Comentário da Lição 12 – Detenção em Cesareia – 15 a 22 de setembro de 2018

Comentário da Lição 12 – Sábado (15/09/2018) – Introdução

“O cristianismo tornará o homem cavalheiro. Cristo era cortês, mesmo com Seus perseguidores; e Seus verdadeiros seguidores manifestarão o mesmo espírito. Vede Paulo, quando levado perante governadores. Seu discurso perante Agripa é uma ilustração da verdadeira cortesia, bem como de persuasiva eloquência. O evangelho não estimula a polidez formal que circula no mundo, mas a cortesia que parte de real bondade do coração” (Refletindo a Cristo, pág. 20 – Meditação Matinal de 14/01/1986).

“Muitos de vocês têm uma vaga percepção da excelência de Cristo, e seu coração vibra de felicidade. Anelam possuir um conhecimento mais pleno e profundo do amor do Salvador. Não se sentem satisfeitos. Mas não têm de se desesperar. Devem dar a Jesus as melhores e mais santas afeições do coração. Entesourar cada raio de luz. Animar cada anseio do coração em busca de Deus. Cultivar os pensamentos espirituais e a santa comunhão. Vocês não viram senão os primeiros raios do alvorecer de Sua glória. À medida que prosseguirem no conhecimento do Senhor, haverão de ver que Sua saída é como a alva. ‘A vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito’” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 8, pág. 318).

Irmãos, que todos tenhamos uma ótima semana de estudo. Que o interesse de vocês seja recompensado pelo Senhor. Contribuam com alegria em vossas classes da Escola Sabatina.

Lembrem-se que estamos publicando o que está no livro “Atos – Contando a História da Igreja Apostólica”, um “Comentário Bíblico Homilético”, escrito por Mário Veloso.

Comentário da Lição 12 – Domingo (16/09/2018) – Diante de Félix

Acusação: bajulação e falsidade (Atos 24:1 a 9)

Passaram-se somente cinco dias da chegada de Paulo a Cesareia até o momento em que Félix, o governador, sentou-se no tribunal para ouvir a acusação contra Paulo. Haviam chegado também a Cesareia o sumo sacerdote Ananias e alguns dos anciãos, dirigentes de Israel, acompanhados de Tértulo, orador e advogado de certo prestígio, para que apresentasse a acusação contra o acusado (Atos 24:1 e 2).

Diante do governador, Tértulo começou um discurso de três partes: uma de bajulação, outra de acusação, e a última, muito breve, teve o objetivo de induzir a decisão na mente do governador.

Bajulação. “Excelentíssimo Félix, tendo nós, por teu intermédio, gozado de paz perene, e, também por teu providente cuidado, se terem feito notáveis reformas em benefício deste povo, sempre e por toda parte, isto reconhecemos com gratidão” (Atos 24:3).

A bajulação do advogado Tértulo tinha por objetivo conquistar a vontade do governador em favor da acusação que logo apresentaria. Paz. É claro que a nação estava em paz, pois ninguém podia fazer nada contra o Império sem ser esmagado até a extinção. A paz de uma opressão brutal. Quem podia desfrutá-la? De acordo com o bajulador, todos. De acordo com a realidade, ninguém. A benevolência de Félix, conforme o historiador judeu Josefo e o historiador romano Tácito, era inexistente. A mesma coisa ocorria com a gratidão dos judeus. As reformas que Félix havia feito sempre foram para aumentar suas riquezas. Tácito conta que recebia grandes somas dos salteadores para que os deixasse atuar livremente. De vez em quando, Félix fazia alguma reforma, aparentemente para controlá-los, mas o verdadeiro objetivo era exigir maiores somas dos salteadores e sua riqueza continuava aumentando (Anales xii.54).

A seguir, Tértulo acrescentou: “Entretanto, para não te deter por longo tempo, rogo-te que, de conformidade com a tua clemência, nos atendas por um pouco” (Atos 24:4). Clemência? Não possuía nenhuma, mas o advogado pretendia que o governador tomasse uma decisão rápida em favor dos acusadores.

A bajulação do advogado, no entanto, agradou a Félix porque parecia demonstrar que os judeus nada sabiam sobre seus abusos.

Acusação. Então, Tértulo apresentou dois elementos na acusação: “Este homem é uma peste”, disse primeiramente (Atos 24:5). Um criminoso. Entre seus crimes, foi acusado de estar promovendo sedições entre os judeus por todo o mundo, e ser também o principal agitador da seita dos nazarenos. A traição contra o Império estava implícita. Falta muito grave. Depois disse: “Tentou até mesmo profanar o templo; então o prendemos” (Atos 24:6).

Tértulo acusou Paulo de cometer ações contra a lei de Roma e contra a lei de Israel. Duplamente culpado, tinha que ser condenado. Essa conclusão subjacente iniciou a intenção de induzir a uma decisão definida na mente do governador.

Indução. “Se tu mesmo o interrogares”, disse-lhe, “poderás verificar a verdade a respeito de todas as acusações que estamos fazendo contra ele” (Atos 24:8).

Uma mensagem de grande sublimidade e perfeição. “Não é necessário interrogá-lo para saber a verdade. Já o sabes. Mas deve ser interrogado para a comprovação. E quando tudo estiver comprovado, deve ser condenado”.

A delegação do Sinédrio rapidamente concordou com tudo o que o advogado disse. Diziam: “Tudo é assim, como ele falou” (Atos 24:9).

Defesa: consciência limpa (Atos 24:10 a 21)

O governador Félix fez um sinal a Paulo, autorizando-o a falar. Paulo apresentou sua defesa com base em que havia feito tudo com a consciência limpa. O contraste entre o discurso de Paulo e o de Tértulo é impressionante.

Paulo não bajulou a Félix. Na introdução, somente mencionou o tempo em que ele havia atuado como juiz da nação: “Sei que há muitos anos tens sido juiz desta nação; por isso de bom grado faço minha defesa” (Atos 24:10).

Nem uma palavra sobre sua maneira de administrar os assuntos legais ou outros assuntos. Além de não falar como Tértulo, apenas falou sobre o tempo, sem se referir a nenhuma das outras coisas ditas por ele, silenciosamente as negou. Não era apropriado enfrentá-lo diretamente nesses aspectos. O que importava era a sua defesa.

Primeiro argumentoa brevidade do tempo. Disse: “Não há mais de doze dias desde que subi a Jerusalém para adorar” (Atos 24:11).

Desde que Paulo chegou a Jerusalém até o dia em que compareceram perante Felix, haviam se passado somente catorze dias, contados assim: primeiro dia, reunião com os apóstolos em Jerusalém (Atos 21:18 a 20). Segundo dia, início dos dias da purificação. Terceiro ao sétimo dia, os cinco dias da purificação e, no sétimo, ocorre o ataque dos judeus e o resgate de Cláudio Lísias (Atos 21:27 a 33). Oitavo dia, defesa de Paulo perante o Sinédrio (Atos 22:30 a 23:11). Nono dia, conspiração para matar Paulo; descoberta da conspiração, e partida de Paulo para Cesareia (Atos 23:12 a 22, e 31). Décimo dia, chegada a Cesareia e primeiro encontro com Félix (Atos 23:32 e 33). Décimo primeiro ao décimo quarto dia, os cinco dias que se passaram até o segundo encontro com Félix (Atos 24:1). Paulo não contou o dia da sua chegada nem o dia em que estavam perante Félix; restaram doze dias.

Não houve tempo para realizar uma sedição em Jerusalém; nem a havia feito. “Não me acharam no templo discutindo com alguém, nem tampouco amotinando o povo, fosse nas sinagogas ou na cidade” (Atos 24:12).

Segundo argumentonão existem provas. Paulo disse: “Não te podem provar as acusações que, agora, fazem contra mim” (Atos 24:13).

Pode haver uma condenação sem que as provas sejam apresentadas? Decisivamente, não. Não era permitido nem pelo sistema judiciário israelita, nem pelo romano.

Terceiro argumentoconfesso haver atuado com a consciência limpa, em tudo. Paulo reúne vários fatos que demonstram a qualidade de suas ações: “(1) Sirvo a Deus de acordo com o Caminho, que eles chamam seita, mas é o Deus de meus pais (Atos 24:14a). (2) Creio em todas as coisas que estão escritas na lei e nos profetas (Atos 24:14b). (3) Tenho a mesma esperança em Deus que eles têm, isto é, que haverá ressurreição de justos e injustos (Atos 24:15). (4) Por causa dessa esperança procuro atuar com a consciência limpa, em tudo, não somente diante de Deus, como também diante dos homens” (Atos 24:16).

Quarto argumentoo que fiz em Jerusalém comprova minha inocência. Novamente, de várias maneiras, ele prova que as coisas que fez em Jerusalém não revelam nenhuma atividade que se aproxime das culpas que lhe atribuem: “(1) Cheguei a Jerusalém para trazer esmolas ao meu povo e apresentar ofertas (Atos 24:17). (2) Estava no templo oferecendo ofertas e purificando-me, quando alguns judeus da Ásia me encontraram (Atos 24:18). Não estava liderando nenhuma multidão, nem fazendo ajuntamento ou tumulto. (3) Caso tivessem alguma coisa de que me acusar, esses judeus da Ásia deveriam se apresentar diante de ti, mas não estão aqui porque não podem me acusar de nada que eu tenha feito. Não têm provas (Atos 24:19). (4) Esses mesmos que estão aqui deveriam dizer se encontraram alguma coisa errada em mim quando compareci perante o concílio convocado pelo comandante Lísias, salvo o que eu disse: a respeito da ressurreição dos mortos sou julgado hoje por vocês” (Atos 24:20 e 21).

Félix: decisão corrupta (Atos 24:22 a 27)

Paulo terminou sua defesa. É evidente que não havia nenhuma causa contra ele. Félix devia tê-lo declarado inocente, e, absolvendo-o, deixá-lo em liberdade. Mas não o fez. Simplesmente adiou a decisão para o futuro. Encerrou a reunião dizendo aos  do Sinédrio: “Quando chegar o comandante Lísias, decidirei o caso de vocês” (Atos 24:22). Mandou que o centurião mantivesse Paulo sob custódia, concedendo-lhe alguma liberdade e com o direito de receber seus familiares para que o visitassem e o servissem (Atos 24:23). Se, para ele, era evidente que Paulo não era culpado de nada, o que o induziu a mantê-lo como prisioneiro? Duas coisas: curiosidade e cobiça.

Por curiosidade, alguns dias depois, mandou chamar Paulo. Félix estava com a esposa, que era judia. Os dois queriam ouvir mais a respeito da fé em Cristo Jesus (Atos 24:24). Paulo lhes falou sobre a pessoa de Jesus e a respeito da vida justa que Ele havia vivido, qualidade de vida que Ele esperava de todos, porque todos os seres humanos terão que comparecer perante o Juízo vindouro. Amedrontado, Félix disse-lhe: “Pode sair. Quando achar conveniente, mandarei chamá-lo de novo” (Atos 24:25).

Contudo, mais forte que a curiosidade religiosa de Félix era sua cobiça. Muitas vezes ordenou que trouxessem Paulo à sua presença e conversava com ele. Lucas explicou a razão: “Esperava com isto que Paulo lhe oferecesse algum dinheiro para que o soltasse” (Atos 24:26).

Porém, Paulo não era nenhum dos salteadores que sempre lhe davam dinheiro para que os deixasse agir livremente. Não tinha dinheiro para isso. E mesmo que tivesse, o maior desejo de Paulo, durante sua prisão em Cesareia, não era obter a liberdade, mas ser enviado a Roma. Félix passou dois anos no jogo da corrupção procurando obter dinheiro de Paulo. Não conseguiu (Atos 24:27a). Entretanto, Lucas, conforme se pode crer, usou esse período organizando os materiais necessários para escrever seu livro.

No fim desses dois anos, originou-se uma luta violenta entre judeus e gentios em Cesareia. Félix procurou apaziguá-los, mas a violência de suas ações causou grande derramamento de sangue entre os líderes dos judeus. Esse fato, juntamente com uma acusação contra ele por suas relações fraudulentas com os salteadores, causaram a sua destituição. Ao partir, tentando manter a simpatia com os judeus, manteve Paulo na prisão. Talvez esperando que o novo governador o condenasse (Atos 24:27b).

Comentário da Lição 12 – Segunda (17/09/2018) – Diante de Festo

Festo: decisão política (Atos 25:1 a 12)

As autoridades do Império substituíram Félix por Pórcio Festo, no ano 60 d.C. Festo era um homem menos sanguinário e menos corrupto que Félix, mas não menos sujeito às manipulações políticas que eram comuns entre as autoridades romanas, em todas as partes.

Não demorou para visitar as autoridades judaicas. Apenas três dias após sua chegada, viajou a Jerusalém (Atos 25:1). Os líderes judeus também não esperaram muito para lhe falar sobre Paulo. Lucas diz: “Pediram a Festo o favor de transferir Paulo para Jerusalém, contra os interesses do próprio Paulo” (Atos 25:2 e 3).

Não era um pedido de boa fé, pois planejavam matá-lo no caminho. Festo percebeu seus planos e, conhecendo a história da prisão de Paulo, que Félix, sem dúvida, lhe havia contado antes de partir para Roma, suspeitando, lhes disse: “Paulo está preso em Cesareia, e eu mesmo vou para lá em breve” (Atos 25:4).

Além disso, se ofereceu para tratar do assunto tão logo lá chegasse e, para provar sua intenção de fazê-lo, acrescentou: “Os que dentre vós estiverem habilitados que desçam comigo; e, havendo contra este homem qualquer crime, acusem-no” (Atos 25:5).

A promessa de um novo julgamento de Paulo foi clara. Não precisaram esperar muito. Festo permaneceu de oito a dez dias em Jerusalém e retornou a Cesareia. Os representantes do Sinédrio o acompanharam. No dia seguinte, assentando-se no tribunal, ordenou que Paulo fosse trazido perante ele (Atos 25:6).

Tão logo Paulo apareceu, seus acusadores o rodearam e insistiam em muitas e graves acusações. No entanto, Lucas diz: “Não as podiam provar” (Atos 25:7).

De sua parte Paulo se defendia, dizendo: “Nenhum pecado cometi contra a lei dos judeus, nem contra o templo, nem contra César” (Atos 25:8).

Nesse momento, o governador que havia agido de maneira muito política ao visitar os líderes judeus, apenas fez uso de suas funções, sentindo maior prestígio em sua conduta politizada. Lucas diz: “Queria assegurar-se do apoio dos judeus” (Atos 25:9a).

Não estava preocupado com a justiça do caso. O que mais lhe interessava era o que fosse politicamente conveniente. Mas cometeu um erro em sua estratégia: em lugar de ele mesmo tomar uma decisão sobre o assunto, transferiu essa decisão para Paulo, perguntando-lhe: “Queres tu subir a Jerusalém e ser ali julgado por mim?” (Atos 25:9b).

Paulo, rapidamente percebeu o perigo. Como voltar outra vez ao foco da conspiração para que seus inimigos o matassem mesmo antes que o julgamento começasse?

Então, respondeu: “Estou perante o tribunal de César, onde convém seja eu julgado; nenhum agravo pratiquei contra os judeus, como tu muito bem sabes. Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles” (Atos 25:10 e 11a).

Paulo falou com toda clareza. Expôs sua própria inocência, as intenções assassinas de seus inimigos, a motivação política do governador e seu direito a um julgamento justo. Para assegurar-se de que não seria submetido a nova manipulação que retardasse ainda mais sua viagem a Roma, acrescentou: “Apelo para Cesar!” (Atos 25:11b).

Mesmo irritado, Festo consultou seus conselheiros. Devem ter-lhe confirmado o direito que todo cidadão romano tinha de apelar ao imperador, especialmente quando suspeitava que sua causa estava sendo conduzida com má intenção. A seguir, disse-lhe: “Você apelou para César, para César irá!” (Atos 25:12).

Com essa sentença, Paulo ficava livre de espreitas e conspirações provenientes de Jerusalém e também de outras manipulações políticas que o governador Festo pudesse inventar. Além disso, o deixava no caminho para Roma, onde deveria cumprir a missão que Deus lhe havia dado, de testemunhar perante o imperador.

Comentário da Lição 12 – Terça (18/09/2018) – Perante Agripa

Paulo perante o rei Agripa: inculpável (Atos 25:13 a 26:32)

Mas ainda estava preso – uma situação muito estranha para a justiça romana e também para a justiça israelita. As leis das nações proibiam castigar um homem inocente. Mas os administradores da lei estavam enredados por seus pequenos interesses pessoais. Os juízes romanos, pela cobiça de dinheiro e de poder político. Os juízes israelitas, pelo ódio que sentiam contra Paulo.

Ódio e cobiça, dois males da natureza humana pecadora que conduzem os seres humanos a uma conduta injusta e, muitas vezes, criminosa. Ambos os males se faziam presentes. Os que conspiravam contra Paulo quiseram matá-lo e os juízes cometiam a injustiça de mantê-lo preso sem que houvesse cometido qualquer delito para merecer esse castigo.

Mas Paulo não estava preso por haver cometido algum delito, nem os juízes eram os que realmente decidiriam seus assuntos. Paulo estava ali porque, possivelmente, essa seria a única maneira de ser conduzido ao imperador, e este dedicaria tempo para ouvi-lo. Deus conduzia a vida de Paulo. Ele a dirigia em função da obra que lhe havia incumbido de realizar: levar o evangelho de Jesus aos gentios, incluindo seus dirigentes e dirigidos.

Antes de ir a Roma devia testemunhar perante o rei Agripa. Herodes Agripa II, neto de Herodes o Grande e filho de Herodes Agripa I, que morreu comido por vermes (Atos 12:20 a 23). Quando seu pai morreu, no ano 44 d.C., ele estava em Roma. O imperador Cláudio quis fazê-lo sucessor do pai, mas ele ainda era demasiadamente jovem, com apenas dezessete anos. No ano 50, deu-lhe o pequeno reino de Cálcis, no Líbano e, no ano 53, trocou esse reino por um maior que abrangeu a Galileia, os territórios do nordeste do Mar da Galileia e parte de Bereia. Além disso, era o administrador dos tesouros do Templo e tinha o direito de nomear os sumos sacerdotes. Descendente de Marianne, esposa de Herodes o Grande, sua avó era judia e ele era altamente apreciado pelos judeus. Os romanos o consideravam especialista em assuntos religiosos judaicos.

Agripa visita Festo: nenhuma acusação contra Paulo (Atos 25:13 a 27)

Passados alguns dias, não muito tempo, Agripa resolveu fazer uma visita protocolar ao recém-chegado governador da Judeia, seu vizinho. Foi acompanhado de Berenice, sua irmã e mulher (Atos 25:13). Tanto escritores judeus como romanos falam da relação existente entre eles como “pecaminosa”, incestuosa. Permaneceram com Festo durante muitos dias. Por isso, Festo teve tempo para falar com eles sobre o preso especial que estava sob sua guarda. Disse-lhes então: “Há aqui um homem que Félix deixou preso” (Atos 25:14).

Contou-lhes a história de seu relacionamento com Paulo desde a visita que fizera a Jerusalém após três dias de sua chegada. Nessa visita, os sacerdotes e anciãos o acusaram perante eles, exigindo-lhe que o condenasse (Atos 25:15). “A eles respondi que não é costume dos romanos condenar quem quer que seja, sem que o acusado tenha presentes os seus acusadores e possa defender-se da acusação” (Atos 25:16).

Os acusadores foram a Cesareia com Festo e ele convocou o tribunal para ouvi-los (Atos 25:17). “Os acusadores, nenhum delito referiram dos crimes de que eu suspeitava. Traziam contra ele algumas questões referentes à sua própria religião e particularmente a certo morto, chamado Jesus, que Paulo afirmava estar vivo” (Atos 25:18 e 19).

Em seguida, como que justificando a estranha sentença que pronunciou nesse julgamento, acrescentou: “Fiquei sem saber como investigar tais assuntos; por isso perguntei-lhe se ele estaria disposto a ir a Jerusalém e ser julgado ali. Mas ele apelou ao imperador e eu ordenei que ficasse sob custódia até que eu pudesse enviá-lo a César” (Atos 25:20 e 21). O rei Agripa lhe disse: “Eu também gostaria de ouvir esse homem”. “Amanhã o ouvirás”, respondeu-lhe Festo (Atos 25:22).

No dia seguinte, Festo reuniu o tribunal. O rei Agripa e Berenice, com os altos oficiais e os homens importantes da cidade, entraram na audiência, com grande pompa e demonstração de poder (Atos 25:23). Festo apresentou um discurso justificando a reunião. Começou dizendo: “Rei Agripa e todos vós que estais presentes conosco, vedes este homem, por causa de quem toda a multidão dos judeus recorreu a mim tanto em Jerusalém como aqui, clamando que não convinha que ele vivesse mais. Porém eu achei que ele nada praticara passível de morte; entretanto, tendo ele apelado para o imperador, resolvi mandá-lo ao imperador” (Atos 25:24 e 25).

Festo descreveu muito bem a situação do preso. Estava tudo claro com respeito a Paulo. Mas, para Festo, sua própria situação não estava tão clara. Havia para ele uma complicação muito séria. Descreveu-a deste modo: “O problema é que não tenho nada definido para escrever ao soberano sobre ele” (Atos 25:26a).

Diante do absurdo de enviar um preso ao imperador, sem ter nenhuma acusação clara para informar a seu respeito, sentia a necessidade de alguma ajuda por parte desse grupo. “Por isso eu o trouxe diante dos senhores, e especialmente diante de ti, rei Agripa, de forma que, feita esta investigação, eu tenha algo para escrever. Pois não me parece razoável enviar um preso sem especificar as acusações contra ele” (Atos 25:26b e 27).

Comentário da Lição 12 – Quarta (19/09/2018) – A defesa de Paulo

Defesa de Paulo perante Agripa: não é culpado de nada (Atos 26:1 a 32)

Quando Festo terminou de explicar o problema que tinha com o aprisionamento de Paulo, o rei Agripa fez uso da palavra e, dirigindo-se a Paulo, disse: “É permitido que uses da palavra em tua defesa” (Atos 26:1a). Paulo, estendendo a mão para concentrar a atenção de todos os membros do tribunal, incluindo os visitantes (Atos 26b), começou dizendo: “Rei Agripa, considero-me feliz por poder estar hoje em tua presença, para fazer a minha defesa contra todas as acusações dos judeus, especialmente porque estás bem familiarizado com todos os costumes e controvérsias deles. Portanto, peço que me ouças pacientemente” (Atos 26:2 e 3).

A seguir, Paulo narra sua vida dividindo-a em três etapas: (1) Antes de se tornar seguidor de Jesus, Paulo o judeu. (2) O momento de sua conversão, Paulo o cristão. (3) E sua obediência à visão, Paulo o missionário.

Paulo, o judeu: Vivi como fariseu (Atos 26:4 a 11)

Paulo narrou sua vida afirmando que todos os judeus conheciam como havia sido. “Eles me conhecem há muito tempo e podem testemunhar que, como fariseu, vivi de acordo com a seita mais severa da nossa religião” (Atos 26:4 e 5).

Se os judeus quisessem, poderiam ter testemunhado a esse respeito. Mas não disseram nada. Queriam unicamente acusá-lo e o fizeram acusando-o de ações contra a religião, o que Paulo realmente não havia praticado. A realidade era outra.

“Agora, estou sendo julgado por causa da esperança da promessa que por Deus foi feita a nossos pais. Creio nela” (Atos 26:6).

Todas as tribos de Israel tiveram a mesma esperança (Atos 26:7). Expressavam-na todas as manhãs e todas as tardes através do sacrifício contínuo realizado primeiramente no santuário, depois no templo. Toda a vida da nação encontrava sentido nessa promessa. O Messias viria como substituto de todos. Como o Cordeiro do sacrifício diário, daria Sua vida para salvar do pecado a nação judaica e o mundo inteiro. Desde os tempos antigos, os judeus criam na ressurreição de todos. Por que lhes era tão difícil crer na ressurreição de Jesus? Por que condenavam um homem que cria na realidade da esperança?

Morto o Messias, não podia permanecer no sepulcro. Tinha que ressuscitar. Sua ressurreição era a confirmação da esperança na ressurreição dos mortos. Se não tivesse ressuscitado, ninguém ressuscitaria. E Paulo, então, tornou o assunto mais pessoal para seu auditório. Disse-lhes: “Por que os senhores acham impossível que Deus ressuscite os mortos?” (Atos 26:8)

E logo admite que as pessoas podem crer em erros terríveis. Erros que as levam a estranhas condutas, compatíveis com a agressão e até o assassinato. “Na verdade, a mim me parecia que muitas coisas devia eu praticar contra o nome de Jesus, o Nazareno” (Atos 26:9).

Disse-lhes ainda que havia perseguido Seus seguidores em Jerusalém, com a autorização dos próprios líderes religiosos; e quando o Sinédrio decidia a morte deles, ele também votava a favor (Atos 26:10).

“Muitas vezes ia de uma sinagoga para outra a fim de castigá-los, e tentava forçá-los a blasfemar. Em minha fúria contra eles, cheguei a ir a cidades estrangeiras para persegui-los” (Atos 26:11).

Paulo, o cristão: Vi a luz (Atos 26:12 a 18)

Mas essas perseguições eram um grave erro. Não correspondiam à verdadeira religião de Israel que ele queria viver com fidelidade. Contou-lhes como se apercebeu de que estava agindo contra a vontade do Deus de seus antepassados a quem ele queria servir.

“Com estes intuitos”, disse, “parti para Damasco, levando autorização dos principais sacerdotes e por eles comissionado. Ao meio-dia, ó rei, indo eu caminho fora, vi uma luz no céu, mais resplandecente que o Sol, que brilhou ao redor mim e dos que iam comigo” (Atos 26:12 e 13).

Contou-lhes como a intensidade da luz impediu que ele visse o que estava acontecendo ao redor deles e provocou sua queda por terra. Despojou-o de todos os seus poderes. Os poderes que havia recebido dos líderes; poderes próprios que um homem agressivo possui; poderes de cavaleiro que comanda sua cavalgadura. Estava caído por terra. Não podia ver, mas não havia sido abandonado por Deus. Jesus tampouco o desprezava.

“Ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que Me persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os aguilhões”. Paulo, então, perguntou: “Quem és Tu, Senhor?” “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 26:14 e 15).

Nesse instante, contou, percebeu o mal que estava fazendo contra os seguidores de Jesus. Cria que suas ações eram atos de fidelidade a Deus porque perseguia os que, de acordo com ele, eram inimigos da religião judaica revelada por Deus a seus antepassados. Um erro. Grave erro. Havia outra obra que devia realizar.

Contou que o Senhor continuou lhe dizendo: “Levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que Me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais Eu te envio, para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em Mim” (Atos 26:16 a 18).

Paulo afirmou que havia recebido a luz e que Jesus o havia enviado aos gentios para apresentá-la a eles. Seguir a Jesus não era um erro, era a correção do erro que seus acusadores cometiam por se haver afastado da esperança de seus próprios antepassados. Jesus era o Messias, a esperança de Israel, luz para os gentios.

Paulo, o missionário: Não fui desobediente (Atos 26:19 a 23)

Paulo havia chegado ao ponto culminante de sua argumentação; faltava somente justificar a obra que estava realizando. “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (Atos 26:19).

Contou-lhe que havia anunciado o evangelho primeiramente em Damasco, depois em Jerusalém e em toda a Judeia. Disse-lhe também que havia ido à terra dos gentios e lhes havia pedido que se arrependessem, que se convertessem a Deus e praticassem obras dignas de arrependimento (Atos 26:20).

“Por causa disto, alguns judeus me prenderam, estando eu no templo, e tentaram matar-me. Mas, alcançando socorro de Deus, permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho, tanto a pequenos como a grandes, nada dizendo, senão o que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer” (Atos 26:21 e 22).

Que coisas eram essas? “Que Cristo devia padecer e, sendo o primeiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao povo e aos gentios”. Festo não se conteve. “Estás louco, Paulo!”, gritou-lhe. “As muitas letras te fazem delirar”. “Não estou louco, excelentíssimo Festo”, respondeu-lhe. “O que estou dizendo é verdadeiro e de bom senso” (Atos 26:23 a 25).

Comentário da Lição 12 – Quinta (20/09/2018) – Paulo diante dos líderes

Em seguida, Paulo deu uma meia-volta missional em sua defesa e incluiu o rei Agripa na conversação. Fez isso de forma muito elegante. Mas dirigindo-se ainda a Festo, disse: “O rei está familiarizado com essas coisas, e lhe posso falar abertamente. Estou certo de que nada disso escapou do seu conhecimento, pois nada se passou num lugar qualquer”. E então, volvendo-se diretamente ao rei, disse-lhe: “Rei Agripa, crês nos profetas? Eu sei que sim” (Atos 26:26 e 27).

“Por pouco me persuades a me fazer cristão”, respondeu-lhe o rei. “Assim Deus permitisse que, por pouco ou por muito”, disse Paulo, “não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto estas cadeias” (Atos 26:28 e 29).

O rei se levantou e todos os demais. A audiência estava encerrada. Paulo se defendeu bem, mas seu objetivo não era obter a liberdade que qualquer preso teria desejado mais que qualquer coisa. Paulo era diferente. Queria somente testemunhar de Cristo. Além disso, se fosse possível, queria conseguir a conversão de seus ouvintes. Havia testemunhado perante o tribunal e perante o rei. Para ele era tudo. Mas os demais, enquanto se retiravam, iam comentando entre si: “Este homem não fez nada que mereça morte ou prisão” (Atos 26:30 e 31).

O próprio rei disse a Festo: “Este homem bem podia ser solto, se não tivesse apelado para César” (Atos 26:32).

O imperador – esse era o objetivo de Paulo. Queria a conversão do imperador e de todo o Império. Por que não? Por acaso os cristãos não tinham que pregar o evangelho a todas as pessoas, em todo o mundo, incluindo os reis e imperadores, e todos os seus dirigentes?

Comentário da Lição 12 – Sexta (21/09/2018) – Conclusão

“Lembrem-se das palavras de Cristo a Seus seguidores: ‘Vós sois a luz do mundo’. Deus depende daqueles que conhecem o caminho para mostrá-lo aos outros. Ele confiou aos homens o tesouro de Sua verdade. Precisamos é de fé e confiança em Deus. A graça interior será revelada por ações exteriores. Necessitamos daquele espírito que mostre aos outros que estamos aprendendo na escola de Cristo, e que copiamos o Modelo que nos foi dado. Carecemos de um coração que não seja atraído para a vaidade, uma mente não apegada ao eu. Cada um deveria nutrir o constante desejo de ser uma bênção aos outros. Ambos necessitam de piedade interior, doce contentamento e isenção de criticismo, rabugice, espírito de censura e severidade. Que a bondade e o amor sejam a norma em seu lar. Quem quer que impeça a luz de brilhar no próprio lar desonra o Salvador.

A verdade tal como é em Jesus faz muito pelo recebedor, e não apenas por ele, mas por todos os que estão sob sua esfera de influência. O verdadeiramente convertido é iluminado desde o alto e Cristo habita nele, ‘uma fonte a jorrar para a vida eterna’. Suas palavras, motivos e ações podem ser mal-interpretados e falsificados, mas ele não se importa com isso porque tem maiores interesses em jogo. Não considera sua presente conveniência, não ambiciona ostentar-se nem anela pelo louvor dos homens. Sua esperança está no Céu e mantém-se avançando para ele com os olhos fixos em Jesus” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 5, págs. 568 e 569).

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