Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – Pedireis o que quiseres, capítulo 13 (João 15)

PEDIREIS  O  QUE  QUISERDES
Se permanecerdes em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito… Tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo concederá” (João 15:7 e 16).

Tem havido grande dose de compreensão errônea quanto à oração, na religião cristã. Alguns dentre nós temos procurado o livro completo de orações e ainda não o encontramos. Existem muitos bons livros a respeito do assunto, e lhe será possível encontrar um bom ponto aqui e outro ali; não parece existir, contudo, algum livro único, capaz de resumir tudo. Estamos bastante atrasados no tocante a uma compreensão mais ampla deste assunto vital.

Este estudo da parábola da vinha conduz-nos diretamente ao assunto da oração, e é interessante que Jesus inclui o tema neste Seu discurso crucial. Leiamos outra vez as palavras de Cristo em João 15:7 e 16: “Se permanecerdes em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito… Não fostes vós que Me escolhestes a Mim; pelo contrário, Eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda”.

Estes dois versos, associados, parecem prover um verdadeiro cheque em branco. Tudo que você tem a fazer é completar os detalhes, e desde que utilize a expressão: “em nome de Jesus”, o restante acontecerá. Durante bastante tempo tem sido este o conceito de muitas pessoas a respeito da oração. Examinemos um pouco mais de perto a questão.

Em primeiro lugar, podemos animar-nos diante do fato de que a pessoa que permanece em Cristo pedirá. O texto não diz que se permanecemos em Cristo e as Suas palavras em nós, então poderemos pedir, ou deveremos pedir, ou teremos de pedir, mas que pediremos.

Entendo ser unânime a conclusão científica de que as pessoas que estão vivas, respiram. Para as pessoas vivas, a respiração é um processo totalmente natural. Mesmo bebês novinhos em folha respiram. A oração tem sido considerada a respiração da alma, de modo que deve existir bastante oração espontânea por parte do cristão.

Existe também a deliberada reserva de tempo para a oração, e que constitui parte do “permanecer” a que se refere João 15. Um dos resultados de se permanecer em Cristo é a oração, a vida de oração espontânea que inclui conversar com Deus como com um amigo. Seria o caso de este verso implicar tanto em oração espontânea quanto deliberada?

João 15:7 diz: “Vos será feito”. Alguns de nós temos a ideia de que, de um modo ou outro, nós mesmos temos de responder às nossas orações. Aqui, porém, temos a promessa de que, se pedirmos, ser-nos-á feito. Isto imediatamente nos faz lembrar de que é Deus quem está no comando, que Ele está sob a responsabilidade, de que aquele que permanece em Cristo será conduzido pelo Espírito de Deus. Não se trata de ver o que eu estou fazendo, e sim o que Ele está realizando por intermédio de mim. Isto explica a frase: “Ser-vos-á feito”. A sugestão é de que somos simplesmente instrumentos. Sugere a ideia de total abandono, a ideia de submissão e rendição total. Afasta por completo a ideia de que fazemos a nossa parte, e Deus a Sua. Se permanecemos nEle, Ele fará tudo por nós. Você se dispõe a isto, ou a ideia o assusta? Você se dispõe a esse tipo de total abandono e submissão?

Outra coisa que devemos observar no texto é que a oferta diz respeito aos que “permanecem”. E para aqueles que mantêm a relação de permanência, será bom não esquecermos isto. O que aconteceria se a pessoa que não permanece em Cristo, resolvesse pedir o que bem entendesse? Certamente pediria algo que não está abrangido pela promessa.

Aquele que permanece em Cristo já Lhe entregou o comando, não apenas dos aspectos externos de sua vida, como também de seu íntimo. Quando Cristo vem e assume o controle, modifica o coração. Ele modifica as fontes de ação em nossa mente: os desejos, os gostos, as inclinações. É fácil ler um texto como Salmos 37:4 – “Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará aos desejos do teu coração” – e dizer: “Oh, muito bem! Obterei tudo aquilo que desejar”. Entretanto, há outra maneira de se ler o verso: “Ele te dará os desejos”, no plural. Se as Suas palavras permanecerem em nós e nós permanecermos nEle, se houvermos submetido a Ele a nossa vontade, então aquilo que nós pedirmos será o mesmo que Ele deseja.

Agora eu gostaria de examinar com você uma espécie de metodologia dual para a resposta à oração. Diz o texto: “Se permanecerdes em Mim e as Minhas palavras permanecerem em vós”. Estes se tornam os dois pés mediante os quais somos capazes de galgar o topo da montanha da oração poderosa.

A primeira condição – “se permanecerdes em Mim” – sugere que o começo já foi empreendido; é por isso que somos capazes de permanecer com Ele. Não poderíamos permanecer nEle se jamais houvéssemos antes ido a Ele. Isso também nos lembra que, no que tange ao método, o começo e o prosseguimento são a mesma coisa. De que modo a pessoa se torna inicialmente cristã? Mediante a aceitação total daquilo que Jesus fez por ela; mediante a desistência do eu e o lançar-se inteiramente aos pés de Jesus, admitindo que Ele precisa ser o seu Salvador, total e completo; mediante o fazer repousar a esperança da vida eterna em coisa alguma, a não ser em Jesus Cristo. Permanecer nEle é ficar ali, e ali continuar baseando nossa esperança de vida eterna total e solenemente sobre aquilo que Jesus fez, e não basear qualquer porção de nossa esperança naquilo que nós próprios possamos fazer.

O problema é que pode ser uma coisa aceitarmos esta premissa quando vamos a Jesus pela primeira vez, e outra bem diferente pode ser conservar a mesma premissa na continuidade da vida cristã. Lembre-se que Jesus disse: “Se vós permanecerdes na Minha palavra, sois verdadeiramente Meus discípulos” (João 8:31). Uma coisa é ser discípulo por começar com Ele; outra é prosseguir sendo discípulo de Jesus por intermédio da permanência em Sua Palavra.

Observamos também antes que Deus tem Seus métodos para purificar os ramos, podando os que estão na Videira; por vezes pode ser uma coisa permanecer nEle ao começo do processo de purificação e poda, e outra pode ser a permanência nEle ao final do processo. Eu desejaria permanecer nEle após a feroz provação, tanto quanto antes da mesma; não o desejaria também você? Assim, o permanecer nEle é um dos pés pelos quais podemos escalar a montanha da oração bem sucedida.

Observe novamente a Elias. Quando ele se encontrava no topo do Monte Carmelo e orou pedindo que fogo descesse do Céu, assim ocorreu. Tal como pediu. Quando, porém, orou pedindo chuva, isto a princípio não aconteceu. A oração de Elias, pedindo chuva, não foi respondida senão depois de haver sido apresentada várias vezes. Portanto, é possível que alguém seja purificado por meio do sucesso, e não apenas através de provas e adversidades.

O demônio sentir-se-á contente se puder levar-nos ao desânimo diante de nossos fracassos. Sentir-se-á igualmente satisfeito se puder separar-nos de Deus em virtude de nosso sucesso. Muitos de nós não somos capazes de produzir muito fruto. Logo começamos a assumir para nós mesmos a glória.

O segundo destes pés mediante o uso dos quais podemos com sucesso galgar a montanha da oração poderosa, é: “Se as Minhas palavras permanecerem em vós”. Por vezes as pessoas têm imaginado alguma diferença de pensamento entre Jesus e a Sua Palavra. A verdade é que Jesus é a Palavra. O primeiro capítulo de João é bastante claro a este respeito. Não existe separação.

A pessoa que diz: “Bem, eu creio no Senhor Jesus Cristo, e confio totalmente nEle; mas aquilo que a Sua Palavra tem a dizer no tocante a certas doutrinas e ensinamentos, é outra questão” – esta pessoa está cometendo o maior de todos os equívocos. Não existe a possibilidade de tal separação. Portanto, a pessoa que imagina estar permanecendo em Cristo, mas que não tem as Suas palavras permanecendo dentro de si, não está realmente qualificada para receber o cheque em branco da promessa: “Pedireis o que quiserdes, e vos será feito”. Existem duas condições, e não deixemos escapar isto. Existe aqui um grande SE – “Se as Minhas palavras permanecerem em vós”. Aceitar a Jesus é o mesmo que aceitar a Sua Palavra; não aceitar a Palavra, é o mesmo que não aceitar a Jesus. Naturalmente, este é um dos aspectos ligados à verdade – ela é uma progressão, um contínuo crescimento, tal como uma luz “que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. Veja Provérbios 4:18.

Desejo fazer agora a pergunta: Por que estas condições devem ser preenchidas para que a promessa do cheque em branco possa ser honrada? Por que deve essa tremenda bênção aqui prometida – “Tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo concederá” – depender da permanência nEle? Por que deve ela ser recebida tão-somente desta maneira?

Bem, em primeiro lugar, é porque o ramo, se estiver conectado à Videira, irá receber unicamente aquilo que a Videira tem a oferecer. O esforço e contínuo crescimento dos dois juntos, em conexão e mais profunda comunhão, simplesmente sugere uma unidade que prevenirá a pessoa de pedir erroneamente aquilo que seria consumido em seus próprios desejos carnais.

O que aconteceria, por exemplo, se Deus Se dirigisse ao homem de rua, que nada deseja saber de Deus, ou da fé, ou da religião, ou da Bíblia, e lhe oferecesse o seguinte cheque em branco: “Veja, cidadão, você poderá pedir o que quiser, e Eu lhe concederei isto”? Talvez o “cidadão” pediria outro drinque. Talvez pediria a permissão e a liberdade de desfrutar de seus próprios prazeres carnais. Talvez pediria riquezas ou sucesso que o afastariam para ainda mais longe, quanto ao reconhecimento de sua necessidade de Deus. Certamente não está nos planos de Deus estimular tal espécie de pensamento.

Suponhamos agora que Deus fizesse a mesma oferta ao cristão nominal, um daqueles que não valoriza muito a associação com Jesus. A pessoa que vive separada de Cristo acha-se desesperançadamente centralizada em si mesma; nasceu desta forma, e suas demandas inevitavelmente procurariam satisfazer ao eu. Estou a ponto de sugerir-lhe que o cristão professo, que não desenvolveu ligação íntima com Jesus, é uma das pessoas mais egoístas do mundo. É até possível ter lá no mundo pessoas mais graciosas e corteses e bondosas, do que o cristão nominal que vive separado de Jesus. Assim, se Deus oferecesse o cheque em branco a alguém que não mantivesse uma relação de permanência nEle, tal oportunidade representaria um enorme potencial para todos os pedidos egoístas – e o livro de Tiago mostra os problemas que isto causaria.

Outra razão por que somente podemos receber a promessa desta maneira, é que Deus deseja que O encontremos com as Suas próprias palavras. Se permanecermos nEle, e Suas palavras permanecerem em nós – o significado é que estaremos familiarizados com as Suas palavras. Sabemos o que Ele disse em relação a determinado assunto.

Alguma vez você se viu em uma armadilha preparada por suas próprias palavras? Comigo o fato já ocorreu, e muitas vezes, especialmente em relação a meus filhos. Talvez fosse o caso de haver eu esquecido aquilo que dissera quanto ao lugar aonde iríamos, ou àquilo que faríamos, ou algo desse tipo. Imediatamente meus filhos estavam ali, ao lado, dizendo: “Mas, papai, você disse…”

Nestes casos, eu sempre soube que estava liquidado! Fim de papo. Eu havia sido traído por minhas próprias palavras. Quando, de repente, elas me retornavam à mente, tornava-se-me claro que não havia nenhum ponto a partir do qual pudesse prosseguir com a discussão.
Se somos os filhos e filhas de Deus, e dEle nos aproximamos com as Suas próprias palavras, não é o caso de elas terem o mesmo efeito que citei acima? Ninguém identificou este processo como “vencendo a onipotência com a onipotência”.

Examinemos brevemente algumas das palavras de Deus. O primeiro destes registros é o de Mateus 7:7-11. Trata-se de uma passagem bastante conhecida. Não transcreveremos todo o texto, inclusive porque você o conhece. Pedi, buscai, batei. E então vem o verso 11: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos Céus dará boas coisas aos que Lhe pedirem?” Em Mateus, o texto encerra-se neste ponto.

Entretanto, na passagem paralela que encontramos em Lucas 11, temos algo mais, e é isto que desejo examinar mais de perto: “Disse-lhes ainda Jesus: Qual dentre vós, tendo um amigo e este for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, pois um meu amigo, chegando de viagem, procurou-me, e eu nada tenho que lhe oferecer. E o outro lhe responda lá de dentro, dizendo: Não me importunes; a porta já está fechada, e os meus filhos comigo também já estão deitados. Não posso levantar-me para tos dar. Digo-vos que, se não se levantar para dar-lhos, por ser seu amigo, todavia o fará por causa da importunação, e lhe dará tudo o de que tiver necessidade. Por isso vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedirem?” (Lucas 11:5-13).

Qual é o contexto? E que, se uma pessoa vem a Deus, pedindo-Lhe algo a fim de com isto ajudar a outrem, poderá estar certa de que seu pedido será ouvido e atendido, assim como o pai atende o filho. A qualificação é que Ele dará o Espírito Santo – e seríamos capazes de imaginar quanto mais isto representa do que um carro, ou uma casa nova, ou uma moto possante?

Seria então o caso de concluirmos que esta passagem está falando de pedidos que se fazem tendo em vista o serviço, no contexto daquilo que se faz em prol de outrem?

Examinemos agora João 14:12 e 13, buscando alguns vislumbres adicionais. “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em Mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores fará”. Que espécie de obras fez Jesus? Qual foi o propósito de Sua vida, Suas obras, Seus milagres e Seus ensinamentos? Foram para os outros – para que o evangelho do reino se estendesse mais e mais. Segue então o próximo versículo, com uma promessa: “E tudo quanto pedirdes em Meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificada no Filho”. Uma vez mais, qual é o contexto? É o do serviço abnegado, é do testemunho em favor do evangelho.

É verdadeiramente tripudiar sobre a honra da Palavra de Deus tomar um texto como esse, fora de seu contexto, e apoiá-lo a algo que queremos ou desejamos para nós mesmos! Mateus 21:22 oferece uma chave para compreendermos isto: “E tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis”. Na passagem paralela, encontrada em Marcos 11:20.24, é apresentada a história da figueira amaldiçoada e da montanha, e é especificada também a qualificação, de que devemos ter fé suficiente para crer, de fato, no poder de Deus.

Porventura existe alguém que tenha em seu jardim uma árvore, a qual deseja ver removida? Será que outra pessoa necessita que uma montanha seja afastada de onde se encontra? O que dizer de um arbusto venenoso? Estou envolvido com um arbusto venenoso, do qual gostaria de livrar-me. Poderia eu sair amanhã cedo e, em nome de Jesus, amaldiçoar este arbusto, ostentando no peito o texto em questão? Seria eu capaz de envolver-me em tal projeto sem duvidar? Ou deveria esta passagem ser também entendida como aplicando-se ao serviço em favor de outros, e ao avançamento da obra de Cristo?

Há outro fator a ser considerado neste verso, no que diz respeito ao não duvidar. Por vezes, em virtude de nossa limitada visão humana, pedimos coisas que não constituem a vontade de Deus. O que ocorre quando nossas solicitações são negadas? Porventura demonstramos irritação contra Deus porque Ele desapontou as nossas expectativas? Ou fazemos o que fez Jó, e, a despeito de toda tristeza e desapontamento, prosseguimos amando-O e nEle confiando? Porventura temos fé para não duvidar dEle?

Outro texto similar é encontrado em 1João 3:21-24 – “Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos, dEle recebemos, porque guardamos os Seus mandamentos, e fazemos diante dEle o que Lhe é agradável. Ora, o Seu mandamento é este, que creiamos em o nome de Seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou. E aquele que guarda os Seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele”.

Assim, baseados na Palavra de Deus, se nutrimos algum pecado conhecido ou alimentamos a transgressão em nossa vida, é melhor não esperar pelo recebimento do cheque em branco que Ele ofereceu. Isso é também sugerido em Isaías 59:1 e 2.

Voltando agora ao nosso capítulo original, lemos em João 15:16 – “Eu vos escolhi a vós outros, e vos designei”. Para o que designou Jesus os Seus discípulos? Para que fossem e espalhassem o evangelho do reino. Ordenou-os para o serviço, para a mesma espécie de obra que Ele fizera, para que saíssem e produzissem frutos. Vem então a frase seguinte: “A fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda”. Uma vez mais, o contexto óbvio é o serviço. Assim, seria correto sugerir que, ao lançarmos mão desta promessa – a de que, quando pedirmos algo em nome de Jesus, Ele o fará – nós o fizéssemos no contexto em que a promessa foi apresentada.

Todo o contexto de João 15 tem a ver com a permanência em Deus e a produção de frutos para a Sua glória.

Jesus tornou possível que nEle habitemos, e que Ele habite em nós, de tal modo que a Sua vontade e a nossa se fundam numa só vontade. Tornou Ele possível que os Seus desejos e os nossos sejam os mesmos. Pois bem, deixe-me fazer-lhe esta pergunta: Se o meu coração estiver unido ao coração dEle, se a minha vontade estiver submersa na Sua, se a minha mente torna-se uma com a Sua mente, será seguro que Ele responda a tudo aquilo que eu pedir em nome de Jesus? Em certo sentido, é como se Jesus me estivesse dizendo: “Se você desejar exatamente aquilo que Eu desejo, poderá pedir o que quiser, e Eu o farei!”

As palavras de João 15 são dirigirias a cristãos amadurecidos. Entretanto, você poderá perguntar: Quem faz a qualificação? Desejaria eu lembrar-lhe a boa nova de que, quando os ramos permanecem na videira, estes ramos tornam-se para o Agricultor tão valiosos quanto a própria videira. Jesus disse: “Eu Sou a Videira, vós os ramos”. Deus nos ama tanto quanto ama a Jesus. Ao prosseguirmos permanecendo nEle, sabemos que o cheque em branco está à nossa disposição; mas somente enquanto permanecermos! Examinaremos este enquanto, mais demoradamente, no próximo capítulo. O certo é que a promessa pode ser cumprida enquanto permanecermos na videira. Não existe a intenção de que ela só funcione em algum ponto futuro, próximo ao final de nossa vida.

Com base nisso, posso predizer que haverá ocasiões em que, à semelhança de Elias, você verá o fogo descer do Céu; tempos haverá também em que, mais uma vez à semelhança de Elias, você sentirá que suas orações não estão sendo atendidas. Elias não teve que esperar até os momentos que antecederam a trasladação, para então receber o cheque em branco. Ao contrário, teve-o enquanto confiou, e deixou de tê-lo ao deixar de confiar. O mesmo é aplicável a você e a mim.

A propósito, lembre-se de que Jesus o ama, e de que Deus ama a você tanto quanto ama a Videira. Ele prosseguirá podando e purificando você tendo em vista o Seu propósito e a Sua glória.

Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – Pedireis o que quiseres, capítulo 13, páginas 77-90. Próximo capítulo – clique aqui.

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