Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 2 – A autoridade de Paulo e o Evangelho – Ligado na Videira – 1º a 8 de julho de 2017

Comentário da Lição – Ligado na Videira – Lição 2

Na semana passada, com a Lição 1, vimos um pouco da história de Paulo, conforme descrito em Atos. Nesta semana, com a Lição 2, abrimos a Carta de Paulo aos Gálatas, e o fazemos estudando o capítulo 1.

Irmãos, dentre os motivos para que o apóstolo escrevesse aos gálatas (ano 57/58), consta que alguns fariseus convertidos ao cristianismo continuavam exigindo, desde o Concílio de Jerusalém (ano 49), que os gentios convertidos ao cristianismo primeiro se tornassem judeus – ou seja, que fossem circuncidados – mas a igreja disse “não” para eles.

Alguns indivíduos que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos: ‘Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos‘. Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e presbíteros, com respeito a esta questão. […] Insurgiram-se, entretanto, alguns da seita dos fariseus que haviam crido, dizendo: ‘É necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés’” (Atos 15:1, 2 e 5).

Bem, vejamos um pouco o histórico a respeito da circuncisão:

Em Gênesis 17, Deus ordenou Abrão a praticar a circuncisão. Ele estava com 99 anos. Seu filho Ismael, 13. Todos do sexo masculino ligados a Abrão, então, foram circuncidados. Também é nesse capítulo que o nome “Abrão” foi mudado para “Abraão”. Um ano depois, nasceu Isaque, que foi circuncidado aos 8 dias de vida. E o Velho Testamento se desenvolve com essa prática. Todos os “descendentes” de Abraão passaram por isso. Dessa maneira, eles eram reconhecidos como “hebreus”, “israelitas”, “judeus”.

Passados alguns anos, os filhos de Jacó exigiram que os homens de uma cidade pagã fossem circuncidados, indicando que somente assim aceitariam Siquém como cunhado (Gênesis 34). E todos foram circuncidados.

Não muito tempo depois, Moisés, ainda bebê, foi “reconhecido” como hebreu pela filha de Faraó – e é aceitável dizer que isso foi possível porque ela constatou que ele era circuncidado (Êxodo 2). No entanto, já casado, Moisés foi negligente quanto a circuncisão de seu segundo filho, Eliézer – fato “reprovado” por Deus – mas então foi feito o reparo (Êxodo 4).

Já no Novo Testamento, em Lucas 2:21, nos é dito que Jesus foi circuncidado no 8º dia de vida. Quanto a Paulo, sendo “fariseu”, com certeza era circuncidado.

Então, por que não exigir que os gentios convertidos ao cristianismo passassem pela circuncisão? Por que não?

Em Atos 16, é dito que o apóstolo Paulo recomendou que Timóteo passasse pela circuncisão, antes que o acompanhasse em suas viagens missionárias. [Em Atos 18:18 e 21:20-27 nos é declarado que Paulo participou de um outro tipo de cerimônia, em que se cortava o cabelo].

Então – repetimos – por que não exigir que os gentios convertidos ao cristianismo passassem pela circuncisão? Por que não?

Bem, a Epístola de Paulo aos Gálatas é desenvolvida para responder isso. Há muito a ser considerado. Muitas coisas estavam envolvidas. E é isso que veremos.

Sugerimos a seguinte leitura adicional: “Devemos gloriar-nos só na cruz”, na Meditação Matinal de 12/08/1956 – clique aqui. 

(02/07) – Domingo – Paulo, o escritor de cartas.

Na condição de enviado por Jesus Cristo, Paulo se posicionava como pastor da igreja de Deus. Alimentava a igreja com a Palavra; cuidava dela; treinava seus membros;  e, quando ia embora, estabelecia líderes. E, quando podia, retornava. E quando necessário, escrevia. E justamente porque houve necessidade, escreveu:

“[Meu nome é] Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que O ressuscitou dentre os mortos… [Escrevo] às igrejas da Galácia, [desejando] graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do [nosso] Senhor Jesus Cristo, o qual Se entregou a Si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai, a quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (Gálatas 1:1-5).

A Lição comenta a respeito de estilo, introdução, saudação, e sobre o motivo dessa Carta ser um pouco diferente das outras. O que destaco é o seguinte: Por não concordar com a circuncisão, Paulo estava sendo destratado. Foi questionado o seu chamado. Foi questionada a sua autoridade. Por isso, sem amaciar, Paulo já foi dizendo que, para o cristão, o importante é Cristo – e foi Cristo quem lhe deu a luz necessária para orientar a igreja. Ele escrevia por ordem de Deus!

Complemente seus estudos lendo “Filhos e Filhas de Deus”, pág. 344 (Meditação Matinal de 03/12/1956) – clique aqui. 

(03/07) – Segunda – O chamado de Paulo.

A circuncisão era um sinal da Aliança. Não era a Aliança. Era um sinal. A Aliança era Cristo! Cristo que nasceu entre nós; que sofreu por nós; que morreu por nós; e que ressuscitou; e que retornou ao Céu para apresentar os Seus méritos em nosso favor; e que um dia retornará para buscar os que estiverem ligados a Ele.

Então, usando alguns dos versos de ontem, e acrescentando outros hoje, “destacamos” do primeiro capítulo de Gálatas o seguinte:

Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai… Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo. … Quando, porém, Ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela Sua graça, aprouve revelar Seu Filho em mim, para que eu O pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da Arábia e voltei, outra vez, para Damasco. Decorridos três anos, então, subi a Jerusalém para avistar-me com Cefas e permaneci com ele quinze dias; e não vi outro dos apóstolos, senão Tiago, o irmão do Senhor. Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto” (Gálatas 1:1, 11 e 12, 15 a 20).

(04/07) – Terça – O evangelho de Paulo.

Paulo entendia que a circuncisão era um sinal externo para a identificação do israelita. Era uma maneira de se afirmar que era descendente de Abraão, de Isaque, de Jacó. Portanto, se estes quisessem continuar com esse rito, sem problema – desde que isso não significasse “salvação por obras”. A circuncisão não era o evangelho. O evangelho era Cristo! Não é mutilação que salva. Quem salva é Cristo!

Porém, de modo algum a circuncisão deveria ser exigida dos gentios. A “conversão” destes era para Cristo, e não para Abraão. E por isso Paulo sugeriu a circuncisão de Timóteo, que era israelita, mas não a de Tito, que era grego.

Bem, continuamos com os versos já apresentados, mas em ordem diferente, para provocar uma ênfase diferente. Este é o evangelho de Paulo:

“[Jesus Cristo] Se entregou a Si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai […], que O ressuscitou dentre os mortos. […] O evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo” (Gálatas 1:4, 1, 11 e 12).

Sugerimos a seguinte leitura adicional: “Nos Lugares Celestiais”, pág. 34 (Meditação Matinal de 28/01/1968) – clique aqui. 

(05/07) – Quarta – Nenhum outro evangelho.

Dentro do capítulo 1, alguns versos apresentam uma repreensão aos irmãos gálatas.

Admira-me que estejais passando tão depressa dAquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do Céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. […] O evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo. […] Acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto” (Gálatas 1:6 a 9, 11, 12 e 20).

No trimestre passado, Pedro disse que aqueles que conheceram o evangelho de Cristo e voltaram para a vida anterior, são comparados ao cão que volta para o seu vômito, ao porco que volta para o lamaçal.

Paulo está admirado com os gálatas! Eles conheciam a “salvação pela fé” e agora voltavam para a “justificação pelas obras”?!!! Que coisa terrível!!!

Em Gálatas 3 ele é mais incisivo ainda. Disse:

Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da Lei ou pela pregação da fé? Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne? […] Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão” (versos 1 a 3, e 7).

(06/07) – Quinta – conclusão – A origem do evangelho de Paulo.

Pela diferença de tempo entre o Concílio de Jerusalém e a Carta aos Gálatas [uns oito anos], é de se imaginar que muitos cristãos da Galácia tivessem ou abandonado o caminho ou aderido as sugestões dos falsos mestres. Por isso, ele é categórico:

Procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo. Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo. […] [O Pai] me separou antes de eu nascer e me chamou pela Sua graça, [e a Ele] aprouve revelar Seu Filho em mim, para que eu O pregasse entre os gentios” (Gálatas 1:10 a 12, 15 e 16).

E aqui antecipo o fim da Carta aos Gálatas, onde temos a seguinte conclusão de Paulo:

Vede com que letras grandes vos escrevi de meu próprio punho. Todos os que querem ostentar-se na carne, esses vos constrangem a vos circuncidardes, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. Pois nem mesmo aqueles que se deixam circuncidar guardam a Lei; antes, querem que vos circuncideis, para se gloriarem na vossa carne. Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura” (Gálatas 6:11 a 15).

Fico por aqui. Desejo um ótimo estudo. Uma boa semana.

Deus nos abençoe.

Lembrem-se de ler a Meditação Matinal de hoje – basta clicar aqui.

Lição da Escola Sabatina 2017 – Comentário feito por Carlos Bitencourt

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2 respostas para Comentário da Lição da Escola Sabatina – Lição 2 – A autoridade de Paulo e o Evangelho – Ligado na Videira – 1º a 8 de julho de 2017

  1. Wagner Mello disse:

    Maravilhosos comentários! O SENHOR esteja com todos.

  2. Geremias António Subuana disse:

    Paulo, o apóstolo de todos os tempos. Primeiro pregou dentro e depois fora do povo tido como escolhido ou salvo.

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