Explicação de Textos Difíceis da Bíblia: Jesus – Filho de Deus e Filho do Homem

Jesus – Filho de Deus e Filho do Homem

A Bíblia pode ser lida com várias finalidades. Alguns a leem com o objetivo de descobrir contradições, para assim refutar suas verdades. Outros a leem como sendo a Palavra de Deus, a revelação da vontade divina, aceitando que se Seu autor é infinitamente sábio e imutável, e tudo o que ela nos revela está certo e visa a nossa salvação.

Deus, em Seu infinito amor à humanidade, ensinou as mesmas verdades de maneiras diferentes, para que nós, limitados, pudéssemos entendê-las adequadamente.

Vários vocábulos bíblicos que identificam a Jesus nos Seus diversos aspectos como um Ser divino e em Sua relação para com o homem, têm sido usados por pessoas não orientadas pelo Espírito Santo, como prova de que Ele é dependente de Deus, subordinado a Ele, como se fosse possível separar estes dois seres como distintos e tendo objetivos diferentes.

Quando a Bíblia chama a Jesus “o primogênito da criação de Deus” e “o princípio da criação de Deus“, querem considerá-Lo como o primeiro ser criado por Deus. Quando a Bíblia O chama “o Unigênito Filho de Deus“, veem nestas palavras defesa para a sua ideia de que Cristo é o único gerado para ser Seu Filho.

Outros vocábulos empregados na Bíblia têm sido usados com a finalidade de apoucar a pessoa de Cristo colocando-O abaixo de Deus.

A palavra ‘Filho’, estudada nesta pesquisa, é também uma das muitas que são mal interpretadas. Se Jesus era Filho de Deus, então não há dúvida que Ele é inferior ao Pai, Ele procede do Pai, portanto não é igual a Deus.

Para a boa compreensão do assunto que estamos estudando é necessário primeiro analisar o verdadeiro sentido da palavra “filho” na Bíblia.

No Velho Testamento a palavra ‘filho’ é o mais comum termo de relação; ali ela aparece cerca de 4.850 vezes. A palavra hebraica para ‘filho’ é também usada como um termo de associação, como para jovens, estudantes ou ouvintes, para quem aquele que fala permanece como pai, ou expressa o fato de que aquele que fala para um subordinado o considera como filho.

Em geral entre os hebreus, o termo “filho” indicava semelhança a seu pai ou o direito de participação naquilo de que alguém é considerado filho.

Mateus 8:12 – “Ao passo que os filhos do reino serão lançados para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes”.

Ainda mais, é bom saber que faz parte do gênero da língua hebraica, substituir o adjetivo por um substantivo e que os autores do Novo Testamento conservaram esta particularidade de estilo. Assim compreenderemos bem que as expressões “filhos da paz, filhos da desobediência, filhos da luz”, corresponderiam a pessoas pacíficas, desobedientes e iluminadas, sendo uso dos hebreus chamar filho de um vício ou de uma virtude a quem tivesse aquele vício ou esta virtude. Em Efésios 2:3 a expressão “filhos da ira” significa aqueles que pela sua maldade estão expostos à ira divina contra o pecado.

O livro The Christology of the New Testament, de Oscar Cullmann, pág. 138, declara o seguinte: “O aramaico bar (filho) é muito frequentemente usado em um sentido figurado. Para ‘mentiroso’ o idiomatismo hebraico é ‘filho da mentira’; pecadores são ‘filhos do pecado’; um homem rico é ‘filho da riqueza'”.

A palavra hebraica para ‘filho’ (aramaico bar) tem sentido muito mais amplo do que nas línguas modernas, como nos diz o Dicionário Enciclopédico da Bíblia, Editora Vozes Ltda., pág. 577.

As pesquisas feitas nos revelam ser um termo de múltiplos significados no Velho Testamento, sendo os mais comuns:

1º) Um neto – 2Reis 9:20. Jeú era filho de Josafá e neto de Ninsi.

2º) Uma bondosa maneira de um senhor idoso dirigir-se a um jovem amigo, estudante ou companheiro – 1Samuel 26:17, 21 e 25.

3º) Possuidor de uma qualidade, como filho da paz – Lucas 10:6.

4º) Seguidor da fé, como filhos de Deus – Gênesis 6:2.

5º) Seres celestiais, criados por Deus, evidentemente anjos – 1: 6.

6º) Produto do nascimento espiritual, ou adoção; cristãos tornam-se filhos e filhas de Deus através da fé – Romanos 8:14, 15 e 23.

7º) Um descendente. Por isso Jesus é chamado Filho de Davi.

8º) Pertencente a determinada classe. Os filhos dos profetas – 1Reis 20:35; Amós 7:14.

Uma vez que o termo apresenta tão amplos significados na Bíblia, é preciso atentar bem para o contexto e para os princípios hermenêuticos, ao ser ele usado com referência a Cristo, para não o considerarmos literalmente, podendo chegar a interpretações errôneas. Por esta amplitude de significados para os hebreus, não podemos limitar o seu significado à relação de genitor como é comum na língua portuguesa.

Que significam as expressões – Filho de Deus e Filho do homem em relação a Jesus Cristo?

Filho de Deus

A única passagem do Velho Testamento onde o termo é encontrado é em Daniel 3:25, quando o rei Nabucodonosor viu um semelhante ao Filho de Deus (como está na Septuaginta) na fornalha ardente. Outras vezes é encontrado o termo filho, mas aplicado aos homens como filhos de Deus, o que aconteceu com Davi.

Nos Evangelhos Sinóticos Jesus nunca chama a si mesmo “Filho de Deus”, mas em João isso acontece seis vezes. O uso da expressão “Filho de Deus” aparece 11 vezes em Mateus;  7 vezes em Marcos; 9 vezes em Lucas; 2 vezes em Atos; 17 vezes nos escritos de João e 18 vezes nos de Paulo. Um total de 64 vezes em o Novo Testamento.

“Sem dúvida alguma, a comunidade primitiva ao designar a Jesus como Filho de Deus queria com ela expressar sua crença na efetiva divindade de Jesus” (Enciclapedia de la Biblia).

Há evidências bíblicas de que expressavam tal crença em uma fórmula de profissão de fé, como em Romanos 1:3 e 4.

Jesus foi chamado por Deus como Seu Filho, o que ocorreu por ocasião do Seu batismo e no Monte da Transfiguração. Filho de Deus nestas passagens sugere não somente o Messias, mas também o Senhor, de 2Coríntios 3:7 a 4:6, em cujas faces a glória de Deus brilhou, não temporariamente, como na face de Moisés, mas permanentemente. João 17:5 – “E agora, glorifica-Me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo”.

Marcos usa o título Filho de Deus como sua designação favorita para Jesus, o que pode ser notado logo no seu primeiro verso. Marcos 1:1 – “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”.

Em contraste com Marcos (1:10-11), que pode ser entendido como ensinando que Jesus Se tornou Filho de Deus por ocasião de Seu batismo, Lucas diz que Ele é o Filho de Deus logo no Seu Nascimento, mesmo considerando que Sua investidura com a dignidade messiânica possa ocorrer mais tarde.

A doutrina das Escrituras, universalmente aceita pela igreja cristã, inclui os seguintes aspectos:

1º) Cristo é o Filho eterno como o Pai é o Pai Eterno. Tanto Cristo como os apóstolos falam de Seu estado preexistente.

2º) O Filho é no mais completo sentido participante da mesma natureza que o Pai. Possui os mesmos atributos, realiza as mesmas obras e reclama honra igual ao Pai.

Aplicado a Jesus Cristo, é um título que realça Sua divindade; enquanto o título “Filho do Homem” realça a Sua humanidade.

Como “Filho de Deus”, Cristo está ligado ao Céu e participa desde a eternidade da natureza divina. Como “Filho do homem” está ligado à humanidade, participando da natureza humana.

A prova máxima de que o título “Filho de Deus” indicava a natureza divina de Cristo nós a temos nos relatos seguintes:

Jesus, ao declarar-Se “Filho de Deus”, gerou ódio nos judeus, que protestaram por Ele ter-Se feito igual a Deus (João 5:18) e, além disso, ainda disse ser Ele o próprio Deus (João 10:33), o que era considerado uma blasfêmia para os judeus, pois consideravam a Jesus apenas um homem comum.

Quando Jesus estava perante o Sinédrio, o Sumo Sacerdote disse: “Eu Te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se Tu és o Cristo o Filho de Deus. Respondeu-lhes Jesus: Eu o sou”. Este Seu testemunho em Se declarar o Filho de Deus levou os judeus a condená-Lo e crucificá-Lo. Mateus 26:63-66; Lucas 22:67-71.

Em Lucas 1:35 o anjo declara a verdadeira divindade de Jesus, todavia ele une aquela divindade à verdadeira humanidade. “O Ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus”.

Desta declaração se deduz que o anjo não deu o nome Filho de Deus para a natureza divina de Jesus, mas para a pessoa santa, que estava para nascer da virgem, pelo poder do Espírito Santo. A natureza divina não tem começo. Era Deus manifestado em carne – 1Timóteo 3:16; era o “Logos” que estando desde a eternidade com Deus, fez-Se carne e habitou entre nós – João 1:14. Eternidade é aquilo que não teve começo, nem permanece em nenhuma referência a tempo.

O apóstolo Paulo nos afiança que o próprio Deus se manifestou em Cristo – Colossenses 2:9; sendo esta a mesma ênfase do quarto evangelho.

O evangelho de Marcos apresenta uma dupla Cristologia – Jesus Cristo é ao mesmo tempo o Filho de Deus e Filho do homem. A expressão “Filho de Deus” apresenta-O como participante da divina essência; ao passo que “Filho do homem” mostra a Sua identificação com o homem, o verdadeiro representante do homem, identificando-Se com o homem em todos os seus problemas, menos quanto ao pecado.

Pelo ensino do Novo Testamento concluímos o seguinte: para que Cristo conduzisse os homens a uma verdadeira e plena comunhão com Deus foi necessário que Ele fosse ao mesmo tempo verdadeiro homem e verdadeiro Deus.

Pelo exposto até aqui, conclui-se que esta expressão designa a natureza divina e exaltada do Salvador dos homens.

Filho do Homem

Esta expressão é usada 94 vezes no Novo Testamento, sendo empregada por Mateus, 32 vezes; Marcos, 14; Lucas, 26; João 12; Atos, 7; Hebreus, 1; e Apocalipse, 2; sempre pelo próprio Cristo, exceto em João 12:34, Atos 7:56, Hebreus 2:6 e Apocalipse 1:13; 14:14.

Outras fontes mencionam 83 vezes referindo-se a Cristo.

Qual o seu exato significado? Em parte já foi explicado ao tratarmos da expressão “Filho de Deus”.

“Um termo para homem, ser humano; uma figura apocalíptica, no Novo Testamento, um título para Jesus” (The Interpreter’s Dictionary of the Bible).

É uma expressão hebraica que significa uma posição humilde ou ausência de privilégios especiais.

“O contexto em que o termo filho é usado em João 1:51 (depois de 1:45); 3:13 (depois das objeções de Nicodemos) e 6:27 e 33 (em relação com a recusa dos judeus de crerem em Jesus (parece indicar que para João, exatamente como os sinóticos, Jesus quis com esse termo acentuar propositadamente a Sua natureza humana. Isso é confirmado por João 5:27, onde o motivo por que Jesus é constituído Juiz do mundo é que Ele é Filho, indicando-se portanto a natureza humana em geral, o que chama mais a atenção porque no contexto imediato trata-se de Jesus como Filho de Deus; juízo foi confiado ao Filho de Deus humanado, a fim de que os homens fossem julgados por alguém que pode compreender a sua fraqueza (confira Hebreus 4:15)” (Dicionário Enciclopédico da Bíblia, Editora Vozes Ltda. Petrópolis, 1971, pág. 588).

Nos evangelhos sinóticos esta expressão com referência a Jesus divide-se em três classes:

1º) Aparece num grupo de passagens com referência à vida de Jesus aqui na terra. Marcos 2:10 e 26; Lucas 19:10.

2º) Neste grupo se refere aos sofrimentos e morte de Jesus. Marcos 8:31; 9:31; 14:21.

3º) Nesta classe a frase tem referência à segunda vinda de Cristo. Mateus 24:30; 25:31.

Pelo cotejo dos três grupos de passagens, vemos que a expressão é usada por Cristo em conexão com Sua missão, Sua morte e Sua ressurreição e ainda com Seu segundo advento.

Qual a ideia de Jesus quando empregava a frase em questão?

Cremos que para Jesus o título era messiânico, indicando Aquele de quem os profetas tanto falaram e por quem o povo tanto esperava. Esta expressão era usada por Jesus para preparar o povo para a revelação clara de que Ele era o Messias.

“Ele não usava o título Messias para evitar complicações políticas, já que os israelitas esperavam um Messias político e dominador” (The Interpreter’s Dictionary of the Bible, vol.4, pág.413).

O título designa-O como o Cristo encarnado e leva-nos para os milagres pelos quais a criatura e o Criador estavam unidos na pessoa divina–humano, divindade sendo identificada com a humanidade, a fim de que a humanidade pudesse se transferir de novo na imagem divina.

Quando usada por Nosso Senhor, era sem dúvida reminiscência de Daniel 7:13 e 14, onde o Filho do homem recebe o Seu domínio eterno.

O título Filho do homem assegura-nos que o Filho de Deus, na verdade, veio viver na Terra como um homem entre os homens a fim de que Ele pudesse morrer por nós. “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar Sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10:45).

Conclusão: Para a nossa mente ocidental, os termos “Pai” e “Filho” sugerem por um lado a ideia de origem e superioridade, e por outro lado, a ideia de dependência e subordinação. Numa linguagem teológica, porém, eles são usados no sentido oriental ou semítico de igualdade com respeito à natureza (mesma natureza). Quando as Escrituras chamam a Jesus Cristo como o Filho de Deus, elas querem afirmar a verdadeira divindade de Cristo. Quando O denominam Filho do homem querem realçar a Sua humanidade.

Esta ideia é bastante clara nos conceitos emitidos pelos teólogos adventistas, como nos comprovam estas duas destacadas obras.

1ª) “O título acentua a realidade de Sua natureza humana, assim como o título semelhante, ‘Filho de Deus’ confirma Sua divindade” (Seventh-Day Adventist Bible Dictionary, por Siegfried H. Horne).

2ª) “O termo ‘Filho de Deus’ dá ênfase à identidade de Cristo com Deus, Sua natureza divina, e Sua íntima e pessoal relação com o Pai. O termo ‘Filho do Homem’ dá ênfase a Sua identidade com o homem, Sua natureza humana, e Sua íntima e pessoal relação com a humanidade” (Problems in Bible Translation, publicação da Review and Herald, pág. 243).

Apesar destas declarações tão evidentes, antes de concluir é preciso acrescentar o seguinte: “Tradicionalmente, o título ‘Filho do homem’ tem sido empregado para designar a humildade de Cristo para distinguir de Sua natureza divina. Certamente esta significação está envolvida, mas uma muito mais profunda significação emerge de um mais atento exame de seu uso. Com esta expressão Cristo reivindica Sua natureza divina” (The Zondervan – Pictorial Encyclopedia of the Bible, vol. V, pág. 485).

A obra The Christology of the New Testament, de Oscar Cullman, na página 162, nos informa: “A Teologia clássica sempre contrastou Filho do Homem e Filho de Deus. Do ponto de vista do dogma posterior, “verdadeiro Deus – verdadeiro homem”, entendeu-se a designação “Filho do Homem” apenas como uma expressão da “natureza humana” de Jesus em contraste com Sua “natureza divina”. Nessa época os teólogos não estavam familiarizados com as especulações judaicas sobre a figura do Filho do Homem, e não levaram em consideração o fato de que por meio desse próprio termo Jesus falou de Seu divino caráter celestial”.

Com efeito há passagens na Bíblia onde a expressão “Filho do Homem” é usada, que mais parecem indicar a Sua divindade do que a humanidade.

Os exemplos mais frisantes parecem ser estes:

Mateus 24:30. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória”.

Mateus 25:31. “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então se assentará no trono de sua glória”.

João 3:13. “Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem”.

Lucas 5:24. “Mas, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados – disse ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para casa”.

O Espírito de Profecia parece confirmar que o título “Filho do homem” designava também a divindade de Cristo.

“Deus adotou a natureza humana na pessoa de Seu Filho, levando a mesma ao mais alto Céu. É o ‘Filho do homem’ que partilha do trono do Universo. É o ‘Filho do homem’, cujo nome será ‘Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz'” (O Desejado de Todas as Nações, pág. 25).

As ideias seguintes do comentário de E. G. White sobre João 1:1, no Comentário Bíblico Adventista, vol. 5, págs. 1257-1263, são oportunas sobre este assunto:

I. Natureza divina–humana

“Ele era Deus enquanto estava na Terra, mas despojou-Se da forma de Deus, e em seu lugar tomou a forma e o estilo de um homem.

“Ele velou a Sua divindade com as vestes da humanidade, mas não Se apartou da Sua divindade. Um Salvador divino-humano, Ele veio para estar na testa da raça caída, para partilhar da sua experiência desde a meninice até a varonilidade.

“As duas expressões ‘humano’ e ‘divino’ estavam em Cristo, intimamente e inseparavelmente unidas e no entanto elas tinham uma individualidade distinta.

“Cristo não nos deu a impressão que tomou a natureza humana; em verdade Ele a tomou”.

II. Cuidado ao tratar com a natureza humana de Cristo

“Seja cuidadoso, excessivamente cuidadoso ao demorar-se sobre a natureza humana de Cristo. Não O apresente diante do povo como um homem com propensão para o pecado. Ele é o segundo Adão. O primeiro Adão foi criado um ser puro e sem pecado, sem uma nódoa de pecado sobre si, ele era a imagem de Deus. Ele podia cair, e ele caiu pela transgressão. Por causa do pecado sua posteridade nasceu com propensões inerentes da desobediência. Mas Jesus Cristo foi o Unigênito Filho de Deus. Ele tomou sobre Si a natureza humana, e foi tentado em todos os pontos como a natureza humana é tentada. Ele podia ter pecado, podia ter caído, mas em nenhum momento houve nEle uma propensão má”.

“Quando Cristo foi crucificado, foi Sua natureza humana que morreu. A divindade não morreu, isso teria sido impossível” (Comentário Bíblico Adventista, vol. 5. pág. 1242).

Livro: Explicação de Textos Difíceis da Bíblia, de Pedro Apolinário

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5 respostas para Explicação de Textos Difíceis da Bíblia: Jesus – Filho de Deus e Filho do Homem

  1. Contribui ver estes 4 artigos também:

    1) “Como Cristo pode ser o primogênito de toda a criação sem ter sido criado? – Colossenses 1:15” – clique aqui.

    2) “Por que Jesus disse ‘o Pai é maior do que Eu’? – João 14:28” – clique aqui.

    3) Jesus perdeu algum atributo divino ao Se encarnar? (Escrito por Ozeas C. Moura, editor da Casa Publicadora Brasileira).
    Pergunta: Tenho dúvida quanto à onisciência de Jesus. Já ouvi que, quando Ele disse: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos Céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mateus 24:36), foi porque, estando Ele encarnado, não teria feito uso de Sua onisciência, em Seu próprio benefício. Mas, lendo Apocalipse 1:1, parece que, mesmo depois de Sua ressurreição e ascensão, Ele dependia da revelação do Pai para eventos futuros. Teria Jesus, por causa da Encarnação, perdido Sua onisciência?
    Resposta: Apocalipse 1:1 diz: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus Lhe deu para mostrar aos Seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que Ele, enviando por intermédio do Seu anjo, notificou ao Seu servo João”.
    Deve-se dizer, de início, que, pelo fato de Se encarnar, Jesus não perdeu qualquer atributo divino. Isso é o que nos diz Paulo, em Colossenses 2:9: “Porquanto, nEle, habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (destaque acrescentado). Se, mesmo após Sua ascensão, Paulo fala que “toda a plenitude da divindade” habita corporalmente em Jesus, isso significa que Ele, mesmo tendo passado pelo processo da Encarnação, continua com todos os poderes divinos, que sempre teve, incluindo a onisciência.
    Então, como entender que a “revelação” que João recebeu tinha sido dada a Jesus pelo Pai? Essa declaração deve ser vista no papel de cada membro da divindade com respeito ao plano da salvação. Ou seja, como Jesus, mediante a Encarnação, Se tornou o Mediador entre Deus e os homens (ver 1Timóteo 2:5), Deus Pai incumbe Jesus de transmitir certas informações que dizem respeito aos humanos, como é o caso de Apocalipse 1:1. Mas isso não significa que Jesus não pudesse sabê-las, pois se o texto de Colossenses 2:9 está certo, então Jesus sabe todas as coisas, pois é onisciente, e em plenitude.
    É interessante ver como os membros da Trindade são altruístas, ou seja, sempre dividem com os outros membros alguma tarefa (mesmo podendo fazê-las sozinhos, se assim o desejar). Um exemplo claro é o da Criação. Deus Pai poderia, sozinho, ter idealizado e criado o mundo, mas não o fez. Deixou que o Filho desse o comando, falasse para as coisas e seres aparecerem. É por isso que Ele é chamado de “Verbo” (João 1:1,10) e de “Verbo de Deus” (Apocalipse 19:13). O Filho, o Verbo de Deus, contou com a atuação do Espírito Santo para moldar a face do abismo (Gênesis 1:2). O “pairar sobre as águas” do Espírito, em Gênesis 1:2, indica Sua obra criadora, e não que Ele tenha ficado olhando passivamente as coisas e seres sendo criados.
    Alguém menos avisado poderia inferir do relato da Criação, em Gênesis capítulo 1, que o Pai não seria onipotente, pois foi o Filho quem comandou toda a obra de criação, ou que o Filho teria alguma limitação, pois é dito que quem moldou a face do abismo foi o Espírito Santo (e não só o abismo, mas o próprio homem. Jó 33:4 e 6 menciona que o Espírito Santo moldou o homem do barro e soprou em suas narinas o fôlego de vida. Confira, ainda, Salmos 104:30, onde o Espírito Santo é mencionado como Criador).
    O que acontece na Criação é uma bela cena de altruísmo: uma pessoa divina aceita a participação de outra na tarefa de criar, mas isso não significa que haja limitação de algum atributo nas pessoas da Divindade. O mesmo se deu com a revelação de Jesus a João: O Pai poderia tê-la concedido diretamente a João, mas deixou o Filho fazer isso, pois Ele é o nosso Mediador, e, pela Encarnação, nosso irmão mais velho.
    [Comentário de Ligado na Videira: Tenho a impressão que a questão foi fundamentada em dois períodos, mas a resposta misturou tais períodos. Entendo assim:
    1) Jesus antes da encarnação (o Velho Testamento);
    2) Jesus encarnado, da barriga de Maria até a ascensão;
    3) Jesus encarnado, após a ascensão.
    Quanto ao item nº 1, muitos ignoram que é Jesus o Deus que Se relaciona com a humanidade. É Ele no dilúvio, no vau de Jaboque, no Sinai, no santuário do deserto, etc, etc.
    No nº 2 Ele Se limitou. Por ter Se tornado homem, teve que aprender aos pés de Sua mãe, não lia pensamento, não atravessava paredes, não lembrava do Céu, não tinha certezas sobre o pós tumba, não sabia o futuro. Viveu pela fé. Dependia do Pai. Por ser o Salvador, de modo especial recebia revelações do Santo Espírito de Deus.
    No nº 3, volta ao Céu. Não deixou a humanidade, mas a glorifica. É nisso que está a diferença. Mas, como as Escrituras estão falando de salvação e redenção, Jesus Cristo sempre vai Se posicionar como representante da humanidade diante do Pai, e, daí, essa submissão, essa súplica de aceitação, embora saiba absolutamente de tudo. (Devemos estudar e valorizar a eterna humanidade de Jesus)].

    4) Seria Jesus criatura do Pai? (Escrito por Ozeas C. Moura, editor da Casa Publicadora Brasileira).
    Pergunta: Colossenses 1:15 e Apocalipse 3:14 estão, realmente, afirmando que Deus Pai criou Jesus Cristo?
    Resposta: A Bíblia é clara em afirmar que Jesus é Deus. Eis alguns textos bíblicos sobre essa verdade: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (João 1:1); “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus Unigênito, que está no seio do Pai, é quem O revelou” (João 1:18); “Respondeu-Lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu” (João 20:28); “… mas acerca do Filho: o Teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” (Hebreus 1:8); “… na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (2Pedro 1:1); “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tito 2:13); “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e Ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)” (Mateus 1:23). À luz do conteúdo desses versos, não há motivo para se pensar que Jesus tenha sido criado pelo Pai. Se isso tivesse acontecido, Jesus teria sido o primeiro a nascer, o que contradiria os textos anteriormente mencionados, que declaram ser Ele Deus e, portanto, eterno.
    Colossenses 1:15 diz que Jesus “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a Criação”. A palavra “primogênito” vem do grego “protótokos” (protos = “o primeiro a nascer”, “o principal”, “o mais importante”, e tokos = “dado à luz”, “nascido”, “descendência”, “prole” – do verbo tikto = “nascer”, “dar à luz” (1)). A Septuaginta emprega protótokos para traduzir o vocábulo hebraico bekôr – “primogênito”. (2) Assim, protótokos significa tanto “primeiro/primogênito”, como também “mais importante/preeminente”.
    “Primogênito” é empregado na Bíblia com duas ideias: (1) em sentido literal: o primeiro a nascer (Lucas 2:7 – “E ela [Maria] deu à luz o seu filho primogênito”; Hebreus 11:28 – “… para que o exterminador não tocasse nos primogênitos dos israelitas”), e (2) em sentido figurado: o mais importante, o mais preeminente (Êxodo 4:22 – “Israel [2º filho de Isaque] é meu filho, meu primogênito”; Salmos 89:27 – “Fá-lo-ei [a Davi, filho mais novo de Jessé], por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da Terra”; Jeremias 31:9 – “Efraim [2º filho de José] é meu primogênito”).
    Então, sendo Jesus Deus, e como tal eterno, a palavra “primogênito” é empregada, em Colossenses 1:15, para mostrar que Ele é ”o mais importante” de toda a Criação, pois foi seu Criador, o Autor da própria Criação. Veja que Colossenses 1:16 explica o verso 15: “… pois nEle, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dEle e para Ele”.
    Em Colossenses 1:15, Paulo destaca a posição de Cristo em relação à Criação. Ele é apresentado como estando acima de todas as coisas criadas. A razão disso é que Ele é a causa primária da Criação, Seu Originador. Ele é o que tem todo o poder, “no Céu e na Terra” ( Mateus 28:18), “porquanto, nEle, habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2:9), e “NEle, tudo subsiste” (Colossenses 1:17).
    Apocalipse 3:14 diz que Jesus é “o princípio da Criação de Deus”. A palavra “princípio”, na língua original grega, é archê, e significa “início”, “origem”, “princípio”, mas também “líder” e “primeira causa”.(3) A ideia de que Jesus foi o início da Criação de Deus, no sentido de ter sido a primeira coisa criada, novamente contraria os textos mencionados anteriormente, os quais afirmam que Jesus é Deus, e como tal eterno, e quem é eterno não pode ter sido criado. A palavra “princípio”, em Apocalipse 3:14, quer dizer que Jesus é o “originador”, a “causa primária”, o “líder” da Criação de Deus.
    Em conclusão, dizemos que os textos de Colossenses 1:15 e Apocalipse 3:14, longe de sugerirem que o Filho foi criado, afirmam Sua eternidade e Seu poder criador.
    Referências:
    1. DAVIDSON, B. The Analytical Greek Lexicon. Nova York: Harper & Brothers Publishers, s/d, p. 404.
    2. BARTELS, K. H , in: COENEN, L. & BROWN, Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. 2. São Paulo: Vida Nova, 2000, p 1851.
    3. GINGRICH, F. W. & DANKER, F. W. Léxico do Novo Testamento Grego/Português. São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 35.

  2. Leda Cézar disse:

    Não concordo com o 4ª parágrafo que diz que Jesus foi gerado, pois não houve uma relação sexual para a fecundação. Também da mesma maneira Jesus não foi criado pois senão estariamos adorando uma criatura. O evangelho de João diz que todas as coisas foram feitas por Ele e sem Ele nada foi feito (Criador)

    • Leda,
      Entendo que nos faltam palavras para explicar determinados assuntos. Não há conhecimento total e nem palavras para tudo. Assim, é possível qua surjam discordâncias.
      No entanto, temos que concordar com o seguinte: houve um tempo em que Jesus tinha apenas a natureza divina, e um outro em que passou a ter a divina-humana. Por sinal, isso O torna um ser sem igual em todo o Universo. No caso, faltam palavras para explicar qualquer uma das duas situações, mas há duas situações.
      Não ouso explicar, mas apenas lembrar: pela ação de Deus, Adão foi criado do barro, e os que dormiram no Senhor ressurgirão do pó.
      Sou agradecido por você navegar e comentar no Ligado na Videira.
      A leitura de artigos relacionados com a Bíblia me fazem muito bem. Que assim seja com você!
      Ótima semana!

      Carlos Bitencourt
      Cascavel-Paraná

  3. menahem felthman disse:

    Não Foi A Igreja Católica Apostólica Romana Quem criou e inseriu na Bíblia O Novo Testamento? Não Foi O Papa Damasus, Seculo 4, que mandou Jeronimo adulterar a Bíblia? Não Foram os Cristãos que promoveram as Cruzadas que mataram, em nome de JESUS, mais de 605 mil pessoas ( 318 mil Árabes e 287 mil Judeus)? Não foram os Cristãos (Católicos e Evangélicos Luteranos) os quais se uniram a Adolfo Hitler para assassinarem mais de 6 milhões de judeus , das quais 2 milhões e 800 mil Crianças? Não são os Cristãos (inclusive Adventistas) que quando vão a Israel vão em busca do Tumulo de Jesus (Visão que teve a Mãe do Imperador Constantino Ana Julia Helena – A Santa Helena da Igreja Católica)? Não quero ofender, mas não são os Evangélicos, os quais são muito bem recebidos em Israel, agridem os que não são Cristãos (Verbalmente ou mesmo fisicamente) quando querem pregar a TANAK Hebraica no Brasil e no Mundo? Não são os Cristãos (Evangelicos ou Católicos) que pregam o Novo Testamento e ensinam a rejeitar o Velho Testamento( Nome dado por Tertuliano e Orígenes Sacerdotes Católicos As Sagradas Escrituras Hebraicas) e depois, quando querem Bênçãos e Fundamentos para procurar justificar a JESUS CRISTO e o Novo Testamento vão atrás do Salmo 91, Salmo 23 e o DIZIMO? Não são os Cristãos que pregam o Amor mas que promoveram As Cruzadas e As Duas Grandes Guerras Mundiais? Eu perdi mais de 400 pessoas da minha Familia durante o Holocausto! Não são os Cristãos que quando tentam converter os Judeus ao Cristianismo ficam confusos e sobretudo com muita raiva quando confrontados entre a Verdade da Torah e Os Evangelhos Cristãos? Talvez vocês não publiquem esta Mensagem mas, se fossem Judeus. fariam o que? Se Converter A Jesus o Grande Carrasco de Israel? Desculpem, mas não é justamente o Novo Testamento a maior Fonte de Anti Semitismo que existe nos tempos de Hoje? Quais são os Historiadores Famosos, com exceção dos Cristãos, que dão testemunho da existência de Jesus? Sou Formado, tenho Doutorado em História das Civilizações e até hoje não constatei e nem tomei conhecimento de nenhum Historiador ou Documento Genuíno dos Tempos Antigos que comprovem a veracidade Histórica de Jesus! Flavio Josefo teve o que escreveu adulterado pelos Evangélicos! Nós Judeus não tememos a Verdade! Tanto assim que hoje temos Cientistas, Historiadores e outras Especialistas em vários Paises e Linguas do Mundo! Por que Israel permanece Vivo até os Dias Atuais, enquanto outras Civilizações já deixaram de existir? Nõs somos o que somos e continuaremos sendo através dos nossos Descendentes! Shemah Ysrael! Adonay Elokeinu! Adonay Echad! O Eterno é o Nosso Pai! Israel é o Filho Primogênito do Eterno! Este É O Nosso Caminho. Esta é a Nossa Verdade e assim será a Nossa Vida! O Eterno Por Israel! Israel Pelo Eterno! Não abriremos Jamais mão de Nossa Primogenitura! Nós Nascemos de um Homem com 100 anos de idade! Nõs somos e continuaremos sendo a Semente plantada pelo Eterno Em Abraão! Nós Somos Ysrael!

    • Menahem,
      Sou imensamente agradecido por você estar aqui conosco. Que o Eterno continue a iluminá-lo, bem como a sua família.
      Faço, sim, questão de publicar todos os comentários. Naturalmente, tomo cuidado com alguns que usam palavras ofensivas. O seu, longe disso, é rico em história e próprio para a reflexão de todos os nossos leitores. Temos muito o que aprender.
      Sou membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Cresci sabendo que devemos respeito ao povo de Israel. Eu devo respeito ao seu comentário. E declaro estar feliz por tê-lo recebido, lido e publicado.

      Carlos Bitencourt
      Cascavel-Paraná

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