Ordem Cronológica dos Livros do Velho Testamento – Capítulo 16 – História do Texto Bíblico, de Pedro Apolinário – Ligado na Videira

A familiarização com a ordem cronológica dos livros do Velho Testamento é desejável, a fim de obter um acurado conhecimento do tempo ou colocação do ministério de cada profeta em relação com os movimentos e crises principais em Israel, juntamente com os das nações vizinhas.

Segundo as autoridades mais dignas de confiança, é geralmente aceito que o Livro de Jó seja o mais antigo, escrito por volta do ano 1600 a.C., e Malaquias, o último dos profetas do Velho Testamento a escrever, ao passo que Neemias provavelmente escreveu bem pouco antes de Malaquias – mais ou menos em 400 a.C.

– “Antes que os primeiros poetas do mundo houvessem cantado, [Moisés] o pastor de Midiã registrou as palavras de Deus a Jó” (Educação, pág. 158). A autoria de Moisés lhe é amplamente atribuída pelos exegetas. Supõe-se ser o mais antigo dos livros da Bíblia. A composição é inteiramente patriarcal. É inconcebível que, tratando do pecado, do governo divino e da relação do homem para com Deus, nenhuma alusão à lei e ao sistema mosaico nele aparecesse, se já estes houvessem sido dados. Quanto ao tempo, vem cronologicamente depois do capítulo 11 de Gênesis.

Há uniformidade da parte de todas as autoridades no tocante à ordem dos livros do Pentateuco, chamado pelos judeus de “A Lei”, ou “Torah”, a primeira seção dos sagrados escritos.

PENTATEUCO – A autoria mosaica do Pentateuco é reconhecida por todos os exegetas conservadores. “O Pentateuco, como obra de Moisés, formou uma divisão do cânon e, em conformidade cronológica, ocupou o primeiro lugar na coleção” (Davis). “Nas cópias do manuscrito, que antecedem a era da imprensa, a ordem dos livros da Torah é universalmente a mesma” (Margolis). Assim se chamavam eles: Gênesis (princípio das coisas); Êxodo (a saída do Egito); Levítico (Levitas, Sacerdotes, Leis e Ordenanças); Números (Recenseamento e Peregrinações); e Deuteronômio (Repetição da Lei).

JOSUÉ – Primeiro livro da segunda divisão judaica: “Os profetas”, ou Nebilim, os quais, por sua vez, estão divididos em “Primeiros” (Josué, Juízes, Samuel e Reis) e “Últimos”. “A ordem dos primeiros profetas é universalmente a mesma” (Margolis, pág. 13). “Não há variação na sequência de Josué, Juízes, Samuel e Reis” (Enciclopédia Judaica, vol. 3, pág. 144).

JUÍZES – Este livro cita os nomes dos juízes que se levantaram para livrar a Israel do declínio na desunião que seguiram à morte de Josué. Registra sete apostasias, sete servidões a sete nações pagãs, e sete livramentos. Autor desconhecido, mas possivelmente Samuel.

RUTE – O tempo dos eventos é afirmado ser “nos dias em que julgavam os juízes” (capítulo 1, verso 1). Deveria ser lido em conexão com a primeira metade de Juízes. A genealogia termina com Davi. Autor: possivelmente Samuel.

1 e 2SAMUEL – No cânon hebraico os dois são considerados um só. 1Samuel, de 1 a 24, escritos por Samuel; o restante, provavelmente por Natã e Gade (1Crônicas 29:29). Registram o estabelecimento do centro político de Israel em Jerusalém (2Samuel 5:6-12) e o centro religioso em Sião (2Samuel 6:1-17; comparar com 5:17). Sião e Moriá eram eminências distintas. 2Samuel marca a restauração da ordem por intermédio da entronização de Davi como rei. Com Samuel começa a notável linha de profetas-escritores, que continua até Malaquias.

1 e 2REIS – Também considerado outrora um livro em duas partes. Registram os reinados de todos os reis, de Salomão até o cativeiro. Elias, Eliseu, Jonas, Joel, Amós, Oseias, Isaías, Miqueias, Obadias, Naum, Jeremias, Sofonias e Habacuque profetizaram durante esse período em que havia rei em Israel e Judá. Também aparece dentro desse período um grupo inteiro de profetas orais. Não se descobre a identidade do autor, mas possivelmente tenha sido Jeremias.

1 e 2CRÔNICAS – Semelhantemente, um só livro no cânon judaico. Conquanto sejam principalmente uma repetição, suplementam o relato de Reis, omitindo certos aspectos, mas apresentando registro mais completo de Judá e, por assim dizer, nenhuma história de Israel. Supõem muitos haver sido Esdras o compilador. O Livro de Isaías já existia quando estes foram escritos (2Crônicas 32:32). Provavelmente o último dos livros históricos, com exceção de Esdras, Neemias e Ester. Fazem uma série de monografias de Natã, Samuel, Gade, Ido, Jeú e numerosos outros profetas orais. Cumpre observar que os eventos e seu registro nem sempre são sincrônicos, como no caso de Gênesis e . As Crônicas são colocadas em último lugar no cânon judaico.

SALMOS – O nome significa “louvores”. Pertence à terceira seção, conhecida entre os judeus por “Os Escritos”, ou “kethubhim”. Muitos deles tem que ver com experiências especiais ou crises. Vinte e um se referem definidamente a episódios na história de Israel, desde Moisés até a Restauração. Davi é o autor da grande maioria, apesar de os títulos no alto dos capítulos atribuírem salmos a Moisés, Salomão, filhos de Asafe, e Etã. Autoridades declaram que estes títulos são parte integrante dos salmos.

CANTARES DE SALOMÃO – Também chamado de “Cânticos de Salomão” ou “Cântico dos Cânticos“. Este livro acha-se em todas as listas antigas. Atribuído a Salomão (1:11).

PROVÉRBIOS – Pronunciados e compilados por Salomão. Ele os colocou em ordem. Os capítulos 25-29 foram transcritos no tempo do rei Ezequias. Os capítulos 30 e 31 são, respectivamente, de Agur e Lemuel.

ECLESIASTES – O nome significa “O Pregador”. Não há dúvida de que tenha sido escrito perto do fim da vida de Salomão. Trata do problema da vida.

JONAS – Provavelmente o primeiro dos profetas “menores” (assim chamados porque seus escritos são mais curtos do que os dos profetas “maiores”, e não por serem de menor importância, ou por haverem profetizado depois destes). Viveu e profetizou durante o reinado de Jeroboão II (2Reis 14:25).

JOEL – Começa a grande era da composição poética. Um dos primeiros dentre os profetas “menores”. Não existe indicação direta quanto à data. O peso da evidência haveria de colocá-lo pouco antes do ano 800 a.C. Possivelmente contemporâneo de Eliseu, e não muito distante do período de Oseias e Amós.

AMÓS – Escrito quando Uzias era rei de Judá, e Jeroboão II, de Israel (1:1). Ambos os monarcas tiveram reinados longos. Limitando sua profecia ao reinado destes reis, a data mais provável de sua autoria deve ser, aproximadamente, de 780-730 a.C.

OSEIAS – Contemporâneo mais novo de Amós, continuando até depois do cativeiro de Israel. Seu ministério foi longo. Profetizou no reinado de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, de Judá, e Jeroboão II, de Israel (1:1). Uzias e Jeroboão II foram contemporâneos por vários anos. Colocado entre os profetas menores em primeiro lugar porque seu escrito é um dos maiores.

ISAÍAS – O primeiro dos profetas “maiores”. A visão inaugural data do ano da morte de Uzias. Seus trabalhos se estenderam através de longo período – cerca de sessenta anos. Contemporâneo de vários profetas.

MIQUEIAS – Contemporâneo mais novo de Isaías (1:1; comparar com Isaías 1:1). Profetizou antes da queda de Samaria (1:1 e 6; Jeremias 26:18), e durante o reinado de Peca e Oseias, em Israel, e de Jotão, Acaz e Ezequias, em Judá,

NAUM – Profetizou pouco antes da queda de Nínive, ou apenas bem pouco antes do ano 600 a.D. Relata a destruição de Nô-Amom (Tebas), ocorrida cerca de meio século antes dessa data.

SOFONIAS – Viveu na primeira parte do reinado de Josias (1:1) e foi contemporâneo, em parte, de Jeremias. Fala da destruição de Nínive como estando no futuro (2:13).

JEREMIAS – Recebeu o chamado para profetizar quando ainda jovem, no décimo terceiro ano de Josias (1:2), enquanto Sofonias estava proclamando mensagens vibrantes. Durante anos seus ensinos foram orais; então lhe foi ordenado que escrevesse (36:1 e 2). Trabalhou durante longo período – mais de quarenta anos. Contemporâneo de Habacuque, Ezequiel e Daniel. Testemunhou o fim de Judá e a queda de Jerusalém.

LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS – Hinos fúnebres de Jeremias, quando em meio às ruínas de Jerusalém, e testemunhando-lhe a subversão, com a alma comovida à vista dessa desolação.

HABACUQUE – Profetizou nos últimos anos de Josias, na véspera do cativeiro, pouco antes de 600 a.C.

EZEQUIEL – Levado para Babilônia durante a segunda parte do cativeiro, no reinado de Joaquim (1:2), pouco depois da deportação de Daniel. Profetizou durante vinte e dois anos (1:2 e 29:17). Contemporâneo de Jeremias e Daniel.

DANIEL – Levado para Babilônia durante o reinado de Jeoaquim (1:1). Profetizou durante o período do cativeiro. Contemporâneo de Ezequiel e Jeremias. Provavelmente, sua profecia foi colocada entre “Os Escritos” porque, embora Daniel tivesse o dom de profecia, não exercia oficialmente o cargo de profeta. “Em todos os catálogos dos escritos do Velho Testamento, fornecidos pelos primeiros Pais, até o tempo de Jerônimo, Daniel é classificado entre “os profetas”, geralmente na posição que ocupa na versão comum. Na Versão dos Setenta (Septuaginta), também é classificado entre os profetas, depois de Ezequiel. O lugar designado a Daniel não foi, pois, o que teve no período precedente ou o que ocupou originalmente” (McClontock e Stong).

OBADIAS – É difícil precisar a data: antes ou pouco depois da queda de Jerusalém. As evidências internas dão preferentemente crédito à última.

ESDRAS – História parcial da restauração depois do Exílio. Primeiramente unido a Neemias como um só livro, em duas partes. Cronologicamente, segue pouco depois de Daniel. Abrange a história desde a queda de Babilônia até 456 a.C., ao passo que Neemias narra os eventos ocorridos até perto de 432 a.C. Evidentemente, o cânon foi organizado no tempo de Esdras.

AGEU – Profetizou aos “restantes” depois do Exílio. A data exata é o segundo ano de Dario (1:1).

ZACARIAS – Começou logo depois de Ageu (comparar 1:1 com Ageu 1:1), e certamente sobreviveu a seu contemporâneo. A primeira data que aparece no livro é o segundo ano de Dario (1:1 e 7); a última, o quarto ano do reinado do mesmo rei (7:1).

ESTER – Cronologicamente, o livro segue Esdras 6. Os eventos deram-se no reinado de Xerxes I, entre as duas expedições. Autor desconhecido.

NEEMIAS – Provavelmente escreveu pouco antes de Malaquias, seu contemporâneo. Continua e completa o registro de Esdras. O uso da primeira pessoa denota sua autoria.

MALAQUIAS – O último dos profetas do Velho Testamento que se dirigiu aos restantes vindos do exílio, como Neemias é o último dos historiadores desse período. Contemporâneo de Esdras e Neemias. Profetizou durante a ausência deste último, que estava na Pérsia.

(O autor deste artigo é Leroy E. Froom. Publicado na “Revista Adventista”, novembro de 1971, págs. 4-6).

Divisão Judaica para o Cânon do Velho Testamento (em 24 livros):
A) A Lei (Torah): 1 – Gênesis; 2 – Êxodo; 3 – Levítico; 4 – Números; 5 – Deuteronômio.
B) Os Profetas (Nebilim): a. Anteriores: 6 – Josué; 7 – Juízes; 8 – 1 e 2Samuel; 9 – 1 e 2Reis. b. Posteriores: – Maiores: 10 – Isaías; 11 – Jeremias (Daniel será o nº 22); 12 – Ezequiel; – Menores: 13 – Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, ZacariasMalaquias.
C) Os Escritores [Hagiógrafos] (Ketubim): a. Poéticos: 14 – Salmos; 15 – Provérbios; 16 – . b. Rolos: 17 – Cantares de Salomão; 18 – Rute; 19 – Lamentações de Jeremias; 20 – Eclesiastes; 21 – Ester. c. Profético: 22 – Daniel. d. Históricos: 23 – Esdras e Neemias; 24 – 1 e 2Crônicas.

Divisão Cristã para o Cânon do Velho Testamento (em 39 livros):
A) A Lei (Torah): 1 – Gênesis; 2 – Êxodo; 3 – Levítico; 4 – Números; 5 – Deuteronômio.
B) Os Históricos: 6 – Josué; 7 – Juízes; 8 – Rute; 9 – 1Samuel; 10 – 2Samuel; 11 – 1Reis; 12 – 2Reis; 13 – 1Crônicas; 14 – 2Crônicas; 15 – Esdras; 16 – Neemias; 17 – Ester.
C) Os Poéticos: 18 – ; 19 – Salmos; 20 – Provérbios; 21 – Eclesiastes; 22 – Cantares.
D) Os Proféticos: a. Maiores: 23 – Isaías; 24 – Jeremias; 25 – Lamentações de Jeremias; 26 – Ezequiel; 27 – Daniel. b. Menores: 28 – Oseias; 29 – Joel; 30 – Amós; 31 – Obadias; 32 – Jonas; 33 – Miqueias; 34 – Naum; 35 – Habacuque; 36 – Sofonias; 37 – Ageu; 38 – Zacarias; 39 – Malaquias.

Divisão do Cânon do Novo Testamento (em 27 livros):
A) Evangelhos: a. Sinóticos: 1 – Mateus; 2 – Marcos; 3 – Lucas. b. Não sinótico: 4 – João.
B) Histórico: 5 – Atos.
C) Epístolas: a. Paulinas: 6 – Romanos; 7 – 1Coríntios; 8 – 2Coríntios; 9 – Gálatas; 10 – Efésios; 11 – Filipenses; 12 – Colossenses; 13 – 1Tessalonicenses; 14 – 2Tessalonicenses; 15 – 1Timóteo; 16 – 2Timóteo; 17 – Tito; 18 – Filemom; 19 – Hebreus. b. Universais: 20 – Tiago; 21 – 1Pedro; 22 – 2Pedro; 23 – 1João; 24 – 2João; 25 – 3João; 26 – Judas.
D) Profético: 27 – Apocalipse.

Pedro Apolinário, História do Texto Bíblico.

Anúncios

Sobre Ligado na Videira

Ligado na Videira
Esse post foi publicado em História do Texto Bíblico, Pedro Apolinário e marcado , , , . Guardar link permanente.

6 respostas para Ordem Cronológica dos Livros do Velho Testamento – Capítulo 16 – História do Texto Bíblico, de Pedro Apolinário – Ligado na Videira

  1. Mara lucia Machado disse:

    Bom dia !!! É possivel receber este esudo por email ?? Me interessei muito, pois sempre desejei conhecer a ordem cronológica da biblia.Se possível ficarei muito grata, desde já agradeço! !

    Mara Lucia

    • Mara,
      Legal o seu interesse. Deus a abençoe nas pesquisas bíblicas.
      Quanto a receber nossas novas publicações, o wordpress disponibiliza a opção de cadastramento, um quadrinho que você deve escolher logo abaixo de onde você fez o comentário.
      Seja bem vinda!

      Carlos Bitencourt
      Cascavel-Paraná

  2. Maria Angelica Carleti Carleti disse:

    Gostei de conhecer essa explicação cronológica. Sou professora de História e os fatos e as eras não batem com a Bíblia. Gostaria de entender melhor.

    • Olá, professora!

      Não tenho formação em História. Nem sequer sou professor. Mas sou um grande apreciador do tema.

      Um dia, não vai demorar muito, veremos face a face os nossos anjos. Quantas perguntas! Quantas respostas!

      João, por sinal, mais especificamente sobre a obra terrestre de Jesus, escreveu palavras extraordinárias:

      Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (João 21:25).

      Irmã, Deus a abençoe.

      Carlos Bitencourt
      Cascavel-Paraná

  3. vanessa regina da silva bento disse:

    gostei e quero entender melhor espero retorno por imail

Escreva um comentário. Compartilhe sua opinião.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s