemos, uma pedra esmiúça os minerais anteriores, e um Reino eterno é instituído no lugar de todos os demais.

Ainda no Velho Testamento, fala-se de uma ”pedra angular” (Salmos 118:22; Isaías 28:16). No Novo Testamento, Jesus faz referência a esta pedra (Mateus 21:42; Marcos 12:10; Lucas 20:17), enquanto os apóstolos vão mais além, dizendo ser Jesus a referida Pedra:

Este Jesus é Pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual Se tornou a Pedra angular” (Pedro, em Atos 4:11).

Sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Ele mesmo, Cristo Jesus, a Pedra angular” (Paulo, em Efésios 2:19 e 20).

Chegando-vos para Ele, a Pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma Pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, a pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal Pedra, angular e: Pedra de tropeço e Rocha de ofensa” (Pedro, em 1Pedro 2:4 a 8).

Bem, todos nós entendemos que Daniel fala da vinda de Cristo ao descrever que uma Pedra vai destruir a estátua do sonho de Nabucodonosor. Com o Novo Testamento, nosso entendimento é expandido, pois é explicado que se trata da segunda vinda de nosso Senhor.

Quanto aquele episódio entre Cristo e Pedro, caso seja de interesse de vocês, indicamos o artigo “Pedro e a Pedra”, do famoso livro “Explicação de Textos Difíceis da Bíblia”, de Pedro Apolinário clique aqui. 

(26/06) – TERÇA – Perspectivas em longo prazo

Paulo, pela graça de Deus, em vez de olhar para as dificuldades existentes, fixava seus olhos na gloriosa segunda vinda do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Em seus escritos, encontramos palavras que provam ser ele possuidor dessa visão de futuro:

Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto Juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda” (2Timóteo 4:6 a 8).

A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tito 2:11 a 13).

Buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da Terra” (Colossenses 3:1 e 2).

“Agora [Cristo] está à mão direita de Deus, está no Céu como nosso Advogado, para por nós interceder. Sempre devemos ficar confortados e animados ao pensar nisto. Ele pensa naqueles que estão sujeitos às tentações neste mundo. Pensa em cada um de nós, individualmente, e conhece todas as nossas necessidades. Quando tentados, basta dizer: Ele cuida de mim, intercede por mim, ama-me, morreu por mim. Sem reservas, entregar-me-ei a Ele.

Entristecemos o coração de Cristo quando seguimos lamentando-nos como se fôssemos o nosso próprio salvador. Não; devemos entregar a Deus a guarda de nossa alma como a um Criador fiel. Ele vive sempre para interceder pelos que são provados e tentados. Abri o coração aos brilhantes raios do Sol da Justiça e não permitais que nenhum suspiro de dúvida, nenhuma palavra de incredulidade vos escape dos lábios, para que não semeeis as sementes da dúvida. Há ricas bênçãos para nós; peguemo-las pela fé. Eu vos convido; a que vos animeis no Senhor. A força divina nos pertence; vamos falar em coragem, resistência e fé” (Exaltai-O, pág. 185 – Meditação Matinal de 19/06/1992).

Paulo me faz lembrar o patriarca Jó, que, em meio a um dos maiores sofrimentos relatados na Bíblia, disse: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim Se levantará sobre a Terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-Lo-ei por mim mesmo, os meus olhos O verão” (Jó 19:25 a 27).

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(27/06) – QUARTA – Nas nuvens do Céu

Este verso bíblico é claro: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” (Mateus 24:30).

No Espírito de Profecia, temos a seguinte indicação do que significa “com poder e muita glória”:

“Quando, porém, vier segunda vez, a divindade não se achará mais encoberta. Virá como Alguém igual a Deus … A glória do Pai e a do Filho, ver-se-á então, são uma e a mesma coisa” – “Mas Sua glória pessoal, quem a pode descrever? Virá Ele com a Sua natureza divina plenamente revelada” (Nos Lugares Celestiais, pág. 358).

“Sua vinda ultrapassará em glória a tudo que os olhos já tenham contemplado. Em muito excedente a tudo que a imaginação já tenha concebido, será a Sua revelação em pessoa, nas nuvens celestes. … ao aparecer pela segunda vez, virá com Sua própria glória e a glória do Pai, e acompanhado pelos exércitos angelicais do Céu” (Nos Lugares Celestiais, pág. 357).

Irmãos, um pouco antes da segunda vinda de Cristo, o mundo terá tomado a decisão final. Tudo estará definido. Tendo sido rejeitado, o Espírito Santo não mais agirá para o arrependimento. As pessoas estarão para todo o sempre ou do lado da vida eterna, ou da morte eterna. Os fiéis, selados por Deus. Os infiéis, com a marca da besta. Porém, no momento exato da segunda vinda, diante da glória sem precedentes, os ímpios serão levados a reconhecer que Aquele que foi levado para a cruz do Calvário é Este que está vindo em majestade plena, e pedirão para serem cobertos pelas montanhas.

Felizmente, os que corresponderam ao Espírito Santo enquanto havia tempo, nesse momento estarão dizendo: “Eis que Este é o nosso Deus, em quem esperávamos, … Este é o SENHOR, a quem aguardávamos” – “Eis-me aqui, e os filhos que o SENHOR me deu” (Isaías 25:9; 8:18).

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(28/06) – QUINTA – Os vivos e os mortos

Vamos juntar dois versos e um parágrafo do Espírito de Profecia. Daniel 12:2 + Apocalipse 1:7 + O Grande Conflito, pág. 637.

Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno”, e “eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá, até quantos O traspassaram”.

Enquanto Jesus está vindo nas nuvens, “os que zombaram e escarneceram da agonia de Cristo, e os mais acérrimos inimigos de Sua verdade e de Seu povo, ressuscitam para contemplá-Lo em Sua glória, e ver a honra conferida aos fiéis e obedientes”.

E agora acrescentamos 1Tessalonicenses 4:15 a 17 – “Nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que dormem. Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos Céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor”.

Cremos, então, que os que dormiram no Senhor serão ressuscitados assim que Ele voltar. Porém, uns minutinhos antes, os grandes inimigos de Deus ressuscitarão para “ver” esses acontecimentos (a vinda de Cristo e a ressurreição dos justos). E morrerão novamente. Mas serão ressuscitados após o milênio (a segunda ressurreição), para receberem a sentença final: a morte eterna.

Bem, essa é a explicação doutrinária. Mas nós devemos ir além. Muito além!

Irmãos, “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração… exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado” (Hebreu 3:7, 8 e 13).

Ou seja, aceite fazer parte da grande multidão dos remidos. Apodere-se da graça de Deus. E seja fiel desde agora até o último dia de sua vida.

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(29/06) – SEXTA – Conclusão

O aguardado reencontro entre Jesus e Seu amado filho Adão:

“Ao serem os resgatados recebidos na cidade de Deus, ecoa nos ares um exultante clamor de adoração. O primeiro Adão está prestes a encontrar-se com o segundo. O Filho de Deus está em pé, com os braços estendidos para receber o pai da raça humana – o ser que Ele criou e que pecou contra o seu Criador, e por cujo pecado os sinais da crucifixão aparecem no corpo do Salvador. Ao Adão distinguir os sinais dos cruéis cravos, ele não cai ao peito de seu Senhor, mas lança-se em humilhação a Seus pés, exclamando: ‘Digno, digno é o Cordeiro que foi morto!’ Com ternura, o Salvador o levanta, convidando-o a contemplar de novo o lar edênico do qual, tanto tempo antes, fora exilado.

Depois de sua expulsão do Éden, a vida de Adão na Terra foi cheia de tristeza. Cada folha a murchar, cada vítima do sacrifício, cada mancha na bela face da natureza, cada mácula na pureza do ser humano era uma nova lembrança de seu pecado. Terrível foi a aflição do remorso ao contemplar a iniquidade dominante e, em resposta às suas advertências, deparar-se com a acusação que lhe faziam como causa do pecado. Com paciente humildade, suportou durante quase mil anos a pena da transgressão. Ele se arrependeu sinceramente, confiando nos méritos do Salvador prometido e morreu na esperança de uma ressurreição. O Filho de Deus redimiu a falta e a queda do ser humano. Agora, pela obra da expiação, Adão é reintegrado em seu primeiro domínio.

Em arrebatamento de alegria, contempla as árvores que já foram o seu deleite – as mesmas árvores cujo fruto ele próprio colhera nos dias de sua inocência e alegria. Vê as videiras que sua mão tratara, as mesmas flores que, com tanto prazer, ele cuidara. […] É o Éden restaurado, mais lindo agora do que quando fora dele banido. O Salvador o leva à árvore da vida, apanha o fruto glorioso e manda-o comer. Olha em redor de si e contempla uma multidão de sua família resgatada, no Paraíso de Deus. Lança então sua brilhante coroa aos pés de Jesus e, caindo a Seu peito, abraça o Redentor. Dedilha a harpa de ouro, e pelas abóbadas do Céu ecoa o cântico triunfante: ‘Digno, digno, digno, é o Cordeiro’ ‘que esteve morto e tornou a viver!’ A família de Adão associa- se ao cântico e lança as suas coroas aos pés do Salvador, inclinando-se perante Ele em adoração” (A Caminho do Lar, pág. 376 – Meditação Matinal de 11/12/2017).

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