Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – Nada podeis fazer, capítulo 9 (João 15)

NADA  PODEIS  FAZER
Eu Sou a Videira, vós os ramos. Quem permanece em Mim, e Eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer” (João 15:5).

Algumas pessoas temem a religião do tipo “nada-faça”. Este verso de João 15 quase chega a propor tal tipo de atitude. “Sem Mim nada podeis fazer”. O verso começa com uma destas declarações de Jesus que se baseiam no “Eu sou”. É interessante acompanhar declarações desse tipo ao longo dos Evangelhos. Elas indicam que Jesus era mais que meramente homem. Se qualquer outra pessoa afirmasse: “Sem Mim nada podeis fazer”, isso representaria o cúmulo da arrogância. O fato de ser Ele capaz de proferir tal afirmação, indica que Jesus era mais que um simples homem. Bem sabemos, caso tenhamos estudado as Suas palavras, que, embora Jesus vivesse como homem, falava como Deus. A presente ocasião é uma daquelas em que tal posicionamento acontece.

Estas palavras foram proferidas diretamente pelos lábios de Jesus – o tipo de declaração que aparece em letras vermelhas nas edições que costumam apresentar nesta cor as expressões diretas de Cristo. Observe os termos: “Eu Sou a Videira, vós os ramos”. Eu Sou a Videira. Vós não sois a videira. Vós sois os ramos. E “sem Mim nada podeis fazer”.

Conservemos em mente que Jesus dirigiu estas palavras a Seus discípulos, aos doze (menos um), uma vez que momentos antes haviam deixado o cenáculo superior, dirigindo-se ao Getsêmani. Ele fala aqui do tipo de fruto que é produzido pela vida cristã em crescimento. Não está Ele falando a respeito do fruto que é produzido por uma pessoa capaz de ganhar muito dinheiro por seu próprio talento. Não Se refere Ele à pessoa que é capaz de projetar seu nome nas manchetes ou de distinguir-se sob as luzes da ribalta, enquanto é Deus quem conserva em pulsação o coração desta pessoa. Jesus não fala aqui a céticos, descrentes e ateus. Seu objetivo primário é alcançar a igreja, os discípulos, os seguidores de Jesus. Isso tem um profundo significado quanto àquilo que consideramos em termos de frutos. Conforme salientamos antes, aqui a referência se faz ao fruto da justiça.

Com tais pensamentos em mente, observemos vários pontos de relevante importância, relacionados com este verso. Em primeiro lugar, ao Jesus dizer: “Sem Mim nada podeis fazer”, embora a declaração apareça em termos negativos, é ela também positiva em seu intento. Quer dizer que com Ele podemos realizar tudo. Veja Filipenses 4:13. Portanto, existe esperança de se fazer algo.

Maravilhosa como é a salvação, e segura como é a nossa certeza de vida eterna, assim também existe a esperança, para aqueles que a Ele se submetem, de que Jesus cumpra o Seu propósito de viver a Sua vida em tais pessoas, levando-as a produzir muito fruto. Existe esperança de colheita, de produção, de resultados aqui e agora na vinha do Senhor. É o próprio Deus que está interessado em frutos. E Deus mesmo quem está ansioso por ver colheita, por contemplar resultados. E, embora a nossa salvação coisa alguma tenha a ver com os nossos feitos, em virtude de tão grande salvação desejaremos produzir – em gratidão Àquele que nos salvou.

Há não muito tempo, um vizinho e eu discutíamos a respeito da obra de Cristo, já completada, e de como a nossa salvação e nosso destino eterno se completaram na cruz. O vizinho perguntou: “Qual é, então, o propósito da santificação? Qual o propósito que se deve alcançar mediante o exercício da vida cristã?”

Porventura os frutos têm um propósito? Muitas vezes as pessoas, ao ouvirem as palavras de Jesus, de que “sem Mim nada podeis fazer”, compreendem-nas mal e concluem que nada precisa ser feito. Errado. O fruto é de importância vital. Examinemos em breves termos quatro grandes razões pelas quais o fruto é importante.

1. Os Frutos Revelam o Agricultor a Outros. Mateus 5:16 diz: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus”. Quando produzimos fruto, demonstramos o poder e amor de Deus a outros, de modo que eles são aproximados dEle. A produção de frutos é um dos métodos, divinamente escolhidos, para atrair outros à vinha, à Videira verdadeira.

Deseja você que outros compartilhem da ligação que você mantém com a Videira? Se for este o caso, você terá interesse em produzir frutos, como testemunho aos demais. Os frutos atraem outros à Videira.

2. Os Frutos Trazem Glória ao Agricultor e à Videira. Em Salmos 23:3 lemos: “Guia-me pelas veredas da justiça por amor do Seu nome”. O resultado de nossas boas obras, nossa justiça, nossos frutos, os quais produzimos em nossa vida, é a glorificação de Deus. E não seria o intuito de glorificar a Deus uma razão válida para que desejássemos produzir fruto?

3. Os Frutos Advêm Naturalmente Como Resultado da Ligação com a Videira. Disse Jesus que a boa árvore produz bons frutos. Veja Mateus 7:17. Tiago afirma que uma fonte pura produzirá água doce, e não amarga. Veja Tiago 3:11. Ellen White, escrevendo em O Desejado de Todas as Nações, pág. 668, assegura-nos que, ao conhecermos a Deus na medida em que é privilégio nosso conhecê-Lo, o pecado se nos tornará odioso.

Para o coração renovado, o fruto possui valor por si mesmo, porque combina com os gostos, apetites, inclinações e desejos – agora convertidos. O fruto é atraente. É belo. É desejável. Como resultado de nossa ligação com a Videira, não apenas produziremos fruto, como ainda descobriremos que a sua produção é o que mais almejamos. Tal fruto é importante porque se adapta muito bem aos nossos valores, na qualidade de ramos que estão ligados á genuína Videira.

4. Somos Salvos a Fim de Produzir Frutos. Por vezes nos preocupamos tanto com a salvação, que chegamos a esquecer do que estamos sendo salvos. Assemelhamo-nos a cavalos que são salvos de um estábulo em chamas, tão-somente para correr de volta a este no instante em que ficamos soltos. Somos parecidos com prisioneiros que são libertados da penitenciária e que retornam às suas celas. Procedemos como homens que estão a ponto de se afogar, são puxados para a praia e então retornam, uma vez mais, às escuras profundezas.

Jamais esqueça que a salvação significa que você foi salvo de alguma coisa. Isto soa tão elementar, que quase parece um insulto dizê-lo. Entretanto, não somos salvos do pecado tão-somente para prosseguirmos pecando. Somos salvos a fim de produzir fruto, cumprindo deste modo o propósito tanto de nossa criação quanto de nossa redenção.

Temos assim em João 15, com base nos ensinamentos do próprio Jesus, a repetida esperança de colheita, o alvo da produção de frutos por parte da vide – a glória de Deus e a felicidade da raça humana.

Nestes versos é-nos relembrado que é possível vivermos sem Ele. De outra forma, por que haveria Jesus tido o trabalho de lembrar aos discípulos que, sem Ele, nada poderiam fazer? O que significa estar sem Ele? Bem, o texto não fala de estar sem Ele em termos de vida e saúde e vigor. Fala, antes, acerca da íntima união e comunhão dos ramos com a videira. Em outras palavras, é possível viver meramente como membro da igreja, ser um seguidor de Cristo a certa distância, estar na vide – por assim dizer – sem desfrutar de união e comunhão com o Salvador. Jesus está advertindo contra isto ao dizer: Por bondade, permaneçam em Mim. Fiquem comigo. Mantenham o relacionamento e o companheirismo comigo.

Uma das coisas que torna tão fácil viver sem Ele, é o nosso conceito quanto ao que significa o fruto. Muitas vezes enganamos a nós mesmos ao imaginarmos que estamos produzindo frutos, quando em verdade não o estamos. Examinemos, pois, o que é o fruto. Vejamos a lista de frutos apresentada em Gálatas 5:22 e 23 – “Mas o fruto o Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”. Observe que todas as qualidades aqui relacionadas são qualidades interiores, atitudes íntimas. Não se está falando tanto de comportamento, feitos e ações. Fala-se aqui das graças interiores do coração.

O fruto não é primariamente algo externo. Nos versículos anteriores de Gálatas 5 são descritas as obras da carne, e ali o inverso é verdade – a maioria delas refere-se a transgressões externas, embora existam também uma ou duas, na lista, que se referem a qualidades internas da vida, tais como ira e inveja.

Os frutos do Espírito não se limitam ao desempenho exterior, e sim aos motivos e sentimentos e atitudes do íntimo. Se não tivermos isto bem claro em nossa mente, poderemos enganar-nos a nós próprios, pensando que estamos produzindo frutos ao estarmos praticando boas obras. Se a pessoa forte é capaz de produzir bons feitos exteriormente, engana-se a si mesma ao imaginar que está permanecendo na videira, quando em verdade isto poderá não estar, de modo algum, acontecendo.

Ao você falar nos frutos da justiça, está falando a respeito dos frutos de Jesus, já que a mais ampla definição singular de justiça é Jesus. Nós não temos justiça, de tal modo que, sempre que você se referir à justiça, deverá ter em mente a Jesus, o único que, neste mundo, não teve a vida manchada pelo pecado.

Não é de admirar, pois, que na parábola Jesus vincule tão intimamente os ramos com a videira, a ponto de dizer: “Sem Mim nada podeis fazer”. Os frutos jamais são produzidos pela pessoa. Nunca são produzidos ao se trabalhar na produção de frutos. São eles os frutos do Espírito, e aparecem espontaneamente como resultado de estar a pessoa ligada à Videira.

O amor é fruto do Espírito, e nunca o fruto da pessoa. A única forma de se obter amor é do próprio Senhor Jesus. Paz é fruto do Espírito. Você jamais verá a paz como resultado de conferências de cúpula ou conversações de paz. Não a verdadeira e permanente paz. Uma coisa é Israel e Egito pararem de guerrear-se um ao outro por já estarem esgotados e não mais lhes restarem recursos de combate – e porque nem um, nem outro, suportariam mais uma guerra. Coisa muito diferente é dizer que, de fato, eles se amam mutuamente.

A alegria tem de ser espontânea – não é algo que você possa esforçar-se arduamente por desfrutar. É apenas Jesus que pode produzir qualquer um destes frutos do Espírito – amor, alegria, paz, longanimidade, e todos os demais. Não representa realmente uma boa nova saber que é privilégio do cristão que vive em íntima relação com a Videira verdadeira, possuir natural e espontaneamente os frutos do Espírito? Sim, estas são boas novas ainda hoje, em pleno século vinte.

O terceiro ponto a ser destacado a partir deste texto escriturístico, é que se não permanecemos em Cristo, ainda que sejamos discípulos, ou mesmo profetas – tal qual Balaão – findaremos no mais absoluto fracasso. Resultado zero.

Talvez sejamos escusados se falarmos agora um pouquinho a respeito da igreja. Quando falo de igreja, não estou pensando primariamente na liderança eclesiástica. É o indivíduo que constitui o corpo de Cristo. Você é a igreja. Eu sou a igreja. É possível que ainda hoje, conforme Jesus indicou que seria possível no tocante à igreja primitiva, que a igreja venha a fracassar por completo. A igreja poderá ser capaz de apresentar determinados acréscimos estatísticos, impressionante arquitetura, ou debates intelectuais. Existe, porém, algumas grandes catedrais do mundo que estão vazias, e a menos que Jesus Se constitua no foco central da igreja, findaremos no mais absoluto fracasso. Esta é uma das razões por que ainda estamos aqui.

O que é o cristianismo sem Jesus? Coisa alguma, senão um clube ou alguma espécie de fraternidade. Podemos até mesmo crer que a vida de Jesus é bela e que Seu exemplo e Sua ética situam-se acima de qualquer reproche. Mas o que dizer quanto a ser Jesus o foco central? O que dizer de termos a Jesus como Supremo, a tal ponto de, aonde quer que alguém se deslocasse entre as pessoas cristãs, verificasse apenas a Jesus, Jesus e Jesus?

Cristianismo sem Jesus é semelhante a pão sem farinha. Atualmente as pessoas estão produzindo pão sem uma porção de coisas – sem açúcar, sem óleo, ou sem sal. Mas é um tanto difícil produzir pão sem farinha! No que diz respeito à fé cristã, se Jesus não for erguido acima de tudo o mais, teremos errado completamente o alvo. Ocorre que demasiadas vezes nós o havemos errado, demasiadas vezes O havemos esquecido, e a única alternativa restante é finalizar no mais redundante fracasso.

Podem os cristãos reunir-se para assembleias, retiros e convenções. Havemos aprendido como proferir as palavras adequadas. Mas o fracasso completo torna-se óbvio diante de nossos feitos. “Sem Mim nada podeis fazer”. Sem Ele, sem união e comunhão com Ele, poderemos falar um bocado, poderemos planejar bastante, poderemos discutir muito, mas ao chegar o momento de fazer algo em termos de produção de frutos – nada!

Isso nos traz ao quarto ponto principal: temos de chegar ao estágio em que reconheçamos que sem Ele nada podemos fazer, submetendo, nos então à videira. É por isto que a cruz se torna um foco bastante comum. Quando paramos de fazer certas coisas, muitas vezes falamos em termos de submissão e entrega. Mas a entrega tem muito mais a ver com a desistência de nós mesmos do que com a desistência de se praticar certas coisas.

Romanos 9 apresenta um trágico quadro do povo de Deus. O verso 31 afirma que Israel estava tentando produzir algum fruto, e não o conseguiu. No verso 30, porém, você lê acerca de um grupo de pessoas que nada estava tentando produzir, e no entanto demonstrou frutos. Como pode isto ser explicado? Porque um dos grupos não tentou produzir frutos pela fé, ou por sua conexão com a videira, e sim através de seus próprios esforços. Romanos 10:3 diz que eles, ignorando o modo pelo qual Deus produz frutos e insistindo em produzir seus próprios frutos, não submeteram a si mesmos ao fruto que provém de Deus, ou da Videira. Para todo aquele que entra em contato com a vinha, Cristo deve ser o fim de qualquer tentativa em se produzir uvas à parte a videira. (Esta é a Versão Revista e Parafraseada de Venden!)

Cristo é o fim da tentativa de produzir fruto separado da videira. Ao vermos a nossa condição, perceberemos nosso total fracasso em produzir fruto separados dEle. Mesmo se formos capazes de levar a efeito um bom programa de atividades na igreja, mesmo quando somos capazes de conservar as atenções dos pequeninos nas reuniões da igreja, mesmo quando alcançamos êxito financeiro e trabalhamos para o bem-estar da comunidade, se o fizermos separados do relacionamento pessoal com Jesus, será um completo fracasso, não importa o que apresentem os relatórios.

A igreja, como um todo, e nós, enquanto membros individuais, temos de chegar ao ponto de admitir nosso fracasso e de desistir de qualquer tentativa em produzir nosso próprio fruto. Temos de dobrar os joelhos, como o fez Paulo, admitindo que todo o bem que formos capazes de executar, nada representa. Até que isso ocorra, não seremos capazes de descobrir o que significa estar verdadeiramente ligados à Videira.

Ao Paulo afirmar em Romanos 7:18: “Pois o querer o bem, está em mim; não, porém, o efetuá-lo”, não se referia ele a obras exteriores. Evidentemente, estas não lhe faltavam. Em Filipenses 3, apresenta ele uma boa lista de sucessos exteriores. Paulo obtivera, entretanto, um lampejo do fruto real, o fruto interior. Em resultado, pôs-se sobre os joelhos e disse: “Admito meu total fracasso separado de Jesus. Não sou capaz de produzir – não posso desempenhar-me bem”. Assim, pois, podemos estar ali, ao lado do apóstolo, rendendo-nos a Jesus na vinha, admitindo nossa necessidade, clamando pela graça que provém do alto.

Aqui existe uma visão final bastante encorajadora. Se, sem Cristo, os Seus seguidores nada podem fazer, então sem Cristo os Seus oponentes podem fazer ainda menos que nada! Sem Cristo, aqueles que se colocam contra a fé cristã, os que se opõem à igreja remanescente de Deus, são capazes de executar menos que nada. Esta é também uma boa nova.

Há alguns anos um desvairado ergueu-se na igreja. Falando muito, dirigiu-se ao corredor. Gritou em voz alta, dirigindo-se ao pregador. Espumava pela boca e dizia que faria a igreja em pedaços. Enquanto falava, dirigiu-se a um dos pilares, com o intuito de derrubar a igreja – tal como Sansão fizera na antiguidade.

As pessoas entraram em pânico, até que um dos presentes falou com a mais natural calma: “Deixem-no tentar. Deixem-no tentar”.

Repentinamente todos voltaram a sentar. A causa de Deus avança a despeito daquilo que o homem faça no sentido de evitar o seu progresso. A causa de Deus está avançando, e não lhe pareceria uma ideia positiva avançar junto com ela? Sem Ele nada podemos fazer, mas com Ele, todas as coisas são possíveis.

Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – Nada podeis fazer, capítulo 9, páginas 39-50. Próximo capítulo – clique aqui.

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