Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na Videira – Lição 6 – Crescimento em Cristo – 3º trimestre – 2 a 9 de agosto de 2014

Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraLição 6. Introdução (2 de agosto). A Lição, nesta semana, mostra a conversa entre Cristo e Nicodemos – mas ela é muito mais que o bate-papo entre eles dois, e, por isso, devemos ser atenciosos com a seguinte questão: diminuiremos o aproveitamento se isolarmos esta lição das outras já estudadas; e, devemos vê-la no contexto da redenção – o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão ativamente envolvidos em tudo relacionado com a nossa salvação (início, meio e fim). Então, precisamos estar com Nicodemos, e ouvir o que Jesus está ensinando, porque tal ensinamento é para nós também.

Tal qual este mestre de Israel, temos nossos ranços religiosos, e isso nos coloca em perigo de presunção espiritual – mas Jesus não nos afasta de Si. Ao contrário, somos atraídos para Ele, pois somente assim receberemos a instrução correta para a salvação – e isso é o que Ele mais deseja. Neste caso, Nicodemos nos serve de exemplo: não importa se de dia ou de noite, devemos ir até o Mestre. Não importa nada. O que importa é estar diante de Jesus, na certeza que somos recebidos por Ele.

Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e Lhe disse: ‘Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com ele’. A isto, respondeu Jesus: ‘Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus’. Perguntou-Lhe Nicodemos: ‘Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?’ Respondeu Jesus: ‘Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de Eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito’. Então, Lhe perguntou Nicodemos: ‘Como pode suceder isto?’ Acudiu Jesus: ‘Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; contudo, não aceitais o nosso testemunho. Se, tratando de coisas terrenas, não Me credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao Céu, senão Aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem. E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nEle crê tenha a vida eterna’ ”(João 3:1-15). [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraDomingo. Nascer de Novo (3 de agosto). No final de João 2, nos é dito que muitos se aproximavam de Jesus em função dos milagres que realizava, mas Ele não dava confiança a eles, pois, conhecendo a natureza humana, sabia que tal aproximação era superficial – mas, ao entrar em João 3, Jesus aceita a aproximação de Nicodemos, um homem rico, e fariseu, e um dos principais líderes do Sinédrio – mas, saibam todos, não porque Nicodemos fosse rico, fariseu ou membro do Sinédrio, mas porque Ele, Jesus, conhecia a natureza humana. Sabia que Nicodemos era um sincero inquiridor da verdade; alguém que Ele sabia poder confiar um conhecimento mais claro e completo de Sua missão.

Durante todo o ministério de Cristo, Nicodemos foi um amigo usado por Deus para, em sua influência, providencialmente frustrar os planos dos outros líderes, que sempre manifestaram estar sendo usados pelo inimigo. Nicodemos levou Jesus a sério.

Nicodemos disse: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que Tu fazes, se Deus não estiver com ele”.

Jesus desconsiderou o elogio, e foi direto ao centro da questão: ao anseio pela verdade, implícito no fato de Nicodemos ir procurá-Lo numa entrevista particular.

Disse Jesus: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.

Bem, se for para os “outros” nascerem de novo, tudo bem. Ou não são judeus; ou não são filhos de Abraão; ou não são respeitáveis fariseus; ou não são preparados teologicamente para o Sinédrio – portanto, desqualificados para a salvação. Mas, “eu” Senhor?! “Eu”?! Ou será que o Senhor está falando em nascer de novo lá na maternidade, no hospital?

Irmãos, Jesus está nos dizendo que, em relação a salvação, o Espírito Santo tem que gerar em nós uma nova vida espiritual. Novas razões. Novos princípios. Novos sentimentos. Novas ações. E todas elas relacionadas a vida eterna, aquela vida medida pela vida de Deus. E, se não pudemos escolher nascer fisicamente, agora, porque Deus nos apresenta a salvação, devemos escolher o nascimento espiritual.

Tal escolha, irmãos, não vem do nada, e nem continua no nada. Novo nascimento não é algo assim no vazio. Há coisas implícitas relacionas: devemos corresponder ao convite com oração e leitura da Palavra.

Obrigado, Senhor Jesus, porque em Sua Palavra temos a revelação sobre o que o Senhor deseja que ocorra em nosso coração. Obrigado porque podemos nascer no Senhor. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraSegunda. Nova Vida em Cristo (4 de agosto). O vento. Sua ação é invisível. Seu resultado, notadamente visível. De igual forma, podemos não identificar o dia de nossa conversão, mas, se convertidos, nossa vida mostra os resultados da obra do Espírito Santo em nós. Não há como esconder isso. As pessoas ao nosso redor saberão que Jesus criou um novo coração em nós. O Espírito Santo sempre produz uma demonstração exterior da transformação interior que Ele realiza.

“O Espírito Santo contende com todo homem. É a voz de Deus falando ao coração.

Nenhum raciocínio humano, do maior douto, pode definir a atuação do Espírito Santo na mente e caráter dos homens; entretanto, podem-se ver os efeitos na vida e nos atos. [...] Embora não possamos ver o Espírito de Deus, sabemos que homens que estiveram mortos em ofensas e pecados se convencem e se convertem sob sua atuação. Os irrefletidos e extraviados tornam-se sóbrios. Os endurecidos arrependem-se de seus pecados, e os descrentes creem. Os jogadores, os bêbados, os licenciosos, tornam-se firmes, sóbrios e puros. Os rebeldes e obstinados tornam-se mansos e semelhantes a Cristo.

Quando vemos essas transformações no caráter, podemos estar certos de que o poder convertedor de Deus transformou o homem todo. Não vimos o Espírito Santo, mas vimos a prova de Sua atuação no caráter transformado dos que eram antes endurecidos e impenitentes pecadores. Tal como o vento agita violentamente as altaneiras árvores e as derruba, assim o Espírito Santo atua em corações humanos, e nenhum homem finito pode abranger a obra de Deus. [...] Não podeis ver o instrumento a atuar, mas podeis ver seus efeitos.

Os que não somente ouvem mas praticam as palavras de Cristo, tornam manifesto no caráter a atuação do Espírito Santo. O resultado da atuação interna do Espírito Santo demonstra-se na conduta exterior. A vida do cristão acha-se escondida com Cristo em Deus, e Deus reconhece os que são Seus, declarando: ‘Vós sois as Minhas testemunhas’ (Isaías 43:10). Eles testificam de que um poder divino lhes está influenciando o coração e moldando o procedimento. Suas obras dão evidência de que o Espírito está atuando no homem interior; os que com eles se associam convencem-se de que estão fazendo de Jesus Cristo o seu modelo.

Os que estão relacionados com Deus, são condutos para o poder do Espírito Santo. [...] A vida interior da pessoa se revelará na conduta exterior” (Meditação Matinal, 16/01/1968). [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraTerça. Permanecer em Cristo (5 de agosto). A Lição dá um pulo em João, indo para o capítulo 15 – “Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em Mim, não der fruto, Ele o corta; e todo o que dá fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em Mim, e Eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em Mim, será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam. Se permanecerdes em Mim, e as Minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado Meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis Meus discípulos. Como o Pai Me amou, também Eu vos amei; permanecei no Meu amor. Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no Meu amor; assim como também Eu tenho guardado os mandamentos de Meu Pai e no Seu amor permaneço”.

A salvação em Jesus exige permanência em Jesus. Para a humanidade, em Adão, havia sido dada a liberdade de escolha, mas não a independência de Deus. Não pode haver vida se separados dAquele que é a Fonte de Vida. De igual forma, não há salvação em Cristo se não houver permanência nEle. E é justamente isso que o Espírito Santo tem carinhosamente procurado realizar em nossa vida (permanência recíproca).

“A dedicação eventual aos interesses religiosos não é suficiente. Experimentar elevado fervor religioso num dia apenas para cair em um período de negligência no seguinte não promove a força espiritual. Permanecer em Cristo significa que a pessoa deve estar em constante comunhão com Ele e viver Sua vida – ‘Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim’” (Comentário Bíblico Adventista, referente João 15:4).

Senhor, sou agradecido por ser próprio da salvação esperar frutos correspondentes. Assim, sei se estou ou não na salvação. O Senhor não me deixa iludido quanto a isso. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraQuarta. Oração (6 de agosto). Vejam esse texto sobre Jesus em oração. Vejam o quanto Ele dependia do Pai: “Revestido da natureza humana, sentia necessidade da força vinda do Pai. Tinha lugares especiais de oração. Comprazia-Se em entreter comunhão com Seu Pai na solitude da montanha. Neste exercício, Sua mente santa, humana, era fortalecida para os deveres e provas do dia. Nosso Salvador identifica-Se com nossas necessidades e fraquezas no fato de haver-Se tornado um suplicante, um solicitante de todas as noites, buscando do Pai novas provisões de força a fim de sair revigorado e refrigerado, fortalecido para o dever e a provação. Ele é nosso exemplo em tudo. É um irmão em nossas fraquezas, mas não em possuir idênticas paixões. Sendo sem pecado, Sua natureza recuava do mal. Jesus suportou lutas, e torturas íntimas, em um mundo de pecado. Sua humanidade tornava a oração necessidade e privilégio. Ele reivindicava todo o mais forte apoio divino e o conforto que o Pai estava pronto a conceder-Lhe — a Ele que, em benefício do homem, havia deixado as alegrias do Céu, preferindo morar em um mundo frio e ingrato. Cristo encontrou conforto e alegria na comunhão com o Pai. Ali podia desabafar o coração das dores que O oprimiam. Era um ‘homem de dores, experimentado nos trabalhos’.

Durante o dia Ele trabalhava diligentemente para fazer bem aos outros, para salvar os homens da destruição. Curava os doentes, confortava os tristes, e levava animação e esperança aos que se achavam em desespero. Trazia os mortos à vida. Depois de concluída a obra do dia, saía, noite após noite, da confusão da cidade e, em algum solitário bosque Seu vulto dobrava-se em súplicas ao Pai. Às vezes, os claros raios da Lua incidiam-Lhe sobre o corpo inclinado. E depois, novamente as nuvens e as trevas excluíam toda a luz. O orvalho e a geada da noite caíam-Lhe na cabeça e na barba enquanto ali ficava, naquela atitude suplicante. Frequentemente Ele prosseguia em Suas petições a noite inteira. Ele é nosso exemplo. Se pudermos lembrar isto, e imitá-Lo, seremos muito mais fortes em Deus.

Se o Salvador dos homens, com Sua força divina, sentia a necessidade de oração, quanto mais deviam os fracos mortais, pecadores, sentir a necessidade de oração — oração fervorosa, constante!” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 2, capítulo 29 – Os Sofrimentos de Cristo).

Sugerimos a leitura de “Coisa alguma demasiado pequena” – clique aqui. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraQuinta. Morrer Para Si Mesmo Todos os Dias (7 de agosto). Lucas 9:23-24 – “Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por Minha causa, esse a salvará”.

A si mesmo se negue – renuncie a si mesmo – morra para o eu – submeta-se à vontade de Cristo – passe a viver para o Senhor. Assuma as responsabilidades que acompanham o discipulado. Esteja pronto para enfrentar toda e qualquer dificuldade, incluindo a morte, se necessário.

Mas o foco do texto não é o “sacrifício” do seguidor, e sim o “seguir Aquele que chama”. “Seguir” a Jesus é modelar nossa vida conforme a Sua e servir a Deus e a nossos semelhantes como Ele o fez. Só que nós não estamos falando de algo fácil, irmãos. Mas, contudo, devemos insistir na ênfase de olhar para Aquele que nos convida a segui-Lo.

Em “Tomando nossa cruz” (na Meditação Matinal de 25/05/1959), lemos assim: “O Plano da Salvação fundamentou-se no sacrifício. Jesus deixou as cortes reais, e fez-Se pobre, para que por Sua pobreza nos pudéssemos enriquecer. Todos quantos participam desta salvação, comprada para eles com tão infinito sacrifício pelo Filho de Deus, seguirão o exemplo do Modelo Verdadeiro. Cristo foi a principal pedra de esquina, e cumpre-nos edificar sobre esse fundamento. Todos devem ter espírito de abnegação e sacrifício. A vida de Cristo na Terra foi de renúncia; assinalou-se pela humilhação e o sacrifício. E hão de os homens, participantes da grande salvação que Jesus veio do Céu trazer-lhes, recusarem-se a seguir a seu Senhor, partilhando de Sua abnegação e sacrifício? [...] É o servo maior que seu Senhor? Há de o Redentor do mundo exercer a renúncia e o sacrifício em nosso favor, e os membros do corpo de Cristo entregarem-se à complacência consigo mesmos? A abnegação é condição essencial do discipulado.

‘Então disse Jesus aos Seus discípulos: Se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-Me’. Eu tomo a dianteira na vereda da renúncia. Não exijo de vós, Meus seguidores, coisa alguma senão aquilo de que Eu, vosso Senhor, vos dou o exemplo em Minha vida.

A renúncia e a tribulação estendem-se em linha reta no caminho de todo o seguidor de Cristo. É a cruz que atravessa as afeições naturais e a vontade.

Jesus é o nosso modelo. Se Ele pusesse de lado Sua humilhação e sofrimentos, e tivesse dito: ‘Se alguém quiser vir após Mim, agrade-se a si mesmo, desfrute o mundo e será Meu discípulo’, as multidões teriam crido nEle e O teriam seguido. Se quisermos estar com Ele no Céu, temos que ser semelhantes a Ele na Terra.

Sigamos o Salvador em Sua simplicidade e renúncia. O Homem do Calvário seja por nós enaltecido pela palavra e por vida santa.

E a todos quantos a erguem e conduzem após Cristo, a cruz é um penhor da coroa da imortalidade que hão de receber”. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

Comentário da Lição da Escola Sabatina(Ligado na VideiraSexta. Conclusão (8 de agosto). “A luta contra o próprio eu é a maior batalha que já foi ferida. A renúncia de nosso eu, sujeitando tudo à vontade de Deus, requer luta; mas a alma tem de submeter-se a Deus antes que possa ser renovada em santidade.

O governo de Deus não é, como Satanás nos quer fazer parecer, fundado sobre uma submissão cega, um domínio irrazoável. Ele apela para o intelecto e a consciência. ‘Vinde, pois, e arrazoemos’ é o convite do Criador aos seres que formou. Deus não força a vontade de Suas criaturas. Não pode aceitar homenagem que não seja prestada voluntária e inteligentemente. Uma submissão meramente forçada impediria todo verdadeiro desenvolvimento do espírito ou do caráter; tornaria o homem simples máquina. Não é este o propósito do Criador. Ele deseja que o homem, a obra prima de Seu poder criador, atinja o desenvolvimento mais elevado possível. Propõe-nos a altura da bênção à qual nos deseja levar, por meio de Sua graça. Convida-nos a entregar-nos a Ele, a fim de que possa efetuar em nós a Sua vontade. A nós compete escolher se queremos ser libertados da escravidão do pecado, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.

Entregando-nos a Deus, temos necessariamente de renunciar a tudo que dEle nos separe. Por isso diz o Salvador: ‘Qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser Meu discípulo’ (Lucas 14:33). Tudo que afaste de Deus o coração, tem de ser renunciado” (Caminho a Cristo, capítulo 5 – “Consagração”). [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

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É correto devolver o dízimo para qualquer organização ou indivíduo que alega estar realizando uma obra para Deus?

É correto devolver o dízimo para qualquer organização ou indivíduo que alega estar realizando uma obra para Deus?

O dinheiro é uma daquelas coisas que, de modo especial, consideramos de nossa propriedade. Ele representa uma parte de nossa vida que resulta do investimento de nossa energia e tempo. É vida preservada na forma líquida; ou seja, nós o trocamos por quase qualquer coisa de que gostamos. Assim, normalmente, não queremos que os outros nos digam como usá-lo ou o que fazer com ele. Mas, para os cristãos, a vida é um dom de Deus, tanto na forma de sopro da vida como na forma de dinheiro. Portanto, deve ser usada para a glória dEle. Depois dessa introdução, deixe-me abordar especifica mente sua pergunta.

1. O Dono do Dízimo: O dízimo é um percentual do dinheiro que recebemos como resultado do investimento de nosso tempo e energia. É natural, portanto, que consideremos que ele é nosso e que devemos decidir como administrá-lo. A respeito disso, a Bíblia nos surpreende declarando algo que não pode ser provado cientificamente. O dízimo, dez por cento de nossa renda, pertence ao Senhor: “Todos os dízimos [...] pertencem ao Senhor [leYahweh]; são consagrados ao Senhor [leYahweh]” (Levítico 27:30). Do ponto de vista humano, toda a renda é o resultado do investimento de nosso tempo e energia. No entanto, o texto rejeita essa conclusão ao mostrar que parte de nossa renda é fundamentalmente diferente do restante. Ela é descrita pelo Senhor como “santa”. Nessa passagem, a propriedade divina é enfatizada pelo uso da preposição hebraica le (“pertence a”) duas vezes, junto com a palavra “santo”. Algo “santo” é o que Deus separou para Seu propósito divino e que, portanto, pertence a Ele. Nós não consagramos o dízimo para o Senhor; o Senhor já o declarou santo. Ele colocou em nossas mãos algo que é santo, e somos santificados quando, em obediência à Sua vontade, o empregamos da maneira como Deus planejou que fosse usado.

2. Determinando o Uso Adequado: Uma vez que aceitamos que o dízimo pertence ao Senhor, as próximas perguntas seriam: Quem tem a autoridade de determinar seu propósito e quem deve recebê-lo? A resposta é óbvia. Se ele pertence a Deus, é Ele quem define seu propósito e destino. Isso é claro no Antigo Testamento: “Dou aos levitas todos os dízimos em Israel [...] pelo trabalho que fazem ao servirem na Tenda do Encontro” (Números 18:21). O dízimo é designado pelo Senhor para um grupo específico entre o Seu povo, com o propósito de remunerá-lo pelo trabalho que fazem no santuário em favor do povo, um trabalho dado por Deus a eles.

3. Deus Estabeleceu um Sistema: Não apenas o propósito e uso do dízimo foram determinados por Deus (o Dono do dízimo), mas também o sistema pelo qual o dízimo chegaria àqueles que deveriam recebê-lo. Os israelitas deviam separar seu dízimo em casa e levá-lo para a casa do Senhor, aos levitas (Números 18:24; Malaquias 3:10). O “celeiro” (ou “casa do Tesouro”, na tradução Almeida Revista e Atualizada) refere-se a salas no templo destinadas a guardar o dízimo que deveria ser distribuído entre os levitas. Em outras palavras, o povo não era livre para dar seu dízimo a quem quisesse ou para depositá-lo em qualquer outro lugar, mas somente no templo. Havia pessoas específicas para coletar e distribuir o dízimo entre os levitas e sacerdotes (2Crônicas 31:12-13 e 15-16). Na igreja, o dízimo deve ser usado somente por aqueles reconhecidos por ela como instrumentos separados por Deus para a proclamação do evangelho (1Coríntios 9:13-14).

O dízimo deve ser devolvido à igreja, na tesouraria local, e não enviado a pessoas ou grupos que desenvolvem projetos espirituais pessoais. Deixe que o dízimo de Deus seja usado pelo Senhor como Ele planejou: para o cumprimento da missão de Sua igreja.

Angel Manuel Rodríguez, Revista “Adventist World” – Janeiro 2011

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Quem é o anticristo?

A palavra “anticristo” vem de um termo grego formado pela preposição anti (“contra”, “no lugar de”) e do substantivo christos (“Cristo, “o Ungido”). Anticristo é, em primeiro lugar, alguém que pretende usurpar a posição de Jesus, apropriando-se ilegalmente de Suas funções. Essa palavra também pode significar os sistemas usados por essa pessoa para trabalhar implícita e explicitamente “contra” Cristo. Esse título revela as duas características essenciais do anticristo: ele engana ao ocupar o lugar de Cristo e oprime ou persegue o povo de Deus em seu conflito contra Cristo.

1. O Uso do Termo: O título “o anticristo” (em grego, ho antichristos) é encontrado no Novo Testamento apenas nas cartas de João. Primeiro, de acordo com João, o espírito do anticristo está em atividade através dos falsos mestres (1João 2:18 e 22), o que mostra que o anticristo agiria dentro do cristianismo. O próprio título pressupõe que estamos lidando com a corrupção da fé cristã. O anticristo é contra a verdade revelada em Jesus, substituindo-a com sua própria compreensão de Jesus (1João 2:22; 2João 7). Segundo, a vinda do anticristo foi prevista nos ensinos apostólicos. João escreveu: “Como ouvistes que vem o anticristo…” (1João 2:18). Os cristãos foram alertados sobre essa importante ameaça ao seu compromisso com Jesus. Terceiro, o anticristo poderia se manifestar por meio de sistemas ou instrumentos humanos: “também agora muitos se têm feito anticristos” (1João 2:18). Esses indivíduos não são “o anticristo” propriamente dito, mas eles têm o “espírito do anticristo”, ou seja, possuem as mesmas intenções. Eles são instrumento dele (1João 4:3). São a expressão histórica do anticristo dentro da igreja e, como tal, poderiam ser descritos como manifestações do “anticristo” (1João 2:22; 2João 7).

2. O Anticristo Original: O indivíduo a quem João chama de “anticristo” é mencionado em outros textos bíblicos. Originalmente ele era um ser celestial que se rebelou contra Deus e iniciou um conflito cósmico (Ezequiel 28:14-16; Apocalipse 12:7). Certamente ele era um poder antiDeus, portanto o anticristo que pretendia ser “semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14). Seu objetivo final era ocupar a posição que pertence exclusivamente a Deus. Ele questionou e atacou o caráter de Deus para justificar suas ações. Ele foi expulso do Céu e, após a queda de Adão e Eva, fez deste planeta sua base de operações. Daniel se referiu ao anticristo usando símbolos que representam um poder histórico que, após a queda do Império Romano, uniu a igreja ao Estado, mudou a lei de Deus (Daniel 7:25) e usurpou a atividade sacerdotal de Cristo (Daniel 8:11). Isso descreve claramente o espírito e trabalho do anticristo na história.

3. Aparições Pessoais do Anticristo: O Novo Testamento prediz a apostasia dentro da igreja cristã (2Tessalonicenses 2:3-4) e a considera como a manifestação do espírito do anticristo. De acordo com o livro do Apocalipse, a apostasia alcançará dimensões universais e será acompanhada pela vinda do anticristo em pessoa. O Apocalipse declara que será formada uma coalizão mundial sob a liderança das forças do mal (Apocalipse 16:13-14), acompanhada de milagres e sinais que alcançará seu clímax com a vinda do anticristo, descrito por João como produzindo “grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens” (Apocalipse 13:13; conforme 1Reis 18:20-39). Paulo escreveu que “será, de fato, revelado [parousia] o iníquo”, usando o mesmo termo que empregou quando referiu-se à “manifestação [parousia]” de Cristo (2Tessalonicenses 2:8-9). O anticristo tentará imitar a segunda vinda de Cristo. Essa aparição poderosa do anticristo enganará os habitantes da Terra. Eles irão adorar Satanás (o anticristo) e os sistemas político-religiosos que o apoiam (Apocalipse 13:4). O anticristo iniciará uma guerra para exterminar o povo de Deus (Apocalipse 13:15-17), mas este encontrará segurança no Senhor (Apocalipse 17:6), e não em armamentos humanos. Sua missão é proclamar o evangelho eterno de salvação e desmascarar o anticristo (Apocalipse 14:6-12). Finalmente Cristo vai libertar Seu povo e destruir o anticristo.

Angel Manuel Rodríguez, Revista “Adventist World” – Fevereiro 2011

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Comentário da Lição da Escola Sabatina – Ligado na Videira – Como Ser Salvo, Lição 5 – 3º trimestre – 2014 – 26 de julho a 2 de agosto

Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraLição 5. Acabamos de ver o grande interesse do Pai, do Filho e do Espírito Santo em nos criar e, com a nossa queda, nos salvar. A Eles pertencem todas as etapas da salvação: início, meio e fim. É um conjunto completo. Assim, queridos irmãos, apreciemos essa obra. Inclusive, se porventura tivermos dificuldades em “explicar” a pessoa de nosso Deus, olhemos e apreciemos Sua obra – com certeza, através dela “compreenderemos” quem é o nosso Deus.
A salvação tem origem em Seu amor. A Bíblia usa lindas expressões para falar a respeito de tão grande amor: “Sião diz: ‘O SENHOR me desamparou, o Senhor Se esqueceu de mim’. Acaso, pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, Eu, todavia, não Me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das Minhas mãos te gravei” (Isaías 49:14-16) – “‘Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito’, diz o SENHOR; ‘pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, Me invocareis, passareis a orar a Mim, e Eu vos ouvirei. Buscar-Me-eis e Me achareis quando Me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós’, diz o SENHOR” (Jeremias 29:11-14) – “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a Tua fidelidade” (Lamentações 3:22-23) – “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (João 3:16-17).
Sinceridade, me passou uma vontade de fazer um trocadilho com o tema dessa semana (Como Ser Salvo), falando em “Como NÃO Ser Salvo”. Diante de tanto amor, é um absurdo dispensar tão grande salvação. É um descuido enorme não falar desse amor às pessoas que são amadas pelo Senhor, mas não sabem (os anjos têm vontade de proclamar o evangelho!!!). É uma negligência não ser salvo. O apóstolo Paulo, impressionado com esse tema, inspirado pelo Senhor, disse: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hebreus 2:3).
Por outro lado, temos a infeliz mania de criar fórmulas para a salvação (dos outros) e de colocar “peso” na cruz (dos outros). Geralmente focamos o secundário: “faça isso, faça isso e faça isso”. O certo seria: “entregue-se a Cristo, entregue-se a Cristo e entregue-se a Cristo”. E, então, viria a compreensão: “Sem Mim, nada podeis fazer”… e “Tudo posso nAquele que me fortalece”.
Irmãos, tenhamos uma ótima semana, crescendo na graça de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele toda honra, glória e louvor. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraDomingo. Reconheça Sua Necessidade (27 de julho). A Lição usa esta passagem bíblica: “Passadas estas coisas, saindo, viu um publicano, chamado Levi, assentado na coletoria, e disse-lhe: ‘Segue-Me!’ Ele se levantou e, deixando tudo, O seguiu. Então, Lhe ofereceu Levi um grande banquete em sua casa; e numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa. Os fariseus e seus escribas murmuravam contra os discípulos de Jesus, perguntando: ‘Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?’ Respondeu-lhes Jesus: ‘Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes. Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento’” (Lucas 5:27-32).
Interessante. Um judeu devoto jamais falaria com Levi Mateus, pois o considerava um traidor da nação, por tornar-se cobrador de impostos para os romanos. Sequer passava na calçada em frente da casa dele. Com isso, ele também se voltava exclusivamente para seu ofício, gostando cada vez mais do barulho das moedas caindo em sua mesa, e, quem sabe, em seu bolso. Mas Jesus o viu. Olhou para ele. Prestou atenção nele. E o convidou para uma nova vida. Irmãos, o olhar de Jesus mostrou para Mateus quem ele realmente era. Ele se viu através do olhar de Jesus.
Diz a Palavra que é o Espírito Santo quem nos convence do pecado, da justiça e do juízo. Então, Mateus se levantou, deixou tudo, e O seguiu. A salvação bateu em sua porta. Foi-lhe mostrada a sua necessidade. Foi apontada a solução. Veio o chamado. E ele correspondeu favoravelmente. (Recomendamos “Vidas que Falam”, pág. 284 – clique aqui).
Mas a passagem bíblica lida anteriormente também destaca que os fariseus murmuraram. Na verdade, isso me fez lembrar de outro publicano, com outro fariseu. Disse Jesus: “Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: ‘Ó Deus, graças Te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: ‘Ó Deus, Sê propício a mim, pecador!’” – e o próprio Jesus sentenciou: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa” (Lucas 18:10-14).
Na minha classe eu não vou me preocupar com o fariseu. Não vou gastar tempo com ele. Vou, isso sim, apelar para meus irmãos: “Queridos irmãos, não justifiquemos nossas ações erradas (e nem as certas, se porventura as temos). Não nos desculpemos pelas circunstâncias em que vivemos ou fomos criados. Como ser salvo? Simplesmente reconheçamos que somos pecadores e que existe um Salvador. E assim como estamos, entreguemos nossa vida a Ele, para que Ele complete a Sua obra que em nós iniciou”. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraSegunda. Arrependimento (28 de julho). Irmãos, “remorso” é uma coisa; “arrependimento”, outra bem diferente. Remorso reconhece o erro e até tem medo das consequências. Arrependimento, além de reconhecimento, e independentemente das consequências, provoca tristeza pela ação; e vontade de mudar de ação; e busca não mais repetir tal ação. Bem, essa é a definição dos dicionários, mas, como isso pode ocorrer no coração de um pecador? Como? Se Cristo disse que “sem Mim nada podeis fazer”, como pode ocorrer arrependimento no coração de um pecador? Como ser salvo?
“Exatamente aqui está o ponto em que muitos erram, sendo por isso privados de receber o auxílio que Cristo lhes desejava conceder. Pensam que não podem chegar a Cristo sem primeiro arrepender-se e que é o arrependimento que os prepara para o perdão de seus pecados” (Caminho a Cristo, capítulo “Mudança de Rumo”).
“É errado pensar que você deve se arrepender antes que possa ir a Jesus. Vá a Cristo justamente como você está e contemple Seu amor até que seu coração duro seja quebrado. ‘Um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás’. Podemos dizer que, a menos que o pecador se arrependa de seus pecados, ele não pode ser perdoado; mas embora isso seja verdadeiro, que ele não adie sua entrega a Cristo até que se tenha operado nele algum forte sentimento de emoção, até pensar que seu arrependimento é suficientemente profundo para merecer perdão. Que o pecador vá a Cristo assim como está e contemple o amor que tem sido derramado sobre ele, indigno como é. então, compreenderá que o amor de Cristo derruba qualquer barreira, e não volta a trás em seu arrependimento. O pecador dever ir a Cristo para que possa ser habilitado a se arrepender. É a virtude que flui de Jesus que fortalece os propósitos do coração no sentido de abandonar o pecado e se abrir para a verdade. É a virtude de Cristo que torna sincero e genuíno o arrependimento. Aquele a quem Cristo perdoa, primeiramente, Ele o faz penitente. Pedro se referiu à fonte do arrependimento, ao dizer: ‘Jesus, a quem os senhores mataram… Deus O exaltou, colocando-O à Sua direita como Príncipe e Salvador, para dar a Israel arrependimento e perdão de pecados’.
Quando o pecador vê Jesus erguido sobre a cruz, morrendo para que ele não pereça, mas tenha a vida eterna, ele compreende algo da enormidade do pecado. Então, anseia perdão para todas as suas transgressões, bem como o favor de Deus… A pessoa que encontra o Senhor renunciará a toda obra má, cessará de fazer o mal e aprenderá a fazer o bem, porque Cristo nele é formado, a esperança da glória” (Review and Herald, 03/09/1901).
“O arrependimento, assim como o perdão, é dom de Deus por meio de Cristo. É pela influência do Espírito Santo que somos convencidos do pecado e sentimos nossa necessidade de perdão” (Fé e Obras, 347).
“Não nos arrependemos para que Deus nos ame, porém Ele nos revela Seu amor para que nos arrependamos” (Parábolas de Jesus, 189). [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraTerça. Crer em Jesus (29 de julho). Na casa de Simão, o fariseu e ex-leproso, uma mulher molhou os cabelos e os pés de Jesus com lágrimas e unguento. Mais adiante, o Senhor disse assim para ela: “Perdoados são os teus pecados… A tua fé te salvou”.
Como ser salvo? A minha fé me salva? Estava Cristo atribuindo poder de salvação para a fé da pessoa? Eu tenho fé? O que é fé?
A história de Maria, na casa de Simão, nos faz aprender um pouco sobre isso. Como a salvação é assunto de Deus (no início, no meio e no fim), Ele concede dons que operam para este Seu propósito. Podemos não saber colocar os passos na ordem certa, mas há passos, e todos eles estão amarrados entre si. O amor de Cristo constrangeu essa mulher a reconhecer sua real situação, e enxergar nEle sua única solução, e isso lhe provocou tristeza pelo pecado e respectivo arrependimento. Mas notem: o prolongamento e o desenvolvimento de todas essas ações se originaram em Cristo, e não nela. Nesse caso, melhor seria não dizer “ações”, mas “reações”. Reagimos ao amor de Deus. Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro.
Como o Espírito Santo estava revelando para Maria que Cristo era o Messias (o Ungido), ela creu em Jesus – ocorre que a Bíblia também chama isso de “fé”. Crer, ou confiar, ou ter fé que Jesus resolveu o meu problema com o pecado é um dom dado por Ele. Não posso ter isso por mim mesmo.
Não sou tradutor da Bíblia (longe de mim tal pretensão), mas estou entendendo assim a frase de Jesus para Maria: “Eu estou perdoando os teus pecados. Portanto. Você está salva. E ainda bem que você, pela obra demonstrada, está revelando que acredita nisso, confia nisso, tem fé que é assim”.
Ora, em nosso caso, trazendo a Lição para nossa realidade, como ser salvo sem crer que estou perdido? Como ser salvo por Cristo sem crer que Ele é o Salvador? Leia “É possível que alguém que nunca ouviu falar de Jesus seja salvo?” (clique aqui).
A Bíblia fala que o filho pródigo, “caindo em si, disse: eu vou voltar para casa; eu tenho um pai”. Pergunto: Quem o fez “cair em si”? Quem o fez desejar voltar para casa? Foi a fome ou foi o amor do pai? Ele estava agindo ou reagindo?
Leia “Tudo vem de Deus”, em “Nos Lugares Celestiais”, pág. 221 (clique aqui). Esse texto explica muito. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraQuarta. Veste Nupcial (30 de julho). Jesus, como sempre, parte do algo comum para a revelação do extraordinário. Do menor para o maior. Do terreno para o celestial. Do convite para uma festa nupcial judaica para a presença diante do Rei do Universo.
Para hoje, o foco da passagem bíblica é esse: “Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial e perguntou-lhe: ‘Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial?’”
O homem sem a veste nupcial representa os professos cristãos que não sentem necessidade de uma transformação no caráter. Esse convidado estava aparentemente interessado apenas no privilégio de comer à mesa do rei. De fato, ele não apreciava o privilégio do convite. A honra do rei e a importância da ocasião nada significavam para ele. Esqueceu-se de que a festa estava sendo dada em honra ao filho rei e, consequentemente, ao próprio rei. Não importava quão bem vestido ele poderia estar, pois havia declinado da única coisa que lhe permitia sentar à mesa real e desfrutar as festividades e as fartas provisões que acompanhavam a celebração das bodas.
Ao ser chamado de amigo, notou o tato daquele que alegremente o convidara, como lhe dizendo que o perdoaria pela desonra, se, ao mesmo tempo, explicasse seus motivos para tal. Havia sido negligência dos servos que o convidaram? Foi displicência sua?
Continua o texto: “E ele emudeceu. Então, ordenou o rei aos serventes: ‘… lançai-o para fora’”. Se fosse inocente, teria falado. Sua mudez, no entanto, indica ter errado intencionalmente. Rejeitou o traje. Não quis usar a veste preparada para todos os convidados. Ele mesmo se desqualificou para as bodas. Excluiu-se como resultado de sua má escolha.
Irmãos, gosto muito de falar sobre a saída de Adão do Jardim do Éden. Às vezes é falado da expulsão como se Deus tivesse pesando Sua mão contra Seu errante filho. Longe disso, irmãos, longe disso. Adão não saiu pelado. O errante não foi expulso trajando roupas de folhas da figueira. Não. Ele saiu usando as vestes preparadas por Cristo. Um cordeiro foi imolado, simbolizando que o Criador Se tornaria Redentor, vindo ao mundo como Homem, mas não para destruir, e sim para salvar. Morreria pela humanidade. E, para que Adão se lembrasse disso constantemente, deveria olhar para a sua roupa, olhar para a pele do cordeiro. Errante sim, mas abençoado e protegido pela justiça de Cristo, o Cordeiro morto desde a fundação do mundo.
Apresentaremos-nos para as bodas do Cordeiro. Que isso seja verdadeiro para cada um de nós. Só que despojados de nossas ideias, opiniões, conceitos, desejos, vontades. Tudo isso está contaminado pelo orgulho, inveja, egoísmo. Que humildemente aceitemos as vestes preparadas por Jesus, lavadas em Seu sangue, oferecidas para todos que ouvirão de Seus lábios: “Vinde, benditos de Meu Pai”. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraQuinta. Siga Jesus (31 de julho). A Lição 13 do 1º trimestre já nos falou sobre o custo do discipulado. Devo deixar de gostar das coisas que gosto, caso estejam interferindo em minha salvação, e passar a gostar das coisas que Cristo gosta. Mas, tendo alimentado a natureza pecaminosa por tanto tempo, nem sempre é fácil renunciar todas as preferências particulares. É uma luta.
Porém, em nome da salvação, creia que o Senhor está apresentando apenas o que colabora para a vida eterna. É uma disciplina (reeducação) para a vida que se mede pela vida de Deus.
Sendo assim, diante de tudo o que nos é apresentado, sigamos a Jesus. Ele passou por tudo que passamos, e nos deixou vitorioso exemplo. Sigamos a Jesus.
“Como NÃO ser salvo?” – seguindo o mundo. “Como ser salvo?” – seguindo Jesus.
A Lição fala do texto de Lucas 14:26“Se alguém vem a Mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser Meu discípulo”. Sugerimos a leitura de “A Bíblia manda odiar o pai e a mãe em nome de Jesus?” (clique aqui). [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraSexta. Conclusão (1º de agosto). “É certo que o arrependimento precede o perdão dos pecados, pois unicamente o coração quebrantado e contrito é que sente a necessidade de um Salvador. Mas terá o pecador de esperar até que se tenha arrependido, antes de poder chegar-se a Jesus? Deve fazer-se do arrependimento um obstáculo entre o pecador e o Salvador?
A Bíblia não ensina que o pecador tenha de arrepender-se antes de poder aceitar o convite de Cristo: ‘Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei’ (Mateus 11:28). É a virtude que emana de Cristo, que conduz ao genuíno arrependimento. Pedro elucidou este ponto em sua declaração aos israelitas, dizendo: ‘Deus, com a Sua destra, O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados’ (Atos 5:31). Assim como não podemos alcançar perdão sem Cristo, também não podemos arrepender-nos sem que o Espírito de Cristo nos desperte a consciência.
Cristo é a fonte de todo bom impulso. Ele, unicamente, é capaz de implantar no coração a inimizade contra o pecado. Todo desejo de verdade e pureza, toda convicção de nossa própria pecaminosidade, é uma evidência de que Seu Espírito está operando em nosso coração.
Jesus disse: ‘Eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a Mim’ (João 12:32). Cristo tem de revelar-Se ao pecador como o Salvador morto pelos pecados do mundo; e, ao contemplarmos o Cordeiro de Deus sobre a cruz do Calvário, começa a desdobrar-se ao nosso espírito o mistério da redenção, e a bondade de Deus nos leva ao arrependimento (Romanos 2:4)” (Caminho a Cristo, capítulo “Mudança de Rumo”). [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

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Comentário da Lição da Escola Sabatina – Ligado na Videira – Salvação, 19 a 26 de julho de 2014 (Lição 4 – 3º trimestre)

Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraLição 4. Fico imaginando o nosso Senhor Jesus explicando as Sagradas Escrituras para Seus ouvintes. Uma pregação na montanha; ou, quem sabe, na sinagoga; ou na beira da praia. Talvez numa conversa com um grupo menor; ou mesmo com uma só pessoa – como foi o caso de Nicodemos. Para este homem, Jesus falou o que hoje conhecemos como o verso mais famoso da Bíblia: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. E arrematou: “Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele” (João 3:16-17).
Convenhamos, essa conversa foi esplêndida. Rica em significado. É o âmago do Plano da Salvação. O mundo está a perecer, mas o Pai, porque ama, dá Seu Filho para redimir o homem caído. Que privilégio de Nicodemos. Ouviu dos lábios do Salvador.
Noutra ocasião, Jesus explicou este mesmo Plano para duas pessoas. Foi na estrada, de Jerusalém para Emaús. “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras” (Lucas 24:27). Que privilégio, também, desses dois homens. Ouviram as explicações sobre o desenvolvimento do Plano da Redenção, até que chegasse o momento da “consumação”, ocorrida três dias antes.
Irmãos, esta semana nós é quem desfrutaremos dessas bênçãos. Conversaremos um pouco sobre a nossa salvação. Não estaremos com Cristo de forma física, é verdade, mas teremos o consolo através da doce presença do Senhor Espírito Santo, e de Seus anjos ministradores. A Bíblia será aberta, e isso, com certeza, é um privilégio. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraDomingo. A Salvação é Dom de Deus (20 de julho). Veja esse texto magnífico do Espírito de Profecia, e note que a salvação realmente é um dom/uma dádiva/um presente de Deus: “O Céu encheu-se de tristeza quando se compreendeu que o homem estava perdido, e que o mundo que Deus criara deveria encher-se de mortais condenados à miséria, enfermidade e morte, e não haveria um meio de livramento para o transgressor. A família inteira de Adão deveria morrer. Vi o adorável Jesus, e contemplei uma expressão de simpatia e tristeza em Seu rosto. Logo eu O vi aproximar-Se da luz extraordinariamente brilhante que cercava o Pai. Disse meu anjo assistente: Ele está em conversa íntima com o Pai. A ansiedade dos anjos parecia ser intensa enquanto Jesus Se comunicava com Seu Pai. Três vezes foi encerrado pela luz gloriosa que havia em redor do Pai; e na terceira vez Ele veio de Seu Pai, e podia-se ver a Sua pessoa. Seu semblante estava calmo, livre de toda a perplexidade e inquietação, e resplandecia de benevolência e amabilidade, tais como não podem exprimir as palavras.
Fez então saber à hoste angélica que um meio de livramento fora estabelecido para o homem perdido. Dissera-lhes que estivera a pleitear com Seu Pai, e oferecera-Se para dar Sua vida como resgate, e tomar sobre Si a sentença de morte, a fim de que por meio dEle o homem pudesse encontrar perdão; que pelos méritos de Seu sangue, e obediência à lei divina, ele poderia ter o favor de Deus, e ser trazido para o belo jardim e comer do fruto da árvore da vida.
A princípio os anjos não puderam regozijar-se, pois seu Comandante nada escondeu deles, mas desvendou-lhes o Plano da Salvação. Jesus lhes disse que ficaria entre a ira de Seu Pai e o homem culpado, que Ele arrostaria a iniquidade e o escárnio, e que poucos apenas O receberiam como o Filho de Deus. Quase todos O odiariam e rejeitariam. Ele deixaria toda a Sua glória no Céu, apareceria na Terra como um homem, humilhar-Se-ia como um homem, familiarizar-Se-ia pela Sua própria experiência com as várias tentações com que o homem seria assediado, a fim de que pudesse saber como socorrer os que fossem tentados; e que, finalmente, depois que Sua missão como ensinador se cumprisse, seria entregue nas mãos dos homens, e suportaria quantas crueldades e sofrimentos Satanás e seus anjos pudessem inspirar ímpios homens a infligir; que Ele morreria a mais cruel das mortes, suspenso entre o Céu e a Terra, como um pecador criminoso; que sofreria terríveis horas de agonia, com que o sofrimento físico de nenhuma maneira se poderia comparar. O peso dos pecados do mundo inteiro estaria sobre Ele. Disse-lhes que morreria, e ressuscitaria no terceiro dia, e ascenderia a Seu Pai para interceder pelo homem transviado e culposo” (História da Redenção, capítulo 5 – O Plano da Salvação). (Sugerimos a leitura de “Cristo, o segundo Adão” – clique aqui) [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraSegunda. Salvação: Iniciativa de Deus (21 de julho). No texto a seguir, vejamos a surpresa de Adão ao tomar conhecimento sobre a iniciativa de Deus, que, por ser Amor, não nos abandonaria nas mãos do inimigo. “Todo o Céu pranteou como resultado da desobediência e queda de Adão e Eva, a qual trouxe a ira de Deus sobre a raça humana. Foram cortados da comunicação com Deus e precipitados em desesperadora miséria. A lei de Deus não podia ser mudada para atender as necessidades humanas, pois no planejamento divino ela jamais iria perder a sua força nem dispensar a mínima parte de seus reclamos.
Os anjos de Deus foram comissionados a visitar o decaído par e informá-los de que embora não pudessem mais reter a posse de seu estado santo, seu lar edênico, por causa da transgressão da lei de Deus, seu caso não era, contudo, sem esperança. Foram então informados de que o Filho de Deus, que conversara com eles no Éden, fora tocado de piedade ao contemplar sua desesperada condição, e voluntariamente tomara sobre Si a punição devida a eles, e morreria para que o homem pudesse viver, mediante a fé na expiação que Cristo propôs fazer por ele. Mediante Cristo a porta da esperança estava aberta, para que o homem, não obstante seu grande pecado, não ficasse sob o absoluto controle de Satanás. A fé nos méritos do Filho de Deus elevaria o homem de tal maneira que ele poderia resistir aos enganos de Satanás. Um período de graça ser-lhe-ia concedido pelo qual, mediante uma vida de arrependimento e fé na expiação do Filho de Deus, ele pudesse ser redimido de sua transgressão da lei do Pai, e assim ser elevado a uma posição em que seus esforços para guardar Sua lei fossem aceitos.
Os anjos relataram-lhes a tristeza que sentiram no Céu, quando foi anunciado que eles tinham transgredido a lei de Deus, o que tornou necessário que Cristo fizesse o grande sacrifício de Sua própria preciosa vida.
Quando Adão e Eva compreenderam quão exaltada e sagrada era a lei de Deus, cuja transgressão fez necessário um dispendioso sacrifício para salvá-los e a sua posteridade da ruína total, pleitearam sua própria morte, ou que eles e sua posteridade fossem deixados a sofrer a punição de sua transgressão, de preferência a que o amado Filho de Deus fizesse este grande sacrifício. A angústia de Adão aumentou. Viu que seus pecados eram de tão grande magnitude que envolviam terríveis consequências. Seria possível que o honrado Comandante celestial, que tinha andado com ele e com ele conversado quando de sua santa inocência, a quem os anjos honravam e adoravam, seria possível que Ele tivesse de Se rebaixar de Sua exaltada posição para morrer por causa da transgressão dele?
Adão foi informado de que a vida de um anjo não podia pagar o seu débito. A lei de Jeová, o fundamento de Seu governo no Céu e na Terra, era tão sagrada como Ele próprio; e por esta razão a vida de um anjo não podia ser aceita por Deus como sacrifício por sua transgressão. Sua lei é mais importante a Seus olhos, do que os santos anjos ao redor de Seu trono. O Pai não podia abolir nem mudar um preceito de Sua lei para socorrer o homem em sua condição perdida. Mas, o Filho de Deus, que em associação com o Pai criara o homem, podia fazer pelo homem uma expiação aceitável a Deus, dando Sua vida em sacrifício e arrostando a ira de Seu Pai. Os anjos informaram a Adão que, como sua transgressão tinha produzido morte e infelicidade, vida e imortalidade seriam produzidas mediante o sacrifício de Jesus Cristo” (História da Redenção, capítulo 5 – O Plano da Salvação). [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraTerça. Morte Exigida (22 de julho). Bem, como estamos vendo, a salvação é originada no amor de Deus, sendo uma dádiva Sua aos seres humanos, total e completamente por Sua iniciativa. Nada tínhamos a pleitear. Nada, nada, nada.
Porém, é preciso que seja destacada a “perfeita justiça de Deus”. Sim, Ele pôs em execução o Plano da Salvação, mas isso não poderia ser feito alterando ou esquecendo Sua sagrada e imutável Lei. E, nesse sentido, a Lei era bastante clara: a pessoa que pecasse, essa certamente morreria, porque o salário do pecado é a morte.
Fico assombrado com o Plano Divino para nossa salvação. Aliás, todo o Universo ficou assombrado. Todos os seres criados se assombraram. O homem morreria, mas em Cristo Jesus – ou seja, o Criador Se tornaria um ser humano, e, como homem, viveria entre nós, chegando à cruz, e lá cumprindo a exigência da Lei: a humanidade morrendo.
Interessante, não é verdade?! Salvar e, contudo e ao mesmo tempo, honrar a santidade e imutabilidade da Lei. Salvar sem mudar um til, um jota ou um i da Lei. O amor satisfazendo a justiça. Que extraordinário!
Lembre-se: nossa vida é derivada de Deus. Não temos vida própria. Ele nos concedeu vida. No caso de Jesus, note bem, Ele é a vida. A vida é Ele. Sendo assim, Ele Se deu por mim e por você. Ele Se deu para que “a ira de Deus” não recaísse sobre nós, mas sobre Ele mesmo.
“… deu o Seu Filho unigênito” – “Dou a minha vida para tornar a tomá-la” – “Pai, nas Tuas mãos entrego o Meu espírito (pneuma/vida)”. Seu sangue. Sua vida.
Por outro lado, algo para refletir: pelo valor do presente, que valor tem aquele que o recebe? O quanto você vale para o Salvador? O quanto você vale para o Pai celestial? [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraQuarta. Livres do Pecado (23 de julho). Se você for usar o púlpito, não pese sua mão contra o pecador. Se for dar um estudo bíblico, não seja severo. Se for coordenar a Lição em classe, não liste os pecados da igreja. O uso desses argumentos serve de instrumento do inimigo.
Não se tira a culpa do pecador falando de seu pecado. Isso só pode ser feito quando Cristo Jesus é apresentado. A diferença para nossa vida está em olhar para a cruz. É na cruz que está a solução.
Disse Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: ‘todo o que comete pecado é escravo do pecado… Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres’” (João 8:34 e 36).
Irmãos, que nunca fique qualquer dúvida quanto a isso. Só Jesus para nos libertar. Nada. Nenhum argumento. Absolutamente nada pode nos libertar. Só Jesus. Apenas Jesus. E, assim, apresentemos Jesus para toda e qualquer pessoa, seja qual for o pecado. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraQuinta. Cristo Oferece Vida Eterna (24 de julho). Quando Pedro se debatia na água, fez o pedido que Jesus mais Se agrada de ouvir: “Senhor, salva-me”. O Salvador, por Sua vez, não gastou Seu tempo censurando o impetuoso discípulo; não lhe apresentou sua longa lista de pecados; e sequer lhe pregou todo o grande conflito entre Satanás e Ele, ou o desenrolar de Seu Plano para a redenção da humanidade caída. Não. Simplesmente estendeu a mão em direção ao frágil amigo, e o segurou, e o tirou daquela terrível situação.
Creio que há milhares de lições a serem tiradas dessa história. Uma mais linda que a outra. Mas, por hoje, eu vou tirar apenas uma: Jesus estava ali para salvar, e salvou. É verdade que o mar continuou agitado enquanto se dirigiam até o barco; é provável que continuasse assim até que desembarcaram em terra firme. Mas Jesus estava ali.
Depois desse episódio, a Bíblia relata outras quedas de Pedro. Não há necessidade de citar nenhuma delas aqui. Tudo isso é secundário. O importante é: todas as vezes que Pedro disse “Senhor, salva-me”, o Senhor prontamente lhe estendeu a mão, e o salvou.
Irmãos, um dia o nosso Senhor virá segunda vez. Nesse dia cessarão todas as revoltas ondas da experiência humana. No entanto, a Lição deseja que você entenda o seguinte: a vida eterna não começa lá, no glorioso Dia, mas agora – porque agora você já desfruta da presença de Jesus, o Eterno, Aquele que disse ser a Vida.
Será proveitoso passar os próximos dias de nossa vida sabendo que, por termos sido alcançados pela “salvação”, já estamos desfrutando os primeiros dias da vida em abundância, a vida eterna.
“Quem tem o Filho tem a vida”. [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].
Comentário da Lição da Escola Sabatina Ligado na VideiraSexta. Conclusão (25 de julho). “A parábola da ovelha perdida deve ser entesourada em cada coração. O divino Pastor deixa as noventa e nove ovelhas e sai pelo deserto, em busca da que está perdida. Há matagal, espinhos, despenhadeiros e perigosos vales entre as rochas, mas o pastor sabe que, se ovelha estiver em algum desses lugares, sua mão ajudadora será estendida a ela. Ao ouvir, de longe, o frágil balido, ele supera qualquer dificuldade a fim de salvar a ovelha perdida. Ao encontrá-la, não a recolhe com reprovações. Apenas sente grande alegria, por havê-la encontrado com vida. Com firmes, porém carinhosas mãos, ele afasta o matagal e ternamente a ergue em Seus ombros, levando-a de volta ao redil. O puro, imaculado Redentor carrega o pecador impuro.
O Pastor carrega a suja ovelha, mas tão preciosa é Sua carga que Ele Se regozija, dizendo: ‘Encontrei Minha ovelha perdida!’ Que cada um de nós considere que, individualmente, tem sido carregado nos ombros de Cristo. Que nenhum de nós alimente espírito perfeccionista, crítico ou de autojustificação, pois nenhuma ovelha entraria no redil se o Pastor não tivesse empreendido dolorosa busca pelo deserto. O fato de que uma ovelha esteja perdida é suficiente para despertar a simpatia do Pastor, e levá-Lo a agir.
Este mundo manchado foi cenário da encarnação e do sofrimento do Filho de Deus. Cristo não teve que salvar mundos não caídos, mas veio a este mundo marcado pela maldição. A perspectiva não era favorável, mas muito desencorajadora. Entretanto, Aquele que não fracassa nem Se permite desencorajar veio à Terra. Devemos ter em mente a grande alegria manifestada pelo Pastor ao resgatar a ovelha: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei Minha ovelha perdida!’, diz Ele, com exultação. E todo o Céu ecoa essa nota de alegria. Que santo êxtase é revelado nesta parábola! É nosso privilégio partilhar dessa alegria!” (Review and Herald, 19/01/1911).
“É dever de toda pessoa inteligente examinar as Escrituras. Cada um deve conhecer por si mesmo as condições sobre as quais é proporcionada a salvação” (Signs of the Times, 20/08/1894). [[Para ler a Meditação Matinal de hoje, clique aqui]].

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A IRA DE DEUS: ESTUDO BÍBLICO TEOLÓGICO E PROPOSTA HOMILÉTICA Emilson dos Reis – Tese de Doutorado em Teologia Pastoral – Ligado na Videira

SUMÁRIO (conforme paginação original) = clique no tema desejado.
INTRODUÇÃO 1
Definição do Problema 2
Propósito do Estudo 4
Escopo e Delimitações do Estudo 4
Revisão de Literatura 5
Metodologia 30
Organização do Estudo 30
I. O SIGNIFICADO DA IRA DE DEUS 32
Discussão Linguística 32
O Uso de Antropomorfismo e Antropopatia 32
Os Termos Hebraicos para Ira 33
’Ânaph, ’aph 34
Chêmâh 37
Chârâh, chârôn 39
Kâ‘as, ka‘as 41
Qâtsaph, qêtseph 43
Bâ‘ar, ‘ebhrah    45
Râgaz, rôgez 47
Zâ‘am, za‘am 49
Zâ‘aph, za‘aph, za‘eph e zal‘âphâh 51
Rûach 52
Os Termos Gregos para Ira 53
Thumos 53
Orgē 55
A Ira de Deus em Relação a Seus Outros Atributos Morais 58
A Ira de Deus em Relação a Sua Santidade 58
A Ira de Deus em Relação a Sua Justiça 63
A Ira de Deus em Relação ao Seu Amor 69
A bondade de Deus 76
A misericórdia de Deus 80
A graça de Deus 83
A longanimidade de Deus 88
A Ira de Deus comparada à Ira do Homem e à Ira dos Deuses 91
A Ira do Homem 92
Aspectos negativos e positivos 92
Comparação com a ira de Deus 93
A Ira dos Deuses 95
No Oriente Médio 95
No Mundo Grego 99
No Mundo Romano 101
Resumo e Conclusões    103
II. A REALIDADE DA IRA DE DEUS 107
A Ira de Deus no Antigo Testamento    107
As Causas da Ira de Deus 108
A quebra da aliança 108
A desumanidade 112
Os Efeitos da Ira de Deus 116
O Tempo da Ira de Deus 118
A Ira de Deus no Novo Testamento 119
A Causa da Ira de Deus 120
Os Efeitos da Ira de Deus 122
A natureza de filhos da ira 123
A atitude divina de entregar 123
A punição 127
O Tempo da Ira de Deus 129
Tempo histórico 130
Tempo escatológico 133
A Ira de Deus nos Escritos de Ellen White 140
Os Propósitos da Ira de Deus 143
Tipos da Ira de Deus 144
Falsas Ideias sobre a Ira de Deus 145
Instrumentos da Ira de Deus 146
Os anjos 147
Os anjos da luz 147
Os anjos das trevas 149
Os homens 151
Um indivíduo como executor da ira de Deus    152
Grupos de indivíduos como executores da ira de Deus 152
Israel como executor da ira de Deus 153
Nações pagãs como executoras da ira de Deus 155
A natureza 156
Elementos da natureza 156
Animais 158
Doenças e pestilências 159
Acidentes 163
Resumo e Conclusões    163
III. CRISTO E A IRA DE DEUS 167
Perspectiva Bíblica e Teológica 167
Cristo – O Detentor da Ira de Deus 167
Cristo – O Alvo da Ira de Deus 169
Cristo – O Libertador da Ira de Deus    171
A obra expiatória de Cristo 172
A necessidade de expiação 172
O significado da expiação 177
A origem da expiação    179
Objeções à realidade da expiação 179
Teorias da expiação 182
O alcance da expiação    187
A relevância da expiação 188
A obra propiciatória de Cristo    189
Teorias da propiciação 190
A justiça de Deus revelada através da propiciação 197
A obra sacerdotal de Cristo 200
Cristo – O Executor da Ira de Deus 204
A ira do Cordeiro 204
A ira do Rei Guerreiro 206
A ira do Senhor 214
Perspectiva de Ellen White 215
Cristo – O Fiador Diante da Ira de Deus 215
Cristo – O Alvo da Ira de Deus 217
Cristo – O Libertador da Ira de Deus    218
A obra de Cristo na cruz: o sacrifício    218
A obra de Cristo no santuário celestial: a intercessão 223
A obra de Cristo no homem: a aceitação 225
Cristo – O Executor da Ira de Deus 226
O derramamento das sete pragas e o segundo advento 227
O milênio 228
O julgamento diante do grande trono branco    228
O castigo final     229
Resumo e Conclusões    231
IV. A PREGAÇÃO DA IRA DE DEUS 236
Esboço 1 – Atributos Divinos que são uma Reação ao Pecado 238
Esboço 2 – A Ira de Deus em Relação a Seus Outros Atributos Morais 246
Esboço 3 – A Ira de Deus Comparada com a Ira dos Homens e a Ira dos Deuses 257
Esboço 4 – Causas da Ira de Deus 263
Esboço 5 – O Abandono do Homem é uma Forma da Ira de Deus 270
Esboço 6 – Instrumentos da Ira de Deus 274
Esboço 7 – O Tempo da Ira de Deus 282
Esboço 8 – Cristo, o Fiador e Alvo da Ira de Deus 287
Esboço 9 – O Livramento da Ira de Deus: A Obra Expiatória de Cristo 292
Esboço 10 – O Livramento da Ira de Deus: A Obra Propiciatória de Cristo 302
Esboço 11 – Cristo, o Executor da Ira de Deus 308
RESUMO, CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 317
Resumo 317
Conclusões 318
Recomendações 326
ANEXOS 327
Anexo A: Resultados da Rejeição da Graça 328
Anexo B: Hilastērion    330
BIBLIOGRAFIA 334

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A Ira de Deus – Emilson dos Reis – CAPÍTULO 1 – O SIGNIFICADO DA IRA DE DEUS – Ligado na Videira

O SIGNIFICADO DA IRA DE DEUS
O tema da ira divina deve ser compreendido a partir do estudo das palavras empregadas pelos escritores bíblicos e do uso que fizeram da antropopatia e de expressões antropomórficas. Também é necessário um exame de outros atributos morais de Deus que estão diretamente relacionados, a fim de se perceber como eles se harmonizam na personalidade divina. Além disso, porque a expressão “ira de Deus” quase sempre nos leva a pensar nos aspectos negativos da ira humana e da ira dos deuses, conforme aparece na mitologia pagã, também é imprescindível que se efetue tal comparação com a necessária profundidade.
Discussão Linguística
Para que a revelação aconteça, Deus precisa usar palavras humanas em acomodação às exigências do pensamento humano, e ele faz isso empregando antropomorfismo e antropopatia.
O Uso de Antropomorfismo e Antropopatia
O antropomorfismo é um modo de expressão do pensamento em que as características de Deus são afirmadas em termos de elementos humanos, e frequentemente se referem ao corpo humano e as suas várias propriedades. (1) O uso destes antropomorfismos não significa que Deus tenha os membros mencionados, mas que ele é capaz de fazer aquelas coisas que o corpo humano faz (Salmos 94:9). (2)
A antropopatia, por sua vez, consiste na atribuição de sentimentos humanos à divindade. (3) Deste modo, a atribuição da ira a Deus constitui uma antropopatia e representa uma parte essencial da concepção bíblica de Deus enquanto ser dotado de forte personalidade. Deve ser entendida no contexto de suas motivações e dos outros traços pessoais a ele atribuídos (4) e não significa, necessariamente, com precisão, o mesmo que quando aplicada ao homem. A natureza do sentimento precisa ser julgada pelo caráter da pessoa.
Os Termos Hebraicos para Ira
No AT são empregadas basicamente dez palavras hebraicas para indicar a presença da ira de Deus – sendo que em sua maior parte, os verbos são cognatos com os respectivos substantivos. Elas advêm de diversas formações e possuem uma grande variedade de nuances. Apesar disso nem uma delas foi utilizada para enunciar um significado teológico especial. O uso múltiplo destas palavras dentro de um mesmo verso ou perícope demonstra que elas possuem significado paralelo. (5) Estas dez palavras aparecem 714 vezes no AT para referir-se explicitamente à ira, sendo que cerca de 70% (518 vezes) se referem à ira de Deus e o restante (196 vezes), à ira humana. (6) Na sequência, elas são apresentadas de acordo com sua frequência, seguindo uma ordem decrescente.
’Ânaph, ’Aph
O verbo ’ânaph tem o significado de “irritar-se, indignar-se, encolerizar-se, enfurecer-se; estar irado”. (7) Claramente se percebe que possui uma associação com “resfolegar”, “bufar”. (8) O substantivo ’aph (II) significa “nariz, olfato, ira”, (9) e também rosto e narinas. (10) “Do sentido físico passa a designar ira, cólera, aborrecimento, coragem, raiva, fúria, irritação, indignação, despeito, sanha”. (11)
’Ânaph é a palavra mais frequente no AT para expressar a ideia de ira. O verbo ocorre 14 vezes, sempre tendo a Deus como sujeito (exceto em Salmos 2:12, onde o sujeito é o rei como filho de Deus). (12) Primeiro designa o nariz (Provérbios 11:22), logo seu tremor e seu ressoar (Gênesis 30:2; Êxodo 4:14), e, a partir daí, a causa deles, a ira (Jó 4:9). (13) Seu principal uso diz respeito ao aspecto emocional da ira porque, devido às alterações na respiração que esta provoca em quem a possui, o nariz fica dilatado. (14)
O substantivo ’aph é derivado do verbo e é a mais comum designação para ira encontrada no AT. Das 277 ocorrências, 224 se referem à ira e as 53 restantes, ao nariz, narinas e rosto. (15) O substantivo pode ser encontrado no singular, ’aph, ou na forma dual ’apphayim, sendo que ambos podem transmitir a ideia de ira, tanto a humana (40 vezes) quanto a divina (170 vezes). (16) Em duas passagens (Jó 4:9 e Salmos 18:15) as duas formas são sobrepostas e em ambos os contextos é evidente que a respiração das narinas do Senhor é uma expressão de sua ira. (17)
No AT existe uma clara relação entre a ira e o fôlego (Êxodo 15:8; Salmos 18:16: Jó 4:9), (18) e o nariz é mencionado mais como órgão da ira do que do cheiro. (19) Por isso, o nariz é considerado como o assento da ira (Ezequiel 38;18; Salmos 18:8). (20) Algumas passagens trazem a ideia da respiração agitada pela ira, (21) de um intenso estado emocional, em que as paixões se elevam e o rosto fica corado. Quando a forma substantivada é empregada para os homens, pode indicar uma ira irracional e descontrolada (Números 22:27; 1Samuel 20:30), todavia, geralmente refere-se à ira de Deus, que, é tanto racional como controlada. (22)
Este grupo de palavras é usado particularmente para expressar a atitude de ira que Deus tem para com o povo do concerto quando eles pecam (Deuteronômio 1:37; 9:8, 20), (23) e significa que seu amor, que foi ferido ou ofendido, tem como resposta emocional a ira (Deuteronômio 13:12-17), (24) que se expressa em punições (Salmos 6:1; Isaías 12:1) e castigos (2Samuel 6:7; Jeremias 4:6).
De fato, ’aph pode ser empregado num contexto forense referindo-se ao dia da sentença condenatória (Isaías 13:13; Sofonias 2:2; Lamentações 2:22), à revogação da condenação (Deuteronômio 13:17-18; Números 25:4), ao instrumento de execução (Isaías 10:5), à correção, não condenação (Jeremias 10:24), ou à justiça vindicativa (Miqueias 5:15). (25) Há ocasiões em que é possível desviar a ira de Deus (2Crônicas 29:10) e outras em que ela não pode ser posta de lado (Jeremias 23:20).
No episódio do bezerro de ouro (Êxodo 32), por exemplo, aparece cinco vezes o substantivo ’aph para retratar o quanto Deus estava furioso com seu povo, a tal ponto de intentar aniquilá-los. Entretanto, Moisés pleiteou para que Deus tornasse de sua fúria e manifestasse compaixão. Outro aspecto da ira de Deus é revelado nos livros poéticos: ela dura apenas um momento (Salmos 30:5 ou 6) e é frequentemente restringida (Salmos 78:38), porque o Senhor é compassivo, gracioso, tardio para se irar e abundante em seu amor e fidelidade (Salmos 86:15; 103:8; 145:8). (26)
Chêmâh
O substantivo chêmâh tem os significados de “ira, cólera, arrebatamento, fúria, furor, iracúndia, irritação, indignação, raiva, sanha, vesânia, coragem; veneno, peçonha, tóxico”, (27) calor e desprazer intenso. (28) Chêmâh é a segunda palavra mais usada para “ira” no AT. (29) Ocorre 125 vezes, (30) sendo que 90 vezes se referem à ira de Deus. (31)
Por ser derivada de yâcham, (32) “estar quente”, tem uma conotação incendiária (33) e pode transmitir a ideia tanto de um calor físico como a febre, quanto de um ardor emocional em diversos níveis, sendo empregada para a raiva e a ira, tanto do homem como de Deus (Gênesis 27:44; Provérbios 21:14). (34) Quando usada no sentido de ira, ressalta sua “manifestação de calor, ardor, afogueamento”. (35) Seguidamente se refere à ira de Deus como “fogo” (Salmos 89:46; Jeremias 4:4; 21:12; Lamentações 2:4; Naum 1:6), ou como “sendo acesa” (2Reis 22:13, 17), mas também pode ser usada com o significado de derramar-se como água (Oseias 5:10) e com ambas estas imagens (Isaías 42: 25; Jeremias 7:20; 44:6). (36)
Além de ser empregada como um referência ao “excitamento” do espírito (Ezequiel 3:14), (37) pode ser usada também em relação à “quentura” do vinho (Habacuque 2:15; Jó 36:16-18; Oseias 7:5), ao “veneno” de serpentes (Deuteronômio 32:24; Jó 6:4; Salmos 58:4; 140:3) e às flechas envenenadas (Jó 6:4) – pois se presume que o “calor” corporal seja produzido pela ira, pelo veneno ou pelo vinho. (38) Ainda é empregada como sinônimo de “repreensão” (Isaías 51:20 e 66:15) e aparece em expressões que se referem a algum “castigo” (Ezequiel 5:15 e Salmos 6:1 e 38:1). (39)
Seu uso primário no AT é para referir-se à ira de Deus, indicando seu ardor ou furor (Números 25:11; Deuteronômio 9:19; Ezequiel 36:6; Naum 1:2, 6) que, pelo menos em certas circunstâncias, se extinguiria somente depois que fosse derramado por meio de um juízo (2Reis 22:13-17; Jeremias 42:18). (40) Pode ter o aspecto judicial de condenação (Deuteronômio 9:9; 2Reis 22:13; Isaías 63:3; Jeremias 32:37). (41)
No período pré-exílico é voltada principalmente contra o povo de Deus (2Reis 22:13; Salmos 89:46; Jeremias 4:4). (42) Sua maior frequência aparece em Ezequiel (33 vezes) e Jeremias (17 vezes), que atuaram na época em que findavam os dias de Judá como nação e iniciavam os anos do cativeiro babilônico, justamente quando a paciência de Deus com seu povo chegou ao limite. Um exame dos escritos desses homens demonstra que chêmâh tem a conotação de uma emoção mais forte do que aquela expressa por ’ap (quando ’ap é usada sem modificadores), uma emoção tão intensa que resulta em julgamento (Jeremias 4:4; 21:12; 23:19; 30:23; Ezequiel 5:5-13). (43) Nos períodos exílico e pós-exílico a ira divina é direcionada especialmente contra as nações estrangeiras (Isaías 34:2; Ezequiel 25:11, 17; Miqueias 5:15), mas também contra pecadores individuais de Israel. (44)
Chârâh, chârôn
A raiz verbal chrh transmite a ideia de queimar, arder, estar inflamado ou aceso (de ira); estar irado com. (45) É a segunda raiz mais comum empregada para denotar ira: 139 vezes. (46) O verbo chârâh – que aparece 93 vezes no AT (47) – provindo da experiência fisiológica do calor facial, que é um sintoma da ira, é empregado sempre para significar ira, (48) sendo que na maioria das ocorrências a referência é à ira de Deus. (49)
Chârâh transmite a ideia de “irar-se, encolerizar-se, indignar-se, enojar-se, enraivecer-se, enfadar-se, incomodar-se (Gênesis 4:5; Números 16:15; Números 3:33). (50) O sentido da raiz difere de outros termos que designam “ira” porque enfatiza o “acender” a ira, como se acende um fogo, ou o “insuflar” a ira quando ela já se encontra presente (Gênesis 31:36; 39:19; Números 11:1). (51)
O substantivo chârôn significa incêndio, (52) e é empregado 41 vezes, sempre com relação à ira de Deus. (53) Quando é usado com ’aph, e isto ocorre 35 vezes, a referência é ao ímpeto ou ardor da ira divina. Outro substantivo, chôrî, que tem o mesmo sentido de chârôn, é usado apenas seis vezes, sendo duas para Deus. (54)
Quando empregados em relação a Deus, tanto o verbo como o substantivo sempre expressam a noção de uma ira legítima, como a de um suserano contra um vassalo desobediente. Em quase todos os casos, o objeto dessa ira é Israel e ela é acesa por causa de sua infidelidade ao constante amor de Deus: a desobediência às estipulações da aliança (ver Josué 7:1; 23:16; Juízes 2:20), ou a procura por outros deuses (Deuteronômio 6:14-15; 11:16-17; 31:16-17), ou a transgressão dos mandamentos (Isaías 5:24-25; Oseias 8:5). (55)
Também é digno de nota que nos livros proféticos a ira de Deus parece maior do que nos dias de Moisés, o que pode ser visto, por exemplo, em Jeremias 4. Isso ocorre porque essa ira aumenta à medida que Israel persevera em sua apostasia. Em razão disso, o substantivo chârôn é mais empregado nos últimos livros do AT. (56)
Kâ‘as, ka‘as
O verbo kâ‘as tem o sentido de “irritar-se, enfadar-se, enfurecer-se, desgostar-se”; provocar; enfadar, desgostar, indignar, enfastiar, importunar; incitar, impacientar, encolerizar, fazer perder a calma. (57) Denota uma ação interna, que, geralmente, não tem um objeto. Transmite a ideia de irritar ou provocar alguém de maneira que ele não se contenha e reaja. (58)
O AT o emprega 54 vezes, sendo 43 vezes para Deus e 11 vezes para os homens. (59) As outras palavras para ira raramente se conectam com ka‘as. Algumas vezes aparece como uma ideia paralela de “ter ciúmes, ter zelos” (Deuteronômio 32:16, 21; Salmos 78:58-59). (60)
O substantivo ka‘as significa “raiva, despeito, irritabilidade, ira, cólera; desgosto, irritação, sofrimento, aflição; provocação”. (61) É empregado 23 vezes, (62) sendo que oito delas para referir-se à divina “irritação” (1Reis 15:30; 21:22; Jó 10:17). (63) É o mais introspectivo dos termos para ira. (64) Na maioria dos casos designa o sentimento que vem como resultado de um tratamento injusto e, assim, deve ser traduzida preferencialmente por “desgosto” ou “mágoa” antes que por “ira” (Jó 17:7; Salmos 6:7; 31:9-10; Eclesiastes 7:3). (65) Em alguns casos excepcionais, quando usado no sentido de “irar-se”, é dirigida contra os homens (Jó 10:17; 2Crônicas 16:10; Salmos 85:5). (66)
Deus é, frequentemente, o objeto do verbo, o que transmite a ideia de que alguém enfureceu a divindade. A razão primária para essa indignação é a adoração de outros ídolos por parte de Israel (1Reis 14:9, 15; 2Reis 22:17), o que evidencia que a exclusiva reivindicação de Deus sobre Israel foi ignorada. (67)
Quando o povo da aliança, a quem ele escolheu para comunhão e serviço, é infiel, Deus, por causa de seu amor e santidade, fica profundamente magoado e irritado. E quando essa provocação persiste, pode chegar ao ponto de que sua ira contra eles só se aplaque após o envio de seus juízos (2Reis 21:1-26; 23:26), que são a expressão do amor divino que se defende e remove aquilo que lhe irrita e entristece. (68) Portanto, quando usado em relação a Deus, esses termos demonstram que o homem, por meio do pecado e da rebeldia, pode irritá-lo, magoá-lo e entristecê-lo (Deuteronômio 4:25; 9:1-8), (69) todavia a irritação não é um atributo permanente de Deus (Ezequiel 16:42). (70)
Qâtsaph, qêtseph
O verbo qâtsaph significa “irar-se, encolerizar-se, irritar-se, indignar-se, enfurecer-se, enfadar-se, zangar-se”; (71) “sentir ira, cólera, etc.; estar irado, irritado”; (72) “irritar, provocar, aborrecer”. (73) É possível que tenha o sentido básico de “brotar”, “irromper”, do qual evoluiu para ter o sentido de “encolerizar-se”, “estar furioso”. (74) Com o significado de estar irado, ocorre 34 vezes, tendo 29 vezes o Senhor como sujeito. (75) Qâtsaph é empregado para dar expressão ao relacionamento interpessoal quando uma das partes sente ira, por causa do que a outra disse ou fez. (76)
O substantivo qetseph denota “ira, enfado, zanga, irritação, indignação, fúria, raiva, cólera, sanha, furor”, (77) aborrecimento, desprazer. (78) Ocorre 28 vezes e, com exceção de Eclesiastes 5:17 e Ester 1:18, é usado nas outras 26 vezes para referir-se à ira de Deus (Deuteronômio 29:27; Jeremias 10:10). (79)
Com frequência se trata de um sentimento repentino, violento e que rapidamente se desfaz. Isso pode ser visto nos episódios em que Faraó se encolerizou pela infidelidade de seus servos (Gênesis 40:2; 41:10); Moisés, pela desobediência do povo (Êxodo 16:20) e porque os filhos de Arão não observaram corretamente o ritual do santuário (Levítico 10:16); Naamã, contra Eliseu (2Reis 5:11). Qetseph é utilizado também para Deus (Levítico 10:6; Número 16:22; Eclesiastes 5:5; Lamentações 5:22) (80) e aparece intercambiavelmente com outras palavras para ira. (81)
Qetseph pode ser descrito como uma dramática manifestação do desagrado de Deus, que, apesar disso, não pretende destruir (Sl 38:1-4). (82) Aparece em textos que salientam que a ira divina é transitória (Isaías 57:16) e que será superada pela graça e a misericórdia (Isaías 54:8). (83)
Todavia, algumas passagens expressam mais claramente o tratamento de destruição inerente a qêtseph (ver Números 31:14-18; Deuteronômio 1:34). A raiz qtsp pode ter consequências que afetam outras pessoas além daquelas que provocaram a ira de Deus (Levítico 10:6; Salmos 106:32) e assume uma particular intensidade quando associada com nações estrangeiras (Jeremias 10:10; Zacarias 1:12-17). (84) A qetseph atua para proteger a santidade e o amor de Deus (aos quais está indissoluvelmente ligada) e aqueles que são objetos desse amor. Ela se manifesta quando seu amor é profanado, distorcido ou rejeitado (85) e, podendo operar de diversas maneiras, seu propósito é “restringir o mal, corrigir o pecador e castigar o rebelde endurecido e obstinado”. (86) A frase qêtseph gâdol ocorre seis vezes (Deuteronômio 29:27; 2Reis 3:27; Jeremias 21:5; 32:37; Zacarias 1:15; 7:12) e indica grande ira, sendo uma advertência quanto às consequências da apostasia e do abandono da aliança do Senhor. (87)
Bâ‘ar, ‘ebhrah
O verbo ‘br ocorre oito vezes e tem uma etimologia incerta. (88) De fato, as palavras com as consoantes br apresentam um quadro muito confuso com relação à etimologia e significado. Há pelo menos três diferentes raízes contendo estas consoantes: a primeira significa “queimar”; a segunda, “exterminar”, “alimentar ou apascentar”; e a terceira, “ser estúpido”, que deriva de ba‘îr, “besta, gado”. (89)
Com o significado de “queimar”, “arder”, bâ‘ar aparece, primeiramente, em descrições de teofanias (Êxodo 3:2ss.; Deuteronômio 4:11; 5:23; 9:15; 2Samuel 22:13; Salmos 18:8) e, em segundo lugar, frequentemente é encontrada revelando o poder abrasador da ira de Deus (Isaías 30:27 e 33), que pode ser de tal intensidade, em situações extremas, que ninguém possa apagá-lo antes que ele cumpra seu propósito (Jeremias 4:4; 7:20; 21:12; Malaquias 4:1). Em terceiro lugar, é usada como “fogo”, o qual é retratado como instrumento de Deus para punir os ímpios (Números 11:1; Isaías 1:31; 10:17; Salmos 106:18). (90)
Com o significado de “exterminar”, bâ‘ar aparece em diversas passagens que apresentam o destino de pessoas que cometeram atrocidades (2Samuel 4:11; 1Reis 14:10 e 21:21). Há também um grupo de leis em Deuteronômio, que apresenta a punição caracterizada pelas palavras “eliminarás o mal do meio de ti” (Deuteronômio 21:18-21; ver também 19:11-13; 22:22; 24:7), significando que deve ocorrer a purificação da tribo ou da nação, de modo que o mal seja rejeitado. (91)
O substantivo ‘Ebhrah significa “cólera, fúria, furor, indignação, paixão, arrogância”. (92) Derivado da raiz verbal ‘br, que tem a conotação de “passar”, “transpor” e “transbordar”, ‘ebhrah traz a ideia de “transpor os limites permitidos”, de algo insuperável ou excessivo e pode significar uma vasta gama de sentimentos, desde orgulho e arrogância até o de ira destruidora. (93) Ocorre 34 vezes no AT, sendo que em 30 delas a ideia é a de ira (seis vezes se referem à ira do homem – Gênesis 49:7; Salmos 7:6 – e 24 vezes se referem à fúria divina – Ezequiel 22:21, 31; 38;19; Oseias 13:11; Habacuque 3:8). (94)
A expressão “‘ebhrah de Deus” é sempre compreendida como a reação divina ao comportamento humano inapropriado e salienta a impetuosidade de sua ira (ver Deuteronômio 3:26; Salmos 78:21, 49; Isaías 9:19; Ezequiel 22:1), que transborda, queima e consome aquilo que a causou. (95) É usada nas expressões “fogo do meu furor”, que ocorre quatro vezes (Ezequiel 21:31; 22:21, 31; 38:19) e “dia da ira”, mencionada cinco vezes (Ezequiel 7:19; Sofonias 1:15, 18; Jó 21:30; Provérbios 11:4). (96)
Conforme a descrição de Sofonias 1:15-18, este dia surge como uma consequência do pecado humano (Sofonias 1:17) e a palavra ‘ebhrah (Sofonias 1:18), neste caso, aponta para a natureza esmagadora da ira de Deus contra o pecado, da qual as pessoas não podem ser libertas. (97)
Râgaz, Rôgez
Nas línguas semíticas, as raízes com as consoantes rgz expressam a ideia de “movimento”, de “tremer” e tem o principal significado de “estar irado”. (98) O verbo râgaz significa “tremer, vibrar; estremecer-se, agitar-se; irritar-se, brigar; temer”; “agitar, sacudir, cirandar; estremecer, inquietar, desassossegar”; “revolver-se”; (99) perturbar, agitar, mover, excitar; fazer estremecer, ativar. (100) Ocorre 41 vezes ao longo do AT e, fundamentalmente, expressa a ideia de movimento físico. Assim, tremem, a terra (1Samuel 14:15; Joel 2:10), os fundamentos dos céus (2Samuel 22:8), os montes (Isaías 5:25), as ondas (Salmos 77:17). (101)
Todavia, seu significado tem se expandido além de seu limite original e é capaz de expressar ideias de rebelião, medo, perturbação, raiva e excitação (Êxodo 15:14; 2Samuel 19:1). (102)
Quando râgaz é usado com um sujeito animado, denota primariamente um fenômeno somático, uma agitação crescente, derivada de uma profunda emoção, que em Ezequiel 12:18 aparece como “tremor” (103) e que só pode ser identificada pelo contexto. (104) Desse modo, pode-se tremer de alegria (Jeremias 33:9) ou de medo (Êxodo 15:14) e só esporadicamente se aplica à ira (Jó 12:6; 37:2; 2Reis 19:27-28; Habacuque 3:2). (105) Na verdade, râgaz é uma das palavras mais raramente usadas para denotar a ira no AT, onde ocorre apenas sete vezes. (106)
O substantivo rôgez traz a ideia de tremor, trepidação; agitação, inquietação, sobressalto, susto, (107) excitação, perturbação. (108) É empregado nove vezes: oito na forma masculina, a qual pode aparecer para expressar o tipo de ira furiosa que com frequência é acompanhada por estremecimento (Habacuque 3:2; Daniel 3:13); e uma vez na forma feminina, usada no sentido de medo ou ansiedade (Ezequiel 12:18). (109)
Nos oito textos em que Deus é associado com râgaz, sempre há uma revelação de seu poder (Jó 9:5-6; Isaías 28:21; Habacuque 3:2; etc.). (110) Esse verbo é empregado para referir-se àquelas situações em que Deus treme de indignação ou ira, porque é provocado. (111) Desse modo, Isaías 28:21 mostra Deus levantando-se ou agitando-se para a batalha. (112)
O substantivo rôgez é empregado para referir-se a agitações externas, como o estremecimento da terra, que é um tema comum no AT. Nesse caso, a ira de Deus é tipicamente descrita como a razão para tal estremecimento (1Samuel 14:15; 2Samuel 22:8; Salmos 18:7; Amós 8:8). Juntamente com a terra – montanhas, céus, nações, reinos e seus habitantes – também estremecem diante da ira de Deus (1Samuel 13:13; Isaías 5:25; 23:11; 64:2). Estremecimento semelhante pode ocorrer em uma teofania (Jeremias 33:9) e acontecerá no grande e terrível dia do Senhor (Joel 2:1, 10). (113) Todavia, rôgez é empregado apenas uma vez para expressar a ira de Deus (Habacuque 3:2). (114)
Zâ‘am, Za‘am
O verbo zâ‘am traz a ideia de “estar irritado; descarregar a cólera”, (115) expressar indignação, denunciar, (116) repreender, reprovar (117) e tem a conotação primária de amaldiçoar (Números 23:7; Provérbios 24:24). (118) É empregado para indicar tanto a condição de estar indignado como a atividade que dá expressão a esse estado, (119) mas sua ideia básica é a de expressar indignação especialmente na forma de denúncia. (120)
Zâ‘am pode ser usado para retratar uma atitude de ruptura, de inimizade (Zacarias 1:12; Malaquias 1:4); para manifestar indignação contra alguém (Provérbios 24:24), seja através de um pronunciamento de maldição (Números 23:7), seja descarregando sua cólera (Daniel 11:30); para referir-se à indignação do juiz (Salmos 7:11). (121) Aparece apenas 12 vezes (122) sendo que em sete delas a referência é à ira divina e a um claro aspecto de juízo. (123) Parece ter sido parte de uma fórmula de maldição que posteriormente veio a significar a condição emocional por detrás da maldição (Isaías 30:27). (124)
O substantivo za‘am é traduzido por “cólera, indignação, irritação, ira, furor, fúria, raiva”. (125) Significa a paixão, mas especialmente a sua manifestação ativa (Jeremias 15:17; Naum 1:6; Salmos 38:3; 102:10; Daniel 8:19; 11:36), (126) e denota raiva expressa em palavras de repreensão (ver Isaías 30:27). (127) Na maioria das 22 vezes em que ocorre, a referência é à ira de Deus (ex.: Salmos 102:10; Isaías 10:5; 66:14-15; Jeremias 10:10; Ezequiel 22:31). (128) Nos textos apocalípticos tem o significado especial de “tempo da ira” (Isaías 26:20; Daniel 8:19; 11:76). (129)
A za‘am de Deus é expressa em dor e sofrimento (Salmos 38:1-3; Jeremias 15:17), cativeiro e exílio (Lamentações 2:6; Zacarias 1:12), seca (Ezequiel 21:31-32; 22:24, 31), trovão, fogo e fumaça (Isaías 30:27-30), terremoto (Naum 1:5; Habacuque 3:12), pragas no Egito (Salmos 78:49) a opressão de Israel por nações estrangeiras (Isaías 10:5, 25; Jeremias 50:25); (130) e em várias teofanias proféticas de juízo. Ela é parte de um tríplice esquema: (1) o relato de uma teofania, envolvendo catástrofe na natureza e terminologia de ira, frequentemente associado com fogo abrasador (Isaías 30:27-28; Naum 1:2-6; Habacuque 3:3-12; Sofonias 3:8); (2) julgamento das nações (Isaías 30:28-33; Naum 1:8-11; Habacuque 3:12-13; Sofonias 3:8); e (3) palavras de salvação para o próprio povo do profeta, a quem é prometido livramento da za‘am (Isaías 30:19-26, 29; Naum 1:7, 12; Habacuque 3:13; Sofonias 3:9-20). (131)
Zâ‘aph, Za‘aph, Zâ‘êph e Zal‘âphâh
O verbo zâ‘aph tem a conotação fundamental de estar agitado, (132) mas também significa estar turbado, abatido, (133) triste, irado, (134) indignar-se, irritar-se. (135) Os substantivos derivados são za‘aph (sete vezes), za‘eph (duas vezes) e zal‘âphâh (3 vezes). (136) O substantivo za‘aph significa “cólera, fúria”, (137) ataque, indignação, (138) furor. (139)
Ao que tudo indica za‘aph evoluiu da ideia inicial de “agitação”, para “ira”. (140) É empregado em relação com os fenômenos naturais (Jonas 1:15 – o furor do mar; Salmos 11:6 – o torvelinho); a agitação do espírito humano (o que ocorre seis vezes, com a ideia de “aflição” ou “abatimento” – ver Gênesis 40:6; Daniel 1:10 (141) – e forte indignação – 1Reis 20:43; 21:4; 2Crônicas 16:10; 26:19); (142) e a ira Deus (duas vezes – Isaías 30:30; Miqueias 7:9). (143) Portanto, za‘aph é uma palavra raramente empregada, e quando aparece, é utilizada mais em paralelo com termos como “desgosto” ou “descontentamento” (Gênesis 40:6; 1Reis 20:43; 21:4) do que “ira” (2Crônicas 16:10). (144)
Com base em Miqueias 7:9 pode-se dizer que a ira de Deus é sua reação ao pecado de seu povo e, todavia, ela não perdurará para sempre, antes será substituída pela restauradora graça de Deus. (145)
Rûach
O significado mais básico do rûach é “ar em movimento”, (146) “vento, vendaval, lufada, brisa, aragem; ar; direção”; “alento, hálito; alento vital, alma, espírito; respiração, fôlego, ofego; sopro, assopro”, (147) mas também é variadamente definido como transitoriedade, volição, disposição, temperamento, espírito, Espírito. (148) Pode designar a ira como uma paixão pertinente à esfera do espírito. (149) Este substantivo ocorre 387 vezes no AT, (150) mas em apenas seis passagens é traduzido por ira (Juízes 8:3; Provérbios 16:32; 29:11; Isaías 25:4; 30:28; Zacarias 6:8), sendo que em duas delas retrata a ira de Deus. (151) Uma possibilidade é que seu uso para a ira derive da observação feita de que a ira é acompanhada de uma excitação que causa uma respiração ofegante, um movimento forte e rápido de ar, uma bufada através das narinas. (152) Quando aplicado a Deus, rûach, no sentido de ira, o retrata como um Ser dotado de forte emoção. (153)
Os Termos Gregos para Ira
Enquanto que o AT possui uma grande variedade de expressões para retratar o conceito de ira, o NT emprega apenas duas palavras, orgē e thumos. (154) Em etimologia e significado, orgē e thumos são originalmente distintos. Na língua grega o processo psíquico, a que chamamos de ira, estava originalmente diferenciado.
Thumos
Thumos significa originalmente “o que se encontra em movimento, em ebulição” e, a partir daí, também aquilo que causa estes efeitos. Pode tratar-se tanto de um movimento externo como de uma emoção interna (do sentimento, do coração). No grego profano, nos estágios mais antigos da língua, thumos significa “força vital, anelo, ânimo e ira” e, mais tarde apenas “ânimo, cólera e ira”. (155) No grego secular envolve uma graduação de significados: desejo, impulso, paixão, coragem, disposição, reflexão. Posteriormente foi usado por escritores como Platão, Tucídides e outros, significando, coragem, raiva e ira. (156)
Thumos tem sido usado no sentido de paixão, desejo, impulso, inclinação, espírito, raiva, ira, fúria, sensibilidade, disposição, mente, pensamento, consideração. Tanto a literatura judaica como os escritos do NT fizeram um uso semelhante. (157) Aparece umas 200 vezes na LXX (158) e 18 no NT, onde significa mau humor, cólera, sendo cinco vezes em Paulo (Romanos 2:8; 2Coríntios 12:20; Gálatas 5:20; Efésios 4:31; Colossenses 3:8); uma vez em Hebreus (Hebreus 11: 27); duas vezes em Lucas (Lucas 4:28; Atos 19:28) e dez vezes no Apocalipse (Apocalipse 14:8, 10, 19; 12:12; 15:1, 7; 16:1, 19; 18:3; 19:15). Em algumas passagens (Lucas 4:28; Atos 19:28) se percebe claramente a ideia original de algo que ferve, como um fluído borbulhante que enche o homem, vai subindo de pressão e acaba por explodir. (159) É ira a que se inflama subitamente e logo se apaga, ainda que isto não aconteça em cada caso. Indica uma condição mais agitada do sentimento, uma explosão de ira devido à indignação interna, e pede que chegue à vingança, ainda que não a inclua necessariamente. (160)
Outras expressões derivadas de thumos, como é o caso do verbo enthumeomai (Mateus 1:20), têm o significado básico de “ter em mente”, reflexionar, meditar, pensar; e o substantivo enthumēsis (Mateus 9:4; 12:25; Atos 17:29; Hebreus 4:12), “o que se encontra na mente, pensamento”, meditação, reflexão, mas sempre no sentido negativo de um pensamento mau ou néscio. (161)
Quando thumos é aplicado para Deus, e isso ocorre oito vezes (Romanos 2:8; Apocalipse 14:10, 19;15:1, 7; 16:1, 19;19:15), tem sempre um sentido escatológico, uma referência à cólera divina que incidirá, ao final da história humana, sobre o pecador contumaz, aquele que rejeitou muitos chamados para se arrepender e resistiu de maneira definitiva ao amor de Deus, (162) e destaca o ardor dessa ira (163) que resultará em tribulação e angústia. (164)
Orgē
Diferentemente de thumos, orgē assinala a manifestação externa ativa e ao mesmo tempo o movimento anímico que acompanha esta manifestação: a ira que irrompe. (165)
Sugere uma condição mais fixa ou permanente da mente, frequentemente com a intenção de vingar-se. Orgē é menos súbita que thumos em seu aparecimento, todavia mais duradoura. (166) Traz a ideia de uma indignação que se levanta gradualmente até tornar-se mais estabelecida (167) e inclui sempre um elemento de reflexão orientada para algo, por exemplo, para a vergonha ou para o castigo. (168) Na literatura de tragédia, orgē é sempre vista como protegendo algo que é correto e, na vida política, aparece como uma atitude característica e legítima de um governante que deve vingar a justiça. (169)
Embora originalmente thumos possuísse a conotação de emoção interna, e orgē fosse empregada para sua manifestação externa, na LXX quase que se perdeu totalmente esta distinção, de modo que ambas traduzem em conjunto e indiscriminadamente os mesmos equivalentes hebreus, sendo empregadas de modo intercambiável. (170)
O NT parece ter seguido o uso da LXX, (171) embora prefira empregar orgē para tratar da ira de Deus, provavelmente porque ele tem poucas conotações de emoção e excesso. (172)
O significado de orgē pode ser fixado mais precisamente quando se consideram os termos que são colocados em paralelo ou em contraste com ele no NT. Na maioria das passagens, orgē é uma realidade da obra de Deus e seu julgamento e apresenta uma ideia maior do que uma mera emoção: a de uma verdadeira atitude de Deus (Lucas 21:22; Romanos 2:8-11; 12:19). (173)
Isso é corroborado por muitos textos pertinentes (Romanos 1:18; 9:22; Apocalipse 6:16; etc.) e é percebido mais claramente na citação do AT em Hebreus 3:11; 4:3. (174)
Orgē aparece 36 vezes no NT, sendo 12 delas em Romanos. No Apocalipse ela ocorre seis vezes, (175) e tem sido vertida por raiva, indignação, ira. (176) Pode ser empregada tanto em referência ao homem (177) (Colossenses 3:8; 1Timóteo 2:8; Tiago 1:19) como a Deus. Todavia, quando aplicada a Deus deve ser despojada de tudo que se assemelhe à paixão do homem, especialmente da paixão da vingança. (178) Orgē é a atitude de Deus frente ao pecado, não cólera, mas a ira da razão e da lei (179) e, por isso, Paulo, ao tratar da ira, prefere usar o termo orgē. Na verdade, ele usa thumos uma vez, em Romanos 2:8, onde as duas expressões são combinadas numa citação do AT. (180)
Como outras palavras do NT, orgē tem uma característica presente e outra escatológica. Quando possui um sentido escatológico aparece como antônimo de zoe aiōnios [vida eterna] (Romanos 2:7; conforme verso 5) e peripoiēsis sōtērias [alcançar a salvação] (1Tessalonicenses 5:9) e é retratada pelas imagens do fogo (Mateus 3:10-12), do cálice (Apocalipse 14:10) e do lagar do vinho (Apocalipse 19:15). (181) O Apocalipse, por sua vez, prefere usar thumos, (182) quase sempre se referindo à ira divina, embora haja duas passagens em que elas apareçam juntas na mesma frase: “furor [thumos] da sua ira [orgē]” (Apocalipse 16:19) e “do furor [thumós] da ira [orgē] do Deus Todo-Poderoso” (Apocalipse 19:15).
A Ira de Deus em Relação a Seus Outros Atributos Morais
Para a correta compreensão do tema da ira divina é absolutamente necessário relacioná-la a outros atributos morais de Deus, notadamente a santidade, a justiça e o amor. Este último atributo deve ser estudado também em suas várias formas de manifestação, como bondade, misericórdia, graça e longanimidade.
A Ira de Deus em Relação a Sua Santidade
Uma das palavras mais importantes de todo o AT é qâdôsh, que significa cortar, separar. Sua ideia primária é a de separação. Desse modo, santo é aquilo que é separado, retirado do uso comum, como é o caso de lugares e objetos (em que não há qualquer conotação moral) frequentemente mencionados no AT. No texto do NT, o mesmo conceito aparece na palavra hagios. Quando tais palavras são empregadas para Deus referem-se à relação que há entre ele e alguém ou alguma coisa, (183) e podem indicar dois aspectos: a santidade majestosa e a santidade moral.
Em primeiro lugar Deus é santo porque é totalmente separado da criação no sentido de que somente ele é Deus, Criador, Eterno e Infinito, enquanto tudo o mais teve começo, é criação, é finito e não possui natureza divina. Em outras palavras, ele é singular, distinto de tudo e de todos, exaltado sobre tudo em sua natureza de infinita majestade (Êxodo 15:11; 1Samuel 2:2; Isaías 57:15). Nesse aspecto, somente Ele pode ser santo. (184) Mas há um sentido secundário e ético, o de santidade moral, que indica ser ele absolutamente puro ou bondoso, isento de qualquer deficiência moral ou vestígio do mal, completamente separado do pecado (Jó 34:10; Habacuque 1:13). (185) Isso significa também que Deus é a “perfeição moral e espiritual”, (186) “a fonte e o padrão do direito”, (187) e, como tal, ama o que é bom e odeia o que é mau (Êxodo 3:5; Levítico19:2; Jó 15:15; Salmos 22:3; 47:8; 111:9; Isaías 6:3; 1João 1:5; Apocalipse 4:8; 6:10; 15:4), (188) opõe-se à impureza e mantém sua excelência moral. (189)
Porque os atributos divinos estão todos inter-relacionados, quando Deus age, ele não o faz apenas com um atributo, mas com a totalidade de sua excelência moral, (190) de modo que cada qualidade esteja unificada e harmonizada com as demais. (191) Todavia, de todas elas, há uma que, em virtude tanto da frequência como da ênfase com o qual é usada, ocupa uma posição única de importância: a santidade. Tem sido usada como uma definição da natureza de Deus (192) e é o atributo divino que qualifica todos os demais, (193) mas também condiciona e limita seu exercício. Por essa razão, na punição dos ímpios, a exigência da santidade reprime a defesa do amor aos sofredores. (194)
Mais do que qualquer outro atributo, a santidade constitui a plenitude gloriosa do ser moral de Deus. (195) Por isso, quando vai fazer qualquer juramento, não tendo ninguém mais alto por quem jurar, jura por sua própria santidade (ver Salmos 89:34-36; Amós 4:2). (196) A santidade diz respeito à natureza e ao caráter de Deus. Assim, ao tratar de todas as questões sobre o pecado e sua origem, e o fim dos pecadores, Deus sempre escolhe os métodos e fins que estão em absoluta conformidade com sua santidade. Sua vontade e todas as suas decisões e atividades necessariamente devem estar em harmonia com ela. São santas porque a sua personalidade é santa. (197)
A santidade moral de Deus pode ser vista em suas obras, em suas leis e na redenção dos pecadores. Deste modo, nada que vem dele é imperfeito, os seres racionais foram criados como santos e também santas são suas leis (Romanos 7:12), que proíbem o pecado em todas as suas formas. (198) Ela é “a base moral do universo [...] o sol de todo o Seu sistema”, (199) o padrão e o alvo da obrigação moral das criaturas racionais: “Sede santos porque eu sou santo” (1Pedro 1:16). (200) Dessa forma, “Deus demanda de todos os seres morais uma pureza que corresponda à mesma pureza de Sua natureza”. (201)
Possivelmente Isaías 6 seja a passagem bíblica que melhor ilustre a santidade de Deus. Este capítulo mostra como a revelação da santidade majestosa levou o profeta ao reconhecimento da santidade moral de Deus e de seu próprio pecado diante dela. Mostra como o pequeno enxergava o grande e como o pecador se via diante da santidade moral de Deus, porque o senso de depravação num homem é determinado pelo senso da santidade de Deus que ele possui. (202)
As Escrituras nos dizem que “Deus é amor” (1João 4:8), mas se for perguntado: amor a que? A resposta é: acima de tudo, amor à santidade. (203) Seu amor para com os seres humanos também pode ser expresso como o desejo que ele tem de dar-nos aquilo que ele é – santidade; e de possuir-nos em íntima comunhão com aquilo que ele é: santidade. Desse modo, “tanto o amor insiste na santidade, como a própria santidade de Deus exige santidade no homem. Não pode, pois, haver conflito entre estes dois atributos”. (204)
De fato, Deus não é somente amor, mas luz moral – e, por isso, “um fogo consumidor” (Hebreus 12:29) para toda a iniquidade. Embora o amor possa castigar (Jeremias 10:24; Hebreus 12:6), é a santidade que pune (Ezequiel 28:22). (205) Quando posta em operação, atuando judicialmente (206) e exigindo pureza das criaturas, (207) é chamada de justiça (208) e é administrada aos que não se conformam com a santidade de Deus, aos que resistem, aos que se identificam com o pecado, na forma de penas e sofrimentos. (209) A conexão da ira de Deus com sua santidade pode ser vista no fato de que a ira divina é constantemente apresentada em expressões e metáforas relacionadas à teofanias (Êxodo 19; Salmos 18; Isaías 30; Habacuque 3). Indica a natureza viva e pessoal de Deus (210) e é apresentada como uma expressão justa, própria e natural da natureza divina, a qual é absolutamente santa – e que deve ser mantida em todas as circunstâncias e a todo custo – e que ataca todas as forças que a ela se opõe. (211)
A ira de Deus não é uma vingança maligna e pecaminosa como a nossa, mas uma das perfeições divinas. É o desagrado e a indignação da santidade de Deus em reação contra o pecado. (212) Se Deus deixasse de mostrar sua ira, seria injusto primeiramente consigo mesmo, pois estaria negando sua própria santidade, e também com os homens, uma vez que não daria a eles o que merecem. Além disso, mostraria falta de caráter por ser indiferente para com o pecado. (213)
A Ira de Deus em Relação à Sua Justiça
Os termos hebraicos que aparecem no AT para “justo” e “justiça” são tsaddiq, tsedheq, tsedhâqâh, e os termos gregos correspondentes no NT são dikaios e dikaiosunē, todos tendo a ideia fundamental de conformidade a um padrão, de estrito apego à lei. Esta qualidade é repetidamente atribuída a Deus (Esdras 9:15; Neemias 9:8; Salmos 119:137; 145:17; Jeremias 12;1; Lamentações 1:18; Daniel 9:14; João 17:25; 2Timóteo 4:8; 1João 2:29; 3:7; Apocalipse 16:5), pois embora não haja qualquer lei acima dele, certamente há uma lei em sua própria natureza divina, da qual derivam todas as leis que são reputadas por justas. (214)
Pode-se considerar a justiça de Deus de duas maneiras: (1) justiça absoluta (ou essencial) – aquela inerente a Deus e que se refere à perfeição moral e à excelência de Seu caráter, à retidão pela qual ele se sustenta a si mesmo contra as violações de sua santidade (Deuteronômio 32:4; Salmos 97:1-2; 89:14); e (2) justiça relativa – aquela que ele manifesta em relação a suas criaturas, governando-as com retidão inflexível, dando a cada um conforme o seu merecimento e agindo de modo que todos assim o vejam e o reconheçam. (215) Tal manifestação de justiça é uma necessidade de sua natureza santa que sempre o inclina a agir desse modo. (216)
A justiça relativa pode ser classificada como: (1) justiça rectoral (governativa ou legislativa) – a que estabelece que Deus é reto ao atuar como governador moral do universo, legislando e impondo suas justas leis com promessas de recompensas e advertências de castigo (Deuteronômio 4:8; Salmos 99:4; Isaías 33:22; Romanos 1:32; Tiago 4:12). (2) Justiça distributiva (ou administrativa) – aquela que mostra a retidão de Deus na execução de suas leis, sem mostrar favoritismo ou parcialidade (Romanos 2:11), e diz respeito à distribuição das recompensas e castigos (Isaías 3:10-11; Romanos 2:5-10; 1Pedro 1:17). Pode ser vista na Providência de Deus no decorrer da história, inclusive enquanto opera nossa salvação, e é mais completamente revelada na morte e ressurreição de Cristo. (217)
Ela pode ser apresentada como remunerativa e retributiva: (a) A justiça remunerativa é a recompensa distribuída aos seres racionais em razão daquilo que fazem de bom, e suas bênçãos são expressão da bondade de Deus (1Crônicas 29:14, 16) e sempre condicionais à observância da aliança, i.e., à obediência às leis (Deuteronômio 7:12-24; Mateus 25:21); mas não são meritórias, porque uma vez que somos servos, devemos obedecer ao nosso senhor, o que não implica em recompensa, porque é uma obrigação (Lucas 17:10). (218) Deus se torna devedor ao homem não por causa de algum mérito deste, mas em razão das promessas de bênçãos que Deus lhe fez. Na epístola aos Romanos (6:23) pode ser visto que a recompensa da obediência é caracterizada como um dom, enquanto que a da desobediência é chamada de salário. (219)
Já a (b) justiça retributiva (punitiva, vindicativa ou judicial) é a justiça responsável pela aplicação das punições e nessa ação Deus é visto como vingador, manifestando sua ira contra os transgressores (Salmos 7:11; 9:4-5; 62:12; Mateus 16:27; Romanos 2:1-11; 2Coríntios 5:10; 2Tessalonicenses 1:6-9). Portanto, ira é o aspecto da justiça que trata da retribuição dos ímpios. (220) Numerosos textos bíblicos apresentam a ira de Deus em termos de uma terrível demonstração de poder (Isaías 30:30; Jeremias 10:10; Habacuque 3:12), que servia para informar que Deus atua para manter a justiça. Por um lado, vinha contra os que se opunham a Deus, por outro, servia para encorajar os crentes a fim de que cressem nele como seu libertador (Isaías 59:16-18; 63:1-6). (221)
A justiça retributiva é a própria e principal esfera de operação da ira de Deus, agindo em conformidade com a santidade divina. Toda punição do pecado é considerada como a intervenção da ira de Deus. Essa conexão entre ira e retribuição, ou julgamento, foi constantemente apresentada à consciência nacional de Israel (222) e também explica os desastres que tem vindo sobre a humanidade. (223) Paulo declara que “a ira de Deus se revela do céu” (Romanos 1:18), isto é, sob a direção de Deus, ou por um divino poder e providência, punindo os pecados e fraquezas dos homens e manifestando a justiça de Deus. Tal revelação não foi inferior àquela que ele tem feito de sua bondade, paciência, longanimidade ou de quaisquer outros de seus atributos. (224) Deus tem cuidado para que sua ira contra o pecado, ou sua justiça, apareça mediante numerosos exemplos de punição infligidos sobre os homens por seus pecados, em seu providencial governo do mundo.
Desse modo, o mesmo Deus que dá a todos o sol, a chuva e sua bondade (Mateus 5:45; Atos 14:17) também oferece claros sinais e testemunhos de sua ira, severidade, e indignação ou justiça punitiva, (225) aos que não se conformam com a santidade. (226) A justiça de Deus também é revelada na constituição de nossa natureza, pois a despeito dos sofismas do entendimento e da degradação moral, todos os homens têm uma consciência de justiça e sabem que é justo o juízo de Deus segundo o qual os que pecam são dignos de morte (Romanos 1:18-20, 32; 2:12-16). (227) Como obra de sua justiça, a ira de Deus é revelada aos que estão fora de Cristo e sem Cristo (Efésios 2:3, 12), (228) mas nunca é injusta nem excessiva e enquanto houver tempo de graça, Deus não a deixa alcançar sua plenitude (Oseias 11:9). (229)
É verdade que às vezes o governo divino não parece ser justo, pois quem vive em pecado nem sempre é punido e os justos com frequência parecem não ser recompensados. Já no AT, o conceito de retribuição não era dominante, pois nem sempre as coisas iam bem para os justos ou iam mal para os ímpios. (230) De fato, tanto o Pentateuco, como os Salmos, os profetas e o livro de Jó atestam o contrário. (231) Também no NT pode ser visto que o clamor dos mártires por vingança não é de pronto atendido (Apocalipse 6:10-11). Há uma demora, para mostrar que “a vingança, purificada de toda a ânsia humana em prol dela, é deixada para Deus”. (232) A compreensão da ira de Deus tem como pano de fundo o conceito da justiça de Deus, mas não uma justiça ministrada por um princípio impessoal, de efeito automático, antes aquela que advém de um Deus que tem fortes emoções e que está pessoalmente interessado. Em razão disso, a justiça divina não deve ser avaliada no curto espaço de uma vida, pois aqui ela é frequentemente incompleta ou imperfeita. Antes, como nossa vida aqui não é tudo, essa justiça precisa ser vista também como escatológica e no escopo da eternidade quando então será completa (Isaías 9:7; 11:4; 42:1; 56:1; Jeremias 23:5; Oseias 2:19). (233)
Deus é o legislador e o justo juiz e é somente no juízo final, quando apresentar um veredicto judicial sobre cada homem, que todos, mesmo aqueles que serão amaldiçoados, terão e saberão que sua maldição é justa, de modo que nenhuma criatura encontrará mesmo a menor falha em sua perfeição. E é nesta vindicação do caráter de Deus que residirá a segurança e a liberdade do universo inteiro, por toda a eternidade. (234) (Clique aqui para a continuação deste capítulo 1 – A Ira de Deus em Relação ao Seu Amor).

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