O que significa “O Filho é o resplendor da glória de Deus”? – Hebreus 1:3 (maio/2014)

É difícil explicar a frase que você citou sem considerar seu contexto. Hebreus 1:1 a 3 é a introdução da carta e fornece uma poderosa descrição do papel e da natureza de Cristo. Ele é a revelação final de Deus, nomeado herdeiro de todas as coisas criadas (versos 1 e 2). Duas declarações se referem à natureza do Filho: “o resplendor da glória de Deus” e “a expressão exata do seu ser”; e as próximas duas, ao seu papel: “sustentando todas as coisas” e “realizado a purificação”. Ele é Aquele que é exaltado e que Se assenta como Rei à direita do Pai (verso 3). Vou explicar três dessas quatro declarações.

1. O Resplendor da Glória de Deus: Essa frase é um pouco difícil de entender porque a palavra grega para “resplendor” (apaugasma) não é encontrada em nenhum outro lugar do Novo Testamento. Na literatura grega, ela pode ter dois significados básicos: “resplendor/brilho” ou “reflexo”. Obviamente a escolha da tradução determina o significado da frase. Se optamos por “resplendor”, a frase se refere à “natureza” do Filho. “Reflexo” enfatiza Sua “função” como um meio de revelação. Em nosso contexto, as duas ideias dificilmente podem ser separadas. O Filho, por meio de quem o Pai falou conosco, é a revelação final, porque Ele, que revelou a glória de Deus para nós é, por natureza, o próprio resplendor da glória. A glória de Deus é a luz de Sua misteriosa natureza manifesta aos seres humanos (Êxodo 24:15). Jesus é o resplendor da glória de Deus e esse resplendor é inseparável do Pai. Em outras palavras, não podemos ter glória sem resplendor, embora uma coisa possa ser diferente da outra. Isso pode ser ilustrado olhando para o sol. Não podemos separar a luz do sol, porque a natureza do sol é fornecer luz. Podemos dizer que Jesus, por natureza, é a luz das luzes. Em Sua presença, estamos na presença de Deus. Somente Aquele que por natureza participa da glória de Deus pode revelar o brilho dessa glória. E foi a partir do mistério de sua união indissolúvel com o Pai que Ele veio até nós.

2. Expressão Exata (charakter) do Seu Ser (hupostasis): Essa frase é paralela com a anterior e nos ajuda a compreendê-la. A palavra grega “charakter” é usada no Novo Testamento somente nessa passagem. Ela foi empregada na literatura grega para designar o que está encravado em um objeto (por exemplo, em um selo) e a impressão do objeto em cera. Aqui ela é usada juntamente com a palavra “ser” (hupostasis: “substância, natureza”) e se refere às características singulares da própria realidade ou do “ser” de Deus. Jesus, por natureza, tem as marcas características de Deus porque só Deus as pode ter. Isso define quem Ele é, e consequentemente, Ele pode revelar Deus a nós. Jesus e o Pai participam da mesma natureza distinta. Aqui, natureza e função são inseparáveis.

3. Sustentando (pherein: “levar, suportar”) todas as coisas: As declarações anteriores eram principalmente sobre o Filho em relação ao Pai, mas essa é sobre a relação do Filho com o Cosmos, ou com todas as coisas criadas. O verbo grego pode expressar várias ideias, como sustentar, liderar, estabelecer. A declaração de que Deus criou todas as coisas por meio do Filho é expressa no verso 2, portanto, identifica o Filho como Criador. Nesse caso, o assunto não é criação, porque o verbo está no presente e a criação é um evento do passado. Aqui, a ideia de sustentar o Universo no sentido de liderar e manter, parece mais apropriada. O Filho não apenas criou, mas sustenta Sua criação e a conduz para o alvo que pretendia para ela. Ele faz isso por meio de “Sua palavra poderosa” (verso 3). O poder que trouxe o Universo à existência é o mesmo que continua a sustentá-lo.

Angel Manuel Rodríguez, Revista “Adventist World” – Maio 2014

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