Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – O fruto é um dom, capítulo 12 (João 15)

O  FRUTO  É  UM  DOM
Tenho-vos dito estas coisas para que o Meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” (João 15:11).

Suponha que eu lhe oferecesse 10 milhões de dólares. Você aceitaria com a maior boa vontade, alegre e instantaneamente? Ou sentir-se-ia perturbado com a oferta? Provavelmente sua primeira reação seria: “Qual é a armadilha?” Posso ainda lembrar da oportunidade em que um pregador ofereceu um dólar a um grupo de alunos colegiais. Disse ele: “Tenho aqui um dólar, que desejo dar a alguém”. A maioria dos garotos reagiu: “Há, há”. E permaneceram sentados.

Meu irmão, porém, ergueu-se rapidamente, caminhou até o púlpito e apanhou o dólar. Fiquei transtornado por aquela “encenação”, pois ele era meu irmão. Mais tarde descobri que ele já ouvira falar da “manobra” praticada por aquele pregador, de modo que prontamente acreditou nele. Ocorre que ninguém se moveu, exceto aquele que já ouvira falar.

Agora, multiplique aquele um dólar por dez milhões, e perceberá a real dificuldade em tentar aceitar semelhante dom. Estamos acostumados a querer merecer aquilo que recebemos. Recebo um cheque mensal como pagamento por parte da instituição para a qual trabalho. Jamais me dirigi ao escritório a fim de agradecer pelo cheque! Certamente merecemos os cheques que recebemos de nossos empregadores. Verdadeira gratidão e reconhecimento ocorrem quando recebemos algo quando nada fizemos por merecê-lo. É somente então que realmente agradecemos – isto é, quando conseguimos aceitar o presente!

Talvez isto constitua parte daquilo que o salmista quis dizer com sacrifícios de ações de graça. Veja Salmos 107:22. Agradecer equivale a admitir que você não merecia o dom ou presente, e isto pode representar um verdadeiro sacrifício para o coração orgulhoso.

Em João 15:11 Jesus fala do gozo que advém de permanecermos na videira e de encontrarmos o genuíno fruto manifesto na vida. Perceba de quem é este gozo: “Tenho-vos dito estas coisas para que o Meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo” (Ênfase suprida). Os discípulos deveriam ser enchidos de gozo e de ações de graça – mas mesmo este gozo provinha da Videira, e não deles próprios. Tudo constitui um dom, recebido por intermédio da ligação com a Videira.

Quando nos orgulhamos diante de um dom, geralmente é porque sentimos que, de alguma forma, nós o merecemos. Dizemos: “Fulano e Beltrano apreciaram minha ajuda, de modo que me deram este lindo presente. Não é mesmo bonito?” Desta forma honramos o presente – e a nós próprios. Quantas vezes, porém, você ouviu alguém dizer mais ou menos o seguinte: “Fulano e Beltrano deram-me este presente porque são muito amáveis e generosos. Não fiz absolutamente nada por eles, mas agora me presentearam desta forma, a despeito do fato de eu os haver ferido e lhes causado pesar vez após outra. Certamente me deram o presente porque estão cheios de amor, a ponto de me amarem também. Não são eles maravilhosos?” Existe alguma diferença entre as duas expressões? Cuidado, não seja o caso de você imiscuir-se com os próprios presentes que aceitou como sendo imerecidos!

A ação de graças genuína deve ser voluntária. Deve ela ser motivada pelo amor, e não pelo dever. E a genuína ação de graças aceita não apenas o presente ou dom, como também o doador, uma vez que não é possível separar dom e doador. Pessoas existem que desejam aceitar o dom da salvação e todos os benefícios que dai advêm, mas sem aceitar o Doador. Isto é simplesmente impossível.

Lembra-se de Caim e Abel? Ambos haviam recebido as mesmas instruções. Mas Caim ofereceu frutos em lugar do sacrifício de gratidão. Apresentou aquilo que se entrelaçava com seus próprios labores, de modo que o sacrifício se tornou inaceitável. Ele não se sentia realmente agradecido pelo que Deus fizera por ele; desejava ter parte do crédito. Não aceitou a mensagem de João 15, a mensagem apresentada pela parábola da vinha, a de que nada poderia fazer sem Deus, mas de que, através de ligação com o Doador, receberia gratuitamente os frutos resultantes.

Abel seguiu as instruções apresentadas por Deus, no sentido de trazer um sacrifício. Este era um símbolo de que ele próprio nada poderia fazer. O Cordeiro representava Aquele que teria de vir para realizar tudo.

Tentar forçar a frutificação na vida cristã, equivale a destruir o fruto. Se virmos a Cristo na cruz e dissermos: “Ele morreu por mim; tenho de pagar-Lhe por isso, esforçando-me por produzir frutos”, estaremos com isso revelando que de modo algum aceitamos o Seu dom. É impossível pagar pelo “dom inefável”. Veja 2Coríntios 9:15. Quando O contemplamos na cruz e Lhe respondemos em amor, em virtude de Sua bondade e misericórdia para conosco, não seremos orgulhosos e aceitaremos também o fruto de Sua glória, que Ele deseja conceder-nos – e, por nosso intermédio, ao mundo.

O problema é que existem muitas pessoas que não desejam aceitar um dom pelo qual são incapazes de, em alguma medida, retribuir. Como resultado, seguem o seguinte modelo: Dizem: “Se não sou capaz de retribuir-lhe pelo que você me dá, não desejo receber coisa alguma”.

Alguma vez você percebeu isto ocorrendo em sua própria vida? Quando desejamos genuinamente dar algo, e a pessoa insiste em retribuir-nos por isto, deixamos de ter a alegria de dar. Alguma vez isto ocorreu com você?

Milhares de pessoas estão cometendo este erro em termos de salvação. Recusam-se a aceitar o dom de Cristo, a menos que possam fazer algo para Ele, como retribuição. A verdade é que tudo aquilo que possamos tentar produzir, nessa tentativa e retribuir-Lhe, é inaceitável.

Quando compreendemos a enormidade de Seu dom e a profundeza de Seu amor e nos unimos a Ele diariamente por meio da fé, os frutos desta experiência serão vistos em nossa vida. Seu amor será manifesto em nós, Seu gozo encherá nosso coração, Sua paz será mantida em nossos coração e mente. Oferecer-Lhe-emos verdadeira gratidão, em virtude de Seu inefável dom.

Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – O fruto é um dom, capítulo 12, páginas 72-76. Próximo capítulo – clique aqui.

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