O que significa Cristo ser chamado de “Primogênito sobre toda a criação”? – Colossenses 1:15 (maio/2013)

Este verso é frequentemente usado por aqueles que negam a divindade de Cristo, dizendo que Ele foi o primeiro ser criado por Deus. Na exposição da resposta, resumirei o uso do termo “primogênito” no Antigo e Novo Testamentos e sua aplicação para Jesus.

1. Primogênito no Antigo Testamento: O uso que predomina no Antigo Testamento são os primogênitos dos animais e seres humanos. Ambos pertenciam ao Senhor porque Ele os preservou vivos durante a morte dos primogênitos no Egito (Êxodo 13:15). Os primogênitos dos animais limpos eram sacrificados ao Senhor, enquanto que os imundos deviam ser redimidos (Êxodo 13:13, 15). Mais tarde, os levitas foram oferecidos ao Senhor para trabalhar permanentemente no santuário, em lugar dos outros primogênitos de Israel, os quais eram, assim, redimidos (Números 8:16-18).

Os primogênitos dos humanos eram “o primeiro sinal do meu vigor” (Gênesis 49:3), significando uma expressão do poder procriador do pai. Da perspectiva da mãe, o primogênito era “todo o que abre o útero materno” (Êxodo 13:2, Bíblia de Jerusalém). O significado do primogênito humano provavelmente permanecia no fato de que o filho mais velho proveria liderança para a família, após a morte do pai. Ele recebia porção dobrada da herança, a honra e o respeito da família (Deuteronômio 21:17).

O título “primogênito” enfatiza “o primeiro” como um símbolo do melhor. Portanto indicava a singularidade do filho e sua supremacia sobre o resto da família. Isso leva a uma compreensão do termo, além da ideia do nascimento. Portanto, Israel era o “filho primogênito” do Senhor (Êxodo 4:22) no sentido de que seria o “tesouro especial” de Deus, “reino de sacerdotes e nação santa” (Êxodo 19:5, 6). Davi também é chamado de primogênito no sentido de que ele é “o mais exaltado entre os reis da Terra” (Salmos 89:27).

2. Primogênito no Novo Testamento: Jesus é chamado de filho primogênito de Maria (Lucas 2:7), Aquele que abriu a madre. Outras passagens no Novo Testamento usam o título “primogênito” metaforicamente. Segundo Hebreus 12:23, há a “igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos no Céu”. Essa é uma outra maneira de dizer que o Israel espiritual é o primogênito do Senhor. Em relação a Cristo, Ele é o “primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:29), indicando a posição de soberania de Jesus entre os que foram redimidos por Sua graça e constituídos por Ele como Seus irmãos. Cristo é também o “primogênito dentre os mortos” (Colossenses 1:18; Apocalipse 1:5). O termo é usado para indicar que Ele é o único que venceu o poder da morte e tornou essa vitória disponível a outros.

3. Primogênito da Criação: O contexto de Colossenses 1:15 claramente indica que o termo “primogênito”, como aplicado a Jesus, indica Sua soberania na criação e Seu poder sobre ela. Primeiro, a passagem é sobre a origem da criação, não sobre a origem de Jesus. Ele trouxe todas as coisas à existência e existia antes de todas as coisas (Colossenses 1:16 e 17). Segundo, Ele é descrito como “o princípio”, ou seja, ‘Aquele que criou no princípio’ (Gênesis 1:1). A criação teve um princípio, Ele não! Terceiro, Jesus é também o “primogênito entre os mortos” (Colossenses 1:18). O contraste é entre o início da criação “livre da morte” e a obra escatológica de Cristo que “venceu o poder da morte”. Como primogênito dentre os mortos, Ele tem poder sobre a morte. Quarto, o propósito divino em tudo isso era “para que em tudo tenha supremacia” (Colossenses 1:18). Como Criador e Redentor, Jesus ocupa o primeiro lugar no cosmos. Ele é o Supremo Juiz que mantém todas as coisas (Colossenses 1:17). Finalmente, Cristo é a própria imagem de Deus porque a plenitude de Deus habita nEle (Colossenses 1:15 e 19). Assim, Sua supremacia está enraizada não apenas em Sua obra, mas em Sua própria natureza como Deus.

Angel Manuel Rodríguez, Revista “Adventist World” – maio 2013

Sugerimos a leitura de:

Alberto Timm – “Como Cristo pode ser o Primogênito de toda a criação sem ter sido criado?” – clique aqui. E, Por que Jesus Disse: ‘O Pai é maior do que Eu?’” – clique aqui.

Pedro Apolinário – “Explicação de Textos Difíceis da Bíblia: Jesus – Filho de Deus e Filho do Homem” – clique aqui.

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Uma resposta para O que significa Cristo ser chamado de “Primogênito sobre toda a criação”? – Colossenses 1:15 (maio/2013)

  1. Jesus perdeu algum atributo divino ao Se encarnar? (Escrito por Ozeas C. Moura, editor da Casa Publicadora Brasileira).
    Pergunta: Tenho dúvida quanto à onisciência de Jesus. Já ouvi que, quando Ele disse: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos Céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mateus 24:36), foi porque, estando Ele encarnado, não teria feito uso de Sua onisciência, em Seu próprio benefício. Mas, lendo Apocalipse 1:1, parece que, mesmo depois de Sua ressurreição e ascensão, Ele dependia da revelação do Pai para eventos futuros. Teria Jesus, por causa da Encarnação, perdido Sua onisciência?
    Resposta: Apocalipse 1:1 diz: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe deu para mostrar aos Seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que Ele, enviando por intermédio do Seu anjo, notificou ao Seu servo João”.
    Deve-se dizer, de início, que, pelo fato de Se encarnar, Jesus não perdeu qualquer atributo divino. Isso é o que nos diz Paulo, em Colossenses 2:9: “Porquanto, nEle, habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Se, mesmo após Sua ascensão, Paulo fala que “toda a plenitude da divindade” habita corporalmente em Jesus, isso significa que Ele, mesmo tendo passado pelo processo da Encarnação, continua com todos os poderes divinos, que sempre teve, incluindo a onisciência.
    Então, como entender que a “revelação” que João recebeu tinha sido dada a Jesus pelo Pai? Essa declaração deve ser vista no papel de cada membro da divindade com respeito ao plano da salvação. Ou seja, como Jesus, mediante a Encarnação, Se tornou o Mediador entre Deus e os homens (ver 1Timóteo 2:5), Deus Pai incumbe Jesus de transmitir certas informações que dizem respeito aos humanos, como é o caso de Apocalipse 1:1. Mas isso não significa que Jesus não pudesse sabê-las, pois se o texto de Colossenses 2:9 está certo, então Jesus sabe todas as coisas, pois é onisciente, e em plenitude.
    É interessante ver como os membros da Trindade são altruístas, ou seja, sempre dividem com os outros membros alguma tarefa (mesmo podendo fazê-las sozinhos, se assim o desejar). Um exemplo claro é o da Criação. Deus Pai poderia, sozinho, ter idealizado e criado o mundo, mas não o fez. Deixou que o Filho desse o comando, falasse para as coisas e seres aparecerem. É por isso que Ele é chamado de “Verbo” (João 1:1,10) e de “Verbo de Deus” (Apocalipse 19:13). O Filho, o Verbo de Deus, contou com a atuação do Espírito Santo para moldar a face do abismo (Gênesis 1:2). O “pairar sobre as águas” do Espírito, em Gênesis 1:2, indica Sua obra criadora, e não que Ele tenha ficado olhando passivamente as coisas e seres sendo criados.
    Alguém menos avisado poderia inferir do relato da Criação, em Gênesis capítulo 1, que o Pai não seria onipotente, pois foi o Filho quem comandou toda a obra de criação, ou que o Filho teria alguma limitação, pois é dito que quem moldou a face do abismo foi o Espírito Santo (e não só o abismo, mas o próprio homem. 33:4 e 6 menciona que o Espírito Santo moldou o homem do barro e soprou em suas narinas o fôlego de vida. Confira, ainda, Salmos 104:30, onde o Espírito Santo é mencionado como Criador).
    O que acontece na Criação é uma bela cena de altruísmo: uma pessoa divina aceita a participação de outra na tarefa de criar, mas isso não significa que haja limitação de algum atributo nas pessoas da Divindade. O mesmo se deu com a revelação de Jesus a João: O Pai poderia tê-la concedido diretamente a João, mas deixou o Filho fazer isso, pois Ele é o nosso Mediador, e, pela Encarnação, nosso irmão mais velho.
    [Comentário de Ligado na Videira: Tenho a impressão que a questão foi fundamentada em dois períodos, mas, ao final, a verdadeira pergunta misturou esses períodos. Entendo assim:
    1) Jesus antes da encarnação (o Velho Testamento);
    2) Jesus encarnado, da barriga de Maria até a ascenção;
    3) Jesus encarnado, após a ascenção.
    Quanto ao item nº 1, muitos ignoram que é Jesus o Deus que Se relaciona com a humanidade. É Ele no dilúvio, no vau de Jaboque, no Sinai, no santuário do deserto, etc, etc.
    No nº 2, Ele Se limitou. Por ter Se tornado homem, teve que aprender aos pés de Sua mãe, não lia pensamento, não atravessava paredes, não lembrava do Céu, não tinha certezas sobre o pós tumba, não sabia o futuro. Viveu pela fé. Dependia do Pai. (Em tudo, foi nosso exemplo). Por ser o Salvador, de modo especial recebia revelações do Santo Espírito de Deus.
    No nº 3, volta ao Céu. Não deixou a humanidade, mas a glorifica. É nisso que está a diferença. Mas, como as Escrituras estão falando de salvação e redenção, Jesus Cristo sempre vai Se posicionar como representante da humanidade diante do Pai, e, daí, essa submissão, essa súplica de aceitação, embora saiba absolutamente de tudo. (Devemos estudar e valorizar a eterna humanidade de Jesus)].

    Seria Jesus criatura do Pai? (Escrito por Ozeas C. Moura, editor da Casa Publicadora Brasileira).
    Pergunta: Colossenses 1:15 e Apocalipse 3:14 estão, realmente, afirmando que Deus Pai criou Jesus Cristo?
    Resposta: A Bíblia é clara em afirmar que Jesus é Deus. Eis alguns textos bíblicos sobre essa verdade: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1); “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus Unigênito, que está no seio do Pai, é quem O revelou” (João 1:18); “Respondeu-Lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu” (João 20:28); “… mas acerca do Filho: o Teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” (Hebreus 1:8); “… na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (2Pedro 1:1); “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tito 2:13); “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e Ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” (Mateus 1:23). À luz do conteúdo desses versos, não há motivo para se pensar que Jesus tenha sido criado pelo Pai. Se isso tivesse acontecido, Jesus teria sido o primeiro a nascer, o que contradiria os textos anteriormente mencionados, que declaram ser Ele Deus e, portanto, eterno.
    Colossenses 1:15 diz que Jesus “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a Criação”. A palavra “primogênito” vem do grego “protótokos” (protos = “o primeiro a nascer”, “o principal”, “o mais importante”, e tokos = “dado à luz”, “nascido”, “descendência”, “prole” – do verbo tikto = “nascer”, “dar à luz” (1)). A Septuaginta emprega protótokos para traduzir o vocábulo hebraico bekôr – “primogênito”. (2) Assim, protótokos significa tanto “primeiro/primogênito”, como também “mais importante/preeminente”.
    “Primogênito” é empregado na Bíblia com duas ideias: (1) em sentido literal: o primeiro a nascer (Lucas 2:7 – “E ela [Maria] deu à luz o seu filho primogênito”; Hebreus 11:28 – “… para que o exterminador não tocasse nos primogênitos dos israelitas”), e (2) em sentido figurado: o mais importante, o mais preeminente (Êxodo 4:22 – “Israel [2º filho de Isaque] é meu filho, meu primogênito”; Salmos 89:27 – “Fá-lo-ei [a Davi, filho mais novo de Jessé], por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da Terra”; Jeremias 31:9 – “Efraim [2º filho de José] é meu primogênito”).
    Então, sendo Jesus Deus, e como tal eterno, a palavra “primogênito” é empregada, em Colossenses 1:15, para mostrar que Ele é ”o mais importante” de toda a Criação, pois foi seu Criador, o Autor da própria Criação. Veja que Colossenses 1:16 explica o verso 15: “… pois nEle, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dEle e para Ele”.
    Em Colossenses 1:15, Paulo destaca a posição de Cristo em relação à Criação. Ele é apresentado como estando acima de todas as coisas criadas. A razão disso é que Ele é a causa primária da Criação, Seu Originador. Ele é o que tem todo o poder, “no Céu e na Terra” (Mateus 28:18), “porquanto, nEle, habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9), e “NEle, tudo subsiste” (Colossenses 1:17).
    Apocalipse 3:14 diz que Jesus é “o princípio da Criação de Deus”. A palavra “princípio”, na língua original grega, é archê, e significa “início”, “origem”, “princípio”, mas também “líder” e “primeira causa”.(3) A ideia de que Jesus foi o início da Criação de Deus, no sentido de ter sido a primeira coisa criada, novamente contraria os textos mencionados anteriormente, os quais afirmam que Jesus é Deus, e como tal eterno, e quem é eterno não pode ter sido criado. A palavra “princípio”, em Apocalipse 3:14, quer dizer que Jesus é o “originador”, a “causa primária”, o “líder” da Criação de Deus.
    Em conclusão, dizemos que os textos de Colossenses 1:15 e Apocalipse 3:14, longe de sugerirem que o Filho foi criado, afirmam Sua eternidade e Seu poder criador.
    Referências:
    1. DAVIDSON, B. The Analytical Greek Lexicon. Nova York: Harper & Brothers Publishers, s/d, p. 404.
    2. BARTELS, K. H , in: COENEN, L. & BROWN, Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. 2. São Paulo: Vida Nova, 2000, p 1851.
    3. GINGRICH, F. W. & DANKER, F. W. Léxico do Novo Testamento Grego/Português: São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 35.

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