Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – Fruto genuíno, capítulo 11 (João 15)

FRUTO  GENUÍNO
Nisto é glorificado Meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis Meus discípulos… Não fostes vós que Me escolhestes a Mim; pelo contrário, Eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça” (João 15:8 e 10).

Uma das palavras-chaves em João 15 é fruto. O Senhor Jesus, em Seu grande plano da redenção, anseia por frutos. Deseja muito fruto. Conforme vimos, se não existirem frutos, os ramos são cortados e queimados. O evangelho abrange mais que o perdão de pecados. Inclui a remoção do pecado e sua substituição pelas graças do Espírito.

Talvez possamos aproximar-nos mais da definição de fruto se o considerarmos em ternos de resultado. Quando plantamos um pomar, desejamos resultados. Se plantamos uma vide, desejamos resultados. Frutos, em seu sentido mais amplo, podem ser entendidos simplesmente como resultados.

Por vezes as pessoas perguntam por que – se uma das maiores características do fruto é sua espontaneidade, e se o fruto aparece muito mais como resultado do que como causa – por que, então, dar ênfase ao fruto? Por que Jesus teve tanto a dizer acerca dos frutos? É outra forma de estabelecer a pergunta: Se as boas obras advêm como resultado da fé, por que falar tanto acerca de boas obras? Por que não falar apenas da fé? Se o fruto representa o resultado de uma videira sadia, por que perder tempo falando do fruto? Gastemos todo o nosso tempo com a videira.

Ocorre que Jesus gastou bastante tempo falando de frutos; e Ele o fez em mais de uma ocasião. Mateus 7 representa disto um exemplo clássico. Aqui Jesus conclui Sua analogia ao dizer que as pessoas devem ser conhecidas por seus frutos – “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20).

Vimos anteriormente que os frutos do Espírito são qualidades interiores, mas para que as pessoas possam ser conhecidas por seus frutos, devem eles apresentar-se também em manifestações exteriores. Posso ter em meu íntimo toda espécie de amor, mas a menos que ele se manifeste exteriormente, ninguém me conhecerá através de meus frutos. Posso ter interiormente todo tipo de alegria, mas as pessoas poderão duvidar disso se virem minha carranca exterior! Ninguém saberá da alegria interior se não houver alguma manifestação da mesma exteriormente, talvez por intermédio de um sorriso ou pelo cântico de algum estribilho, ou por alguma expressão de louvor. De fato, o genuíno amor, a alegria e outras qualidades do verdadeiro cristão não poderão deixar de ser manifestadas exteriormente, se de fato operam no interior.

Se acompanharmos a analogia de Jesus quanto à videira e os ramos, verificaremos ser óbvio que os frutos são externos aos ramos. Entretanto, não podem ser produzidos exteriormente, a menos que antes o sejam no interior. Logo, ao falarmos de frutos, estamos falando de ambos os aspectos, o interno e o externo. Falamos a respeito do fruto interior do Espírito – amor, alegria, paz, longanimidade, e assim por diante; e estamos ao mesmo tempo falando e suas manifestações no lado exterior.

Uma das razões pelas quais Jesus enfatizou os frutos genuínos foi porque – conforme bem o sabemos – é possível produzir a forma exterior sem que a ela corresponda uma realidade interior. Atores de televisão e produtores de cinema sabem muito bem que é possível produzir um sorriso por chamado do texto, tendo anotado à margem do local indicado: “sorria aqui”. Algumas pessoas são capazes de produzir uma aparência praticamente genuína de sorriso ou apresentar lágrimas reais simplesmente ao “ligar” algum dispositivo interior. É possível, pois, possuir “obras” sem fé.

Para pessoas com imensa força de vontade, é possível abster-se de produzir maus frutos, e tais pessoas, ao assim procederem, poderão pensar que estão seguras. Esquecem-se de que Jesus amaldiçoou a figueira, não porque esta produzisse frutos maus, e sim por não produzir qualquer fruto. A questão que envolve a videira, os ramos e os frutos não é se a qualidade destes últimos é má. A verdadeira questão é se os genuínos frutos do Espírito estão presentes, com suas manifestações tanto internas quanto externas.

Assim, ao pensarmos no fruto do Espírito, conforme apresentado em Gálatas 5 – “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” – tenhamos sempre em mente que, em termos últimos, tais frutos devem sempre ser expressos exteriormente. Tiago salienta que não é suficiente, para o cristão, desejar boa sorte a alguém que esteja em necessidade. Deve antes vestir e alimentar esta pessoa, e assim demonstrará verdadeiro amor. A alegria será manifesta em louvor e cântico. A genuína paz interior habilitou Daniel a permanecer calmo quando na cova dos leões. Paz será manifesta por pessoas capazes de dormir à noite, sem ficarem a dar voltas na cama, sem necessidade de uso de tranquilizantes, e tudo o mais. Os frutos interiores apresentarão resultados exteriores.

Outra razão para se examinar os frutos e estudá-los, é não esquecer a grande lição de Jesus na parábola, a de que o fruto ocorre natural e espontaneamente. Uma vez mais desejaria eu lembrar que, se tomamos a decisão de permanecer em Jesus, se decidimos em favor da genuína relação com Ele, o fruto forçosamente advirá. Se eu não desejar qualquer fruto genuíno em minha vida, tenho de regredir em minha decisão, quanto a se desejo ou não permanecer em Cristo. Se eu de fato optei por prosseguir com o relacionamento de permanência nEle, ao mesmo tempo estou decidindo que irei produzir fruto. Não decido que terei um relacionamento de permanência com Jesus e então, adicionalmente, decido se vou ou não produzir fruto. Já tomei a decisão de produzir frutos no momento em que decidi que haveria de permanecer nEle. O fruto necessariamente aparecerá.

Examinemos agora a ideia reversa. A única forma que tenho de decidir em favor da não produção de frutos, é ao decidir que não desejo manter relacionamento com Jesus. A única maneira de não ter qualquer uva na vinha, é decidindo que não terei qualquer videira ou ramos em meu pomar. Se tenho uma vinha e decido que plantarei videiras, as quais terão ramos, tomei simultaneamente a decisão de que existirão uvas. Não escolho as uvas separadamente; elas constituem parte do conjunto.

Os frutos são tão naturais quanto as flores que irrompem na primavera. Desejaria eu muito que todos pudessem desfrutar da alegria que este vislumbre produz na vida cristã. Por que isto causa excitamento? Porque muitos de nós temos gasto tempo e esforços, vez após outra, tentando produzir fruto. Trata-se de um mau uso de tempo e esforços. O esforço está sendo aplicado onde não deveria – portanto, nenhum bom resultado dele advirá. Este ponto se torna, pois, a ruptura de uma das maiores barreiras na compreensão da salvação pela fé. Leva também a pessoa ao testemunho espontâneo, pois já não lhe é possível calar-se ao descobrir algo que funciona, em lugar de algo que não funcionava.

Se você estiver permanecendo em Cristo, num relacionamento genuíno, pessoal, diário e de fé, os frutos já estarão crescendo. Quer seja interior ou exteriormente, os frutos já estarão crescendo.

É neste ponto que algumas pessoas se tornam bastante nervosas, pois não se sentem como se houvessem produzido bastante fruto. Bem, eu também não tenho visto muitos frutos em algumas de minhas plantas, em casa. Gosto muito de lilases. Costumávamos ir à casa de vovó, com suas lamparinas a querosene, a despensa no estilo antigo, a cobertura de oleado sobre a mesa, o fogão a lenha e os arbustos de lilases do lado de fora, pesadamente carregados de flores a cada primavera. Sua aparência era boa; agradável o seu perfume. E aquelas coisas que causam alegria e deleite na infância, dificilmente são esquecidas. Portanto, plantei um arbusto de lilases em nossa casa, no ano passado. Ainda não consegui ver nenhum lilás. Ramos e folhas de lilases estão presentes, mas, por ora, nenhuma flor.

Contudo, se esta pequena planta permanecer no solo, à medida que suas raízes e gavinhas mais e mais com aquele se fundem, podemos estar certos de que os lilases estão a caminho, embora ainda não possamos vê-los. Em alguma parte, escondidos dentro daqueles galhos e folhas, eles estão presentes. A qualquer dia destes sentir-me-ei grandemente alegre ao ver os lilases. Enquanto isso, minha esperança se renova, pois posso ver as folhas.

Esta sequência é muito importante, tanto no mundo natural quanto no sentido espiritual: os frutos externos sempre vêm após os frutos internos. Jamais deverá ocorrer o contrário, sempre que estiver presente o genuíno crescimento. Jesus assim o descreveu: “Primeiro a erva, depois a espiga, e, por fim, o grão cheio na espiga” (Marcos 4:28, ênfase suprida). Muitas vezes desejamos começar com o exterior, ocultando os defeitos íntimos, e depois finalizar a obra ao trabalhar no interior. Mas isto é impossível. O fruto jamais será a causa; será sempre e sempre o resultado.

A única genuína obediência, onde ela existir, advém como resultado da ligação de permanência com a Videira. As plantas e flores não crescem por seu próprio cuidado ou ansiedade ou esforço. Em nenhuma medida mais ampla, também, podemos nós assegurar-nos crescimento espiritual por tais meios. As plantas e flores crescem mediante a aceitação dos dons do sol, da água e da nutrição que lhes são providos pelas imediações. O mesmo ocorre em relação ao crescimento da vida cristã. Permanecendo nEle, recebemos os dons que Ele nos designou, e estes causam crescimento e frutificação.

O Salvador não pede aos discípulos que labutem por produzir fruto; Ele lhes pede que permaneçam nEle. Veja O Desejado de Todas as Nações, pág. 677. O fruto que ocorre é o resultado de um amorável relacionamento, e é natural e espontâneo. Esta característica é uma das maiores provas de que o fruto é genuíno.

Os Frutos da Justificação Pela Fé, de Morris Venden – Fruto genuíno, capítulo 11, páginas 65-71. Próximo capítulo – clique aqui.

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