Sábado — Introdução.
Naturalmente, tendo que avançar, a Lição dá uns pulos no tempo e no cenário. Porém, não é pecado a gente parar, respirar fundo, e colocar a história numa ordem que a nossa cabeça possa entender melhor. Sendo assim, vamos lá!
No verso áureo da semana passada, vimos 4 pontos importantíssimos: (1) “Os filhos de Israel gemiam por causa da sua escravidão”; (2) “Clamaram, e o seu clamor chegou a Deus”; (3) “Deus ouviu… Deus viu”; (4) “E atentou para a situação deles”.
Irmãos, está escrito em Isaías 65:24 — “E será que, antes que clamem, Eu responderei; estando eles ainda falando, Eu os ouvirei”. Sendo assim, cabe a cada um de nós escolher onde nosso olhar vai se fixar: nos gemidos da escravidão, ou em nosso Deus, que é rico em misericórdia e em providências.
Agora, na Lição 2, o cenário é outro, o tempo é outro, se bem que o personagem é aquele sobre o qual falamos na semana passada: o famoso Moisés. — Relembrando: Jacó foi morar no Egito; lá, sua família cresceu; o faraó, que chamou a todos eles, morreu; também morreu José, o abençoado filho de Jacó; e a nova dinastia de faraós pesou a mão sobre os hebreus. Não muito tempo depois, nasceu Moisés; ele foi adotado pela filha do faraó; primeiro foi educado pela mãe de sangue; depois se especializou em todo conhecimento que o Egito oferecia; e, com 40 anos de idade, cometeu um homicídio e teve que fugir.
Fugido, Moisés refez sua vida junto à família da mulher com quem se casou. Uma nova e diferente vida. Foram 40 anos nesse novo lugar, desaprendendo o que o Egito lhe havia ensinado.
Durante esse período, Moisés teve uma das mais belas experiências proporcionadas por Deus a um ser humano pecador: escreveu o Livro de Gênesis e o Livro de Jó. Que experiência maravilhosa! Moisés foi movido pelo Espírito Santo, e, sob inspiração, escreveu o que Deus lhe revelou. Louvado seja Deus!
Bem, dado o grau de amizade entre Deus e Moisés, quando este estava com 80 anos, uma nova revelação lhe foi dada… e é sobre essa nova revelação que vamos falar a partir de agora.
(O que significa “o cálice da ira de Deus”? < CLIQUE AQUI > ).
Domingo — A sarça ardente.
Êxodo 3 começa assim: “¹ Moisés apascentava o rebanho de Jetro, o seu sogro, sacerdote de Midiã. E, levando o rebanho para o lado oeste do deserto, chegou a Horebe, o monte de Deus. ² Ali o Anjo do Senhor [Malakh Adonai] lhe apareceu numa chama de fogo, no meio de uma sarça. Moisés olhou, e eis que a sarça estava em chamas, mas não se consumia. ³ Então disse consigo mesmo: — ‘Vou até lá para ver essa grande maravilha. Por que a sarça não se queima?’ ⁴ Quando o Senhor viu que ele se aproximava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: — ‘Moisés! Moisés!’ Ele respondeu: — ‘Eis-me aqui!’ ⁵ Deus continuou: — ‘Não se aproxime! Tire as sandálias dos pés, porque o lugar em que você está é terra santa’. ⁶ Disse mais: ‘— Eu sou o Deus de seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’. Moisés escondeu o rosto, porque teve medo de olhar para Deus”.
Irmãos, eu fico impressionado com essas histórias em que Deus vai ao encontro de uma pessoa. Essa iniciativa Divina me fascina. Ele poderia fazer o que bem entendesse, como demonstrado em Gênesis 1 e 2. Poderia falar, e a coisa aconteceria. No entanto, veio ao encontro de Moisés, e com este homem Ele “falou”.
É uma bênção poder abrir a Bíblia em Êxodo 3. E essa bênção é dobrada: podemos ler e podemos fazer algumas considerações sobre essa aparição de Deus.
A primeira consideração é: Deus Se apresentou como “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó” — e isso imediatamente fez Moisés se lembrar que havia uma Aliança em curso; que a Promessa de Deus estava em vigor; que Deus estava em ação. E essa primeira consideração que fazemos deve criar raízes em nossa lembrança também. Permanentemente, devemos lembrar e repetir em voz alta: Há uma Aliança entre Deus e cada um de nós — uma Aliança assinada com o sangue de Jesus, antes da fundação do mundo — desde os tempos eternos.
A segunda consideração é: antes de Se identificar como “o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, o Deus de Jacó”, Deus disse: “Moisés, Eu Sou o Deus de teu pai”.
Não sei quando o pai e a mãe de Moisés morreram. O que sei é que ele estava fugido e escondido há 40 anos. Uma vida longe da família. Quanta saudade! E Deus vem até ele e diz: “Eu Sou o Deus de teu pai”.
Que bênção saber que Deus é o Deus de meus pais. Que bênção! E eu sou imensamente agradecido por isso. Louvo a Deus por isso.
(A reverência de Moisés diante de Deus, na sarça ardente. < CLIQUE AQUI > ).
Segunda — O Anjo do Senhor.
Agora, percebam a lógica nesse jogo de palavras: a palavra “padaria” é da família da palavra “pão”; a palavra “carteiro” é da família da palavra “carta”. Seguindo essa mesma lógica, a palavra “mensageiro” é da família da palavra “mensagem”.
Com isso em mente, pergunto: quais são as palavras bíblicas originais para “mensageiro” e “mensagem”? — Resposta: em grego, “mensageiro” é angelós, que em português é “anjo” (A cidade de Los Angeles é Os Anjos); e “mensagem” é evangélion, facilmente conhecido como “evangelho”.
No hebraico, “anjo / mensageiro” é malakhi. (O profeta Malaquias é o anjo — é o mensageiro — é o malakhi). E “evangelho” (que significa “mensagem”) é malakh (sem a letra i no final).
Com relação ao título da Lição, pergunto: Quem é o “Mensageiro do Senhor” que Se apresentou a Moisés na sarça ardente? — Será que foi um ser humano? Será que foi um anjo celestial? — Por que não considerar que Deus é o primeiro “Mensageiro” da “Mensagem”?
Irmãos, Deus Se manifesta conforme a necessidade do ser humano. Inicialmente, Se manifestou como o Criador; depois, como o Redentor; mais adiante, como o Provedor; também, como o Senhor dos Exércitos; e até mesmo como o Galardoador dos que O buscam. Em Êxodo 3, Deus Se manifestou como o Mensageiro, o Anjo do Senhor — que, por sinal, assim já havia Se apresentado para Abraão e Isaque, no Monte Moriá, em Gênesis 22.
A segunda questão é: Qual a mensagem do Mensageiro Divino? — Resposta: Salvar os hebreus; tirá-los da escravidão do Egito; avisá-los que o Libertador estava entre eles.
Os versos 7 e 8 são claros a esse respeito: “⁷ Vi a aflição do Meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus feitores. Conheço o sofrimento do Meu povo. ⁸ Por isso desci a fim de livrá-lo das mãos dos egípcios e para fazê-lo sair daquela terra e levá-lo para uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel”.
No Salmo 34, está escrito: “⁴ Busquei o Senhor, e Ele me acolheu… ⁶ Clamou este aflito, e o Senhor ouviu e livrou...” — e, então, vem o famosíssimo verso amado por todos nós: “⁷ O Anjo do Senhor acampa-Se ao redor dos que O temem, e os livra”.
Bem, como dito antes, em relação a Gênesis 1 e 2, quando Deus fala, a coisa acontece. Mas, em Êxodo 3, Deus preferiu que a coisa acontecesse através de Moisés. O mensageiro Moisés seria o instrumento de Deus para a realização de Seus feitos. E isso nos faz lembrar que nós somos os mensageiros de Deus — e nós levamos a mensagem de Deus.
(Será que Moisés orava pedindo a Deus que os hebreus fossem libertados? < CLIQUE AQUI > ).
Terça — O nome do Senhor.
A conversa entre Deus e Moisés avançou. Foi uma conversa maravilhosa. Deus poderia ter dito “vá libertar o Meu povo”, e pronto. E Moisés poderia ter dito “não vou, e a conversa termina por aqui”. Mas, a conversa avançou.
De repente, Moisés disse: “Senhor, e se o povo me perguntar: ‘Quem enviou você? Como é o nome de Deus?’ — O que eu vou explicar pra eles, Senhor?” — E Deus respondeu: “Diga que Eu Sou O Que Sou me enviou”.
Vamos entender essa expressão? — “Eu Sou O Que Sou” significa que Ele É O Que É; que Ele não depende de nada para ser; que Ele existe por Si mesmo. Trocando em miúdos, Deus respondeu: “Moisés, Eu Sou o Eterno”.
Irmãos, diante da fragilidade da criatura (ainda mais sendo uma criatura pecadora), ser procurado pelo Eterno é algo incomensurável. Não existem palavras para explicar o fato de sermos objeto da atenção do Eterno.
Moisés, diante do povo, representava o Eterno — “O Eterno me trouxe aqui” —; e os hebreus, visualmente guiados por Moisés, na verdade estavam sendo guiados pelo Eterno. Em razão disso, não há faraó, nem Herodes, e nem bestas do Apocalipse que possam impedir a libertação do povo do Deus Eterno.
Agora, percebam: embora o significado seja “o Eterno”, também indica tratar-se de um Deus “pessoal”; um Deus de “relacionamento”. Um Deus que vê, que ouve, que Se interessa, e que age em favor de todos aqueles que são Seus. Eterno, mas, em vez de distante, Se faz presente.
Ele sabia que, depois do Mar Vermelho, Seu povo iria beber suco de bezerro de ouro; sabia que esse povo provocaria um atraso de 40 anos para entrar na terra prometida; e sabia que, depois de entrar, um dia de lá sairia para morar no cativeiro babilônico; e que até voltaria, mas permaneceria sob o domínio de um outro povo.
Deus sabia que sairiam do Egito, de Babilônia e de Roma; mas também sabia que o Egito, babilônia e Roma não sairiam deles. Porém, Deus nunca deixou de agir em favor da libertação de Seu povo.
Irmãos, nós estamos lidando com o Eterno — com o Deus que ama a eternidade. É por isso que Ele, diante de cada um de nós, coloca assuntos eternos. Portanto, tendo isso em mente, que a nossa decisão individual seja deixar-se ser guiado por Ele.
(Moisés foi um camarada gente boa! < CLIQUE AQUI > ).
Quarta — Quatro desculpas.
O título para hoje é as “quatro desculpas” de Moisés. Irmãos, um dia nós vamos ter que pedir setenta vezes sete desculpas para Moisés. Que vida difícil a dele!
Mais adiante, quando ele não aceita que seja feito um novo Israel através de seus filhos, e ele pede para que seu nome seja tirado do Livro da Vida, caso Deus não perdoe o povo, todos dizem: “Moisés é um tipo de Cristo” — “Olha a humildade dele!”. Mas, quando expressa sua incapacidade em realizar a ordem de Deus, falamos que ele está se desculpando para não cumprir a missão.
Irmãos, Moisés já havia escrito os Livros de Gênesis e de Jó. Era um homem totalmente comprometido com a missão. Era um homem que sabia conversar com Deus, e era exatamente isso que estava fazendo agora, próximo à sarça ardente.
Sinceridade, não vejo como relutância para não ir; vejo, isso sim, como construção de capacidades para ir. Por sinal, sempre é dito que Deus não chama os capacitados, mas capacita aqueles a quem chama. E é isso que vejo no início de Êxodo, um Livro escrito justamente por quem não esconde suas “desculpas”. Vejo Moisés abrindo o seu coração para Deus, e obtendo dEle respostas para as suas incapacidades. E quantas incapacidades fossem reveladas, Deus daria as capacidades correspondentes.
No Comentário Bíblico Adventista, vol. 1, pág. 1211, Ellen White declara: “(Moisés) tinha medo de introduzir o eu em sua obra”.
Na semana de observações após a leitura da Ata de Nomeações, ouvimos três respostas: (1) Não me sinto apto, então não aceito (É triste ouvir isso); (2) Não me sinto apto, orem por mim, e vamos trabalhar (E é esta segunda resposta que vejo em Moisés); e, (3) Me sinto apto, sou bom nisso (E, se essa dói nos nossos ouvidos, imagine nos ouvidos de Deus!).
Bem, ainda na sarça ardente, depois de várias “desculpas”, Moisés insistiu, pedindo que Deus enviasse outra pessoa. É dito que “¹⁴ Então a ira do Senhor se acendeu contra Moisés”. O Comentário Bíblico Adventista explica isso assim: “A expressão usada é forte, mas provavelmente significa que Deus estava descontente, nada mais”. E vemos que, mais uma vez, Deus dá uma solução para o problema, dizendo: “Moisés, no caminho, você vai ver seu irmão Arão vindo em sua direção” — ou seja: “Moisés, já que você pediu para Eu enviar outra pessoa, ela já está a caminho, e vocês vão trabalhar juntos”.
(O que significa “a ira de Deus”? < CLIQUE AQUI > ).
Quinta — A circuncisão.
Continuando, gostei demais da pergunta 6: “Como entender essa história estranha?”
Reparem que a Bíblia não é feita apenas de histórias normais, simples, fáceis. De vez em quando nos esbarramos com alguma coisa “estranha” em suas páginas; e, quando isso aparece, precisamos parar, respirar fundo, e procurar entender. Vamos lá!
Moisés tinha dois filhos: Gérson e Eliézer. O mais novo deve ter nascido em torno do período da sarça ardente. Portanto, ocorreu uma clara negligência quanto ao rito da circuncisão deste, talvez em razão da mudança que estava para ocorrer na vida da família.
Há quem diga que tal negligência se deu em razão de Zípora ser descendente não de Isaque, mas de Midiã, filho que Abraão teve com Quetura. Mas isso não pode ser aceito, pois a circuncisão começou com Ismael, filho de Agar — ou seja, independentemente da mãe, todos eram filhos de Abraão.
Bem, o fato é que houve uma negligência, e Moisés estava correndo risco de morte não por suas desculpas anteriores, mas por esta negligência. E quanto ao fato de Zípora manifestar indignação por ter que circuncidar seu bebê, é justamente para tal manifestação que foi instituída a circuncisão.
Não foi relatada a sua repulsa quando circuncidou Gérson, mas, com certeza, ocorreu. Irmãos, é sofrível tal cirurgia. É uma coisa cruel. Isso dói. Sai sangue. E tem algumas implicações por alguns dias. Isso é terrível! Terrível para o circuncidado, e terrível para uma mãe, que tem que amparar e confortar seu bebê durante a recuperação!
A circuncisão, irmãos, apontava para o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário — que foi terrível! E isso deveria impressionar a mente de todos os pecadores, tal como manifestado por Zípora.
Porém, o estranho na história não é a circuncisão, e nem a negligência por parte do famoso Moisés, mas Deus ter chamado para a missão um homem que estava em negligência — E Deus sabia disso.
Irmãos, é tão estranho Deus ter nos chamado. Ele conhece a nossa vida, e sabe o quanto somos negligentes. No entanto, é nesse fato que mora a beleza da Lição: somos chamados por Deus — o Deus da Aliança Eterna — o Deus que capacita os Seus chamados.
Isaías passou por isso. E, tendo reconhecido suas negligências, pediu perdão, e foi perdoado. O toque de Deus mudou a sua vida.
Deus nos abençoe, irmãos. Deus nos dê a bênção de parar de olhar para as negligências dos outros, e ver o toque de Deus em suas vidas.
(Nos dias de hoje, a circuncisão é obrigatória ou opcional? < CLIQUE AQUI > ).
Sexta — Conclusão.
“Não é coisa incomum ver imperfeições nos que conduzem a obra de Deus. Não seria mais agradável a Deus termos uma perspectiva imparcial, observando quantas pessoas servem a Deus, glorificando-O e honrando-O com seus talentos materiais e intelectuais? Não seria melhor considerar o maravilhoso poder de Deus, operando milagres na transformação de pobres e degradados pecadores, carregados de máculas morais, que se transformam de modo a tornar-se semelhantes a Cristo no caráter? Nem as questões mais desfavoráveis devem levar-nos a sentir-nos perplexos e desanimados. Tudo que nos leve a ver a fraqueza da humanidade está no propósito do Senhor, para nos ajudar a olharmos para Ele, e em caso algum pormos no homem a nossa confiança, nem fazermos da carne nosso braço” (Review and Herald, 15 de agosto de 1893).
Deus nos abençoe.
Carlos Bitencourt / Ligado na Videira
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