Comentário da Lição 10 – A terceira viagem missionária – 1º a 8 de setembro de 2018

Comentário da Lição 10 – Sábado (01/09/2018) – Introdução

“Os apóstolos não consideraram preciosa a própria vida, regozijando-se em ser considerados dignos de sofrer pelo nome de Cristo. Paulo e Silas perderam tudo. Suportaram açoites, e foram atirados, não com brandura, sobre o chão frio de uma prisão, em posição por demais penosa, com os pés erguidos e presos a um tronco. Chegaram então aos ouvidos do carcereiro queixas e murmurações? Oh, não! Da prisão interior irromperam vozes quebrando o silêncio da meia-noite com hinos de alegria e louvor a Deus. Esses discípulos eram animados por profundo e fervoroso amor pela causa de seu Redentor, pela qual sofriam.

À medida que a verdade de Deus nos enche o coração, absorve-nos as afeições e nos rege a vida, também nós consideraremos alegria sofrer por amor da verdade. Nenhuma parede de prisão, nenhuma estaca de martírio, nos pode intimidar ou impedir na realização da grande obra” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 3, págs. 406 e 407).

Nessas últimas semanas, vimos a primeira viagem missionária de Paulo (com Barnabé), ocorrida durante os anos 45 e 47. Depois, o Concílio de Jerusalém (ano 49). Semana passada, a segunda viagem (com Silas), nos anos 49 a 52.

Nesta nova semana, continuaremos com Paulo (e Silas) em sua terceira viagem missionária. Os capítulos bíblicos que estudaremos retratam os anos 53 a 58.

Grandes viagens! Grandes histórias! E foi nessa terceira empreitada que Paulo escreveu as duas Cartas aos Coríntios, e aos Gálatas, e aos Romanos. Portanto, um período fértil em todos os sentidos.

Que Deus nos fortaleça em cada momento desta semana de nº 10. Com a histórias missionárias a serem apreciadas, nos venha o ânimo para também trabalhar na seara do Senhor. Deus nos anime!

Para a continuação da semana, publicamos o que exatamente está no livro “Atos – Contando a História da Igreja Apostólica”, um “Comentário Bíblico Homilético”, escrito por Mário Veloso. E como é bastante material, mãos à obra! É muita coisa, mas vale a pena cada uma das considerações.

Comentário da Lição 10 – Domingo (02/09/2018) – Éfeso (parte 1)

Terceira Viagem Missionária de Paulo

Paulo estava pronto para empreender a terceira viagem missionária (Atos 18:23 a 21:16). Era o ano 53 d.C. Ele viajou até 58 d.C., ou seja, durante quase seis anos. Percorreu a Ásia Menor, Macedônia e Grécia (Acaia), encerrando o trajeto em Jerusalém. Paulo não retornou a Antioquia da Síria, pois os acontecimentos em Jerusalém, no fim da viagem, o levaram à prisão e ao julgamento em Roma.

Ásia Menor: vitória sobre o demônio (Atos 18:23 a 19:41)

No fim da segunda viagem missionária, Paulo permaneceu em Antioquia um breve período. Sua preocupação pelos conversos era muito grande. Empreendeu nova viagem, iniciando pela Ásia Menor.

Galácia e Frígia: fortalecimento aos irmãos (Atos 18:23 a 19:41)

O registro de Lucas diz: “Viajou por toda a região da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos” (Atos 18:23). Regiões onde, na primeira viagem, havia fundado igrejas; e na segunda, confirmou os irmãos, lhes comunicou os acordos do Concílio de Jerusalém e os instou a manter a unidade da igreja pela obediência às decisões. Animou os irmãos, dizendo-lhes palavras que fizeram crescer a confiança em Jesus e fortaleceram a fé. As emoções e a vontade deles ficaram mais firmemente estabelecidas em Cristo, pois, após as novas instruções de Paulo, sua convicção se tornou mais sólida.

O principal local visitado na terceira viagem foi a cidade de Éfeso.

Apolo em Éfeso: exatidão no caminho de Deus (Atos 18:24 a 28)

Antes que Paulo chegasse a Éfeso, Apolo, um judeu, nascido em Alexandria, Egito, havia estado ali (Atos 18:24). Naquela cidade, havia numerosa colônia de judeus: ricos, poderosos e cultos. Um grupo de setenta sábios judeus realizou ali uma tradução do Antigo Testamento para o grego, que se tornou muito famosa, até os dias de hoje. É conhecida pelo nome de Septuaginta.

Até essa época, Apolo era desconhecido para os cristãos. Depois, adquiriu prestígio muito grande, ao ponto de ser comparado com Pedro e com Paulo. Pelo menos assim foi em Corinto. Na primeira epístola que Paulo lhes escreveu no ano 57, não mais de três anos depois de sua chegada a Éfeso, dessa cidade, lhes disse: “Cada um de vocês diz: Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefas (Pedro)”.

Mas, quando chegou a Éfeso, apesar de ser um homem poderoso nas Escrituras, de haver sido instruído no caminho do Senhor, de possuir um espírito fervoroso, e de ensinar diligentemente a respeito de Jesus, Apolo conhecia somente o batismo de João. Não conhecia com exatidão o caminho do Senhor (Atos 18:25).

Ao chegar à sinagoga, começou a falar ousadamente. Um judeu pregando sobre Jesus era um fato notável. Priscila e Áquila o ouviram com atenção e perceberam imediatamente o que lhe faltava.

Assim é o conhecimento de qualquer irmão que tenha sido bem instruído no evangelho. Percebe rapidamente os erros.

O que se destaca nesses dois crentes não era somente o conhecimento que possuíam, mas também a delicadeza cristã para tratar o problema. Realmente, um pregador que não conhece bem o evangelho é um problema. E maior é o problema se esse pregador é eloquente e transmite convicção aos que o ouvem. Priscila e Áquila, com sabedoria e cordialidade, o levaram à parte para falar a sós com ele. “Com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus” (Atos 18:26).

Apolo deve ter aceitado o ensinamento que lhe foi transmitido, pois imediatamente se integrou ao grupo de cristãos que se encontrava ali. Essa atitude de Apolo foi tão notável como tudo o que sabia anteriormente. Demonstrou apreço pelo conhecimento exato do Caminho. Nada melhor do que conhecer bem o que alguém crê e crer em tudo o que alguém sabe a respeito do Senhor.

Por intermédio de seus conselheiros Priscila e Áquila, soube do grande êxito que Paulo havia tido, juntamente com seu grupo, quando, na segunda viagem missionária, trabalharam em Corinto na província de Acaia. Surgiu nele grande desejo de ir à Grécia para ajudar os irmãos no contínuo trabalho missionário que realizavam na região. Expressou esse desejo e, como diz Lucas, “animaram-no os irmãos e escreveram aos discípulos para o receberem” (Atos 18:27).

Lucas, a seguir, acrescenta em sua história o seguinte comentário: “Ao chegar, ele auxiliou muito os que pela graça haviam crido, pois refutava vigorosamente os judeus em debate público, provando pelas Escrituras que Jesus é o Cristo” (Atos 18:28).

Sem as limitações doutrinárias que tinha quando chegou a Éfeso e já totalmente identificado com a igreja cristã, podia anunciar plenamente o evangelho e pregar com mais convicção, transmitindo uma nova segurança que antes nem ele mesmo tinha. A verdade do evangelho transmite segurança aos mais tímidos, e muito mais aos que por natureza já possuem personalidade fervorosa, como era o caso de Apolo.

Paulo em Éfeso: rebatismo de crentes (Atos 19:1 a 7)

Finalmente, Paulo chegou a Éfeso, onde, na segunda viagem, havia estado apenas de passagem.

“Voltarei”, havia prometido aos judeus que, com tanta afeição para com ele, insistiam que permanecesse com eles por mais algum tempo. Não tinha sido possível naquela época, mas agora estava ali para trabalhar com eles o tempo que desejassem. Permaneceu em Éfeso durante três anos. Mais da metade de todo o tempo que essa viagem durou.

“Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, atravessando as regiões altas, chegou a Éfeso” (Atos 19:1). Encontrou ali um grupo de discípulos, no total de doze, aos quais perguntou: “Vocês receberam o Espírito Santo quando creram?” “Nem sequer ouvimos que existe o Espírito Santo”, responderam (Atos 19:2).

Estranha maneira de ensinar os novos conversos. Alguém cometeu um grave erro. Como seria possível, para um ser humano, chegar a crer, sem a atuação do Espírito Santo em sua mente e em suas emoções? O Espírito Santo havia atuado neles, mas eles não o sabiam. Isso pode ocorrer e ocorre constantemente. Mas é muito melhor que a pessoa tenha clara consciência dessa obra e esteja intimamente vinculada ao Espírito Santo em tudo o que faz.

“Em que, pois, fostes batizados? No batismo de João”, responderam (Atos 19:3).

Possivelmente, eram conversos de Apolo que haviam aceitado o evangelho antes que ele recebesse a instrução exata sobre o caminho de Deus. Paulo, então, começou a esclarecer o ensinamento.

“João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse nAquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus” (Atos 19:4). O arrependimento é importante; sem ele, Deus não pode perdoar os pecados do pecador. Sem se arrepender, o pecador continua sem esperança de salvação. Por outro lado, qualquer pessoa que faz algum mal a alguém pode se arrepender e até pedir perdão por essa falta. Mas, sem Cristo, esse ato não é mais que uma ação de boas relações humanas. E até pode ser um ato de conveniência, sem que exista a menor intenção de superar a raiz que produziu o mal. Em nada disso há salvação. Só há salvação em Cristo.

Também não é suficiente saber a respeito de Cristo. Por mais que o conhecimento a respeito dEle seja indispensável, é necessário crer nEle. Somente quando o pecador se arrepende porque crê em Cristo, o Senhor pode perdoá-lo e, por meio do Espírito Santo, fortalece sua vontade para que não torne a cometer novamente a mesma falta. “Tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus” (Atos 19:5).

Em seguida, Paulo lhes impôs as mãos para que recebessem o Espírito Santo. E O receberam. Dois fatos demonstraram que O haviam recebido. Lucas escreveu: “Começaram a falar em línguas e a profetizar” (Atos 19:6). Começaram a falar em línguas estrangeiras. O mesmo que ocorreu em Jerusalém no dia de Pentecostes, quando os discípulos receberam o Espírito Santo. Falaram línguas que não conheciam. Qual era o objetivo? Pregar o evangelho a pessoas que falavam somente esse idioma e despertar sua admiração para que, com mais facilidade, cressem na mensagem que ouviam. Não se tratava de ruídos guturais ou coisas semelhantes, sem qualquer conteúdo, uma vez que tal fenômeno, em lugar de gerar compreensão da mensagem cristã e despertar admiração para aceitá-la, pode gerar temor, desconfiança e escárnio.

Também profetizaram. No Antigo Testamento, profetizar significava predizer acontecimentos futuros. Mas nem sempre. Também profetizavam os que, com clareza, ensinavam as verdades divinas. Isso acontecia com todos os profetas e também se fez presente nas escolas dos profetas. Nessas escolas, não era ensinado predizer eventos futuros. Eram ensinadas as verdades bíblicas com exatidão para que pudessem ser ensinadas com clareza e precisão.

“Eram, ao todo, uns doze homens”, diz Lucas (Atos 19:7). Um grupo pequeno. Valia a pena que o grande apóstolo dos gentios, com o mundo inteiro pela frente para evangelizar, se ocupasse em atender tão poucas pessoas, em um erro doutrinário que tinham por deficiência de quem os tinha doutrinado ou por outra razão? Sim, valia a pena. A conversão das pessoas não é produzida massivamente, mas de forma individual. Muitos podem crer ao mesmo tempo, como as conversões do dia de Pentecostes e outras que têm acontecido na história da Igreja, mas cada pessoa desses grandes grupos precisou crer individualmente. O valor da conversão reside em cada pessoa que se converte. Não se pode descuidar de ninguém.

Paulo não descuidou desses doze homens nessa oportunidade, e jamais descuidou de alguém que precisasse crer.

A Palavra do Senhor crescia e prevalecia em Éfeso (Atos 19:8 a 22)

A seguir, Lucas relata três incidentes que mostram como a Palavra do Senhor crescia e prevalecia em Éfeso.

O primeiro está relacionado com a sinagoga (Atos 19:8 e 9a)

Lucas, ao contar o incidente, começa da seguinte forma: “Paulo entrou na sinagoga e ali falou com liberdade durante três meses, argumentando convincentemente acerca do Reino de Deus” (Atos 19:8). Em seu auditório estavam as mesmas pessoas para as quais havia pregado havia apenas alguns meses. Lucas não especifica o assunto tratado naquela ocasião. Deve lhes ter falado que Jesus era o Messias. Era o que pregava em primeiro lugar em todas as sinagogas. O tema sobre o qual ensinou na segunda visita parece confirmar isso. Está um pouco mais adiante. Falou-lhes sobre o reino de Deus.

A diferença entre o reino de Deus que os judeus esperavam, e o ensinado por Jesus, que Paulo pregou, era incompreensível. Os judeus esperavam um reino terrestre, com um rei, o Messias, que livrasse a todos os judeus do domínio romano e estrangeiro. Jesus pregou um reino espiritual e a libertação não era somente para os judeus, mas para todos os habitantes da Terra. Ele era o Messias que tinha vindo ao mundo para dar liberdade a todos os cativos do pecado.

Era uma grande diferença. Primeiro, porque os judeus, ao fazer parte do povo de Deus, não se consideravam pecadores. Sendo assim, a vinda dEsse Messias não os beneficiava em nada. Segundo, porque, dispersos por todo o mundo, como se encontravam, ridicularizados e somente tolerados pelas autoridades e pelos povos entre os quais se achavam, sentiam a necessidade de que o Messias lhes trouxesse o prestígio de povo especial que Deus lhes havia outorgado, tornando-os membros de um reino superior a todos os reinos do mundo. Jesus não lhes oferecia nada disso. Ao contrário do que ocorria com Seus seguidores, parecia-lhes que, ao aceitá-Lo, receberiam somente mais opressão e mais desprezo.

Não foi uma discussão breve. Durou três meses. Percebe-se que as duas partes – o grupo de Paulo e os membros da sinagoga – tomaram tempo para esclarecer as coisas que necessitavam ser estudadas.

O resultado final não foi a rejeição de Paulo, por parte de todos os judeus. Muitos creram. Lucas apresenta de forma negativa: “Visto que alguns deles se mostravam empedernidos e descrentes, falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos” (Atos 19:9).

Os que não creram permaneceram na sinagoga, e os que aceitaram a mensagem de Paulo foram com ele. Foi uma atitude para evitar maiores problemas que pudessem criar dificuldades para a pregação do evangelho no restante da cidade. O evangelho continuou avançando, embora não na sinagoga.

Comentário da Lição 10 – Segunda (03/09/2018) – Éfeso (parte 2)

O segundo incidente ocorreu na Escola de Tirano (Atos 19:9b a 16)

Paulo instalou sua sede de ensino na escola de um homem chamado Tirano (Atos 19:9b). Ensinava nessa escola, diz Lucas: “Diariamente”. Existem certos manuscritos (texto Ocidental) que acrescentam o seguinte: desde a hora quinta até a décima. Se essa fosse a leitura original, como provavelmente era, indicaria algo muito interessante que ao mesmo tempo mostraria a dedicação do apóstolo e a realidade com a qual ele atuava em seu trabalho missionário.

O período desde a quinta hora à décima hora corresponde, em nossa maneira de contar as horas do dia, ao período que vai das 11h às 16h. Tempo para o descanso nas cidades de Jonia, onde Éfeso estava localizada, como em muitos outros lugares do mundo mediterrâneo. Quer dizer que Paulo utilizava a escola de Tirano em períodos quando esta não desenvolvia outra atividade. Ele se dispôs a alugar um lugar no qual alguém ensinava algo sem nenhuma relação com o evangelho. Além disso, ensinava no período do dia menos apropriado para as pessoas. Como dizia um escritor, mais pessoas de Éfeso estavam dormindo à 1h da tarde do que à 1h da manhã.

O pouco produtivo horário não preocupava Paulo em nada. Nem impediu o êxito de seu trabalho. Esteve nessas condições por longo tempo. Lucas diz: “Isso continuou por dois anos, de forma que todos os judeus e os gregos que viviam na província da Ásia ouviram a Palavra do Senhor” (Atos 19:10).

Não era o mau horário o que atraía as pessoas. Era a paixão do apóstolo. Sua forma de ensinar. O conteúdo de seu ensinamento. Não há desculpas para não pregar o evangelho. Paulo dizia que é preciso pregar a tempo e fora de tempo. O Espírito Santo Se encarrega das demais coisas. Até de atrair as pessoas no momento em que elas prefeririam estar dormindo. No restante do dia, Paulo não ficava ocioso. Fazia tendas e outras atividades.

Ao retornar da terceira viagem missionária, mandou chamar os anciãos de Éfeso para que se encontrassem com ele em Mileto, pois desejava saudá-los. Entre outras coisas, lhes disse: “Não cobicei a prata nem o ouro nem as roupas de ninguém. Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos supriram minhas necessidades e as de meus companheiros” (Atos 20:33 e 34).

Entre suas outras atividades, Lucas diz: “E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas, e os espíritos malignos se retiravam” (Atos 19:11 e 12).

Os milagres chamaram a atenção de todos. Até um grupo de judeus, exorcistas ambulantes, quiseram fazer o mesmo que Paulo fazia, com o objetivo de fazer crescer o êxito de sua prática e tornar mais rentável o seu comércio. Diziam aos espíritos maus: “Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega” (Atos 19:13).

Os sete filhos de Ceva, chefe dos sacerdotes judeus (Atos 19:14), tentaram exorcizar um espírito mau, mas o espírito lhes respondeu: “Conheço a Jesus e sei quem é Paulo; mas vós, quem sois?” (Atos 19:15).

Eram homens sem o poder de Paulo, sem o poder de Deus. Deus atuava por meio de Paulo para que as pessoas vissem Seu poder e cressem no evangelho. Mas esses homens não podiam fazer o que Paulo fazia. Não tinham nenhum poder. “E o possesso do espírito maligno saltou sobre eles, subjugando a todos, e, de tal modo prevaleceu contra eles, que, desnudos e feridos, fugiram daquela casa” (Atos 19:16).

Os demônios podiam fazer muitas coisas, mas não deter o progresso do evangelho. O poder de Deus era superior. Continua sendo superior a todos os poderes até hoje, e o será também no futuro. Por isso, o evangelho continua avançando. Nunca será interrompido até que o plano de Deus seja plenamente cumprido.

E o terceiro incidente estava relacionado com os que temeram e glorificaram o nome do Senhor (Atos 19:17 a 20)

O poder que atuava através de Paulo se tornou notório a todos os habitantes de Éfeso. A atração de Paulo, que lhe permitia fazer reuniões nos horários mais inconvenientes e ter a presença do público, consistia no poder divino que atuava nele. As pessoas sempre estarão no lugar onde Deus estiver presente e for notado. Isso afetou os judeus e gregos. “Todos eles”, diz Lucas, “foram tomados de temor; e o nome do Senhor Jesus era engrandecido” (Atos 19:17).

Os que haviam crido e os que haviam praticado artes mágicas sentiram que o Espírito Santo os impulsionava à ação. Os que haviam crido confessavam suas práticas más a fim de obter o perdão de Deus e apartar-se delas. Queriam obedecer a Deus e começavam pela confissão. Movidos pelo mesmo Espírito, os que haviam praticado a feitiçaria trouxeram seus livros e, empilhados em um montão, queimaram-nos. Eram muitos. Calcularam seu valor em cinquenta mil denários; sem dúvida dracmas gregas (Atos 19:18 e 19). Representavam o salário de um homem durante cinquenta mil dias de trabalho. Quase um século e meio. Era muito dinheiro. Isso indica a enorme quantidade de feiticeiros que havia em Éfeso e o tamanho do impacto que a pregação de Paulo causou entre eles.

Por isso, o que Lucas escreveu a seguir sobre esses relatos não era exagerado: “Assim, a Palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (Atos 19:20).

Quando tudo estava indo bem, Paulo dirigiu sua mente ao futuro. Macedônia. Acaia. Jerusalém. Roma. “Decidiu no espírito ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia”. Além disso, pensou: “Depois de haver estado ali, é necessário também que eu vá visitar Roma” (Atos 19:21). Continuava fazendo grandes planos: confirmar os crentes na viagem a Jerusalém; depois, visitar Roma para entregar sua própria contribuição para a pregação do evangelho na cidade mais importante de todo o mundo.

Paulo não demorava muito para executar seus planos. Imediatamente, enviou Timóteo e Erasto, adiante dele, à Macedônia (Atos 19:22). O objetivo dessa viagem era ajudar os coríntios nos problemas que haviam surgido entre eles. Assim escreveu Paulo aos coríntios: “Por essa razão estou lhes enviando Timóteo, meu filho amado e fiel no Senhor, o qual lhes trará à lembrança a minha maneira de viver em Cristo Jesus, de acordo com o que eu ensino por toda parte, em todas as igrejas” (1Coríntios 4:17). “Enquanto isso, Paulo permaneceu na Ásia algum tempo mais”, escreveu Lucas.

Tumulto contra o Caminho: Diana é vencida (Atos 19:23 a 41)

Em Éfeso, tudo havia ocorrido muito bem. O rebatismo dos doze que tinham conhecido apenas o evangelho do arrependimento pregado por João Batista. As boas relações com a sinagoga, onde Paulo esteve ensinando durante três meses. A separação pacífica dos cristãos que se reuniam com os judeus quando alguns deles rejeitaram a pregação de Paulo com respeito ao reino de Deus. O progresso da igreja cristã nos dois anos durante os quais Paulo pregou na escola de Tirano. Os milagres que Deus havia realizado através de Paulo. A superioridade manifestada pelo poder de Deus sobre os demônios em relação com o trabalho dos judeus exorcistas ambulantes.

A vitória sobre a magia satânica, quando gregos e judeus aceitaram o evangelho. Tudo havia corrido bem para os missionários.

Mas as forças inimigas ocultas estavam vivas e ativas. Apenas esperando o momento oportuno para dar um duro golpe sobre Paulo. “Houve grande alvoroço acerca do Caminho”, diz Lucas (Atos 19:23).

Parece que o tumulto, embora visivelmente provocado por pagãos, demonstrava ter a influência dos judeus, especialmente dos que rejeitaram o Caminho quando cristãos e judeus se separaram (Atos 19:9). “Caminho” era o nome que muitos judeus davam ao cristianismo, devido ao fato de que os crentes, quando criam em Jesus, aceitavam um caminho de vida, um modo de viver diferente dos demais. Também porque os cristãos repetiam frequentemente as palavras de Cristo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, palavras que João, mais tarde, registrou em seu evangelho (João 14:6). Os cristãos diziam que existia somente um caminho para a salvação: Jesus Cristo.

O tumulto a respeito do Caminho, levantado em Éfeso, nada tinha que ver com as doutrinas religiosas em si. Foi provocado pela ganância financeira da religião. Ambição de lucro. Foi iniciado por um ourives chamado Demétrio (Atos 19:24). Fazia miniaturas de prata dedicadas à deusa Artemisa, ou Diana, para os romanos. A parte mais sagrada do templo era decorada com uma estatueta de Diana. A pregação de Paulo havia complicado os negócios dos ourives. Os compradores haviam diminuído. Isso demonstra a grande quantidade de pessoas que haviam aceitado o cristianismo.

Diana era a deusa da natureza, da caça, da castidade e deusa-mãe. Nos livros de Homero, aparece como senhora dos animais.

Demétrio reuniu os artistas que desenhavam e os trabalhadores que produziam as miniaturas, estatuetas e várias outras imagens e oferendas que os devotos de Diana lhe ofereciam no templo. Então, lhes disse: “Senhores, sabeis que deste ofício vem a nossa prosperidade e estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, este Paulo tem afirmado não serem deuses os que são feitos por mãos humanas” (Atos 19:25 e 26).

O perigo financeiro que enfrentavam era grande. Mas havia o perigo religioso também: “Não somente há o perigo de a nossa profissão cair em descrédito, como também o de o próprio templo da grande deusa, Diana, ser estimado em nada, e ser mesmo destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo adoram” (Atos 19:27). Isso lhes parecia muito grave, porque Éfeso havia recebido o título de cidade protetora dos deuses. Se abandonassem Diana, a cidade também perderia seu prestígio.

Os convocados por Demétrio saíram à rua para manifestar sua oposição a Paulo. Seu grito de guerra era: “Grande é a Diana dos efésios!” (Atos 19:28). Os habitantes da cidade, sem saber a causa pela qual esses homens gritavam pela rua, juntaram-se à procissão e se reuniram todos no teatro, lugar de reunião habitual para qualquer assunto que congregasse uma multidão. Levaram com eles Gaio e Aristarco, dois integrantes da equipe de assistentes de Paulo. Eram da Macedônia (Atos 19:29).

Quando Paulo viu o tumulto e o perigo que seus companheiros corriam, quis apresentar-se perante a multidão. Mas os discípulos, percebendo que o perigo era maior para Paulo que para qualquer um deles, o impediram. Nessa mesma forma de pensar, alguns integrantes das autoridades lhe enviaram uma mensagem dizendo: “Por favor, não se apresente no teatro” (Atos 19:30 e 31).

A assembleia era uma tremenda confusão. Cada um gritava algo diferente e a grande maioria ignorava a razão pela qual ali se encontrava (Atos 19:32). Repentinamente, dentre a multidão, alguns empurraram a Alexandre para frente a fim de que falasse. Possivelmente, tratava-se do ferreiro judeu semi-convertido ao cristianismo, a respeito de quem Paulo, mais tarde, escreveu a Timóteo: “Causou-me muitos males. O Senhor lhe dará a retribuição pelo que fez. Previna-se contra ele, porque se opôs fortemente às nossas palavras” (2Timóteo 4:14 e 15).

Na confusão, Alexandre tentou falar, mas quando reconheceram que se tratava de um judeu, as pessoas puseram-se a gritar durante quase duas horas, repetindo sempre a mesma coisa: “Grande é a Diana dos efésios!” (Atos 19:33 e 34).

Ninguém compreendia nada com os gritos. A única pessoa que agiu com prudência foi o escrivão da cidade, autoridade executiva da assembleia cívica. Era também o mediador oficial entre o governo da cidade e a administração romana da província, cujos escritórios estavam localizados em Éfeso. Ele sabia que se acontecesse qualquer coisa ilegal naquela reunião, seria o responsável perante as autoridades romanas e a cidade teria que pagar elevadas multas. Tendo acalmado a multidão, ele disse: “Senhores, efésios: quem, porventura, não sabe que a cidade de Éfeso é a guardiã do templo da grande Diana e da imagem que caiu de Júpiter? Ora, não podendo isto ser contraditado, convém que vos mantenhais calmos e nada façais precipitadamente” (Atos 19:35 e 36).

Desde os tempos antigos, considerava-se que a imagem de um deus feito de algum meteorito havia caído do céu. Nos tempos posteriores continuou-se pensando da mesma forma para deuses feitos de outros materiais.

O escrivão continuou dizendo: “Estes homens que aqui trouxestes não são sacrílegos, nem blasfemam contra a nossa deusa” (Atos 19:37). Isto é, não são culpados de nenhum delito relacionado com a deusa que vocês desejam defender. Se não há ofensa, não há defesa. Reconheceu, no entanto, que Demétrio pudesse ter razão em outro aspecto do assunto que não estava sendo mencionado. Ele também não o identificou. Não era apropriado falar diretamente sobre lucro em assunto que se apresentava como religioso.

“Portanto”, acrescentou, “se Demétrio e os artífices que o acompanham têm alguma queixa contra alguém, há audiências e procônsules; que se acusem uns aos outros. Mas, se alguma outra coisa pleiteais, será decidida em assembleia regular” (Atos 19:38 e 39). Ou seja, a que estavam realizando não era legítima. Com base nisso, apresentou seu último argumento: “Da maneira como está”, disse, “corremos o perigo de sermos acusados de perturbar a ordem pública por causa dos acontecimentos de hoje. Nesse caso, que razão poderíamos oferecer para justificar esta assembleia se não temos nenhuma?” (Atos 19:40).

Tudo esclarecido, dissolveu-se a reunião. Cada um tomou seu caminho sem saber por que se haviam reunido (Atos 19:41). Tudo parecia sem sentido. Mas, para Demétrio e os judeus que atuavam manipulando a situação, havia sentido. Tinham tentado condenar Paulo e conseguir um castigo exemplar para ele; a morte, se tivesse sido possível ou, pelo menos, a expulsão da cidade. Não conseguiram nada. Eles não sabiam que Paulo já havia planejado sua partida, nem que estava para partir.

De qualquer forma, as forças ocultas não tinham conseguido vencer o poder de Deus que, através de Paulo, atuou em Éfeso para salvar muitas pessoas.

Comentário da Lição 10 – Terça (04/09/2018) – Trôade

Macedônia e Grécia: vitória sobre os inimigos (Atos 20:1 a 3)

Na maior parte do tempo, o trabalho em Éfeso havia sido desenvolvido sem a ação violenta dos tradicionais inimigos de Paulo, mas não sem dificuldades. As maiores dificuldades o atingiram de forma enganosa. Não tão diretas como o tumulto final. As forças do mal trabalharam de forma oculta, mas com toda sua força. Usaram os incrédulos da sinagoga, os exorcistas ambulantes e, finalmente, Demétrio e os ourives com a deusa Diana. Mas não conseguiram detê-lo. Satanás trabalhou muito para vencê-lo, mas foi derrotado.

Em Macedônia e na Grécia, Paulo teve que enfrentar inimigos humanos. Satanás também estava envolvido, como sempre, mas não de forma tão direta como em Éfeso.

Macedônia: trabalhos importantes (Atos 20:1 e 2a)

Após o tumulto, Paulo permaneceu em Éfeso tempo suficiente para sentir que a dificuldade havia se acalmado. Um homem como Paulo, sempre preocupado com o bem-estar dos discípulos, não teria podido sair sem a certeza de que tudo estivesse bem com eles. Especialmente naquela oportunidade, quando os dirigentes da cidade não estavam contra ele.

A respeito de sua partida, Lucas brevemente escreveu: “Cessado o tumulto, Paulo mandou chamar os discípulos, e, tendo-os confortado, despediu-se, e partiu para a Macedônia” (Atos 20:1).

Os três anos de sua permanência em Éfeso haviam chegado ao fim (54-57 d.C). Dirigiu-se primeiramente a Trôade, cidade em que, na segunda viagem, Deus, por meio de um sonho, indicou-lhe que devia ir a Macedônia. Esperava encontrar-se com Tito. Ele o havia enviado de Éfeso para atender problemas morais e doutrinários que haviam surgido na igreja local. Provavelmente, tenha levado a primeira epístola aos Coríntios que Paulo escreveu em Éfeso, na primavera do ano 57 d.C., pouco antes de concluir seu trabalho ali. Não sabemos como combinaram para se encontrar em Trôade, mas é evidente que Paulo esperava encontrá-lo ali. Assim disse aos coríntios na segunda carta que lhes escreveu, da Macedônia, pouco tempo depois, no verão do ano 57 d.C.

“Quando cheguei a Trôade para pregar o evangelho de Cristo e vi que o Senhor me havia aberto uma porta, ainda assim, não tive sossego em meu espírito porque não encontrei ali meu irmão Tito. Por isso, despedi-me deles e fui para a Macedônia” (2Coríntios 2:12 e 13).

Cumpriu duas tarefas em Trôade: pregou o evangelho porque o Senhor lhe abriu uma porta grande e eficaz (Atos 20:2a); e esperou a Tito, mas ele não chegou. Como estava ansioso para saber sobre a reação que sua carta havia produzido entre os coríntios, não pôde permanecer em Trôade por mais tempo.

Foi para a Macedônia. Não encontrou a Tito. Mas, na cidade de Filipos, Timóteo o esperava. Juntos, continuaram visitando os discípulos que viviam nas cidades nas quais estiveram na segunda viagem. Dessa vez, possivelmente, viajaram pela Via Egnatia para o oeste, talvez até o fim dela na costa do Mar Egeu, de frente para a Itália. Isso deu a Paulo a oportunidade de pregar o evangelho em Ilírico, território ao norte da Macedônia, como ele diz: “Desde Jerusalém e arredores, até o Ilírico, proclamei plenamente o evangelho de Cristo” (Romanos 15:19).

Todo esse trabalho entre os crentes, em Macedônia e em Ilírico, onde ainda não havia nenhum cristão, ocupou mais ou menos um ano e meio de seu tempo, desde o verão do ano 55 até o fim do ano 56 d.C.

Grécia: conspiração de seus inimigos (Atos 20:2b e 3)

Paulo usa o nome de Grécia (Atos 20:2b) como sinônimo de Acaia, onde esteve durante três meses (Atos 20:3), durante o inverno entre os anos 55-57 d.C. No hemisfério norte, o inverno vai de dezembro até março. Permaneceu quase o tempo todo em Corinto, por causa dos problemas que haviam surgido ali. Muitos já estavam resolvidos; outros precisavam de atenção.

Nesse período, Paulo estava muito preocupado com um tema fundamental para a salvação: a justificação pela fé. Escreveu uma carta aos Gálatas sobre esse assunto no fim do ano 57, ou bem no início do ano 58 d.C. Além disso, queria informar aos irmãos de Roma que estava planejando visitá-los. Aproveitou para tratar dos dois assuntos e, da cidade de Corinto, nos primeiros meses do ano 58 d.C., escreveu a Epístola aos Romanos. Sobre o tema da justificação pela fé, disse-lhes: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: O justo viverá pela fé” (Romanos 1:16 e 17).

Em seguida, no restante da epístola, explica a justificação. Sua mais preciosa gema sobre esse tema diz o seguinte: “Justificados, pois, mediante a fé, tenhamos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1). E, estabelecendo a justificação pela fé como sinônimo de reconciliação, esclarece: “Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do Seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela Sua vida” (Romanos 5:10).

Com isso, disse que a justificação pela fé é reconciliação com Deus. E por estar reconciliados ou justificados pela fé, somos salvos pela morte de Jesus.

A respeito de sua viagem a Roma, disse-lhes: “Visto que há muitos anos anseio vê-los, planejo fazê-lo quando for à Espanha. Espero visitá-los de passagem e dar-lhes a oportunidade de me ajudarem em minha viagem para lá” (Romanos 15:23b e 24).

Quando se encerraram os três meses dessa visita, descobriu que o plano de embarcar para a Síria havia sido descoberto por seus inimigos. Soube também que esses, conspirando contra ele, queriam matá-lo durante a viagem. “Por isso”, diz Lucas, “decidiu voltar pela Macedônia”. Viajou por terra para embarcar para Neápolis, com destino a Trôade, na Ásia.

Retorno pela Ásia: vitória sobre a morte (Atos 20:4 a 38)

Não viajava sozinho. Uma delegação de discípulos o acompanhava. Paulo havia arrecadado em todas as igrejas uma oferta para os irmãos da Judeia e levava consigo grande soma de dinheiro. Por essa razão, quis levar representantes de vários lugares, provavelmente dos que contribuíram com maior importância, para que servissem de testemunhas, evitando assim qualquer suspeita com respeito a sua administração desse dinheiro. Casualmente, havia falado sobre esse assunto aos coríntios em sua viagem de ida; havia-lhes escrito da Macedônia. Ao mencionar-lhes que Tito, como ele, demonstrava a mesma preocupação por eles, de maneira muito solícita decidiu ir visitá-los; alguém a quem Paulo chama de irmão, quis ir com ele. Sobre esse irmão ele diz: “E não só isto, mas foi também eleito pelas igrejas para ser nosso companheiro no desempenho desta graça ministrada por nós, para a glória do próprio Senhor e para mostrar a nossa boa vontade; evitando, assim, que alguém nos acuse em face desta generosa dádiva administrada por nós” (2Coríntios 8:19 e 20).

Paulo não fazia nada em segredo com relação aos assuntos financeiros da igreja. Tudo era sempre muito claro. Não era apenas honesto; demonstrava sua honestidade. Não tinha nenhuma vantagem pessoal. Nenhum proveito próprio. Era sempre leal e completamente dedicado ao Senhor e à missão, de tal forma que toda sua vida era inquestionavelmente transparente.

Os membros da delegação (Atos 20:4 a 6)

Na delegação, havia discípulos de vários lugares: Bereia, Tessalônica, Derbe e Ásia (Atos 20:4). Iam se juntando ao grupo de Paulo à medida que ele avançava na viagem, desde a Galácia, passando pela Ásia, Macedônia, Ilírico e Acaia, até Corinto. De Corinto começou o retorno com destino a Jerusalém. Como vimos, por causa da conspiração, a viagem se tornou mais lenta, retornando por terra até a Macedônia para embarcar de Neápolis, porto de Filipos, para Trôade.

Lucas não menciona nenhum delegado de Corinto. Isso poderia dar a impressão de que os coríntios não participaram da oferta, mas isso não ocorreu. Os membros de Acaia também contribuíram. Quando Paulo contou aos romanos a respeito dessa doação, disse-lhes: “Agora, porém, estou de partida para Jerusalém, a serviço dos santos. Pois a Macedônia e a Acaia tiveram a alegria de contribuir para os pobres dentre os santos de Jerusalém” (Romanos 15:25 e 26).

Todos haviam sido generosos. Os crentes de Acaia eram ricos, os macedônios, pobres; mas todos deram conforme podiam, embora os macedônios tenham dado além do que podiam. Com alegria de missionário, Paulo disse aos coríntios: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia; porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos” (2Coríntios 8:1 a 4).

Por que eram tão generosos? “Porque deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus” (2Coríntios 8:5).

Dois princípios importantes para alguém ser generoso: primeiro, dar-se a si mesmo ao Senhor e, depois, dar de seus recursos na medida em que lhe seja possível, e até mais. A igreja precisa atender as necessidades inevitáveis: a manutenção dos pastores e o avanço da ação missionária. Atende a primeira necessidade com os dízimos; e a segunda, com as ofertas. As ofertas são voluntárias. Serão do tamanho do interesse que a pessoa tiver pela salvação dos perdidos.

Uma vida espiritual fraca e enfermiça demonstrará pouco interesse pela salvação dos pecadores, e as ofertas serão mesquinhas porque o egoísmo domina a vontade dessas pessoas. Por sua vez, uma experiência espiritualmente rica, de contínua comunhão com Deus através do Espírito Santo, sempre demonstrará interesse na salvação de outras pessoas, e as ofertas desses cristãos, geradas por uma atitude generosamente liberal, serão abundantes e entregues à igreja com o verdadeiro prazer de um espírito sem egoísmo e fiel.

De acordo com Lucas, os delegados mencionados no verso 4, os precederam, esperando-os em Trôade (Atos 20:5). Paulo permaneceu em Filipos, com seu grupo de missionários que, a partir daquele momento, incluiu novamente Lucas. “Navegamos de Filipos, após a festa dos pães sem fermento”, acrescenta, “e cinco dias depois nos reunimos com os outros em Trôade, onde ficamos sete dias” (Atos 20:6).

A semana dos pães sem fermento, a Páscoa do ano 57 d.C., ocorreu nos dias 7 a 14 de abril. Não há registro do que Paulo fez em Filipos nesse período, mas deve ter se dedicado a trabalhar por seus irmãos judeus na sinagoga, uma vez que o interesse do apóstolo pela salvação deles era permanente e essa data era muito apropriada para fazê-lo.

Sete dias em Trôade: uma despedida de grande consolo (Atos 20:7 a 12)

Lucas concentra seu relato em um único fato ocorrido no último dia em que Paulo esteve em Trôade. Reuniu-se para se despedir dos irmãos e era o primeiro dia da semana, pois partiria no dia seguinte bem cedo (Atos 20:7). Lucas pode ter usado o sistema romano que contava os dias a partir das doze horas da noite até as doze da noite seguinte e, nesse caso, a reunião foi no domingo à noite. Ou usou o sistema judeu que contava os dias a partir do pôr-do-sol até o pôr-do-sol do dia seguinte. Neste caso, a reunião aconteceu no sábado à noite. De qualquer forma, era o primeiro dia da semana.

O mais provável é que Lucas tenha seguido o sistema romano e a reunião foi no domingo à noite porque a partida ocorreu no dia seguinte bem cedo. Se tivesse sido no sábado à noite, o dia seguinte teria ocorrido depois da parte clara de domingo e toda a noite do segundo dia, para, após esse período, sair bem cedo no segundo dia da semana. Muito tempo entre a reunião e a partida. O relato deixa espaço para todo esse período. Paulo prolongou o discurso até a meia-noite porque estava para partir.

Três coisas ocorreram na noite do primeiro dia da semana: os que estavam reunidos, os discípulos de Trôade e acompanhantes de Paulo, partiram o pão; Paulo pronunciou um discurso que se prolongou até a meia-noite; e o incidente com Êutico que caracterizou toda a reunião.

O partir do pão era a Santa Ceia? (Atos 20:7a)

Alguns dizem que sim. Outros não; afirmam que era um jantar de confraternização pela despedida de Paulo. E há ainda os que dizem que foi um jantar desse tipo, mas terminou com a celebração da Santa Ceia. O texto não apresenta detalhes. Parece claro que na reunião celebraram a Santa Ceia como era feito em Jerusalém, partindo o pão de casa em casa (Lucas 2:42).

O fato de que a Santa Ceia tenha sido celebrada na reunião do primeiro dia da semana não é indício de que o domingo fosse um dia especial para os cristãos, como era o sábado, ou que o substituísse, pois os cristãos em Jerusalém tomavam a Santa Ceia todos os dias da semana: “Diariamente perseveravam unânimes no templo”, diz Lucas, “partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2:46 e 47).

Acaso, se reuniram no domingo à noite porque esse era um dia especial ou porque Paulo ia partir? Evidentemente, porque Paulo ia embora.

Celebraram a Santa Ceia porque era domingo, entendendo que esse era o dia em que cada semana se reuniam para fazê-lo?

Lucas não dá nenhum indício que permita confirmar a prática da Santa Ceia em cada domingo de todas as semanas, como um dia especial. O verbo no texto grego “partir o pão” é infinitivo no aoristo segundo. Friedrich Blass (Alemão, 1843-1907) e Albert Debrunner (Suíço, 1884-1958) afirmam: “No aoristo, a ação exata, momentânea, é concebida com um ponto que se localiza quer seja no começo ou no fim da ação” (Gramática Grega do Novo Testamento, pág. 318).

Seu caráter exato, não repetitivo, é a chave aqui para se entender que não se trata de algo que tenha sido realizado em cada domingo, nem algo que se realizará todos os domingos, dali para frente. Ocorreu naquele domingo, particularmente, e nada mais.

O importante do relato não é o dia em que ocorreu, nem o ambiente no qual foi realizada a Santa Ceia, mas o fato ocorrido: uma reunião de despedida porque Paulo iria partir no dia seguinte.

O discurso de Paulo (Atos 20:7b)

Não foi um discurso formal como uma pregação de culto. Apenas uma conversação. No texto grego, Lucas diz: “Paulo falou ao povo, pretendendo partir no dia seguinte”. Ou seja, nada mais que uma conversação para relembrar os assuntos importantes que lhes havia ensinado e os respectivos argumentos que os esclareciam. Paulo queria estar certo de que se lembravam de todos os seus ensinamentos e não se restringiu por causa do tempo. “Prolongou o discurso até a meia-noite”, acrescentou Lucas.

Esse ambiente tranquilo, sem nenhuma formalidade, familiar e noturno da reunião também indica que não se tratava de uma reunião formal praticada pela igreja num culto de adoração, para o qual os cristãos tivessem dedicado o dia de domingo, excluindo dessa atividade os outros dias.

Era a conversação de um missionário que se despedia. Uma festa com elementos espirituais, sociais e afetivos. Um fato exato que correspondia a essa ocasião, pois Paulo não estaria se despedindo todos os dias.

Êutico, uma tragédia que trouxe consolo (Atos 20:8 a 12)

Lucas chama a atenção para um detalhe, aparentemente sem muito significado: a iluminação do local. De acordo com ele, “havia muitas lâmpadas no cenáculo onde estávamos reunidos” (Atos 20:8). O quarto estava totalmente iluminado. Nada secreto, nem sinistro estava ocorrendo ali. Tudo estava claro. Além disso, a reunião era realizada no andar mais alto da casa, local reservado para encontros espirituais e sociais; eventos que, por sua iluminação, tornavam-se visíveis a todas as pessoas que estivessem nas outras casas e seus arredores.

Por outro lado, o óleo que era queimado nas lâmpadas contaminou o ar e Êutico, um jovem que estava sentado em uma janela, adormeceu profundamente. Foi uma tragédia. “Caiu do terceiro andar abaixo”, escreveu Lucas, “e foi levantado morto” (Atos 20:9).

O médico Lucas sabia do que estava falando. Os irmãos ficaram comovidos. Dor. A morte sempre gera dor muito intensa. Forma muito ruim de concluir uma reunião cristã da qual, ainda mais, pela própria iluminação do quarto, muitas pessoas da vizinhança sabiam o que estava ocorrendo. Frequentemente levantavam estranhas acusações contra os cristãos. Poderiam até acusá-los de haver matado o jovem como um ato cultual dedicado à divindade. Tudo se associava à dor do grupo. Mas Paulo, descendo ao lugar onde haviam colocado o morto, com a segurança da fé que conhece bem a vontade de Deus, lhes disse: “Não fiquem alarmados! Ele está vivo!” (Atos 20:10).

Logo procedeu do mesmo modo como nos tempos antigos Elias e Eliseu haviam atuado. Quando o filho da viúva de Sarepta morreu, Elias orou. “Então ele se deitou sobre o menino três vezes e clamou ao Senhor: ‘Ó Senhor, meu Deus, faze voltar a vida a este menino!’ O Senhor ouviu o clamor de Elias, e a vida voltou ao menino, e ele viveu” (1Reis 17:21 e 22).

Quando morreu o filho da benfeitora de Eliseu em Suném, ele entrou no quarto do menino, fechou a porta e orou ao Senhor. “Deitou-se sobre o menino e, pondo a sua boca sobre a boca dele, os seus olhos sobre os olhos dele e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu. Então, se levantou, e andou no quarto uma vez de lá para cá, e tornou a subir, e se estendeu sobre o menino; este espirrou sete vezes e abriu os olhos” (2Reis 4:34 e 35).

Paulo fez o mesmo. Lucas o descreveu assim: “Inclinou-se sobre o rapaz e o abraçou”. A seguir, disse: “Não fiquem alarmados! Ele está vivo!”

Todos retornaram ao terceiro andar para continuar a reunião. Paulo partiu o pão; já era o segundo dia da semana, e continuou a lhes falar até o amanhecer. Em seguida, partiu (Atos 20:11).

Os irmãos também foram embora do cenáculo onde suas emoções de despedida se haviam tornado mais tristes pela morte de Êutico. Mas como ele estava vivo, foram consolados (Atos 20:12). Consolaram-se pela despedida e pela morte. Não há, por acaso, a sensação de morte em cada despedida? O consolo vem através da ressurreição de tudo o que necessite retornar à vida. No espírito dos discípulos de Trôade, tudo havia revivido.

Comentário da Lição 10 – Quarta (05/09/2018) – Mileto

Viagem de Trôade para Mileto: solidão produtiva (Atos 20:13 a 16)

Os companheiros de Paulo embarcaram imediatamente (Atos 20:13). Ele, porém, decidiu fazer a viagem a pé, de Trôade para Assôs, o porto seguinte onde a embarcação atracaria. O caminho era direto e mais curto que a viagem por mar. Paulo precisava ficar sozinho. Enquanto caminhava, poderia meditar, orar e planejar novamente para o futuro.

A mente de um homem que trabalha com pessoas, sempre argumentando para convencê-las, precisa de descanso e solidão. Na solidão, as melhores forças espirituais são reavivadas, o espírito criativo é agilizado, a capacidade de argumentar é fortalecida, o autocontrole se torna mais firme. As energias espirituais e mentais, na livre conversação que a mente realiza em solidão com Deus, multiplicam-se, tornam-se mais comunicativas e mais convincentes. Paulo precisava dessa solidão.

“Quando se reuniu conosco em Assôs”, escreveu Lucas, “recebemo-lo a bordo e fomos a Mitilene” (Atos 20:14). No dia seguinte, passaram em frente a Quios e um dia depois atracaram em Samos, fazendo uma pequena escala em Trogílio (Atos 20:15). No terceiro dia, chegaram a Mileto. Paulo havia pensado em ir de Mileto a Éfeso, mas mudou de planos porque desejava chegar a Jerusalém com tempo para estar ali no dia de Pentecostes (Atos 20:16), que no ano 57 a.C. seria em 29 de maio.

Em Mileto: reunião com os anciãos de Éfeso (Atos 20:17 a 35)

Mas, ao chegar a Mileto, soube que o barco ficaria vários dias nesse porto. Enviou um mensageiro aos anciãos de Éfeso, que lhes comunicou o desejo de se reunir com eles em Mileto (Atos 20:17). Eles foram. A ocasião foi memorável. Um exemplo de relacionamento pastoral com os conversos ganhos por um missionário incansável e constantemente interessado em seus “filhos na fé”. Paulo transmitiu instruções indispensáveis de grande valor para eles e para todos os dirigentes espirituais de todas as épocas. Mencionou os seguintes assuntos:

  1. Conduta e trabalho de um missionário (Atos 20:18 a 21)

Paulo começa suas últimas instruções aos efésios fazendo-lhes relembrar sua própria conduta enquanto esteve com eles. “Vós bem sabeis como foi que me conduzi entre vós em todo o tempo, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia” (Atos 20:18).

A conduta a que Paulo se referiu é um modo de ser. O que ele fez quando estava com eles não era uma conduta passageira ou circunstancial. Era seu modo permanente de atuar, pois ele era assim.

“Vós bem sabeis”, disse. “Observem o interior de seus próprios pensamentos a meu respeito. Esses conceitos que se formaram enquanto vocês observavam minhas atitudes diárias. Assim vocês sabem quem eu sou. Ninguém lhes falou a meu respeito. Ninguém colocou em vocês essas ideias sobre minha pessoa, nem eu mesmo. Vocês as elaboraram por si mesmos, porque viram o que eu fazia. Vocês não apenas sabem a meu respeito, mas entendem o que eu faço: conhecem minhas motivações, minhas intenções, meus objetivos. Tudo o que sou esteve aberto ao escrutínio de vocês, e dessa forma sou conhecido”.

“Vocês sabem que desde o primeiro dia em que cheguei, servi ao Senhor com toda a humildade” (Atos 20:19a). “Foi um serviço semelhante ao serviço de um escravo. Nunca desprezei uma ordem do Senhor, nunca reclamei direitos perante Ele; nunca me queixei de nada. Fui Seu obediente escravo o tempo todo. Humilde. Com a humildade da mente que se coloca sob a mente de Deus e dos seres humanos, por estar determinada a servi-los. Nenhum pensamento de benefício próprio no serviço, salvo o desejo de que Deus me aceitasse como Seu servo e que vocês não rejeitassem meu serviço”.

“Servi ao Senhor com toda a humildade e com lágrimas, sendo severamente provado pelas conspirações dos judeus” (Atos 20:19b). “O que eram minhas lágrimas senão apenas um modo de mostrar minhas emoções comprometidas com Deus, até a angústia? O que era minha dor, quando a sentia, mais que um açoite em minha carne, golpeada com a força brutal do inimigo, que o Senhor transformava em nova força para continuar servindo-O com alegria? Inimigos! O que são os inimigos? O que podem contra mim quando o poder de Deus está comigo?”

“Vocês sabem que não deixei de pregar-lhes nada que fosse proveitoso, mas ensinei-lhes tudo publicamente e de casa em casa” (Atos 20:20). “Fui um verdadeiro pastor para todos vocês. Cuidei de vocês quando estavam com problemas e quando não estavam. Preguei-lhes a verdade do Senhor, a que mais necessitavam; e a que necessitavam menos não deixei de lhes anunciar. Transmiti-lhes conhecimentos quando vocês faziam parte da comunidade inteira de crentes e também na própria intimidade de seus lares, como uma única pessoa, preciosa para Deus e para mim. O coração pastoral que Deus me deu não podia descuidar de vocês em momento algum. Nunca deixei de mostrar interesse por vocês. Eu os busquei, servi, amei e por vocês sofri sem nunca renunciar a meu sofrimento”.

“Testifiquei, tanto a judeus como a gregos, que eles precisam se converter a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus” (Atos 20:21). “Para os incrédulos, fui missionário, pregador e evangelista. Não fiz diferença entre judeus e gentios. Nem raça, nem cor, nem posição social me fizeram pensar em tratamentos diferentes. Fui tudo para todos. Deus precisava de todos, com a atitude básica de arrependidos. Sem arrependimento não pode haver perdão, e sem perdão ninguém se salva. Eu lhes falei do perdão; ensinei-lhes como viver o arrependimento, sem nenhuma falsidade, com a honesta integridade da tristeza; aquela tristeza que sente a dor pelo que fez, e nunca pelo duro dissabor das consequências.

“Falei-lhes da fé. Contei-lhes sobre o Senhor Jesus Cristo. Disse-lhes tudo o que a fé nEle significa para uma pessoa separada de Deus, perdida. Significa salvação. Vida eterna. Alegria e gozo, desde agora e para sempre. Uma consciência pura, sem perturbações, com a paz de um rio profundo, com a alegria de uma suave manhã primaveril, toda coberta de flores. Também lhes disse que todos nós somos semelhantes a Ele quando cremos. Quando cremos, Ele mesmo vive em nós e somos unicamente Seu espelho, por meio do qual, em todo momento, Ele mesmo Se reflete, Sua própria presença, Sua vida como ela é quando Ele a vive, Ele em nós e nós nEle; uma única pessoa quando nEle cremos com toda a força de nossa simples fé, tão simples como a simples mão de uma criança quando pede alguma coisa.

“Isso eu fui; foi isso o que eu fiz para vocês no passado”. E agora?

  1. “Desejo somente uma coisa preciosa: concluir minha carreira com alegria”.

Paulo e o grupo de anciãos estavam repletos de uma emoção muito especial. Um sentimento fraternal. Afeto espiritual profundo. Desejo de entrega total a Deus e a Jesus Cristo. O apóstolo continuou dizendo: “Agora, compelido pelo Espírito, estou indo para Jerusalém, sem saber o que me acontecerá ali. Só sei que, em todas as cidades, o Espírito Santo me avisa que prisões e sofrimentos me esperam” (Atos 20:22 e 23).

“O Espírito Santo sempre me conduziu. Tudo o que fiz foi decidido por Ele. Por que teria que ser diferente agora? Vou vacilar agora, ou desviar minha jornada somente porque prisões e sofrimentos me são anunciados? Isso, por acaso, é novidade para mim? Já não sofri em outros lugares? Não fui aprisionado injustamente? Não há prisão que me detenha. Não. Não há dor que me amedronte. Sou servo do Senhor e isso é tudo em minha vida”.

E a vida, o que são as coisas da vida? “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (Atos 20:24).

“Minha vida não está a serviço de mim mesmo. Isso seria egoísmo. O objetivo de minha vida: eu mesmo? Seria muito pouco objetivo, muito limitado, muito restrito. Minha mente em uma prisão, solitária, sem ninguém. Eu estaria enfermo; uma enfermidade de morte, uma morte sem esperança. Sem esperança, perdido.

“Tenho uma tarefa, uma missão do Senhor. Esse é o meu objetivo: anunciar o evangelho. Contar que a graça de Deus está disponível a todos os pecadores com o mesmo afeto, com a mesma generosidade, com o mesmo amor, para que todo o que crer em Jesus Cristo receba salvação e vida eterna. Nenhum outro objetivo é superior. Nenhum mais nobre. Nenhum tão peculiar de Deus. Nenhum tão próximo a Jesus. Nenhum tão cheio do Espírito Santo. Nenhum que eu queira mais, porque eu o quero mais que a minha própria vida”.

  1. A responsabilidade de Paulo pelos dirigentes de Éfeso (Atos 20:25 a 27)

Continuou dizendo: “Agora sei que nenhum de vocês, entre os quais passei pregando o Reino, verá novamente a minha face” (Atos 20:25). “Sinto muito, mas meu relacionamento pessoal com vocês está chegando ao seu fim. Não porque vocês ou eu tenhamos determinado isso. A vida é assim. Tive bom relacionamento com vocês. Anunciei-lhes o reino de Deus que, sendo espiritual agora, produz relações de afeto muito saudáveis e, em nosso caso, foram diretas por um longo tempo. Mas de agora em diante não nos veremos mais.

“Há uma coisa que deve ficar bem clara: ‘Estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus’ (Atos 20:26 e 27). Não podem dizer que por negligência minha exista algo sobre a verdade divina que vocês não conheçam. Fui um pastor e mestre que cumpriu sua obrigação ensinando tudo o que Deus queria transmitir a vocês. Estão preparados para enfrentar qualquer situação relacionada com a doutrina”.

  1. A responsabilidade dos anciãos (Atos 20:28 a 31)

“Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus” (Atos 20:28). “A primeira coisa que devem fazer é cuidar de vocês mesmos. Ter a mente e o pensamento voltados para si mesmos, no seu atendimento espiritual. Não descuidem de sua própria pessoa. Em primeiro lugar, sejam pastores de vocês mesmos, de tal forma que não lhes ocorra nenhum afastamento. Protejam-se de todo mal. Cuidem-se de vocês como eu os pastoreei. É indispensável que nada de errado ocorra com vocês para que possam ser bons pastores de todo o rebanho.

“Isto é o que devem ser: pastores do rebanho inteiro e de cada membro em particular. Para isso o Senhor os colocou como bispos da igreja. O mesmo cuidado que têm para com vocês mesmos, tenham-no para com a igreja. Nem menos nem mais. Lembrem-se de que vocês também são membros da própria igreja que pastoreiam. Ao cuidar dela, como lhes digo, de todos em conjunto e de cada um individualmente, deve haver total integração entre vocês e ela, de modo que a defendam sempre, tanto quanto vocês se defendem de qualquer mal. Vivam por ela e para ela.

“Tenham sempre em mente que o Senhor comprou a igreja para Si mesmo. Pagou por ela o preço de sangue; deu por ela Seu próprio sangue. Não deixem que ninguém a deprecie, que ninguém a divida. O futuro não será fácil para ela nem para vocês”.

Quais os perigos? “Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29). Lobos que estarão à espreita, somente esperando que o pastor esteja distante, se descuide, que se ocupe com coisas alheias ao seu trabalho. Coisas que, estimulando seu próprio ego, o separem de Deus, o distanciem do seu Senhor, o tornem independente do Espírito Santo.

Que tristeza! Que espanto! Que pena!

“Dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles” (Atos 20:30). Coisas que distorcerão a própria compreensão da igreja. Perverterão a doutrina, contaminarão a mente dos membros, desprestigiarão seus líderes. Farão tudo que for possível para demonstrar que somente eles são bons, somente eles são dirigidos por Deus, somente eles têm o Espírito Santo e somente o que eles ensinam é a verdade revelada por Deus. Não se importarão com a vida passada da igreja. Sua experiência com Cristo, como o Senhor esteve com ela, como a guiou para a luz, como a protegeu do mal e como a livrou do maligno. Dirão somente que tudo mudou, que o Senhor pede algo novo, algo próprio do meio e adequado para o ambiente onde a igreja vive. Novo modo de viver para um tempo novo e tranquilo.

O apóstolo sentia uma carga pesando em sua vida. A carga da apostasia terrível e próxima. Deus a havia revelado quando ele trabalhava em Tessalônica, na segunda viagem missionária. Pouco mais adiante, quando fez sua primeira visita à cidade de Corinto, ainda na segunda viagem missionária, no fim do ano 51 ou começo do ano 52 d.C., tornou a se referir a ela. Dessa vez por carta – a segunda que lhes escreveu de Corinto.

Então, lhes disse: “Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém; então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de Sua boca e o destruirá pela manifestação de Sua vinda. Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2Tessalonicenses 2:7 a 10).

“Anciãos de Éfeso, vocês não podem se descuidar porque esse terrível mal atingirá também a vocês”. “Por isso, vigiem! Lembrem-se de que durante três anos jamais cessei de advertir cada um de vocês a respeito disso, noite e dia, com lágrimas” (Atos 20:31). Paulo estava chegando ao fim de seu discurso. Havia apenas mais uma coisa que ele queria lhes dizer. Algo indispensável e muito prático.

  1. A vinculação com Deus e com Sua Palavra (Atos 20:32 a 35)

Disse-lhes: “Agora, pois, encomendo-vos ao Senhor”. “Deixo vocês sob o cuidado de Deus. Sua mão protetora estará com vocês. Se não se afastarem dEle, podem ter a certeza de que Ele jamais os deixará à mercê do inimigo. Confiem em Seu poder e vivam somente para Ele. Seus caminhos são bons. Sua vontade é poderosa e cheia de bondade para com Seus filhos fiéis. Nele, vocês todos estarão seguros”.

“Encomendo-vos também à Palavra da Sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados” (Atos 20:32). “A Palavra os edificará em todos os aspectos da vida. Ela os fará espiritualmente fortes. No conhecimento da salvação, nada lhes faltará. A doutrina será clara e lhes fortalecerá para viver como vivem os santos.

“Por essa razão, a Palavra também lhes dará a herança que pertence aos santificados. Com ela, terão tudo o que os santos sempre tiveram: esperança, consolo, segurança, graça, todas as marcas de caráter que os separam para Deus, a salvação, a vida eterna e todas as Suas demais bênçãos. As abundâncias inesgotáveis de Deus. Mas nunca cobicem coisa alguma”.

“Não cobicei a prata nem o ouro nem as roupas de ninguém” (Atos 20:33). A herança dos santos não é obtida pela cobiça, nem é alcançada por artimanhas da astúcia humana que quer beneficiar a si mesma com tudo o que possa tocar ou ver. Ele é obtida com trabalho e com esforço. “Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos supriram minhas necessidades e as de meus companheiros” (Atos 20:34).

Trabalho físico para atender as necessidades físicas. Para as necessidades espirituais, trabalho espiritual. Nenhuma necessidade é atendida por si mesma. Todas dependem do trabalho humano e o trabalho das pessoas fiéis depende da bênção divina. Não diga: minha mão conseguiu esta riqueza. Ela se tornou possível apenas porque o poder de Deus lhe deu força, porque a bênção de Deus lhe outorgou abundância de posses, que dá a todos abundantemente e não recrimina; Ele lhe deu tudo o que você tem, para que você possa ser uma bênção ao que não tem.

E Paulo concluiu seu discurso dizendo: “Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus: Mais bem-aventurado é dar que receber” (Atos 20:35).

Cada discurso de Paulo tinha como objetivo mostrar um modelo. Um modelo de vida pastoral que, com a bênção divina, havia-se encarnado na vida do apóstolo. Ele os fez recordar o que havia feito para que, a partir daquele momento, quando já não poderiam contar com seus conselhos, nem com sua ajuda, eles ocupassem plenamente seu lugar, substituindo-o na administração das igrejas. Assim como ele havia dependido de Deus e de Sua Palavra, eles deviam depender unicamente da Palavra e do próprio Deus, porque o poder que governa devidamente a igreja e que atende a todas as suas necessidades físicas, espirituais e missionárias está permanentemente em Deus e na Palavra.

Despedida: oração e afeto (Atos 20:36 a 38)

O momento de dizer adeus havia chegado. Tudo o que era necessário dizer, havia sido dito. Faltavam somente a oração e as demonstrações de afeto fraternal que existia em todos com a mesma abundância do Senhor.

Lucas descreve a cena: “Tendo dito estas coisas, ajoelhando-se, orou com todos eles” (Atos 20:36). Foi um ato espontâneo. Encorajamento do espírito humano que se encontra em Deus como algo comum de Seus domínios. A oração somente é comparada ao simples ato de respirar. No cristão fiel, assim como a respiração no corpo humano, a oração ocorre sem esforço, sem interrupção, sem extinguir-se. Um incessante palpitar de vida que mantém a vida e a prolonga. Oraram a Deus. Lucas não registrou nenhuma de suas palavras. Para que registrá-las? Acaso, são importantes as palavras que são elevadas a Deus em oração? Ou tem mais valor a vida que desse modo de aproxima dEle? Não tem maior valor a nova pessoa que, após a oração, retorna à vida rotineira conduzindo a experiência da própria intimidade com Deus, com vida plena?

Logo o afeto foi demonstrado. “Então, houve grande pranto entre todos, e, abraçando afetuosamente a Paulo, o beijavam” (Atos 20:37). Como o queriam bem! Poderia ser menor essa demonstração depois de ele lhes haver pregado a Jesus Cristo e o evangelho que traz vida eterna? No cristianismo, Cristo une as emoções de alguns com os melhores sentimentos de outros. Todos se amam. O amor com o qual Cristo os amou os alcança como experiência própria, quando aceitam a Jesus e vivem juntos, todos unidos, pela ação sempre presente do Espírito Santo.

Somente uma tristeza: “Entristeceram-se grandemente”, escreveu Lucas, “pela palavra que ele dissera: que não mais veriam o seu rosto” (Atos 20:38). A separação é a dor de uma perda. Nela, não se perde o afeto.

Perde-se a presença. Lembro-me de você, mas você não está. Amo você, mas você foi embora. O que você faz na sua ausência? Apenas uma recordação em minha memória? Uma lágrima guardada da despedida? O que resta de você quando você não permanece? Somente meu afeto, minha dor, a despedida? Os anciãos acompanharam Paulo até o navio. E ele se foi.

Comentário da Lição 10 – Quinta (06/09/2018) – Tiro e Cesareia

Viagem de Paulo a Jerusalém: estou pronto (Atos 21:1 a 16)

Ao embarcar em Mileto, Paulo iniciou a etapa final da viagem a Jerusalém. Já estava informado a respeito dos perigos que o esperavam ali, mas nada diminuiu sua determinação de chegar a essa cidade. O relato de Lucas destaca dois locais no trajeto: Tiro e Cesareia. Nos dois, ele recebeu advertências e conselhos para mudar seus planos e não ir a Jerusalém. Paulo simplesmente disse: “Estou pronto” (Atos 21:13).

Tinha completa disposição, sem se preocupar com o perigo, nem com a realidade que esse perigo, anunciado antecipadamente, pudesse lhe apresentar.

Tiro: disposto a enfrentar o perigo (Atos 21:1 a 6)

Lucas apresenta o itinerário da viagem. Menciona lugares por onde não passaram e outros onde ficaram pouco tempo. No trecho entre Mileto e Tiro, menciona Cós, Rodes e Chipre (Atos 21:1 e 2). A menção desses lugares oferece realismo e validade ao relato. Uma rápida menção da evidente sensação da pressa de Paulo para chegar a Jerusalém. Como sabia o que o esperava, parece que ao escrever dessa forma, Lucas comunica a ideia de que, para Paulo, quanto mais rápido enfrentasse a experiência negativa que o esperava em Jerusalém, melhor seria.

Uma vez que não poderia evitar a prisão previamente anunciada, era melhor estar nela o mais rápido possível. Uma filosofia de vida muito saudável. Não se privar de viver a realidade. De fato, a realidade é a única coisa inalterável que ocorre na vida diária dos seres humanos. Não a realidade que se pretende, mas a que de fato acontece. Negá-la como se não existisse, quando ela está presente, é tolice. Falta de saúde mental. É preciso vivê-la e tirar o melhor proveito para o único objetivo válido na vida: a missão. Era isso o que Paulo sempre fazia.

“Chegamos a Tiro”, diz Lucas, “pois o navio devia ser descarregado ali” (Atos 21:3).

Eram necessários sete dias para descarregar o navio. Paulo e seus companheiros poderiam ter procurado outro navio para viajar imediatamente para Cesareia e Jerusalém. Mas como essa espera não os impediria de estar em Jerusalém a tempo para a festa de Pentecostes, permaneceram durante aquela semana em Tiro.

Havia na cidade uma igreja cristã. Não eram conversos de Paulo. Possivelmente, tivesse sido fundada pelos discípulos que fugiram de Jerusalém quando ocorreu a perseguição na qual Estêvão foi morto. Lucas havia informado a esse respeito (Atos 11:19).

Tiro estava localizada na Fenícia. Era um importante centro comercial. Tornou-se famosa por sua produção de tecidos, especialmente os que eram de púrpura com o fluido amarelo de um molusco chamado murex. Em contato com a luz solar, o fluido se tornava púrpura, e os fenícios o usavam como corante para tingir tecidos com os quais eram confeccionadas túnicas para reis e pessoas muito ricas. É dito que o corante murex valia mais que seu próprio peso em ouro.

Na igreja de Tiro, havia pessoas que tinham o dom de profetizar. O Espírito Santo as informou sobre o que aconteceria a Paulo em Jerusalém. Sabendo disso, elas o aconselhavam: “Não suba a Jerusalém” (Atos 21:4). Porém, Paulo, sabendo que a informação vinha do Espírito Santo, mas o conselho para não ir a Jerusalém provinha dos crentes dessa cidade, continuou sua viagem, sem se desviar do seu objetivo.

Passados os sete dias de espera, os discípulos da cidade o acompanharam até o navio. Já se havia estabelecido entre eles e Paulo um vínculo de afeto cristão, como sempre ocorria, porque os laços emocionais que produzem a fé comum e o comum serviço a Jesus não precisam de tempo para se desenvolver.

Todos acompanharam Paulo: os crentes com as respectivas famílias. Todos. Dos arredores da cidade chegaram à praia e oraram (Atos 21:5). E antes de entrar no navio, sob o olhar dos atônitos passageiros e tripulantes, uma semana antes desconhecidos, abraçaram-se uns aos outros mostrando o afeto próprio de antigos conhecidos (Atos 21:6). Mas esse afeto não era produzido por relações sociais ou familiares. Era o afeto da fé comum. Era o carinho do mesmo Senhor a quem todos serviam e amavam com igual entrega.

Paulo continuou adiante, disposto a enfrentar qualquer perigo que o aguardasse em Jerusalém.

Cesareia: disposto a morrer (Atos 21:7 a 16)

O navio deteve-se por um dia em Ptolemaida. Ali também havia cristãos, os quais, de acordo com Lucas, foram saudados por Paulo e seus companheiros (Atos 21:7). Em seguida, continuaram a viagem para Cesareia, onde Filipe morava e ficaram com ele (Atos 21:8 e 9).

“Ali Paulo passou uns poucos dias, pacíficos e felizes – os últimos da perfeita liberdade de que ele devia gozar por muito tempo” (Ellen G.White, Atos dos Apóstolos, pág. 397).

De Jerusalém receberam uma visita muito importante: o profeta Ágabo (Atos 21:10). O mesmo que foi de Jerusalém para Antioquia quando Barnabé e Paulo estavam no auge de seu trabalho missionário nessa cidade, e anunciou a grande fome que ocorreu no tempo do imperador Cláudio (Atos 11:27 e 28). Quando viu Paulo, tomando-lhe o cinto, uniu com ele as mãos e os pés do apóstolo e disse: “Assim diz o Espírito Santo: ‘Desta maneira os judeus amarrarão o dono deste cinto em Jerusalém e o entregarão aos gentios’” (Atos 21:11)

Era a confirmação de anúncios anteriores. Ágabo apenas informou o conteúdo da profecia. Nenhum conselho revelado ou pessoal sobre o que Paulo devia ou não fazer. Ele também era guiado pelo Espírito Santo e sabia qual era seu dever. Entretanto, outros, inclusive Lucas, o aconselharam: “Quando ouvimos estas palavras, tanto nós como os daquele lugar, rogamos a Paulo que não subisse a Jerusalém” (Atos 21:12).

Contudo, Paulo não se deixou guiar pelo bom desejo de todos eles (Atos 21:13). Vendo que estava disposto a morrer e que seria impossível modificar sua decisão de ir a Jerusalém, disseram: “Faça-se a vontade do Senhor” (Atos 21:14).

Comentário da Lição 10 – Sexta (07/09/2018) – Conclusão

“[O coração de Paulo] estava cheio de um profundo e permanente senso de sua responsabilidade; e ele trabalhava em íntima comunhão com Aquele que é a fonte de justiça, misericórdia e verdade. Apegava-se à cruz de Cristo como sua garantia única de sucesso. O amor do Salvador era o permanente motivo que lhe dava a vitória em seus conflitos com o eu e em suas lutas contra o mal, ao avançar no serviço de Cristo contra o desamor do mundo e a oposição de seus inimigos.

O que a igreja necessita nestes dias de perigo é de um exército de obreiros que, como Paulo, se tenham educado para utilidade, que tenham uma profunda experiência nas coisas de Deus, e que sejam cheios de fervor e zelo. Necessita-se de homens santificados e abnegados; homens que não se esquivem a provas e responsabilidades; homens que sejam corajosos e verdadeiros; homens em cujo coração Cristo está formado ‘a esperança da glória’ (Colossenses 1:27), e que com lábios tocados com santo fogo ‘preguem a Palavra’ Por falta de tais obreiros a causa de Deus definha, e erros fatais, como mortal veneno, pervertem a moral e destroem as esperanças de grande parte da raça humana” (Atos dos Apóstolos, pág. 507).

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Uma resposta para Comentário da Lição 10 – A terceira viagem missionária – 1º a 8 de setembro de 2018

  1. Paulino Seiji Nishiyama disse:

    Não estou encontrando a lição do 4° trimestre

    Curtir

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