Caminho a Cristo, de Ellen White – O Deus Que Eu Conheço – capítulo 10

Caminho a Cristo, de Ellen White. Capítulo 10 – págs. 85-91 – O Deus Que Eu Conheço
(10:1) Muitas são as maneiras pelas quais Deus procura revelar-Se a nós e pôr-nos em comunhão com Ele. A natureza fala sem cessar aos nossos sentidos. O coração aberto é impressionado com o amor e a glória de Deus manifestados nas obras de Suas mãos. O ouvido atento ouve e compreende as comunicações de Deus pelos objetos da natureza. Os verdejantes campos, as árvores altaneiras, os botões e as flores, a nuvem que passa, a chuva, o rumorejante regato, as glórias do firmamento, tudo nos fala ao coração, convidando-nos a familiarizar-nos com Aquele que os criou a todos.
(10:2) Nosso Salvador ligava Suas preciosas lições às coisas da natureza. As árvores, os pássaros, as flores dos vales, as colinas, os lagos, o belo firmamento, assim como os incidentes e o ambiente da vida diária, tudo ligava-o Ele às palavras de verdade, para que Suas lições fossem assim muitas vezes trazidas à memória, mesmo em meio dos absorventes cuidados da trabalhosa vida humana.
(10:3) Deus deseja que Seus filhos apreciem as Suas obras e se deleitem na singela e serena formosura com que adornou nosso lar terrestre. Ama o belo e, acima de tudo que é exteriormente atraente, ama a beleza de caráter; deseja que cultivemos a pureza e a simplicidade, as mudas graças das flores.
(10:4) Se tão-somente estivermos atentos, as obras de Deus nos ensinarão preciosas lições de obediência e confiança. Desde as estrelas, que em seu trajeto pelos espaços percorrem século após século a rota invisível que lhes é designada, até o ínfimo átomo, todas as coisas da natureza obedecem à vontade do Criador. E Deus cuida de tudo e sustenta todas as coisas que criou. Aquele que mantém os inumeráveis mundos através da imensidade, ao mesmo tempo cuida das necessidades do pequeno pardal que, confiante, solta o seu humilde gorjeio. Quando os homens saem para o seu labor diário, assim como quando se acham entregues à oração; quando repousam à noite, e quando se erguem de manhã; quando o rico se banqueteia em seu palácio, ou quando o pobre reúne seus filhos em torno da mesa escassa, sobre cada um o Pai celeste vigia com ternura. Nenhuma lágrima é vertida sem que Deus a note. Não há sorriso que Ele não perceba.
(10:5) Se tão-somente crêssemos isto plenamente, desvanecer-se-iam todas as ansiedades inúteis. Nossa vida não estaria tão cheia de decepções como agora; pois tudo, quer grande quer pequeno, seria confiado às mãos de Deus, que Se não embaraça com a multiplicidade dos cuidados, nem é dominado por seu peso. Havíamos de desfrutar então um repouso de alma ao qual muitos têm sido por muito tempo alheios.
(10:6) Enquanto vos deleitais nas atraentes belezas da Terra, pensai no mundo por vir, o qual não conhecerá jamais a mancha do pecado e morte; onde a face da natureza não mais apresentará as sombras da maldição. Representai-vos na imaginação o lar dos remidos, e lembrai-vos de que ele será mais glorioso do que o pode pintar vossa mais brilhante imaginação. Nos variados dons de Deus em a natureza só discernimos o mais pálido vislumbre de Sua glória. Está escrito: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que O amam” (1Coríntios 2:9).
(10:7) Poetas e naturalistas têm muito que dizer acerca da natureza; mas é o cristão quem mais sabe apreciar as belezas da Terra, porque reconhece a obra de seu Pai, e percebe Seu amor em cada flor, arbusto ou árvore. Ninguém pode apreciar plenamente a significação de montes e vales, rios e lagos, se não os olha como uma expressão do amor de Deus ao homem.
(10:8) Deus nos fala por meio de Suas operações providenciais, e pela influência de Seu Espírito sobre o coração. Em nossas circunstâncias e ambiente, nas mudanças que diariamente se realizam ao nosso redor, podemos encontrar preciosas lições, se nosso coração está aberto para discerni-las. O salmista, narrando a obra da providência de Deus, diz: “A Terra está cheia da bondade do Senhor” (Salmos 33:5). “Quem é sábio observe estas coisas e considere atentamente as benignidades do Senhor” (Salmos 107:43).
(10:9) Deus nos fala a nós por Sua Palavra. Aí temos em linhas mais claras a revelação de Seu caráter, de Seu procedimento com os homens, e da grande obra de redenção. Aí está aberta perante nós a história de patriarcas e profetas e outros homens santos da antiguidade. Eram homens sujeitos “às mesmas paixões que nós” (Tiago 5:17). Vemos como lutavam com abatimentos iguais aos nossos, como caíam sob tentações como também nós o temos feito, e contudo de novo se animavam e venciam pela graça de Deus; e considerando esses exemplos, ficamos animados em nossas lutas por conseguir a justiça. Ao lermos acerca das preciosas experiências que lhes foram concedidas, da luz, amor e bênção que lhes foi dado desfrutar, e da obra que realizaram pela graça que lhes foi dada, o mesmo espírito que os inspirava acende em nosso coração uma chama de santa emulação e um desejo de ser semelhantes a eles no caráter, e de, como eles, andar com Deus.
(10:10) Disse Jesus acerca das Escrituras do Antigo Testamento – e quanto mais é isto verdade do Novo! – “São elas que de Mim testificam” (João 5:39), – dEle que é o Redentor. Aquele em quem se centralizam nossas esperanças de vida eterna. Sim, a Bíblia toda fala de Cristo. Desde o primeiro relatório da criação – pois “sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3) – até à promessa final: “Eis que cedo venho” (Apocalipse 22:12) lemos acerca de Suas obras e ouvimos a Sua voz. Se desejais familiarizar-vos com o Salvador, estudai as Santas Escrituras.
(10:11) Enchei o coração todo com as palavras de Deus. São elas a água viva, a mitigar vossa sede ardente. São o pão vivo do Céu. Jesus declara: “Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” (João 6:53). E Ele mesmo explica essa declaração, dizendo: “As palavras que Eu vos disse são espírito e vida” (João 6:63). Nosso corpo é formado pelo que comemos e bebemos; e como se dá na economia natural, assim também na espiritual; é aquilo em que meditamos, que dará força e vigor à nossa natureza espiritual.
(10:12) O tema da redenção é tema que os próprios anjos desejam penetrar; será a ciência e o cântico dos remidos através dos séculos da eternidade. Não é ele digno de atenta consideração e estudo agora? A infinita misericórdia e amor de Jesus, o sacrifício feito por Ele em nosso favor, demandam a mais séria e solene reflexão. Devemos demorar o pensamento no caráter de nosso amado Redentor e Intercessor. Devemos meditar na missão dAquele que veio salvar Seu povo, dos seus pecados. Ao contemplarmos assim os temas celestiais, nossa fé e amor se fortalecerão, e nossas orações serão cada vez mais aceitáveis a Deus, porque a elas se misturarão cada vez mais a fé e o amor. Serão inteligentes e fervorosas. Haverá mais constante confiança em Jesus, e uma diária e viva experiência em Seu poder de salvar perfeitamente a todos os que por Ele se chegam a Deus.
(10:13) Ao meditarmos nas perfeições do Salvador, havemos de desejar ser transformados por completo, e renovados na imagem de Sua pureza. A alma terá fome e sede de tornar-se semelhante Àquele a quem adoramos. Quanto mais nossos pensamentos se demorarem em Cristo, tanto mais falaremos dEle aos outros e O representaremos perante o mundo.
(10:14) A Bíblia não foi escrita para os doutos unicamente. Ao contrário, destina-se ao povo comum. As grandes verdades indispensáveis para a salvação, nela se acham reveladas com a clareza da luz meridiana; e ninguém errará nem perderá o caminho a não ser os que seguirem seu próprio juízo em vez da vontade de Deus, claramente revelada.
(10:15) Não devemos aceitar o testemunho de nenhum homem quanto ao que ensinam as Escrituras, mas sim estudar por nós mesmos as palavras de Deus. Se permitirmos que outros pensem por nós, nossas próprias energias e habilidades adquiridas se atrofiarão. As nobres faculdades do espírito podem, pela falta de exercício sobre temas dignos de sua concentração, ficar tão debilitadas que percam a capacidade de apanhar a profunda significação da Palavra de Deus. O espírito se ampliará se for empregado em pesquisar a relação dos assuntos da Bíblia, comparando passagem com passagem e coisas espirituais com coisas espirituais.
(10:16) Nada há mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras. Nenhum outro livro é tão poderoso para elevar os pensamentos, para dar vigor às faculdades, como as amplas e enobrecedoras verdades da Bíblia. Se a Palavra de Deus fosse estudada como devera ser, os homens teriam uma largueza de espírito, uma nobreza de caráter e firmeza de propósito que raro se veem nesses tempos.
(10:17) Bem pouco benefício, porém, se tira de uma leitura apressada das Escrituras. Poder-se-á ler a Bíblia inteira e contudo deixar de reconhecer-lhe a beleza ou compreender-lhe o sentido profundo e oculto. Uma passagem que se estude até que seu sentido seja claro ao espírito e evidente sua relação para com o plano da salvação, é de maior valor do que a leitura de muitos capítulos sem ter em vista nenhum propósito definido e sem adquirir nenhuma instrução positiva. Levai convosco a Bíblia. Quando tiverdes oportunidade, lede-a; fixai as passagens na memória. Mesmo enquanto estais a andar pela rua, podeis ler uma passagem e meditar sobre ela, fixando-a assim.
(10:18) Não conseguiremos sabedoria sem fervorosa atenção e estudo acompanhado de oração. Algumas porções da Escritura são, efetivamente, tão claras que não podem ser mal compreendidas; mas outras há cujo sentido não está sobre a superfície, de modo que possa ser apanhado de relance. É preciso comparar passagem com passagem. Tem de haver cuidadoso estudo e reflexão acompanhada de orações. E tal estudo será ricamente compensado. Como o mineiro descobre veios de precioso metal sob a superfície da terra, assim aquele que buscar perseverantemente a Palavra de Deus como a tesouros escondidos, encontrará verdades do mais alto valor, as quais se acham ocultas à vista do pesquisador descuidado. As palavras inspiradas, meditadas no coração, serão como torrentes que brotam da fonte da vida.
(10:19) Nunca deve a Bíblia ser estudada sem oração. Antes de abrir suas páginas, devemos pedir a iluminação do Espírito Santo, e ser-nos-á dada. Quando Natanael veio a Jesus, o Salvador exclamou: “Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo.” Natanael volveu: “De onde me conheces Tu?” E Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, te vi Eu estando tu debaixo da figueira” (João 1:47 e 48). E Jesus ver-nos-á também nos lugares secretos de oração, se dEle buscarmos a luz para saber qual a verdade. Anjos do mundo da luz assistirão àqueles que, em humildade de coração, buscarem a guia divina.
(10:20) O Espírito Santo exalta e glorifica o Salvador. É sua missão apresentar a Cristo, a pureza de Sua justiça e a grande salvação que por Ele nos pertence. Jesus disse: “Ele… há de receber do que é Meu e vo-lo há de anunciar” (João 16:14). O Espírito de verdade é o único mestre eficaz da verdade divina. Quanto não deve Deus ter estimado a raça humana, para que desse o Seu Filho a fim de por ela morrer, e designasse o Seu Espírito para ser o mestre e constante guia do homem! (próximo capítulo: clique aqui)

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2 respostas para Caminho a Cristo, de Ellen White – O Deus Que Eu Conheço – capítulo 10

  1. DEUS É MARAVILHOSO! ME DELEITO EM LER ELLEN WHITE E DA FORMA EM QUE FALA DE DEUS E DA CRIAÇÃO.

  2. Valéria Santos disse:

    Realmente inspirador!

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