Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – Permanecei na Videira, capítulo 7 (João 15)

PERMANECEI  NA  VIDEIRA
Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em Mim” (João 15:4).

Minha esposa e eu trouxemos do viveiro para casa uma determinada planta, certo dia. Ela se desenvolvia bastante bem no vaso, e algum tempo decorreu antes que a transplantássemos. Finalmente ela começou a crescer em demasia naquele pequeno espaço, de modo que abri um buraco, num lugar qualquer – sem a orientação de minha esposa – e ali coloquei a planta.

Como resultado deste plantio em lugar errado, tive de abrir outro buraco, mudando novamente a planta. Desta vez, quem não gostou da localização da planta fui eu, de maneira que escolhi um novo local, e mais uma vez a transplantei.

A planta já devia estar um tanto cansada! Cada vez que suas pequenas raízes começavam a firmar-se no solo, vinha novamente este malfadado jardineiro e a estabelecia em outro lugar. A última vez em que a vi, ela parecia não estar bem. Suas folhas estavam definhando.

Quando estudamos a parábola da vinha, compreendemos que não é uma conexão casual vezes sim, vezes não – que permite à videira produzir fruto. Mesmo quando o ramo permanece conectado à videira, há um processo de crescimento que se deve verificar.

Este ponto se torna muito intrigante, pois imagino que a maioria de nós está bem consciente do fato de que, mesmo depois de havermos decidido permanecer em Cristo, nossa imaturidade é muitas vezes revelada, e temos a dolorosa sensação de que o trabalho ainda não se completou. Não tem você tal consciência no que tange à sua própria experiência?

Quando aceitamos a Jesus pela primeira vez, fizemo-lo pela fé nEle como nosso Salvador pessoal. É por esta razão que se formou a ligação com a videira. É também por esta razão que a união prossegue. Aceitamos a Jesus pela vez primeira somente depois de reconhecer o amor de Deus e a verdade do evangelho. É também por isso que a permanência ocorre, não apenas como começo da vida cristã, senão como o prosseguimento desta. O justo viverá pela fé. Fomos justificados pela primeira vez mediante a aceitação de Sua graça; prosseguimos sendo justificados nEle pela fé, e pela fé somente. Veja Hebreus 10:38; Habacuque 2:4; Romanos 1:17. O justo sempre viveu pela fé. Não é pela fé mais (ou menos) alguma coisa, e sim pela fé, somente.

É da mais elevada importância compreender que Jesus não está colocando a responsabilidade sobre nossas obras, sobre nossa produção de fruto, sobre nós. É bem verdade que devemos produzir fruto, mas isto somente pode ser empreendido pela fé. O ramo não pode produzir fruto de si mesmo, a menos que esteja em permanência na videira. Se, contudo, tal permanência existir, produzirá ele muito fruto. O fruto será o resultado natural da permanência em Cristo.

Alguns de nós havemo-nos sentido tremendamente alarmados com a compreensão de que o evangelho, e o modo como ele age na vida cristã em operação, é tão simples. É tão fácil, que os meninos e meninas podem aprendê-lo, e isto certamente é muito bom. Durante muito tempo alguns de nós estivemos mantendo a ideia de que temos algo a fazer, sozinhos, nesta obra. Confiávamos em Cristo para o perdão dos pecados, mas depois, através de nossos próprios esforços, procurávamos viver para Ele. Este caminho é um beco sem saída. Todos os fracassos do povo de Deus são devidos, não à falta de tentativas no sentido de produzir fruto, e sim devido à falta de fé e confiança nEle. E a fé advém ao se ouvir a Palavra de Deus e ao se manter comunhão com Ele.

Recordamos a história daquele homem que, há muitos anos, fazia seu percurso ao longo da estrada, carregando um fardo nos ombros. Outro homem se aproxima numa charrete puxada por um cavalo. Este parece um tanto cansado, e a charrete aparenta ser pequena, e quando o homem com o fardo é convidado a subir no veículo, conserva o peso nas costas, pois lhe parece que não é muito justo que a charrete e o cavalo tenham de levar também este peso.

Outro homem embarca num navio, no rio Mississipi. Comprou uma passagem para quatro dias de viagem, e trouxe consigo biscoitos e queijo para as refeições, pois não dispõe de dinheiro para comprar comida no navio. A cada refeição, enquanto as demais pessoas se reúnem para comer, ele se esconde atrás de uma chaminé e ali ingere seus biscoitos com queijo, até que estes começam a mofar, e ele está a ponto de desfalecer de fome. Os outros o descobrem nesta situação e lhe dizem: “O que acontece com você, rapaz? Ao comprar a sua passagem, você também pagou por todas as refeições. Venha comer conosco”.

Aceitamos a graça de Deus e dizemos: Isto é maravilhoso. Ele tomou providências para a minha eterna salvação, no Céu. Agora tenho de levar meu próprio fardo. Assim ficamos prostrados sob o peso. Ele nos convidou para a ceia das bodas do Cordeiro, ao companheirismo com Ele, e ficamos imaginando que temos de levar nossa própria comida à festa. Aceitamos o Seu poderoso evangelho como um dom extraordinário e nos regozijamos nele, mas a alegria esvaece, pois deixamos de reconhecer que para andar em companheirismo com Ele, deve ser observado o mesmo método, o mesmo processo. Ficamos aguardando pela oportunidade de acrescentar algo ao método, e assim o processo se torna doloroso, não apenas para irmos até Ele, mas também para permitir que Ele assuma nossos fardos, nossos pecados, nossos fracassos, e nos conceda a capacidade de obedecer, a qual tão visivelmente nos falta. Não compreendemos plenamente o exultante fato de que Ele deseja conceder-nos, como dons, a obediência e a vitória.

A permanência na videira não ocorre automaticamente. Jesus apresenta a questão como um pedido, um convite, ou uma ordem, se você assim o preferir: “Permanecei em Mim”. Separado da videira, não pode o ramo viver. Da mesma forma, diz Jesus, não podeis viver separados de Mim. É tão-somente através de contínua comunhão com Ele que poderemos crescer. Nenhum ramo produzirá fruto se estiver apenas ocasionalmente conectado à videira. A ligação precisa ser consistente. O ramo precisa permanecer na videira.

Estamos falando acerca de comunhão com Cristo – a cada dia, a cada hora. É um privilégio nosso o de manter comunhão com Cristo como um estilo de vida. Quanto tempo tem você gasto em comunhão com Deus durante as semanas anteriores? Porventura este “permanecer em Cristo” soa a você como algo intangível? É esta mesma união vital que aparece retratada em João 6, sob a figura de comer o Seu corpo e beber o Seu sangue. João 6:63 oferece um indicador: “As palavras que Eu vos tenho dito, são espírito e são vida”. Assim, é por intermédio da Bíblia e da oração que podemos permanecer nEle; se nEle não permanecermos, seremos incapazes de produzir fruto, logo seremos cortados.

Comunhão contínua não consiste de contínua conversa. Orar sem cessar significa manter ininterrupta comunhão com Deus. Alguma vez você, em viagem com a família, já percorreu muitos e muitos quilômetros sem pronunciar palavra? Ainda assim, por certo experimentou companheirismo e comunhão. Nossos melhores amigos são aqueles em cuja companhia nos sentimos suficientemente relaxados, a ponto de não ter de estar preferindo palavras o tempo todo. Esta é a espécie de comunhão que podemos usufruir com Jesus, nosso melhor Amigo. Haverá momentos em que nos comunicaremos diretamente com Ele, e noutras oportunidades apenas desfrutaremos do privilégio de estar juntos, juntos trabalhar, juntos viajar.

Poder comunicar-se com o Rei do Universo, sem dúvida representa um grande privilégio, não lhe parece? Vejo duas pessoas caminhando pela estrada que leva a Emaús. Um Estranho junta-se a eles. Seus corações ardem intimamente. Aproxima-se a noite quando chegam ao lar, de modo que dirigem ao Estranho um convite: “Fica conosco, permanece aqui”. Eles responderam ao convite de Jesus, mesmo não sabendo quem era o Estranho. Veja Lucas 24.

Meu amigo, está ficando tarde. Os sinais indicam claramente que a noite se aproxima. Lá fora já escurece. Não gostaria você de unir-se aos dois discípulos que responderam, enquanto ouve o convite de Jesus, a você dirigido: “Permanece em Mim”? Por que não unir sua voz às deles, dizendo: “Vem e permanece conosco”? Ele sempre o fará, assim como sempre o fez, pois Seu maior anseio é estar conosco agora e para sempre.

Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – Permanecei na Videira, capítulo 7, páginas 30-35. Próximo capítulo – clique aqui.

Retorno ao índice – clique aqui.

Anúncios

Sobre Ligado na Videira

Ligado na Videira
Esse post foi publicado em Morris Venden, Os Frutos da Justificação Pela Fé e marcado , , , . Guardar link permanente.

Escreva um comentário. Compartilhe sua opinião.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s