Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 4 – Justificação pela fé – Ligado na Videira – 15 a 22 de julho de 2017

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 4

Nesta nova semana, vamos estudar o mais simples e, ao mesmo tempo, o mais complicado dos temas bíblicos: “A justificação pela fé”. Mais simples, porque é simples mesmo. Mais complicado, porque atrás da gente há uma história de quase seis mil anos de humanidade, com seus quase seis mil anos de pecado – e o pecado tem feito pessoas complicarem um tema tão simples, tão fácil.

É necessário reforçar, porém, que o estudo não pode ficar isolado da Lição da Escola Sabatina. Temos que fechar com Paulo e a igreja da Galácia, e a polêmica história de se conseguir justificação através da circuncisão – ou seja, através de uma obra meritória do próprio praticante.

Bem, a doutrina da “justificação pela fé” está dentro de um tema maior – o maior de todos os temas: O Plano da Redenção. Falar sobre “justificação” é o mesmo que falar sobre “a salvação do pecador” – e, sendo assim, é possível que nos esbarremos com as seguintes palavras: “graça”, “fé”, “Lei”, “obras”, “obediência”, “pecado”, “dom”. Sendo necessário, comentaremos essas palavras no decorrer do Comentário.

Agora, comecemos o nosso estudo. Consideremos “justificação” – mas, primeiramente, sem a expressão “pela fé” – apenas “justificação”:

“Justificação” e “perdão” são uma e a mesma coisa. Se uma pessoa foi “justificada”, ela foi “perdoada”. Era injusta, mas foi tornada justa. Era culpada, mas foi perdoada. Tinha um débito, mas deixou de ter. Estava condenada, mas foi colocada em liberdade. Estava perdida, mas foi salva. Havia caído, e foi colocada em pé.

Ora, o que fez essa pessoa ser considerada “injusta”, “culpada”, “devedora”, “condenada”, “perdida”, “transgressora”, “caída”? A resposta é uma só: a Lei – se bem que, especificamente, a transgressão da Lei. E uma vez realizada a transgressão, já era!

Então, uma segunda pergunta: Quem a “justificou”, a “perdoou”, “pagou o seu débito”, a “livrou”, a “salvou”, a “colocou em pé”? Quem? Seria ela mesma? Teria ela retomado o caminho da obediência com as suas próprias pernas? Em seu estado caído, inventou ela alguma “obra” que a tornou limpa diante de Deus e de Sua Lei? Adquiriu o pecador algum mérito próprio, de forma a resolver o seu passado, o seu presente e o seu futuro?

Não! A resposta é “não”. A Bíblia é clara quanto a isso. A Bíblia é clara em relação a “como não ser” justificado: “Ninguém será justificado diante dEle [a partir das] obras da Lei” – ou seja, ninguém é perdoado por ter feito alguma coisa (Romanos 3:20). “O homem não é justificado por obras da Lei. […] Por obras da Lei, ninguém será justificado” (Gálatas 2:16).

E a Bíblia também é clara quanto “a maneira como somos” justificados: “[Somos] justificados gratuitamente pela Sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” – ou seja, Cristo é a salvação, Ele é o Salvador, Ele é quem salva (Romanos 3:24). “O homem é justificado pela fé, [sem as] obras da Lei” (Romanos 3:28). “O homem não é justificado por obras da Lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus” (Gálatas 2:16). “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).

É isso! Simples, não é mesmo?!

Agora, entendendo a “justificação” como obra e mérito de Jesus Cristo, falemos um pouco sobre justificação “pela fé”.

O que é “fé”? A “fé” é um “dom”, um presente dado por Deus. A justificação vem de Deus. A fé também vem de Deus. “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8).

“Com relação à justificação pela fé, existe o perigo de colocarmos mérito sobre a fé” (Fé e Obras, pág. 25).

A fé não é o fundamento da nossa salvação… É o meio, não o fim” (Nos Lugares Celestiais, pág. 104 – Meditação Matinal 07/04/1968).

“A fé é a condição sob a qual Deus escolheu prometer perdão aos pecadores; não que exista na fé qualquer virtude pela qual se mereça a salvação, mas porque a fé pode recorrer aos méritos de Cristo, o remédio provido para o pecado” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 6, pág. 1194).

Bem, a Lição vai continuar. Por enquanto, concluímos assim: Justificação pela fé é a salvação garantida e oferecida total e completamente por Deus, do início ao fim. Qualquer tentativa de dizer que o pecador faz uma parte, e que Jesus faz um resto, seria o mesmo que afirmar que a salvação é “merecida”, pelo menos em parte, pelo praticante de obras – ou que Deus “deve”, pelo menos um pouco, algum favor ao obreiro pecador.

(16/07) – Domingo – A questão da “justificação”.

Sendo a pessoa “justificada” por Jesus Cristo, ela é considerada como se nunca tivesse pecado. Pura. Em harmonia com a Lei de Deus. Em plena condição de viver um novo relacionamento com Deus.

Bem, voltando a estar diante de Deus, olha para Jesus e enxerga a beleza de Seu caráter. Olha para a Lei e reconhece como legítimas as suas exigências. Olha para a cruz e tem vergonha por ter causado tanto sofrimento ao seu Salvador. Olha para o seu próprio passado e não quer voltar para ele. Passa a ter nojo do pecado. Não vê vantagem alguma em voltar para a desobediência.

Não devemos nos admirar, portanto, que o inimigo tente atacar essa doutrina. Procura distorcê-la. Colocar nela o que não pertence a ela. Relativizar. Mas é verdade, e lamentável, ele tem obtido sucesso com alguns, fazendo que impere confusão na mente dessas pessoas.

Da nossa parte, a compreensão é que somos perdoados por Jesus Cristo, e Ele nos concede fé para crer e confiar nisso, e nos coloca em harmonia com o Pai e com a Sua Lei. E, dessa forma, estamos salvos do pecado. Nos apropriamos da salvação pela fé e, também, permanecemos com o Salvador pela fé.

Mas, de forma lógica, sabemos que a vida continua. E, por continuar, perguntamos: E daí? Fomos perdoados – estamos salvos – e daí? Ficaremos ociosos ou realizaremos obras? Se faremos obras, que obras serão?

Bem, isso será considerado no transcorrer da semana. Mas, antes de continuar, façamos o seguinte: inicialmente, separamos “justificação” de justificação “pela fé”; compreendemos o significado de “justificação” e, somente depois disso, de justificação “pela fé” – e, agora, de igual forma, precisamos separar obras “para a” salvação de obras “a partir da” salvação – separar obediência “para merecer” a salvação de obediência “porque recebemos” a salvação.

(17/07) – Segunda – Obras da Lei.

“Nunca podemos alcançar a perfeição por nossas próprias boas obras. A pessoa que vê a Jesus pela fé, rejeita sua própria justiça. Encara a si mesma como incompleta, seu arrependimento como insuficiente, sua mais forte fé como sendo apenas debilidade, seu mais custoso sacrifício como escasso, e se prostra com humildade aos pés da cruz. Mas uma voz lhe fala dos oráculos da Palavra de Deus. Com estupefação ela ouve a mensagem: ‘NEle estais aperfeiçoados’. Agora tudo está em paz nessa pessoa. Não precisa mais esforçar-se para encontrar algum merecimento em si mesma, alguma ação meritória pela qual alcance o favor de Deus” (Fé e Obras, capítulo 16 – “Aceitos em Cristo”).

“É certo que devemos estar em harmonia com a Lei de Deus, mas não somos salvos pelas obras da Lei; mas também é certo que não podemos ser salvos sem obediência. […] Mas não podemos guardar os mandamentos de Deus sem a graça regeneradora de Cristo. […] Ele (Cristo) não nos salva pela Lei, nem nos salva em desobediência à Lei. […]

O evangelho de Cristo não dá licença para as pessoas transgredirem a Lei, pois foi pela transgressão que as comportas da desgraça foram abertas sobre nosso mundo. Hoje, o pecado é a mesma coisa maligna que era no tempo de Adão. O evangelho não promete a graça de Deus para alguém que, por impenitência, transgride Sua Lei” (Comentário de Ellen White Sobre a Lição da Escola Sabatina, 17/10/2011).

“Quem procura alcançar O Céu por suas próprias obras, guardando a Lei, tenta uma impossibilidade. Não pode o homem salvar-se sem a obediência, mas suas obras não devem provir de si mesmo; Cristo deve operar nele o querer e o efetuar, segundo Sua boa vontade. Se o homem pudesse salvar-se por suas obras, teria ele algo em si mesmo, pelo qual se alegrar. O esforço que o homem faz em suas próprias forças para obter a salvação, é representado pela oferta de Caim. Tudo que o homem pode fazer sem Cristo é poluído pelo egoísmo e pecado; mas aquilo que é operado pela fé é aceitável a Deus” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 364).

(18/07) – Terça – A base da nossa justificação.

No estudo de hoje, a Lição faz um comentário interessante sobre Gálatas 2:16. Põe o tema num patamar mais acima do que normalmente imaginamos. Neste verso encontramos uma aparente duplicidade: “… mediante a fé em Cristo Jesus” – e – “também temos crido em Cristo Jesus…”.

A explicação da Lição puxa nosso pensamento para cima, acrescentando nova compreensão sobre a expressão justificação “pela fé”. Quando falamos que somos justificados “pela fé” – considera a Lição – sobre a fé de quem estamos falando? Aquela “nossa” fé que recebemos como presente de Deus – ou – a fé do próprio Senhor Jesus Cristo, que Ele manifestou no Pai, enquanto viveu entre nós? É pela fé “em” Jesus Cristo – ou – pela fé “de” Jesus Cristo?

A Lição explica:

“Não somos justificados com base em nossa fé, mas com base na fidelidade de Cristo por nós, que reivindicamos para nós por meio da fé.

Cristo fez o que todos deixaram de fazer: só Ele foi fiel a Deus em tudo que fez. Nossa esperança está na fidelidade de Cristo, não na nossa. […]

Uma primitiva tradução siríaca de Gálatas 2:16 comunica bem o pensamento de Paulo: ‘Portanto, sabemos que um homem não é justificado a partir das obras da Lei, mas pela fé de Jesus, o Messias, e cremos nEle, em Jesus, o Messias, que por causa de Sua fé, a fé do Messias, podemos ser justificados, e não pelas obras da Lei’”.

Irmãos, com a fé que chamamos de “nossa”, nós “aceitamos” a salvação. Com a fé de Jesus, Ele nos salvou.

Com essa ampliação, em respeito ao título da Lição de hoje, afirmamos: a base de nossa justificação é a fé exercida por Jesus Cristo, e nós nos apoderamos disso exercendo a fé que, por sinal, recebemos dEle também.

(19/07) – Quarta – A obediência da fé.

Cristo não apenas salva, mas, também, concede poder para que o salvo continue na salvação, continue perdoado, continue justificado.

“O homem necessita de um poder fora e acima dele, para restaurá-lo à semelhança com Deus e habilitá-lo a fazer Sua obra” (O Desejado de Todas as Nações, cap. 30 – “Nomeou doze”).

Sem Cristo, a Lei olhava para o pecador e o condenava. Com Cristo, a Lei passou a olhar para o salvo como alguém que anda em harmonia com ela – ou seja, alguém que obedece a todos os seus reclamos. Era um pecador desobediente, mas passou a ser um salvo obediente. Se assim não for, volta à sua condição anterior.

Ora, se a salvação vem de Deus, também de Deus vem o poder para a obediência. Deus age no ser humano em favor da obediência. A obediência nada mais é do que resultado de se estar ligado a Jesus Cristo – o Obediente – o Justo – Aquele que afirmou que o príncipe deste mundo nada tinha nEle. Do outro lado, a desobediência revela que o perdido continua perdido, revela que continua desligado de Cristo, revela que ele não está salvo.

“O Senhor não requer da alma humana menos hoje do que exigiu de Adão no Paraíso, antes da queda: perfeita obediência, justiça sem mácula. O que Deus requer, sob o concerto da graça, é exatamente tão amplo como o que requereu no Paraíso: harmonia com Sua lei, que é santa, justa e boa. O evangelho não enfraquece as reivindicações da Lei; ele exalta a Lei e a torna gloriosa. Sob o Novo Testamento, não se requer menos do que foi exigido sob o Antigo Testamento. Que ninguém se entregue à ilusão, tão agradável ao coração humano, de que Deus aceitará a sinceridade, não importa qual seja a fé, não importa quão imperfeita seja a vida. Deus requer de Seu filho obediência perfeita” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, págs. 373 e 374).

Paulo disse em Gálatas 2:20 – “Vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”.

(20/07) – Quinta – conclusão – A fé promove pecado?

Especificamente sobre a demanda entre Paulo e os falsos ensinadores, na Galácia, a respeito da justificação pela fé, e não pela circuncisão, uma questão foi levantada: estaria a fé promovendo o pecado, já que não ser circuncidado era considerado pecado?

Bem, em primeiro lugar, não ser circuncidado era “considerado” pecado pela tradição dos fariseus, mas não pela Lei de Deus. Os fariseus classificavam isso como pecado – mas não era pecado.

Em segundo lugar, a justificação pela fé coloca o homem na posição de livre – livre do pecado – mas não livre para continuar pecando. Livre da condenação da Lei, mas não livre da obediência à Lei. Paulo promovia a liberdade da obediência à lei farisaica, mas não da obediência à Lei de Deus.

O título para hoje é uma pergunta: “A fé promove pecado?” A nossa resposta é: Claro que não! Nem a fé, nem a graça, nem a cruz!

Nós nunca seremos autorizados a pecar. É verdade que se pecarmos temos um Advogado lá no Céu, mas isso não é autorização para pecar. É verdade que temos a natureza pecaminosa, mas isso não nos autoriza a continuar em desarmonia com os Mandamentos do Senhor. Nós não fomos justificados para continuar na situação anterior a justificação.

Por sinal, a cruz do Calvário, onde o nosso Senhor deu a Sua vida, prova o quanto a desobediência de Adão e de seus descendentes é ofensiva a Deus.

“Quando a graça divina toma posse do coração, reconhece-se que as tendências herdadas e cultivadas para o mal devem ser crucificadas. Uma nova vida, sob novo controle, precisa começar na alma. Tudo que se faz deve ser feito para a glória de Deus. Essa obra inclui tanto o ser exterior quanto o interior. O ser todo, o corpo, a mente e o espírito, deve se sujeitar a Deus, para ser por Ele usado como um instrumento de justiça.

O homem e a mulher não estão naturalmente sujeitos à Lei de Deus, nem poderiam, por si sós, estar. Pela fé, porém, aqueles que foram renovados vivem, todos os dias, a vida de Cristo. Mostram, dia após dia, que reconhecem ser propriedade de Deus” (Mensagens aos Jovens, pág. 68).

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

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